Arquivo para março \31\-04:00 2012

INDA TEM FRANCÊS QI DIZ QI A JENTI NUM SEMO SERO

@ “A SITUAÇÃO DE DEMÓSTENES SE AGRAVOU”, afirmou o líder dos Democratas na Câmara Federal, Antonio Carlos Magalhães Neto. Para ACM Neto a situação do senador Demóstenes Torres piorou com as novas denúncias reveladas pelas gravações realizadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, em que o senador aparece como íntimo amigo do contraventor Carlinhos Cachoeira que se encontra preso junto com outros membros de sua quadrilha.

De acordo com ACM Neto, se Demóstenes Torres até terça-feira não apresentar explicações “contundentes” e “convincentes” o partido a abrirá processo para expulsá-lo. Caso o senador não esclareça sua situação o partido não pedirá sua desfiliação, disse o deputado líder do DEM.

“Se ele não contundente e convincente, torna-se insustentável a permanência dele no partido. Desfiliar-se ou não do partido é uma iniciativa que cabe a ele” afirmou ACM Neto.

Todavia, nos bastidores a cúpula do DEM tem conversado com o senador para que ele deixe o partido, porque, segundo membros do partido, Demóstenes não tem mais condição de permanecer na legenda. Para o DEM o senador não tem mais como esclarecer rua relação com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Inda tem francês…

@ A DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ) DE QUE nem sempre ato sexual com adolescentes de 14 anos pode ser considerado estupro vem causando veementes reações de vários setores da sociedade brasileira como também órgãos do governo federal.

Comentando a decisão do STJ a secretária de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, disse que a medida vai banalizar a violência contra menores e também autorizar a violência sexual. Entretanto, Aparecida, acredita que o STJ pode revogar sua decisão. Ela também destacou o auxílio que população vem dando ao denunciar os crimes contra menores.

“Acho que além de banalizar, vai autorizar. O Judiciário brasileiro está autorizando estupradores a fazerem isso. Este é um elemento grave. Complica a vida das mulheres.

Segundo a decisão, o fato das meninas se prostituírem, de já terem tido relações sexuais antes, é o que inocenta o estuprador. Qualquer ato sexual que não seja consentido, mesmo como uma profissional do sexo, é crime.

O STJ é autônomo e pode fazer uma nova discussão. Acho que é importante que o faça agora.

É importante que a sociedade brasileira não se cale diante desse extremo que está acontecendo no Brasil que a questão da violência sexual contra crianças e adolescentes”, observou Aparecida Gonçalves. Inda tem francês…

Vamos que vamos! Fomos?

América Latina é fonte de inspiração para esquerda francesa

Jean-Luc Mélenchon, o “homem milagre” da esquerda francesa nas eleições presidenciais que se aproxima, dá entrevista exclusiva para o correspondente da Carta Maior em Paris, Eduardo Febbro. Ele fala sobre como o projeto político da Frente de Esquerda é muito mais que uma máquina anti-liberal, incorporando conceitos de ecologia política que questionam nosso atual padrão de consumo e de desenvolvimento. “Os modelos que tomamos como inspiração são os da América Latina, eu me inspirei no que aconteceu lá. A Frente Ampla foi uma fonte de inspiração para mim”

Eduardo Febbro

Paris – Um após o outro, os trabalhadores expõem seus problemas, o confronto com o patronato, as consequências do deslocamento das empresas, o desperdício dos recursos, a destruição ecológica, o custo desumano das reengenharias industriais, os erros monumentais de gestão, as ideias concretas para salvar uma fábrica e, com ela, centenas de empregos. Os trabalhadores da CGT, com microfone em mãos, apresentam a história que os meios de comunicação ocultam, com um empenho perverso. Jean-Luc Mélenchon os escuta, toma notas, pergunta, pede esclarecimentos. São 10 da manhã de um dia primaveril. A sede de campanha do candidato da Frente de Esquerda fica num subúrbio popular do norte de Paris e tem tudo a ver com o seu apelido: “a fábrica”. Um grande galpão onde certa vez houve uma fábrica de sapatos foi adaptado agora para estes dias de batalha eleitoral. O sol está fora e dentro deste amplo local onde não se respira outra coisa que a própria vida: humilde, sã, problemática, solidária, trabalhadora, humana. O sol chega com as pesquisas de opinião que vão apresentando o movimento que Jean-Luc Mélenchon lidera no lugar de um ator decisivo das eleições presidenciais do próximo 22 de abril e seis de maio: 6%, 9%, 10% até hoje quase 14%, que vai o empurrando para o terceiro lugar, atrás do presidente Nicolas Sarkozy e do candidato do partido socialista François Hollande.

Uma história incrível para um movimento político recém fundado e em cujo seio coabitam comunistas do PCF, esquerda radical e anti-liberal, socialistas dissidentes e ecologistas duros. A maioria desses partidos estiveram ao ponto de sair da história. Agora estão juntos num projeto que os mobilizou e, assim, tornou realidade um dos sonhos mais inalcançáveis da esquerda mundial: pactuar um consenso orgânico acima das querelas assassinas que os dispersaram. Em 2009, a Frente de Esquerda ganhou cinco cadeiras no parlamento europeu. O leque se ampliou de maneira espetacular, com as eleições presidenciais. Tanto que durante o comício que a Frente realizou na Praça da Bastilha há duas semanas Jean-Luc Mélenchon não pôde terminar o seu discurso porque embargou a voz, de emoção. O militante das correntes minoritárias tinha diante de si 120 mil pessoas na praça mais emblemática da história da humanidade.

O projeto político da Frente de Esquerda é muito mais que uma máquina anti-liberal. A Frente incorporou a ecologia política em seu programa e, com essa contribuição, desenhou-se um projeto de sociedade novo, que contrasta com a passividade da social democracia e no gueto em que caíram os partidos ecologistas tradicionais. Não basta ser anti-liberal para defender um modelo de sociedade distinto.

Nesta entrevista para a Carta Maior, Jean-Luc Mélenchon, o homem milagre da esquerda radical revela seus modelos e o coração de uma proposta que, de uma maneira ou de outra, mudará as alianças e a filosofia política futura dos partidos de esquerda.

Carta Maior – Qual é a fórmula para unir correntes distintas e, amiúde, antagônicas, dentro de um mesmo movimento? Você uniu o que estava disperso e teve êxito nessa estratégia.

Jean-Luc Mélenchon – Tudo nosso é novo, o Partido de Esquerda é novo, fazemos quatro anos no próximo mês de novembro. A Frente de Esquerda também é nova. Nós acabamos de sair das catacumbas, somos uma corrente que esteve a ponto de desaparecer da paisagem política. Na realidade, os modelos que tomamos como inspiração são os da América Latina, eu me inspirei no que aconteceu lá. Por exemplo, a Frente de Esquerda é uma fórmula política que liga partidos muito diferentes. Agora temos até ecologistas oriundos das tendências mais radicais. Na mesma Frente temos partidários do não crescimento, partidários do crescimento e comunistas.

Todos chegaram a uma intersecção. Este caso, o modelo que se pode evocar é o da Frente Ampla uruguaio. Para mim foi uma fonte de inspiração, há muitos anos. A revolução cidadã é um projeto federativo, porque inclui a ideia do poder cidadão. Essa palavra permitiu a convergência de tradições revolucionárias muito distintas. Pois bem, esta ideia eu a tomei do Equador. A maneira de enfrentar o sistema dos meios de comunicação eu a tomei de Néstor e Cristina Kirchner. Aqui, na França, atribuíram esse estilo ao meu mau humor, a minhas dificuldades, mas na realidade, não é assim: eles me manipulam e eu os manipulo. Agora os trato a pão seco, assim como o fizeram o ex-presidente Néstor Kirchner e a presidenta Cristina Kirchner. Em suma, inspiro-me muito na tradição revolucionária da América Latina. Nossa consigna é: que se vayan todos! Esta consigna eu a tirei da crise argentina de 2001.

CM – Qual é a chave, a palavra de ordem que está na base do consenso de tantas esquerdas?

J-L Mélenchon – Diria que sim, há uma palavra de ordem-chave, que é a seguinte: a racionalidade concreta. Meu postulado inicial consiste em dizer que não há problema algum a que não se possa oferecer uma resposta técnica, concreta, radical. Trata-se de sair dos debates perguntando-se como se pode superar o marco da contradição. Eu diria aos camaradas que quisessem nos imitar que às vezes há que se pegar o velho vocabulário, deixa-lo de lado, voltar a começar desde o zero, como se acabássemos de nascer. Através das palavras podemos criar uma nova gramática, uma síntese nova e convergências extraordinárias.

CM – Estamos numa época de crise global e profunda. Seu discurso de ruptura tem encontrado forte eco no eleitorado. Que tipo de socialismo ou de agenda de esquerda se pode formular dentro e movimentos de sensibilidades similares, mas confrontadas com o enfrentamento da crise a mudar o sistema?

J-L Mélenchon – Na época da crise argentina, houve uma discussão com uns camaradas que tinham ocupado um hotel em Buenos Aires. Tivemos uma discussão sobre o tipo de socialismo que era necessário plasmar através das críticas que se podiam fazer ao modelo venezuelano ou cubano. O camarada que estava conosco disse: “Olhem, vocês, os europeus, são muito interessantes na hora de fazer polêmica, mas estão em crise. A última vez que houve uma crise desencadearam uma Guerra Mundial e a Shoah para sair da crise. Que vão fazer agora?”. Ficamos mudos. Aquele camarada tinha posto o dedo na ferida: a crise do capitalismo de nossa época conjuga crise econômica e crise ecológica e provoca deflagrações que vão muito além de esquemas teóricos, são deflagrações que ameaçam a própria humanidade. É preciso que nossa esquerda se cure da mania das querelas teológicas, das discussões aterradoras sem fim. É preciso ter uma prática racional. Quando se apresenta uma dificuldade, trata-se de desconstrui-la, de desconstruir seu conteúdo e voltar a construí-lo, com os elementos que funcionam. É impossível separar prática de trabalho teórico. Tenho uma intuição, um tipo de certeza histórica e política: a classe trabalhadora está cheia de ideias, de conhecimento, de especialistas. É uma fonte fabulosa! A dialética do intercâmbio nos permite avançar.

CM – Como se disse antes, dentro da Frente de Esquerda estão os ecologistas. Mas sua presença não é decorativa, é orgânica. A ecologia política é o núcleo do projeto que você defende.

J-L Mélenchon – No princípio não tinha me dado conta dessa dimensão. Tinha uma sensibilidade em relação ao meio ambiente, frente ao desperdício e à contaminação, mas não ia além disso. Na antiga esquerda éramos capazes de pensar tudo, mas parávamos em ângulos mortos. Um dos ângulos mortos era: “como vivemos?”. Na história do socialismo há um tipo de obsessão com o homem novo. No entanto, essa é uma noção tão turva que termina se tornando perigosa. O que é esse homem novo, a que queremos dar forma? E a partir de que o faremos? Em seguida, vimos aparecer o risco totalitário. Esse era um ângulo morto. O outro estava no fato de que o desenvolvimento mesmo do sistema pode pôr em questão as mesmas bases da existência do sistema, porque esgota os recursos e saqueia o meio ambiente. Foram os verdes que puseram o tema sobre a mesa. Reconheço a dívida intelectual que tenho com eles. Alguém disse que a ecologia política era um novo paradigma organizador da esquerda, e tem razão. Interessei-me pelo tema e para mim foi um choque intelectual, similar ao choque que tive quando, na minha juventude, li o livro de Marx e Engels A Ideologia Alemã. Para mim foi uma revelação intelectual, uma chave de compreensão. O mesmo me ocorreu com a ecologia política.

Nessa busca voltei a Marx por meio da lembrança de uma frase na qual Marx falava da natureza e dizia que esta era um corpo inorgânico do homem. Marx descreve a relação do ser humano com a natureza de uma maneira dialética, na qual o ser humano é um dos episódios da natureza e não simplesmente uma criatura exterior que surge do nada e se pergunta sobre o controle da natureza. Assim, terminei por formular uma síntese entre a antiga esquerda, da que eu era representante, e o novo paradigma.

CM – Essa síntese conduziu depois ao aprofundamento do princípio de planejamento ecológico como modelo de gestão.

J-L Mélenchon – Sim. Assim surgiu a ideia de planificação da ecologia. Com essa planificação, pode-se desenvolver as forças produtivas e diminuir a destruição ambiental pela humanidade.

CM – Seu argumento quer dizer que a esquerda deixou de lado a questão do meio ambiente, dos recursos naturais, que não integrou esse elemento fundamental no seu projeto de sociedade.

J-L Mélenchon – O problema da esquerda foi adotar o princípio segundo o qual os padrões de vida dos ricos eram um bom caminho. Por conseguinte, isso é o que faltava para o todo da sociedade. E é a isso que há de se renunciar. Quanto ao padrão de consumo, a riqueza é sinônimo de irresponsabilidade. Foi um erro da antiga esquerda pensar que não. Tínhamos uma perspectiva acrítica sobre o consumo. Além disso, quando surgia uma perspectiva crítica, esta era tomada como absurda por ser basear em princípios morais. A ecologia política permitiu-nos solucionar muitos problemas teóricos. Por exemplo, toda a ideia progressista repousa sobre a igualdade e sobre a similitude dos seres humanos. mas isso é uma mera ideia. Se alguém olha ao redor, vê que os seres humanos não são em nada iguais. Mas nós fundamos nossa ideia de igualdade sobre uma igualdade natural. A Revolução de 1789 disse: os seres humanos nascem e permanecem livres e iguais em direito. Essa é a razão pela qual na França nasceram todas as matrizes dos pensamentos totalitários e racistas: eles postularam que não era assim, que por natureza havia diferenças, desigualdades, raças. Quem negou a desigualdade natural conduziu todos os regimes igualitários a serem totalitários, porque tiveram de forjar algo contra a natureza. A ecologia política resolve esse obstáculo teórico, encerra a discussão. Por que? Porque diz que só existe um ecossistema compatível com a vida humana. Quer dizer, todos os seres humanos são semelhantes, pelo fato de que, se este ecossistema desaparece, os seres humanos desaparecem ao mesmo tempo.

Somos então iguais frente às obrigações do ecossistema. Isso quer dizer que se temos um só ecossistema que torna a vida possível, há então um interesse humano geral. Esse interesse humano geral é uma realidade. Desta maneira, chegamos a refundar o conjunto dos paradigmas organizadores do pensamento de esquerda, quer dizer, o socialismo, o humanismo, as Luzes, a República e a democracia.

CM – Nesta linha de pensamento, você pôs em primeiro plano à classe trabalhadora como ator ecológico e a ideia da planificação ecológica.

J-L Mélenchon – Exatamente! São os trabalhadores que manipulam produtos nocivos à saúde e ao ambiente. Estes produtos arruínam o primeiro segmento da natureza, que são eles mesmos: os pulmões, quando se respira porcarias, a fecundidade, etc. A classe que está em contato com a catástrofe ecológica é a classe trabalhadora. A planificação ecológica consiste em organizar a produção, que hoje é pensada no curto prazo. As empresas estão sob o controle dos investidores, das agências de qualificação, que exigem prestação de contas a cada três meses. Não há qualquer estratégia de longo prazo. Tornar compatíveis os processos de produção e de intercâmbios com os imperativos da ecologia requer tempo. A planificação consiste em qualificar o tempo, o qual é uma dimensão social e ecológica fundamental. A segunda ideia subjacente concerne à política da oferta a partir de uma pergunta: de que necessitamos? Daí surge uma outra ideia, a do imperativo comum: algo comum a todas as reflexões e a toda a produção e a todos os intercâmbios. Isso é a regra verde, quer dizer, diminuir o custo ecológico da produção de uma forma séria, metódica, profunda.

CM – Nesse contexto, seu projeto da revolução cidadã se distancia dos princípios da social democracia, já que, por exemplo, põe-se contra a crença no crescimento econômico como fórmula do progresso.

J-L Mélenchon – No projeto da revolução cidadã há com efeito uma ruptura teórica de fundo com a social democracia. Nós não dizemos que vamos repartir o fruto do crescimento. A social democracia está organicamente ligada ao produtivismo, porque declara que o progresso social só existe dentro do produtivismo. Não. Nós pensamos o contrário. Acreditamos que o progresso econômico só é possível se há progresso humano e progresso social. Para nós, o progresso humano e social é a condição do desenvolvimento econômico. Estamos em duas visões diametralmente opostas. Temos de recuperar a audácia dos pioneiros, daquelas pessoas que diziam “este mundo é belo, é novo”. Temos de conhecer, descobrir, proteger e impedir o saque dos recusos. A Terra é de uma grande beleza, nem tudo está perdido.

*Tradução: Katarina Peixoto

*Carta Maior

“Nosso objetivo é redistribuir a renda e o poder”, diz fundador do Occupy Wall Street

Stephen Lerner, um dos militantes “fundacionais” do movimento Occupy Wall Street, que tomou o centro do capital financeiro norteamericano, esteve em São Paulo esta semana participando de um debate no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. “As pessoas acordaram. A polícia entrou na ocupação no final do ano passado. A ocupação quebrou. No inverno achamos que acabaria, mas não. O Occupy que tanto inspirou as pessoas, começou a se engajar com outros movimentos comunitários”.

Fábio Nassif

(*) Os vídeos do debate estão disponíveis na página do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

São Paulo – O movimento que tomou o centro do capital financeiro norte-americano, no auge da crise financeira internacional, foi um marco, a partir do qual se espera uma “fertilização cruzada” segundo Stephen Lerner, um dos militantes “fundacionais” do Occupy Wall Street. Lerner, que tem 54 anos e 30 de militância, defende que o novo movimento, que tomou as ruas do centro financeiro com questionamentos claros à concentração de renda pelo capitalismo financeiro, inspire os tradicionais sindicatos americanos, ao mesmo tempo em que usufruam da experiência dessas organizações. “Espero que o encontro seja entre o melhor do mundo dos sindicatos e o melhor do Ocuppy. Deve ser uma visão combinada, conjunta”, afirmou.

Lerner fez parte de entidades como International Ladies’ Garment Workers’ Union (ILGWU) e Communications Workers of America (CWA). Na década de 80, entrou para o Service Employees International Union (Seiu), entidade integrante da UNI Sindicato Global, onde permanece até hoje. Ele veio ao Brasil participar de várias atividades, incluindo uma reunião com o MST e um debate no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osaco e Região, na última quarta-feira (28). Abaixo, os principais trechos do debate:

Conjuntura
Estamos em um momento que abre possibilidades nos EUA depois de muitos anos de defensiva. Pelo movimento Occupy, a população descobriu que o sistema financeiro influencia diretamente na nossa democracia.

Durante 30 anos tivemos um processo de transferência de renda para uma ínfima minoria. Neste período, os sindicatos foram destruídos. Hoje somente 7% dos trabalhadores estão nos sindicatos. Quanto mais as pessoas se endividavam, mais os bancos emprestavam.

Em 2008 tivemos uma crise enorme, com a perda de emprego de milhões de pessoas. Nós demos US$ 17 trilhões de ajuda aos bancos e grandes empresas. Mas as pessoas não reagiram. Sentiam-se chocadas e não houve protestos no começo. De uma maneira estranha, as pessoas que marcharam e se organizaram foram as pessoas de direita. Eles diziam que o problema era que os trabalhadores ganhavam demais.

Foi uma estratégia brilhante: na beira de jogar o mundo inteiro na crise, ao invés de você se defender, você ataca.

Cabe uma crítica às organizações, pois repetiam os mesmos protestos que faziam antes da crise. O movimento Occupy sabia que os culpados eram os muito ricos e que precisávamos entrar em confronto diretamente com os responsáveis.

Mídia
No começo a mídia ignorou, depois passaram a falar que eram malucos. Quando a polícia chegou batendo nas pessoas, de repente a coisa começou a acontecer, muito por conta da internet e redes sociais que desbloquearam esse caminho. O Occupy liberou a verdade sobre a gula do capital financeiro.

O despertar
O movimento já dura seis meses e uma semana. As pessoas que nunca você esperaria se manifestaram, por todo o país. Isso dominou as discussões nos EUA.

As pessoas acordaram. A polícia entrou na ocupação no final do ano passado. A ocupação quebrou. No inverno achamos que acabaria, mas não. O Occupy que tanto inspirou as pessoas, começou a se engajar com outros movimentos comunitários. O mundo de Occupy, que todos dizem que é horizontal, começou a se juntar com o movimento mais tradicional.

Novas ações
Iniciamos o “Occupy as nossas casas”. É uma ação para impedir que as pessoas sejam despejadas de suas casas. E as pessoas que já foram desalojadas por causa das dívidas, estão voltando às casas que os bancos roubaram.

Estima-se que estudantes americanos devem 1 trilhão de dólares pros bancos. Quando houve o corte dos subsídios públicos, as pessoas fizeram empréstimo aos bancos. Então agora temos um movimento estudantil pra ocupar as escolas e universidades.

Outra iniciativa é o treinamento de cerca de 100 mil pessoas para ações não violentas, para saberem o que fazer quando a polícia interfere nos movimentos.

Alguns estão levando seus móveis para as agências de bancos, já que esses levaram suas casas. Outros depositam no interior do banco todo o lixo retirado de suas casas. Em um dos bancos iremos fazer um grande “beijaço”.

Perspectivas
Este é um movimento que está caminhando a passos de bebê. Nos EUA não temos, historicamente, a idéia de desafiar. Agora, nosso objetivo é redistribuir a renda e o poder. Queremos dizer que a crise é apenas para pessoas normais.

Alguma coisa está se construindo nos EUA. Algo está acontecendo. Nos próximas semanas e meses vocês vão ver que o movimento Occupy vai chacoalhar e esperamos que isso abra brechas para a construção de um mundo diferente.

Novas formas de organização
As vezes essas formas funcionam, mas as vezes é muito difícil. Numa assembleia grande é muito complicado. Esvaziam por conta disso. Mas precisamos sempre pensar como expandimos a democracia, transparência e participação direta, mas de uma forma que avance.

Em Nova York, o movimento se divide em grupos de trabalho e subcomissões. Muitas demonstrações de movimentos sindicais tradicionais não criam poder. O Occupy deixa as pessoas participarem de maneira mais ativa e isso cria uma nova energia. Cria vontade da desobediência cívica não violenta.

Ideologia
No começo os fundadores tinham uma ideologia anarquista. Mas há muitas tendências. A unidade vem de uma análise em comum de onde está o poder. Conseguimos evitar as lutas sectárias.

O inimigo
Das relações históricas do movimento anti-global, tem muita gente em comum que participa hoje. Eu não sei se o Banco Mundial e o FMI seriam alvos principais desse movimento. Acho que as pessoas querem manter o foco nas empresas e bancos. Mas isso deve ser debatido. Se milhares de pessoas estão envolvidas, não precisa todo mundo fazer a mesma coisa.

Eu acho que os progressistas e a esquerda deram facilidades pra direita pressionar a conjuntura. Eles dominaram a narrativa do país.

Uma posição única é que Occupy pode forçar que os candidatos vencedores se preocupem com a questão de Wall Street. Nós teríamos uma fraqueza muito grande se acreditássemos que temos poder só nas eleições.

Alternativa de esquerda
As organizações mais tradicionais acharam legais o Ocuppy, mas não podem voltar a fazer as coisas exatamente como era antes. As pessoas acham ruim que o Occupy não cabe em uma ideologia. E o Occupy precisa saber que sozinho não vai ser grande o suficiente. Nos EUA os sindicatos estão diminuindo, as organizações tradicionais também. Espero que tenha uma fertilização cruzada, onde o Ocuppy ajude as organizações, inspire os sindicatos americanos para lutar de outra forma. Inspirar e lutar junto. E que os recursos e a experiência dessas organizações sejam muito valorizadas pelo Occupy. Espero que o encontro seja entre o melhor do mundo dos sindicatos e o melhor do Ocuppy. Deve ser uma visão combinada, conjunta.

*Carta Maior

Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública

São Paulo – Violência repressiva, privatização e a reforma universitária que fez uma educação voltada à fabricação de mão-de-obra, são, na opinião da filósofa Marilena Chauí, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, as cicatrizes da ditadura no ensino universitário do país. Em conversa com a Rede Brasil Atual, Chauí relembrou as duras passagens do período e afirma não mais acreditar na escola como espaço de formação de pensamento crítico dos cidadãos, mas sim em outras formas de agrupamento, como nos movimentos sociais, movimentos populares, ONGs e em grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos.

Chauí, que “fechou as portas para a mídia” e diz não conceder entrevistas desde 2003, falou com o editor da Revista do Brasil, Paulo Donizetti de Souza, após palestra feita no lançamento da escola 28 de de Agosto, iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo que elogiou por projetar cursos de administração que resgatem conteúdos críticos e humanistas dos quais o meio universitário contemporâneo hoje se ressente.

Quais foram os efeitos do regime autoritário e seus interesses ideológicos e econômicos sobre o processo educacional do Brasil?

Vou dividir minha resposta sobre o peso da ditadura na educação em três aspectos. Primeiro: a violência repressiva que se abateu sobre os educadores nos três níveis, fundamental, médio e superior. As perseguições, cassações, as expulsões, as prisões, as torturas, mortes, desaparecimentos e exílios. Enfim, a devastação feita no campo dos educadores. Todos os que tinham ideias de esquerda ou progressistas foram sacrificados de uma maneira extremamente violenta.

Em segundo lugar, a privatização do ensino, que culmina agora no ensino superior, começou no ensino fundamental e médio. As verbas não vinham mais para a escola pública, ela foi definhando e no seu lugar surgiram ou se desenvolveram as escolas privadas. Eu pertenço a uma geração que olhava com superioridade e desprezo para a escola particular, porque ela era para quem ia pagar e não aguentava o tranco da verdadeira escola. Durante a ditadura, houve um processo de privatização, que inverte isso e faz com que se considere que a escola particular é que tem um ensino melhor. A escola pública foi devastada, física e pedagogicamente, desconsiderada e desvalorizada.

E o terceiro aspecto?

A reforma universitária. A ditadura introduziu um programa conhecido como MEC-Usaid, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, para a América Latina toda. Ele foi bloqueado durante o início dos anos 1960 por todos os movimentos de esquerda no continente, e depois a ditadura o implantou. Essa implantação consistiu em destruir a figura do curso com multiplicidade de disciplinas, que o estudante decidia fazer no ritmo dele, do modo que ele pudesse, segundo o critério estabelecido pela sua faculdade. Os cursos se tornaram sequenciais. Foi estabelecido o prazo mínimo para completar o curso. Houve a departamentalização, mas com a criação da figura do conselho de departamento, o que significava que um pequeno grupo de professores tinha o controle sobre a totalidade do departamento e sobre as decisões. Então você tem centralização. Foi dado ao curso superior uma característica de curso secundário, que hoje chamamos de ensino médio, que é a sequência das disciplinas e essa ideia violenta dos créditos. Além disso, eles inventaram a divisão entre matérias obrigatórias e matérias optativas. E, como não havia verba para contratação de novos professores, os professores tiveram de se multiplicar e dar vários cursos.

“Fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil”

Houve um comprometimento da inteligência?
Exatamente. E os professores, como eram forçados a dar essas disciplinas, e os alunos, a cursá-las, para terem o número de créditos, elas eram chamadas de “optatórias e obrigativas”, porque não havia diferença entre elas. Depois houve a falta de verbas para laboratórios e bibliotecas, a devastação do patrimônio público, por uma política que visava exclusivamente a formação rápida de mão de obra dócil para o mercado. Aí, criaram a chamada licenciatura curta, ou seja, você fazia um curso de graduação de dois anos e meio e tinha uma licenciatura para lecionar. Além disso, criaram a disciplina de educação moral e cívica, para todos os graus do ensino. Na universidade, havia professores que eram escalados para dar essa matéria, em todos os cursos, nas ciências duras, biológicas e humanas. A universidade que nós conhecemos hoje ainda é a universidade que a ditadura produziu.

Essa transformação conceitual e curricular das universidade acabou sendo, nos anos 1960, em vários países, um dos combustíveis dos acontecimentos de 1968 em todo mundo.

Foi, no mundo inteiro. Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média. Ela, do ponto de vista econômico, não produz capital, e do ponto de vista política, não tem poder. Seu poder é ideológico. Então, a sustentação que ela deu fez com que o governo considerasse que precisava recompensá-la e mantê-la como apoiadora, e a recompensa foi garantir o diploma universitário para a classe média. Há esse barateamento do curso superior, para garantir o aumento do número de alunos da classe média para a obtenção do diploma. É a hora em que são introduzidas as empresas do vestibular, o vestibular unificado, que é um escândalo, e no qual surge a diferenciação entre a licenciatura e o bacharelato.

Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer, sob a censura e sob o terror do Estado, com o risco que se corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas. Havia policiais dentro das salas de aula.

Houve uma corrente muito forte na década de 60, composta por professores como Aziz Ab’Saber, Florestan Fernandes, Antonio Candido, Maria Vitória Benevides, a senhora, entre outros, que queria uma universidade mais integrada às demandas da comunidade. A senhor tem esperança de que isso volte a acontecer um dia?

Foi simbólica a mudança da faculdade para o “pastus”, não é campus universitário, porque, naquela época, era longe de tudo: você ficava em um isolamento completo. A ideia era colocar a universidade fora da cidade e sem contato com ela. Fizeram isso em muitos lugares. Mas essa sua pergunta é muito complicada, porque tem de levar em consideração o que o neoliberalismo fez: a ideia de que a escola é uma formação rápida para a competição no mercado de trabalho. Então fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil.

“Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média”

Não há tempo para um conceito humanista de formação?

É uma luta isolada de alguns, de estudantes e professores, mas não a tendência da universidade.

Hoje, a esperança da formação do cidadão crítico está mais para as possibilidades de ajustes curriculares no ensino fundamental e médio? Ou até nesses níveis a educação forma estará comprometida com a produção de cabeças e mãos para o mercado?

Na escola, isso, a formação do cidadão crítico, não vai acontecer. Você pode ter essa expectativa em outras formas de agrupamento, nos movimentos sociais, nos movimentos populares, nas ONGs, nos grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos. Na escola, em cima e em baixo, não. Você tem bolsões, mas não como uma tendência da escola.

*Brasil Atual

SENADOR DEMÓSTENES, AMIGO DO MAFIOSO, TEM SIGILO BANCÁRIO QUEBRADO POR AUTORIZAÇÃO DO STF

O senador Demóstenes Torres, amigo do mafioso Carlinhos Cachoeira preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, teve seu sigilo bancário quebrado por autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do processo contra o ex-líder do partido da ultradireita, DEM, ministro Ricardo Lewandowkski, e que pediu a quebra do sigilo bancário a pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que a determinação é para investigar a relação do senador Demóstenes Torres com o empresário Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira. O ex-campeão da moral parlamentar foi pego nas gravações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo em íntimas conversações com o mafioso. As gravações mostram ainda mais dois deputados com estreitas relações com o contraventor.

Segundo o ministro a quebra do sigilo bancário irá englobar o período de dois anos, e que no primeiro tempo a investigação se concentrará no senador Demóstenes. Quando, disse o ministro, a investigação de outros nomes vai depender das conclusões das investigações.

Quanto a ouvir o senador neste momento, o ministro entendeu que ainda é prematuro convocá-lo em vista das provas ainda estarem sendo colhidas pelo Ministério Público, e o ex-líder do DEM não saber exatamente do que está sendo acusado. O ministro Lewandowkski negou ao Ministério Público Federal (MPF) acesso automático aos dados financeiros do amigo do mafioso.

Como o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pretende desmembrar o processo em três partes, uma para investigar Demóstenes, outra para apurar as condutas dos outros parlamentares, e a terceira para as pessoas que não tem prerrogativa de foro, o ministro pediu mais detalhes sobre a intenção de Gurgel, pois as medidas não ficaram claras.

Enquanto isso, parlamentares que compõem a Frente de Combate à Corrupção protocolaram na presidência da Câmara ofício pedindo ao presidente da Câmara Federal, Marco Maia (PT/RG) para que seja requerido ao procurador-geral da República todos as informações e documentos sobre possível envolvimento de deputados nas investigações.

De acordo com os parlamentares, as informações são importantes para que eles tenham conhecimento completo de quais são os deputados arrolados nas investigações do caso que envolve o senador Demóstenes Torres com Carlinhos Cachoeira na Operação Monte Carlo.

“O desconhecimento dessas informações macula o Parlamento como um todo, na medida em que a tendência à generalização vai se consolidando” observou o deputado Chico Alencar (PSOL/RJ), e um dos membros da Frente de Combate à Corrupção.

OEA PEDE QUE BRASIL PRESTE CONTRA SOBRE A MORTE DO JORNALISTA WLADIMIR HERZOG

Em 1975, o jornalista Wladimir Herzog, dirigente da TV Cultura, foi levado ao Destacamento de Operações  de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo setor subordinado ao Exército para prestar declarações, posto que estava sendo acusado de comunista. Submetido a interrogatório, Vlado, como era carinhosamente conhecido, morreu. Sua foto publicada pelos serviços de repressão, onde ele aparece pendurado pelo pescoço em uma janela por um cinto, serviu para que as forças repressivas usassem a versão que ele havia se suicidado. Versão logo desmentida pelos que presenciaram sua prisão e ouviram seus gritos no momento da tortura.  

Não aceitando a versão oficial divulgada pelo regime autoritário, em 1976, sua esposa Clarice Herzog, entrou com uma ação civil declaratória na Justiça Federal desconstituindo a versão de suicídio. Foi então que, somente, no ano de 1992, o Ministério Público do Estado de São Paulo pediu a abertura de inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte do jornalista, mas considerando que a Lei da Anistia é um obstáculo para as investigações, o Tribunal de Justiça não deu continuidade ao inquérito.

Agora, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), entidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) notificou o Estado brasileiro sobre as denúncias referentes as circunstâncias da morte de Wladimir Herzog. A notificação foi impulsionada, em 2011, pelas entidades que trabalham na defesa dos direitos humanos no Brasil, como o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo, e Centro Santo Dias de Direitos Humanos, da Arquidiocese de São Paulo pediram a investigação sobre a morte de Herzog. As quatro entidades divulgaram nota acusando o Estado brasileiro de omisso.

“Esse caso é mais um exemplo de omissão do Estado brasileiro na realização de justiça dos crimes da ditadura militar cometidos por agentes públicos e privados” diz trecho da nota.

Segundo a advogada da Cejil, Natália Frickmann, o caso foi enviado à OEA porque não houve por parte do Estado brasileiro o devido processamento legal do caso.

“Esse caso já deveria ter sido investigado, processado e julgado e, se for o caso, com a punição dos responsáveis. Isso não ocorreu.

Por isso, essa denúncia foi levada a comissão internacional, já que a Convenção Americana de Direitos Humanos determina essa obrigação” analisou Natália. 

STJ é criticado por relativizar estupro de menores de 14 anos

Órgãos ligados a defesa dos direitos humanos consideram a decisão preconceituosa e um retrocesso no combate à violência sexual. STJ justifica decisão dizendo que meninas exploradas sexualmente “já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data”. Secretaria de Política para as Mulheres lassificou a decisão como um desrespeito, considerando irrelevante o consentimento de meninas menores de 14 anos para configurar o crime de estupro.

Vinicius Mansur

Brasília – Uma decisão tomada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no início desta semana trouxe perplexidade para os defensores dos direitos humanos. Entre os ministros da 3ª Seção do STJ, prevaleceu o entendimento de que o fato de um adulto praticar relação sexual com uma adolescente com menos de 14 anos não pode ser considerado necessariamente um estupro.

No caso analisado, que ocorreu em São Paulo (SP), o réu era acusado de ter violentado sexualmente três meninas de 12 anos de idade. No entanto, tanto o STJ quanto o Tribunal de Justiça local (TJSP) o inocentaram, usando como argumento a justificativa de que as adolescentes “já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data”.

O acórdão do TJSP afirma que “a prova trazida aos autos demonstra, fartamente, que as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo”.

Críticas
Para o coordenador Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (Cedeca-DF), Vítor Alencar, a decisão é preconceituosa. “Existe todo um arcabouço normativo que protege essas meninas, que estavam numa situação de exploração sexual. Mas ela [a relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura] diz de maneira preconceituosa que as meninas não merecem ter seus direitos reconhecidos porque estavam na prostituição”, critica.

Para Alencar, a decisão usa a prática de um crime para justificar a absolvição do réu. Ele explica que tanto o Estatuto da Criança e do Adolescente, como o Código Penal brasileiro estabelecem que a venda do corpo por menores de 18 anos não é considerada prostituição, mas exploração sexual. E ainda, a Lei 12.015, de 2009, cria, no Código Penal, a figura do estupro de vulnerável, que considera crime ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, em declarações à imprensa, considerou que decisão do STJ implica em “construir um caminho para a impunidade” e disse acionará o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e com o advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, para buscar “medidas jurídicas cabíveis”

Em nota pública, a Secretaria de Política para as Mulheres da Presidência da República classificou a decisão como um desrespeito, considerando irrelevante o consentimento de meninas menores de 14 anos para configurar o crime de estupro.

Para a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a decisão “pode abrir um perigoso precedente quando se sabe de casos de ‘turismo’ e exploração sexual, tristemente presentes no cotidiano de milhares de crianças e adolescentes brasileiras”, caminhando “na contramão de governos, organismos e agências internacionais, universidades e sociedade civil que desenvolvem e aplicam políticas públicas com vistas à superação desta violência”.

*Carta Maior

Greve geral tem adesão massiva na Espanha

A Greve Geral de 29 de março constitui uma protesto contra a reforma laboral promovida pelo governo de Rajoy, considerada pelos sindicatos como “a mais regressiva da história da democracia”, e pela defesa dos serviços públicos. Segundo as centrais sidicais CCOO e UGT, entre os 14 milhões de trabalhadores assalariados, adesão deve ficar entre 85 e 90%. Fábricas de automóveis estão praticamente paradas, setor dos transportes só cumpre os serviços mínimos, 26 portos estão totalmente parados. Trabalhadores dos meios de comunicação também participam do protesto.

Esquerda.net

As principais centrais sindicais espanholas, CCOO e UGT, disseram na manhã desta quinta-feira (29) que a adesão à Greve Geral está sendo massiva e irá mesmo ultrapassar os números atingidos em setembro. Entre os 14 milhões de trabalhadores assalariados, a adesão deverá rondar os 85% a 90%, segundo avançam estas estruturas sindicais.

Segundo divulga a UGT e as CC OO em comunicado conjunto, as fábricas de automóveis estão praticamente paradas e o setor dos transportes só cumpre os serviços mínimos. 26 portos da rede de Portos do Estado estão totalmente parados. No setor da aviação, 2300 voos poderão ser afetados pela paralisação e a empresa Transmediterránea prevê o cancelamento de atividades em 22 dos seus trajetos marítimos. Nas fábricas da Renault, SEAT en Martorell, Volkswagen Navarra, Ford Almusafes e Bosch Madrid, e Airbus en Toledo a adesão à greve é total.

Os grandes centros de abastecimento da Andaluzia, especialmente o Mercasevilla, o Mercabarna e o Mercavalencia, na Catalunha, e a plataforma logística de Mercadona em Leon fecharam as portas e os setores da alimentação e o setor químico registam níveis de adesão que rondam os 80 a 90%. O turno da noite da fábrica da Repsol em Puertollano parou por completo.

No setor mineiro a adesão é de 100% e no setor têxtil atinge os 82%. A fáfrica da Inditex na Corunha fechou por completo. No recolhimento de lixo a adesão é de 95%, ascendendo a 100% em cidades como Madrid, Corunha, Zaragoza, Ceuta, Toledo, entre outras. No setor das limpezas a adesão foi, por sua vez, de 70%.

No que diz respeito à construção de infraestruturas, a greve chegou mesmo a parar por absoluto as obras da Adif e do prolongamento da linha 9 do metrô.

O setor postal regista uma adesão à greve de 74%, atingindo os 100% na Catalunha e os 98% na Andaluzia.

Também os meios de comunicação espanhóis optaram por aderir ao protesto. O Telemadrid, Canal Sur Televisión e o TV3 da Catalunha encerraram as emissões pelas zero hora do dia 29. A adesão na redação digital do diário Público é de 100%. Na imprensa escrita, regista-se uma adesão de 80% no El País e La Vanguardia e de 70% no resto da imprensa escrita da Catalunha.

Outro indicador que traduz o êxito desta Greve Geral diz respeito à diminuição do consumo de energia, que traduz a redução da atividade econômica. Por volta das sete da manhã, a procura já registava um decréscimo, face à semana anterior, de 23,37%, segundo a Rede Elétrica de Espanha.

Forte contingente policial
A greve tem sido acompanhada de perto por um enorme contingente policial que, inclusive, chegou a cortar os acessos em Madrid, junto ao Congresso.

Registaram-se alguns confrontos durante os piquetes da madrugada, que resultaram, segundo o Ministério do Interior, em dezenas de detenções e alguns feridos.

Os sindicatos denunciaram, entretanto, que os trabalhadores estão sendo alvo de pressões e chantagens por parte dos empresários e dos serviços públicos no sentido de não aderirem à greve.

Contra a reforma laboral e pelos serviços públicos
A Greve Geral de 29 de março constitui uma protesto contra a reforma laboral promovida pelo governo de Rajoy, considerada pelos sindicatos como “a mais regressiva da história da democracia”, e pela defesa dos serviços públicos.

Para os representantes da CC OO e da UGT, esta é uma mobilização “justa e necessária” perante a “regressão social” provocada pela política posta em marcha pelo atual governo.

Na Galiza também foi convocada pela Confederação Intersindical Galega uma greve geral para 29 de março. Para o País Basco e para Navarra, as centrais ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, EHNE e Hiru, também já teriam anunciado uma paralisação geral para este mesmo dia.

O protesto não merece o apoio do Partido Nacionalista Basco, sendo duramente condenado pelo Partido Popular.

O partido Esquerda Unida congratulou, por sua vez, a decisão das estruturais sindicais. Cayo Lara, citado pelo El Pais, defendeu que esta é uma “reforma duríssima, ante a qual o governo tem duas opções: ou negocia com os sindicatos e partidos dentro do trâmite parlamentar ou terá mais mobilizações”.

*Carta Maior

SENADOR DEMÓSTENES, AMIGO DO MAFIOSO, TEM CONTRA SI PEDIDO DE ABERTURA DE PROCESSO NO CONSELHO DE ÉTICA FEITO PELO PSOL

Parlamentares do PSOL apresentaram no Conselho de Ética do Senado representação contra o senador Demóstenes Torres (DEM/GO). Os socialistas querem que o conselho abra processo por quebra de decoro parlamentar sustentada pelas gravações feitas pela Policia Federal onde aparece o campeão da moral da política brasileira envolvido com o mafioso Carlinhos Cachoeira, preso por contravenção e exploração de caças níqueis.

Na representação os socialistas citam as gravações feitas Polícia Federal, onde aparece Demóstenes pedindo dinheiro ao mafioso, e gravações que mostram o campeão da moral passando informações privilegiadas ao contraventor. Segundo o deputado Ivan Valente (PSOL/SP) e presidente do partido, o PSOL vai aguardar mais informações sobre a Operação Monte Carlo, realizada pela Polícia Federal.

“Apresentamos a representação contra o senador Demóstenes Torres no Conselho de Ética no Senado por achar que existem denuncias bastantes consistentes contra ele.

Pedimos ontem ao procurador-geral da República outros dados de gravação e denúncias para que para que a representação que pretendemos fazer tenha consistência. Entendemos que ainda faltam dados objetivos para a entrada no Conselho de Ética da Câmara”, disse o deputado do PSOL, Ivan Valente.

Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), o Congresso Nacional está sendo chamado para se manifestar, porque há “graves e notórios acontecimentos”. Ainda de acordo com o senador, Carlinhos Cachoeira, tem relacionamentos com autoridades “amplos, gerais e irrestritos”.

É possível, no entender do senador, que uma operação abafa sobre Demnóstenes pode ser desencadeada para proteger outras pessoas implicadas no esquema.

“Se houver alguma pizza em curso, não queremos participar do tempero dela”, afirmou o senador.

Agora, com a representação o presidente do Conselho de Ética poderá acatar ou arquivar o pedido, mas se for arquivado qualquer membro do conselho pode entrar com recurso de abertura do processo.

LULA ENCONTRA-SE CURADO

Lula depois de ser diagnosticado com um câncer na laringe, foi internado no Hospital Sírio-Libanês e passou a ser submetido a tratamento para cura da doença. Primeiramente, Lula, foi ao tratamento quimioterápico para depois passa a radioterapia, encerrado no dia 17 de fevereiro. Lula voltou para casa para o estágio de convalescença, mas logo em seguida Lula teve uma pneumonia que foi tratada no próprio Hospital Sírio-Libanês.

Agora, realizando sessões de fonoaudiologia, Lula, recebeu de seus médicos o diagnóstico final afirmando que ele encontra-se curado do câncer. Como é da própria terapia, Lula, passará a partir desse momento por avaliações periódicas.

“Foram realizados exames de ressonância nuclear magnética e laringoscopia, que mostraram a ausência de tumor visível, revelando apenas leve processo inflamatório nas áreas submetidas à radioterapia, como seria esperado”, diz trecho do boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês.

Uma notícia que engrandece a democracia e alegra todos que sentem a política como a potência natural humana. Uma notícia boa que alegra, mas desespera Serra. Agora, Lula, vai de encontro à candidatura de Fernando Haddad, candidato à prefeitura de São Paulo, assim como Serra, o candidato de ‘uma palavra’.

MILLÔR FERNADES DEIXA DE PRODUZIR

O desenhista, cartunista, chargista, dramaturgo, tradutor e jornalista, Millôr Fernandes, aos 88 anos, deixou de produzir. Millôr, cujo nome deveria ser Milton não fosse um erro do tabelião, sempre teve a produção como sua maior forma de afirmar sua existência. Com claro compromisso político socialista, sua produção carrega a expressividade do exame da sociedade através dos fluídos humorísticos.

Contribuiu com várias revistas, mas se projetou pelas folhas da revista O Cruzeiro, onde matinha uma coluna contestadora, Pif-Paf. Foi um grande interprete da sociedade brasileira no tempo da ditadura militar na revista Veja, na época de Mino Carta, antes desta se torna a voz da mídia nazi-fascista que hoje é.

Para o crítico de literatura, escritor Henrique Rodrigues, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), autor da tese sobre a obra de Millôr,” Millôr Fernandes: A Vitória do Humor Diante do Estabelecido”, Millôr tinha um espírito vanguardista.

“Ele fazia poemas concretos, antes de existir o movimento concretista. Ele já escrevia de forma concisa e em frases curtas muito antes de existir o computador e ferramentas como Twitter. A própria irreverência do Pasquim, do qual foi um dos fundadores, foi antecipada pelo Pif-Paf, uma coluna de humor político e contestatório que ele mantinha na imprensa”, considerou sobre Millôr, Henrique Rodrigues.  

Entre traduções de personagens ilustres da literatura mundial como Molière, Shakespeare, Sófocles e Brecht, fundou o Pasquim, jornal humorístico de crítica ácida ao sistema brasileiro.

Seu corpo, depois de ser velado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, será cremado  de acordo com seu desejo.

Ultradireita tenta reagir à pressão pela Comissão da Verdade

A convocação de oficiais aposentados para um ato público em favor da ditadura, nesta quinta-feira às 15h, no Rio de Janeiro, horário semelhante aos dos manifestantes que tomarão a Cinelândia em uma manifestação de apoio à Comissão da Verdade, ganha contornos de uma paródia ao enfrentamento nos moldes conhecidos durante os Anos de Chumbo. Um dos militares que participaram da ditadura, o general aposentado Luiz Eduardo Rocha Paiva (foto) diz que o Brasil teve poucos pessoas torturadas

Correio do Brasil

(*) Publicado originalmente no Correio do Brasil.

Rio de Janeiro – A convocação dos oficiais aposentados para um ato público em favor da ditadura militar, nesta quinta-feira às 15h, horário semelhante aos dos manifestantes que tomarão a Cinelândia em uma manifestação de apoio à Comissão da Verdade, ganha contornos de uma paródia ao enfrentamento nos moldes conhecidos durante os Anos de Chumbo. Por e-mail, em mensagens apócrifas, militares afastados das tropas por alcançar idades acima dos 65 anos, apresentar problemas de saúde ou psicológicos, usam dos velhos jargões dos governos ditatoriais na tentativa de convocar simpatizantes a uma campanha denominada Brasil acima de tudo.

Com base no manifesto em que os sócios do Clube Militar, instituição ligada à ultradireita, com sede no Centro da cidade, tentaram pressionar – sem sucesso – a presidente Dilma Rousseff para não seguir adiante com as investigações de abusos e tortura de prisioneiros durante o regime de 64, os indivíduos que já não usam mais a farda e passam o tempo entre uma e outra conspiração contra a democracia, apelam aos aliados daquela era na tentativa de arregimentar apoiadores à palestra do general Luiz Eduardo Rocha Paiva, figura conhecida nos porões dos antigos Doi-Codi e Cenimar, centros de referência na tortura e morte de prisioneiros políticos no Brasil.

“Creio ser um assombro a luta de alguns poucos no sentido de abrirem os olhos da sociedade! Eles serão mártires ou heróis desta luta insana! De qualquer forma, que Deus os ilumine pela verdadeira guerra que fazem com as armas da crítica e do esclarecimento. Se cometerem algum erro, que tenham a certeza, ele será irrelevante no contexto do bom combate que travam, pois seu alerta está sendo dado!”, diz o texto, apócrifo, do “chamamento” que distribuem na web. Segundo os organizadores, policiais alinhados à extrema direita, integrantes de clubes de serviço que, na época da ditadura, apoiaram o regime militar, membros do grupo fascista Tradição, Família e Propriedade (TFP) e maçons que apoiaram o regime imposto pela força das armas deveriam ser convocados para comparecer ao Clube Militar.

Na mensagem, ditam como cada um dos ex-integrantes das Forças Armadas deveria atuar, na busca de mobilizar alguns incautos para uma reação à Comissão da Verdade.

“1 – Para tirar cópia do chamamento (…) na copiadora – 15 minutos. Quem preferir gastar alguns centavos, tire cópias no comércio local e distribua pelo menos nas caixas de correspondência de seus edifícios.

“2 – Quantos parentes sem e-mail já foram contatados pelo telefone? – 30 minutos;

“3 – Já telefonaram ou passaram e-mails para os conhecidos das (sic) polícias militares? – 15 minutos;

“O “LIONS” e o “ROTARY” da cidade já estão por dentro da campanha, telefonema ou e-mail? 10/15 minutos;

“4- A “loja maçônica” da cidade já está por dentro da campanha, telefonema ou e-mail? – 10/15 minutos”.

A mensagem, sem nenhuma assinatura, em tom de ameaça, alega ainda que os antigos militares não podem “entregar o ouro ao bandido vermelho, de graça”, talvez em referência à ação guerrilheira do Partido Comunista do Brasil e de outras vanguardas revolucionárias da resistência, que terminaram por determinar o fim da ditadura no país, com o apoio de toda a sociedade civil.

Ainda segundo o texto, “depende das comunicação que vocês lograrem, por e-mail ou telefone, com os “LlONS’, ‘ROTARY’, ‘lojas maçônicas’, ‘TFP’ e assemelhados”, sem citar o que seriam estes últimos.

Sem dentes
Para alguns dos organizadores da manifestação, convocada pelas redes sociais em uma mensagem transmitida, por vídeo, pelo cineasta Silvio Tendler, essas “manifestações malucas que circulam pela internet” não significam um perigo real para a realização do ato convocado para as 14h, em frente ao Clube Militar, na Avenida Rio Branco, nesta quinta-feira.

– São leões sem dentes. Rugem, fazem barulho, mas já não mordem mais ninguém – concluiu um dos ativistas, que prefere não se identificar “para não jogar mais lenha na fogueira”.

Procurado pelo Correio do Brasil, o presidente do Clube Militar, general aposentado Renato Cesar Tibau da Costa, sequer respondeu às ligações.

Ademilde Fonseca foi responsável pela maior popularização do choro

Por: Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Uma das últimas imagens públicas da cantora Ademilde Fonseca é no excelente DVD “Sexo MPB O Show”, que registra a edição de 2010 da entrega do troféu de mesmo nome, organizado pelo pesquisador musical, produtor e jornalista Rodrigo Faour. Naquela noite, ela foi a grande homenageada e, assim, glorificada pelos colegas deve ser sempre lembrada. Afinal, poucas cantoras fizeram tanto pela música brasileira, a ponto de ficar conhecida como “rainha do choro”.

“O choro de agora em diante volta a ser apenas solado, porque ninguém mais conseguirá cantar suas melodias sinuosas, com a velocidade, a graça e a afinação de Ademilde, que um dia, informalmente durante uma festa na casa de Benedito Lacerda, sacou do bolso uma letra que conseguira do velho choro “Tico-tico no Fubá”, e mostrou ao flautista. Ele, extasiado, tratou de encaminhá-la à gravadora Columbia (depois Continental). Isso foi em 1942. Com isso, sem saber, estava criando um gênero: o choro cantado”, conta Faour.

Ademilde Fonseca trabalhou por mais de dez anos na rádio Tupi e gravou centenas de discos, dos quais vendeu mais de meio milhão de cópias, numa época em que atingir esses números era algo tremendamente difícil. A interpretação dela para “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, e “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu, é inigualável e marcou uma virada na música brasileira, quando o choro deixou de ser basicamente instrumental e passou a ser também cantado. Outros clássicos indispensáveis em seu repertório foram “Urubu Malandro”, “Galo Garnizé”, “Pedacinhos do Céu” e “Na Baixa do Sapateiro”, entre tantos outros.

“Ela simplesmente teve a honra de lançar alguns clássicos da música brasileira com letra, caso de ‘Apanhei-te cavaquinho’, ‘O que vier eu traço’ e ‘Brasileirinho’ – pérolas imortais. E ainda ‘Pedacinhos do céu’ e o baião ‘Delicado’, de Waldir Azevedo, que correu o mundo. Também lançou ‘Teco-teco’, depois regravada por Gal Costa. E um sem-número de maravilhas que estarão no CD duplo da série ‘Super Divas’, que pretendo lançar via EMI Music até o meio do ano. Infelizmente, ela não ficou viva para ver este disco, mas pelo menos me ajudou a concretizá-lo, me ajudando a localizar fonogramas raros e tecendo comentários faixa a faixa sobre suas 36 faixas. Como se não bastasse, tinha uma cabeça maravilhosa. Numa das minhas festas, disse que era preciso respeitar os artistas jovens, porque ‘até esses meninos que fazem funk, se você for ver tem uma dificuldade. Se você quiser fazer aquilo, não vai conseguir’. Ou seja, não tinha um pingo de recalque”, acrescenta Faour.

Ademilde Fonseca tinha 91 anos e sofria de problemas cardíacos. De acordo com a neta, Ana Cristina, ela teve um mal súbito e morreu em casa, no Rio de Janeiro, na noite de terça-feira, 27 de março. Nascida no Rio Grande do Norte (RN), ela deixa uma filha, a cantora Eimar Fonseca, três netas e quatro bisnetos. Seu último registro em disco foi no CD da jovem cantora Anna Bello, produzido pelo músico Edu Krieger.

PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA PEDE AO STF ABERTURA DE INQUÉRITO CONTRA O SENADOR DEMÓSTENES, AMIGO DO MAFIOSO

Diante das provas irrefutáveis colhidas Polícia Federal na Operação Monte Carlo realizada em Goiás, onde o senador Demóstenes Torres (DEM/GO), ex-campeão moral do Congresso Nacional, representante da ultradireita, aparece envolvido intimamente com o mafioso Carlinhos Cachoeira, gozando de financeiros privilégios, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, resolveu pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito para investigá-lo.  

Roberto Gurgel explicou que os motivos que o levaram a demorar no pedido de abertura de inquérito decorreu do fato dos dados serem insuficiente, e que os documentos mais robustos só chegaram com a operação realizada pela Polícia Federal. Segundo ele o material completo das apurações só chegou há duas semanas passadas. Já em 2009, as primeiras informações sobre o envolvimento de políticos com o mafioso passaram a ser conhecidas.

O procurador-geral afirmou que foram dez meses de gravações e pelo material ser tão extenso a Policia Federal ainda não havia degravado. Para ele os indícios colhidos pelas interceptações telefônicas são “graves o suficiente para pedir a abertura de inquérito”.

De acordo com o pedido feito pelo procurador-geral ao MPF o inquérito poderá ser desmembrado em três frentes. Uma para investigar a conduta do senador Demóstenes Torres; outra para investigar as ações de outros deputados envolvidos no esquema; e a terceira para outros envolvidos que não tem prerrogativa de foro cujos casos devem ser enviados à Justiça Federal, em Goiás.

Procurando mostrar uma das funções do Parlamento, lutar pela ética na política, alguns parlamentares estiveram com o procurador-geral da República para ativar a investigação contra o senador moral. O grupo que visitou o procurador-geral era formado, entre outros,  por senadores como o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) e deputados como o deputado Praciano (PT/AM) que foi também falar com o procurador-geral porque viu o que Eduardo Braga não viu.

Para o líder do PSOL, Randolfe Rodrigues, o senador santo não tem mais condições de permanecer no cargo.

“Claramente me parece que não tem mais condições para o senador Demóstenes, aqui no âmbito do Senado Federal. Eu, se fosse o senador Demóstenes, acho que a única alternativa que restaria neste momento seria a renúncia. Da nossa parte, ocorrendo a denúncia da PGR ao Supremo com o pedido de abertura de inquérito, torna-se inevitável que aqui sejam representados os membros envolvidos na Operação Monte Carlo ao Conselho de Ética”, opinou Rodrigues.

Enquanto isso, o presidente do partido da ultradireita, Agripino Maia (DEM/RN) disse que o seu partido vai esperar as informações da Procuradoria-Geral da República para que o amigo do mafioso se defenda e a partir de então sua agremiação tome as devidas providências. Entre elas, expulsá-lo do reacionário partido.

“Eu não quero dizer que a expulsão é provável porque eu não conheço as acusações e não quero fazer um julgamento antecipado. Agora, posso dizer apenas que o partido já teve, em circunstâncias preocupantes, um comportamento claríssimo que o Brasil todo conhece. E não vai hesitar um minuto em repetir a dose se as evidências se mostrarem iguais”, disse o justo Agripino.  

CORREGEDOR-GERAL DO SENADO CONTESTA DEFESA QUE EDUARDO BRAGA FEZ DE DEMÓSTENES, AMIGO DO CONTRAVENTOR

Na segunda-feira, o líder do governo, o conservador Eduardo Braga (PMDB/AM), em dobradinha com o senador da ultradireita Álvaro Dias (PSDB/PR), ao comentar a situação do senador da ultradireita Demóstenes Torres (DEM/GO), mostrando porque fora escolhido pela presidenta Dilma para lhe representar no Senado, disse que era para não se “politizar” o processo, porque não havia quebra de “decoro”.

Ontem, terça-feira, o corregedor-geral do Senado, Vidal do Rego (PMDB/PB), seu parceiro, afirmou que a situação do senador amigo do mafioso, Carlinhos Cachoeira, é “preocupante”. Contestando a posição de Eduardo Braga, seu parceiro, o corregedor-geral comentou que se o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar o pedido do procurador-geral, Roberto Gurgel, para abrir inquérito contra o amigo de Cachoeira, dificilmente o exemplo moral do DEM vai escapar de um julgamento político. Nada do que Eduardo Braga viu nas relações financeiras entre o moralista do DEM com o mafioso Carlinhos Cachoeira. Uma relação que nem precisa “politizar”.

“A situação é preocupante, e a corregedoria só se manifestará quando receber os elementos que estão solicitados à Procuradoria-Geral da República”, disse o senador Vidal do Rego.

Comentando as tentativas de defesa feita pelo senador amigo do mafioso, que vem dizendo que os grampos realizados pela Polícia Federal são ilegais, o corregedor-geral do Senado disse que do ponto de vista político – o que Eduardo Braga não viu – podem complicar a situação do senador.

“A acusação de ordem jurídica perde força e acusação de ordem política perde força”, afirmou Vidal do Rego.

E será exatamente o corregedor-geral, Vidal do Rego, quem irá encaminhar o pedido de abertura de processo no Conselho de Ética do Senado contra o ex-paladino da justiça do Congresso se a documentação requerida pela Procuradoria-Geral da República confirmar que o ex-líder moral do DEM recebia grana do jogo do bicho.

E o líder do governo, Eduardo Braga, não viu nada desses elementos condenatórios. Uma visão estreita. Talvez um vício produzido na política da direita no Amazonas que o senador ainda não conseguiu fragmentar. Eduardo Braga foi duas vezes governador do Amazonas e prefeito, sempre eleito pelo grupo reacionário que infelicita a existência do povo amazonense há quase trinta anos. Com ajuda de parte da esquerda Oh My Darling, composta por membros do PT e PCdoB, é claro.   

Indígenas do MS evitam despejo e colocam agronegócio no banco dos réus

Indígenas Guarani Kaiowá viajaram a São Paulo para acompanhar o julgamento que tratava da ordem de despejo da aldeia Laranjeira Nhanderú. Desta vez a comunidade indígena venceu, e a justiça decidiu pela sua permanência no local. Movimentos sociais e indígenas organizam o Tribunal Popular da Terra em Mato Grosso do Sul, entre 30 de março e 1º de abril, que fará um julgamento simbólico do Estado brasileiro, do latifúndio e do agronegócio.

Fábio Nassif

São Paulo – Nesta segunda-feira (26), indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul viajaram mais uma vez a São Paulo para acompanhar o julgamento que tratava da ordem de despejo da Aldeia Laranjeira Nhanderú. Desta vez a comunidade indígena da aldeia localizada no município de Rio Brilhante venceu, e a justiça decidiu pela sua permanência no local. A decisão vale pelo menos até a finalização de uma perícia judicial que levará a aldeia a novos julgamentos.

As lideranças saíram aliviadas, já que os outros três despejos e os ataques dos pistoleiros renderam algumas mortes de indígenas. Mesmo assim, a situação ainda é muito instável pois a comunidade está localizada no meio de uma plantação de soja, depende das cestas básicas entregues pela Funai e permanecem sendo ameaçados por jagunços.

O cacique Faride agradeceu o apoio dos advogados e apoiadores, mas cobrou a Fundação Nacional do Índio quanto à demarcação daquela terra. “A Funai está demorando para apresentar o laudo antropológico. Isso prejudica muito porque quando chegamos aqui [no julgamento] os fazendeiros estão sempre mais avançados que nós”, disse.

O funcionário do órgão presente contou que a Coordenação Geral de Identificação e Delimitação (CGID), departamento da Funai responsável pela regularização das áreas indígenas, está com o pedido de Laranjeira Nhanderú e mais 400 pedidos de demarcação de terras de todo o país. Segundo ele, a média é de 20 terras demarcadas por ano.

Isso significa que, em uma estimativa, se esta média for mantida, os indígenas de Laranjeira Nhanderú podem ter que lutar para sobreviver durante os próximos cinco anos para eventualmente terem sua terra reconhecida pelo Estado. Segundo dados do Cimi, no entanto, nos oito anos do governo Lula foram 88 terras homologadas, uma média de 11 por ano, o que acirrou ainda mais os conflitos por terra no Brasil.

Justiça popular
O estado onde se mata mais indígenas no país finalmente irá enfrentar o banco dos réus. Entidades, movimentos sociais e indígenas organizam o Tribunal Popular da Terra em Mato Grosso do Sul, nos próximos dias 30, 31 de março e 1º de abril, e fazem um julgamento simbólico do Estado brasileiro, do latifúndio e do agronegócio. A ideia é colher depoimentos sobre as violações aos direitos humanos cometidas neste histórico conflito de terras, e, a partir daí, julgar o papel do Estado.

O eixo da atividade será “povos da terra e estrutura fundiária em MS” e será realizada na UFMS. Na noite de sexta haverá uma abertura solene, e no dia seguinte, a partir das 8h, haverão cinco oficinas simultâneas: “Diálogos sobre a questão agrária: ações e impactos no MS”; “Movimento negro e as questões dos territórios quilombolas”; “A luta pela restituição territorial dos povos indígenas em MS”; “Oficina musical: luta pela terra, pela vida – resistir é preciso”; e “Agrotóxicos e seus impactos no Mato Grosso do Sul”, com a exibição do filme “O veneno esta na mesa”, de Sílvio Tendler.

Na tarde de sexta acontecerá uma mesa redonda com Miescelau Kudlavicz, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MS); Narciso Pires, presidente da ONG Tortura Nunca Mais/PR e Katya Vietta, doutora em Antropologia Social e Etnologia Indígena. O tribunal será aberto oficialmente às 19h30 no auditório LAC da UFMS, com participação da juventude do MST e apresentações culturais, como o já conhecido grupo de rap indígena Brô Mcs. A sentença será proferida no sábado pela noite.

No domingo, as várias organizações, entidades de direitos humanos e movimentos populares realizarão uma plenária de avaliação e de articulação de outras atividades. O tribunal está sendo organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Diretório Central de Estudantes da UFMS, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Conselho Aty Guassú Kaiowá-Guarani em conjunto com mais de 20 entidades.

Entre os dias 20 e 22 de abril ocorre em São Paulo, no Sacolão das Artes, a versão nacional do Tribunal Popular da Terra, que pode reunir mais de mil ativistas, indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais. Na ocasião, haverá debate sobre casos conhecidos de criminalização da pobreza e dos movimentos sociais como do Pinheirinho, da ocupação da fazenda da Cutrale em Iaras (SP) e do Quilombo Rio dos Macacos (BA).

Fotos: Marina D’Aquino

*Carta Maior

“O Dia que Durou 21 anos”

Zé Geraldo na Quinta Cultural no dia 29 deste mês

PARLAMENTARES PEDEM QUE SENADOR DEMÓSTENES EXPLIQUE SUA RELAÇÃO COM SEU AMIGO, O MAFIOSO CACHOEIRA

 Depois que foi publicado na imprensa que o senador da ultradireita, Demóstenes Torres (DEM/GO), mantinha relações estreitas com o mafioso Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, o senador foi à tribuna do Senado no dia 6 de março para se defender. Diante do que anunciou em seu discurso parceiros seus, como o senador do Partido dos Trabalhadores, do Acre, Jorge Viana, se irmanaram com suas declarações.

      Como poderia dizer o próprio ‘modelo moral de político’, o senador Demóstenes, nada como o tempo para processar a verdade. Com o passar do tempo novas denúncias contra o ‘campeão da moral’ foram registradas na imprensa brasileira. Denúncias como o recebimento direto de dinheiro das mãos do contraventor Carlinhos Cachoeira, e o uso de um telefone ativado nos Estados Unidos para o senador conversar com o mafioso tranquilamente sem qualquer receio de suas conversas serem grampeadas pela Polícia Federal.

        Diante do acúmulo de denúncias contra o ‘campeão moral’, senadores pediram ontem para que ele vá ao Senado para explicar sua relação com o mafioso. Entre eles o senador acreano, Jorge Viana, que agora mudou de opinião sobre o caso de Demóstenes Torres.

        “Nós não podemos tapar o sol com a peneira. Esta casa da Federação não terá moral para notificar, para convidar, para intimar qualquer cidadão para depor em suas comissões, se nós não ouvirmos os esclarecimentos do senador Demóstenes Torres”, exigiu o senador Pedro Taques (PDT/MT).

        Como o espírito do Senado é reacionário, os reacionários senadores Álvaro Dias (PSDB/PR) e o líder do governo Eduardo Braga (PMDB/AM) saíram em defesa do companheiro.

      Para Álvaro Dias não há motivo para o senador Demóstenes prestar esclarecimentos no Senado em razão do mesma já se encontra sendo investigado.

       “Quando nós reivindicamos a presença de um ministro, quando nós encaminhamos à Procuradoria-Geral da República representações, nós o fazemos porque autoridades públicas denunciadas não estão sendo investigadas. Não é o caso do senador. Segundo a imprensa veiculou, esse inquérito tem três anos. A investigação se dá, portanto, a cerca de três anos, o próprio senador, no dia 6 de março, daquela tribuna, pediu que fosse investigado”, defendeu seu companheiro o senador.

         Por sua vez, mostrando porque a presidenta Dilma o escolheu para líder do governo, o senador Eduardo Braga, saiu em defesa de seu companheiro Demóstenes dizendo que era para  o caso não “politizado” e que ele “não é de decoro”.

        “Espero que este processo não seja politizado. Ele é de natureza criminal, não é de decoro. E deve ser tratado na instância correta”, afirmou o senador.

        O caso é político, e sendo criminal é de decoro. O envolvimento de Demóstenes com o mafioso foi em pleno desenrolar de seu mandato. Com essa posição, Eduardo Braga, confirma que não sabe, porque Dilma o escolheu para ser o líder do governo.

      

MOVIMENTOS SOCIAIS REALIZAM MANIFESTAÇÕES EXPONDO FOTOS DE MILITARES DA DITADURA QUE TORTURARAM

 Fotos de presos políticos que foram torturados e assassinados no período da ditadura entre os anos de 1964 e 1985, e fotos de militares acusados de torturar e assassinar presos políticos, foram expostas em vários locais de São Paulo onde moram ou trabalham os ex- militares e policiais. O fato foi resultado de uma manifestação realizada por movimentos populares sob a coordenação do Levante Popular da Juventude. Que contou também com as participações dos membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Consulta Popular e Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça.

      Um dos locais da exposição das fotos foi a frente da sede da empresa de segurança privada Dacala, de propriedade do delegado aposentado do antigo e tenebroso Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), David dos Santos Araujo. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de participar da tortura e assassinato do ativista político, em abril do ano de 1971, Joaquim Alencar de Seixas. O ex-delegado foi reconhecido pelos parentes de Joaquim Alencar de Seixas.

       David dos Santos Araujo, “capitão Lisboa”, entre os torturadores, “era o que mais batia”, segundo Ivan Seixas, que foi preso quando tinha 16 anos junto com seu pai, Joaquim Alencar de Seixas. Ivan Seixas deu a informação durante seu depoimento ao MPF. Em seu depoimento Ivan disse que os torturadores o levaram para uma área deserta e simularam seu fuzilamento, tendo, como forma de pressão dos agentes, uma de suas irmãs sido estuprada pelo torturador “capitão Lisboa”.

     Segundo Caio Santiago, um dos porta-vozes do movimento, e estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o movimento é “para pressionar a Comissão da Verdade”.

     “O ato é para pressionar, para que a Comissão da Verdade ocorra de fato. A gente veio para dialogar com que trabalha com o acusado de tortura. Expor, constranger e denunciar o torturador para quem convive com ele”, disse Caio.

      De acordo com um manifesto lido, o ato tem como um dos objetivos resgatar a história do nosso povo.

      “Saímos à rua para resgatar a história do nosso povo e a história do nosso país. Lembramos talvez da parte mais sombria da história do Brasil e que parece ser propositadamente esquecida: a ditadura militar”, diz parte do manifesto.

         O ato que foi realizado simultaneamente no Chile e Argentina, com o nome de Escrachos, também será realizado nos estados do Rio Grande do Sul, Ceará, Pará, Santa Catarina e Minas Gerais.

    


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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