Arquivo para 1 de novembro de 2010

A ELEIÇÃO DE DILMA E OS ESTÚPIDOS PERDEDORES

foto: www.dilma13.com

Freud, o criador da psicanálise, afirmou que toda estupidez é produto da repressão. E a repressão no discurso psicanalítico é multifacetada como estupidez. Nisso, a estupidez pode ser produto de uma repressão física, repressão emocional, repressão religiosa, repressão amoral, repressão econômica, repressão policial, repressões que lesionam o sujeito lhe inscrevendo sequelas que são tidas como distúrbios afetivo e intelectivo. O que impossibilita o indivíduo de entrar em contato com o real para poder examiná-lo como matéria produzida por encadeamentos de ideias que formam a consciência do homem.

Desta forma, a estupidez é sempre uma consequência, jamais causa. Por isso, o estúpido é um sujeito que reage, nunca age. É um reacionário. Defende sempre o que lhe impuseram como conteúdo da repressão. Ele é uma caixa de ressonância da repressão. E o pior para a sociedade é que ele sequer suspeita de sua condição. Daí nunca suspeitar que não tem livre arbítrio. Embora morra defendendo o que toma como escolha sua, como sua opinião, como sua vontade.

A eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República do Brasil ofereceu para os atentos esse texto sócio-psicanalítico. A manifestação perversa da estupidez apresentada na campanha de Serra, o candidato do bloco reacionário. O reacionário que mandou a moral política para fora da democracia e passou a reagir estupidamente, usando os recursos mais perversos que uma mente possuída pela estupidez pode imaginar. Essa a fonte de calúnias, difamações, acusações usadas contra Dilma Rousseff. Ato que todas as pessoas livres da estupidez jamais se associam. Por seus modos de ser oblativo – cooperativo -, repudiam.

É nesse corredor da estupidez da campanha reacionária de Serra que se pode ver o quanto a palavra derrota é usada por ele. O que é contrário à democracia. Em eleições democráticas constitutivas não se fala em ganhador e perdedor. Fala-se em altercações de ideias, onde uma prevalece por razão da eficiência de seu discurso. Mas nunca se fala de derrota ou vitória. Nas eleições de ontem, esse texto constitutivo não é possível, visto que a estupidez se fez presente como discurso opressor.

Assim, extraindo do próprio discurso reacionário, pode-se dizer que os perdedores dessa eleição foram além de Serra, Fernando Henrique, Aécio Neves, o calunista social Sérgio Guerra, presidente do PSDB, Agripino Maia, Índio da Costa, Cesar Maia, Fernando Gabeira, Marina Silva, Roberto Freire, Raul Jungmann, Roberto Jeferson, Jô Soares, Soninha Francini, escritora Ruth Rocha, Tasso Jereissati, Arthur Neto – duas vezes, uma para o Senado e outra, porque acreditava que com a vitoria de Serra poderia ser ministro -, Rede Globo, TV Globo, jornal O Globo, Época, Folha de São Paulo, jornal Estado de São Paulo, Miriam Leitão, Dora Kramer, Monica Woldvolge, Veja, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Merval, Ali Kamel, Galvão Bueno, casal Bonner-Simpson, Wiliam Wack, TV Bandeirantes, Globonews, Arnaldo Jabor, o Papa Bento XVI, Opus Dei, TFP – Tradição Família e Propriedade -, a extrema-direita fundamentalista da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Arns, os bispos dom Luiz Gonzaga Bengorzine, dom Beni, padre Luis Augusto (da Canção Nova), o pastor fariseu Malafaia, grupos de igrejas evangélicas, grupos nazistas, jurista Hélio Bicudo, atriz Rosa Maria Murtinho, Regina Duarte, Maitê Proença, atores Mauro Mendonça, Juca de Oliveira, Carlos Vereza, Dominguinhos – atristeza do Nordesta -, jornais de Manaus a Crítica, Diário do Amazonas, Amazonas Em Tempo, rádios – com exceção a Rádio Rio Mar -, empresas multinacionais, organismos internacionais que não querem que os países emergentes, como o Brasil, tenham autonomia nos conselhos exteriores, mídias estrangeiras, governos da Colômbia e Chile, entre outros ressentidos para quem o mundo é dividido em vitoriosos e derrotados.

Assim, todos os que escolheram a candidatura de Serra estão comprometidos com os atos sórdidos usados contra a candidata Dilma Rousseff. Posto que, como diz o filósofo Sartre, “todo homem é responsável por sua escolha”.

DILMA: A CARTA QUE LULA TIROU DA MANGA

Tereza Cruvinel
Especial para a Agência Brasil

Brasília – Dilma Vana Rousseff já teve muitas vidas, muitos nomes e muitos projetos de vida. O que ela nunca imaginou é que seria a primeira mulher brasileira a conquistar, pelo voto, o mais alto cargo da República, até agora ocupado só por homens. Ela foi eleita presidente com 55,5 milhões de votos, correspondentes a 56,01% dos votos válidos, derrotando José Serra, do PSDB, que teve43,606 milhões de votos, ou 43,99% do total de votos validos (com 99,56% das urnas apuradas).

Muita gente, dentro e fora do governo, também achava que isso seria impossível: embora a política tenha marcado toda a sua vida, Dilma nunca havia disputado antes uma eleição.

Dilma não tem jogo de cintura eleitoral”, “Dilma é durona e carrancuda”, “Dilma é uma técnica sem carisma”. “Dilma não tem trânsito entre os partidos e os políticos”. Tudo isso e muito mais foi dito sobre a então ministra-chefe da Casa Civil, quando, ainda em 2008, começou a circular a notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pensava nela como candidata a sua sucessão.

No segundo mandato, a aprovação do governo e a popularidade do presidente Lula alcançaram índices inéditos, e isso foi possível porque, depois de ajustar as contas públicas no primeiro mandato, a política econômica, combinada com a política de distribuição de renda e os programas sociais começou a produzir excelentes resultados: a economia crescia, gerava mais empregos, a renda dos mais pobres aumentava, a desigualdade diminuía, o país se tornava melhor internamente e mais respeitado lá fora. Na era Lula, cerca de 28 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema e ascenderam socialmente.

Mas esse paraíso político foi precedido de um inferno zodiacal. No primeiro mandato esses resultados ainda não haviam aparecido. Além de ter feito um ajuste fiscal necessário, mas que atrasou a retomada do crescimento, o governo enfrentou escândalos que minaram a popularidade de Lula e do PT.

Os nomes fortes do partido, que poderiam ter sido alternativas sucessórias para 2011, foram todos queimados nas crises do primeiro mandato. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, foi cassado no escândalo do mensalão, e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi alvejado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Na substituição de Dirceu, Lula surpreendeu a todos ao descartar quadros políticos do PT e dos partidos aliados e convidar Dilma, então ministra de Minas e Energia, de perfil eminentemente técnico. Lula pediu-lhe um choque de gestão na Casa Civil e uma atuação mais gerencial e menos política. Era exatamente o que ela sabia fazer.

Mas esta não foi a primeira vez que Lula surpreendeu com o nome de Dilma. Ele a conhecera no Rio Grande do Sul, como secretária de Minas e Energia do governo do petista Olívio Dutra. Na montagem do primeiro ministério, em 2002, ele desautorizou um acordo já fechado por seu coordenador político José Dirceu com o PMDB e entregou a ela a pasta de Minas e Energia.

Ali, Dilma trabalhou duro para evitar um novo apagão elétrico, como o que houvera no governo de Fernando Henrique, desenvolveu o Programa Luz para Todos, planejou a construção de novas hidrelétricas e a diversificação da matriz energética brasileira. Essa dinâmica é que Lula queria na Casa Civil. E Dilma não o decepcionou. Passou a coordenar as ações de todo o governo e ganhou fama de durona.

Até parece que vivemos cercadas por homens meigos e delicados”, ironizou Dilma na época.

A ministra havia brigado pela redução do superávit fiscal para que sobrassem mais recursos para investimentos em obras de infraestrutura, que criam as bases para o crescimento de longo prazo, aquecem a economia e geram empregos. No final do primeiro mandato, já havia dinheiro para isso e ela elaborou o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), pedido por Lula. O programa foi lançado em janeiro de 2007, nos primeiros dias do segundo mandato.

O PAC previa investimentos de R$ 500 bilhões em quatro anos, em grandes obras de infra-estrutura, como portos, ferrovias e hidrelétricas, gastos com obras em favelas e o financiamento habitacional maciço, como o programa Minha Casa, Minha Vida.

Foi na inauguração de obras de saneamento e habitação numa favela do Rio de Janeiro, o Complexo do Alemão, no dia 7 de março de 2008, que Lula começou a escolher sua sucessora. “A Dilma é uma espécie de mãe do PAC. É ela que cobra, junto com o Marcio Fortes [ministro das Cidades], se as obras estão andando. e agora vocês também vão ver o que é ser cobrado pela Dilma.”

Em recente entrevista à TV Brasil Internacional, Lula nos contou, no intervalo da gravação, que naquele dia começou a amadurecer a ideia de que Dilma poderia ser a candidata que ele não tinha para a sucessão que se aproximava. A oposição tinha dois nomes fortes, Aécio Neves e José Serra, ambos já provados nas urnas. Dilma não tinha experiência eleitoral, mas representava uma novidade. Era mulher, pensava o presidente. Se conseguisse transferir para ela uma parte de sua imensa popularidade, poderia elegê-la.

Ela surpreendeu-se com a confidência, mas não recusou a ideia. Dilma sabia de todas as dificuldades que seu nome enfrentaria, inclusive dentro do PT. Lula tratou disso com os dirigentes do partido. Dilma não era mesmo um quadro histórico, mas o partido também não tinha outro nome. Quem tinha a força era Lula e sua indicação foi prontamente aceita. O PT a escolheu oficialmente em fevereiro deste ano. Dilma deixou o governo, juntamente com dez ministros, em 31 de março para enfrentar a aventura eleitoral.

Muitos nomes, muitas Dilmas

Mas quem é esta mulher que, tendo pensando em ser bombeira ou trapezista, tendo enfrentado a prisão e a tortura por causa de suas ideias políticas, mas nunca tendo disputado uma eleição, torna-se a primeira presidente do Brasil?

Embora não tivesse mesmo disputado qualquer eleição antes, a política sempre foi o motor da vida de Dilma. Sua atuação começou no movimento estudantil, no segundo grau e depois na universidade, combatendo a ditadura militar. A militância a levará para a clandestinidade e para a prisão. Enfrentará a tortura nos porões do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e três anos de reclusão no Presídio Tiradentes.

Tudo começou em Belo Horizonte, onde ela nasceu em 14 de dezembro de 1947. Seu pai, Pedro Rousseff, foi um imigrante búlgaro. Chegou ao Brasil nos anos 30, casou-se com uma professora chamada Dilma e tiveram três filhos, formando uma típica família de classe média.

Dilma, a mais velha, estudou primeiro num colégio de freiras tradicional, o Sion, onde tomou gosto pelos livros, principalmente os de literatura. Há pouco tempo, ficou sabendo que só ela e mais três colegas do Sion seguiram carreiras profissionais. As outras tornaram-se donas de casa, como era o costume.

No ano de 1964, em que os militares derrubaram o presidente João Goulart, dando início à ditadura, Dilma entrou para o Colégio Estadual Central, foco da agitação estudantil secundarista da capital mineira. Três anos depois passa no vestibular para economia, na UFMG, e ingressa na organização esquerdista Polop, tornando-se uma líder estudantil importante, culta e combativa.

Nesse tempo aconteceram coisas importantes na vida de Dilma. Conquistou amigos que tem até hoje, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, e o hoje deputado José Aníbal, do PSDB. Namorou com Cláudio Galeno e com ele teve um casamento que durou pouco. A vida agitada e o mergulho que foi obrigada a dar na clandestinidade não ajudaram.

Nessa época, a Polop se transforma em Colina – Comando de Libertação Nacional, que irá se fundir com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), formando a VAR-Palmares. A VAR-Palmares fez algumas ações armadas contra a ditadura, mas Dilma, que atuava em estratégia e planejamento, não participou de nenhuma delas. Na campanha, entretanto, essa passagem de sua vida foi muito explorada.

Na clandestinidade, como mandavam os manuais de segurança, Dilma usou vários codinomes. Chamou-se Luiza, Wanda, Marina, Estela, Maria e Lúcia. Separa-se de Galeno, que vai para o exílio, e conhece Carlos Franklin de Araújo, que vem a ser seu segundo marido e pai de sua filha Paula.

Em 1970 Dilma é presa e brutalmente torturada durante várias semanas. Depois é condenada a três anos de reclusão, tempo em que passou sobretudo no Presídio Tiradentes, onde o marido Carlos Araújo também cumpria pena em outra ala. Três anos depois, após serem libertados, constroem uma vida juntos no Rio Grande do Sul, onde nasce Paula, que no final do primeiro turno, dará a Dilma seu primeiro neto, Gabriel.

Em Porto Alegre, já em liberdade, Dilma consegue terminar o curso de economia e a seguir cursa o mestrado. Atua, com o marido, nos movimentos pela anistia e pela redemocratização. Ajudam a fundar no estado o PDT de Leonel Brizola.

Em 1986, o pedetista Alceu Collares elege-se prefeito de Porto Alegre e convida Dilma para ocupar a Secretaria Municipal de Fazenda. Collares elege-se governador em 1990 e ela se torna secretária estadual de Minas, Energia e Comunicação.

O governo de Collares era fruto de uma aliança entre o PDT e o PT, que se romperá em 1994. Dilma faz então a opção pelo PT, filiando-se ao partido. Outra aliança que se rompe nessa época é a matrimonial. Separa-se do marido Carlos Araújo, embora preservem grande amizade e cumplicidade até hoje.

Foi como secretária de Minas e Energia que Dilma conheceu Lula e despertou seu interesse, valendo-lhe, mais tarde, a nomeação para a pasta de Minas e Energia.

Um câncer no caminho

A caminhada para a Presidência não foi fácil. Com a candidatura já definida por Lula e aceita pelo PT, Dilma descobre, no inicio de 2009, que tinha um câncer linfático. O anúncio da doença, no dia 25 de abril, foi uma decisão corajosa.

No primeiro momento, a candidatura foi dada como inviável. Ela poderia não vencer a doença e, mesmo que vencesse, o eleitorado poderia rejeitar seu nome, temendo o pior. Os médicos garantem chances de cura superiores a 90%. Dilma faz sessões de quimioterapia, perde o cabelo e usa peruca por uns tempos, sem interromper a rotina de trabalho na Casa Civil. No final do ano, os médicos a declaram curada.

No final de 2009, a sua saúde vai bem e a popularidade do presidente, melhor ainda. Dilma volta a um hospital, mas agora para cuidar da imagem. O conselho fora de Lula. Ela faz uma plástica e reaparece em público, em 2010, com a fisionomia mais jovem e descansada. Está começando a batalha eleitoral.

Mas ela começa em desvantagem. Em fevereiro deste ano, tinha uma média de 28% de preferência e José Serra, do PSDB, sempre mais de 40%. O primeiro empate acontece em maio deste ano, mas surge um fator inesperado, o crescimento da candidatura de Marina Silva, que trocara o PT pelo PV.

A campanha começa para valer em agosto e o presidente Lula entra em campo, garantindo a transferência de votos de que muita gente duvidava. Em 15 de maio deste ano, o instituto Vox Populi divulga a primeira pesquisa em que Dilma, com 38%, ultrapassa José Serra, com 35%.

Diferentes institutos apontam a vitória de Dilma no primeiro turno de 3 de outubro por mais de 50% dos votos, mas ela obtém apenas 47% dos votos. Os analistas apontam duas causas para o segundo turno. O crescimento da candidata Marina Silva, do PV, e uma forte onda de boatos, inclusive pela internet, acusando Dilma de ser a favor do aborto e do casamento entre homossexuais. Ela perde milhões de eleitores entre católicos e evangélicos.

No segundo turno, a campanha é agressiva, os candidatos sobem o tom nos debates e o presidente Lula volta à arena eleitoral. Mas desta vez ela alcança a maioria necessária e torna-se a primeira presidente eleita do Brasil.

Edição: Nádia Franco

A TRANSDILMAÇÃO ENCADEIA A CARTOGRAFIA DE DESEJOS EM TODO O PAÍS COMO MODUS ALEGRIA

A vitória da democracia popular concebida e carregada na potência Dilma Rousseff, vem se espargindo em todo o Brasil em uma alegria que expressa ao aumento da potência de agir do brasileiro.
O Brasil inteiro viu na noite de ontem, e em toda madrugada desse dia primeiro, Dia de Todos os Santos, a maior manifestação popular pela vitória de uma pessoa para presidente do Brasil somente concebida na eleição de Lula. Vem sendo a TransDilmação. Um movimento que transcende a pessoa Dilma Rousseff. Um movimento produzido como uma cartografia de desejos tecida por mais do número de eleitores que deram à Dilma a vitória configurada nos desejos da maioria do povo brasileiro.
Uma demonstração desse movimento para além de Dilma como TransDilmação pode confirmada na festa em Brasília. Observemos as fotos dos correspondentes desse blog Intempestivo em Brasília. João Maria.

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

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Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

Foto: João e Maria

ÍNTEGRA DO PRONUNCIAMENTO DA PRESIDENTE ELEITA DILMA

Imagem: www.dilma13.com.br

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

  • Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
  • Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
  • Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
  • Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
  • Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões. O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família. É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro. Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem  e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos. Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público. Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo. Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos  para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas. Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde. Me comprometi também com a melhoria da segurança pública. Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos. Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade. É aquela que convive com o meio ambiente sem agredí-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa. Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho. Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado. Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo. Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união. União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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