GRANDE JOGADA POR TRÁS DA DIVISÃO DO ESTADO DO PARÁ

Dedicamos este texto ao Comandante Fidel Castro, que está escrevendo “Cinismo Genocida” e a todos os camaradas que tombaram no campo no Estado do Pará.

Por que dividir o Estado do Pará? Para o jurista Dalmo Dallari essa consulta deveria ter a participação de todos os brasileiros detentores de seus direitos políticos. Para o Superior Tribunal Federal participam apenas os paraenses que deverão responder a uma pergunta se aceitam ou não a divisão territorial em três  unidades da federação: Tapajós, Carajás e Pará.

O plebiscito vai ocorrer no dia 11 de dezembro de 2011 e a campanha começou dia 11 deste mês. Duda Mendonça foi contratado para defender a idéia da divisão. Mas há pessoas, movimentos sociais, professores, populares que são contra a divisão.

As primeiras tentativas de divisão do Pará do Brasil remontam ao período colonial. Ingleses e Holandeses, franceses, irlandeses,  fizeram várias tentativas nesse sentido./strong>

Mas em 1616 é fundado o Forte do Presépio que dará origem à Cidade de Belém. Caio Prado Júnior na sua obra, História Econômica do Brasil, assim descreve essa região na época: “Na mata espessa e semi-aquática que borda o grande rio; em terreno baixo e submetido a um regime fluvial cuja irregularidade, como o volume enorme de águas que arrasta, assume proporções catastróficas, alagando nas cheias áreas imensas, deslocando grandes tratos de solo que são arrancados às margens e arrastados pela correnteza; nesta remodelação fisiográfica ininterrupta de um território longe ainda do equilíbrio, o homem se amesquinha, se anula.”

Durante a colônia e  durante o império pouca atenção foi dada  a essa região. O povo vivia abandonado. O comércio vivia do extrativismo que rendia  bons lucros para os comerciantes de sorva, cacau, salsaparrilha, castanha, tartaruga, peixe boi, pirarucu. O povo vivia nas cabanas que um dia se tornou Cabanagem. Já estávamos em 1835. O povo cansado de viver na miséria armou-se com arco e flecha, zagaia, arpão, espingarda, bacamarte, parabelo e comandado por líderes populares como os irmãos Vinagre que havia sucedido Clemente Malcher e aos padres João Gonçalves Batista Campos e Silvestre Antunes Pereira da Serra tomaram o governo, mataram e morreram pra mais de 40.000 mil pessoas.

Desse povo, nessa época, há um incidente que se pode dizer que foi um marco político de autonomia. O navio Clio que transportava armas para uma firma britânica foi assaltado em Salinas e sua tripulação morta. O governo inglês exigia que a bandeira inglesa fosse colocada acima da brasileira, que fosse pago indenização, reparos e que os responsáveis fossem extraditados para a Inglaterra, era o que dizia o documento que o seringueiro Eduardo Angelim, no comando do governo mandou traduzir e como resposta disse aos ingleses: “não entregarei nenhum criminoso ao governo inglês sem ordem da corte porque temos leis para punir e não sujeitarei a bandeira da minha Nação à humilhação exigida”.

Fruto dessa luta, o Grão-Pará obteve grande desenvolvimento, embora sua população não desfrutasse da riqueza. Na região, tanto política, futebolística e economicamente sempre foi destaque.  O Estado do Amazonas iguala-se a eles politicamente quanto às oligarquias de coronéis de barranco. Jader Barbalho e Amazonino Mendes dentre outros de lá e de cá.

Arthur César Ferreira Reis, padre Casimiro Beksta, Benedito Nunes dentre outros, a muito tempo falavam da cobiça nacional e internacional pela Amazônia. Essa disputa no Brasil acirrou-se depois do golpe militar de 1964 quando parte da nossa riqueza começou a ser explorada por empresas multinacionais. A região do Estado do Pará  recebeu nesse período grandes empreendimentos como o projeto Jari, do americano Daniel Ludwig e cidades foram desbravadas nas matas como a Fordilândia. Políticos como Jarbas Passarinho,  Jader Barbalho e Curió foram e ainda este último é destaque desse período.  Sempre à direita do povo. Mas havia também a reação. A guerrilha do Araguaia era a Cabanagem pós 1835.

A divisão do Estado do Pará no atual contexto interessa a políticos da velha oligarquia e a grandes empresas multinacionais.  Essa região é rica em minérios, biodiversidades e água. Ainda possui muito ouro e a maior jazida de ferro da terra. E os satélites ianques já os identificaram a muito tempo.

Para concluir, reproduzimos parte de uma reportagem produzida por Márcio Zonta, de Marabá,  (PA), – Brasil de Fato – do dia 25/08/2011, extraído do Jornal Correio do Brasil.

 “Mas se a esperança e a desconfiança estão presentes nas ruas, para muitos, antes de qualquer debate precisa-se perguntar quem seriam realmente os principais interessados na divisão do Estado do Pará. Residente em Marabá, Rogério Paulo Hohn, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) discorda da forma como vem sendo abordado o assunto. “Em vez de dizermos se somos favor ou contra, temos que discutir: Carajás e Tapajós para quê? E para quem? Num debate muito mais político”.

Sentado numa mesa do Tapiri, o professor do departamento de sociologia da UFPA Cloves Barbosa remete à história do estado paraense para elucidar a alguns alunos sobre os interesses inclusos nessa divisão. “Esta região já passou por fragmentações e fusões desde a época do império, tanto português, quanto nacional com os governos de Pedro I, Pedro II e Princesa Isabel. No início, o território que hoje é denominado de estado do Pará já fez parte da província do Grão-Pará. Esta província abrangia os estados do Maranhão, do Pará e do Tapajós. A reorganização territorial da República, e mesmo antes, redimensionou os territórios e chegou-se à atual configuração geopolítica”.

E diz aos alunos que tem verdadeira clareza sobre os que querem fazer a divisão do estado. “É uma fração da classe composta pelas pessoas que exercitam o agronegócio. A razão para isto é que as exportações brasileiras vêm enfrentando uma série de restrições, principalmente da região do euro, que é composta de boa parte de pessoas que são sensíveis às questões ecológicas e fitossanitárias”. Com a criação, especificamente do estado de Carajás, o professor diz que seria uma forma de isentar preocupações com os impactos de suas atividades sobre a floresta amazônica. “Estes agentes poderão dizer que no estado de Carajás não existem mais remanescentes de floresta nativa, e que a região é de pastagens e de extrativismo mineral. Trata-se, portanto, de um negócio puramente burguês”, explana.

Vale e Dantas

Falando em mineração, a principal transnacional da região, a Vale, isenta-se de qualquer debate sobre o assunto, e por e-mail apenas respondeu a reportagem: “Não temos comentários sobre este assunto”. Mas Barbosa alerta, “pode ser que seja mais fácil para a empresa realizar negociações com um estado iniciante e necessitando de recursos do que com uma máquina administrativa estabelecida e que apresenta seus interesses específicos já bem definidos”.

Mas nem só a Vale poderá ser beneficiada com o surgimento de duas novas federações. O grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, seria um dos principais interessados, sobretudo, na criação de Carajás. Segundo relata o diretor regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Jandir Merla, Marabá seria uma capital provisória e a capital definitiva seria construída entre os municípios de Eldorado dos Carajás, Xinguara, Sapucaia e Rio Maria. “É justamente nessa faixa do estado paraense que Dantas mais comprou terras nos últimos tempos, vejo o gado como fachada, pretexto. Para mim, o grupo de Dantas por ser muito forte teve informações privilegiadas e sabia que a nova capital de Carajás poderia ser construída naquela região”, diz.

Tanto que parte dessas terras de Dantas, no momento litigado pelo INCRA, para desapropriação para fim de reforma agrária, é negada veementemente pelo grupo de advogados que defende o banqueiro. “O grupo Santa Bárbara oferece outras terras que estão fora dessa área, mas essas ele não aceita vender para o INCRA”, revela Merla. Vai caindo a noite em Marabá. Antes de o professor Cloves levantar-se para ir embora, dá o último aviso aos alunos: “trata-se de uma grande jogada, e que, se vitoriosa, exigirá que os trabalhadores do campo e da cidade repensem e redimensionem as suas lutas por um mundo igualitário”.

Vai amanhecendo o dia 15 de novembro de 2011 em Manaus. Aniversário de 122 anos de nossa República. Aos paraenses que opinarão sobre essa situação, desejamos que reflitam, discutam, para que seus filhos, na terra de oligarcas não se deseje que morram, como assim desejou o prefeito cassado de Manaus, Amazonino Armando Mendes para uma senhora, paraense, que lutava nesta não-cidade para morar, para sobreviver.v

3 Responses to “GRANDE JOGADA POR TRÁS DA DIVISÃO DO ESTADO DO PARÁ”


  1. 1 Deusarino de Melo terça-feira, 15 novembro, 2011 às 8:19 am

    Como filho da terra, do Pará, de Belém, com família originária de Juruti Velho, opino que se fizesse um plebiscito entre todos os brasileiros. Afinal, os paraenses são apenas moradores sofridos do local. Para eles nada muda se não mudar sua qualidade de vida. E só podemos falar de qualidade de vida com a opinião sincera de todos aqueles que habitam o Brasil e que sabem, de um modo ou de outro, o que há por detrás de tudo. Que dizem/ os EEUA? Qual a opinião ndo Obama? Desistiram de tomar a Amazônia? É preciso saber a opoinião global, senão quem vai perder são os próprios paraenses, em todos os sentidos.

  2. 2 Dayara terça-feira, 15 novembro, 2011 às 6:12 pm

    O estado do Pará já é um problema, a divisão do estado é uma hipotese de menhora. O governo atual não é afavor da criação dos dois novo estados, não é nada por preocupação, e sim porque são ambisiosos, dizem preocupados no que vai acontecer depois da aprovação, mas a realidade é que eles querem fazer o que os novos governos teram a oportunidade.(_De fazer mudanças, e de roubar também.)

  3. 3 pedro filho sábado, 26 novembro, 2011 às 7:08 pm

    pode acontecer do povo sofrido votar pelo sim,motivo este por serem desenformados de certas questões como esta que hoje acontece.É muito bom quando se fala da melhoria de um estado em termos de crescimento,só não devemos esquecer quem serão os verdadeiros contemplados das grandes fatias de bolo.Nossa educãção é a chave de uma resposta positiva.sabe-se que se o povo tivesse uma educação de qualidade não cairiam nas garras de lobos revestidos com pele de ovelhas,saberiam diferenciar e eliminar do rebanho aquilo que não presta.Que pena,os próprios irmãos dessas duas regiões seram presas muito fácil,compra aqui,compra acular e o bolso do artista sem nenhum tustão.Mas confiemos em Deus e que não se faça a vontade de grandes gananciosos capitalistas que só pensam em se dar bem e desgraças pros outros


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"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

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