Arquivo para 24 de outubro de 2010

CARTA DE DOM ANGÉLICO PELA VERDADE E JUSTIÇA NAS ELEIÇÕES

Os cristãos e a defesa da verdade e da justiça nas eleições 2010

1. SINTO-ME honrado em estar com vocês e, nesta mesa, com a meu amado irmão, irmão dos pobres, Pe. Júlio Lancelotti, cuja mamãe Wilma Ferrari Lancellotti partiu para junto de Deus não faz muitos dias e a quem presto homenagem. Saúdo,de maneira particular, meus irmãos militantes nos diversos Partidos Políticos. Tal militância,na afirmação de Paulo VI, “é forma superior de solidariedade”.

2. Venho a este importante Ato na qualidade de Bispo emérito de Blumenau,na bela e Santa Catarina e,nesta condição, lhes falo,não em nome de Partido Político ou de candidata ou candidato.

3. Alem da importância de esclarecimento de alguns fatos “na defesa da verdade e da justiça “, fui motivado para esta reunião, pelo encontro que tive, após celebração da santa Missa, na comunidade Nossa Senhora Aparecida, Guaimim, no dia 10 último. Fui  então procurado por Carlinhos e Sandra, apaixonado e jovem casal,acompanhado por meu irmão Néri e pai de Sandra  A querida  MARILI no céu, é a mãe de Carlinhos  e de nosso valoroso Pe. Aécio! Eles estavam perplexos diante da atitude de alguns Bispos,nas presentes eleições, que vetavam candidatos (as) do PT,,atribuindo-lhes apoio ao aborto! E o jovem casal,com entusiasmo, me perguntava “ o que fazer ?” e,ao mesmo tempo, entre sugestões várias, apresentava a de uma reunião como esta,perguntando-me se a ela, eu compareceria, tendo lhes eu respondido, imediatamente, SIM ! Eis porque aqui estou!

Que Jesus Cristo, Caminho,Verdade e Vida esteja conosco e, com o PAI, nos envie o Espírito Santo para nossa iluminação.

A bem da verdade, da justiça,devo lhes dizer:

1. A atual campanha eleitoral está marcada, viciada, por muita mentira, falsificação e distorção de fatos. A internet, de modo especial, tem sido palco de verdadeiras ações articuladas por redes sociais de difamação, em atentado à democracia, à liberdade de comunicação que não pode ser confundida com libertinagem a serviço da mentira.

2. A IGREJA , OFICIALMENTE, em âmbito nacional, nestas eleições, se pronunciou três vezes :

– “DECLARAÇÃO SOBRE O MOMENTO POLITICO NACIONAL”, Assembléia Geral, 11 de maio de 2010.

– “NOTA DA CNBB NA PROXIMIDADE DAS ELEIÇÕES”, assinada pela Presidência da CNBB. Dom Geraldo Lyrio, Dom Luiz Soares Vieira, Dom Dimas Lara Barbosa, dia l6 de setembro de 2 010.

– “NOTA DA CNBB EM RELAÇÃO AO MOMENTO ELEITORAL”, de 8 de outubro 2010, assinada pela Presidência já citada.

O REGIONAL SUL 1 DA CNBB , no dia 29 e junho de 2010 publicou a declaração “VOTAR BEM”, assinada por sua Presidência, Dom Nelson Westrupp, Dom Benedito Beni dos Santos e Dom Airton José dos Santos.

Estas são DECLARAÇÕES, NOTAS, OFICIAIS DOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA, no Brasil,no Estado de São Paulo.

Elas insistem :

a) na urgência de Programas  que estejam compromissados com a defesa da vida em todas as suas fases, desde a sua concepção até sua morte natural, bem como com a realização de Reforma Agrária, Reforma Política, Preservação do meio ambiente e com os direitos sociais fundamentais, como a criação de empregos e geração de rendas, melhoria da saúde e educação, da segurança pública, da habitação,justiça para todos…

b) Na linha destas orientações oficiais da Igreja. O senhor Cardeal D. Odilo P. Scherer, em carta de 20 agosto de 2010, aos Padres da Arquidiocese de São Paulo, entre outras, dá-lhes as seguintes orientações:

· Fique claro que a Igreja não tem opção oficial por Partidos ou Candidatos (as). Por isso,o Clero não deve envolver-se publicamente na campanha partidária (cfr. Can. 287; 572)

· Nas missas e outras celebrações (homilias, cursos) não deve ser feita campanha explicita para candidatos ou partidos.

c) A Igreja deve sim apresentar princípios,valores, critérios para que,lucidamente, o eleitor possa votar em candidatos com “ficha limpa”, comprometidos em seus programas com a promoção do bem comum, com a construção de sociedade justa e solidária.

INFELIZMENTE, destoando da orientação oficial da CNBB Nacional e Sul 1, irmão Bispo de Diocese localizada na grande São Paulo, na publicação, no início de julho de 2010, “EM QUEM NÃO VOTAR”, após considerações sobre o aborto e posicionamentos do PT, afirma “recomendamos a todos os verdadeiros cristãos a que não dêem seu voto à sra. Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam liberação do aborto”.
Na mesma linha, sem citar nome explicitamente mas implicitamente sim, o inoportuno “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” de 3 de julho de 2010, da Comissão em defesa da vida do Regional Sul 1 da CNBB. Este “Apelo” foi abraçado pela Presidência e Comissão Representativa do Regional Sul 1 que “ o acolhem e recomendam sua difusão”, no dia 26 de agosto de 2010.

Foi o prato cheio de que a oposição à candidata à Presidência da República se serviu, de maneira facciosa, parcial, para instrumentalizar a Igreja, dividir comunidades, tornar temas religiosos, o aborto, focos principais de debates, levando muitos a crerem que votar em Dilma , é contrariar a orientação da Igreja Católica. Ora, isto é mentira uma vez que a Igreja oficialmente não se posicionou a respeito de NOMES e PARTIDOS, PODENDO,POIS,O CATÓLICO CONSCIENTEMENTE VOTAR em Dilma, em candidatos do PT. Contra a instrumentalização do aborto para fins eleitorais, ergueu-se valorosa a voz profética de D. Demétrio Valentini, Bispo de Jales, no artigo “DESMONTE DE UMA FALÁCIA”.

FELIZMNETE, os BISPOS da Igreja Católica do Estado de São Paulo – Reg. Sul 1 da CNBB, na Assembléia de suas Igrejas, nos dias 15 a 17 de outubro, desfazem ambigüidades, dizem categórico basta à instrumentalização da religião na discussão eleitoral e deixam claro que:

a) Não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor;

b) Desaprovam a instrumentalização de suas Declarações e Notas e enfatizam que não patrocinam a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos. (Recorde-se a impressão-difusão de um destes folhetos se tornou caso de Polícia!).

Dom Milton Kenan Junior, querido vigário episcopal para a Região Brasilândia, em carta aos Padres desta Região, recomenda a leitura desta última Declaração dos Bispos do Estado de São Paulo nas celebrações de hoje e amanhã.

AINDA, DUAS OBSERVAÇÕES:

1. A realidade do ABORTO não pode ser transformada em questão eleitoreira! Pode e deve ser estudada, debatida, em profundidade. O aborto é atentado à vida, É crime. O Estado efetivamente deve promover políticas públicas a favor da VIDA, não da MORTE. Quanto a nós discípulos missionários de Jesus, lutemos contra a descriminalização do aborto. Mas, não paremos somente no debate da defesa da lei! Pode ser cômodo! Há mulheres que são colocadas em grande constrangimento, sofrimento, pobreza, desespero e que recorrem ao aborto, em LAMENTÁVEL E ERRADA OPÇÃO! O trabalho árduo de PREVENÇÃO é fundamental! Elas estão a nosso lado, não podemos desconhecê-las, em degradante omissão. Discípulos do Verbo de Deus que se fez CARNE, COMPROMETAMO-NOS COM ESTA REALIDADE. Estas mulheres – nossas irmãs – , para o Estado,frequentemente omisso em políticas públicas a favor da vida, se tornam problema de saúde pública e, de nossa parte, precisam ser tratadas com misericórdia, compreensão. A CAMPANHA DA FRATERNIDADE, no próximo ano, com seu tema: “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema: “A criação geme como em dores de parto” vai aprofundar os temas aborto,eutanásia e todo desdobramento sagrado da vida,em nosso planeta,afirmou D Geraldo Lyrio,Presidente da CNBB,em entrevista,na última quinta feira,dia 21 de outubro.

Como seria ótimo se as Dioceses,a exemplo com o que acontece com a Arquidiocese de São Paulo, oferecessem às mulheres sofridas e tentadas pela pseudo-solução do aborto, braços abertos em realizações como a do AMPARO MATERNAL!

2. Às vésperas das eleições,peçamos à padroeira e Mãe do Brasil,Nossa Senhora Aparecida que proteja nosso País,o Povo brasileiro. Que as eleições não sejam ocasião para violências,ódios,divisões. Que os embates e debates nos amadureçam e nos façam crescer na compreensão mútua,na fraternidade. Nos meus 77 anos,gosto de repetir diante do destempero de muitos a respeito do Brasil , que confio na grandeza deste País, na maravilhosa fibra do Povo brasileiro . Diante de ataques apaixonados a nosso Presidente da República, não desconhecendo falhas em seu Governo, gosto de verificar que ele termina seu mandato com a admirável aprovação de 79% da população; é tido no Exterior, entre as “dez mais importantes personalidade do mundo”: é respeitado em sua política econômica e , em época de crise econômica que atinge a Europa e EE.UU de maneira profunda,conduz o Brasil em sério crescimento, com considerável aumento de empregos. Sem desconhecer os graves problemas que ainda nos atingem,sobretudo aos Pobres, insisto contra pessimistas e derrotistas, em repetir as palavras do poeta: “ adora a terra em que nasceste ,não há País como este”. Vamos,pois,avante,de esperança,em esperança,na esperança sempre , conscientes de que a construção de um Brasil cada vez melhor é possível, dependendo dos Poderes da República e da urgente colaboração, participação ativa, de todos nós!

Dom Angélico Sândalo Bernardino

São Paulo, 23.outubro.2010.

A MILITÂNCIA-DEVIR DE DILMA E A MILITÂNCIA-IMÓVEL DE SERRA

Nessa eleição para a Presidência da República despontam dois signos antagônicos do conceito de militância. De um lado o signo enunciativo de militância-devir, o processual constituinte do movimento-alegria. A transcendência para além do já posto que surge dos encadeamentos das potências criativas. E do outro lado o signo enunciativo da militância-imóvel. O movimento mecânico do constituído. A imanência rígida do sedimentado.

Enquanto o primeiro signo enunciativo é molecular-criativo, o segundo signo enunciativo é molar-representante. O primeiro é movimento, o segundo é permanência. Se o primeiro é um processual do fora, o segundo é uma defesa do dentro. Eis as diferenças das duas militâncias. A primeira se abre em espiral, a segunda se fecha entrópica. A primeira, constituinte de potências-pletos (pluralidade poiética), é democrática; a segunda, quantidade-força, é tirânica.

A militância-devir de Dilma é uma cartografia de desejos que transcende a dita militância do Partido dos Trabalhadores. Essa cartografia de desejos, como devir, é uma polivocidade de corpus heceidades como movimento e repouso, velocidade e lentidão, corpus devirianos processantes. O que não se fecha no Partido dos Trabalhadores por ser o devir-povo. O que não pode ser reduzido a uma programática partidária. É uma militância-devir Subjetividade-Brasil.

Como militância-devir encadeia potências criativas que se deslocam de territórios múltiplos para tecer essa cartografia comunalidade democrática. Daí que é possível sentir e pensar os encadeamentos que se formam de expressões saídas dos movimentos sociais, dos sindicatos, dos intelectuais, dos grupos de bairros, dos artistas, dos médicos, juristas, educadores, atores, atrizes, artistas circenses, operários, religiosos, magistrados, advogados, garis, catadores de papel, movimento dos sem teto, dos sem terra, artesãos, homoeróticos, psicólogos, filósofos, sociólogos, donas de casa, sapateiros, pedreiros todos compondo uma rede desterritorializante de potências democráticas. Uma verdadeira TransDilmação. Uma metafísica política que se movimenta além da representação do corpo instituído como democracia representativa. A democracia das quantidades, e não das potências criadoras do Direito Comum.

Essa cartografia de desejos TransDilmação é produto do entendimento que a os corpus compósitos têm do que seja esquerda e direita. Para esses corpus, esquerda e direita é uma questão de perspectiva, como afirma o filósofo Deleuze. No caso, ser de esquerda é olhar distante. Na periferia do horizonte, como afirma o filósofo Bergson. O pathos das distâncias que faz o homem ver melhor, como diz o filósofo Nietzsche. Sair de si para encontrar o outro, como diz o filósofo Marx. A desterritorialização do homem livre.

Já ser de direita é ter a perspectiva do olhar próximo. Olhar para si. Olhar entrópico, o olhar que não sai de si. Olhar centrado no mesmo lugar. O olhar do burguês. O olhar da militância-imóvel de Serra. O sujeito-sujeitado bem territorializado. Um verdadeiro buraco-negro que se alimenta de matéria desativada, por isso nada cria. No conceito epistemológico-pedagógico, a militância-imóvel de Serra é o que se chama de analfabeto funcional. Aquele que, aprisionado em suas funções individuais está impossibilitado de realizar inferências sobre o que se encontra fora de si. Em uma linguagem mais amena: a inteligência do burguês. Não importa se tenha formação inferior ou superior, o que conta é seu olhar limitado aprisionado em si mesmo.

Observando e entendendo essas duas militâncias em seus antagonismos, pode-se apreender melhor a Subjetividade-Brasil. E daí compreender que essa Subjetividade-Brasil não pretende o egoísmo social como querem os burgueses que compõem a militância-imóvel de Serra. A Subjetividade-Brasil pretende a democracia como devir constituinte do novo que se enuncia como potência-distributiva-povo.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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