Arquivo para 18 de maio de 2012

PARLAMENTARES SE UNEM PARA DEFENDER O JORNALISTA POLICARPO DA VEJA AMIGO ÍNTIMO DE CACHOEIRA

O jornalista Policarpo Junior, diretor da sucursal da revista nazifascista Veja, em Brasília, que aparece em mais de 200 gravações da Operação Monte Carlo realizada pela Polícia Federal, em conversas íntimas com o mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, vem conseguindo marcar bons pontos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

O senador e ex-presidente, Collor de Mello, que vem pedindo juntamente com outros parlamentares que o jornalista conspirador seja convocado pela CPMI para prestar depoimento vem mostrando uma face cruel da comissão. Alguns parlamentares, como o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ) passaram a tomar partido pela não convocação do jornalista aético. Miro Teixeira, longe dos tempo em que mirava bem, afirmou  que o interesse de Collor é um atentado à imprensa e tem um caráter “persecutório”. Uma vingança, porque a Veja publicou uma entrevista com o irmão de Collor, cujo conteúdo serviu para fomentar o impeachment de Collor quando o mesmo era presidente.

“A função do jornalista é investigar. Jornalista de investigação conversa sim com pessoas próximas ao crime”, disse Miro Teixeira, defendendo o jornalista.

Se irmanando partidariamente no tema o senador Pedro Taques (PDT/MT) afirmou, para engrossar o coro “desmirado”, disse que Collor estava querendo fazer “um acerto pessoal” com a imprensa. Taques se referindo ao requerimento que Collor expediu à comissão para que se tenha acesso às gravações telefônicas entre Carlinhos Cachoeira e Policarpo, afirmou que “o requerimento tem inconstitucionalidade chapada.

Collor, em discurso no Senado, lembrou que Policarpo já havia prestado depoimento em outra CPI e no Conselho de Ética da Câmara, em 2005. No primeiro caso, na CPI da Loterj, e no segundo no processo de cassação do deputado André Luiz.

“É necessário que pincemos esses trechos para que fique comprovado um conluio entre Policarpo Junior e Carlinhos Cachoeira”, observou Collor.

Mas Policarpo tem ameaças aos seus bons pontos, comandados por Miro Teixeira. Deputados e senadores do Partido dos Trabalhadores se irmanaram com Collor que o agente conspirador da Veja seja convocado a depor na CPMI.

Para o deputado Paulo Teixeira (PT/MG), o pedido de Collor não tem a intenção  “de investigar a imprensa”, mas sim apurar a possível conduta inadequada de Policarpo. Aí o deputado mostra consciência democraticamente reflexiva. As gravações mostram que Policarpo é íntimo do mafioso. E além de que, como jornalista policarpo trabalho fora dos princípios de um jornalismo disciplina ética. Tem currículo de jornalista de mercado que só entende a lei do lucro da empresa de seu patrão Civita.

Por sua vez, o senador Humberto Costa (PT/PE), disse que integrantes da comissão estão considerando Policarpo “intocável”.

“Parece que têm intocáveis aqui, mas não se enganem, tudo virá à tona”, refletiu o senador.

No final das contas o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT/MG) não aceitou o requerimento de Collor para teracesso à todas informações dos colóquio íntimos entre o mafioso e o representante da mídia acéfala.      

Policarpo não é imprensa, e se encontra longe de ser um jornalista isento democraticamente, já que seu “jornalismo” é puro capitalismo de mercado. Tem que ir à CPMI.

CONLUIO NA CPMI DO CONTRAVENTOR, CACHOEIRA, LIVRA GOVERNADORES E A DELTA COM DIREITO A MENSAGEM EM CELULAR

Durante as reuniões da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no dia de ontem a sociedade viu com temor e tremor a fragilidade dessa comissão. Requerimentos que pediam a convocação dos três governadores dos estados de Goiás, Marconi Perillo do PSDB, Agnelo Queiroz do PT, e Sérgio Cabral do PMDB, foram simplesmente todos frustrados.

Um conluio entre parlamentares da chamada oposição e da chamada situação simplesmente mostrou a fragilidade desta CPMI que vinha se mostrando com fôlego capaz de apresentar uma cor clara de democracia. Parlamentares advogaram em causa própria para livrar seus pares com direito a mensagens celulares como mostra a cena protagonizada pelo deputado petista Cândido Vaccarezza que candidamente mandou uma mensagem ao governador Sergio Cabral mostrando que suas relações não iam “azedar”. O que para o bem da democracia foi filmado pelas câmaras da TV SBT e foi ao ar para que a população saiba como anda a democracia de alguns políticos que simulam ter o que não tem: o princípio democrático.

“A relação vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso, e nós somos teu”, dizia a mensagem enviada pelo petista ao governador do Rio de Janeiro, amicíssimo do dono – ou ex – da Empresa Construtora Delta, Fernando Cavendish, cuja empresa encontra-se envolvida com as tramas corruptoras do mafioso Carlinhos Cachoeira.

A relação azedou com alguns petistas, mas não azedou com outros petistas e membros da oposição que também votaram pela não convocação do governador do Rio de Janeiro, porque também já se encontravam de olho no próximo conluio que era também salvar os governadores Perillo e Queiroz. Um conluio com peso mais petista e psdbista.

Salvos os governadores, foi a vez da Empresa Delta, cujo diretor Cláudio Abreu, aparece em várias gravações realizadas pela Policia Federal em conversas íntimas tramando negócios. A Delta que foi colocada à venda depois que apareceu nos braços de Cachoeira, é acusada de superfaturamento em obras do PAC, e obras no Rio de Janeiro. Daí a suspeita do envolvimento do governador Sérgio Cabral com a empresa. Cabral que já apareceu em vídeos aos festejos com a família Cavendish.

O requerimento que pedia a quebra de sigilo da Delta em todo o país foi negado pelo relator Odair Cunha (PT/MG) que afirmou que ainda não existem indícios suficientes para quebra de sigilo da empresa. A investigação vai se concentrar apenas na empresa na Região Centro-Oeste

“Há indícios evidentes de que essa empresa, a Delta, sob o comando do senhor Cláudio Abreu, serviu à organização criminosa. Na minha opinião, não há ainda indícios suficientes para quebra de sigilos, além de suas filiais no Centro-Oeste”, opinou Cunha.

Mas não é o que entende o senador Randolfe Rodrigues (POSL/AP) que tentou impedir a derrubada dos requerimentos da pauta.

“É um mal começo se nós aprovarmos esse sobretestamento”, observou lucidamente Rodrigues.

DEPUTADO LUIZ CASTRO MOSTRA NA ASSEMBLÉIA DO ESTADO DO AMAZONAS SINAIS DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO SECRETÁRIO DO GOVERNO

O deputado Luiz Castro (PPS) vai entrar com representação no Ministério Público Estadual (MPE) contra o pagamento abusivo de diárias pelo Governo do Estado para o secretário da Secretaria de Estado da representação do Governo em Brasília, Mário Manoel Coelho de Melo. De acordo com o Portal da Transparência da Sefaz-AM, o secretário chegou a receber, em 2012, R$11.193,60 (2012NE00090) por 1 diária de viagem a São Paulo, onde participou de reunião com o comitê Executivo local da Copa.

Ainda de acordo com a nota de empenho 2011NE00050, gerada em 03 de fevereiro de 2011 e divulgada no site da Sefaz-AM, o secretário Mário Melo também recebeu R$32.181,60 por 7 diárias de viagem a Manaus – o equivalente a R$4.597,37 por dia – no período de 02 a 08 de dezembro de 2010, para tratar de assuntos da representação do Governo do Estado em Brasília, junto ao gabinete do Governador, Casa Civil, Sefaz e TCE.

Outra nota de empenho que aponta abuso nos valores do pagamento de diárias ao secretário Mário Melo é a 2010NE00092, no valor de R$31.028,45, referente a 6 diárias em Manaus, para tratar de assuntos de interesse da pasta junto ao Gabinete do Governador, entre 27 de março a 1? de abril de 2010.

“As informações estão disponíveis para qualquer pessoa no Portal da Transparência da Sefaz, no link das despesas do Poder Executivo da representação do Governo em Brasília”, afirmou o deputado Luiz Castro, ao realizar, hoje, denúncia no plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas.

Outra irregularidade apontada por Castro é o fato de Mário de Melo acumular dois cargos públicos, como secretário da Secretaria de Estado da representação do Governo do Amazonas em Brasília e servidor da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

O presidente da Aleam, deputado Ricardo Nicolau (PSD), disse que telefonou para Mário Melo e foi informado que o secretário é funcionário concursado da Assembleia de Alagoas, mas encontra-se licenciado. No entanto, segundo a portaria 0018/2012, publicada em 12 de abril deste ano, no Diário Oficial do Estado de Alagoas, Mário de Melo foi relocado, em 2012, para o setor de apoio legislativo da Assembleia Legislativa de Alagoas.

Cidadão do Amazonas

Recentemente o secretário Mário Manoel Coelho de Melo foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado com o título de “Cidadão do Amazonas”, proposto pelo líder do Governo na Casa, deputado estadual Sinésio Campos (PT).

*Enviado por Luis Castro

Neoliberalismo tingido de verde de olho na Rio + 20

Em entrevista à Carta Maior, a antropóloga e ambientalista Iara Pietricovsky adverte para os riscos do agenda da chamada economia verde na Rio+20. “O ambiente de crise financeira dos países ricos estaria jogando água no moinho da lógica neoliberal de enxugamento dos estados nacionais também na área ambiental e abrindo generosos parágrafos para o setor privado se credenciar como o principal gestor de um novo paradigma econômico e ambiental”, diz.

Rodrigo Otávio

Rio de Janeiro – A antropóloga e ambientalista Iara Pietricovsky faz parte do grupo de articulação da Cúpula dos Povos (evento das organizações não-governamentais que será realizado no Aterro do Flamengo em paralelo à Rio + 20) e tem acompanhado as negociações oficiais das Nações Unidas em Nova York para a redação do documento oficial a ser apresentado na Rio + 20.

O que ela tem visto não é animador. Em um ambiente de crise financeira dos países ricos, os rascunhos do documento abrigam a lógica neoliberal de enxugamento dos estados nacionais ao tratarem e formularem políticas ambientais, e abrem generosos parágrafos para o setor privado se credenciar como o principal gestor de um novo paradigma econômico e ambiental, nessa ordem de importância.

Em entrevista à Carta Maior, Iara classifica a Rio + 20 em geral e a Cúpula dos Povos em particular como momentos cruciais para, a partir de grandes mobilizações populares, questionar esse modelo de “economia verde” e as diferentes vozes iniciarem um processo longo, mas efetivo, de uma nova agenda ambiental e econômica para o século XXI.

O que está em disputa na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20?

É o modelo de desenvolvimento e as opções para um futuro de sustentabilidade para o planeta Terra. O que nós, da Cúpula dos Povos, defendemos é um modelo que significa uma crítica frontal a mercantilização e financeirização da vida. E somos totalmente favoráveis ao aprofundamento da ideia de bens comuns. Ou seja, bens água, bens ar devem continuar sendo bens comuns, que devem ser preservados e não podem ser privatizados e mercantilizados.

E como transformar essas críticas em ações?

Nós estamos há algumas décadas apresentando e constituindo ações e experiências concretas alternativas. Um exemplo bastante evidente é a agricultura familiar, que está relacionada diretamente às questões climáticas, de insustentabilidade, de expansão de gado e desmatamento, esse confronto que está colocado na agenda rumo a um modelo sustentável.

Nós sabemos que a agricultura familiar, a agroecologia, é responsável por 75% da comida que vai ao prato do brasileiro. Ou seja, é real e concreto que esses setores sejam financiados, sejam vistos como fundamentais e estratégicos para o desenvolvimento de uma política pública, porque eles geram empregos, fixam as pessoas no campo, produzem alimentos de qualidade, estimulam comércios locais e processos complementares de produção. É uma alternativa a um modelo que pensa só em grande escala, que pensa em termos de mercado, a plantar soja aqui para os animais lá na China comerem. É outra lógica, e é uma lógica de sustentabilidade, de valorização e de humanização. Estaremos o tempo inteiro defendendo essas alternativas na Cúpula dos Povos, em contraposição aquilo que está sendo defendido pelas grandes empresas e corporações.

Um dos pontos da agenda da Rio + 20 é a questão da governança global dentro desse rearranjo de sustentabilidade e desenvolvimento. O que está inserido aí? Quem vai gerir essa nova engrenagem, e para quem?

Essa é a grande questão. Hoje, da maneira como a coisa está colocada, quem vai gerir isso é fundamentalmente o Banco Mundial, que é uma instituição constituída para aprofundar e construir resposta a esse modelo que a gente vive hoje, que é um modelo que já se provou incapaz de dar solução inclusiva, afirmando o direito de todos e todas a uma vida digna.

Então são instituições financeiras e comerciais – OMC (Organização Mundial do Comércio), Banco Mundial e G-20, como uma instância política que vem formulando também sobre tudo isso, – que não correspondem à necessidade de democratização e participação para a construção de soluções que sejam de fato soluções que beneficiem à totalidade da população e a preservação do planeta. Assim, o que está hoje como cenário de governança global e quem está gerindo essas propostas são aqueles que vêm produzindo esse modelo que está falido.

O que nós queremos é pensar outras alternativas, outra arquitetura internacional que seja feita de forma democrática e reconhecendo a diversidade, as responsabilidades comuns porém diferenciadas dos países na produção deste modelo predador.

Os estados nacionais chegarão a assinar a transferência do poder de gestão ambiental para instituições como G-20 e Banco Mundial? Em quanto essa transferência é reversível? Qual o espaço de manobra para iniciativas como a Cúpula dos Povos interferirem nesse processo?

Eu estou acompanhando o processo oficial da ONU pela Cúpula dos Povos e o que eu estou vendo é um processo de aceleração de uma privatização de todas as definições que produziriam essa transição de um modelo predador para um modelo sustentável. Os estados estão se desobrigando e as grandes corporações se aproximando para serem as responsáveis e promotoras desses novos acordos…

…com documentos oficiais assinados?

Isso está lá no documento (N.R.: Documento oficial da ONU sendo rascunhado em Nova York para a Rio + 20). O documento fala claramente no preâmbulo e no primeiro capítulo sobre economia verde que o principal aliado para a transição de modelo sustentável é o setor privado. E todos os setores organizados dentro do setor privado já estão diretamente participando com propostas, inclusive no desenvolvimento daquilo que eles estão chamando de metas de desenvolvimento sustentável.

Outro detalhe que é fundamental é que nesse documento, que é um documento que tenta articular o pilar social, o pilar econômico e ambiental, ou seja, são três dimensões importantes de estarem aí articuladas, eles estão querendo retirar tudo aquilo que se refere e se afirma pelos parâmetros dos direitos humanos dentro dos direitos econômicos, sociais e culturais, que foram tratados em convenções que todos os países, exceto os Estados Unidos, firmaram.

Esses direitos obrigam os estados nacionais a serem os efetivadores das ações, portanto eles têm que garantir o máximo de recursos disponíveis, de forma progressiva e sem discriminação, para a efetivação desses direitos. No momento em que você tira esses direitos, você diz assim, “muito bem. Vamos universalizar a energia, vamos universalizar acesso a água e tal”. Quem é que vai fazer isso? Os governos não estão presentes, estão em crise, não têm dinheiro. É o setor privado.

Seria uma privatização dos órgãos internacionais de regulação e gestão?

Quando eles colocam uma proposta de que o setor privado é prioridade e de que os direitos serão retirados, você está dando chance e abrindo as portas para que as soluções sejam dadas “business as usual”, quer dizer, dentro dos padrões de negócios que são usados comumente e que já ganharam os governos, compraram os governos e agora estão comprando as Nações Unidas.

Isso, nós da Cúpula dos Povos somos absolutamente contra. Nossa vida não está à venda. Nossa natureza não está à venda. O raciocínio não pode ser esse, o raciocínio tem que ser “os estados têm obrigações, e eles têm que ser mediadores e têm que responder aos interesses públicos dentro de processos democráticos de participação em que todos e todas sejam beneficiados”.

Não é isso que eles estão fazendo. Por exemplo, existe uma proposta de um rascunho dentro das negociações para a Rio + 20 que está definindo quais serão essas tais metas de desenvolvimento sustentável que vão substituir as tais metas do milênio, que já foram uma redução de toda uma série de debates no campo dos direitos.

Então eles estão dizendo assim; “ah, em 2030 nós vamos dobrar o uso de energia renovável”. É tudo sempre em 2030! Ora, o uso de energia renovável no mundo não chega a 4% da energia utilizada por todas as populações do planeta. Dobrar significa 8%. É nada do ponto de vista de soluções concretas, rápidas, de redução do padrão de uso energético da matriz energética baseada em recursos naturais.

Os prazos são menores?

Nós estamos esgotados! A solução tem que ser aqui e agora, “era para ontem”, não é em 2030 você chegar a 50% de um percentual que é insignificante em relação ao tamanho do problema. Essas coisas todas estão lá nos documentos, estão em jogo e estão muito evidenciadas.

Há espaço para sermos otimistas sobre essa irreversibilidade da privatização dos recursos naturais? Só como exemplo, há dez anos a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) era dada como certa e hoje está morta e enterrada. Essa “economia verde” emplaca 2022?

Olha, eu acho o seguinte. Vamos ser otimistas. A gente tem que ter a utopia e tem que sonhar, mas o otimismo para mim está ligado a uma luta consciente, concreta e pragmática que a gente tem que fazer hoje e agora na nossa vida. A gente tem que se informar e a gente tem que mobilizar.

A Rio+20 vai ser um momento fundamental de mobilizar a população, de vir às ruas, de expressar posições às coisas que estão acontecendo, como por exemplo a privatização das Nações Unidas. Ou, por exemplo, não reconhecer a importância de uma outra institucionalidade internacional que de fato lide com esses três pilares, e que o econômico se submeta às necessidades e a dignidade de vida das populações.

O otimismo vem da minha esperança que a população mundial e a população do Rio de Janeiro, a população do Brasil, acorde para a importância de olhar para esse evento que parece ser mais um “eventozinho no Rio”, mas que não é, é um dos eventos mais importantes que definirão, e aí vem um outro otimismo, que eu acho que é aonde a gente pode influenciar a partir da nossa mobilização, a agenda futura dos próximos dez anos.

Quer dizer, como é que a gente vai, primeiro, impedir que esse acordo entre governos e setor privado se realize. E como é que a gente vai dizer “não, não, não. Reconhecemos a necessidade de um setor produtivo, mas que setor produtivo nós queremos? Que estado nós queremos?”. Como nós vamos nos mover para de fato fazer uma agenda futura que responda aos direitos, necessidades, qualidade de vida, e justiça ambiental, social e econômica que as populações têm?

Porque, veja bem, fazer mensuração de mudanças dos estados, dos países, caminhando para um modelo de desenvolvimento sustentável, tudo bem, todo mundo é favorável a isso. Só que, por favor, quem foi responsável historicamente pelo padrão desagregador, predador, que tem no mundo, não fomos nós. Participamos, proporcionalmente, com parcelas ínfimas se você comparar com o que é os EUA do ponto de vista de consumo de energia no mundo e na emissão de gases de efeito estufa etc.

Então, se a gente não fizer uma “metas de desenvolvimento sustentável” que seja para os países ricos, porque eles têm que mudar o padrão de produção e consumo, e obviamente nós também, com responsabilidades diferenciadas, não começaremos a avançar.

Há caminhos para se chegar a essa proposta de responsabilidades diferenciadas?

Aí o Princípio do Rio (documento aprovado na conferência ambiental das Nações Unidas em 1992 listando 27 princípios que reforçam a soberania dos estados nacionais na gestão dos recursos naturais dentro de uma conjuntura preservacionista, inclusiva e democrática), que foi um princípio aprovado na Rio 92, é fundamental, é estrutural, é um eixo que orienta o quê deve ser esse documento. Se esse documento retira isso, por exemplo, você vai estar destruindo a possibilidade de uma agenda que vai mudar efetivamente o padrão de produção e consumo.

O meu olhar positivo e otimista é que a gente consiga influenciar essa agenda, porque nós não vamos resolver isso aqui e agora no Rio de Janeiro, mas sim determinar um processo global, porque aí sim, essas coisas vão mudar, essas coisas vão vir à tona, a consciência pública vai emergir e buscar um novo caminho planetário para os nossos desafios do momento.

Carta Maior

‘Discípula’ Dilma homenageia ‘mestre’ Maria da Conceição Tavares

A economista recebeu o prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011 das mãos da presidenta Dilma Roussef e disse estar muito otimista com o Brasil. Emocionada, Tavares revelou que foi Darcy Ribeiro quem lhe convenceu a “virar brasileira de fato”, decisão da qual se orgulha: “Ele disse que ao contrário da Europa, que ele não tinha grandes esperanças, com toda razão, o Brasil ele achava que iria ser capaz de construir uma sociedade mais homogênea, multirracial e mais democrática”.

Vinicius Mansur

Brasília – A economista Maria da Conceição Tavares foi exaltada na cerimônia em que a presidenta Dilma Roussef lhe entregou o prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011. Na abertura do evento, na manhã desta quinta-feira (17), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, escalou a economista “no time de expoentes da intelectualidade que interpretaram a sociedade brasileira”, ao lado de Gilberto Freire, Celso Furtado, Caio Prado, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Ignácio de Rangel.

“Não é qualquer país que tem o privilégio de contar com uma mulher com a sua força, uma intelectual com o seu brilho e uma militante com a sua lucidez”, elogiou.

O ministro ressaltou as contribuições de Tavares para a formação do pensamento econômico brasileiro, em especial na caracterização do crescimento da economia brasileira nos anos 1960 e 1970 e nas causas da ausência de crescimento nas duas décadas posteriores. Ele também destacou a maneira enfática e consistente com que a economista defendeu a transição do já falido modelo de produção industrial visando a substituição de importações para um modelo auto-sustentável, só possível com investimentos decisivos do setor público. ”A história recente mostrou a falência dos governos em que os ‘booms’ da economia são ditados pelo mercado”, apontou.

Raupp ainda destacou o papel de Tavares na formação de gerações de economistas, que há décadas influenciam ou mesmo definem as políticas públicas no país, e também elogiou o que chamou de “brasilidade”. “Mesmo que tenha nascido em Portugal, Maria da Conceição comporta-se como uma brasileira visceral, autêntica, exemplar para todos os demais brasileiros e brasileiras”, concluiu.

Ao assumir a palavra, emocionada, Tavares revelou que foi Darcy Ribeiro quem lhe convenceu a “virar brasileira de fato”, decisão da qual se orgulha:

“Ele disse que ao contrário da Europa, que ele não tinha grandes esperanças, com toda razão – olha o que está acontecendo, tragédia no meu continente originário -, o Brasil ele achava que iria ser capaz de construir uma sociedade mais homogênea, pluriracial e mais democrática, que ia ter a particularidade de ser a primeira sociedade deste estilo nos trópicos (…) e eu quero dizer que nesse particular, eu estou muito otimista, foi bom ter virado brasileira, foi bom ter feito a luta e é muito bom estar na companhia da minha amiga e querida discípula, a presidenta Dilma e tantos que estão aqui.”

Maria da Conceição Tavares também contou que durante o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu ir para a política “porque não adiantava mais falar nada, até porque a imprensa não nos dava nem um capítulo, tinha cara de neoliberalismo” e caracterizou este período “estranho, porque os participantes daquele governo eram historicamente progressistas” mas mudaram a Constituição – “aquela que nos custou tanto esforço” – em aspectos vitais. “Vocês imaginam o sofrimento que foi, eu arrebentei minha coluna foi aí”, disse arrancando gargalhadas do público.

Tecendo rápidos comentários sobre a conjuntura econômica mundial, a economista elogiou o Brasil por não ter ”entrado em parafuso” com a “crisona que está aí”, dando os créditos deste feito aos dois governos Lula e a continuação com o governo Dilma. “Espero que ela chegue ao fim do seu mandato com a crise vencida e com os caminhos e a estratégia de desenvolvimento desenhada em bom termo. Ou seja, espero morrer feliz por ser brasileira e infeliz por ser europeia. Isso lamento muito, mas acho que não vou conseguir passar a crise européia”, comentou com seu humor particular.

Por sua vez, a presidenta Dilma Roussef iniciou seu discurso considerando-se uma discípula de Tavares e elogiando seu compromisso com o desenvolvimento do Brasil e da América Latina. “Compromisso que sempre cumpriu tratando a economia como ela deve ser tratada: como economia política”, salientou.

De acordo com a presidenta, não houve momento importante na história do país, nas últimas décadas, sem as considerações da “nossa professora”:

“Nós hoje não admitimos mais a possibilidade de construir um país forte e rico dissociado de melhorias das condições de vida de nossa população, nem tampouco acreditamos mais na delegação da condução de nosso crescimento exclusivamente às forças de auto-regulação do mercado. Crença, aliás, que Maria da Conceição Tavares sempre, corretamente, criticou”.

Prêmio
O Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia completa 30 anos e é realizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em a parceria da Fundação Conrado Wessel e da Marinha do Brasil. Na edição de 2011, o prêmio contemplou a área de Ciências Humanas, Sociais, Letras e Artes.

Maria da Conceição Tavares é a segunda mulher a receber o prêmio, a primeira foi a socióloga Maria Isaura Pereira de Queiroz.

Tavares é graduada em Matemática pela Universidade de Lisboa e em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da qual é professora Emérita. Fez mestrado na Universidade de Paris II e doutorado em Economia da Indústria e da Tecnologia pela UFRJ. Aeconomista também lecionou nas universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Latinoamericana de Ciencias Sociales da Argentina, Nacional Autonoma do México, Pontifícia Universidade Católica do Chile e na Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre outras. Foi consultora em instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Instituto Nacional de Investigação Científica (Inic), de Portugal.

Entre os prêmios e honrarias recebidas estão o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, Ordem de Bernardo O Higgins, Gran Official, do Governo do Chile, Oficial da Ordem de Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ordem ao Mérito do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Prêmio BNDES de dissertação de mestrado.

Foi deputada federal pelo PT entre 1995 a 1999.

Fotos: Antonio Cruz/ABr

Carta Maior


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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