Arquivo para 10 de outubro de 2010

A BLOGOSFERA E AS EMINÊNCIAS PARDAS (I)

Composição ou manipulação de afetos

Juro que o demônio deve habitar no corpo deste frade.”
Cardeal Richelieu sobre o Pe José de Paris

Há quem diga que o fato da eleição ir para o segundo turno foi uma derrota colossal da blogosfera, que tinha cantado vitória antes do tempo, contra a grande mídia. Errado. Não foram os factoides inventados dia-a-dia pela decadente ou o caso Erenice que levaram a eleição para o segundo turno. “Nós” (pronome usado como possível confluência dos desígnios comuns da diversidade blogueira), com inteligência e humor, desbaratamos a ignara mídia. Tampouco foi a perfumada “onda verde” em si que levou o pleito para o segundo turno. Enquanto Dilma subia vertiginosamente nas pesquisas, deixando a mídia sequelada em polvorosa e desespero, uma rede camuflada ia atando seus “nós” (substantivo designativo de petrificação para imobilização do movimento) de forma imperceptível. Quer dizer, nós menos a percebemos do que a subestimamos. Alto lá!, diria Mauro Carrara. Ele já havia previsto a rude campanha difamatória contra Dilma dentro das igrejas e entre os cristãos em abril passado. Mas, mesmo quando alguns dias antes das eleições ele advertiu que deveríamos arregaçar as mangas e mandar ver nos teclados de nossos computadores para tentar afrouxar, malear os nós da funesta rede formada, nós repetimos seu texto por toda a mídia, porém, sem alterar nosso ritmo que já se tornara ritmado. Não percebemos que quando nos congratulávamos no encontro de blogueiros progressistas, na vertiginosidade pós-moderna, já deveríamos ter atualizado nossas atividades para outras frentes e outras lutas.

Em sua famosa obra Eminência Parda, Aldous Huxley descreve como Padre José de Paris, um capuchinho de origem nobre que, utilizando-se de sua facilidade de percorrer os mosteiros e os palácios, mesmo andando sempre a pé, quase invisível, escondido sob o chapéu vermelho do “tenebroso-cavernoso” cardeal Richelieu, torna-se um dos mais interessados fomentadores de uma guerra cruel que deveria durar alguns dias e que acabou conhecida como a Guerra dos Trinta Anos, ocorrida na Europa no início do século XVII.

No texto seguinte dessa série, desenvolveremos melhor a questão do entrelaçamento que está prevista no subtítulo da obra – Estudo sobre religião e política -, aqui nos interessaremos sobretudo pela rede de comunicação que os pequenos frades formam em toda a Europa e que chegam sempre ao grande ouvido de Padre José, mantendo-o informado claramente das posições das outras nações. “Através de sua máquina informativa, combinada à sua crença na natureza providencial da monarquia francesa, fez dele um imperialista”, afirma Huxley.

Alguns ramos da Igreja Católica sempre estiveram à frente de seu tempo no que diz respeito aos processos comunicacionais. Há alguns anos, no tabloide Phylum, da Associação Filosofia Itinerante, chamávamos a atenção para o código secreto de comunicação entre os jesuítas e índios que representou o Nhegatu, fazendo com que a Coroa portuguesa, alienada desse processo, mandasse o terrível Marquês de Pombal, tendo em mãos documento genocida Diretório dos Índios, para desbaratar o mecanismo instalado.

Não queremos com estas descrições apontar uma linha histórica. “Além de ser um moralista, o historiador é alguém que tenta formular generalizações sobre os humanos acontecimentos” (Huxley). O que buscamos apontar é tão somente a emergência de um tipo de enunciado: o controle da comunicação pelo poder. O controle da comunicação é o poder. Os e-mails e panfletos apócrifos – mas que não são secretos, pois suas origens transbordam – que garantiram, a partir da atemorização da cristandade, levar a eleição à presidência para o segundo turno consubstanciaram-se durante os debates em torno do PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos). E não foi nas hostes pentecostais onde se deram os maiores embates. Foram as ramificações mais conservadoras ligadas, oficialmente ou não, à Igreja Católica que contra-atacaram o plano em suas proposições mais democráticas. De um lado foram bem sucedidos, pois o governo, embora com o mal-estar do ministro Paulo Vannuchi, cedeu em muitos pontos; por outro, seus dogmatismos foram prontamente rechaçados pela blogosfera. Mas, para eles, pois que não lhes interessam argumentos racionais, a briga estava ganha…

Mas quando se aproximou o período eleitoral foi que esses segmentos, como a Opus Dei, a TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), manifestações isoladas de clérigos ou partes da CNBB – como a Central Sul 1 -, arremeteram às mais arraigadas crenças dogmatizadas conservadoras. Foi nesse momento que se instalou a contra-insurgência vil que uniu, em seus preconceitos mais funestos segregados nas cavernas da consciência cristã-paulínea, os católicos e os evangélicos. O interessante desses últimos é que a fanática mensagem apelativa e falseada não chegou via seus principais pastores e bispos, mas por missionários hierarquicamente inferiores e pequenos fiéis.

Na verdade, foi uma armadilha lançada à nova – finalmente! – opinião pública que se instalou a partir da blogosfera e das velhas e novas redes. Tanto a campanha de Dilma quanto a blogosfera, subestimamos esse poder antiquado e grosseiro. Não nos interessou debater, rebater a sandice dos incautos. (Aqui mesmo neste bloguinho, deixamos passar grotescos comentários, que não respondemos por tamanha obviedade e rasteirice.)

Não que estivéssemos errados, mas em nossa diversidade, o que havia – e há – de comum em nós é a composição (no sentido de Spinoza) de afetos (argumentos-ideias) em encontros democratizantes a partir da razão. Enquanto isso, a criminosa campanha contra Dilma está baseada na manipulação de afetos a partir de uma rede de intrigas, boatos e fofocas produzidas, mítica e mistificadamente, pelos mais baixos graus de entendimento.

A grande mídia buscou tirar partido dessa virulência, e por isso houve imediata identificação de objetivos: obnubilar o discernimento crítico e impedir o acesso à inteligência. Mas isso já foi na passagem para o segundo turno, no momento em que nos demos conta realmente da extensão do convite de Carrara. Foi o momento em que o comitê de Dilma se reorganizou e que a blogosfera entrou numa proliferação constitutiva como nunca se viu.

Não devemos fazer concessões. Outra vez não haverá chance para “eles” (essa abstração que se chama o sistema, mas que se concretiza em blocos duros de subjetividade a serviço do capital, como mídia sequelada, multinacionais e setores conservadores das igrejas e outras instituições), mas devemos estar atentos para as armadilhas lançadas e perceber quando não devemos catexizar a imbecilidade sem, contudo, permitir sua irrupção a partir do controle do ato da comunicação que transborda por todos os poros para a vida.

SERRA, O CANDIDATO DO MAL CONTRA A VIDA

Nenhum filósofo mostrou o quanto uma mente niilista, cujo o instinto encontra-se corrompido, é perniciosa para a vida, como o filósofo alemão Nietzsche mostrou. Para Nietzsche, o niilista é um pessimista, cuja a existência malograda o leva a todo momento dizer Não à vida.

Com o instinto degenerado produz para si um qualidade moral calcada em um profundo ressentimento, e uma dolorosa amargura, o que o torna ou um escravo, o que não pode ser amigo, ou um tirano, o que não pode ter amigo, dado seu alto grau de negação da vida.

Possuído por essa força pessimista, em que o devir da vida encontra-se travado, o homem do espírito corrompido nutre uma intensa inveja contra todos que dizem Sim à vida. Pessimista, ele é escravizado por valores pesados que sobre sua pobre carcaça o obrigam a defender os signos mais entorpecidos que esses valores representam, para que ele se iluda que está existindo. E a tirania, em todas as suas facetas, é sua defesa contra qualquer ameaça que a vida possa lhe fazer.

Como esse homem teme a vida, que é criativa, transformadora, processadora do novo como vontade de potência, o eterno retorno distributivo alegre da vida, ele imagina para si um valor como forma de ilusão existencial. O bem. Esse bem que pode ser como ideal ascético que visa uma salvação após a morte, um paraíso, ou um bem como maneira de iludir os outros. Mostrar que sua existência está ligada ao querer viver. Na verdade uma trapaça, visto que o medo da vida o faz um desesperado do desespero existencial, como nos diz o filósofo Kierkgaard.

José Serra é esse homem do mal. O homem cuja vida está travada por valores milenares da dor que só se alimenta do ódio contra os que carregam a vontade de potência criadora. Como um pessimista, ele fabula sua existência com adornos valorativos com a intenção de ser tomado como um amante da vida, mas sua atitude perante o outro facilmente fragmente essa ilusão.

O uso da palavra “bem” que Serra tenta se qualificar em sua propaganda eleitoral pode ter duas leituras. Um, querer confundir o eleitor que ele é o candidato do “bem”, e Dilma é candidata do mal. Dois, a palavra “bem” na verdade é um signo desativado de seu contexto real, servindo apenas para o propósito de Serra. Um “bem” sem força contextual política, e nem moral.

Como ocorre com todo homem que diz Não à vida, Serra não consegue ocultar a caricatura de seu “bem”, visto que seu mal transborda na visibilidade, e é facilmente percebido pela maioria dos eleitores. Ele não consegue esconder que é invejoso, vingativo, rancoroso, covarde, um cabotino, sempre pronto para tramar contra todos que traçam seus percursos como potência alegre da vida.

É esse o Serra que finge não ter nenhuma relação com o tema aborto na política brasileira, que finge não ter nenhuma relação com o homossexualismo, com as prostitutas, anátemas persecutórios de outros homens niilistas capturados pelo ideal ascéticos, homens alcunhados de cristãos que estão divulgando calúnias contra a candidata Dilma para ajudar seu ídolo pessimista Serra.

Não se tem notícia que o deputado federal cearense Ciro Gomes tenha estudado Nietzsche, Freud, psiquiatria, mas sua interpretação sobre o sujeito José Serra, quando ele afirma tratar-se de uma figura execrável, capaz de passar com um trator por cima da própria mãe, sintetiza os três saberes filosófico/psiquiátrico. Ter uma ideal exacerbado, é próprio do homem que odeia a vida. Homem que sucumbiu ao espectro idealizado como se fosse uma existência autêntica. O homem do mal. O homem que diz Não à Vida. O mal que Serra não consegue ocultar com seu “bem”.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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