Arquivo para 16 de maio de 2011

TRABALHADORES RURAIS FARÃO AMANHÃ, EM BRASÍLIA, MANIFESTAÇÃO DO “GRITO DA TERRA 2011”

Provavelmente 600 mil trabalhadores rurais farão amanhã, dia 17, na Esplanada dos Ministérios, um protesto como manifestação do “Grito da Terra 2011”. É o espera a organização das manifestações Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag).

O início das atividades ocorrerá às 14h, em frente ao Congresso Nacional, momento em que os trabalhadores protestarão contra o novo Código Florestal, e pedirão mudanças no texto atual.

Nosso objetivo é negociar com o governo políticas públicas para o campo.

Defendemos a alteração do código e queremos que seja tratada a especificidade da agricultura familiar, para que os pequenos agricultores não sejam penalizados.

Não podemos tratar o pequeno agricultor igual ao grande produtor. Na verdade, a agricultura familiar preserva, e isso deve ser levado em consideração”, afirmou Alberto Broch, presidente da Contag.

Seguindo a programação, às 16h horas os agricultores vão se concentrar em frente ao Ministério da Fazenda para realizar o protesto pelo desbloqueio de recursos públicos necessários à agricultura familiar. Vão também discutir o aporte do governo federal para o assentamento de 20 mil famílias. Na quarta-feira, pela manhã, os trabalhadores vão se manifestar em frente ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), exigindo avanços nas políticas de reforma agrária e combate à pobreza. Às 15h, serão recebidos em audiência, no Palácio do Planalto, pela presidenta Dilma Vana Rousseff.

Temos um contingente muito grande de acampados em todo o Brasil e falta reforma agrária.

Essa questão da miséria é mais recorrente no campo principalmente porque grande parte das pessoas que está na área rural não tem acesso à terra. Por isso, a reforma agrária é fundamental para o desenvolvimento econômico do país e a diminuição da desigualdade social”, disse Broch.

SEGUNDA-FEIRA DOMINICAL

O dia das boas almas

# A fúria do deus israelita continua servindo de leitmotiv para matar palestinos em nome do paraíso. Os palestinos ritualizavam os 63º ano de aniversário da Nakba (catástrofe), recordando o êxodo palestino, depois que, em 1948, foi criado o Estado de Israel. A força repressiva de Israel, como sempre apoiada em sua crença de que seu deus lhe mostra os inimigos, reprimiu o ritual nas fronteiras com a Síria e o Líbano, além da Faixa de Gaza, deixando o saldo de 15 palestinos mortos e centenas baleados, além de dezenas de feridos em Gaza e na Cisjordânia.

Na fronteira da Líbia, os soldados israelitas atiraram nos manifestantes palestinos quando eles protestavam, proferindo a palavra de ordem: “Queremos que nos devolvam nossa terra”.

O poder teocrático israelita não entende que quanto mais essas incursões repressivas contra os palestinos são consumadas, mas a paz no Oriente torna-se impossível, e mais o Estado Palestino torna-se uma necessidade. O que racionalmente é verdadeiro.

# Dominique Strauss Kahn, diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi preso acusado de agressão, sequestro e tentativa de violação sexual de uma mulher de 32 anos, em um quarto de hotel, em Nova York. Como era de se esperar, em casos como esse, o Dominique negou a acusação. Uma negação que o iguala a todos. Não importa as classes sociais e as condições econômicas. Uma coerência totalmente socialista: Dominique usou o mesmo argumento usado por todos que são flagrados em situação símiles.

Pelo menos nessa situação, a igualdade socialista serve aos capitalistas. E que capitalista. O barão do FMI, que tanto suga e chantageia na comunidade internacional do Capitalismo Mundial Integrado (CMI).

Enquanto isso, o conselho de administração do “solidário” FMI, em palpos de aranha, tenta amenizar a situação erótica que excitou o poder monetário, buscando uma saída para a saída momentânea do Dominique, nique, nique.

Está previsto que o conselho de administração tenha uma reunião informal para se inteirar dos desenvolvimentos relativos ao diretor-geral”, diz comunicado do FMI.

Tem quem acredite na psicanálise quando ela diz que todo apego ao capital é uma forma de ocultar conflito sexual. E não importa a idade do sensual. Mas também tem quem não acredite. Só que esse último foi derrotado por Dominique. Dominique, nique, nique deixou vazar a repressão sexual sublimada pelo capital, e foi a desforra geral. E tome Dominique, com idade do recanto e tudo. Dominique, nique, nique foi ao fundo.

# Terminam nostalgicamente, como tem sido a ordem, os campeonatos estaduais de pelada dos clubes do Sudeste e Sul. Na peladeira paulista, com desculpas esfarrapadas e mofentas de que está jogando as Libertadores, e que está cansado, o time do garoto propaganda Pelé, e do mascarado Neymar, se mostrou o mais peladeiro, colando o título de campeão da pelada paulista ao bater o Timão pelo magérrimo placar – como soe ocorre em peladas como essas – de 2 a 1, com o Coringão contra si mesmo.

Como o campeonato paulista foi uma total pelada, exceção aos times do interior, o título ficou bem com o time que de peixeiro não tem nada, assim como ficaria bem com qualquer dos quatro times tidos como grandes. O que prova que pelada é pelada, não importa quem participe.

Nas minas gerais, outro peladeiro desclassificado das Libertadores levou o título: o Cruzeiro, “que não nos orienta” (Belchior). Nos pampas o troféu peladão ficou com o time do publicitário da Globo, Falcão. Não deu para o verdadeiro gaúcho, Renato, que não sabia que a partida era para confirmar o maior peladeiro.

No mais, é esperar a Copa do Brasil, onde a pelada é mais embaixo.

ENTREVISTA COM DOM TOMÁS BALDUÍNO QUE SÓ QUER UMA SOCIEDADE JUSTA QUE RESPEITE OS DIRETOS DOS POVOS DA TERRA

Aos 88 anos, o bispo emérito de Goiás, dom Tomás Balduíno, mora no Convento dos Dominicanos São Judas Tadeu, em Goiânia, mas viaja pelo mundo a convite de organizações para palestras sobre latifúndio, monocultura e água. Cofundador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da qual foi presidente, ele defende uma sociedade mais equilibrada, sem tamanha sede de consumo e conforto a todo custo. Bem-humorado, manteve sua postura crítica durante as quase duas horas de entrevista. Confira os principais trechos.

O que mudou no tratamento do homem do campo da ditadura­ até hoje?

Superamos um estado de repressão, de desaparecimento, de matança. Eles não brincavam em serviço. Mas o golpe foi dado prioritariamente para quebrar a espinha dorsal das organizações camponesas, porque eles achavam que elas eram a porta de entrada do comunismo internacional. Não sei se os militares faziam isso (por conta própria) ou se eram orientados pelos Estados Unidos. Eles generalizavam porque eram partidos de esquerda que organizavam os trabalhadores. Foi por isso que nasceu a CPT: havia repressão aos trabalhadores rurais e aos indígenas. Então a Igreja entrou em cena. O MST nasceu nesse tempo, embaixo do guarda-chuva das igrejas ligadas às Comunidades Eclesiais de Base, e cresceu com a abertura lenta e gradual. Assim como as organizações indígenas, que cresceram muito. Hoje há muitas organizações, autônomas. E isso é que é bonito: a Igreja com a opção pelos pobres. A gente não discutia com eles, apoiava.

Hoje há mais de 300 conflitos envolvendo indígenas, trabalhadores rurais e quilombolas. A questão da terra está longe de ser resolvida?

Os povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, ribeirinhos e seringueiros têm outro relacionamento com a terra, com as águas. Por isso não são levados em consideração pelas políticas, já que o governo se relaciona com a terra do ponto de vista da produção, do agronegócio. O cerrado, escolhido para o avanço da monocultura, foi tomado primeiro pela soja e está sendo dominado pela cana para o etanol e pelo eucalipto para a celulose, entre outras culturas. Isso preocupa muito porque, embora seja de grande importância para o equilíbrio ecológico do país e da América Latina, é um bioma desvalorizado pelo capital, tratado como área de exploração. Suas plantas funcionam como reservatórios de água do nosso país. Se o cerrado for arrasado pela monocultura, haverá desequilíbrio.

Qual a razão desse interesse no cerrado?

Porque o terreno em geral é plano, com vegetação frágil, tortuosa, pequena, não dificulta o trabalho das máquinas. O que não acontece na floresta, onde é mais complicado desmatar em pouco tempo para fazer campos de monocultura até perder de vista. O desmatamento do cerrado prejudica o sistema freático. A rama, a copa das plantas, tem o correspondente em raiz – que funciona como uma esponja, uma caixa d’água, alimentando o freático e a planta durante a estiagem. Se arrancá-la, o circuito da água deixa de ser vertical, em direção ao freático, e torna-se horizontal, causando erosão, assoreamento de córregos e rios.

Mas há alternativas que garantam maior produção em menor área plantada?

Há várias alternativas à destruição da vegetação nativa que vão em direção oposta à chamada revolução verde (o plantio de eucaliptos em grandes extensões). Aparentemente são bonitas as grandes extensões verdes, que produzem o suficiente para alimentar o mundo, não é? Mas isso é um engano. A revolução verde foi pensada para substituir aquilo que existia antes, onde entra o trator que corrige a terra, aduba, põe calcário, semente, tudo de uma forma mecânica, pesada. Embora a cobertura seja verde, é na verdade um deserto verde. Esse modelo destrói o meio ambiente, acaba com as nascentes, leva à seca. Na Bacia do São Francisco, onde há plantação de eucalipto, ficaram secas 1.500 pequenas vertentes que fluíam para o São Francisco.

Há quem defenda que monoculturas como a do eucalipto só ocasionam problemas quando não há manejo correto.

Há mil justificativas para a manutenção desse modelo que destrói o bioma em troca de dinheiro, divisas. Mas não se buscam alternativas técnicas. Nós temos em Goiás, Tocantins, Bahia, Minas, grupos extrativistas organizados, que convivem com o cerrado sem destruí-lo. São todos desconsiderados. O que realmente interessa ao governo, bem como aos anteriores, é o agronegócio que passa por cima das pequenas propriedades mas não mata a fome, porque seu objetivo não é distribuir, mas concentrar, sobretudo o lucro. Está comprovado que 70% do alimento consumido no país vem dos pequenos produtores.

E quanto à energia?

Com a energia é a mesma coisa. Insiste-se no mesmo modelo, seja de usina hidrelétrica, seja de nuclear. Ficam de lado outras possibilidades, como a energia solar, que alimenta diversas cidades na Alemanha. O excedente das casas vai para as redes de distribuição. É claro que isso requer pesquisas, abertura ao entendimento e resistência às pressões do mercado. Às vezes, o governo segue uma linha predatória, prejudicial aos povos indígenas, por exemplo, porque sofre pressão fortíssima de conglomerados econômicos nacionais e internacionais. Por que tem de prevalecer a lógica da superprodução? O índio se relaciona com a mãe terra de maneira harmoniosa, mística, afetiva. Não é transformada violentamente, depredada, arrasada, destruída­ em nome da produção, do ter cada vez mais. O povo da terra do semiárido também tem consciência do valor e da riqueza da caatinga, em oposição ao capital. Durante muito tempo, prevalecia a proposta dos versos de Luiz Gonzaga, de ir embora dali. Agora eles estão descobrindo que o semiárido tem água, um total de 37 bilhões de metros cúbicos. Segundo técnicos, isso prova o equívoco da transposição do São Francisco, um investimento caríssimo para levar água ao Nordeste. Mas lá não falta água, e sim política governamental para distribuir essa água que está concentrada. Uma vez distribuída, alimenta tudo. Com a transposição do São Francisco, vão ser levados 3 bilhões de metros cúbicos para uma região que tem 37 bilhões. Se com 37 bilhões não se resolve o problema da seca, como é que 3 bilhões vão resolver?

Os acidentes nucleares no Japão põem em xeque os projetos de construção de usinas atômicas como­ os previstos no Nordeste?

Um desenvolvimento “de ponta”, né? Bem no momento em que o mundo começa a repensar esse modelo nuclear para a produção de energia. O Japão, por exemplo, que na conferência do clima em Cancún lutou para anular o Tratado de Kyoto e não ter de reduzir as emissões de poluentes nem o lucro, tem um modelo mundialmente questionado. Suas usinas não resistiram aos terremotos, têm vazamentos e passaram a ser uma ameaça à população. Independentemente de estar no Nordeste, no Centro-Oeste, Sudeste ou Japão, é o modelo que está sendo questionado pelos melhores técnicos, por todos aqueles que eram a favor e agora são contra. É o feitiço que se volta contra o feiticeiro. Acredito que brevemente toda a humanidade estará esclarecida e terá uma consciência contrária a respeito. Por enquanto são grupos mais seletos, cientistas que começam a repensar a coisa. A consciência ecológica, aliás, é um ganho para a humanidade, um avanço como a conquista da igualdade dos direitos da mulher, que custou séculos para chegar a esse ponto e deve ser aprimorada, mas é uma conquista.

Qual é o modelo que o senhor defende? Menos produção, consumo e conforto?

Isso mesmo. É necessário tudo isso que se busca? O conforto dos Estados Unidos pode ser aplicado a uma população de 6 bilhões, mas a terra é insuficiente, e isso mostra que tem algo errado aí. Como pensar num mundo e numa humanidade equilibrados e sustentáveis? Produzindo de acordo com a necessidade. Uma coisa é a necessidade em que todos participem. Outra, é atender a um modelo superpredador de determinados países do Primeiro Mundo. Então, volto à pergunta anterior. Não seria a hora de questionar o modelo vigente e dar a palavra à população camponesa, ao indígena?

A CPT conta com apoio do Vaticano?

O Vaticano está muito longe. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), à qual pertence a CPT, é um organismo suficiente para resolver o problema pastoral, eclesial. A CPT nasceu assim, da Igreja, e não para a Igreja, a serviço do trabalhador do campo. Como o bom samaritano que se dá para levantar o caído, dando a ele autonomia para se erguer e um dia levantar outro caído, tratando-o como sujeito, e não objeto da nossa ação caritativa. A Pastoral Indigenista segue o mesmo princípio, de dar todo o auxílio a uma população que sofre repressão, vive em conflito com o roubo da terra e a expulsão do campo pelas autoridades armadas para deixar o terreno livre para a monocultura do grande capital. A terra pode ser de japonês, americano, alemão, desde que seja do capital. Não pode ser dos índios, dos lavradores, senão vem a polícia e despeja. São milhares de ações de despejo no nosso Judiciário contra quem ocupa a terra há vários anos de forma pacífica.

Como o senhor avalia a impunidade no campo? Dorothy Stang, Corumbiara, Eldorado dos Carajás…

Entre 1985 e 1996, a CPT fez um levantamento sobre os assassinatos no campo por disputa pela terra. São assassinatos encomendados pelo latifúndio. Raramente aparece o mandante. Há o pistoleiro que é contratado, faz o serviço e recebe. Nesses 11 anos do estudo, foram constatados cerca de mil assassinatos, dos quais só 70 viraram processos levados ao tribunal e apenas 14 tiveram os pistoleiros condenados. Dos mandantes, só sete foram condenados e cinco fugiram. Os pistoleiros que escaparam na certa voltaram a matar. É o quadro da impunidade. Eu participei de uma sessão do Supremo Tribunal Federal em que se julgava a possibilidade de federalizar os crimes contra os direitos humanos. Era justamente na época do assassinato da Dorothy. Como envolvia vítima internacional, norte-americana, o estado do Pará agilizou o processo, que está praticamente concluído. Muito boa a Justiça naquele caso. E nos demais? E naqueles em que o assassinado não é norte-americano ou alemão? Isso tem favorecido a manutenção do crime, o que interessa aos grandes fazendeiros, a muitos detentores do poder, juízes, latifundiários e parlamentares. E, por falar em parlamentar, a proposta de confisco da terra onde há trabalho escravo, para fins de reforma agrária, não caminha. Acho que com esse time que está aí, de congressistas latifundiários, uma bancada ruralista fortíssima e numerosa, jamais será aprovada.

O que o senhor acha da atualização do Código Florestal?

É um desastre, um absurdo diminuir a já pequena cobertura vegetal em torno dos mananciais, facilitar a devastação da floresta e não oferecer nenhuma proteção ao meio ambiente. A gente sabe que nem todas as pessoas no Congresso concordam com isso. Pena que sejam minoria.

Como o senhor vê o fato de termos pela primeira vez uma mulher na Presidência da República?

É muito positivo, mas não deixa de ser um continuís­mo, um tempo de inverno para o movimento de reforma agrária. E, com o avanço do agronegócio, pior ainda. Do ponto de vista do homem da terra, ainda há retrocesso. Durante a campanha, ela nada falou sobre reforma agrária, o que pode ser significativo. Embora tapeasse e protelasse, dizendo que ia cumprir as promessas de campanha, Lula dialogava e não reprimia, ao contrário de FHC. Em compensação, durante os anos FHC os movimentos se fortaleceram, com todo o grande capital por trás. É que, conhecendo o adversário, isso fica mais fácil. Tanto que a oposição ao governo tucano foi feita mais pelos movimentos do que pelo PT. Mais do que enrolar, Lula traiu o compromisso de fazer a reforma agrária, que acabou ficando por conta dos movimentos via ocupações e pressões das bases, e não do Incra, cada vez mais sucateado.

E quanto aos transgênicos?

O transgênico é sério porque atinge a semente, e ela é a força do lavrador. Em vez de manipular sua semente para plantar, ele tem de ir ao mercado e pagar (por ela). O pessoal diz que tudo o que é transgênico é duvidoso, não se tem segurança. Mas nós, da área rural do CPT e os trabalhadores rurais, consideramos que o principal veneno é o fato de a semente ser subtraída. Aquilo que é vital para o trabalhador, e é milenar, ser levado ao monopólio. O trabalhador tem de ter o domínio da semente e da terra.

O senhor já recebeu ameaças de morte? 

Várias vezes. E tive medo não por mim, mas por outros padres, sacerdotes. Ninguém vinha direto a mim, mas estimulavam gente maluca. Eu soube de vários planos de morte, como uma emboscada numa festa em que iria, numa paróquia, mas fui ao sepultamento do padre Rodolfo e do índio Simão, assassinados por fazendeiros. Toda noite rezo para o padre Rodolfo, que me salvou de uma emboscada. Soube também que na ditadura fui vigiado durante todo o tempo. Pior é quando é pistoleiro, como aquele que atirou no padre Chicão, um defensor dos sem-terra, que levou tiro de cartucheira no rosto e ficou cego dos dois olhos. Sei que aquele tiro era para mim. Mas é complicado matar um bispo. Escapei, e agradeço ao Chicão.

Fonte: Rede Brasil Atual

O Pecado

Welton Yudi Oda*

E contam as Sagradas Escrituras que a primeira mulher, Uri, contrariando o Criador, provou do fruto proibido. Contam ainda que depois de comer o enorme fruto verde e descobrir sua carne vermelha, sentiu uma enorme vontade que brotou de suas entranhas. Cometia-se assim o pecado original: urinava-se pela primeira vez.

Adão, atendendo ao pedido de Uri, também provou da melancia que fez nascer, entre suas pernas o obtuso órgão serpentiforme, do qual brotou também um jato de urina. Estavam definitivamente condenados ao incoerente trabalho alienado da sociedade capitalista.

É exatamente por isso que os bons sacerdotes, até os dias de hoje, consideram pecaminoso o ato de urinar. Exceto, é claro, após o casamento, já que nesse caso, o ato de urinar contribui para uma homeostase orgânica que facilita o ato da reprodução.

Nos dias de hoje a Santa Igreja é mais tolerante com quem urina (dentro ou fora do penico), mas houve tempo em que se queimavam na fogueira os hereges que cometiam o sacrilégio de urinar antes do matrimônio. Pais eram obrigados a esconder as fraldas mijadas de seus pecadorezinhos para evitar que os pequenos fossem queimados na fogueira. E depois de uma certa idade repreendiam os filhos para que aprendessem a não urinar. Repreendiam até mesmo quando percebiam neles indícios de vontade de urinar, como lábios apertados e pernas inquietas, cruzando-se buscando controlar os maus fluidos.

Há, até mesmo dentro da igreja, quem diga que “não há quem urine”, como o Frei Bexiguetto ou que “todo urinar é um ato de Deus”, como sentenciou Urinardo Boff. Vários sacerdotes também defendem o fim do urinato obrigatório dos clérigos.

Publicamente ninguém assume urinar. Os mais conservadores evitam o assunto, principalmente na frente das crianças, embora a promiscuidade urinária esteja estampada nos noticiários e a ciência aponte evidências sobre a importância do ato de urinar para a saúde humana.

E, apesar do recente ato conciliatório entre a religião e a ciência (que produziu o aparelho de Téo-hemodiálise para os sacerdotes, que transforma sua urina em água benta, já que os mesmos possuem votos anti-ureáticos), há quem afirme ter visto clérigos bebendo líquidos diuréticos e urinando animadamente nos mal afamados “urineiros”. Testemunhas também afirmam ter sido forçadas por clérigos a urinar. Em nota oficial, a Dialocése negou os boatos e condenou a imprensa por divulgar estas “inverdades”.

O Estado tem buscado divulgar os avanços científicos e, além disso, procura alertar a população sobre a importância do ato de urinar, desde que sejam adotadas medidas que previnam as pessoas das DUT, as Doenças Urinariamente Transmissíveis. Por isso, recomenda o uso de penicos e vasos sanitários. A Igreja condena a iniciativa e mantém a impopular proibição de urinar antes do casamento.

Apesar disso, nos países onde os devotos da Santa Igreja constituem a maioria da população, urineiros e vasos sanitários clandestinos são extremamente freqüentes, comprometendo a saúde da população.

E mesmo depois dos anos rebeldes, em que se praticava o urinar livre, mesmo depois de tantos séculos de repressão urinária, há ainda quem considere pecaminosa esta imperativa atividade fisiológica.

*O autor é doutorando em Biologia e constista aprendiz.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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