!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

Primeira União Homoafetiva reconhecida pela Justiça no Brasil

Na terça-feira passada (29 de junho), a Justiça no Ceará reconheceu aquela que está sendo considerada a primeira união homoafetiva reconhecida pela Justiça Comum no Brasil. “O Judiciário no Brasil afora já vem se manifestando favoravelmente (à união). Na Justiça Comum, acho que somos o primeiro o caso (no Ceará)”, disse o advogado Felipe Rinaldi do Nascimento, que movimentou o processo.

A união de R., uma funcionária pública de 49 anos, e sua companheira, técnica de enfermagem, com 32 anos, é importante não só para o casal em si, mas abre precedente na Justiça em todo o Brasil, é o que acrescenta Rinaldi: “A decisão abre um precedente para que outras pessoas busquem reconhecimento das suas uniões homoafetivas nas varas de família. É importante que elas tenham os seus direitos garantidos: alimentícios, sucessórios, previdenciários etc.”

Ele explica que com a decisão, uma parceira, por exemplo, vai poder participar do plano de saúde da outra. Neste caso em particular, retroativamente, se as duas vierem a se separar, os bens que elas adquiriram desde março de 2003, quando passaram a ter uma união estável, serão repartidos igualmente. Mas isso, segundo as duas, está fora de cogitação.

Rinaldi fala que a partir de agora, referente a estes casos, “o juiz não pode deixar de apreciar alegando obscuridade jurídica”. O que vem confirmado pela própria sentença, na qual se lê que “mesmo inexistindo no direito positivo pátrio a previsão de reconhecimento de união entre pessoas do mesmo sexo, não pode o juiz eximir-se da apreciação de casos nesse sentido proposto”.

O advogado finaliza mandando um recado: “Queria dizer para as pessoas que é muito bom ir atrás desse direito. Tem que acabar com esse tabu. O amor é mais importante.”

Senadora Fátima Cleide pede inclusão da discriminação por orientação sexual na Lei da Criminalização do Racismo

Fátima Cleide com a foto de Alexandre Ivo

Em comunicação de liderança nesta terça-feira (29), a senadora Fátima Cleide (PT-RO) lamentou o assassinato de Alexandre Thomé Ivo Rojão, de apenas 14 anos, morto a pauladas no Rio de Janeiro. Há indícios de que o homicídio, ocorrido na segunda-feira da semana passada, foi cometido por um grupo de jovens e motivado pela opção sexual do adolescente.

A parlamentar disse que o Brasil não pode mais “permitir esta barbárie” e pediu a seus pares a aprovação do projeto de lei da Câmara (PLC 122/06) que inclui na Lei da Criminalização do Racismo a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

Esse garoto teve muita coragem. Aos 14 anos de idade assumiu a sua orientação sexual e morreu por isso. E a nenhum cidadão deste país é dado o direito de tirar a vida de uma pessoa por conta da sua identidade de gênero ou da sua orientação sexual – afirmou a parlamentar.

Fátima Cleide lembrou que já houve avanços no país, como a criação do Dia Nacional de Combate à Homofobia. Mas relatou que o número de crimes de ódio contra essa comunidade ainda é assustador. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, a cada dois dias uma pessoa é assassinada em razão da homofobia, informou a parlamentar, que é membro da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente e coordenadora da Frente Parlamentar e da Cidadania LGVBT.

No mesmo pronunciamento, a parlamentar citou pesquisa realizada na Universidade de Brasília segundo a qual em 25 livros destinados ao ensino religioso no Brasil são encontrados elementos de discriminação contra religiões não cristãs e preconceito contra a orientação sexual e identidade de gênero. Segundo ela, alguns desses textos afirmam que ser gay é doença, embora o termo “homossexualismo” tenha sido retirado do catálogo de doenças da Organização Mundial de Saúde há 20 anos. A senadora pediu que o Ministério da Educação e a Secretaria Especial de Direitos Humanos tomem providências urgentes em relação a essas publicações.

Da Redação da Agência Senado

Terapia de Cura de Gays é condenada pela Associação Britânica de Medicina

É sabido em todo o mundo, se não desde que o mundo é mundo, ao menos desde o surgimento das chamadas ciências e pseudociências da Psiqué, que há psicólogos, psiquiatras e terapeutas charlatães, que sempre estão dispostos a perscrutar a mente de um paciente para extirpar um “segredinho sujo”, falando em linguagem coloquial, geralmente bem aconselhados pelos preconceitos familiares, estão dispostos até a fazer alguém deixar de ser gay. Isto, é claro, muito bem remunerados por longa data. Isto, mesmo depois que a homossexualidade deixou de ser catalogada como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Contra isso, em seu encontro anual, que se realizou na quinta-feira passada (1º), em Brighton, a Associação Britânica de Medicina se posicionou que a chamada terapia de cura de gays é nociva e pode causar até suicídio. Segundo a notícia no Mix Brasil, no evento, foi apresentado ainda uma declaração da Royal College of Psychiatrists em conjunto com outras entidades de psicologia que condena esse tipo de terapia.

Tais palavras foram confirmadas por Tom Dolphin, vice-presidente da Associação, quando disse que “a sexualidade é uma parte fundamental de quem uma pessoa é. Tentar mudar isso pode resultar em uma confusão significativa, depressão e até mesmo suicídio”. Ele acrescentou que não há como forçar uma pessoa a abandonar sua homossexualidade: “Você não pode simplesmente querer se livrar da atração pelo mesmo sexo, não importa o quanto inconveniente isso possa ser”.

A ênfase na questão acontece porque, segundo uma pesquisa realizada ano passado no velho Reino Unido, cerca de 60 psiquiatras e terapeutas ainda se utilizavam das antiquadas práticas de terapia.

O Mix Brasil aproveita para convidar pessoas que já tentaram deixar de ser gay e se tornar hétero por meio de tais terapias para participar da próxima edição da revista Junior, que está querendo contar estas histórias. Para participar é só mandar um e-mail para este endereço.

Casal Gay recorre ao Supremo Tribunal Federal para ter direito a adoção

Breve relato de caso:

Em julho/agosto de 2005, o casal gay Toni Reis e David Harrad deu entrada na Vara da Infância e da Juventude de Curitiba, para qualificação para adoção conjunta.

Em seguida, o casal recebeu a visita da psicóloga e da assistente social da Vara, atendeu os cursos de orientação proferidos pela mesma, respondeu os diversos mandados de intimação e disponibilizou literatura e jurisprudência para auxiliar a análise da promotora e do juiz da Vara.

Passados dois anos e meio, o juiz deu sentença favorável à adoção conjunta, com as seguintes ressalvas:

julgo procedente o pedido de inscrição de adoção formulado… com fundamento no artigo 50, parágrafos 1º e 2º do diploma legal supra citado, que estarão habilitados a adotar crianças ou adolescentes do sexo feminino na faixa etária a partir dos 10 anos de idade.”

O casal, embora feliz pelo reconhecimento da procedência do pedido, considerou as ressalvas discriminatórias e recorreu da sentença.

O Tribunal de Justiça do Paraná, determinou que a “limitação quanto ao sexo e à idade dos adotandos em razão da orientação sexual dos adotantes é inadmissível. Ausência de previsão legal. Apelo conhecido e provido.” A decisão foi unânime, em 11 de março de 2009.

O Ministério Público propôs embargos de declaração cível.

Os magistrados do Tribunal de Justiça do Paraná acordaram, por unanimidade em rejeitar os embargos de declaração em 29 de julho de 2009.

O Ministério Público do Paraná interpôs Recurso Especial para o Supremo Tribunal de Justiça e Recurso Extraordinário para o Supremo Tribunal Federal.

A ação do Ministério Público em propor embargos de declaração cível e interpor recursos representa uma abrupta mudança de postura, tendo em vista que em um primeiro momento se mostrou totalmente favorável à adoção, conforme transcreve abaixo:

… de que a Lei deve servir para atender o objetivo neste caso específico do valor mais importante, que é sem dúvida, garantir ao adotando o direito à convivência familiar comunitária. Quanto ao mais, não se pode desconsiderar o momento da sociedade, ainda que a Lei ainda não tenha acompanhado, tal como é o caso da regulamentação expressa da união homoafetiva.

Tal amadurecimento foi determinante para que, esta emblemática questão, pudesse ser tratada no primeiro caso prático em que oficiamos, de forma madura, clara, despida de rigor excessivo e até mesmo de uma visão conservadora.

Nós, operadores do Direito, temos que nos preparar para, enquanto a Lei não for editada, assegurar os direitos contidos constitucionalmente e estendidos a essa minoria, conscientes de que a Lei existente não pode servir de limites para a prestação jurisdicional. Cabe ao Judiciário suprir as lacunas existentes através da analogia, dos costumes, princípios gerais do direito, e ainda, através dos direitos fundamentais, que são o alicerce do estado democrático de direito (fls. 147 e 148).”

Para Toni Reis e David Harrad

Companheiro Toni,

quando dizemos que este bloguinho está “na torcida” para que você, juntamente com o companheiro David Harrad, consigam esta adoção é por entender que a questão é coletiva nas lutas e causas pela afirmação dos direitos LGBTs, principalmente porque nestes últimos anos em que o acompanhamos é fundamental perceber você sempre como uma pessoas íntegra, amorosa, inteligente, alegre, por isso que já o dissemos tempos atrás que você é hoje no Brasil uma das pessoas mais atuantes não só no que diz respeito aos direitos LGBTs, mas no que diz respeito a todos os direitos humanos.

Portanto, a sua luta, nossa luta, é por uma democracia absoluta, onde todas as pessoas não possam ser discriminadas por preconceitos de qualquer ordem moral preconceituosa.

Assim como nas questões políticas coletivas, sentimos que a sua presença, assim como a do companheiro David Harrad, são fundamentais para que uma criança cresça completa de corpo e alma, da mesma forma que vamos construindo um mundo onde é menos difícil amar.

Abraços de toda a moçada da Afin!

Cinema: judeus ortodoxos e gays

O Pecado da Carne, que ficou entre as três melhores bilheterias quando estreou no mês de abril em São Paulo, esteou neste final de semana em Porto Alegre. Segundo o Mix Brasil, o longa dirigido por Haim Tabakman conta a história de dois judeus ortodoxos que se apaixonam mesmo contra todas as regras de sua religião.

Depois que seu pai morre, Aarão Fleshman (Zohar Straus) assume o açougue dele e começa a tocar o negócio para sustentar sua mulher e seus cinco filhos, mas precisa de ajuda, exatamente quando chega o jovem Ezri (Ran Danker), que foi a Jerusalém atrás de seu namorado, ou pelo menos o cara que ele achava que o amava. Ele começa a trabalhar no açougue e se aproxima cada vez mais de Aarão, dando início a uma avassaladora paixão.”

Campanha do Nome Social das pessoas Trans

Pessoal,

Sobre a campanha pelo uso do Nome Social de travestis e transexuais nas escolas, queremos fazer um balanço geral da campanha no Brasil como um todo.

Solicitamos que verifiquem as informações no site da ABGLT http://www.abglt.org.br/port/nomesocial.php.

Se seu estado não constam e já tem o uso do nome social aprovado, solicitamos que nos enviem a resolução e/ou parecer para que possamos incluí-los no site.

Caso seu estado ainda não tenha o nome social implantado na área da educação, que é prioridade, favor nos mandar o nome e o e-mail da pessoa que é presidente do Conselho de Educação e o(a) Secretário(a) de Educação para que possamos oficiá-los.

Obrigado e um abraço,

Toni Reis

Mesmo em São Francisco, violência de policiais contra gays

São Francisco é considerada a capital do Mundo Gay. Mesmo assim estão sendo divulgadas na rede as imagens de violência de policiais contra gays flagradas na maior parada gay do mundo, a Gay Pride to San Francisco, no estado da Califórnia, que completou 40 anos.

A desculpa da polícia é que, na tentativa de conter uma briga entre duas lésbicas, começaram a ser agredidos. Mas a justificativa só torna pior o ato, já que o vídeo de 6 minutos demonstra a violência na qual os policiais investiram contra os participantes da Chico Parade.

Como observou o Toda Forma de Amor: “A Parada de São Francisco completou 40 anos, assim como o movimento gay em todo mundo cujo marco foi o confronto entre policiais e homossexuais no bar Stonewall, em Nova York. Pelo que se vê no vídeo, a polícia parece que está longe de agir sem violência quando se trata do público gay”.

E isso seria assim tão diferente no Malaui quanto no Brasil?

* Roberto Brant

Resolvi escrever esse artigo para chamar a atenção para um fato inusitado e bastante doloroso ocorrido aqui nesse canto remoto do mundo, nesse pequeno país africano chamado Malaui. Acho que ele contém lições e advertências de diversas ordens e pode ajudar na nossa incessante busca pela compreensão do ser humano no contexto moderno dos direitos humanos.

Fato é que, nos primeiros dias de janeiro de 2010, levados pelo clima de alegria do novo ano que se iniciava e embalados por um sonho antigo, um antigo casal que já vivia junto por muitos anos economizou dinheiro e decidiu oficializar sua união em uma remota igreja localizada no miolo de uma das inúmeras favelas da maior cidade do país, Blantyre. Esse seria um fato corriqueiro na vida daquela comunidade, não fosse por um pequeno e crucial detalhe: um dos nubentes ser uma transexual. Tão certa estava de sua condição que, tranquila, organizou toda a cerimônia de casamento, em perfeita harmonia com a sua comunidade. Ali estavam os convidados, o sacerdote, as respectivas famílias, tudo certinho… Até que, mobilizados por uma denúncia anônima, de repente apareceu a polícia. Foi como se o mundo virasse de cabeça para baixo… Rapidamente formou-se uma confusão generalizada e todos os ingredientes de um grande escândalo se amalgamaram em instantes, o sonho volatilizado em tragédia, em meio a muito choro, repúdio, vergonha, fuga, negação e, claro, violência…. Em meia hora, todo um mundo destruído. Saíram do templo religioso algemados, escoltados por policiais que os “protegiam” da subitamente irada população; aquela mesma que, momentos atrás assistia curiosa a cerimônia. Agora, agressões verbais, risos de escárnio e muito deboche acompanhavam o casal na sua via crucis até a delegacia.

Autuados em flagrante, os dois homens foram inscritos em dois artigos do código penal do Malaui, “prática de ato contra a natureza humana” e prática de indecência” sendo assim, imediatamente postos a ferros. A partir daí o país se viu galvanizado por uma discussão intensa pelos jornais e internet, com repercussão na Casa Branca, no Parlamento inglês, nas diversas embaixadas sediadas no país e em todas as comissões de direitos humanos internacionais, além, é claro, das agências da ONU, da Anistia Internacional e outras tantas ONG da área de direitos humanos. Foram inúmeros e todos fracassados, os documentos internacionais de condenação à prisão e pedidos de soltura.

Internamente, de uma forma esquemática, cristalizou-se uma opinião de que o país não podia tolerar essas práticas “alienígenas” absolutamente contrárias à cultura do país e trazidas pelo estrangeiro “ocidental”. O caso passou a ter conotações xenofóbicas e trouxe à tona todo o rancor anticolonialinsta ainda contido nesse povo, mesmo passados mais de quarenta anos desde a libertação do julgo inglês… a homossexualidade foi então considerada como coisa do estrangeiro ocidental interessado em destruir a cultura nativa e impor seus próprios valores. Por outro lado, houve uma surda reação a qualquer movimento pela libertação do casal, entendida essa como demostração de fraqueza frente aos poderosos doadores… O Malaui fortemente dependente de ajuda externa, não podia destarte se dobrar à pressão dos ricos doadores. Presos estavam, presos deveriam ficar. E assim foi. O pedido para que aguardassem em liberdade o julgamento, conforme prevê a Constituição do país, foi reiteradas vezes negado, e ainda tiveram que passar pelo constrangimento cruel dos exames físicos para constatar se houve ou não a consumação do ato de sodomia (o que nunca ficou claro…) e, pior, dos exames “psicológicos” para atestar e, quiçá corrigir, a homossexualidade de ambos.

No mês passado, maio 2010, em meio a muita expectativa, finalmente, o caso foi a julgamento em primeira instância e, para surpresa até dos mais arraigados homofóbicos, em menos de dez minutos o juiz proferiu a sentença: pena de 14 anos de prisão, a máxima em vigor no país, agravada com um requinte a mais de crueldade: a submissão a trabalhos forçados. Para se ter uma ideia da gravidade dessa pena, menos de um mês antes, um avô que havia estuprado a sua própria neta de 10 anos por anos a fio, foi condenado a apenas 4 anos de prisão, tendo aguardado o julgamento em liberdade…

Foi um escândalo dentro do escândalo! O juiz argumentou que agia assim para dar um exemplo ao país no sentido de coibir para sempre qualquer tentativa de se proceder como o casal condenado. Por uma grande coincidência, Os diretores executivos da UNAIDS, o Programa Conjunto das Nações Unidas para o combate à Aids, Michel Sidibé e o do Fundo Global para Aids, Tuberculose e Malária, Michel Kazackstine tinham já uma viagem há muito programada ao Malaui, para se encontrar com o presidente do país, Bingo wa Mutarika, que ora exerce a presidência da União Africana. Abordaram o assunto do casal gay e obtiveram uma resposta algo alentadora, em termos de alternativas de negociação. Uma semana depois, também coincidentemente, chegava ao país o Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, com o mesmo propósito de visitar o atual chefe da União Africana além de cumprir compromissos das Nações Unidas. Dada a situação, também não perdeu a oportunidade de abordar o tema com o sr. Presidente da República.

Foi então que, embora a Ministra de Gênero e Desenvolvimento da Criança tenha negado publicamente qualquer relação entre os dois atos, durante a entrevista coletiva proferida imediatamente após a audiência com o secretário geral da ONU, o presidente Mutarika anunciou o seu perdão ao casal, por razões estritamente humanitárias, tendo, no entanto, reiterado seus crimes. Menos de 24 horas depois os dois estavam em liberdade. Nos jornais a nação se viu dividida: estaria o presidente cedendo à pressão dos doadores? Ou estaria o presidente movido por razões realmente humanitárias? Seja lá como for, a solução do caso ficou ainda mais inusitada, pois, uma semana depois de livre, um dos nubentes anunciou em alto e bom som que tinha mudado de idéia e estava agora compromissado com uma mulher, com quem ia passar a viver daquele dia em diante. E hoje, 16 de junho, os jornais estampam a foto desse novo casal recebendo das mãos de uma representante de um influente comerciante local um maço de dinheiro no valor de cem mil Kwashas, o que convertido em moeda brasileira dá algo em torno de mil e duzentos reais. O empresário diz que a doação se justifica porque está feliz com a decisão do rapaz de se casar, dessa vez com uma mulher, e deu a ele essa quantia para que começe um negócio capaz de sustentar sua família.

E quanto à antiga parceira, a transexual com quem vivera tantos anos? Imediatamente após o perdão presidencial, por motivos de segurança ela mudou-se de Blantyre, pois havia sido ameaçada de morte caso retornasse a seu antigo local de residência. Além disso, parentes e familiares também a renegaram imediatamente após sua prisão, de maneira que se viu inteiramente só e abandonada, não fora o apoio de alguns ativistas, líderes de uma ONG nacional focada no trabalho com minorias. Hoje, está ao abrigo dessa ONG, e prepara-se para sair do país rumo ao Canadá, num exílio imposto pela sociedade local.

Esse caso traz inúmeras lições e reflexões para todos nós ativistas da causa de direitos humanos e profissionais de saúde pública na luta contra a epidemia de HIV mundo afora. Por que ainda hoje, em pleno século XXI, trata-se homossexuais como se criminosos fossem? Por que os países individualmente ainda têm esse “direito”? E como isso ainda é possível com a justificativa nefanda de “imposição de padrões culturais alienígenas”, como se a questão da homossexualidade fosse confinada aos limites da cultura e afeta unicamente à área da moral, nada tendo a ver com as complexas questões individuais, genéticas e até éticas. Afinal de contas, qual é o mal que esse casal infringiu a quem quer que seja? Além disso, por que, enquanto os dois viviam no anonimato da vida comum, a família, os amigos, os vizinhos e a comunidade onde viviam aparentemente os aceitavam, ou, pelo menos, os toleravam sem maiores problemas? E quais são os fatores que sempre que desencadeados, imediatamente põem à mostra a carga letal de preconceito, estigma e discriminação, latentes na comunidade, assim que um certo equilíbrio instável é quebrado? E existe mesmo esse equilíbrio, quer no Malaui, quer no Brasil?

Por outro lado, qual seria o mecanismo psicológico em ação nesse homem que agora resolve se casar com uma mulher, virando heterossexual em menos de uma semana, aparentemente optando por refazer a sua vida e renegando completamente o passado, no bom e velho estilo, “Telma, eu não sou gay” ? Me intriga pensar em como ele deve estar lidando com sua afetividade, provavelmente em pedaços como consequência da repressão física e psicológica a que foi submetido. Por outro lado, fico impactado ao constatar como poderoso pode ser o aparato repressivo, forjando essa situação que agora culmina com a ação desse pretenso empresário que doa uma “recompensa” e um “estímulo”, numa metáfora clara de como pode ser promissora a vida de um pai de família heterossexual no Malaui… Mas será só no Malaui que acontece isso? Imagina se essa moda de pagamento compensatório pega no Brasil…

Finalmente, gostaria de encerrar introduzindo uma nota de solidariedade à transexual, essa sim vitimizada duplamente nesse caso todo. Para ela, por enquanto não há final feliz. Mais uma vez faz aqui o papel da “Geni” de Chico Buarque, para a qual estão reservadas todas as culpas, todos os opróbrios, todas as pedras, paus e escatologias. O próprio ex-nubente agora diz que nunca teve relações carnais com ela, que tudo não passou de um equívoco e que sabe o risco que correm sob o peso da lei pairando sobre eles… Ele até pode aparentar ser o que não é… A ela cabe apenas ser o que ela é. E isso seria assim tão diferente no Malaui quanto no Brasil? Travesti e respeito andam juntos finalmente?

Acho que, em tempo de Parada Gay e dessa vertente apoteótica afirmativa da causa homossexual é importante refletir nesse fato ocorrido aqui do outro lado do Atlântico, como uma mensagem vinda do lado obscuro da consciência humana; tudo pode estar por um fio e a qualquer solto som pode dar tudo errado… Temos muito que caminhar ainda… Nunca podemos nos esquecer disso.

Roberto Brant Campos,
52 anos, médico sanitarista,
Conselheiro de Parcerias da UNAIDS, Malaui

Para que serve essa sua “realidade”?
Raso realismo, o de vocês.
O argumento da experiência reservada
…………………….é um mau argumento
reacionário.
…………………….…..Gilles Deleuze

4 Responses to “!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!”


  1. 1 Milton Coradi segunda-feira, 5 julho, 2010 às 8:20 am

    Então, vocês estão bem quietinhos em relação à eliminação da Argentina… Vejam, homem beijar homem dá azar! Leva à derrota e ao fracasso total! Eu heim! Se eu fosse vocês aprenderia com os 4 x 0 (que vexame!) da argentina… O beijoqueiro Maradona que o diga, não é mesmo?

    Coprdialmente, Milton Coradi.

  2. 2 Milton Coradi segunda-feira, 5 julho, 2010 às 8:34 am

    Ah, mais uma coisinha: a nobre senadora Fátima Cleide precisa usar a tribuna para fazer valer os direitos das crianças reiteramente abusadas por pedófilos homosseuxuais, confiram a matéria jornalística abaixo:

    http://www.espacovital.com.br/noticia_ler.php?id=19209

    “Advogado homossexual usava ‘filho adotivo’ para atrair meninos”, e foi condenado pela Justiça, de cuja decisão assim se extrai:

    “No voto condenatório, o desembargador Nereu José Giacomolli comenta o laudo psiquiátrico, confirmado pela prova oral: “o imputado era homossexual e costumava aliciar meninos pobres, por meio de seu ´filho adotivo´, oferecendo aos jovens banhos de piscina, passeios de lancha, de carro, jogos de videogame e até mesmo dinheiro, para que fossem até o sítio”.
    “Adiante: o acusado Menezes “também sustentava a necessidade de ajudar os meninos a limpar o pênis, com o intuito de agarrar o órgão sexual ou de fazê-lo ´crescer mais´; a partir daí, praticava com eles atos libidinosos diversos da conjunção carnal, tais como masturbação e sexo oral, na presença dos demais outros meninos”.

    Então, se o mundo é mesmo gay, que Deus ajude as nossas crianças! A ditadura gay defendida por esta senanadora é mesmo de fazer estarrecer!

    Cordialmente, Milton Coradi

  3. 3 Milton Coradi segunda-feira, 5 julho, 2010 às 9:17 am

    Uma última coisa: vejam a seguinte notícia de Buenos Aires (Argentina):

    http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/apr/10042114.html

    “Crianças adotadas rejeitam adoção gay…”.

    “Falando na Rádio Cultura, uma estação de Buenos Aires, os adolescentes disseram que as crianças deveriam ter a mesma oportunidade que eles tiveram de crescer com um pai e uma mãe.

    “Dizemos ‘não’ à adoção homossexual. Nós crianças queremos crescer numa família que consiste de uma mãe que é uma mulher e de um pai que é um homem. Esse é o jeito natural, mas não é assim com uma dupla homossexual”, os adolescentes disseram ao entrevistador do programa no domingo.

    “Estamos felizes com nossas mães e pais e queremos que todas as crianças tenham a oportunidade de tê-los”.

    Viram, o mundo não é e não pode mesmo ser gay! Ainda bém para as nossas crianças!

    Cordialmente, Milton Coradi.

  4. 4 afinsophia terça-feira, 6 julho, 2010 às 1:52 am

    Coradi,
    valeu pelas dicas e contribuições em proporcionar o desvelamento da moral, que é sempre totalitária; ou seja, para a moral constituída, como nos casos citados, há de antemão uma ligção entre ser homossexual e ser pedófilo. Isso é que se chama homofobia.
    No caso das crianças de Buenos Aires, a violentação maior foi a lavagem cerebral e embrutecimento do corpo pelos adultos, um golpe baixo que interrompe a infância das crianças, como diria Pearls.
    Quanto a Maradona, um gentleman. Talvez tenha sido melhor ver a Argentina perder, e ver que nenhum hermano virou um desvairado Felipe Melo, que El Diez não é Dunga, que embiocou para o vestuário. Maradona abraçou e beijou todos os jogadores, cumprimentou os alemães, brincou com os jornalistas. A melhor coisa da copa: ver que Maradona está um homem jovem, íntegro, bonito, inteligente e amoroso.
    Valeu, Milton, por nos permitir pensar estas coisas, você é fundamental para este bloguinho. E não esqueça de avisar sempre os amigos.
    Beijos maradonianos afinados!


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Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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