A PROPAGANDA ELEITORAL NO AMAZONAS COMO NEGAÇÃO DA POTÊNCIA/DEMOCRÁTICA

Quem estuda a história da política no Amazonas vai sempre encontrar um signo referencial comum: os privilégios das famílias dos governantes. Ao contrário do conceito grego, em que a democracia é a sociedade dos amigos composta por todas as famílias, no Amazonas sempre predominou uma aristocracia/familiar – aristocracia não como erudição e expressão ética – do jeito que há quase trinta anos, pós ditadura, se observa. A família Mestrinho, a família Mendes, e, agora, a família Braga. Todas como Saturno, com seus anéis. Ou, na linguagem medieval, senhores feudais com seus servos. Ou, na linguagem política/popular, com seus capachos. Visto que é impossível famílias se manterem por tanto tempo como governantes sem a proteção de seus asseclas. Daí não se esperar a democracia/constitutiva de Spinoza no programa eleitoral do Amazonas. A democracia como Direito Comum criado politicamente pelas potências de todos, dirigida por um Conselho saído do consenso dessas potências. Nada que possibilite a hegemonia familiar.

O candidato ao governo, Alfredo, recorreu, por imitação, à técnica midiática usada no primeiro programa de Dilma. A câmara lhe focaliza, mas ele fala para um suposto entrevistador ao seu lado direito. Apresentou cenas de seu tempo de prefeito – foi prefeito por duas vezes de Manaus – quando era, como se diz fisiologicamente, unha e carne das três famílias, onde, por zombaria, aparecem nessas cenas imagens de personagens, hoje, seus adversários. Alfredo mostrou o que acredita ter realizado em benefício do Direito Público.

Como foi ministro dos Transportes do governo Lula, abusou de imagens e declarações de Lula, a seu favor. Assim como imagens de Dilma. Mostrou momentos do sofrível chamado debate promovido pela Rede Bandeirantes local, para ele importante, mas que no entender do mais incauto eleitor não tem força de persuasão eleitoral.

No todo, foi um programa com predominantes notas do elogio da dor. Triste. Nada que é da alegria democrática. Mas Alfredo diz que mudou. Mas no sofrível debate, ao elogiar o governo de Eduardo Braga, mostrou que sua mudança é um lectom. Termo grego para indicar um signo linguístico que só tem significante – imagem/sonora -, e nenhuma materialidade/significado, existência.

O candidato à reeleição, Omar, representante do ex-governador Eduardo Braga, portanto, seu indicado – foi seu vice -, começou o programa recorrendo ao signo mais desativado da propaganda eleitoral. O quadro da sagrada família. Um recurso usado por candidatos que não têm a política como uma práxis racional, refletida como ciência.

Omar apresentou a esposa e filhos ao seu redor, e discursou – nessa imagem lugar comum – tentando mostrar ao eleitor a importância da harmonia familiar para que um homem seja bom governante, e atenda os direitos do povo. Mas Omar, ao usar o mesmo clichê, afirmou que não entende que todas as pessoas têm famílias, assim como todos os eleitores, e que eles sabem que a demonstração de uma família em público não assevera a justa vivência ontológica de ser para a democracia. O conhecimento de que a família nuclear/burguesa, a família patriarcal/falocrática/burguesa/paulinea, é responsável pelo transporte do delírio histórico castrador apanhado e propagado pela subjetividade capitalística, é por demais conhecida. O que leva esse entendimento à certeza de que é pelo delírio histórico que se constrói o psicótico, o canalha, o sórdido, o facínora, o capacho – que não existe sem se submeter à tara do tirano – e, principalmente, o corrupto. A perversão existencial que degenera o Direito Comum.

Mas é também na família que escapou do delírio histórico que se processa o democrata. O homem oblativo, aquele que sabe que não pode viver sem que seja como Potência/Multidão. O Devir/Constitutivo essencial para distribuição democrática. Daí ser tautológico o uso do quadro da sagrada família em programa eleitoral. Trata-se de uma repetição do mesmo, porque todos são de famílias e sabem o que elas representam.

Omar apelou também, como candidato da continuação, para imagens do governo Eduardo Braga. Um governo sem política de saúde coletiva, sem política de habitação popular – que é disfarçada com o projeto habitacional Prosamim, desenvolvido com verba mista -, sem política educacional, entretenimento público, sem política de transporte coletivo – junto com a prefeitura -, entre outras ausências que colocam o Amazonas entre os estados mais pobres do Brasil, apesar da Zona Franca arrecadar milhões de dólares.

Omar apresentou imagens de seu tempo de estudante, afirmando que fora líder estudantil engajado – no sofrível debate, ele chamou “enganjado” – do PC do B. Dois erros da campanha de Omar. Um: quando se é estudante não se precisa de líder, e muito menos se quer ser líder. Dois: o líder é uma das patologias políticas que impedem que a democracia se torne realidade da Potência/Multidão, visto que é produto do misticismo. E mais, a liderança que Omar se refere é fruto da saída dos militares do poder, exatamente, no momento em que a ditadura já era – como se diz no jargão popular – branda. Não se prendia mais ninguém. Começo de 80.

Assim como Alfredo, Omar também apresentou imagens do passado, onde ele aparece junto com os familiares das famílias Mestrinho, Mendes e, hoje, Braga. Também juntos com Alfredo. Os dois, para onde correm, sempre se encontram.

O candidato Hissa, do PPS, recorreu também ao quadro da família sagrada, apareceu junto com seus pais, não somente como adulto, mas também quando ainda criança. Um verdadeiro álbum familiar. Fato que a inteligência senso comum chama de boa criança, bom filho, bom esposo, bom governante.

Novamente, como Omar, recorreu ao passado para se mostrar como líder estudantil. Se Omar, que tem mais de 50 anos, teve uma existência estudantil próxima ao fim da ditadura, que não teve fundamentação nenhuma para criação do Estado Comum Democrático no Amazonas, imaginem Hissa, que foi líder – quem sabe – nesses últimos 10 anos. Um apelo sem qualquer convencimento ao eleitor.

Como no sofrível debate, Hissa voltou a se dizer comprometido com a educação, que, para ele, é o princípio maior da sociedade. Tem razão. Mas uma educação processada pelos afetos e pela razão, e não enunciada pelos estereótipos que hoje dominam sua essencialidade.

Já os candidatos da chamada esquerda, que não fazem parte dessa triste histórica política familialista do Amazonas, não aproveitaram seus tempos. Tirando Navarro, candidato do PCB, um candidato de convescote, que vai só para se divertir, só ele apareceu em seu inigualável tom de deboche, zombando da doloroso realidade que é a política amazonense.

O candidato do Partido Socialista e Liberdade (PSOL), Luiz Sena, não presenteou os telespectadores/eleitores com um simples raio luminoso. Herbert Amazonas, candidato do PSTU, não apareceu para pelo menos pronunciar o slogan do partido: “Contra burguês, vote 16!” Pode ser que essas ausências tenham sido causadas por falta de recursos para produzir os programas. O que ocorre comumente com esses chamados partidos pequenos.

No mais, o programa eleitoral dos candidatos no Amazonas é a verdadeira negação da Potência/Multidão. A Democracia.

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