Arquivo para 1 de agosto de 2010

A MORTE DE WALLACE E AS ELEIÇÕES EM MANAUS

O período da ditadura militar no Brasil, que durou entre os anos de 1964 e 1985, sustentado por atos arbitrários de cerceamento da liberdade, onde a censura se fez presente em todos os territórios das relações dos brasileiros, passando por instituições públicas, universidades, sindicatos, imprensa, até igrejas, expressou, basicamente, cinco tipos de personagens.

Um, aqueles que se colocaram contra o regime de exceção como luta pela defesa da liberdade democrática. Dois, aqueles que eram contra a ditadura, mas não se rebelaram, continuando com suas existências, mesmo sob constante apreensão. Três, aqueles que se colocaram a favor da ditadura por medo. Quatro, aqueles que apoiaram a ditadura para usufruir de seus favores. Cinco, aqueles que nem sabiam que o Brasil era dominado pela ditadura.

No pós-ditadura, com a reorganização do Congresso Nacional, das assembléias estaduais e câmaras municipais, então pode-se ver como se posicionaram esses tipos de personagens que foram expressos no regime de exceção.

No Amazonas, por exemplo, enquanto em outros estados se contou com presença firme de candidatos que saíram dos exílios, prisões, torturas, nossos candidatos foram personagens saídos dos tipos três, quatro e cinco. Alguns chegaram a se autonomearem resistentes, que chegaram a ser perseguidos, que eram comunistas do PCBão, mas tudo fantasia confundida com as enunciações lendárias, próprias da classe média manauara. É possível até que alguns poucos tenham pegado algumas carreiras, ou, quiçá, uma livrada no rosto, mas nada que os fizesse ser tomados como lúcidos opositores do sistema ditatorial. É certo que alguns amazonenses se opuseram à força opressiva militar, onde alguns foram torturados e mortos, mas esses não se candidataram.

É  nesse estado de coisas alienado, distante de qualquer sentido racional do que venha a ser democracia, que o território político de Manaus proliferou. A predominância exacerbada da direita reacionária, que conseguiu eleger seu primeiro governador pós-ditadura, Gilberto Mestrinho, que iria indicar, conjuntamente com os militares, o prefeito biônico Amazonino Mendes, um dos que se autonomeava comunista, sem saber que o comunismo, antes de ser dialético, é uma disposição da Substância-Matéria manifesta em seus atributos e seus modus de ser, o que bem explica o filósofo Spinoza. Assim, como diz Spinoza, aquele que se descobre Potência/Coletiva, encadeamentos do que é comum a todos, jamais deixa de sê-lo, visto que ser comunista é ser produtor de afetos/comunalidades que aumentam a Potência de Agir como Bem Comum. Tudo que não aconteceu antes e depois da ditadura militar no Amazonas, mormente em Manaus.

WALLACE, A MÍDIA CENSURADA E SEUS VOTOS

O filósofo Nietzsche diz que a questão maior do homem não é saber que Deus está morto, mas saber o que fazer com sua sombra que ficou. Parafraseando o filósofo alemão, em Manaus a questão não foi saber que a ditadura acabou, mas o que fazer com seu legado, onde dois deles serviram para impulsionar a retrógrada direita que há quase 30 anos domina o Amazonas: a miséria popular envolvida com a insegurança social muito bem capturada pelas igrejas capitalizadas e o conceito de liberdade, principalmente a liberdade da imprensa. É aí que entra Wallace, sua família e os ditos políticos de Manaus, principalmente os do Executivo.

O ex-deputado Wallace Souza, cassado por decoro parlamentar, baseado em denúncias que lhe indicavam como chefe de uma quadrilha que realizou vários crimes, como extermínio, narcotráfico, ameaça de morte a uma juíza federal, coação de testemunhas, ligado a polícia e membro da igreja católica, encontrou na miséria popular e na imprensa sua escada para o sucesso Legislativo.

Wallace uniu sua moral policial de justiça, mais seu sentido de humanidade saído de sua imaginação cristã-paulínea, onde predominam os afetos imobilizadores da culpa, do castigo e da recompensa, o Não contra a Vida, se apropriou do nome de um programa de televisão de entrevistas engajadas da TV Bandeirantes de São Paulo, nascido no fim da ditadura, “Canal Livre”, descaracterizou-o e transformou-o em um programa de justiceiro. Tudo com o beneplácito da classe média manauara e os governos, que precisavam de seu apoio em tempos de eleição para auferir ganhos eleitorais.

Evocando a liberdade de imprensa e a necessidade social de seu programa, Wallace Souza e seus irmãos, Carlos Souza e Fausto Souza, iam se esquivando e escapando de algumas poucas opiniões contrárias a sua prática midiática/exploradora. Assim foram seguindo a sina copiada dos programas de TVs miserabilizantes nascidos no eixo Rio/São Paulo. “Se deu certo lá, por que não dá certo aqui? Afinal tudo é Brasil”. A lógica de mercado das TVs de Manaus, com seus apresentadores miserabilizadores sempre com intenções em cargos no Legislativo e no Executivo. Como programas do deputado Lupércio Ramos, de Nonato Oliveira, Socorro Sampaio e irmãs, Henrique Oliveira, Mirtes Salles, Marcos Rota, Tabosa, Sabino Castelo Branco, entre outros que apareceram, mas desapareceram, para o bem da democracia. Mas tudo sempre em nome de Deus e da segurança social.

Nessa semana, Wallace Souza, acometido de uma patologia hepática que evoluiu para um estado terminal, hospitalizado em uma casa de saúde, em São Paulo, faleceu. Tirando a sua família, e alguns dos seus eleitores, seus beneficiados políticos, principalmente chefes do Executivo, não compareceram. Em tempo de eleição seria impossível o comparecimento desses personagens em seu enterro. Cassado, prestes a ser condenado pela Justiça amazonense, Wallace conseguiu mais fama do que pretendeu em sua existência: a maioria da população manauara o rejeita. Em tempo de eleição, não é de bom alvitre se aproximar de seu corpo/defunto. A distância dos que usufruíram de sua força de votos é resultado da moral que ele alimentou em vida: a moral/eleitoral do candidato burguês. A moral utilitária. A moral do “tu só vales se tu me serves”.

Agora, com sua morte, fica a disputa pelos votos de seus eleitores. Os programas de TVs miserabilizantes já se encontram em atuação ferrenha, em parceria com candidatos aos cargos legislativos e executivos. É aí que está a imortalidade de Wallace. É aí que se encontra a ironia da frase escrita na faixa exposta por seus irmãos no momento de seu enterro: “Tua morte não foi em vão”. Permanecer existente pela miséria que lhe alimentou, alimentando a miséria política daqueles que, com a razão censurada, acreditam que democracia é tão somente um ato de ser eleito, não importa como.

Daí que essas eleições em Manaus ainda permanecem na sombra do legado da ditadura. A liberdade econômica e social das classes pobres cerceada, a ditadura da estupidez da mídia, a censura da razão e a miséria política formam partes de seu corpo espectral Legislativo e Executivo.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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