Arquivo para 6 de janeiro de 2012

FESTA AFINADA NATALINA EM MAIS UMA CRIAÇÃO DOMINICAL

Neste último domingo a Afin realizou junto com as crianças e toda rapaziada do Novo Aleixo uma grande festança pós-natalina com muita alegria, presentes e um delicioso jantar que incluia Vatapá, Bacalhau, Frango assado, Bolo e outros doces.

Porém a festa começou mesmo com a projeção cinematográfica com o vídeo do Projeto Quatro Cantos com a música brasileira natalina “Bate o sino” cujo video já postamos aqui neste bloguinho.

Durante a festa várias brincadeiras e adivinhações foram feitas mostrando o sentido lúdico do fazer-a-festa e que envolveram até os pais que estavam presentes.

E com a chegada do novo ano já começou na própria festa um esquenta da tradicional Bandinha do Outro Lado, que há quatro anos cria o movimento dionisiante pelo bairro do Novo Aleixo. O talentoso percursinista Rian mostrou que está com o batuque pronto para o carnaval, acompanhando algumas marchinhas no atabaque sem sair do ritmo.

Do ritmo carnavalesco para a música bailante de um ballet, que a sempre afinada Bia veio da Cidade Nova para apresentar-se para as crianças e deixou muitos olhos em sua sapatilha, mostrando na sua disposição e talento como uma jovem artista um deslocamento da vida já constituida.

Após mais algumas brincadeiras e jogos chegou o momento tão esperado… a distribuição dos brinquedos. Para fazer uma entrega mais democrática cada criança recebeu uma senha aleatória que correspondia a um número colado em algum brinquedo. Como os outros acasos desta vida a entrega poderia propiciar algo inesperado como um menino ganhar uma boneca ou um conjunto de fogãozinho e panelinhas. Só que como cada recebeu pela ‘graça do destino’ seu presente, caberia somente a ele decidir se trocaria com outra criança, ficaria com o presente, ou daria a alguém.

Assim conforme os acasos dos números foram sendo intregue os brinquedos e fazendo a alegria de todas as crianças. Cada novo brinquedo que era distribuido era celebrado e caso a criança desejasse trocar com alguém se conversava e assim recebia seus brinquedos.

Aderson mais conhecido como Vizinho mostraseu presente trazido pelo acaso: uma boneca

O jovem Yuri recebe afinadamente uma flauta para compor novos sons em sua vida.

E assim continuou a distribução até a última senha com todas as crianças presentes ganho seu brinquedo para neste novo ano poder com seu talento e criação, brincar e ter outras formas de se relacionar.

Por fim foi distribuido os deliciosos desbrocantes natalinos com bacalhau, vatapá,frango, arroz e muitas outros comes e bebes que celebrou a criação artística afinada de um novo ano realizador por todos nós.

E a partir deste domingo, o kinemasófico começa sua programação com a eleição feita pelas crianças e projeção dos melhores cinemas do ano de 2011 e que muitas imagens novas e produtivas continuem kinemasofikando nós crianças.

RIO DE JANEIRO CONTINUARÁ COM CHUVAS FORTES

As chuvas que vêm atingindo o estado do Rio de Janeiro e que já causaram graves prejuízos às famílias e aos municípios, segundo o ministro Fernando Bezerra, do Ministério da Integração Nacional, deverão continuar fortes nos próximos dias. As regiões norte, noroeste, serrana e metropolitana, serão as áreas afetadas.

O prognóstico pluviométrico do ministro foi dado após seu encontro na capital fluminense com o governador do estado Sérgio Cabral. O ministro alertou a Defesa Civil para permanecer mobilizada para impedir danos matérias e perdas de vidas, visto que as chuvas caídas nos últimos dias em nove municípios, já deixaram 30 pessoas desalojadas e 2 mil desabrigadas. Segundo o ministro Bezerra, um grupo de monitoramento já havia sido instalado nos estados afetados pelas chuvas, desde o início do ano. Nos estados do Rio, Minas Gerais e Espírito Santo.

O ministro disse ainda, que em 2012, o Ministério da Integração Nacional vai investir mais em prevenção de desastres nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo

“O principal objetivo – da reunião – foi de fato chamar a atenção da Defesa Civil do Rio para esse período mais crítico de chuvas que estamos enfrentando e afeta, sobretudo, o estado fluminense, Minas Gerais e Espírito Santo.

Estamos recolhendo solicitações de projetos, sobretudo destes três estados, que entrem no orçamento deste ano”, disse Bezerra.

Por sua vez, o governador Sérgio Cabral, disse que as informações sobre as chuvas dadas pelo ministro Bezerra soaram preocupantes aos prefeitos. Ele disse também, que durante o encontro com o ministro aproveitou para entregar três projetos para obras em rios que atravessam o estado. Entre eles o Rio Muriaé, cuja enchente atingiu o município de Campos dos Goytacazes.

“Vai chover muito no estado, vai chover muito na região serrana, vai chover muito no norte, no noroeste, vai chover muito na região de Minas de onde as águas vem afetar nossas cidades.

O projeto do Rio Muriaé, em Laje de Muriaé, somado aos demais, atenderão aos municípios de Itaperuna, Cardoso Moreira, e Italva”, disse o governador.

Diante dos estragos e sofrimentos de famílias causados pelas chuvas a presidenta Dilma Vana Rousseff, recorreu a uma emenda provisória, publicada ontem no Diário Oficial da União (DOU), que reabre crédito extraordinário de R$ 483 milhões em favor do Ministério da Integração Nacional para serem aplicados nas recuperações das áreas afetadas.

MILITAR NORTE-AMERICANO DIZ QUE MATOU 255 PESSOAS NO IRAQUE E TEM A CONSCIÊNCIA LIMPA DIANTE DE DEUS

O militar norte-americano, reformado, Chris Kyle, de 37 anos, que serviu durante os anos de 1999 e 2009, o pelotão Charlie, terceiro grupo da força Seal da Marinha dos Estados Unidos, declarou no livro American Sniper, que matou 255 pessoas durante suas participações nas quatro viagens ao Iraque. Só na batalha de Fallujah, no fim de 2004, ele matou 40 inimigos. Apesar de seu somatório, o Pentágono diz que só foram, oficialmente, 150 mortos. Ele teima que foi mais. O que não importa tanto, porque ele bateu o recorde ultrapassando um atirador que durante a guerra do Vietnã matou 109 inimigos. Doentio recorde, seguidor de Deus, Pátria, Família e o Capital, propulsores da defesa americana contra os outros povos.

Kyle, conhecido também pelas alcunhas bélicas-irracionais como “a lenda”, “o exterminador” e “diabo de Ramadi”, se orgulha de seus feitos por ter limpado da terra “selvagens” que fazem o mundo feder. Em sua missão-militarista-mística ele diz que se “as circunstâncias fossem diferentes – se minha família não precisasse de mim – eu voltaria em piscar de olhos”. Suma verdade: ele voltaria.

A forma como ele descreve no livro suas atuações durantes os combates deixa claro a semelhança de sua pessoa com a classificação psiquiátrica feita durante a Segunda Guerra Mundial, que tinham estes tipos de atiradores como serial killer, os assassinos em série que colecionavam a quantidades de soldados executados por eles. Caso psiquiátrico de psicopata necessário em tempos de guerra, mas perigosos durante os tempos de paz.

Ele conta, que durante uma incursão em um subúrbio xiita de Sadr City, nos arredores de Bagdá, a uma distância de 2.100 metros conseguiu atingir um inimigo, com ajuda de Deus.

“Deus soprou aquela bala que o atingi”, disse orgulhoso e crente. Sabe-se que o sentido de Deus é particular, daí ele servir para todos os tipos de delírios pessoais.

Trechos do livro mostram, até para os piegas, o quanto uma guerra serve para sublimar patologias de muitos combatentes. A guerra por si só, já é patológica, visto que é o resultado do fracasso do consenso político entre os povos. A negação da razão, em proveito da dominação perversa.

“Adorei o que fiz. Ainda adoro. Se as circunstâncias fossem diferentes – se minha família não precisasse de mim – eu voltaria em um piscar de olhos.

Posso me colocar diante de Deus como uma consciência limpa em relação ao meu trabalho.

O lugar fedia como um esgoto o fedor do Iraque é algo a que nunca me acostumei.

Verdadeiramente, profundamente odeio o mal que aquela mulher possuía. Odeio até hoje ( foi a sua primeira vítima).

Mal selvagem, desprezível. É isto que estávamos combatendo no Iraque. É por isso que muitas pessoas, incluindo eu, chamavam os inimigos de “selvagens”.

O número não é importante para mim. Apenas queria ter matado mais gente. Não para poder me gabar, mas porque acho que o mundo é um lugar melhor sem selvagens à solta tirando vidas americanas”.

Compulsões homicidas, limpeza ética, exacerbação mística do dever pela força em um Deus cruel, misoginia, exaltação egóica, alguns sintomas psiquiátricos apresentados pelo auto-glorificado Kyle, que hoje trabalha prestando serviços as Forças Armadas norte-americana instrutor de atiradores de elite.    

EUA: NOVA DOUTRINA DE SEGURANÇA REFORÇA ATENTADOS, SABOTAGENS E ROBÔS

Orçamento norte-americano de defesa poderá ter cortes de US$ 500 bi em uma década, mas Barack Obama garante que atuação militar do império continuará eficaz. A nova estratégia de segurança nacional, anunciada nesta 5ª feira pelo democrata, pressupõe redução numérica de tropas, compensada pela expansão de forças especiais, ágeis, secretas, treinadas para ataques pontuais fulminantes, como a operação que resultou no assassinato de Bin Laden. Sobretudo, porém, a “doutrina Obama” apoia-se fortemente em recursos tecnológicos. Inaugura-se uma nova era de atentados e sabotagens, baseados em cepas renovadas de vírus, ataques no ciberespaço, espionagem, uso de robôs e veículos não tripulados. Obama não o diria, naturalmente, mas é forçoso arguir: o arsenal inclui também a eliminação de ‘lideranças indesejáveis’ através de operações ‘tecnológicas’ que minam a saúde do adversário? O Irã, alvo de sucessivos assassinatos de cientistas ligados ao programa nuclear do país (vide acima), avulta como o laboratório de teste da nova guerra americana.

*Carta Maior; 6ª feira; 06/01/ 2012

Contra o estrago do liberalismo, recuperar o Marx filósofo

O filósofo francês Dany-Robert Dufour refletiu sobre as mutações que esvaziaram o sujeito contemporâneo de relatos fundadores. Essa ausência é, para ele, um dos elementos da imoralidade liberal que rege o mundo hoje. Seu trabalho como filósofo crítico do liberalismo culmina agora em um livro que pergunta: que indivíduo surgirá depois do liberalismo? Talvez seja o caso, defende, de recuperar o Max filósofo, que defendia a realização total do indivíduo fora dos circuitos mercantis.

Eduardo Febbro – Direto de Paris

Alguns já o veem terminado, outros a ponto de cair no abismo, ou em pleno ocaso, ou em vias de extinção. Outros analistas estimam o contrário e afirmam que, embora o liberalismo esteja atravessando uma série crise, seu modelo está muito longe do fim. Apesar das crises e de suas consequências, o liberalismo segue de pé, produzindo seu lote insensato de lucros e desigualdades, suas políticas de ajuste, sua irrenunciável impunidade. No entanto, ainda que siga vivo, a crise expôs como nunca seus mecanismos perversos e, sobretudo, colocou no centro da cena não já o sistema econômico no qual se articula, mas sim o tipo de indivíduo que o neoliberalismo terminou por criar: hedonista, egoísta, consumista, frívolo, obcecado pelos objetos e pela imagem fashion que emana dele.

A trilogia da modernidade liberal é muito simples: produzir, consumir, enriquecer. O filósofo francês Dany-Robert Dufour refletiu sobre as mutações pós-modernas que esvaziaram o sujeito contemporâneo de relatos fundadores. Essa ausência é, para o filósofo, um dos elementos da imoralidade liberal que rege o mundo contemporâneo. Seu trabalho como filósofo crítico do liberalismo se desenvolveu em livros como “Le Divin Marché” (O Divino Mercado) e culmina agora em um apaixonante livro que coloca uma pergunta que poucos se fazem: como será o indivíduo que surgirá depois do liberalismo?

Dany-Robert Dufour não só lança mais uma diatribe sobre o sistema liberal, mas explora os conteúdos sobre os quais pode-se refundar a humanidade despois desse pugilato planetário do despojo e da estafa que é o ultra-liberalismo. Mas a humanidade não se funda no automatismo, mas sim através dos indivíduos. Seu livro, “L’individu qui vient…après le libéralisme” (O indivíduo que vem…depois do liberalismo) explora o transtorno liberal do passado e esboça os contornos de um novo indivíduo ao qual o filósofo define como “simpático”, ou seja, abertos aos outros que também o constituem.

O liberalismo, que se apresentou como salvador da humanidade, terminou levando a o ser um humano a um caminho sem saída. Você considera o fim desse modelo e se pergunta sobre qual tipo de ser humano surgirá depois do ultra-liberalismo?

Dany-Robert Dufour: No século passado conhecemos dois grandes caminhos sem saída históricos: o nazismo e o stalinismo. De alguma maneira e entre aspas, depois da Segunda Guerra Mundial fomos liberados desses dois caminhos sem saída pelo liberalismo. Mas essa liberação terminou sendo uma nova alienação. Em suas formas atuais, ou seja, ultra e neoliberal, o liberalismo se plasma como um novo totalitarismo porque pretende gerir o conjunto das relações sociais. Nada deve escapar à ditadura dos mercados e isso converte o liberalismo em um novo totalitarismo que segue os dois anteriores. É então um novo caminho sem saída histórico. O liberalismo explorou o ser humano.

O historiador húngaro Karl Polanyi, em um livro publicado depois da Segunda Guerra Mundial, demonstrou como, antes, a economia estava incluída em uma série de relações sociais, políticas, culturais, etc. Mas, com a irrupção do liberalismo, a economia saiu desse círculo de relações para converter-se no ente que procurou dominar todos os demais. Dessa forma, todas as economias humanas caem sob a lei liberal, ou seja, a lei do proveito onde tudo deve ser rentável, incluindo as atividades que antes não estavam sob o mandato do rentável.

Por exemplo, neste momento eu e você estamos conversando, mas não buscamos rentabilidade e sim a produção de sentido. Neste momento estamos em uma economia discursiva. Mas hoje, até a economia discursiva está sujeita ao “quem ganha mais”. Cada uma das economias humanas está sob a mesma lógica: a economia psíquica, a economia simbólica, a economia política, daí o derretimento da política. O político só existe hoje para seguir o econômico. A crise que atravessa a Europa mostra que, quanto mais ela se aprofunda, mais a política deixa a gestão nas mãos da economia. A política abdicou ante a economia e esta tomou o poder. Os circuitos econômicos e financeiros se apoderaram da política, A crise é, por conseguinte, geral.

O título de seu livro, “O homem que vem depois do liberalismo”, implica a dupla ideia de uma fase triunfal e de um fim do liberalismo…

DRD: Paradoxalmente, no momento de seu triunfo absoluto o liberalismo dá sinais de cansaço. Nos damos conta de que nada funciona e as pessoas vão tomando consciência desta falha e têm uma reação de incredulidade. Os mercados se propuseram a ser uma espécie de remédio para todos os males. Você tem um problema? Pois então recorra ao Mercado e este aportará a riqueza absoluta e a solução dos problemas. Mas agora nos damos contra de que o mercado acarreta devastações.

Assim, vemos como esse remédio que devia nos fornecer a riqueza infinita não traz senão miséria, pobreza, devastação. O capitalismo produz riqueza global, sim, mas ela é pessimamente repartida. Sabemos que há 20, 30 anos, as desigualdades têm aumentado pelo planeta. A riqueza global do capitalismo despoja de seus direitos a milhões de indivíduos: os direitos sociais, o direito à educação, à saúde, em suma, todos esses direitos conquistados com as lutas sociais estão sendo tragados pelo liberalismo. O liberalismo foi como uma religião cheia de promessas. Nos prometeu a riqueza infinita graças a seu operador, o Divino Mercado. Mas não cumpriu a promessa.

Em sua crítica filosófica ao liberalismo, você destaca um dos principais estragos produzidos pelo pensamento liberal: os indivíduos estão submetidos aos objetos, nãos aos seus semelhantes; ao outro. A relação em si, a sensualidade, foi substituída pelo objeto.

DRD: As relações entre os indivíduos passam ao segundo plano. O primeiro é ocupado pela relação com o objeto. Essa é a lógica do mercado: o mercado pode a cada momento agitar diante de nós o objeto capaz de satisfazer todos nossos apetites. Pode ser um objeto manufaturado, um serviço e até um fantasma construído pelas indústrias culturais. Estamos em um sistema de relações que privilegia o objeto antes do sujeito. Isso cria uma nova alienação, uma espécie de vício com os objetos. Esse novo totalitarismo que é o liberalismo coloca nas mãos dos indivíduos os elementos para que se oprimam a si mesmos através dos objetos. O liberalismo nos deixa a liberdade de alienarmos a nós mesmos.

Você situa o princípio da crise nos anos 80 através da restauração do que você chama de o relato de Adam Smith. Você cita uma de suas frases mais espantosas: para escravizar um homem é preciso dirigir-se ao seu egoísmo e não a sua humanidade.

DRD: Adam Smith remonta ao século XVIII e sua moral egoísta se expandiu um século e meio depois com a globalização do mercado no mundo. De fato, Smith demorou tanto porque houve outra mensagem paralela, outro Século das Luzes, que foi o do transcendentalismo alemão.

Ao contrário das Luzes de Smith, as alemãs propunham a regulação moral, a regulação transcendental. Essa regulação podia se manifestar na vida prática através da construção de formas como as do Estado a fim de regular os interesses privados. A partir do Século das Luzes, há duas forças que se manifestam: Adam Smith e Kant. Esses dois campos filosóficos coexistiram de maneira conflitiva ao longo da modernidade, ou seja, através de dois séculos. Mas, em um determinado momento, o transcendentalismo alemão perdeu força e deu lugar ao liberalismo inglês, o qual adquiriu uma forma ultra-liberal. Pode-se datar esse fenômeno a partir do início dos anos 80. Há inclusive uma marca histórica que remonta ao momento em que Ronald Reagan, nos Estados Unidos, e Margaret Thatcher, na Grã-Bretanha, chegam ao poder a instalam a liberdade econômica sem regulação. Essa ausência de regulação destruiu imediatamente as convenções sociais, ou seja, os pactos entre indivíduos.

Daí provém a trilogia “produzir, consumir, enriquecer”. Você chama essa trilogia de pleonexía.

DRD: O termo “pleonexía” é encontrado na República de Platão e quer dizer “sempre ter mais. A República grega, a Polis, foi construída sobre a proibição da pleonexía. Pode-se dizer então que, até o século XVIII, toda uma parte do Ocidente funcionou com base nessa proibição e se liberou dela nos anos 80. A partir daí se liberou a avidez mundial, a avidez dos mercados e dos banqueiros. Lembre o discurso pronunciado por Alan Greenspan (ex-presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos) ante à Comissão norteamericana depois da crise de 2008. Greenspan disse: “pensava que a avidez dos banqueiros era a melhor regulação possível. Agora, me dou conta de que isso não funciona mais e não sei por quê”. Greenspan confessou assim que o que dirige as coisas é a liberação da pleonexía. E já sabemos para onde isso conduz.

Chegamos agora ao depois, ao hipotético ser humano de depois do liberalismo. Você o enxerga sob os traços de um indivíduo simpático. Que sentido tem o termo simpático neste contexto?

DRD: Ninguém é bom ao nascer como pensava Rousseau, nem tampouco mau como pensava Hobbes. O que podemos fazer é ajudar as pessoas a serem simpáticas, ou seja, a não pensarem somente em si mesmas e a pensarem que, para viver com o próximo, é preciso contar com ele. O outro está em mim, as imagens dos outros estão em mim e me constituem como sujeito. A própria ideia de um indivíduo egoísta é sem sentido porque isso obriga a que nos esquecer de que o indivíduo está constituído por partes do outro. E quando falo de um indivíduo simpático não emprego o termo em sua acepção mais comum, alguém simplesmente simpático, digamos. Não, trata-se do sentido que a palavra tinha no século XVIII, onde a simpatia era a presença do outro em mim. Necessito então da presença do outro em mim e o outro precisa de minha presença nele para que possamos constituir um espaço onde cada um seja um indivíduo aberto ao outro. Eu cuido do outro como o outro cuida de mim. Isso é um indivíduo simpático.

Sigamos com a simpatia, mas sobre que bases se constrói o indivíduo que vem depois do liberalismo? A razão, a religião, o esporte, o ócio, a solidariedade, outra ideia de mercado?

DRD: Neste livro fiz um inventário sobre os relatos antigos: o relato do logos, da evasão da alma dos gregos, o relato sobre a consideração do outro nos monoteísmos. Dei-me conta de que em ambos relatos havia coisas interessantes e também aterradoras. Por exemplo, a opressão das mulheres no patriarcado monoteísta equivale à opressão da metade da humanidade. Por acaso queremos repetir essa experiência? Certamente que não.

Outro exemplo: no logos, para que haja uma classe de homens livres na sociedade é preciso que haja uma classe oprimida e escravizada. Queremos repetir isso? Não. Refundar nossa civilização após os três caminhos sem saída que foram o nazismo, o estalinismo e o liberalismo requer uma refundação sobre bases sólidas. Por isso realizei o inventário, para ver o que podíamos recuperar e o que não, quando do passado podia nos servir e quanto não. A segunda consideração diz respeito aquilo que poderia ajudar o indivíduo a ser simpático, ao invés de egoísta. Neste contexto, a ideia da reconstrução do político, de uma nova forma do Estado que não esteja dedicado a conservar os interesses econômicos, mas sim a preservar os interesses coletivos, é central.

Qual é, então, o grande relato que poderia nos salvar?

DRD: Deixamos no caminho os grandes relatos de antes e acreditamos cada vez menos no grande relato do mercado. Estamos a espera de algo que una o indivíduo, ou seja, um grande relato. Eu proponho o relato de um indivíduo que deixou de ser egoísta, que não seja tampouco o indivíduo coletivo do estalinismo, nem tampouco o indivíduo mergulhado na ideia de uma raça que se crê superior, como no nazismo e no fascismo. Trata-se de um relato alternativo a tudo isso, um relato que persiste no fundo da civilização.

Creio que o valor da civilização ocidental radica no fato de ter coloca o acento na individuação, ou seja, na ideia da criação de um indivíduo capaz de pensar e agir por si mesmo. Não é para esquecer a noção de indivíduo, mas sim reconstruí-la. Contrariamente ao que se diz, não creio que nossas sociedades sejam individualistas, não, nossas sociedades são lamentavelmente egoístas. Isso me faz pensar que há muita margem de existência ao indivíduo como tal, que há muitas coisas dele que não conhecemos.

Temos que fazer o indivíduo existir fora dos valores do mercado. O indivíduo do estalinismo foi dissolvido na massa do coletivismo; o indivíduo do nazismo e do fascismo foi dissolvido na raça, o indivíduo do liberalismo foi dissolvido no egoísmo. O indivíduo liberal é um escravo de suas paixões e de suas pulsões. Devemos nos elevar desse caminho sem saída liberal parar recriar um indivíduo aberto ao outro, capaz de realizar-se totalmente.

Há textos filosóficos de Karl Marx que não são muito conhecidos e nos quais Marx queria a realização total do indivíduo fora dos circuitos mercantis: no amor, na relação com os outros, na amizade, na arte. Poder criar o máximo a partir das disposições de cada um. Talvez seja o caso de recuperar esse relato do Marx filósofo e esquecer o do Marx marxista.

*Tradução: Katarina Peixoto


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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