Arquivo para 16 de junho de 2012

SABATINA MIDIÁTICA

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade.

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade. Jean Baudr

@ Pretendendo estabelecer uma nova ordem de trabalho para as delegações dos 193 países que estão presentes nas reuniões, o Brasil assumiu, ontem a noite, o comando da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. A decisão é para até o dia 19 o documento estar fechado, e com isso evitar constrangimentos aos 115 chefes de Estado e de governo, entre os dias 20 e 22. O governo brasileiro procura encontrar consenso. Se o consenso não for conseguido, os grupos trabalhem sobre os temas chaves que não conseguiram consenso.

Quatro grande grupos de trabalho estão programados inicialmente. O primeiro trata dos meios de implementação, as definições de metas para longo, curto e médio prazo. O segundo o que vai discriminar as ações para a governança global. O terceiro o que vai definir as metas relativas ao desenvolvimento sustentável. Quarto as propostas relativas à economia verde.

Os embaixadores José Corrêa do Lago, chefe da delegação brasileira na conferência, e Luiz Alberto Figueiredo Machado, secretário executivo da delegação brasileira, comandarão a presidência da Rio+20, depois que o brasil assumir. O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, ficará no comando-geral.

A presidenta Dilma Vana Rousseff, do dia 20 até o dia 22, assumirá o comando nas reuniões plenárias. Durante esse tempo, os negociadores se preocuparão em se articular para que as controvérsias mínimas sejam encaminhadas aos líderes políticos nas reuniões de alto nível.

O grande entrave se encontra na posição dos países europeus em relação a economia verde que pretendem fixar um programa mundial com normas e regras, mas que os países em desenvolvimento integrantes do G77 não aceitam porque não atende aos interesses dos países pobres.

Na verdade, trata-se de mais uma estratégia imperialista para dominar o que hoje é de maior importância para o homem. A Europa e os Estados Unidos cogitam uma economia verde em que eles comandem quando eles, como consumidores maiores das produções do planeta, foram e são os maiores predadores do planeta.

A Cúpula dos Povos que é uma produção da sociedade civil com o objetivo de se opor aos posicionamentos oficiais da Rio+20, expressão da subjetividade capitalística construída pelo capitalismo mundial integrado (CMI), abriu ontem, dia 15, suas atividades no Aterro do Flamengo. Uma espécie de território livre para todos que pretendem cogitar uma nova sociedade com uma realidade solidária em que as classes possam ser fundadoras suas fundadoras. Durante suas atuações a Cúpula dos Povos irá mobilizar a sociedade para pressionar os líderes globais que participam da Rio+20. 

A Cúpula dos Povos é um discurso libertário que teve como subjetividade orientadora a  o Fórum Global da Rio92 que foi o primeiro grande encontro internacional da sociedade civil, também acontecido no Aterro do Flamengo.

Segundo a líder ativista norte-americana, Cindy Wiesner, integrante do Grassrosts Global Justice Aliance, uma das 35 redes internacionais responsáveis pelo evento, a cúpula vai discutir problemas ambientais, econômicos, sociais, raciais, religiosos, políticos e das minorias nos moldes dos protestos de Wall Street, que ocorre em Nova York.

“Aqui estão os verdadeiros defensores dos direitos da população. No Riocentro estão o outro 1%, como dizemos em nosso movimento. Não confiamos nas decisões que irão tomar”, disse Cindy.

Afirmando que quase todas as representações encontram-se no evento, como quilombolas, mulheres, indígenas, negros, estudantes, pequenos agricultores e outros grupos, Luiz Zarref, coordenador da Via Campesina, disse também que a Cúpula dos Povos é o contraponto da Rio+20.

“Nossa expectativa na conferência é que não vai haver benefício para os povos, para o planeta, para o meio ambiente, e sim uma nova engenharia do sistema capitalista que está em crise, e está tentando descobrir novas ferramentas para se apropriar dos países do sul”, analisou Zarref.

Como os participantes da cúpula ainda não se completaram, organizadores esperam a chegada de mais de 15 mil pessoas que serão alojadas em escolas públicas, Sambódromo e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Serão mais 1.200 atividades que se sucederão até o dia 23, com a expectativa de que pelo menos 25 a 30 mil pessoas passem diariamente pelo evento.

Diriam os filósofos Machiavel e Spinoza que é a manifestação da potência multitudo tentando escapar do Estado de Direito opressor, reflexo do capitalismo paranoico. Ou como diria o filósofo Toni Negri, uma produção constituinte de uma nova potência social de agir. A produção alegre de viver.  

O mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso junto com seu bando no dia 19 de fevereiro pela Polícia Federal por força das operações Vegas e Monte Carlo, foi solto, mas não sentiu o sabor da liberdade. É que o desembargador, Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), que já soltou outros presos envolvidos na quadrilha de Cachoeira, concedeu um habeas-corpus para sua soltura.

Tourinho em seu parecer afirmou que não há mais motivo para Carlinho Cachoeira permanecer preso devido a Operação Monte Carlo, que o investigou sobre um esquema de corrupção, tráfico de influência e exploração de jogos ilegais. Para Tourinho a organização chefiada pro Carlinhos Cachoeira foi desfeita pela Polícia Federal. Assim, o cenário que foi responsável pela decretação de sua prisão preventiva não existe mais.

“Atualmente, o quadro é outro, a poeira assentou. A excepcionalidade da prisão preventiva já pode ser afastada”, sentenciou empoeirado o desembargador.  

Só que no caminho de Tourinho, havia uma Operação Saint-Michel que apurou fraudes na área de transporte público, onde Cachoeira está incluso. A informação de que o mafioso deverá continuar foi divulgada pela assessoria do Ministério Público Do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Iniciada no Distrito Federal (DF) a Operação Saint-Michel, tem material da Operação Monte Carlo, mostrando o grupo de Carlinhos Cachoeira como  suspeito de fraude em licitação para selecionar o operador do sistema de bilhetagem eletrônica no sistema de transporte coletivo do DF.

Essa operação deflagrada em abril, prendeu o diretor de construções da empresa Delta, Cláudio Abreu, e mais outros envolvidos.

Verdadeira vitória de Pirro do contraventor Carlinhos Cachoeira. O embaixador lhe mada soltar, mas Saint-Michel manda ficar. A continuidade da prisão de Carlinhos Cachoeira, por outro crime, mostra o quanto o contraventor é polivalente em suas ações perniciosos.

@ Desesperado com possível cassação – o que seria um bem para democracia -, o senador ex-campeão da moral parlamentar, Demóstenes Sem Partido Torres, depois de ver sua intenção de impedir a leitura do pedido de sua cassação na segunda-feira pela Comissão de Ética negada pela ministra Cármen Lúcia, entrou com outro mandado de segurança pedindo a suspensão do processo que sofre na Comissão de Ética do Senado.

Em sua apreciação a ministra Cármen Lúcia argumentou que ao Judiciário não cabe interferir em atos internos do Legislativo.

“Está-se diante de matéria configuradora de ato interna corporis, imune ao controle judicial”, disse a ministra Cármen Lúcia. 

Nos mesmos moldes do primeiro mandado de segurança, os advogados de Demóstenes, argumentam que a Comissão de Ética encontra-se desrespeitando prazos processuais ao marcar para segunda-feira a apresentação do relatório do senador Humberto Costa (PT/PE), e logo em seguida a votação do documento.

“Tal prematuro agendamento denota claramente que o senador relator, ao que parece, não pretende levar em consideração qualquer tese defensiva que será aposta em alegações finais, num evidente prejulgamento que, salvo melhor juízo, parece tendera inclinações nocivas à presunção de inocência”, disseram os advogados de Demóstenes.

Para piorar o desespero do senador amicíssimo de Carlinhos Cachoeira, o processo foi novamente distribuído para a ministra Cármen Lúcia. Parece que com tanto mandado de segurança os advogados de Demóstenes pretendem matar o STF no cansaço.

Alberto Sordi e a mídia nativa

Por: Mino Carta

Lembrei-me de um filme de Alberto Sordi, tempos de comédia à italiana. Não recordo o título, mas de uma sequência a seu modo antológica. A mulher sai de viagem e o marido, Sordi, decide convocar a amante em domicílio. Golpe de cena. A dona da casa antecipa o retorno sem pré-aviso e encontra os dois na cama que supunha ser da sua frequentação exclusiva.

Tragédia? Os gritos da legítima chegam ao céu enquanto Sordi e a clandestina, impassíveis, erguem-se do tálamo e com extrema precisão nos gestos, e sem apressar o ritmo, retomam seus trajes e os envergam um a um. Enfim vestida, a amante sai do quarto de passo altaneiro. A esposa traída continua aos berros e Sordi pergunta, pacato: “Mas que aconteceu?” “Sem-vergonha – uiva a mulher –, você ousa trazer a amante para a nossa casa.” “Mas que amante? Nunca tive amante…” “Estava com você, na cama, seu desgraçado!” “Quem? Como? Cadê a senhora em questão? Ora, este quarto está exatamente como você o deixou. Você inventa, sofre de miragens, sonha de olhos abertos, deve estar doente…”

Veio a lembrança por causa da semelhança entre o comportamento de Sordi e aquele da mídia nativa, a despeito de uma diferença flagrante: o ator suscita a risada, mas a personagem é obviamente paradoxal, a mídia nativa atua no mundo real e não faz rir. Além disso, não se parecem a plateia verde-amarela e a mulher traída. Quem pretende saber das coisas exclusivamente por meio dos jornalões, do Jornal Nacional e emissoras de rádio e tevê assemelhadas, não terá motivo algum para protestar, acreditará nas verdades do jornalismo pátrio.

Sordi interpreta uma ficção farsesca. Já uma fatia de brasileiros vive uma farsa sem dar-se conta, presa da convicção da mídia de que tudo quanto não noticia simplesmente não aconteceu. E isto sim deixa de ser farsa para ganhar foros no mínimo de drama. Leio que mídia e diversão movimentaram no Brasil 1,6 trilhão de dólares no ano passado, o que, nesta classificação, coloca o País em nono lugar no mundo. O número impressiona. Induz, porém, a uma consideração inescapável: parte deste rio de dinheiro não é gasto para o bem da Nação.

Ocorre-me um exemplo recente, vamos intitulá-lo “O incrível Caso Gilmar Mendes”. Há três semanas as gravíssimas acusações dirigidas pelo ministro do Supremo contra o ex-presidente Lula tomaram conta do noticiário e contaram com manchetes retumbantes. Tratava-se, segundo a mídia nativa, de um dos maiores escândalos da história da República desde que à palavra de Mendes foi dado crédito absoluto antes mesmo de uma apuração superficial. O acusador, rapidamente, soçobrou em suas próprias contradições e sobre o naufrágio o silêncio se fechou para relegar ao esquecimento uma crise que, de acordo com a profecia midiática, haveria de comprometer o futuro do governo e do País. Se quiserem os críticos mais olímpicos, “O incrível Caso Gilmar Mendes” comprova apenas que nenhuma bala é perdida.

A suspeição de Gilmar Mendes no julgamento do chamado mensalão é evidente até na percepção do mundo mineral. Caluda, no entanto, e não se fale mais nisso. Assunto enterrado, e não é como a cabeça do avestruz, mesmo porque a minoria privilegiada cai alegremente no engodo sem atentar para o engano. Agora, observem. Na edição da semana passada de CartaCapital o repórter Leandro Fortes revela algumas grandes mazelas do professor Gilmar, contraventor como sócio de um instituto de ensino na -quali-dade de magistrado e acusado de falcatruas por outro que lhe seguiu as pegadas. A questão é séria e formulada com a devida solidez. Em outro país democrático e civilizado, e em circunstâncias análogas, a mídia iria atrás. Repercutiria, como se diz. Aqui, silêncio abissal.

Eis um trivial, como arroz e feijão. Disse, e me arrependo, infelizmente o arroz e o feijão já eram, soou a hora sinistra das fritas com ketchup e dos Big Macs. Eis o clássico atual que se presta à comparação. A mídia nativa só oferece eco imediato às denúncias de quem pensa igual, independentemente da consistência da denúncia. Assim há de ser, a demonstrar que o fato não se deu se não for noticiado pelos eleitos. Donde, omissão absoluta em relação à reportagem de Leandro Fortes.

Única exceção a coluna de Elio Gaspari, e mesmo assim sem citar CartaCapital. Consta que tal é o estilo do colunista, falar de quem escreve e não de quem publica. Talvez ele se inspire em sua própria situação, a de quem cabe nas páginas de órgãos diversos, embora todos alinhados do lado dos inquisidores da reação. Declinar o nome de quem publica é, contudo, importante. Eu me pergunto se a reportagem de Leandro Fortes acharia espaço, por exemplo, na Veja, ou em O Globo.

Economia criativa ilimitada


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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