Arquivo para 6 de setembro de 2010

DILMA DISPARA: ABRE 55% A 22% SOBRE SERRA

do Tijolaço, o blog do Brizola Neto

Em seis dias de medição do tracking VoxPopuli/Band/IG, Dilma Rousseff subiu de 51% para 55%, e José Serra caiu de 25% para 22%.

Esta é uma alteração real de cenário, pois nos dois casos supera a margem de erro do rastreamento, de 2,2 pontos percentuais.

O que se conclui após os seis dias do tracking é que Dilma continua em trajetória ascendente e Serra na descendente, contrariando as pesquisas Datafolha e Ibope, que apontavam estagnação.

Marina continua estacionada em 8%. Brancos e nulos são 4%; indecisos, 10%, mesmo índice do levantamento do dia anterior, e os outros candidatos têm 1%.
A pesquisa, publicada diariamente pelo iG, ouve novos 500 eleitores a cada dia. A amostra é totalmente renovada a cada quatro dias, quando são totalizados 2.000 entrevistados.

Dilma também subiu mais um ponto na espontânea em relação ao dia anterior e está agora com 44%. Serra, que tinha 19% no domingo, caiu para 17%.

Segundo o IG, Serra oscilou negativamente em todas as regiões, mas os números ainda não foram divulgados.

O resultado de hoje representaria uma vitória de Dilma com nada menos que 64% dos votos válidos, contra 25,5% de Serra.

E quem acompanha estas eleições sabe que é apenas uma questão de tempo: Ibope e Datafolha acabam por vir para os números do Vox Populi.

PRE/AM RECORRE AO TSE CONTRA REGISTRO DE CANDIDATURA DE HENRIQUE OLIVEIRA*

Candidatura do vereador cassado foi impugnada por irregularidade na filiação partidária

A Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas (PRE/AM) recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE/AM) que aprovou o registro de candidatura do vereador cassado Henrique Oliveira. O TRE/AM rejeitou, no último mês, a ação de impugnação movida pela PRE/AM contra Henrique, que é candidato a deputado estadual.

O vereador cassado teve o registro de candidatura impugnado pela PRE/AM por irregularidade na filiação partidária. Nas eleições de 2008, ele teve o registro cassado pelo TSE por ser funcionário do TRE/AM e, com isso, não poder filiar-se a partido político.

O pedido de exoneração de Henrique, feito em outubro de 2009, não poderia ter surtido efeitos válidos antes de dezembro do mesmo ano, por ainda tramitar, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), processo administrativo disciplinar contra ele, contestando decisão do TRE/AM, que era contrária à prova dos autos.

Segundo a PRE/AM, a exoneração é ato administrativo complexo, que somente se aperfeiçoa quando há publicação do despacho da autoridade que a concede, já que a publicidade é essência do ato. Mesmo reconhecendo que a exoneração de Henrique se deu apenas em dezembro, o TRE/AM se baseou na data do pedido da exoneração. Para poder se filiar a partido político e concorrer às eleições deste ano, a exoneração deveria ter ocorrido antes de outubro de 2009, um ano antes do pleito.

O art. 366 do Código Eleitoral dispõe que os funcionários de qualquer órgão da Justiça Eleitoral não poderão pertencer a partido político ou exercer qualquer atividade partidária, sob pena de demissão.

O TRE/AM julgou procedente o registro de candidatura de Henrique Oliveira com o argumento de que o art. 366 do Código Eleitoral, que fundamenta a decisão, não implica na nulidade da filiação, mas apenas na demissão do servidor.

O recurso especial foi encaminhado para o TRE/AM, de onde será enviado para o TSE.

*do sítio do MPF/AM

“VAI UM DOSSIÊ AÍ?” ESSA NÃO COLA MAIS

Companheiro El Chavo “voltou, votou e votará para acabar com a palhaçada de sempre da direita alesada e seu braço midiático-patético”, como ele diz em comentário enunciante aqui neste bloguinho intempestivo. Em meio à atual jogada (no jogo do não jogar) da direita canhestra, tentando a antiquada criação de dossiês falsos, lúcido, El Chavo lembra a reportagem de Marina Amaral na revista Caros Amigos, em outubro de 2005, que demonstra como são fabricados esses dossiês no coluio mídia sequelada e direita fraudulenta.

Como se constroem as notícias

Por Marina Amaral em 22/10/2005

Íntegra da reportagem publicada na edição especial “Corrupção”, da revista Caros Amigos (http://carosamigos.terra.com.br/) – gentilmente enviada ao OI pela autora; texto citado no programa Observatório da Imprensa na TV (nº 349, 18/10/05) pela professora Marilena Chaui, em sua análise sobre os processos de construção da notícia. Intertítulos da redação do OI. [ver remissões no pé desta página]

Bairro de elite de uma grande cidade brasileira. Convite para almoço. O apartamento, decorado com obras de arte verdadeiras, é sofisticado e aconchegante, como a mesa farta a cargo da cozinheira com muitos anos de casa. A conversa não fica atrás: o assunto é política, temperada com sexo, dinheiro, negócios escusos, traição. Basta lançar o nome de um rico ou poderoso no ar e a ficha vem no ato: “Fulano? Esse começou a vida em tal lugar etc. e tal”.

Nosso homem respira e transpira informação. “Tudo em off”, ele avisa no começo da conversa, condição de sobrevivência para o tipo de trabalho que faz. Sua especialidade: “Gerenciador de crises, assessor de imprensa, lobista”, diz, o que na prática significa produzir notícias do interesse de seus clientes, políticos e empresários (às vezes representados por escritórios de advocacia ou agências de publicidade) que buscam projeção ou reversão de prejuízos causados por denúncias na mídia.

“A informação é a moeda de troca”

Ele explica que a função do lobista que atua na imprensa é influenciar jornalistas à imagem e semelhança dos lobistas contratados para trabalhar no Congresso, esses com a missão de “sensibilizar” parlamentares. Também há pontos comuns entre seu trabalho e o do assessor de imprensa convencional, a principal diferença está no modo como atua: em vez de mandar releases e disparar telefonemas burocráticos, o lobista da comunicação se converte em “fonte” dos jornalistas, oferecendo notícias, dando a “ficha” de personalidades emergentes na imprensa, repassando as últimas sobre o assunto em voga. A reputação de homem bem-informado que sempre tem algo a oferecer aos jornalistas é a alma do negócio.

“Toda fonte é lobista e todo lobby envolve dinheiro”, afirma, referindo-se aos que, como ele, são consultados diariamente pelos jornalistas e colunistas em busca de novidade. “A fonte passa informações porque é a melhor maneira de interferir nas notícias, esteja ela a serviço dos interesses de seus clientes ou de seus próprios negócios. Os maiores lobistas são os políticos. Os senadores Jorge Bornhausen e Antônio Carlos Magalhães, por exemplo, que estão entre as grandes fontes dos jornalistas políticos brasileiros, têm interesses empresariais, não apenas políticos. O Bornhausen é lobista da Febraban, o ACM defende suas empreiteiras, suas construtoras.”

“E os jornalistas confiam no que eles dizem?” Ele dá sua explicação: “A informação é a moeda de troca com o jornalista. A fonte não pode mentir nem passar notícias não comprovadas sem deixar claro que não tem certeza do que está dizendo, e o jornalista jamais pode revelar a fonte. É uma relação de confiança mútua. Há coisas que não há como checar, uma pista falsa pode atrasar muito uma matéria, têm de confiar e pronto. E eles conhecem os interesses das fontes, publicam também os assuntos que sugerimos. Mas não há nada de errado nisso, porque as fontes com credibilidade passam informações verdadeiras e que realmente são notícia. O lobista, como o jornalista, tem a vertigem da notícia”. “Sempre é assim?”, insisto. Ele responde: “Todo jornalista um dia vai ouvir da fonte: ‘Eu preciso que você me faça um favor’. Isso significa que a fonte precisa “plantar” uma nota, que pode ser uma meia-verdade ou quase uma inverdade, e aí cabe ao jornalista decidir o que faz”.

“CPI é que nem suruba”

A maioria dos lobistas trabalha em parceria com as colunas de política de Brasília, de gente como o ex-secretário de Comunicação de Collor, o jornalista Cláudio Humberto, ou ex-publicitários como Ucho Haddad e Giba Um. Aqueles que têm maior “sintonia” com a fonte recebem de presente as notas mais quentes, aquelas que antecipam escândalos e dão peso às colunas, que atuam na fronteira entre o boato e a informação. Algumas são escritas em linguagem cifrada com o objetivo de “avisar” políticos e empresários de que tem gente na “cola” deles, o que quase sempre significa emprego para mais um lobista, encarregado de “desaparecer” com a informação antes que ela ganhe as colunas políticas e sociais dos jornais, de maior credibilidade.

“Eu leio jornal e sei direitinho quem está trabalhando pra quem, quem está ‘plantando’ contra quem. Um dos piores erros do PT foi a plantação de notícias de um dirigente contra outro, abriram o flanco para a mídia, acreditaram que tinham na mão gente que eles não controlam de fato”, diz nosso homem, que incluiu também a Internet entre suas ferramentas de trabalho. Todos os dias, ele envia e-mails com informações que favorecem seus clientes a 90.000 endereços usando remetentes frios e provedores de fora do Brasil. “E isso funciona?” “Faz um barulho danado”, ele responde, explicando que compensa a falta de credibilidade do anonimato postando apenas “as matérias que já consegui publicar em veículos respeitados”.

Enquanto conversamos, o celular toca sem parar. Colunistas políticos, repórteres da grande imprensa, clientes ou amigos interessados no desenrolar do escândalo do “mensalão” são recebidos com a piada sobre os três ternos que o vice Alencar mandou fazer (um preto, para o caso de suicídio do presidente, um azul-marinho, para posse, e um cinza, para o primeiro dia de trabalho). Aos colunistas, ele passa notas quase prontas; aos repórteres dos jornais e das semanais indica fontes dispostas a botar lenha na fogueira – a amante de fulano, a secretária de sicrano, a ex-mulher de beltrano. Também dá dicas de histórias que, garante, valem uma checagem: a sugestão do dia é investigar uma empresa de informática que o filho do presidente abriu no Brás, assunto que apareceria na mídia três semanas depois. Aos clientes, alguns de capitais distantes, reserva a análise de conjuntura antecipada pela piada dos ternos de Alencar: “Sim, o presidente Lula vai cair”. Seguido da explicação: “CPI é que nem suruba, depois que começa, ninguém controla”.

“Todo governo é corrupto”

Se depender dele, a suruba continua. Para quem vive de informação, como bem sabem os donos das empresas de comunicação, escândalos e campanhas eleitorais são os grandes momentos de ganhar dinheiro tanto pelo que se divulga como pelo que se deixa de divulgar. Também é um ambiente favorável para abafar outros escândalos e relevar pecadilhos como sonegação de impostos, concorrência desleal, e outros tormentos jurídicos. “E como o lobista se informa?”, pergunto, perplexa com a quantidade de notícias que ele tira da cartola a cada telefonema.

“Depende do meio em que ele circula”, explica. “Eu trabalho principalmente com o meu círculo de amigos. Entrei na política aos 18 anos, fui assessor parlamentar, secretário de prefeito, fiz muitas campanhas eleitorais. Você tem idéia de quantos dossiês circulam em uma campanha eleitoral? Então, as eleições passam e os dossiês ficam, a gente acaba sabendo de tudo. Também fui assessor de imprensa e lobista de grandes empresas, venho acumulando informação há décadas. Conheço todo mundo que interessa, circulo nos lugares certos, levanto a ficha de qualquer um na hora em que quiser. Sei exatamente para quem ligar conforme o caso”, diz, sem esconder o orgulho profissional.

E nesse caso? Ele acredita na corrupção do PT? “Todo governo é corrupto, não há como ganhar eleição sem caixa dois e quem está no governo faz o caixa no governo, com o dinheiro público que escoa por três ralos: obras públicas, propaganda e informática. As empreiteiras tiveram seu auge no governo militar, perderam com as privatizações e a redução de obras nos últimos anos, e entraram no ramo dos serviços públicos, daí os escândalos nos contratos de lixo, por exemplo, de tantas prefeituras. Mas agora o grosso do caixa dois dos partidos vem dos contratos de publicidade – esse Marcos Valério, por exemplo, operava para os tucanos mineiros desde 1997. A informática é o filão mais recente de grandes contratos públicos e está se tornando um grande formador de caixa. O PT aderiu ao esquema dos contratos de publicidade superfaturados, das propinas nas estatais, de conseguir dinheiro nos bancos investindo naqueles que colaboram com o partido a bolada dos fundos de pensão”, opina. [sic]

“Os arapongas estão assanhados”

Mais uma ligação, mas dessa vez nosso homem não passa informação, recebe. A fonte é o repórter de uma revista semanal envolvido em polêmica entrevista com aquela que seria apresentada como testemunha-chave da CPI dos Correios. No próximo telefonema, a informação recebida segue seu caminho, repassada a outro jornalista: “Sim, a ‘testemunha’ vai confirmar, não tem outro jeito, as três fitas gravadas com a entrevista estão no cofre da editora há nove meses, se o repórter for convocado a depor, as fitas serão entregues aos membros da CPI”.

O que pode parecer um vazamento de informação é na verdade prestação de serviço a dois amigos: o que fez a entrevista – cuja autenticidade vinha sendo questionada pelo longo tempo em que ficou “na gaveta” e por ter sido desmentida anteriormente pela entrevistada – e o que recebeu a notícia, aparentemente em primeira mão. Pergunto quanto do seu trabalho é pago, já que perde tanto tempo fazendo favores aos amigos. “Noventa por cento”, revela para em seguida corrigir, com humor: “Agora, o percentual caiu, porque não estou ganhando nada para ajudar a derrubar o governo, é trabalho voluntário”.

***

Foi na segunda visita que fiz a seu apartamento, já com a CPI dos Correios a pleno vapor, que ele me mostrou até onde ia seu empenho como “voluntário”. Com a televisão ligada no depoimento de um dos acusados de operar o “esquema do mensalão”, ele se comunicava com alguém que estava na CPI através de um de seus três celulares. “Os arapongas estão assanhados, a Polícia Federal também, um dos meus telefones está grampeado”, explica.

“Nada pelos pobres”

Antes de testemunhar mais uma tarde de seu trabalho, peço autorização para escrever sobre o que presenciei em minha outra visita e perguntar mais sobre a sua profissão. Explico que, mais do que as informações sobre o escândalo, o que me interessa é mostrar de que modo circulam as informações, como os escândalos que caem nas graças da imprensa são alimentados com tanta rapidez. Ele concorda, desde que sua identidade seja preservada. Vai até o computador, abre o correio eletrônico e me chama para ver uma mensagem recém-enviada a um assessor parlamentar de um deputado da oposição, com quem falava no celular quando cheguei.

Para minha surpresa, é um e-mail enorme, contendo dez perguntas dirigidas ao sujeito que depõe nesse mesmo momento na CPI, acompanhadas de detalhes sobre a vida do “alvo” sustentando o questionário. O patrimônio, os contatos, as viagens de avião (acompanhadas dos prefixos dos jatos), os nomes que teriam sido indicados pelo acusado para ocupar cargos públicos, as empresas que teriam contribuído com o caixa dois, está tudo ali, de bandeja. “Dinamite pura, hein? Esse governo cai”, comemora.

“E por que derrubar o governo?”, pergunto, começando a duvidar que tanto empenho seja realmente “voluntário”, como ele diz. A resposta não poderia ser mais surpreendente vinda de um homem que se declara de direita e que ganha dinheiro como lobista profissional: “Porque o Lula foi uma decepção, não fez nada pelos pobres, se vendeu ao FMI”.

“Não estava maduro”

Ele acha graça ao perceber minha expressão de descrença. “Você pode não acreditar, mas, mesmo sendo de direita, defendo a necessidade de existir um partido de esquerda, um partido que esteja fora do esquema, como era o PT antes de assumir o governo. Claro, o PT roubou muito menos do que os outros governos. Em uma única jogada, o governo Fernando Henrique ganhou três vezes mais, comprando ações lá fora da Petrobras, por exemplo, dias antes de comunicar ao mercado a exploração de mais um campo de petróleo, vendendo os papéis logo depois de fazer o anúncio oficial da descoberta, o que triplicou o valor das ações. Cada notícia de que uma estatal seria privatizada era precedida da mesma operação: o Sérgio Motta anunciava que a empresa seria leiloada, as ações subiam vertiginosamente, e eles vendiam no primeiro dia da alta. Nada de tentar ganhar mais e se arriscar ao flagrante. Os caras sabiam o que faziam. O PT, não, o PT não sabe nem pode roubar. A esquerda tem de ser franciscana, não pode se corromper, tem que fazer como os partidos comunistas europeus, administrar as prefeituras e ser oposição em âmbito federal. Quem quer ser governo tem de conhecer o esquema, ter aliados reais, cúmplice de muitos negócios. O PT não sabe nem como operar: imagine esse Delúbio, que é um caipirão goiano, um sindicalista militante do PT, e esse outro Silvinho, que não consegue nem falar português decentemente, operando esquema! Isso aí é coisa pra quem sabe, pra Sarney, ACM, Sérgio Motta. Estava na cara que eles iam ser apanhados.”

Comento que a imprensa parece escolher sempre a hora de um escândalo eclodir. Afinal, em setembro do ano passado, o Jornal do Brasil já havia publicado a história do “mensalão” e a Veja uma matéria falando das divergências financeiras entre PT e PTB. Por que, a exemplo da entrevista com a testemunha feita por seu amigo repórter, o escândalo levou nove meses para explodir? Por que as mesmas informações não provocaram aquele frenético fluxo de notícias do qual ele faz parte, como tantas outras “fontes”, lobistas, aquilo que ele chama de “mercado” da informação?

“Porque o escândalo ainda não estava maduro”, ele diz, um tanto enigmaticamente. “Veja, no caso Collor foi a mesma coisa, um jornalista de uma revista semanal já havia seguido o PC, antecipado tudo que se diria depois, publicado a matéria, e mesmo assim o caso só ganhou força com a entrevista do Pedro Collor, seis meses depois. Era o momento de o Collor cair, já não interessava mais mantê-lo ali.”

“Não são movidos a propina”

“Não interessava a quem?”, insisto, mesmo sabendo a resposta. “Não interessava a quem dá as cartas de fato, aos donos do poder, do dinheiro, do esquema. O governo do PT estava se tornando uma ditadura pior que a dos milicos, tentou enquadrar a imprensa com aquele conselho de ética, usa a Polícia Federal para fazer terrorismo, invadindo escritórios de advocacia, prendendo empresários trabalhadores por sonegação, por caixa dois, coisa que todo mundo faz neste país, até porque a carga tributária impede o trabalho cem por cento honesto”, justifica. “Eles não merecem confiança, são bolcheviques, roubam para a causa. Claro, tem gente ganhando pra si também, mas não é essa a cabeça deles, pensam que estão acima do bem e do mal, que têm o monopólio da ética. São arrogantes, tratam todo mundo como se fossem melhores do que os outros, só podia acontecer isso mesmo”, comenta.

Antes de me despedir, uma pergunta: “Você disse que lobby sempre envolve dinheiro. E no caso dos jornalistas isso não rola?”

Ele defende os companheiros de trabalho: “Hoje em dia é muito raro, os jornalistas são sérios, o que querem é informação. Claro, um colunista que tem o patrocínio de determinada empresa não vai escrever contra ela, assim como os donos de jornais e revistas têm suas preferências políticas. Não são movidos a propina, mas têm seus aliados. No governo FHC houve uma quantidade enorme de escândalos abafados”.

“Pode anotar, o Lula já era”

Vai até uma gaveta, tira uns papéis e empilha na mesa. “Olha, tudo isso aqui me foi entregue na última campanha por um político do PFL”, conta. Dou uma olhada nos papéis. Há denúncias contra o filho de FHC que teria ganhado dinheiro como lobista durante os governos do pai, um dossiê contra um ex-ministro que seria sócio oculto de empresas que atuavam no setor que fiscalizava, documentações de transações suspeitas envolvendo membros de governos anteriores e empresas privadas, notícias de desvio de dinheiro que teria sido feito por familiares e assessores de governantes.

“Isso ficou parado porque o político para quem eu trabalhava não quis usar, e eu sabia que não interessava à grande imprensa, claramente a favor dos tucanos”, explica.

Cito o nome de um repórter, apontado como “contratado” de um grande grupo privado para plantar matérias do interesse do cliente na revista em que trabalha, cujo dono também é acusado de vender matérias de capa a empresários em dificuldades. Acrescento que há conversas gravadas e e-mails por trás das denúncias publicadas por outra revista semanal, essa fora de seu círculo de relações. Ele afirma ser amigo de ambos os denunciados e acrescenta, irônico: “Foi nessa revista que saiu? Então não faz mal. Essa ninguém lê”. Ele sentencia isso, embora a tiragem de ambas as revistas – denunciada e denunciante – seja praticamente a mesma.

O telefone toca mais uma vez. Ele pede um momento ao interlocutor, e me acompanha até a porta. Mas não resiste a antecipar a novidade com que brindará mais esse jornalista: “Vão pegar a filha do presidente agora, um contrato dela com uma empresa sustentada por um banco estadual federalizado. Pode anotar, o Lula já era”.

***

GRANDES FONTES
Os trinta nomes mais quentes da agenda dos colunistas
1) Antoninho Marmo Trevisan, consultor e empresário.
2) Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), advogado.
3) Antônio Carlos Magalhães, BA/DF, senador e empresário.
4) Aristóteles Teles Drummond, RJ/DF, jornalista.
5) Benjamin Steinbruch, SP/DF, empresário.
6) Carlos Brickmann, SP/DF, jornalista.
7) Cláudio Lembo, SP, advogado e vice-governador de São Paulo.
8.) Eugênio Staub, SP, empresário.
9) Gilberto Kassab, SP, deputado, vice-prefeito de São Paulo, empresário.
10) Gilberto Mansur, SP, jornalista.
11) Hélio Costa, MG, jornalista, ministro das Comunicações.
12) João Carlos Di Gênio, SP/DF, empresário.
13) Jorge Bornhausen, SC/DF, senador e empresário.
14) Jorge Rosa, DF, jornalista.
15) Jorge Serpa, RJ, empresário.
16) José Carlos Aleluia, BA/DF, deputado.
17) José Carlos Azevedo, DF, ex-reitor da UnB.
18) José Agripino Maia, RN/DF, senador e empresário.
19) José Aparecido de Oliveira, MG/DF, ex-embaixador em Portugal.
20) José Serra, SP, senador, prefeito de São Paulo.
21) Luiz Fernando Artigas, DF, assessor parlamentar.
22) Luiz Fernando Emediato, SP, jornalista.
23) Marco Maciel, PE, ex-vice-presidente, senador.
24) Mário Rosa, DF, jornalista, assessor de imprensa.
25) Mauro Salles, SP, publicitário.
26) Paulo Marinho, RJ/DF, assessor de imprensa.
27) Ruy Nogueira Netto, SP, assessor de imprensa.
28) Silvestre Gorgulho, MG/DF, jornalista.
29) Tão Gomes Pinto, SP/DF, jornalista.
30) Tasso Jereissati, CE/DF, político e empresário.

Leia Também:

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Por que o PT errou e Chaui acertou – Alberto Dines

O silêncio da filósofa e o papel da imprensa – Editorial de A. D.

O jornalismo não será o ator principal – Caio Túlio Costa

…E MANAUS CONTINUA PROVINCIANA

Que outra cidade poderia ser chamada, tão acertadamente, provinciana?

Ontem se comemorou a Elevação do Amazonas à Categoria de Província, proclamada no longínquo 1850, quando Dom Pedro II firmou a independência do Amazonas em relação ao estado do Pará. O Amazonas estava livre. E o Amazonas gostou tanto de se tornar província que ainda hoje é provinciano.

(Nesse texto, no referimos somente a Manaus pelo fato de Manaus ser praticamente a única cidade conhecida do “gigante” Amazonas. Afora os estados que fazem limite com o Amazonas e, salvo, outras pessoas que tiveram algum outro tipo de relação acidental ou incidental com algum outro município do Amazonas, ninguém em outros estados sabe o nome de nenhum outro município do Amazonas. E, embora o Amazonas seja o maior estado brasileiro, em Manaus se congrega a metade da população de todo o estado e setenta por cento do PIB do colosso do Norte é contabilizado em Manaus. Tais características já seriam, por si só, suficientes para comprovação de seu provincianismo, mas aqui nos ateremos também a outras questões.)

Em Portugal entre Passado e Futuro, de onde sai a epígrafe acima, Fernando Pessoa apresenta três características do provincianismo: “O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.”

Seguindo a proximidade pessoana, para a comprovação do provincianismo manô, no que diz respeito ao primeiro sintoma, não serão necessárias muitas linhas apesar da imensa pontuação histórica. Na época da colonização, os portugueses só vieram a fundar o Forte de São José do Rio Negro (1699) devido ao assédio de outras nações colonizadoras. De lá pra cá, Manaus já se tornou “Paris dos Trópicos”, já foi Fortaleza, “Princesinha do Norte”, etc.

Quase todas as pessoas de classe média nutriam e nutrem o desejo de ir ao Rio de Janeiro e/ou a São Paulo, principalmente na chamada intelectualidade. Exemplos: Márcio Souza e Milton Hatoum.

(Como em outros momentos em outros textos já publicados neste blog nos ativemos à escrita destes escritores, principalmente o último – Márcio Souza é por demais medíocre para merecer qualquer análise deste intempestivo bloguinho -, não perderemos energias virtuais a comprovar seu provincianismo, que pode ser demonstrado facilmente a partir de suas obras.)

E no Amazonas, o provincianismo aparece e transparece em todas as classes e os sintomas apontados por Fernando Pessoa se confundem de forma generalizada, como uma sídrome, mormente à classe política. Os principais projetos são provenientes de imitação de outros projetos de cidades, Curitiba, que, inclusive, na maioria das vezes, não deram certo nem em Curitiba e que aparecem em Manaus como sendo um projeto de uma cidade moderna e superior.

Em outros lugares do mundo há ‘policos’ que só veem o seu umbigo e (des)governam de acordo com o que veem; ou seja, de forma apriorística. No Amazonas, nem isso. Os ‘policos’ daqui não veem sequer o seu umbigo. Pode-se observar o númeno e o fenômeno nessas eleições. Nada de novo. A mesma direita retrógrada e reacionária. Não é à toa que essa direita tem seu maior e mais ilustre exemplar no candidato Eduardo “Guerreiro de Sempre” Braga, em quem repousam todos os olhos para um possibilíssimo enriquecimento ilícito, que só não é investigado porque o Tribunal de Contas do Estado foi todo nomeado por ele. Tribunal que por sinal faria mais pela população amazoniquim sendo extinto, pois se ele não existisse a maioria das contas aprovadas por ele seriam investigadas criminal e judicialmente. Do mesmo lado, o bufão senador Artur (sem H) Neto. A congratulação da comunista do papo amarelo Vanessa (PCdoB) nem merece menção.

Tomando o terceiro sintoma apresentado pelo poeta polipartido, pode-se dizer que Manaus não consegue sequer conjeturar uma possibilidade contrária aos seus mais mesquinhos intentos, quanto mais perceber uma ironia, que, para Fernando, “entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redações, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário”. No plano econômico, que outra cidade, como Manaus, tem suas bases repousadas numa falácia como a Zona Franca de Manaus? Zona fraquíssima, sempre à mercê do fim dos calotes oficiais de multinacionais que recebem o sugestivo nome de incentivos fiscais ou da abertura de outras zonas (ZPEs) em outras regiões. Quantos amazônidas colocam o discurso de defesa da ZFM como uma ironia? Nem Braga nem Artur (com ou sem H). Ao contrário, é pela ZFM que o Amazonas é conhecido como um dos maiores PIBs do Brasil, mas sem nenhuma reverberação dessa grana para os serviços públicos indispensáveis à população. Manaus é apenas uma exótica ponte aérea de altas cifras volatilizadas nas bolsas de valores. Aliás, sempre o foi. Talvez tenha sido esse o objetivo daqueles que decretaram a sua autonomia.

Fernando Pessoa, poeta português, não coloca Portugal como sendo o principal país com tais características provincianas. “O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.” O Brasil, mesmo tendo se tornado uma economia forte no cenário mundial, coloca-se por tais motivos, com inúmeros sintomas de provincianismo. O Amazonas, senso o maior de todos, deve ser um dos estados onde o provincianismo é maior, embora não seja o maior em densidade demográfica, e Manaus deve ficar como a cidade das maiores comprovações de provincianismo neste estado, inclusive, contra Lisboa.

Sem comparação, continuamos patrícios… Manô?!!!

SEGUNDA-FEIRA DOMINICAL

Dias das boas almas

# “Minha proposta é melhorar o banco de dados sempre e montar um sistema de supervisão bastante rígido. Não são as pessoas que têm que ser virtuosas, a instituição tem que ser virtuosa e para isso tem aprimorar os sistemas de controle”, analisou a candidata do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores, dos partidos aliados e da maioria do povo brasileiro, Dilma Rousseff, ao tratar do caso do vazamento do sigilo fiscal da filha de Serra, que o mesmo atribuiu à candidata a responsabilidade.

Mera apelação do candidato da direita obscura, lupem-burguesia. Ele afirma que o vazamento era para prejudicar a sua candidatura. Como prejudicar uma candidatura que antes de nascer já estava degenerada, não tinha força de concorrência? Além de que, o que da existência financeira da filha de Serra poderia servir de matéria de ataque contra sua candidatura? Nada, simplesmente nada. O PSDB, pós Mário Covas, é um nicho de impotência política. Um partido que tem uma figura como Sérgio Guerra, como presidente que está mais para colunista social do que para político, e um senador, como seu para choque, como Álvaro Dias, que está mais para oficce-boy de teatro de variedades do que para congressista, não pode pensar a democracia como necessária ao Brasil.

# O Serra apresentou em seu programa eleitoral de televisão imagens onde aparecem o candidato Fernando Collor falando com eleitores falando sobre sua candidatura e da candidata Dilma. Pois bem, a coligação da candidata entrou no Tribunal Superior Eleitora (TSE), pedindo que o mesmo tirasse do ar a veiculação da inserção que dura 15 segundos destacando que “a manutenção dessa espécie de publicidade irregular é francamente nociva e expõe o eleitor a uma informação falsa sobre o quadro da disputa”.

Não deu outra. O ministro do TSE, Joelson Dias, mando retirara a veiculação da inserção, afirmando que a coligação Brasil Pode Mais teria se “valido de gravação externa, o que é vedado pelo artigo 51, IV, da Lei 9.504/97”. Pronto, está fora.

# “Ninguém precisa baixar o nível da campanha, ninguém precisa tentar transformar a família em vítima. Cadê esse tal de sigilo que não apareceu até agora? Cadê? Cadê os vazamento?

Temos um adversário que o bicho anda com uma raiva e eu não sei de quem. O programa está pesado, rasteiro. É próprio de quem não sabe nadar, cair na água, e ficar se batendo até morrer afogado”, disse Lula, co comentar as desesperadas declarações de Serra contra a candidata Dilma, acusando-a de responsável pelo caso do sigilo que já se sabe em todo Brasil desde o ano passado, e que agora a direita usa para tentar jogar o eleitor contra Dilma, sem sequer fazer um mínimo esforço para respeitar a inteligência do brasileiro que nesse últimos anos teve sua auto-estima elevada e sua certeza que também tem voz ativa.

# Tudo ia correndo às mil maravilhas. O Verdão metia dois no clube da Raposa Azul. Era uma só emoção no “agora vai!” Mas não foi. A Raposa gostou do ar livre fora da toca e manou ver. O Verdão amarelou, e levou um couro de 3 a2 no seu próprio terreno. O Felipão quase perdeu seus últimos fios de cabelo. Em compensação, o São Paulo pegou o caindo pelas tabelas, Atlético Mineiro, e imitou o placar da Raposa: 3 a 2. E assim o Luxem vai aos poucos sendo obrigado a mudar de burgo.

Mas a grande jogada foi a do Bugre. Mais uma vez depois de estar perdendo para um time carioca virou e ganhou. Desta vez, foi o outro que também começa com f. Fluzão. O Pó de Arroz, que vinha com uma campanha invejada, levou de 2 a1. O mesmos escore que o Mengão, que tomou do Bugre na semana passada. O mesmo Mengão que não saiu do 0 a 0 com o time do jogador mascarado Neymar.

# “O presidente da República deveria representar toda a Nação”, afirmou Serra, em seu desespero em encontro com correligionários em Londrina, Paraná. Serra, que faz tudo para não mostrar para os eleitores que odeia Lula, em seu posicionamento mostrou não só seu ódio como também sua ausência do Brasil.

Só uma pessoa alienada do Brasil, que habita no estrangeiro, poderia formatar uma frase como esta, se o que mais Lula tem feito foi governar para a Nação. É só dá uma olhada na respeitabilidade nacional e internacional que se tem do Brasil atual.

Tudo bem, que o Serra tenha desatinado de vez com a derrota, agora definhar de vezes com os sentidos e o pouco de intelecto que ainda tinha, aí já estamos diante de um fato preocupante.

# “Um espectador me perguntou ontem se o país é Venezuela. E eu disse que não. Então quis saber se poderíamos apresentar essa peça em nosso país e eu lhe respondi que sim, que ela está em cartaz há dois anos. Quando eu lhe disse que não há censura na Venezuela, ele me pareceu preocupado. Ele queria que eu dissesse que há, mas na verdade é que, no caso do teatro, mesmo do teatro político, não há censura”, comentou o teatrólogo Gustavo Ott aos jornalista sobre uma pessoa que lhe perguntou sobre a peça Passport?, que está apresentando no 1º Festival Ibero-Americano de Teatro, em Santos.

A peça conta a história de uma mulher que, viajando em um trem, ao chegar na estação é obrigada a desembarcar, e como não sabe onde se encontra pede informação a um soldado responsável pela fiscalização que depois, diante da dificuldade de se identificar, é torturada pelo soldado e seu superior, um nazista.

De certa forma, Ott responde não só para o interessado anti-venezuelano, mas para muitos brasileiros para quem Chávez é seu grande pesadelo.

# Coisas de amigos. Roberto Jefferson é amigo de Collor, ao mesmo tempo que é amigo de Serra, além de seu cabo eleitoral. Serra, colocou em seu programa eleitoral uma inserção com imagens de Collor pedindo votos para Dilma com objetivo de desvalorizar a candidata. Serra ao mostrar Collor quis dizer que o mesmo é uma figura que representa a imoralidade da política brasileira. Seu amigo Roberto Jefferson não gostou, e protestou.

Collor em momento algum falou contra o Serra. Para que Serra está falando contra Collor? Me deixa mal. Collor, se errou, já pagou pelos erros que cometeu, cabe, portanto, ao eleitor, decidir se ele deve ou não ocupar o governo de Alagoas.

Fiz um acordo com Collor. Eu não interviria em Alagoas e ele não criaria problema para coligação PTB/PSDB”. Coisas de amigos.

# Post Mortem, filme do diretor chileno Pablo Larrain, que conta a história da relação amorosa de um relator de autópsia indiferente ao que ocorre ao seu redor, com uma cantora de uma dançarina de cabaré que tem parentes envolvidos em atividades políticas voltadas à democracia, estreou no Festival de Veneza.

O filme seria tão somente mais um filme se não tratasse da ocorrência de uma das maiores e mais perversas ditaduras que ocorreram na América do Sul. A ditadura militar chilena que derrubou o governo socialista de Salvador Allende, em 1973. Para o diretor Pablo Larrain, o filme é uma tentativa de compreender o que ocorreu no Chile através de narrações simples de pessoas que sofreram nesse momento triste da história do Chile. “O filme não pretende ser panfleto ou ideológico de alguma forma”, afirmou Larrain.

JORNAL DO BRASIL RESPONDE AO GLOBO E A GLOBO

Em artigo intitulado ‘JB’, publicado na edição de 3.9.2010 de O Globo, o jornalista Luiz Garcia incorpora a cômica figura formulada pelo Embaixador Roberto Campos para caracterizar integrantes da pseudo-intelectualidade brasileira – o “arrognante”, personagem que mistura arrogância com ignorância.

A soberba recém-adquirida e a confortável superficialidade de Luiz Garcia são financiadas pelas benesses do oligopólio midiático a que serve.

Nos últimos dias, grandes jornalistas, como Miriam Leitão, analisaram profundamente a trajetória do Jornal do Brasil na TV Globo e no Globo. Outros, em vez de examinar a dinâmica tecnológica que fez o JB tornar-se o primeiro 100% digital do País, optaram por rememorar com nostalgia o JB dos anos 1950, 60 e 70.

Garcia, no entanto, em vez de analisar a evolução de técnicas e costumes, arroga-se ministrar lições de moral. O acidental professor de ética ensina: “o negócio do jornalismo tem uma característica rara e vital: é negócio, mas também é serviço público”. Como se essa característica não estivesse também presente em empresas de alimentação, remédios, hospitais, transportes, águas urbanas ou mesmo a padaria da esquina.

Que deve achar Luiz Garcia do (des)serviço público prestado à reconstrução democrática no país pela empresa a que fisiologicamente se ligou?

Talvez Garcia considere a mão que o alimenta, e a que agora Garcia retribui avassalado, o exemplo mais perfeito de ética jornalística e concorrencial. Ora, alguém com honestidade intelectual e mínimo conhecimento da história recente do País pode achar que a Globo ou O Globo são esses campeões da moral?

Os brasileiros não esquecem episódios desastrosos protagonizados pela empresa que sustenta Luiz Garcia. Nos anos 60 e 70, publicações como o Jornal do Brasil resistiram com altivez aos senhores da noite. Já O Globo cumpriu ordens obedientemente, às vezes com animação. Tornou-se o jornal preferido do governo autoritário.

O jornal de Luiz Garcia estampava em editorial no fatídico 1º de abril de 1964, primeiro dia da implantação da Ditadura: “Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos“. Não surpreende se um Editorial como esse tenha sido escrito por Luiz Garcia.

Pretenso professor de moral, Luiz Garcia defende em seu artigo: “O jornal exerce o comércio de vender espaço para anunciantes, mas tem de fazê-lo segundo normas éticas.”

A etiqueta de Garcia o faz olhar para o lado quando seu jornal pratica o dumping e pressões quase criminosas contra anunciantes. Todo o mercado publicitário brasileiro sofre com a prática do monopólio. Por ele, impõem-se veículos “globais” a agências de publicidade e clientes. O Globo, ao exercer política de “exclusividade”, pratica níveis de descontos comerciais em que, caso o cliente anuncie em outro veículo, é ameaçado de retaliação.

As agências – e todos os outros veículos de comunicação no Brasil – são vitima dessa política, assim como dos incentivos dos veículos “globais”. São as bonificações de volume, os conhecidos “BVs”, com prêmios em dinheiro – recompensa por determinados patamares de faturamento que atinjam. Espécie de aliciamento a que, constrangidas, as agências se submetem.

E pensar que Garcia, ao menos no nível do discurso, se arvora homem de supostos princípios de esquerda a que cosmeticamente abraçou em anos não muito distantes.

É um erro achar que Luiz Garcia seja alheio à “ética” concorrencial do jornal que o paga. Garcia, bastante conhecido no meio jornalístico por seu adesismo, é remunerado por uma empresa campeã do capitalismo cartorial.

E aí Garcia tem razão: de fato, o leitor não é bobo.

Da Redação do JB online


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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