Arquivo para 4 de junho de 2012

SEGUNDA-FEIRA DOMINICAL

Dia das boas almas

# Completando 16 de dias de greve, os professores das universidades federais não conseguiram ver nenhum aceno de  diálogo do governo quanto às suas reivindicações. Já são 46 universidades federais que aderiram ao movimento que lutar para revisão do plano de carreira que segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior (Andes) não permite ao professor uma evolução condizente ao longo da profissão.

Dos pontos fechados pelo governo no ano passado, revisão do plano de carreira para 2013, aumento de 4%, e incorporação de gratificações, somente o primeiro ponto não continua pendente. Para discutir esse ponto, foi marcado uma reunião na semana passada no Ministério do Planejamento, mas foi adiada pelo governo por razões de “agenda”.

Mostrando-se preocupado com a paralisação, o ministro da Educação, Aluízio Mercadante, pediu que os professores retornem as salas de aulas, e explicou que a questão do plano de carreira ainda não foi resolvida em razão da morte, em janeiro, do secretário executivo do Ministério do Planejamento, Duvanier Costa, que era o responsável pela negociação salarial de todo servidor público.

Em quanto o impasse continua, a sociedade poderia aproveitar para refletir sobre dois enunciados importantes no contexto politico/produtivo do país. Um, os salários dos funcionários em um Estado burguês, como é o Brasil. Dois, a condição da universidade em ser examinadora desse Estado burguês, e sua possível transformação. O a maioria das universidades não vem fazendo. Nessas universidades os professores são simplesmente funcionários públicos que só perseguem suas carreiras e a satisfatória aposentadoria, não são nada de educadores capazes de auxiliar na transformação desse status quo do Estado burguês.

É em função da alienação desses professores que um dos principais problemas a serem solucionados quando das greves é conseguir o engajamento desses.

# Em 2011, milhares de egípcios descontes há dezenas de anos com a ditadura de Hosni Mubarak, foram às ruas, notadamente à Praça Tahrir, centro de resistência, para obrigar sua renúncia, e então começar um novo Egito sob os desígnios da liberdade do povo. Durante os protestos, as forças militares que protegiam o ditador mataram mais 850 pessoas consideradas inimigas. Os massacres comoveram outros grupos libertários no mundo todo que também se uniram com o clamor popular egípcio. Logo depois, o ditador Mubarak, não suportando a força revolucionário do povo, deixou o poder, sendo preso para esperar seu julgamento.

No sábado, saiu a sentença de seu julgamento, uma sentença que não agradou aos que lutaram por sua saída do poder. O ex-ditador foi condenado à prisão perpétua. A população egípcia queria condenação à pena de morte. Para contrariar ainda mais a opinião egípcia, seis importantes ministros e oficiais de Mubarak, foram absolvidos da acusação de participação nas 850 mortes. Assim como, os membros das forças de segurança, os dois filhos do ditador acusados de corrupção.

Diante desse veredicto, a população passou a ocupar novamente às ruas do Egito, principalmente as cidades do Cairo, Suez, Alexandria e Mansoura, para protestar contra a decisão da Corte egípcia. Para os manifestantes, esse julgamento mostra que o Egito, depois da queda do ditador, não conseguiu realizar reformas que atendessem as aspirações do povo.

Mesmo com as manifestações contrárias ao julgamento a Anistia Internacional, em comunicado, afirmou que a condenação de Mubarak é um significativo passo contra a impunidade no Egito.

Qualquer leigo em ciência política ou política marxista já sabia que as manifestações que conduziram a saída do ditador não significava uma revolução. Mesmo com toda sua potência multitude configurada pela livre decisão popular. Todavia, foi, e ainda é, mesmo o tipo de julgamento, uma clara demonstração de que os reflexos dos enunciados ocidentais nos países árabes não tem força de fundamentação ontológica.

# Antigamente chamavam, em tom ufanista, o Brasil de “pátria de chuteiras” em razão de sua familiaridade com a dendeca que lhe concederam alguns títulos futebolísticos interacionais. Inclusive as Copas do Mundo. O país era respeitado por sua abundância de craques. Garrincha, Vavá, Nilton Santos, Zito, Belline, Jairzinho, Rivelino, Zico, Falcão, Sócrates, Paulo Cezar Caju, Afonsinho, Tostão, Dirceu, Gerson, e outros não menos craues.

Hoje, em plena proximidade da realização da Copa do Mundo de 2014, o país assiste uma realidade peladeira que contraria a “pátria de chuteiras”. São milhares de pernas-de-pau esparramados nos gramados da terra do samba. Uma magna madeireira que a todo momento excita os cupins.

A redução do futebol no Brasil é tamanha que a mídia, que vive da exploração das partidas e dos patrocinadores, resolveu pegar um perna-de-pau para transformá-lo em um simulado craque. Publicar qualidades futebolísticas que o perna-de-pau não tem tentando implantar, como conteúdo da consciência do torcedor, uma névoa fantasiosa para que ele ao ver o perna em campo, ou não veja, acredite que ele é craque, o maior símbolo da Copa de 2014.

Pois foi exatamente esse perna-de-pau que os cupins do México perturbaram na peleja de ontem  que ajudou a seleção da terra de Pancho Vila vencer de 2 a 0. Pois foi exatamente esse perna-de-pau que auxiliou o Brasil a ser agora conhecido como “a pátria sem chuteiras”. Todavia, é uma transformação não de toda ruim, visto que agora arrefece o ufanismo histérico dos que antes se rejubilavam com o tal qualificativo de “pátria de chuteiras”.

A inteligência do futebol brasileiro agradece ao perna-de-pau, Neymar, por sua grande contribuição para construção dessa nova realidade: “a pátria sem chuteiras”.

Terra Firme, um quilombo urbano em Belém

Escondido pelo Fórum Social Mundial em 2009, o bairro Terra Firme, na periferia de Belém, ganhou corpo a partir da ocupação de terras públicas por uma arquitetura da palafitas. Boa parte de sua população é composta por migrantes internos ou do Nordeste, em particular do Maranhão. Apesar de estigmatizado pela violência, existem por lá inúmeras manifestações que buscam a amplificação da cidadania, a exemplo do Coletivo Casa Preta, Polo São Pedro e Boi Marronzinho.

Daniel Leite Jr e Rogério Almeida*

O Brasil é o país que concentra a maior parcela da principal floresta tropical do mundo, a Amazônia. Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela são os demais países onde incide a floresta. Do território nacional, cerca de 61% é constituído pela Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, oeste do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), com uma população estimada em 20 milhões de pessoas.

A floresta é um mundo de gentes, olhares, saberes, cores, cheiros e histórias. A abundância de recursos florestais, minerais e hídricos a torna alvo dos mais diferentes interesses em variadas dimensões: econômicas, sociais, políticas e ambientais. E em escalas: local, regional, nacional e global, onde o direito à propriedade privada sobre a terra tem se sobreposto à posse ancestral.

Um mundo de água integra a paisagem da vasta Amazônia. Água de igarapés, furos e rios. Muitos rios. Sem falar da água da chuva.  As principais capitais, Manaus e Belém, cresceram de costas para esse mundo das águas. A sufocar tudo que foi possível em nome da especulação imobiliária. Um rio-mar de gentes inunda a região.
O olhar do colonizador a sintetizou sob uma perspectiva exótica: natureza exuberante, eldorado, paraíso perdido, vazio demográfico ou inferno verde. A população originária, quando citada nos relatos, sempre foi tratada como inferior. Uma forma de legitimar a instalação da “civilização” interpretam alguns observadores. Horizonte que os discursos midiáticos dos estados centrais atualizam.

Há cidades na Amazônia. A Amazônia é uma floresta urbana, enfatizou a professora Bertha Becker na década de 1970, baseada em dados censitários. Belém é uma delas. A principal capital da região é quase uma ilha. Dos 505.823 km2, 332.037 km2 é região insular (65,64%), formada por 43 ilhas. Sob um clima quente úmido, numa temperatura média de 30º C, é o comércio e a prestação de serviço que fazem a cidade se mover economicamente. A hidrografia é rica: furos, igarapés, rios e baías. Tanto em sua parte continental quanto na insular. Baía do Guajará, baía do Marajó, baía de Santo Antônio, baía do Sol, rio Guamá, rio Murubira, rio Mari-Mari, igarapé do Tucunduba são alguns dos recursos que compõem a península.

O Tucunduba corta vários bairros de Belém, entre eles, a Terra Firme. Nascido na década de 1950, o bairro ganhou corpo a partir da ocupação de terras públicas em áreas aqui tratadas de baixadas (favelas), onde predomina a arquitetura da palafita. O bairro que tem cerca de 60 mil habitantes acumulou áreas da Universidade Federal do Pará (UFPA), da antiga Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e do Museu Paraense Emílio Goeldi.  Boa parte da população da área é composta por migrantes internos ou do Nordeste, em particular do Maranhão.
No território estigmatizado pela violência, os serviços elementares ou inexistem ou são precários: saneamento (drenagem e tratamento dos esgotos domiciliares, industriais e comerciais), fornecimento de água, coleta e tratamento de lixo. O mesmo canal que aproxima os produtores de hortifrutigranjeiros do arquipélago de Marajó, e outras regiões, é o mesmo possibilita o tráfico de drogas. Baixo nível de escolaridade, desemprego, subemprego e violência conformam a aquarela da pobreza. 
Relatório da Caixa Econômica Federal (2003) elaborado pelo Centro Sócio Econômico da UFPA, Curso de Serviço Social e Departamento de Políticas e Trabalhos Sociais, sob a coordenação da professora Maria José Barbosa e consultoria do professor Alfredo Wagner Berno de Almeida, indicava que 96,28% da população da região metropolitana de Belém absorvem 24,80% da renda, enquanto uma minoria, isto é, 3,72% da população absorvem 75,20% da renda gerada. A renda familiar no bairro da Terra Firme oscila entre meio a dois salários mínimos. A informalidade absorve a maior parte da força de trabalho.

Desde a década de 1990, o Tucunduba passa por um projeto de macrodrenagem. No começo da década de 2000, o projeto foi laureado com o prêmio “Caixa Melhores Práticas em Gestão Local”, e foi apresentado como exemplo de novas práticas de gestão da cidade na Conferência Habitat, da Organização das Nações Unidas (ONU). A política de saneamento básico integrou várias dimensões: geração de renda, sustentabilidade, empoderamento local, gênero e multiculturalismo. Além da Terra Firme, o Tucunduba  atravessa os bairros do Marco, Guamá e Canudos, um perímetro da cidade considerado zona vermelha pelos órgãos de segurança do estado.
Em 2009, a região integrou o Território do Fórum Social Mundial. A relação entre a coordenação do evento e a população do bairro foi tensa. Jaime Soares, na época mestrando em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP), refletiu sobre o assunto. Soares avalia que a coordenação do FSM de Belém tentou ocultar a situação delicada em que vive o entorno do território escolhido para a realização do Fórum.

Sobre a situação de conflito o autor alerta para a tentativa de ocultação da região, e a não participação das pessoas do entorno na agenda de ações do FSM. O artigo registra que nos mapas divulgados pela organização do evento e dos órgãos públicos, a periferia é apresentada como área verde. O pagamento de taxas e a solicitação de crachás pelos seguranças nos locais de acesso aos debates são indicados como pontos de contradição da organização local do FSM.

Soares sublinha que a não inclusão cultural, econômica e social da Terra Firme ao Fórum fere o principio de orientação da rede, que em linhas gerais, visa o não colonialismo e o combate ao neoliberalismo. O autor enfatiza, ainda, a contradição da coordenação local do Fórum, que ao invés de promover a inclusão da população do bairro, usou de expediente conservador, que se traduz em mobilizar a Secretaria de Segurança para isolar a Terra Firme das áreas da UFRA e da UFPA, locais da realização dos seminários e atos culturais durante o Fórum.
O controle social sobre a região incluía toque de recolher, e proibia festas de aparelhagem, equipamentos sonoros que embalam as festas de brega. Apesar do estigmatizado signo da violência que pesa sobre o bairro, há na Terra Firme inúmeras manifestações que buscam a amplificação da cidadania, a exemplo do Coletivo Casa Preta, Polo São Pedro e Boi Marronzinho.

Casa Preta – Terra Firme ou Montese? O nome exato do bairro é uma dúvida desnecessária, pois basta circular pelos arredores do bairro que rápido o corpo percebe a rigidez da terra, ao lado do rio que contorna o ambiente, e incorpora o nome popular da área.
Atualmente a região passa por um processo de combate e prevenção a violência. A ação da PM privilegia lugares considerados de risco, aos moldes das UPPs do Rio de Janeiro. No mesmo cenário há algum tempo, ações culturais protagonizam a ampliação da cidadania. No mesmo local pode-se encontrar experimentos de instituições de pesquisa e ensino, a exemplo do projeto Território da Memória, do Museu Paraense Emilio Goeldi. No entanto, as pautas dos jornais insistem em contemplar o aspecto negativo do lugar. Os principais jornais de Belém, Diário do Pará e O Liberal lideram pesquisa em andamento da Agência Nacional dos Direitos da Infância (Andi), em matérias sobre adolescentes em situações de conflito com a Lei.

Observador um pouco mais cuidadoso encontrará dimensões interessantes para além da superfície das pautas factuais. Exemplo disso é a realização de oficinas de construção de instrumentos musicais e percussão da Casa Preta. A iniciativa tem como um dos ponta de lança o ativista cultural Anderson de Souza Ferreira, mais conhecido como “Don Perna”. O migrante da periferia de Campinas, estado de São Paulo, aprendeu o que é cultura nas ruas. Ferreira além de percussionista é ciberativista e dj. Fala com entusiasmo dos mestres de percussão e capoeira com quem teve contato no processo de aprendizado sobre o universo da cultura de matriz africana.

É esta a opção do Coletivo “Casa Preta”: cultura de matriz africana. A ONG integra a Rede Mocambos, que atua nos estados do Pará, Maranhão, Amapá, Acre, Porto Velho e Manaus. Um dos objetivos da rede é incentivar e reafirmar a identidade da cultura negra. É este segmento que configura boa parte da população do bairro. O horizonte das ações possui como pano de fundo motivar a reflexão sobre a cidadania, cultura, paz, negritude, literatura, cinema e música.
O Projeto Bloco Firme, selecionado pelo Programa Territórios de Paz do Ministério da Cultura no ano de 2011, por via do Programa Mais Cultura é uma das âncoras do coletivo. A inciativa do ministério colabora para a geração de recursos econômicos para os projetos, dando estabilidade às pequenas iniciativas de incentivo a grupos artísticos independentes, grupos étnicos de tradição cultural e pequenos produtores culturais. O projeto resulta de uma parceria com a Justiça Federal através do Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), que visa oportunizar o acesso à produção, ao consumo e ao reconhecimento de bens culturais.

Casa Preta-Bloco Firme acontece no espaço “Polo São Pedro” que é vinculado à Igreja São Domingos de Gusmão, liderado pelo Padre Bruno, histórico ativista pela garantia dos direitos da criança e do adolescente. Cinco eixos orientam a atuação do coletivo, são eles: a) Cultura Ancestral – realiza oficinas de dança afro, construção de tambores, formação do Bloco Firme; b) Cultura Afro Contemporânea – contempla a cultura hip hop e eventos culturais; c) Cultura Digital –  incentiva a apropriação tecnológica a partir do conhecimento de softwares livres; d) Formação Política – atua com diferentes metodologias em comunidades urbanas e rurais para difusão, construção e desenvolvimento pautado em modelos de colaboração comunitária, com contornos de filosofia afro quilombola; e) Empreendimentos Solidários – busca a criação da microempresa “NEGOOCIO” que oferecerá serviços de desenvolvimento na web (sites, e-comerce, blogs e outros), e a articulação da Rota de Escambo Baobá.
Don Perna que é o oficineiro para a construção de instrumentos e de percussão, acredita que a partir das oficinas, exibição de filmes e debates, troca de experiências com parceiros locais e de outros estados é possível provocar a reflexão sobre a identidade cultural dos jovens. Ele acredita que a prática experimental pode levar a uma compreensão e valorização dos ritmos e danças que fazem parte da alma antropofágica da diversidade cultural do país. E a partir daí estimular uma nova abordagem crítica sobre a história e a consciência do indivíduo dentro da comunidade.

As oficinas ocorrem por cerca de duas horas, duas vezes por semana. Sempre no início das noites de terça e quinta, e aglutinam uns 15 jovens, entre 12 a 22 anos. Yasmin Minami soma 18 anos, faz o curso médio na escola pública Mário Barbosa. Tem feição indígena. É uma das meninas que tocam a alfaia, um instrumento típico do maracatu de Pernambuco. A adolescente lembra que reconheceu em si outras culturas, outras pessoas que não imaginaria. “O projeto ajuda a estimular os valores culturais da pessoa que sou. Passei a reconhecer o espaço em que nasci e vivo de outra maneira,” avalia a jovem. No mês de abril ela e mais duas adolescentes participaram de um encontro cultural em Minas Gerais. Foi a primeira vez que viajaram de avião.

O Polo São Pedro cede espaço para as oficinas do Casa Preta. Nele ocorrem desde 2006, um cipoal de atividades culturais que visam incrementar a autoestima da juventude do bairro. Tem o status de ponto de cultura onde são realizadas agendas culturais no campo do teatro, canto coral, violão, flauta, percussão e dança. Um dos grupos surgidos foi o Sementes da Terra.

O casal Odiléia e Edson Lima é responsável pelos projetos do polo, que demoraram cerca de seis meses para serem formatados. Ele buscava, via cultura, uma forma diferente de evangelizar e debater a cidadania num território marcado pela violência e tráfico de drogas.  Os oito oficineiros são voluntários.  No ano de 2011 as experiências chegaram a mobilizar perto de 300 pessoas.

Mas, no ano de 2012 as atividades ainda não foram iniciadas.  Odiléia Lima informa que o Ponto de Cultura deveria ter recursos para três anos. No entanto, o polo recebeu somente durante um ano. A coordenação ainda aguarda recursos do governo federal e pleiteia, via projetos, colaboração em outras fontes.

Boi Marronzinho – Na lavoura cultural da terra firme existem terreiros de umbanda, blocos de carnaval, reggae, quadrilha de São João, boi bumbá e institutos de cultura. Um dos mais antigos é o Boi Marronzinho. Soma perto de 20 anos.

Como outras iniciativas, surgiu como ferramenta para enfrentar a violência e ampliar a cidadania. Emergiu na passagem Brasília, da inquietação de um senhor conhecido como Cici e da dona Nazaré. Casal radicado no lugar há mais de 50 anos. Ao cabo da viagem, parece que um rio de gente que busca dignidade corre no bairro da Terra Firme.
* Daniel Leite Jr é estudante do 3º período de Jornalismo da Universidade da Amazônia (Unama) e bolsista da Agência Unama pelo Direito da Criança e do Adolescente (Agência Unama). Rogério Almeida é professor da Unama e coordena o projeto de extensão Agência Unama.

Carta Maior

Desaparecidos: familiares criticam governo de SP por omissão

O governador Geraldo Alckmin vetou projeto de lei que criaria cadastro estadual com características físicas e dados genéticos de pessoas desaparecidas. Para familiares e organizações da sociedade civil, delegacias não estão preparadas e o problema se repete em todo o país. Além da negligência, há casos em que o próprio Estado é responsável pelo desaparecimento forçado de pessoas. São Paulo registra o maior número de desaparecidos no país. A reportage, é de Bia Barbosa.

Bia Barbosa

São Paulo – Em novembro de 1992, quando estava indo para a escola, a adolescente Fabiana Renata, de 14 anos, desapareceu. Até hoje, sua família busca notícias de seu paradeiro. Sua mãe, Vera Lúcia Ranu, transformou a dor em uma luta e, desde então, tem atuado em diferentes organizações de busca de pessoas desaparecidas no país. “Nós, mães de desaparecidos, não vivemos, mas sobrevivemos entre a angústia da perda e a dor da espera”, disse na última sexta-feira (01), em uma sessão solene sobre o tema realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo.
O estado é o que registra o maior número de desaparecidos no país. Os números, no entanto, são imprecisos e conflitantes. Segundo a Delegacia de Proteção à Pessoa, a única que cuida do assunto em todo o estado, de 2005 a 2009 foram registrados 8 mil desaparecimentos em São Paulo.

Outras estatísticas do poder público falam em uma média de 11 desaparecimentos por dia no estado. Nacionalmente, o problema é o mesmo. Enquanto o Ministério da Justiça registrou apenas 1194 ocorrências ate 2010, a Secretaria Especial de Direitos Humanos fala em até 10 mil ocorrências por ano.

Está em funcionamento um cadastro nacional de pessoas desaparecidas, mas que depende da alimentação de dados dos estados para ter eficácia. Para enfrentar este problema, foi apresentado, votado e aprovado em São Paulo um projeto de lei (PL 463/11), de autoria do deputado estadual Hamilton Pereira (PT) de criação de um cadastro paulista, que contaria com um banco de dados com características físicas e também um banco de dados genéticos, para identificar pessoas que são encontradas mortas e acabam sendo enterradas como indigentes – quando há uma família em sua busca.

Remetido para sanção do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a lei foi vetada em sua integralidade. Os tucanos alegam que não há necessidade do cadastro, já que o nacional já cumpriria este papel. Em resposta, o governo paulista anunciou a criação de um programa para envelhecer fotos de crianças e jovens que estão desaparecidos há muito tempo.
“A medida é importante, mas isso é muito pouco perto do necessário. Nossa luta agora então é para derrubar o veto do governador. A Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia já apreciou o veto e nos deu parecer favorável”, explicou o deputado Hamilton Pereira. “Inúmeras famílias vivem diariamente esta angústia, sem saber se seus filhos estão em cativeiros, sob tortura, etc. As informações do cadastro ficariam abertas para todos os órgãos públicos e para a rede de entidades da sociedade civil”, disse.

Na avaliação da Ouvidoria da Defensoria Pública de SP, o cadastro estadual pode ser um caminho para que, além das pessoas, não desapareça também a confiança da sociedade no poder público. Uma CPI realizada em Brasília em 2008 apontou, no entanto, que a existência de cadastros estaduais e de um cadastro nacional, apesar de ajudar, não explica como se deu o desaparecimento e o que foi feito para resolvê-lo. O relatório final da CPI aponta para uma omissão do poder público em geral, incluindo a ausência de dados sobre este problema.
“As delegacias e os policiais não estão preparados para lidar com casos de desaparecimento. Se, por um lado, podem não ter o suporte necessário para fazer o trabalho, por outro recebem as mães e registram burocraticamente os casos. A Academia de Polícia de São Paulo também não tem estudos sobre os desaparecidos”, conta André Feitosa de Alcântara, advogado da Fundação Criança, de São Bernardo do Campo (SP), que desenvolve um programa de enfrentamento ao desaparecimento de crianças e adolescentes.

A ausência de uma definição legal para desaparecimentos é usada muitas vezes pelas autoridades para se desresponsabilizarem pelo problema. Como não necessariamente há um crime em curso – há casos de fuga da família, por exemplo – , não deslocam o aparato policial para solucionar o caso.

Omissão e ação Além da negligência, há casos em que o próprio Estado é responsável pelo desaparecimento forçado de pessoas. Na sessão solene realizada na última sexta-feira na Assembléia de São Paulo, foi lembrado o caso de maio de 2006, quando, entre apenas 10 dias, cerca de 460 morreram ou foram dadas como desaparecidas numa reação da Polícia Militar a ataques sofridos pelo PCC, facção do crime organizado que atua no estado.

“No começo da matança de 2006, com a autorização do Estado, pessoas foram enterradas em covas coletivas como indigentes. A Secretaria de Direitos Humanos tem a relação de 19 desses corpos. Precisamos saber onde, para fazer o exame de DNA, identificar essas pessoas e acabar com esta tortura das famílias. Do contrário, esses corpos serão incinerados mais pra frente e as pessoas não serão localizadas nunca mais”, explicou Débora Maria, da organização Mães de Maio da Baixada Santista.
Familiares de mortos e desaparecidos políticos do período da ditadura militar também foram homenageados na sessão solene. Laura Petit, que perdeu três irmãos assassinados na Guerrilha do Araguaia, até hoje busca seus restos mortais. Somente o corpo de Maria Lúcia foi encontrado, em 1991. “No dia 16 de junho, completam-se 40 anos que minha irmã foi assassinada, aos 24 anos. Ela viveu menos tempo do que a espera de minha mãe em encontrá-la. E até hoje não pudemos dar um sepultamento digno a meus outros dois irmãos, que seguem desaparecidos”, disse.

Em 2010, o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos a devolver às famílias os restos mortais dos guerrilheiros assassinados pelo Estado no Araguaia, e também a punir seus responsáveis. Até hoje a sentença não foi cumprida.

Carta Maior


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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