Arquivo para 9 de maio de 2010

Pãe

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Drummond

Hoje, uma das mais importantes datas para o comércio, o Dia das Mães, não precisarei entrar numa briga de foice num dos tantos shoppings de Floripa para engalfinhar-me com milhares de pessoas em busca de um presente. Demorei um tempo, mas aprendi que não preciso transigir a mais uma convenção social e cair no papo-mole do hiperconsumo.

Minha mãe e as mães dos meus filhos e as tantas mães que me cercam já se acostumaram com o fato de tratá-las, neste dia, como nos demais 364 dias do ano, com o mesmo carinho, nem mais, nem menos. Pra minha mãe telefono, como faço todo domingo, mas não é pra desejar um “Feliz Dia das Mães”. É pra falar com ela. E no Natal, Páscoa, aniversários, Dia dos Pais, etc. Comprar presente? Sim, às vezes, mas noutras vezes escrevo um poema, pinto uma camisa, dou um beijo. E não precisa ser exatamente no tal dia das mães.

Um dia como estes, com cara de chuva, talvez seja um bom momento pra “uma cerveja antes do almoço” pra, como diria o Science, “ficar pensando melhor”. Quem sabe dessacralizar um pouco as mães. Afinal, ora bolas… Tem horas que a mãe da gente é bem pai d’égua[1], mas mães também tem defeitos, não tem?

Imaginem que conheci o caso da Wania (www.portalcienciaevida.com.br), uma mãe que, para impedir o pai (o biólogo Otávio Marques, o Tatá) de ver a própria filha, acusou-o de abusar sexualmente da filha Isabela! Felizmente o pai já foi inocentado pelo próprio Ministério Público, que analisando depoimentos e perícias, não encontrou provas ou indícios que o incriminassem. Com este mesmo ato, Wania cometeu outra monstruosidade: a alienação parental. Esta contra a própria filha. Casos de alienação parental são tão frequentes que tramita no Senado Federal um projeto de lei que pretende regulamentar e possibilitar a punição nos casos em que um dos genitores: realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; dificultar o exercício da autoridade parental; dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar.

No outro extremo, quero falar de uma maternidade que considero das mais belas: um caso de adoção da mãe pelas filhas. Isso mesmo: uma mãe adotada pelas filhas. Minhas irmãs Yuki e Darani moram com a mãe biológica, Ana e tem a alegria do convívio com outra mãe não biológica. Engrácia, uma amiga que, com-vivendo, com-graçando, com-partilhando, dividindo misérias e alegrias durante mais de duas décadas teve praticamente adicionado ao seu nome, pelas minhas irmãs, o prefixo mãe. Elas não a chamam de Engrácia, mas de Mãe Engrácia. É consenso entre todos, incluindo a própria mãe biológica, Ana, que o fato dela não ter relações consanguíneas não a faz menos mãe. Ana, é claro, também desempenha sua maternidade, substituindo ainda, em grande medida, muitas tarefas que não podem ser desempenhadas pelo pai, que vive no Japão. Ana é, portanto, Pãe.

Mas na sociedade falocrática em que ainda vivemos, dizemos: – “Este pai é uma mãe” – quando queremos elogiá-lo, mas jamais dizemos que tal mãe é um pai. Talvez soasse até ofensivo. De qualquer modo, há uma tendência crescente de valorização da paternidade que pode contribuir muito pra comprometer um pouco mais a ainda descompromissada figura masculina com a criação dos filhos.

O garoto cantor holandês Terence Uphoff, por exemplo, compôs uma música (Twee Vaters) na qual homenageia seus dois pais. Sim, ao contrário de minhas irmãs, Terence tem dois pais. Diz ele: “eu tenho dois pais/ Dois pais de verdade/ Que podem, se fizer-se necessário/ Ambos ser minha mãe”. E ainda: “… E quando fico doente/ Ou tenho febre/ Não existe ninguém que eu conheço/ Que possam ser tão cuidadoso/ Quanto Diederik ou Bas…”

Como a Ana, Diederik e Bas são também pães… quer dizer… não, não é o plural de pão… Ah! Vocês entenderam! E, felizmente já conheci muitos pais que trocam fralda, fazem dormir, dão mamadeira (e se produzissem leite, certamente amamentariam com prazer), levam à escola, são ternos e carinhosos com os filhos… Enfim, são também pães. Infelizmente tal perfil p(m)aterno ainda não é a regra.

Mães que são pais, pais que são mães. Quem sabe uma sociedade onde estes papéis sejam diluídos e que homem e mulher, amigos ou adversários, solidários ou inimigos, se amando ou odiando, possam compreender que a criança não é propriedade privada, nem joguete, nem objeto de disputa, que as diferenças ideológicas e morais dos pais não podem constituir empecilho para o bem estar dos filhos, quem sabe?

Feliz Dia das Mães?? E que tal “Alegre Maternidade a tod@s!” ou ainda… que tal não falarmos nada… Silenciosamente abraçarmos, aconchegarmo-nos, amarmos nossas mães… E pães!

Welton Yudi Oda

[1] Pra quem não é manaura, ou nortista, ou nordestino, calma! Pai d’égua não é um xingamento, é um elogio.

EDITORAS DE LIVROS DIDÁTICOS DÃO MIMOS A PROFESSORES

Este ano a rede pública de ensino irá escolher, dentro da política do Plano Nacional do Livro Didático – PNLD do Ministério da Educação, as obras que serão utilizadas nos próximos anos.

Como o Ministério da Educação já está preparando o manual com a descrição daquelas obras que estão de acordo com os PCNs e a política educacional do Ministério, as editoras, com seus promotores, vendedores, livreiros e autores, já iniciaram a corrida às Secretarias estaduais e municipais de educação e às escolas.

Não é de se estranhar a permanência deles nas escolas com dicionários, atlas, apagadores, pincéis e às vezes lava-jatos turbinados. Quinquilharias.

Outros organizam encontros com aluguéis de centro de convenções, coffee- break, distribuição de flores para as mães e oferta de kit de livro didático e presença de autoridades ligadas às secretarias de educação.

Tratamos desse tema porque hoje, dia 08 de maio, das 09h às 12:30h, no Estúdio 5, os professores da rede estadual foram convidados para participar de um curso de formação continuada sobre Educação, promovida pela Abril Educação, com a presença do palestrante Pasquale Cripro Neto, que falou do tema: Língua portuguesa na sala de aula: uma conversa com o professor Pasquale. Esteve também, da área de língua portuguesa, Vera Marchezi e outros autores de livros didáticos que após o coffee-break em seis salas separadas, conversaram com professores por disciplinas.

Vemos nesse tipo de atividade uma prática do capitalismo de mercado. As editoras irão oferecer seus produtos e para tal usarão todo tipo de marketing para convencer seus clientes; sendo, primeiramente, o governo, através dos professores e os alunos que receberão as obras escolhidas.

Os professores, nesse momento, terão uma responsabilidade muito grande. Responsabilidade política e econômica. Verificar, ler os livros, comparar preços, pois será do nosso bolso, via governo federal, que se adquirirá tais obras.

Observamos nessa exposição da Abril Educação que eles compraram a Editora Ática e a Scipione. As ditas pequenas estão sendo engolidas pelas grandes.

Não devemos também esquecer que a Editora Abril é responsável pela edição da Revista Veja, crítica voraz do governo Lula ao ponto de manter um articulista como Diogo Maynard, que escreve preconceituosamente contra o Presidente da República.

Outra questão que levantamos é sobre a escolha do livro. Como isso envolve montante enorme de dinheiro, o governo federal, através do MEC, deve organizar melhor o processo de escolha. Não sabemos, este ano, como essa estrutura está montada, mas as experiências que temos de anos anteriores são de que os professores escolhem os livros colocando a primeira, segunda e terceira opção num formulário e isso é repassado via internet para o Ministério da Educação.

Há um dia para isso. O professor muitas vezes está tendo acesso pela primeira vez ao manual do PNLD. Lê superficialmente e tasca o código do livro. Isso tem que ser revisto. O professor deve ler tudo sobre os livros indicados e depois conversar com os outros professores da disciplina. Após esse diálogo cada um defende o livro que considerar melhor e escolhem conjuntamente, caso contrário, cada um faz sua escolha, mas o importante é que se faça diferente dos anos anteriores. Sem pressa, corre-corre para ir para casa ou comércio.

Há professores que reclamam de livros escolhidos, porém, devem entender que tal livro é escolhido porque o mesmo foi o mais recomendado pelos docentes.

Outra questão que o MEC deve ficar mais atendo é sobre essa distribuição de brindes, prêmios, mimos para autoridades da educação, gestores, professores. Sabemos que não é permitido irem às escolas. Do ponto de vista político-eleitoral, classificamos isso como compra de votos, e é crime. Assim também devemos ver nestes casos.

Como estamos trabalhando com educadores, pessoas comprometidas com a educação, entendemos que não vai ser um mimo que comprará tais consciências, mas o desejo de fazer uma educação que transcenda livros didáticos, pois muitas vezes eles são vazios, trazem textos desérticos, fora de nossa realidade, não contribuindo para criações e dizeres diferentes.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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