Arquivo para 17 de agosto de 2010

HORÁRIO ELEITORAL. OH, HORÁRIO ELEITORAL!

Quando a democracia representativa foi fundada como a forma mais coletiva de escolha dos representantes democráticos responsáveis pelos governos dos estados – para quem acredita -, as campanhas eleitorais eram feitas da maneira mais direta. O candidato se colocava frente a frente com o potencial eleitor, e através da persuasão coloquial procurava ganhar seu voto. Era uma relação dialógica acompanhada também por distribuições de cartazes e falas nas rádios, quando já havia a locução radiofônica.

No Brasil, também foi assim. A fundação da república democrática do Brasil também cultuou esse método de campanha eleitoral. Cartazes, broches, canetas, lápis, chaveiros, os chamados brindes, proliferavam nas campanhas. Era um período em que o candidato tinha que ser realmente visto pelo eleitor, mesmo que estivesse assessorado por grupos de assistentes, os chamados cabos-eleitorais. Nada de só reprodução de imagens. Foi assim que os famosos comícios se tornaram os palcos das expressividades dos candidatos. A história das eleições no Brasil está repleta desses famosos comícios. Mesmo aqui no Amazonas, uma terra politicamente pobre, comícios inesquecíveis foram realizados. Exemplos, os comícios para o cargo de presidente.

Entretanto, quanto mais a tecnologia comunicacional ia se desenvolvendo, essa forma de exercício pré-eleitoral ia se ajustando ao que era oferecido pelos meios de comunicação de massa. Foi o que ocorreu com a televisão. Como tele, distância, ela passou a diminuir a relação direta do candidato com o eleitor. Passou a levar para dentro da casa do eleitor o candidato. Uma grande mudança ocorreu.

AS ELEIÇÕES E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

No Brasil, coincidentemente, a televisão tem seu surgimento atuante exatamente no período da ditadura militar. Exemplo, a TV Globo, produzida com capital norte-americano, e porta-voz da regime de exceção. Quer dizer, nesse período, com o país com apenas dois partidos – o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), chamado de oposição, e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), que renovação, olha os Agripinos -, partido de apoio total ao regime, e com as liberdades democráticas cerceadas, os programas eleitorais eram todos controlados. No máximo, aparecia a foto do candidato e a voz do locutor. Tudo muito bem vigiado. Esse limitadíssimo uso da televisão, de certa forma, até livrava o eleitor que não era submetido à presença de candidatos maçantes, como Josué Filho, mas perdia a verve de um Carrapeta, candidato cantor de arraiais.

Com a dita abertura política, a televisão passou a servir de vitrine rica para os candidatos. Deu de tudo. Liberou geral. Mas esse ‘liberô’ trouxe uma boa novidade: os debates. Dialeticamente reais. Poder ver um Brizola infernizando o filhote da ditadura, Paulo Maluf, um Lula, promissor-presidente, encarando o candidato da conspiradora Globo, Collor de Mello, era uma festa. Grandes encontros de eleitores-torcedores regados a cerveja, churrasco – no nosso caso, peixe frito -, refrigerantes, crianças brincando, os intervalos que ninguém queria, uma composição verdadeiramente democrática.

Um período da televisão cujos debates ajudavam a ganhar uma eleição. Candidatos jogavam todas suas fichas. Nesse frisson eleitoral, é preciso ser justo com a Rede Bandeirantes. Ela foi a primeira e única TV que constituiu o debate político como fator da história do Brasil. Mas foi. Hoje é apenas uma caricatura daquele bom tempo. Pudera, seus jornalistas de hoje não são nem de longe os do pós-ditadura. Até o Mitre, que era desse bom tempo, ‘desmocratizou’-se. Agora é um visível arauto da obscura direita.

Hoje, os debates inexistem. Os candidatos apresentam tão somente o que apresentam no horário eleitoral gratuito. Alguns arremedos de propostas. Quer dizer, debate não auxilia mais a ganhar eleição. É tudo muito sofrível. Na mesma linha, segue o horário gratuito. Se não for para ver alguns candidatos com nomes alegóricos, com seus textos esdrúxulos, pouco causa interesse.

Esse o fim-midiático de Serra, que depositou no horário eleitoral, que começa hoje, dia 17, a esperança de mudar sua condição atual de candidato derrotado, como mostrou ontem, dia 16, o Ibope, em sua pesquisa eleitoral que lhe atribuiu 32%, e 43% para sua concorrente, Dilma. O milagre não vai acontecer. Dilma já levou essa. Mesmo que ela não aparecesse nos meios de comunicação, já estava eleita. O povo brasileiro passou mais de sete anos vendo sua imagem dentro de sua casa e colada a sua vida, através das políticas públicas realizadas pelo presidente Lula. Uma campanha que nenhum horário eleitoral pode mudar. Pior para o Serra.

Mas, de qualquer forma, é bom ver, no horário eleitoral, Lula, com seu humor brasileiramente terno, e Dilma, uma mulher cheia de segurança e ternura, sem nenhuma mágoa, apresentando-se para o povo que a quer. Sem contar com o espetáculo da produção e participação de tantos outros personagens que compõem a imensa subjetividade brasileira que tece a cartografia de desejos democráticos para que o Brasil continue processando sua liberdade.

CASTIGO FÍSICO NAS CRIANÇAS SERÁ PROIBIDO

O governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que irá proibir todas as formas de castigos físicos aplicados pelos adultos nas crianças. A proibição vai do beliscão, palmada, cascudo, tapa, até o empurrão, formas de correções pedagogicamente psicóticas adotadas por muitos pais, e com o aval de muitos pseudos psicólogos e educastradores. Método chamado de corretivo, que contém um forte componente moral de inibição, controle e destruição da confiança da criança no mundo. Em linguagem humana: tortura.

Posicionando-se sobre o projeto de lei, o ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, ao participar da 1ª Semana de Educação em Direitos Humanos, disse que não é aceitável que exista lei para proibir castigos contra adultos, mas não exista para proibir castigos contra criança. O que existe como lei no Estatuto da Criança e do Adolescente é concernente ao maus tratos, que não especifica quais os tipos.

Se uma criança é espancada na casa vizinha diariamente, nós não estamos falando de beliscõezinhos ou de tapinhas. Esta é uma lei para que as pessoas entendam que o espancamento da criança não é assunto familiar, mas sim algo que diz respeito a todos.

Está mais do que na hora do Brasil aderir ao grupo de 25 países que já proíbem o castigo físico”, afirmou o ministro.

Com a aprovação da lei, é possível que o método que será usado nas relações entre pais e filhos seja racionalmente o método do diálogo. A conversação criadora. O que evita a proliferação da estupidez e da bestialidade humana. Visto que só espanca criança quem não carrega um diálogo e se encontra mudo para o mundo.

VINÍCIUS DE MORAES É EMBAIXADOR

Vinícius de Moraes vinha de uma carreira de embaixador de acordo com seu existir no mundo. Quer dizer, de acordo como um poeta se coloca no mundo. Vagando. Apanhando suas amostras e amostrando suas palavras.

Aproveitando o mundo vagabundo, Vinícius vagou entre as musas. Foram musas encontradas nas embaixadas em Londres, Paris e Roma. Mas aconteceu da ditadura não gostar de musa e muito menos de quem lhes faz rimas.

Resultado, em 1968, em plena força do Ato Institucional Nº 5, o terror dos brasileiros que procuravam pensar livre – como a candidata Dilma, por exemplo -, enquanto realizava um show junto com seu amigo compositor e cantor, Chio Buarque, sua aposentadoria compulsória era assinada pela força do arbítrio ditatorial. Vinícius, não servia para representar o Brasil como embaixador, afirmaram. Ironia histórica: o poetinha já estava com 26 anos de boa carreira diplomática. Tudo entre uma musa e outra. Tudo que deve fazer um viajante poeta.

Mas o poetinha não acatou a decisão da ditadura tão dura, e procurou juridicamente seus direitos profissionais e trabalhistas. Além, é certo, de seus direitos políticos de cidadão brasileiro violentado.

Foi então que ontem, dia 16, a luta do poetinha se consagrou. Em cerimônia, em que compareceram parentes e amigos, o presidente Lula reconduziu-o ao cargo de embaixador.

As pessoas que um dia tiveram a atitude de um dia propor a cassação de Vinícius de Moraes certamente não serão lembradas pela história. Amanhã ninguém está ou estará sentindo falta dessa gente”, discursou o presidente Lula, afirmando que a história é democrática e não tirânica. Foi um discurso politicamente compromissado com a liberdade.

Quando puseram a assinatura na cassação de Vinícius era uma autocassação do Itamaraty, que se diminuiu diante do mundo. Isso tudo demonstra que a força do humanismo é maior do que a força da arma, que a força das ideias pré-concebidas”, discursou libertário o ministra das Relações Exteriores, Celso Amorim, convicto de que a aposentadoria de Vinícius foi uma das mais pesadas heranças da ditadura.

Sorvendo uma dose dupla de uísque com gelo, Vinícius de Moraes aplaudiu o discurso dos dois democratas, e gritou, “Viva a Liberdade! Viva a democracia!” Privilégio dos poetas que não morrem.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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