Arquivo para 24 de setembro de 2010

RORIZ TENTA UMA TRAMA:SAI E DEIXA SUA MULHER

O ex-governador do Distrito Federal (DF), Joaquim Roriz, que renunciou ao cargo de senador em 2004 para não ser cassado, acusado por crime de decoro parlamentar, ao sentir que sua situação, como candidato ao governo do DF, encontra-se ameaçada, apesar do empate ocorrido ontem, dia 23, na votação de seu recurso, contra a Lei da Ficha Limpa, no Superior Tribunal Federal (STF), resolveu aplicar uma trama para salvar sua candidatura: desistir de sua candidatura e deixar sua mulher, Weslian, para disputar o mandato.

A decisão de Roriz não engana nem seus eleitores. Ela tenta fazer com que tudo continue da forma como está. Roriz candidato sem ser candidato. Sua mulher no cargo não é mais do uma jogada “laranja eleitoral”. Se eleita, ela será a governadora, mas quem auferirá os lucros do governo será ele.

Um lance familiar dos demagogos. Todavia, se se confirmar o que as pesquisas estão demonstrando, Agnelo Queiroz, em primeiro lugar com 41% e Roriz com 33%, toda a trama ficará lograda para o bem da democracia.

Cureau, a censora

Mino Carta*

Conta-se aqui uma história insolitamente verdadeira de uma tentativa de assalto à liberdade de imprensa. Vale insistir: esta é autêntica.

Permito-me sugerir à doutora Sandra Cureau, vice-procuradora-geral da Justiça Eleitoral, que volte a se debruçar sobre os alfarrábios do seu tempo de faculdade, livros e apostilas, sem esquecer de manter à mão os códigos, obras de juristas consagrados e, sobretudo, a Constituição da República. O erro que cometeu ao exigir de CartaCapital, no prazo de cinco dias, a entrega da documentação completa do nosso relacionamento publicitário com o governo federal nos leva a duvidar do acerto de quem a escolheu para cargo tão importante.

Refiro-me, em primeiro lugar, ao erro, digamos assim, técnico. Aceitou uma denúncia anônima para proceder contra a revista e sua editora. Diz ela conhecer a identidade do denunciante, acoberta-o, porém, sob o manto do sigilo condenado pelo texto constitucional e por decisões do Supremo Tribunal Federal. Protege quem, pessoa física ou jurídica, condiciona a denúncia ao silêncio sobre seu nome. Ou seja, a vice-procuradora comete uma clamorosa ilegalidade.

Há outro erro, ideológico. Quem deveria zelar pela lisura do embate eleitoral endossa a caluniosa afronta que há tempo é cometida até por colegas jornalistas ardorosamente empenhados na campanha do candidato tucano à Presidência. A ilação desfraldada a partir do apoio declarado, e fartamente explicado por CartaCapital, à candidatura- de Dilma Rousseff revela a consistência moral e ética, democrática e republicana dos acusadores, ou por outra, a total inconsistência. A tigrada não concebe adesão a uma candidatura sem a contrapartida em florins, libras, dracmas. Reais justificados por abundante publicidade governista.

Sabemos ser inútil repetir que a publicidade governista premia mais fartamente outras publicações. Sabemos que José Serra, ainda governador, mas de mira posta na Presidência, assinou belos contratos de compra de assinaturas com todas as maiores empresas jornalísticas do País, com exceção, obviamente, da editora de CartaCapital. Sabemos que não é o caso de esperar pela solidariedade- dos patrões da mídia e dos seus empregados, bem como das chamadas entidades de classe, sem falar da patética Sociedade Interamericana de Imprensa. Estas, aliás, se apressam a apoiar a campanha midiática que aponta em Lula o perigo público número 1 para a democracia e a liberdade de imprensa.

Nem todos os casos denunciados pela mídia nativa merecem as manchetes de primeira página, um e outro nem mesmo um pálido registro. É inegável, contudo, que dentro do PT há uma lamentável margem de manobra para aloprados de extrações diversas. CartaCapital tem dado o devido destaque a crimes como a quebra de sigilo fiscal e a deploráveis fenômenos de nepotismo e clientelismo, embora não deixe de apontar a ausência das provas sofregamente buscadas pelos perdigueiros da informação, em vão até o momento, de ligações com a campanha de Dilma Rousseff.

Vale, porém, discutir as implicações da liberdade de imprensa, e de expressão em geral. É do conhecimento até do mundo mineral que a liberdade de informar encontra seus limites no Código Penal. Se o jornalista acusa, tem de provar a acusação. E informar significa relatar fatos. Corretamente. Quanto à opinião, cada um tem direito à sua.
Muito me agrada que o Estadão e o Globo em editoriais e, se não me engano,- um colunista tenham aproveitado a sugestão feita por mim na semana passada. Por que não comparar Lula a Luís XIV, além de Mussolini e Hitler? Compararam, para ampliar o espectro da evocação. De ditadores de extrema-direita a um monarca por direito divino, aprazível passeio pela história. Volto à carga: sinto a falta de Stalin, talvez fosse personagem mais afinada com a personalidade de Lula, aquele que ia transformar o Brasil em república socialista. Quem sabe, a tarefa fique para a guerrilheira terrorista, assassina de criancinhas.
Espero ter sido útil, com uma contribuição aos delírios de quem percebe o poder a lhe escorrer entre os dedos. A campanha midiática a favor do candidato tucano não é digna do país que o Brasil merece ser, e sim adequada ao manicômio. Aumenta o clamor de grupelhos de inconformados de uma velha-guarda que não dispensa militares de pijama, todos protagonistas de um espetáculo que fica entre a ópera-bufa e o antigo Pinel. Que tem a ver com liberdade de imprensa acusar Lula e Dilma de pretenderem “mexicanizar”, ou “venezuelizar” o Brasil? Ou enterrar a democracia?

Mesmo que o presidente não pronuncie sempre palavras irretocáveis, onde estão as provas desse terrificante projeto? Temos, isto sim, as provas em sentido contrário: os golpistas arvoram-se a paladinos de uma legalidade que eles somente ameaçam. A união da mídia já produziu alguns entre os piores momentos da história brasileira. A morte de Getúlio Vargas, presidente eleito, a resistência a Juscelino, o golpe de 1964 e suas consequências 21 anos a fio, sem contar com a oposição à campanha das Diretas Já. Ou com o apoio maciço à candidatura de Fernando Collor, à reeleição de Fernando Henrique, às privatizações vergonhosamente manipuladas.

É possível perceber agora que este congraçamento nunca foi tão compacto. Surpreende-me, por exemplo, o aproveitamento que o Estadão faz das reportagens de Veja, citada com todas as letras. Em outros tempos não seria assim, a família Mesquita tachava os Civita de “argentários” em editoriais da terceira página. As relações entre os mesmos Mesquita, os Frias e os Marinho não eram também das melhores. Hoje não, hoje estão mais unidos do que nunca. Pelo desespero, creio eu.

A união, apesar das divergências, sempre os trouxe à mesma frente quando o risco foi comum. Ameaça ardilosamente elevada à enésima potência para justificar o revide pronto e imediato. E exorbitante. A aliança destes dias tem uma peculiaridade porque o risco temido por eles é real, a figurar uma situação muito pior do que aquela imaginada até o começo de 2010. Desespero rima com conselheiro, mas como tal é péssimo. De sorte que estão a se mover para mais uma Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade. A derradeira, esperamos. Não nos iludamos, no entanto. São capazes de coisas piores.

Otimista em relação ao futuro, na minha visão vivemos os estertores de um sistema, mudança essencial ao sabor de um confronto social em andamento, sem violência, sem sangue. Diria natural, gerado pelo desenvolvimento, pelo crescimento. Donde, por mais sombrios que sejam os propósitos dos verdadeiros inimigos da democracia, eles, desta vez, no pasaran. Eles próprios se expõem a risco até ontem inimaginável. Se houver chance para uma tentativa golpista, desta vez haverá reação popular, com consequências imprevisíveis.

Episódio representativo da situação, conquanto não o mais assombroso, longe disso, é a demanda da vice-procuradora da Justiça Eleitoral para averiguar se vendemos, ou não, a nossa alma. Falo em nome de uma pequena redação que não desiste há 16 anos na prática do jornalismo honesto, pasma por estar sob suspeita ao apoiar às claras a candidatura Dilma.

Sugiro à doutora Sandra que, de mão na massa, verifique também se a revista IstoÉ recebeu lauta compensação do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema quando o acima assinado em companhia do repórter Bernardo Lerer, escreveu uma reveladora, ouso dizer, reportagem sobre Luiz Inácio da Silva, melhor conhecido como Lula, publicada em fevereiro de 1978. Ou se acomodou-se em uma espécie de mensalão ao publicar oito capas a respeito da ação de Lula à frente de uma sequência de greves entre 1978 e 1980. Ou se me locupletei pessoalmente por ter estado ao lado dele na noite de sua prisão, e da sua saída da cadeia, quando enquadrado pela ditadura na Lei de Segurança Nacional, bem como nas suas campanhas como candidato à Presidência da República. Desde o dia em que conheci o atual presidente da República, pensei: este é o cara.

*Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde.
redação@cartacapital.com.br

‘COMEDOR DE CAPITALISMO’, LULA FESTEJA SUCESSO DA OFERTA DE AÇÕES DA PETROBRAS

Por: João Peres e Guilherme Amorim*

Há dez anos eu passava aqui na porta, as pessoas tremiam de medo. ‘Onde vai o comedor de capitalismo?’ E exatamente esse comedor de capitalismo deixa a Presidência da República depois de oito anos como o presidente que participou de forma honrosa do momento mais auspicioso do capitalismo mundial.
Luiz Inácio Lula da Silva

Foto: Ricardo Stuckert. Presidência

Presidente e ministros anunciam maior capitalização da história mundial, que leva empresa e Bovespa às posições de maiores do mundo

São Paulo – Com música e festa, foi aberta nesta sexta-feira (24) a oferta pública de ações da Petrobras. A operação é tida como a maior capitalização da história mundial, superando com larga margem os marcos anteriores. Os quase US$ 66,9 bilhões em ofertas visam ao fortalecimento da empresa, que passa a ser a segunda maior petrolífera do mundo, com US$ 220 bilhões em valor de mercado, atrás apenas da Exxon.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o evento, lembrou do medo com que era tratado em seu passado de sindicalista. Ele afirmou que era visto como “comedor de capitalismo”, mas que, mesmo assim, deixa o governo depois de ter participado do “do momento mais auspicioso do capitalismo mundial”.

A operação possibilitará à Petrobras comandar a exploração da camada do pré-sal que, estima-se, tem capacidade de produção de cinco milhões de barris de petróleo. Ao mesmo tempo, a distribuição de dois milhões de ações ordinárias e um milhão e meio de ações preferenciais transforma a Bolsa de Valores de São Paulo no segundo maior pregão do mundo, com valor superior a US$ 30,4 bilhões. De acordo com a Bovespa, desde a quinta-feira (23) o valor é 25% maior que o de três das principais bolsas mundiais: Nova York, Londres e a eletrônica Nasdaq.

A abertura simbólica do pregão da bolsa, com o tradicional toque da campainha, ocorreu numa festejada operação que contou com a presença do presidente da República, do vice, de ministros e do presidente da Petrobras, todos evidentemente entusiasmados.

A gigantesca operação foi tratada como evidência de que o Brasil mudou de patamar. Do lado de dentro do Espaço Raimundo Mariano Filho, no centro da capital paulista, alguns dos principais executivos nacionais festejavam o momento – uns se mostravam até mesmo “neolulistas” em certos momentos. Do lado de fora, centrais sindicais e militantes partidários agitavam bandeiras aos gritos de “Lula, guerreiro, do povo brasileiro.”

A manifestação organizada pela Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) era de festejo, mas nem por isso deixava de ser crítica. Embora se louve o papel da Petrobras, alguns entendem que é necessário discutir parâmetros da empresa. “A Petrobras é grande, mas mesmo assim (capitalizada), não é do povo. O trabalhador não tem dinheiro para comprar ações”, reclamou o comerciante João Teixeira do Nascimento. O advogado Carlos Teixeira Nunes somou críticas: “A empresa só é uma das maiores do mundo porque vende barato para o exterior e inflaciona os preços internos.”

Davos ou Fórum Social?

Uma festa que, caso se tenha de resumir em poucas linhas, simbolizava dois universos que, apesar de contrastantes, convergem ao apoiar Lula. Dentro da Bovespa, um cenário compatível com o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos, cidade suíça onde se reúnem os maiores acionistas do Produto Interno Bruto Mundial. Do lado de fora, um clima de mini-Fórum Social Mundial, evento que representa um paralelo a Davos, para contrapor ideias ao capitalismo. No centro de São Paulo, Davos e Fórum Social tiveram um raro momento de encontro.

Como aconteceu mais de uma vez, Lula foi festejado dos dois lados: entre os ricos e entre os militantes. Como em outras vezes, o presidente mostrou que não esqueceu de seu passado – e do que diziam dele. “Há dez anos eu passava aqui na porta, as pessoas tremiam de medo. ‘Onde vai o comedor de capitalismo?’ E exatamente esse comedor de capitalismo deixa a Presidência da República depois de oito anos como o presidente que participou de forma honrosa do momento mais auspicioso do capitalismo mundial”, afirmou o presidente, que vestia um colete da Petrobras.

A sessão na Bovespa teve vários aplausos entusiasmados e até ufanistas. Quando se soube que a bolsa atingiu patamar inédito, no momento em que se anunciou o sucesso da operação e no acionamento da campainha. O ato, aliás, ocorreu sob a música “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.

Apesar da seriedade do momento histórico, o evento foi marcado por otimismo e brincadeiras. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ironizou um dos bordões de Lula – o “nunca antes na história” –, ao comentar a maior capitalização de empresa do mundo. O ministro garantiu que a Petrobras tem agora um caixa de US$ 25 bilhões e que vai utilizar o arrecadado com a oferta pública de ações em novos investimentos, tendo condições de garantir seu plano de injetar US$ 224 bilhões até 2014.

A participação da União na petrolífera passou de 40% para 48% das ações. “Isso mostra que não há risco de doença holandesa. Está afastada a possibilidade de maldição do petróleo. Melhor seria falar em bênção do petróleo”, celebrou

A história da economia brasileira se divide entre antes e depois deste momento”, apontou Edemir Pinto, diretor-presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros e da Bovespa. Ele considera que o atual momento é fruto do respeito adotado pelo governo à estabilidade econômica e nominou Lula como “um dos principais parceiros da revolução” que se fez no setor financeiro.

Mais de 150 companhias abriram participação na bolsa desde 2004 e a expectativa é de que a operação da Petrobras impulsione a abertura de capital de diversas empresas do setor petrolífero interessadas em participar da exploração do pré-sal.

O Brasil dá um exemplo de como devem ser tratados os negócios do país. (…) Temos que respeitar determinadas ações do Estado. Porque o Estado é responsável pela existência desta companhia que se equipara hoje às maiores companhias de petróleo do mundo”, acrescentou o vice-presidente, José Alencar.

O presidente também lembrou diversas vezes o papel do Estado. Sem citar diretamente nomes ou partidos, Lula atacou o modelo de Brasil que vinha sendo construído antes de seu governo. “Ao contrário do passado, não estamos aqui para debilitar o Estado ou alienar patrimônio público. Um Estado fraco nunca foi sinônimo de uma iniciativa privada forte.”

Após o acionamento da campainha, o presidente deixou o prédio da Bovespa e, do lado de fora, foi festejado pela militância. “Importante é a Petrobras ser do povo. Vim aqui para ver o Lula”, afirmou a funcionária pública Ilca Carlos Nogueira. Até mesmo José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, foi aplaudido na manifestação.

*Publicado originalmente na Rede Brasil Atual.

SUSPENSA A VOTAÇÃO DA FICHA LIMPA PELO STF

Foto: Gil Ferreira/STF

Diante de um placar de cinco votos a favor da validade da Lei da Ficha Limpa já para vigorar nessas eleições de 2010, contra cinco votos contrários à sua validade para esse ano, a sessão do Superior Tribunal Federal (STF), foi suspensa sem data definida para sua conclusão.

“Estamos em uma situação de radicalidade absoluta. Tentar tirar daí uma solução, a sociedade perceberá que isso é uma solução artificial, é uma decisão que o tribunal não tomou”, afirmou o ministro presidente da Corte, Cezar Peluso.

O ministro Peluso, questionado sobre a data para definição do resultado, respondeu que o tribunal “vai se reunir para ver o que vai decidir”. Mas afirmou que a decisão não será em sessão secreta.

No auge do debate, quando os votos estavam empatados, levantada a hipótese para que Peluso decidisse com o voto de Minerva, que se encontra no regimento da Corte, ao que ele respondeu: “Não tenho vocação para déspota, nem acho que o meu voto vale mais que o dos outros ministros”. Uma posição tida por alguns como um ato de não querer se comprometer, visto que sua posição é contrária à validade da Lei da Ficha Limpa, também contra seu vigor nesse ano. Foi ele quem empatou quando o escore se encontrava em cinco votos contra quatro.

Os ministros que votaram a favor da Lei da Ficha Limpa foram Carlos Ayres Britto (relator), Cármem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Ellen Gracie e Joaquim Barbosa. Os que votaram contra foram os ministros Cezar Peluso, Dias Toffoli, Celso de Mello, Marco Aurélio e Gilmar Mendes.

Peluso sugeriu que se espere a nomeação de um novo ministro até uma data próxima da diplomação. Como alguns candidatos estão sub judice, se eleitos, não poderão ser diplomados. “Não haverá prejuízo a nenhum candidato”, sustentou.

Com a decisão do STF, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que entrou com a representação, poderá continuar em campanha. Para ele, de qualquer sorte, foi uma vitória. Todavia, para os representantes da sociedade, que torciam para um vitória da democracia, agora foi uma ducha. O placar chegou a ficar em cinco votos contra dois.

Mas nem tudo está perdido, nas últimas pesquisas para governador do Distrito Federal o candidato do Partido dos Trabalhadores, Agnelo, tem 41% e Roriz 33%. Para quem se encontrava na frente durante grande parte da campanha é uma dor terrível.

MAIS UMA VEZ VOX POPULI RIDICULARIZA O DATAFOLHA

No afã de querer ajudar o candidato de sua família Frias, que durante essas eleições já entrou em várias frias, principalmente a fria maior, perder as eleições por pura ambição desmedida, o Datafolha, apêndice do jornal Folha de São Paulo, em sua pesquisa publicada quarta-feira, dia 22, mesmo sabendo que o resultado estava na margem de erro, alardeou que a candidata Dilma havia caído cinco pontos. Quando na verdade nenhum dos dois principais candidatos na pesquisa havia se movido em seus antigos percentuais.

Mas não durou vinte e quatro horas para a trama do Datafolha ser ridicularizada em uma zombeteira contestação. O instituto de pesquisa Vox Populi, juntamente com a Band e o IG, divulgaram ontem, dia 23, sua nova pesquisa cujo resultado se assemelhou com o tracking diário. Em sua nova pesquisa, mostra Dilma com 51%, Serra com 24% e Marina com 11%.

Portanto, tudo continua como dantes, apesar dos falsificantes. Nenhuma das alucinantes acusações produzidas no antro sociopata da mídia de mercado foi capaz de atingir a posição que Dilma ocupa nos desejos dos eleitores.

Faltando apenas nove dias – apenas para os eleitores de Dilma, mas nenhum para a direitaça, aí seu desespero – para a concretização oficial da vitória de Dilma, os dados estão lançados como fim de aposta. A direita não tem mais o que fazer a não ser só ranger os dentes. Ou quem sabe as gengivas.

REALIZADO O ATO PÚBLICO CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO

ATO EM DEFESA DA DEMOCRACIA!
CONTRA A BAIXARIA NAS ELEIÇÕES!
CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO!

Ontem à noitinha, por volta de 19h, mais de 500 pessoas compareceram ao Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) para discutir, desmontar e rechaçar as falseações e trucagens golpistas que a mídia sequelada (Folha, Globo, Estadão, Veja e congêneres) está levando, sem pejo, a cabo nestas eleições. O evento foi convocado e organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Entre os participantes, estavam integrantes de centrais sindicais como CUT e CGTB, de movimentos sociais como MST e UNE, dos partidos PT, PCB, PSB e PDT, blogueiros progressistas e cidadãos contrários ao golpismo midiático.

O auditório comporta apenas 120 cadeiras e não cabia todos os presentes, então muitos se espalharam pelos corredores do sindicato, mas todos com seus dizeres democratizantes e suas inteligências trabalhando em velocidade incomensurável para defender a verdadeira “Liberdade de Expressão” ameaçada pela grande mídia ignara.

Companheiro Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, deu início, lendo o documento “Pela ampla liberdade de expressão” (reproduzido abaixo), no qual defende a mídia alternativa e propõe solicitar a abertura dos contratos e contas de publicidade de grandes empresas de comunicação.

A combatente Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo, representando o PSB, foi ovacionada pelos presentes, e chamou de Macartismo o que imprensa vem fazendo na campanha eleitoral contra Dilma Rousseff, afirmando que “o controle social terá que acontecer”, e que “o estado que faz a outorga” e por isso “a sociedade vai ter o controle”.

Erundina explicou que o ‘golpismo midiático’ ocorre porque “deu certo o governo do primeiro presidente operário e porque vamos eleger a primeira mulher presidente do Brasil”. “Vamos ficar vigilantes, eles vão tentar tudo”, conclama.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e secretário geral da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Augusto Camargo, disse que a grande mídia “distorce e divulga opiniões como fatos”, e também leu uma nota (a qual também reproduzimos abaixo), com o título: “Em defesa dos jornalistas, da ética e do direito à informação”.

Cobrando a “democratização da mídia”, Gilmar Mauro, representante do MST, ironizou: “O dia que Folha, Estadão, Abril e Globo falarem bem, nós estamos errados. (…) O próximo governo tem que investir na democratização da mídia”, cobrou.

Renato Rabelo, presidente do PC do B, afirmou que os que estavam ali presentes são os “verdadeiros defensores da liberdade de expressão”, e criticou a onda de denúncias nos jornais como uma “luta política acirrada”, apesar da mídia comercial não declarar ter escolhido um lado e, pior, escamotear as notícias. “Eles não dizem que são a favor da candidatura de Serra e contra a de Dilma”, finalizou.

E assim seguiram as falas e discussões que de um verdadeiro encontro democrático que reverbera nos movimentos sociais, nos sindicatos, partidos de esquerda, na blogosfera e toma conta como uma rede democratizante de afetos capazes de não permitir o golpe da mídia sequelada contra a democracia e a liberdade de expressão.

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Pela mais ampla liberdade de expressão

Nota do Centro de Estudos Barão de Itararé

O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, proposto e organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, adquiriu uma dimensão inesperada. Alguns veículos da chamada grande imprensa atacaram esta iniciativa de maneira caluniosa e agressiva. Afirmaram que o protesto é “chapa branca”, promovido pelos “partidos governistas” e por centrais sindicais e movimentos sociais “financiados pelo governo Lula”. De maneira torpe e desonesta, estamparam em suas manchetes que o ato é “contra a imprensa”.

Diante destas distorções, que mais uma vez mancham a história da imprensa brasileira, é preciso muita calma e serenidade. Não vamos fazer o jogo daqueles que querem tumultuar as eleições e deslegitimar o voto popular, que querem usar imagens da mídia na campanha de um determinado candidato. Esta eleição define o futuro do país e deveria ser pautada pelo debate dos grandes temas nacionais, pela busca de soluções para os graves problemas sociais. Este não é momento de baixarias e extremismos. Para evitar manipulações, alguns esclarecimentos são necessários:

1. A proposta de fazer o ato no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo teve uma razão simbólica. Neste auditório que homenageia o jornalista Vladimir Herzog, que lutou contra a censura e foi assassinado pela ditadura militar, estão muitos que sempre lutaram pela verdadeira liberdade de expressão, enquanto alguns veículos da “grande imprensa” clamaram pelo golpe, apoiaram a ditadura – que torturou, matou, perseguiu e censurou jornalistas e patriotas – e criaram impérios durante o regime militar. Os inimigos da democracia não estão no auditório Vladimir Herzog. Aqui cabe um elogio e um agradecimento à diretoria do sindicato, que procura manter este local como um espaço democrático, dos que lutam pela verdadeira liberdade de expressão no Brasil.

2. O ato, como já foi dito e repetido – mas, infelizmente, não foi registrado por certos veículos e colunistas –, foi proposto e organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, entidade criada em maio passado, que reúne na sua direção, ampla e plural, jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação. Antes mesmo do presidente Lula, no seu legítimo direito, criticar a imprensa “partidarizada” nos comícios de Juiz de Fora e Campinas, o protesto contra o golpismo midiático já estava marcado. Afirmar o contrário, insinuando que o ato foi “orquestrado”, é puro engodo. Tentar atacar um protesto dos que discordam da cobertura da imprensa é tentar, isto sim, censurar e negar o direito à livre manifestação, o que fere a própria Constituição. É um gesto autoritário dos que gostam de criticar, mas não aceitam críticas – que se acham acima do Estado de Direito.

3. Esta visão autoritária, contrária aos próprios princípios liberais, fica explícita quando se tenta desqualificar a participação no ato das centrais sindicais e dos movimentos sociais, acusando-os de serem “ligados ao governo”. Ou será que alguns estão com saudades dos tempos da ditadura, quando os lutadores sociais eram perseguidos e proibidos de se manifestar? O movimento social brasileiro tem elevado sua consciência sobre o papel estratégico da mídia. Ele é vítima constante de ataques, que visam criminalizar e satanizar suas lutas. Greves, passeatas, ocupações de terra e outras formas democráticas de pressão são tratadas como “caso de polícia”, relembrando a Velha República. Nada mais justo que critique os setores golpistas e antipopulares da velha mídia. Ou será que alguns veículos e até candidatos, que repetem o surrado bordão da “república sindical”, querem o retorno da chamada “ditabranda”, com censura, mortos e desaparecidos? O movimento social sabe que a democracia é vital para o avanço de suas lutas e para conquista de seus direitos. Por isso, está aqui! Ele não se intimida mais diante do terrorismo midiático.

4. Por último, é um absurdo total afirmar que este ato é “contra a imprensa” e visa “silenciar” as denúncias de irregularidades nos governos. Só os ingênuos acreditam nestas mentiras. Muitos de nós somos jornalistas e sempre lutamos contra qualquer tipo de censura (do Estado ou dos donos da mídia), sempre defendemos uma imprensa livre (inclusive da truculência de certos chefes de redação). Quem defende golpes e ditaduras, até em tempos recentes, são alguns empresários retrógrados do setor. Quem demite, persegue e censura jornalistas são os mesmos que agora se dizem defensores da “liberdade de imprensa”. Somos contra qualquer tipo de corrupção, que onera os cidadãos, e exigimos apuração rigorosa e punição exemplar dos corruptos e dos corruptores. Mas não somos ingênuos para aceitar um falso moralismo, típico udenismo, que é unilateral no denuncismo, que trata os “amigos da mídia” como santos, que descontextualiza denúncias, que destrói reputações, que desrespeita a própria Constituição, ao insistir na “presunção da culpa”. Não é só o filho da ex-ministra Erenice Guerra que está sob suspeição; outros filhos e filhas, como provou a revista CartaCapital, também mereceriam uma apuração rigorosa e uma cobertura isenta da mídia.

5- Neste ato, não queremos apenas desmascarar o golpismo midiático, o jogo sujo e pesado de um setor da imprensa brasileira. Queremos também contribuir na luta em defesa da democracia. Esta passa, mais do que nunca, pela democratização dos meios de comunicação. Não dá mais para aceitar uma mídia altamente concentrada e perigosamente manipuladora. Ela coloca em risco a própria a democracia. Vários países, inclusive os EUA, adotam medidas para o setor. Não propomos um “controle da mídia”, termo que já foi estigmatizado pelos impérios midiáticos, mas sim que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista. Neste sentido, este ato propõe algumas ações concretas:

– Desencadear de imediato uma campanha de solidariedade à revista CartaCapital, que está sendo alvo de investida recente de intimidação. É preciso fortalecer os veículos alternativos no país, que sofrem de inúmeras dificuldades para expressar suas idéias, enquanto os monopólios midiáticos abocanham quase todo o recurso publicitário. Como forma de solidariedade, sugerimos que todos assinemos publicações comprometidas com a democracia e os movimentos sociais, como a Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Revista do Brasil, jornal Brasil de Fato, jornal Hora do Povo, entre outros; sugerimos também que os movimentos sociais divulguem em seus veículos campanhas massivas de assinaturas destas publicações impressas;

– Solicitar, através de pedidos individuais e coletivos, que a vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, peça a abertura dos contratos e contas de publicidade de outras empresas de comunicação – Editora Abril, Grupo Folha, Estadão e Organizações Globo –, a exemplo do que fez recentemente com a revista CartaCapital. É urgente uma operação “ficha limpa” na mídia brasileira. Sempre tão preocupadas com o erário público, estas empresas monopolistas não farão qualquer objeção a um pedido da Dra. Sandra Cureau.

– Deflagrar uma campanha nacional em apoio à banda larga, que vise universalizar este direito e melhorar o PNBL recentemente apresentado pelo governo federal. A internet de alta velocidade é um instrumento poderoso de democratização da comunicação, de estimulo à maior diversidade e pluralidade informativas. Ela expressa a verdadeira luta pela “liberdade de expressão” nos dias atuais. Há forte resistência à banda larga para todos, por motivos políticos e econômicos óbvios. Só a pressão social, planejada e intensa, poderá garantir a universalização deste direito humano.

– Apoiar a proposta do jurista Fábio Konder Comparato, encampada pelas entidades do setor e as centrais sindicais, do ingresso de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão do parlamento na regulamentação dos artigos da Constituição que versam sobre comunicação. Esta é uma justa forma de pressão para exigir que preceitos constitucionais, como o que proíbe o monopólio no setor ou o que estimula a produção independente e regional, deixem de ser letra morta e sejam colocados em prática. Este é um dos caminhos para democratizar a comunicação.

– Redigir um documento, assinado por jornalistas, blogueiros e entidades da sociedade civil, que ajude a esclarecer o que está em jogo nas eleições brasileiras e que o papel da chamada grande imprensa tem jogado neste processo decisivo para o país. Ele deverá ser amplamente divulgado em nossos veículos e será encaminhado à imprensa internacional.

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Em defesa dos jornalistas, da ética e do direito à informação

Nota do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

O conceito de golpe midiático ganhou notoriedade nos últimos dias. O debate é público e parte da constatação de que setores da imprensa passaram a atuar de maneira a privilegiar uma candidatura em detrimento de outra. É legítimo – e desejável – que as direções das empresas jornalísticas explicitem suas opções políticas, partidárias e eleitorais. O que é inaceitável é que o façam também fora dos espaços editoriais. Distorcer, selecionar, divulgar opiniões como se fossem fatos não é exercer o jornalismo, mas, sim, manipular o noticiário cotidiano segundo interesses outros que não os de informar com veracidade.

Se esses recursos são usados para influenciar ou determinar o resultado de uma eleição configura-se golpe com o objetivo de interferir na vontade popular. Não se trata aqui do uso da força, mas sim de técnicas de manipulação da opinião pública. Neste contexto, o uso do conceito “golpe midiático” é perfeitamente compreensível.

Este estado de coisas só acontece porque os jornalistas perderam força e importância no processo de elaboração da informação no interior das empresas. Cada vez menos jornalistas detêm o poder da informação que será fornecida à opinião pública. Ela passa por uma triagem prévia já no seu processo de edição e aqueles que descumprem a dita orientação editorial são penalizados. Também nunca conseguem atingir cargos de direção que, agora, são ocupados por executivos que atendem aos interesses de comitês, bancos associados, acionistas etc.

Esse estado de coisas não apenas abre espaço para que a mídia atenda a interesses outros que não o do cidadão, como também avilta a profissão de jornalista, precariza condições de trabalho e achata salários. A consequência mais trágica disso é a necessidade de se adaptar ao “esquema da empresa” para garantir o emprego, mesmo em detrimento dos valores mais caros.

Para avançar nessa discussão é necessário estabelecer a premissa de que informar a população sobre os desmandos do governo (qualquer deles) é dever da imprensa. Orquestrar campanhas pró ou contra candidatos é abuso de poder. A linha divisória entre esses campos é tênue e cabe ao jornalista, respeitando o profissionalismo e a ética, estabelecer o limite tendo em conta o que é de interesse público.
Não podemos incorrer no erro de instaurar na cobertura de fatos políticos os erros cometidos em outras áreas, ou seja, o pré-julgamento (que dispensa provas, pois o suspeito está condenado previamente) e o jornalismo espetáculo (que expõe situações de maneira emocional para provocar reações extremadas).

A ideia de debater e protestar contra esse estado de coisas resultou na realização do ato em defesa da democracia e contra o golpismo midiático a ser realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas. A proposta surgiu em conversa entre blogueiros, foi assumida pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, que procurou o Sindicato dos Jornalistas e este aceitou sediar o evento.

A sociedade sabe que o local ideal para este debate é o Sindicato dos Jornalistas. Não apenas porque os jornalistas são parte importante nesse processo, mas, principalmente, pela tradição da entidade em ser um espaço democrático aberto às diversas manifestações públicas e de interesse social.

O que está em discussão são duas concepções opostas, uma que considera a informação um bem privado, passível de uso conforme interesses pessoais e outro que entende a informação como direito social, portanto, regulado por um “contrato social”, exatamente como acontece com a saúde ou a educação.

Ter direito de resposta, garantir espaço para que o contraditório apareça, impedir o monopólio da mídia, tornar transparente os mecanismos de outorga das empresas de rádio e TV, destinar parte da verba oficial para pequenos veículos, criar a rede pública de comunicação, regulamentar as profissões envolvidas com a mídia, não são atos de censura, são movimentos em defesa da liberdade de expressão e cidadania!

O grupo dos liberais quer, a qualquer custo, impedir que o conceito de direito social seja estendido à informação. A confusão feita entre liberdade de opinião, de imprensa, de informação, de profissão e o conceito de censura e de controle público é intencional. Essa confusão é visível na argumentação utilizada pelo Ministro Gilmar Mendes para acabar com a necessidade do diploma de jornalismo. O objetivo é impedir que as ideias por trás das palavras sejam claramente entendidas pelo cidadão e, assim, interditar qualquer reivindicação popular nesse campo.

A liberdade de imprensa é o principal instrumento do jornalista profissional. Não é propriedade dos proprietários dos meios de comunicação. O verdadeiro ato em favor da liberdade de imprensa é feito em defesa do jornalista e, por consequência, diminui o poder da empresa. O problema é que, a exemplo do que escreveu George Orwell no livro 1984 quando criou a novilíngua (que pretendia reduzir o vocabulário, eliminar sinônimos e fundir palavras para diminuir a capacidade de pensamento), o conceito de liberdade de imprensa foi virado pelo avesso e, uma vez apropriado pela empresa de comunicação, passou a diminuir o papel do jornalista obrigando-o a se submeter às engrenagens do poder empresarial. Não é por acaso que existe a frase, ao mesmo tempo trágica e engraçada, de que apenas existe “liberdade de empresa”.

Não é por acaso que o debate sobre liberdade de imprensa e democratização da mídia está presente na campanha eleitoral deste ano. Não é uma briga entre partidos ou candidatos, é uma questão bastante difundida na sociedade e que exige posicionamento público das autoridades. A Associação Nacional de Jornais – ANJ está preparando um código de autoregulamentação para a imprensa que vem, exatamente, no sentido de fazer algo para impedir que o Estado ou a sociedade organizada o faça. Lembremos das palavras do escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa, em O Leopardo, “mudar para continuar igual”.

O debate público precisa ser aprofundado e ele não será feito com preconceitos ideológicos, mas, sim, a partir de análise apurada da realidade e das necessidades da democracia que, penso, não se concretiza sem o chamado “contrato social” que regra a atividade humana, impedindo que os mais fortes destruam os mais fracos. Estamos clamando pela verdadeira liberdade de imprensa, pela ética profissional e pelo direito do cidadão de informar e ser informado!

PT VAI AO MP CONTRA VÍDEOS PSICOPATAS DO PSDB

Diante da afronta à inteligência e à moral da sociedade brasileira promovida pela campanha do candidato da elite-ignara, José Serra, através de vídeos em que Dilma é apresentada como uma ameaça ao Brasil, o presidente do Partido dos Trabalhadores, José Eduardo Cardoso, entrou no Ministério Público com pedido de inquérito policial para apurar prática de crime eleitoral e identificar os autores que veiculam na internet as projeções de suas taras.

Os vídeos, entre outros, apresentam Lula se transformando em Dilma com cachorros da raça rottweiler, um deles se transformando em José Dirceu. Os vídeos ferem o artigo 51, inciso IV da Lei 9.504.

Na sofreguidão de colocar os vídeos na TV imediatamente, visto que a derrota é irreversível, o presidente do PSDB, que está mais para ‘calunista’ social, Sérgio Guerra, entrou em discussão braba com um dos marqueteiros da campanha, Luiz Gonzalez, que se opôs a transformá-lo em inserção na TV, porque, segundo pesquisa interna do partido, os eleitores rejeitaram a apresentação dos vídeos como peça de campanha que traria mais prejuízos a Serra do que a Dilma.

A coligação que apoia Dilma entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que os vídeos sejam tirados da internet/You Tube, e para o Google para que o administrador do You Tube também tome uma medida para impedir a veiculação dos mesmos.

Falando sobre a decisão do PT em entrar na Justiça contra a propagação da tara psiquiátrica do PSDB, a candidata da maioria do povo brasileiro afirmou: “Vamos manter o alto nível. Entrar com medida judicial não significa baixar o nível. É se defender. Falo isso com a convicção de que quem se utiliza desse expediente nem o Brasil nem a história perdoa.”

“LULA, O FILHO DO BRASIL”, FOI ESCOLHIDO PARA CONCORRER COM OUTROS FILMES ESTRANGEIROS PARA IR AO OSCAR

Por unanimidade, o júri escolheu o filme de Fábio Barreto, Lula, o Filho do Brasil, como a película que vai representar o Brasil na disputa com outros filmes estrangeiros para ver quem vai representar seu país na categoria filme estrangeiro no Oscar do ano de 2011, que acontecerá em 27 de fevereiro. A divulgação dos filmes que irão concorrer ocorrerá no dia 25 de janeiro.

O júri, composto por nove pessoas, que divulgou o resultado na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, teve quatro membros da Academia Brasileira de Cinema, uma instituição da sociedade civil, dois membros da Agência Nacional de Cinema (Ancine), dois indicados pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e um indicado pelo gabinete do ministro da Cultura.

Falando sobre a escolha do filme Lula, o Filho do Brasil, o cineasta Roberto Farias, presidente da Academia Brasileira de Cinema, disse: “Nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida.”

O filme tem grandes chances, o Brasil está em momento de visibilidade internacional. Isso vai somar e o Oscar gosta disso. A gente está num momento em que estão interessados em nosso país.

Temos um filme emotivo, bem construído dramaticamente, no estilo em que os americanos compreendem. Acho que eles podem se interessar. Temos grandes esperanças de concorrer e ganhar”, afirmou o secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, Newton Cannito.

Escrotínio

*Welton Yudi Oda

Num passado recente – pré urnas eletrônicas – era conhecida a figura do escrutinador, sujeito incumbido, durante as eleições, da contagem dos votos. Não estamos, entretanto, fazendo referência a esta ação.

Escrotínio seria um termo bastante apropriado para designar, por exemplo, as eleições no Amazonas. Scrutinium, do latim, refere-se à ação de revistar, de apalpar, enquanto scrotum, expressão também latina, refere-se a saco, bolsa e, como sabemos, é usado para designar a bolsa cutânea masculina responsável por proteger os testículos.

O processo eleitoral no Amazonas pode ser considerado um grande festival de “apalpadelas” no escroto alheio. No caso, no escroto de certos parlamentares, administradores púb(l)icos e outros candidatos. Felizmente há exceções. Infelizmente são poucas. A regra é o babaovismo baré, que a exemplo de uma relação sexual, acontece entre um ativo felador (o eleitor) e um passivo “felado” (o candidato assistencialista).

De qualquer modo, como em outros anos, não há motivos para que o eleitor reclame injustamente da falta de opções. É possível escolher entre candidatos arrolados em uma ampla gama de crimes, como estelionato, usura, corrupção passiva e ativa, prevaricação e pedofilia. Tem até candidato honesto! Acredite! Embora estes, de modo geral, tenham campanhas modestas, não se parecem, na TV, com super-heróis ou com mauricinhos classe média e, por isso, são preteridos pelo eleitor.

Aliás, preteridos também por outra razão: grande parte do eleitorado não quer “desperdiçar” o voto e, por isso, escolhe um candidato com chances de ganhar, um “vencedor”, ainda que seja, sabidamente, um gangster.

Exceção, ao menos parcial, seja registrada para o quadro presidencial, onde o representante dos tecnoboys, mauricinhos, daslumadames e coronéis de barranco agoniza irremediavelmente. Mérito de Lula, que pode ser referido como o maior presidente da história do Brasil, o que, embora meritório, é comparável á constatação do CQC de que Cristina Kirchner é a presidenta mais bonita do mundo, tarefa nada difícil, afinal as demais são todas feias.

Mas há também outro candidato bastante distinto destas “barangas” que se apresentam no atual pleito: é Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. Plínio está na vida pública desde 1958, tendo exercido funções como a subchefia da Casa Civil do estado de São Paulo, a coordenação do Plano de Ação do Governo, secretário dos Negócios Jurídicos e secretário do Interior e da Justiça (SP). Foi eleito deputado federal e teve seus direitos políticos cassados pela ditadura militar. Exilado, trabalhou como funcionário da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO). Participou da fundação do PT, partido onde foi eleito novamente deputado federal em 1982 e 1986. No PT, Plínio foi também candidato ao governo de São Paulo, sendo o quarto mais votado.

Procurando bem, eleitor, você encontrará candidatos que não são bandidos, para deputado estadual, federal, para presidente, governador e sen… É, pra quase todos os cargos. Se ele tem chances de ganhar é outra história, o importante é apostar neles, prestigiá-los. Nem todo candidato se elege da primeira vez ou tem uma boa votação logo de cara.

Desacreditar da política é exatamente o projeto que políticos delinquentes idealizaram para você.

Não caia nessa. Reflita! As coisas mudam, embora não com a velocidade que gostaríamos, mas vamos com calma, afinal eleição não é corrida de cavalo!

No dia 3 de outubro vote pra ganhar e não no candidato que vai ganhar, afinal, com esta opção, muitas vezes que perde é você!

*Welton Yudi Oda é doutorando em Biologia.

26º CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Para ampliar, clique na imagem ou aqui.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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