Arquivo para 24 de junho de 2010

COMMONWEALTH: AMOR E PÓS-CAPITALISMO

Por Bruno Cava, no Outras Palavras*

Déjeme decirle, a riesgo de parecer ridículo,
que el revolucionário verdadero está guiado
por grandes sentimientos de amor
Ernesto Guevara

Antônio Negri esteve no Brasil em 2003, na sua primeira viagem internacional depois de ser libertado da prisão, após cumprir pena na Itália por sua militância nos anos 1970. Durante a década, fez outras viagens à América do Sul, para conhecer de perto os movimentos de transformação catalisados pelos governos de esquerda no Brasil, na Argentina e na Bolívia. Nessas ocasiões, ofereceu palestras, participou de congressos, foi entrevistado pelo programa Roda Viva, dividiu mesa de debates com Gilberto Gil, defendeu sem papas na língua o governo Lula e lançou um livro em que discute diretamente a realidade social latino-americana (“Global: biopoder e lutas em uma América Latina globalizada”, 2005, em co-autoria com Giuseppe Cocco).

Não me esqueço de uma passagem marcante de uma dessas vindas. À noite, no bairro de Santa Teresa (Rio de Janeiro), fora do circuito oficial de eventos acadêmicos, Negri prelecionava para um círculo de conhecidos sobre as nuances políticas de seu sistema-mundo. Lá pelas tantas, um artista performático presente interrompeu-o com impaciência: “Tá bom, Toni, mas agora fala um pouco do amor! Do amor!”. Tinha tudo pra resultar em saia-justa, mas o filósofo italiano prontamente passou a discorrer sobre o conceito de amor e sua importância capital dentro do pensamento de esquerda. Impressionou os presentes.

Tomando a sua obra, chega-se à conclusão de que não poderia ser diferente, pois o amor atravessa-a de ponta a ponta. Bebendo da inesgotável filosofia de Spinoza, em “Anomalia Selvagem” (1981) o amor já aparece como constituinte da potência revolucionária, a partir da multiplicação do desejo (cupiditas) e da força em desenvolvê-lo (vis). Tema desenvolvido posteriormente em dezenas de livros, muitos dos quais traduzidos para o português, como O Poder Constituinte, De volta, Kairós, Alma Vênus, Multitudo, O Trabalho de Dioniso, Adeus Sr. Socialismo, entre outros.

Nesse projeto, Commonwealth se propõe a inventar um novo amor.

Último livro da trilogia escrita a quatro mãos com Michael Hardt, – seqüenciando Império (2000) e Multidão (2004), – o livro saiu pela Harvard University Press no ano passado e ainda aguarda versão em português. O título não deve ser traduzido por Comunidade, mas por Comum– mas bem poderia ficar Amor e Comum. De fato, os autores declaram que o amor é essencial para a filosofia e a política. Sem ele, e sem a arte dos bons encontros que o favorece, não se pode falar em libertação e democracia. Constituir um novo homem e uma nova sociedade implica radicalizar o amor – no comum de formas de vida, bens, afetos, imagens e conhecimentos. “O amor é uma força econômica.” O amor não tem medida, é só excesso, vence a morte e opera a revolução, como princípio da organização (política) da produção. Eis aí síntese cúpida do livro de 433 páginas.

Para fazer bom proveito de Commonwealth, não é preciso recorrer à obra pregressa da parceria Negri e Hardt. O livro arremata os dois anteriores e amadurece as suas questões, problemas e conceitos. Se o robusto estofo filosófico é assegurado pelo intelectual padovano de 76 anos, a prosa fluida, simples e atlética é tributária de Michael Hardt – professor de literatura de língua inglesa. Indicado, portanto, para quem desgosta de penosos e herméticos livros de filosofia e concorda com Ortega y Gasset: “a clareza é a cortesia do filósofo.” Hardt, por sinal, é autor de uma das mais límpidas introduções ao pós-estruturalismo francês (Gilles Deleuze: um aprendizado em filosofia, 1993).

Um amor que mobiliza a cidade dos homens,
é combinação produtiva de desejos e afetos,
passa longe da família, carreira profissional e nação

Voltando ao texto, Commonwealth resgata Dante e sua noção de vita nuova. Esta se realiza na comunhão de amor que mobiliza a cidade dos homens em busca da autonomia, da riqueza e da igualdade. Amor nada sentimental, que se desdobra ética, estética e politicamente. Cupidez que é causa e consequência, em ciclo virtuoso, da liberdade e potência de cada um, na sua combinação produtiva de desejos e afetos. Portanto, amor que passa longe da família, da carreira profissional e da nação – três vilões a bloquear o comum e expropriá-lo em nome de felicidades atrofiadas, impotentes e socialmente desiguais. A família corrompe-o pela exclusividade afetiva, hierarquia paternal, narcisismo filial e mecanismos de transferência de propriedade. A carreira profissional compromete-o pela alienação do trabalho, o individualismo, o controle patronal e a concepção unidimensional de tempo. E a nação pela homogeneização das diferenças, a imposição das maiorias, a xenofobia intrínseca e os ideais abstratos de glória, sacrifício e destino coletivo.

Com efeito, todo o último livro da trilogia pode ser lido como uma sinfonia, pautada pela repetição de motivos rítmicos e melódicos, ao redor do tema do amor revolucionário. Isto é, do comum. Commonwealth consiste assim num tratado de democracia radical, numa reedição contemporânea da Política arquetípica, dividida em seis partes densamente discursivas, entremeadas por seis ensaios mais leves e de imaginação livre (De Corpore, De Homine e De Singularitate, cada qual subdividido em dois capítulos). A orquestração retorna muitas vezes às mesmas cadeias argumentativas, porém sobre territórios discursivos diferentes, que vão da ontologia à antropologia, da filosofia da história à geopolítica, da ética à economia política. Logo, corta em diagonal os campos do conhecimento, em total transdisciplinariedade.

É impróprio falar em influências teóricas do livro, uma vez que não há compromisso com rigor exegético. Deliberadamente. Na realidade, perspectivista, o texto mobiliza autores amiúde contra eles mesmos. Trata-se de achar o devir minoritário do pensador que serve de referência. Esse conceito de Gilles Deleuze designa o procedimento de seleção de linhas conceituais periféricas, ocultas, menores no sistema de outro autor – o ponto de fuga é então, por assim dizer, repatriado em nova perspectiva.

Por isso, comparece em Commonwealth um Karl Marx minoritário, extraído não da vasta ortodoxia socialista, mas dos marxianos Grundrisse – cadernos manuscritos, volumosos e não-publicados em vida, onde o autor aponta outras direções a seu pensamento. Daí a sintonia da obra com o materialismo transformador, a análise fina do estatuto do trabalho (atualmente pós-industrial) e a recusa à república da propriedade e aos direitos burgueses. Mas, ao mesmo tempo, a dissintonia com a dialética histórica, a teleologia da ditadura do proletariado e teorias do colapso do capitalismo como evento transcendente, que vem de fora para abolir as classes por decreto.

Estas teorias, aliás, são enfrentadas logo na primeira parte, sob a legenda discurso apocalíptico. Os autores têm como alvo principal o filósofo Giorgio Agamben – autor dos hits acadêmicos Homo sacer: o poder soberano e a vida nua (1995) e Estado de exceção (2003), – para quem somente uma ruptura radical, ontológica e messiânica poderia salvar a civilização ocidental de sua falência política. Negri e Hardt chegam a convocar o mitólogo Evêmero (IV a.C). No evemerismo, o foco em teorias escatológicas “eclipsa e mistifica as formas dominantes de poder que continuam a reinar hoje – poder da propriedade e do capital, poder respaldado pela lei”.

Também onipresente no texto negri-hardtiano um Michel Foucault minoritário, abduzido de seus livros e cursos do final da década de 1970. Neles, o professor do Colégio da França discorre sobre a matriz biopolítica do poder (ou biopoder). Ou seja, um governo instaurado sobre os viventes e as populações, com base em saberes biológicos, médicos, psicológicos, estatísticos. Na esteira de outro intelectual, Gilles Deleuze, Commonwealth insiste no duplo sentido do poder na filosofia de Foucault. Se por um lado, a partir do vivente, o biopoder expõe, esquadrinha, controla e assim constitui o sujeito; por outro lado, a vida possui um rendimento positivo que independe daquele. Em síntese, a resistência biopolítica não aparece a posteriori do exercício do poder e não está enclausurada irremediavelmente em sua operação de captura. A resistência precede o poder, como a sua condição. Logo, o biopoder (opressão) não se confunde com a biopolítica (resistência). A resistência é primeira. Ontologicamente.

Para produzir, o capitalismo precisa agora
conceder liberdade. Mas ela, potencializada pelo desejo,
pode dispensar o sistema – violentamente, se preciso

Em termos práticos: pode existir enfim uma saída, para contornar e subverter as malhas cada vez mais cerradas e abrangentes das sociedades de controle. Existe uma escapatória para o pensamento e a ação de esquerda, que não finde recodificada e domesticada pelo capitalismo. Existe uma alternativa para a modernidade capitalista – a altermodernidade analisada ao longo do livro. E essa saída não é ex machina, como o deus de mentira que irrompia no palco para salvar o dia, ao final das peças gregas. Para Negri e Hardt, não adianta reinventar a roda. Os movimentos de libertação já trabalham na construção do comum, num fazer multidão baseado em redes colaborativas, no trabalho imaterial, na militância glocal (global + local), na produção de renda por fora dos circuitos capitalistas de fixação/exploração do trabalho. A análise de Negri e Hardt não opera pelo lado do poder, mas sob a espécie da resistência: “As lutas pela liberdade determinam todo o desenvolvimento das estruturas de poder”.

Se para os apocalípticos e pessimistas de esquerda, há um buraco negro no horizonte, uma sociedade inteiramente submetida a dispositivos difusos e perversos de controle, para os autores de Commonwealth a sociedade contemporânea vaza por todos os lados e é o poder capitalista quem padece de um impasse. Para produzir numa sociedade pós-industrial, o capitalismo precisa conceder liberdade e promover a produtividade imanente à vida. Mas essa mesma liberdade, potencializada pelo desejo, constituída no comum, articulada em multidão, inebriada de amor, pode dispensá-lo – violentamente, se preciso. É o drama de conter um lobo pelas orelhas: se soltá-lo, ele foge; mas se continuar segurando-o, ele morde.

O novo amor de que fala Commonwealth não se traduz por otimismos poliânicos ou entusiasmos ingênuos. Não é tampouco uma nova aposta pascalina: como se fosse preciso resistir porque não teríamos outra opção. Para os autores, o amor revolucionário significa que é preciso resistir porque é desejável. Porque queremos. E se não há garantias de que, resistindo, o amanhã será melhor, podemos “reconhecer que essa contingência não deve levar a conclusões cínicas, a ignorar o fato que sim, é possível mudar a sociedade e a nós mesmos”. Afinal, a grande felicidade, fazer tudo aquilo que somos capazes em comum, a beatitude de Spinoza, conquista-se politicamente na multiplicação de vida que é a própria revolução democrática.

* Bruno Cava é autor Autor de A vida dos direitos: Ensaio sobre violência e modernidade (Lumen Iuris, 2008), publica textos sobre cinema, literatura e filosofia, entre outros temas, em diversos sítios, mantém o excelente blog Quadrado dos loucos, e, como ele próprio diz, está em guerra não somente contra seu tempo e a sua geração, mas sobretudo contra si mesmo.

INFORME DA REUNIÃO DA ABGLT E UNICEF

enviado pela ABGLT

Pessoal, no dia 16 de junho de 2010 tivemos uma reunião entre a UNICEF e a ABGLT para diálogo sobre o Oficio 052 (abaixo).

Participaram da reunião Maria de Salete Silva e Julia Ribeiro da UNICEF, e Toni Reis da ABGLT (foto).

Na ocasião, falamos do descontentamento com a ausência na cartilha da UNICEF sobre diversidade da questão de orientação sexual e identidade de gênero.

As representantes da UNICEF se mostraram muito abertas a ouvir as sugestões e apoiar nossas proposições.

Pedimos para que ABGLT seja chamada para participar do componente LGBT do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (programa executado com várias parcerias). Inclusive para opinar sobre material que está sendo usado nas escolas e trata da questão da homossexualidade.

Pedimos o apoio institucional para o Projeto Escola Sem Homofobia, inclusive para os materiais que estão sendo construídos com várias parcerias e deverão ser lançados em novembro de 2010.

Pedimos apoio ao Prêmio Educando para Diversidade Sexual.

Pedimos que a UNICEF entre na luta pelo Nome Social, uma campanha da ABGLT e ANTRA e outras parceiras. Pedimos especificamente para mandar ofícios aos 15 estados que ainda não adotaram o nome social para as pessoas trans.

E também solicitamos que nos ajudem a fazer o Manual de Educação LGBT, aos moldes do Manual de Comunicação LGBT.

O saldo da reunião foi muito positivo. Esperamos que os devidos apoios sejam efetivados e que sejamos consultados em futuras ações da UNICEF que envolvam a Diversidade na infância e adolescência.

Derrubando murros e construindo pontes.

Desatando os nós e construindo redes.

Cordialmente,

Toni Reis

**************************************

Ofício PR 052/2010 (TR/dh)……………………… Curitiba, 06 de abril de 2010
À:        Exma. Sra. Marie-Pierre Poirier
Representante do Unicef no Brasil
Assunto: Publicação do Unicef e Solicitação de Parceria
Prezada Senhora:
A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – é uma entidade de abrangência nacional, fundada em 1995, que congrega 237 organizações congêneres e tem como objetivo a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população. A ABGLT também é atuante internacionalmente e tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas.
Neste sentido, participamos na semana passada da Conferência Nacional de Educação, onde tivemos acesso à publicação do Unicef “O direito de aprender: potencializar avanços e reduzir desigualdades – situação da infância e da adolescência brasileira 2009”, também disponível em http://www.unicef.org/brazil/pt/siab_capitulos.pdf.
Gostaríamos de parabenizar a publicação por contemplar diversas questões no que concerne a desigualdades, entre elas as pessoas negras, deficientes,  indígenas  e assim por diante. Entretanto, dada a missão da ABGLT em relação às populações específicas de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), sentimos falta de uma abordagem a este respeito na publicação, uma vez que também são populações afetadas pela desigualdade, e é sobretudo na adolescência que a orientação sexual e/ou identidade de gênero diferentes das convencionalmente aceitas são motivos de marginalização e isolamento social.
Tendo em vista as diversas pesquisas publicadas nos últimos anos que confirmam a afirmação acima (ver em http://www.abglt.org.br/port/pesquisas.php), a ABGLT, em parceria com a Pathfinder do Brasil, Reprolatina, Ecos e Gale, e com o apoio da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT e financiamento do Ministério da Educação, está desenvolvendo o Projeto Escola Sem Homofobia, que visa contribuir para reverter este quadro. O projeto já envolveu a realização de cinco seminários regionais e uma pesquisa em onze capitais com o objetivo de obter subsídios para orientar políticas públicas de educação no campo LGBT. Também está em curso a elaboração de materiais educativos para disponibilização na rede pública de ensino.
Assim sendo, gostaríamos de propor a possibilidade de uma parceria com o Unicef Brasil no sentido de integrar a iniciativa do combate à homo/lesbo/transfobia nas escolas, e solicitamos que quando apropriado as próximas publicações do Unicef Brasil contemplem também a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero na escola e na sociedade, com base nas pesquisas científicas disponíveis.
Na expectativa de sermos atendidos, ficamos no aguardo de sua resposta e colocamo-nos à disposição.
Cordialmente,
Toni Reis
Presidente

MÊS DE JUNHO, O MÊS QUE NÃO EXISTIU PARA O PSDB

Vindo lá do fim do ano de 2009, o que se tinha como certeza demonstrativa na realidade que se mostrava frente aos pré-candidatos para disputa eleitoral à Presidência da República era o pré-candidato da direita obscurantista, José Serra, disparado na frente da pré-candidata do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores, dos partidos aliados e da maioria do povo brasileiro, Dilma Rousseff, segundo a própria direita, uma mera desconhecida.

Com a chegada do ano de 2010, e com ele novas pesquisas, lá estava Serra novamente em frente à Dilma, ainda mera desconhecida, segundo a direita obscura. Foi então que aconteceu de Dilma deixar seu posto de ministra da Casa Civil, e começar a se mostrar desenvolta no universo dos contatos, e das relações com grupos, pessoas, entidades, estados e municípios. Começou a realizar o que Serra já realizara há mais de 16 anos, ora como membro do governo Fernando Henrique, ora como candidato à Presidência em disputa com Lula, ou como governador de São Paulo.

Chegados os meses de março e abril lá estava Dilma na cola de Serra. Veio o mês de maio, mês das mães, das noivas, mas acima de tudo das flores que agitam as ideias alegres de liberdade. Entre flores e ideias, Dilma, para os institutos Sensus e Vox Populi, deixava para trás Serra. Mas para os institutos de pesquisa de tendências obscurantistas como Datafolha e Ibope – que demonstram odiar flores e ideias – a realidade era outra. Aconteceu o empate entre Serra e Dilma, agora não mais uma mera desconhecida.

Sempre envolvida na névoa de suas fantasias alucinatórias, a direita atribuía a subida de Dilma ao fato da ex-ministra ter aparecido em programa do PT de televisão e rádio junto com Lula. O que a levou a entrar com representação no Tribunal Superior Eleitora (TSE) contra os dois, acusando-os de terem realizado propaganda eleitoral antecipada. Entretanto, para se confortar diante do real adverso, ela proferia: “Esse mês de maio é deles, mas o mês de junho será nosso.”

Veio o mês de junho, veio a Copa do Mundo África Nós, veio a Seleção Brasileira se arrastando com um futebolzinho de ofender peladeiro, veio o pastor Kaká sendo expulso de campo, veio a Globo brigando com Dunga, vieram as confirmações das candidaturas para Presidência, veio a penúltima semana do mês, e veio a pesquisa da CNI/IBOPE, ontem, dia 23, mostrando Dilma, a ex-mera desconhecida, com 40%, e Serra, o super-conhecido, com 35%. Comparando a última pesquisa dos dois íntimos institutos, Data/Ibope, em que os dois pré-candidatos – na época – apareciam com 37% cada, Serra, ao passar para 35%, desceu dois pontos, e Dilma, ao passar para 40%, subiu três pontos. Agora, não há mais margem de erro: Dilma disparou.

Diante do real perverso, o presidente do partido obscurantista PSDB, Sérgio Guerra – que está sendo acusado de manter funcionários fantasmas, e que estão lhe deixando com os cabelos arrepiados -, recorreu à mídia-cúmplice para desqualificar a pesquisa do instituto da própria direita, afirmando que ela está errada, pois eles possuem uma pesquisa interna em que mostra que Serra está dois pontos à frente de Dilma. Alucinação de quem anda às voltas com fantasmas.

Resultado da doce espera do mês de junho promissor que tanto a direita guardou: Junho, o mês que não existiu para o PSDB. Ou melhor: para a direita obscura.

PERNAMBUCO E ALAGOAS EM CALMIDADE PÚBLICA

Há o Nordeste mistificado e o Nordeste real. As calamidades do Nordeste mistificado que são decorrentes do Nordeste real buscam suas consolações nas orações que soam como provações. Mas o Nordeste real não responde às orações como provações. O Nordeste real, como suas calamidades que não se resolvem com orações, se mostra como o histórico descaso de governos passados que fizeram dessa região apenas um leito de suas seguranças políticas e econômicas. As ambições de todos os tipos de coronelismos que ofendem o nordestino além da dor já posta no descaso.

As chuvas que ora alagam os Estados de Pernambuco e Alagoas, deixando dezenas de pessoas desabrigadas e desesperadas, poderiam ser entendidas, mesmo com suas cruéis consequências, como um fator natural que apanha esses habitantes de forma dolorosa apenas porque foram habitar em lugares desprovidos de qualquer segurança habitacional. Entretanto, a realidade do Nordeste frágil, desamparado, pelas oligarquias perversas, impedem que busquemos respostas apenas no fator natural, visto que essa perversidade impede uma compreensão nesse sentido.

A lógica da dor que passa a população nordestina é produto da ilógica da ganância e da impostura que alimenta a miséria para que essa impostura permaneça como leito de satisfação desse senhores tirânicos.

Cidades não perdem todas suas realidades físicas e sociais e passam para um estado de calamidade pública tão somente pela força das águas das chuvas. Essas perdas estão ligadas visceralmente as expropriações administrativas que foram vítimas durante o transcurso de suas histórias.

São mais de 40 mortos. 40 mil pessoas desabrigadas. 54 cidades atingidas fortemente. 9 cidades em estado de calamidade pública. Só em Alagoas são 74.515 pessoas fora de suas casas. 47,8mil desalojados.

Para o presidente Lula o ocorrido não tem explicação. É verdade se tomarmos apenas como um fenômeno pluvial. Choveu em quantidade em um dia como se fosse em um mês. Mas há explicação para as consequências. Elas encontram-se no descaso político de dezenas de anos pelo qual passou o Nordeste.

A prefeita do município de Branquinha, Renata Moraes, a 62 quilômetros de Maceió, capital de Alagoas, em seu desespero, bradou: “Eu não tenho mais cidade. Ela foi devastada, se acabou. Branquinha como conhecemos, é passado”. Essas palavras sofredoras confirmam a perversidade dos homens.

Ninguém escreve “Súplica Cearense” apenas porque tem em sua existência o fenômeno da seca provocado por uma posição geográfica. Se escreve “Súplica Cearense” porque além da geografia existe a política. E no caso da oração a política da exploração e da ofensa que resulta sempre na dor, na calamidade social. O que passa o Nordeste.

4° CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CIDADES APRESENTA SUGESTÕES

Com o objetivo de diminuir o déficit de habitação no Brasil e estimular programas habitacionais como o programa “Minha Casa Minha Vida”, a 4ª Conferência Nacional das Cidades terminou ontem, dia 23, com a elaboração de sugestões cujo intento é beneficiar famílias de baixa renda.

Falando sobre os pontos principais da Conferência, o coordenador da secretaria executiva do Conselho das Cidades (ConCidades), Elcione Diniz Macedo, disse: “O combate ao déficit habitacional, especialmente na faixa de até três salários mínimos, foi um dos pontos principais da Conferência”.

O documento elaborado na Conferência traz a aceleração do processo de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 285/2008, a PEC da Moradia. A PEC da Moradia propõe que no mínimo 2% dos recursos federais, e 1% dos recursos dos estados e municípios sejam dirigidos para habitação.

Temos que ver os conjuntos das resoluções para avaliar a viabilidade e disponibilidade de recursos”, considerou o ministro das Cidades, Márcio Fortes, sobre as resoluções enviadas para análise no Ministério pelo ConCidades.

PRE/AM QUER PROIBIR PROPAGANDA ANTECIPADA DE OMAR AZIZ EM VÍDEO INSTITUCIONAL

do sítio do MPE/AM

Pedido à Justiça inclui a proibição de veiculação do vídeo e condenação ao pagamento de multa de mais de R$ 67 mil

A Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas (PRE/AM) representou junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE/AM) contra o governador Omar Aziz por propaganda eleitoral antecipada em vídeo institucional, veiculado nos dias 1º e 2 de maio deste ano.

A representação também foi ajuizada perante a empresa Mene e Portella Publicidade Ltda., que produziu o vídeo, e o chefe da Agência de Comunicação do Estado do Amazonas (Agecom), Roberto Duarte, responsável pela contratação da agência de publicidade.

O vídeo intitulado ‘Caic Gilson Moreira’, com duração de 30 segundos, teve um custo de produção de veiculação de mais de R$ 67 mil. A peça publicitária divulga a reforma e ampliação do Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) da Cidade Nova, além do funcionamento de mais 11 Caic’s no Amazonas e encerra com o slogan “Com competência o Amazonas segue em frente”.

Propaganda institucional

A Constituição Federal preconiza que a publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, não podendo apresentar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

Para a PRE/AM, mais do que informar a população a respeito das ações de governo, o vídeo procura incutir nos eleitores a ideia de aprovação do governo do Estado, na pessoa do governador Omar Aziz. Os constantes elogios ao atual governo do Estado e a referência ao futuro, com a expressão “o Amazonas segue em frente”, dão o ar de continuidade que o atual governador e pré-candidato à reeleição pretende conferir à campanha, caracterizando a propaganda eleitoral antecipada.

A PRE/AM pede à Justiça Eleitoral que determine, em medida cautelar, a proibição de veiculação do vídeo ‘Caic Gilson Moreira’, sob pena de multa de R$ 50 mil a cada nova veiculação. Além disso, o pedido inclui também a condenação dos representados, nos termos da Lei nº 9.504-97, a pagamento de multa no valor da propaganda.

Sacos de pão

O governador Omar Aziz foi representado pela PRE/AM junto ao TRE/AM no início deste mês, por propaganda eleitoral antecipada em sacos de pão. Foram distribuídos 300 mil sacos de pão com impressos referentes a programas do governo estadual a 75 padarias de Manaus. A representação aguarda julgamento no TRE/AM.

JOSÉ RICARDO DIZ QUE A CMM APROVOU LDO SEM LEVAR EM CONTA ANSEIOS DA POPULAÇÃO

A Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviadas à Câmara Municipal de Manaus (CMM) pelo Executivo municipal foram aprovadas ontem (23) sem levar em conta algumas das principais emendas propostas que se coadunam com as necessidades mais prementes da população de Manaus.

Foi o que afirmou o vereador José Ricardo Wendling (PT), que apresentou 15 emendas à casa, sete das quais foram aprovadas pelas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ), mas todas elas acabaram derrubadas pela bancada do prefeito cassado Amazonino na votação em plenária. “Lamento que as nossas emendas não sejam aproveitadas pelo executivo, mesmo sendo anseios da população. E mais uma vez este parlamento demonstra que está subserviente ao poder executivo”, declarou Ricardo, informando que por tal votou contra o Projeto da LDO por não ver clareza nenhuma nos critérios de votação na casa.

Entre as emendas propostas pelo vereador petista, estão solicitações colhidas em reuniões e assembleias populares e que dizem respeito à toda a coletividade manauense: “Adequação do sistema de arrecadação municipal, para que atenda às micro e pequenas empresas para o Simples Nacional; diminuição de 25% para 15% o percentual de remanejamento de verbas entre as secretarias; vedação de celebração de convênio com entidades ligadas a políticos, ocupantes de cargos eletivos, cargos comissionados de primeiro e segundo escalão e seus parentes até o terceiro grau; construção de abrigos de ônibus na cidade; e que a Prefeitura gerencie 100% do sistema de transporte.”

Para quem acompanha atentamente por este bloguinho os interesses dos edis, sabe que eles deixaram de fora da LDO emendas emendas fundamentais das pautas populares e movimentos sociais porque tais emendas ferem diretamente seus interesses pessoais e, é claro, os interesses de Amazonino cassado.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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