Arquivo para 18 de junho de 2012

SEGUNDA-FEIRA DOMINICAL

Dia das boas almas

# Até o dia de hoje, 18, os 115 chefes de Estados e governos que participam da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, vão discutir os compromissos de seus países com o desenvolvimento sustentável e como estão vendo o que ocorre agora no mundo. Essa discussão visa fechar o documento que será entregue a cada representante dos Estados e governos para o documento não seja entregue inconclusivo ao líderes dos Estados. Essa é a posição do secretário executivo da Rio+20, Luiz Alberto Figueiredo Machado. Para ele o documento deve ser considerado como avanço.

“O documento não irá para chefes como está. É para ser fechado antes da conferência. Os chefes vão debater temas que sempre debatem, em quatro mesas redondas, eles discutirão como implementar decisões.

O texto não só impede retrocessos como traz avanços em várias áreas, como criar objetivos de desenvolvimento sustentável. E isso marcará a cooperação internacional nas próximas décadas. Isso não é pouca coisa.

O clima é muito bom nesses grupos de negociações porque todos estão aqui para chegar a um resultado. Há um clima de apoio ao Brasil e de reconhecimento aos esforços brasileiros. Percebemos isso em todos os níveis da negociação”, comentou Figueiredo Machado.

Os índios Pataxó, da Bahia, que se encontram instalados no Acampamento Terra Livre, erguido no Sambódromo, participando da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, sofreram um atentado gastronômico. Passarem o dia todo só comendo – não se alimentando – pão e mortadela – pois isso não é alimento, porque na hora do almoço as 15 etnias receberam quentinhas com comida estragada.

Diante do atentado gastronômico eles ficaram cabreiros imaginando o jantar. Se a comida viria também estragada, porque até aquele momento ninguém adoecera, visto que nenhum índio comeu o dito mata broca. Tudo em função de seu instinto aguçado diante da cultura do homem branco, Sabedor do que o branco é capaz, os índios desconfiaram da comida e ninguém se arriscou. E como índio não é otário, embora alguns otários brancos acreditem, eles fizeram a denúncia durante um debate sobre soberania alimentar. Uma grande ironia.

Do alto de seu direitos, os índios ficaram indignados e protestaram, como foi o caso do índio Yanomami, Kopenão, de Roraima, que protestou dizendo “que nem animal comia aquilo”.

“Não é comida para cachorro, é comida contaminada que se dá para os indígenas. Somos seres humanos. Nem animal comia aquilo. Vimos na hora”, protestou Kopenão.

Mucaxo Pataxó, da Aldeia Guaxuma, de Porto Seguro, foi mais além reivindicando seu direito como quem “tem costume de comer coisa boa”.

“Não comi porque dava para reconhecer. Como representante dos nossos parentes aqui, na hora vi que a comida não dava para comer e devolvi. A gente tem costume de comer coisa boa, apesar de ser índio. Por que tratam a gente assim?”, observou Mucaxo Pataxó.

De acordo com Srewe, de Tocantins, representante da etnia Xerente,um dos índios que participou duramente do protesto contra a comida contaminada, foi preciso interromper o debate para a situação fosse discutida.

“Desde ontem, já tinha reclamação que a comida não era de qualidade. Hoje, infelizmente, os povos indígenas não aguentaram. Não estamos acostumados a isso”, protestou Srewe.

# Bem que os advogados de defesa de Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso junto com seu bando pela Polícia Federal por ação das operações Vegas e Monte Carlo, impulsionados pela decisão da juíza em conceder habeas-corpus para parte do bando, tentaram um habeas-corpus para o libertarem das grades do presídio da Papuda, em Brasília. Depois que o desembargador do “assentou a poeira”, Tourinho Neto lhe concedeu o habeas-corpus referente às operações Vegas e Monte Carlo, que lhe libertaria da prisão, os advogados de Carlinhos Cachoeira entraram na onda do otimismo e tentaram outro habeas-corpus para soltá-lo. Dessa vez referente a operação Saint-Michel.

Só que a decisão não estava sob o poder do desembargador Tourinho, mas sob a percepção e o entendimento do desembargador Sérgio Bittencourt, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) que considerou os argumentos da juíza da primeira instância de que as “investigações mostram ser o paciente o líder de uma organização criminosa com complexas relações ilícitas, que envolvem autoridades de grande influência em Poderes da República, o que justifica a manutenção da prisão para a garantia da ordem pública”.

Ou seja, o que o desembargador Tourinho Neto não viu, o desembargador Bittencourt viu e tomou sua decisão. Para a juíza e para Bittencourt, Carlinhos Cachoeira é um perigo solto. Não só para os dois, mas também para a maior parte de sociedade civil.

# Greve dos professores das Universidades Federais que completou mais de um mês continua sem perspectiva de acordo e, consequentemente, fim. A posição é do comando de greve para quem o governo federal não tem apresentado propostas concretas, realizáveis, que possam levar os professores à acreditarem. De acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), mesmo que o governo apresente uma proposta boa a greve não será encerrada.

Esperamos que o governo pare de enrolar e apresente uma proposta concreta. Esperamos que haja algo objetivo para que, a partir daí, possamos iniciar um processo de negociação. O fim da greve sequer está na nossa pauta.

Temos recebido uma resposta de acolhimento por parte da sociedade. Esse  é um movimento vitorioso porque a sociedade não se engana mais com discursos vazios. A sociedade está percebendo que a pior crise do país é a da falta de políticas públicas para a educação.

Estamos, desde o segundo semestre de 2010, esperando propostas concretas do governo para podermos conversar com a categoria e isso não aconteceu. Não deu para acreditar que o governo chegou falando em “trégua”. Foi uma coisa fora da realidade”, observou Luiz Henrique Schuch, primeiro vice-presidente da Andes.

O governo federal se comprometeu no dia 17, terça-feira, apresentar uma proposta para o plano de carreira dos professores.

Enquanto a EuroCopa está apresentando algumas boas jogadas com as seleções da Europa, o Peladão Brasileiro vai na sua marcha-imóvel. O Periquito quando aprecia que ia conseguir sua primeira vitória contra o Vascão, eis que trabalha contra si mesmo e os cruzmaltinos empatam a pelada. O Vascão continua continua na primeira posição, mas poderia ser o Periquito mesmo com apenas dois pontos em cinco rodadas. O que para tirar as broncas ele afirma que é por causa da Copa Brasil, mas depois tudo vai ser diferente. Será? Como se conhece os pernas do Periquito é possível que tudo continue na mesma pernada.

O mesmo argumento é usado pelo Timão que também se encontra na lanterna, mas poderia, pela clara realidade das pernadas, encontra-se na primeira posição. Perde, empata, e culpa a Libertadores. O mesmo ocorre com o Peixe, do mascarado Neymar, e do enfezado Murici. O time também encontra-se na ponta da tabela, mas vista por baixo. A culpa é a Libertadores. A partir de quarta-feira essa desculpa acaba.

Sob suspeita

As evidências indicam a necessidade de uma investigação séria sobre o papel de setores da mídia no caso Cachoeira. Os indícios vão além do jogo político e apontam para conluios com o crime comum.  De narradora dos acontecimentos a Veja tornou-se personagem, revelando um envolvimento nunca visto de forma tão escancarada na cena política brasileira.

Laurindo Lalo Leal Filho

(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de junho de 2012.

O caso Demóstenes-Cachoeira seria apenas mais um escândalo político a estampar manchetes. Mas no meio do caminho, entre corrompidos e corruptores, tinha uma Veja. De narradora dos acontecimentos a revista semanal da Abril tornou-se personagem, revelando um envolvimento nunca visto de forma tão escancarada na cena política brasileira. Gravações feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, não deixam dúvidas. O contraventor Carlinhos Cachoeira era mais do que fonte de informações.  Seu relacionamento com o diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Junior, permitia a ele sugerir até a seção da revista em que determinadas notas de seu interesse deveriam ser estampadas.

O pouco que se revelou até aqui permite concluir que a publicação tornou-se instrumento de Cachoeira para remover do governo obstáculos aos seus objetivos. Um desses entraves estaria no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), do Ministério dos Transportes, e dificultava a atuação da Delta Construções, empresa que teria fortes ligações com o contraventor.

Segundo o jornalista Luis Nassif, a matéria da Veja sobre o Dnit saiu em 3 de junho de 2011. “A diretoria estava atrapalhando os negócios da Delta. Foi o mesmo modo de operação do episódio dos Correios –que daria origem ao chamado “mensalão”.  Cachoeira dava os dados, Veja publicava e desalojava os adversários de Cachoeira.” Com isso cumpria também os objetivos de situar-se como vigilante de desmandos e fustigar os governos Lula e Dilma, pelos quais nunca demonstrou simpatia alguma.  Basta lembrar a capa de maio de 2006 com Lula levando um pé no traseiro, juntando numa só imagem grosseria e desres­peito. Para não falar de outras, do ano anterior, instigando o “impeachment” do presidente da República.

O sucesso dos dois governos Lula e os altos índices de aprovação recebidos até agora pela presidenta Dilma Rousseff parecem ter exacerbado o furor da revista.  A proximidade do diretor da sucursal de Brasília com Cachoeira, e deste com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), sempre elogiado por Veja, veio a calhar.  Até surgirem as gravações da Polícia Federal levando a revista a um recolhimento político só quebrado em defesas tíbias de seu funcionário e do que ela chama de “liberdade de imprensa”.

Veja diz-se “enganada pela fonte”, argumento desmentido pelo delegado federal Matheus Mella Rodrigues, coordenador da Operação Monte Carlo.  O policial mostrou que o jornalista Policarpo Junior sabia das relações de Demóstenes com Cachoeira, mas nunca as denunciou, protegendo “meliantes”, como resumiu com propriedade a revista CartaCapital.

Livre, pero no mucho Segundo Veja, a “liberdade de imprensa” estaria ameaçada se o jornalista, ou seu patrão Roberto Civita, fosse chamado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aberta no Congresso Nacional para investigar o caso.  Mas, na mesma edição em que supostamente põe o direito à informação acima de tudo, clama por um controle planetário da internet, agastada com a circulação de informações sobre seus descaminhos na rede.

A internet foi o principal meio de exposição dos detalhes da suspeita relação Cachoeira-Demóstenes-Veja, e uma enxurrada de expressões nada elogiosas levaram a revista ao topo dos assuntos mais mencionados no Twitter. Os principais veículos de alcance nacional silenciaram ou apoiaram a relação – exceção feita à Rede Record e à revista CartaCapital. Alguns, como O Globo, não titubearam em tomar as dores da Editora Abril. Por um de seus colunistas, Merval Pereira, o jornal isentou a revista de responsabilidades.  Depois, em editorial, reagiu à comparação feita por CartaCapital entre o dono da Editora Abril e o magnata Rupert Murdoch, punido pela Justiça britânica pelo mau uso de seus veículos de comunicação no Reino Unido. A Folha de S.Paulo, também em editorial, aliou-se a Veja. Mas sua ombudsman, Suzana Singer, que tem a incumbência de criticar o desempenho do jornal, pelo menos levantou uma dúvida ao dizer que “não se sabe se algo comprometedor envolvendo a imprensa surgirá desse lamaçal”.  Para lembrar em seguida que ao PT interessa com o caso Cachoeira empastelar o “mensalão” a ser julgado em breve, e conclui dizendo: “A imprensa não pode cair na armadilha de permitir que um escândalo anule o outro. Tem o dever de apurar tudo – mas sem se poupar. É hora de dar um exemplo de transparência”. Mas a cobertura da Folha das relações Cachoeira-Demóstenes-Veja limita-se a notas superficiais. 
Intocável A ideia de que o caso Cachoeira seria uma forma de desviar as atenções sobre a campanha pelo julgamento dos acusados no caso do “mensalão” foi alardeada pela mídia. E utilizada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para se livrar da acusação de ter sido negligente.  A PF encaminhou a Gurgel a denúncia sobre as relações promíscuas entre Cachoeira e Demóstenes em 2009. Se ele tivesse dado andamento à denúncia, o processo se tornaria público e poderia ter comprometido no ano seguinte a eleição de Demóstenes ao Senado, de Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás e de outros políticos suspeitos de servir a Cachoeira.

Em vez de explicar por que segurou o processo, Gurgel respondeu às acusações sob a alegação de que partiam dos envolvidos no processo do “mensalão”, temerosos diante da iminência do julgamento no qual ele será o acusador. A CPMI começou em maio e tem seis meses para concluir as apurações. Ainda não havia mostrado, porém, o mesmo ânimo convocatório em relação aos governadores envolvidos com a Delta Construções e muito menos ao jornalista de Veja e seu patrão.  Os governadores, por acordos político-partidários; o jornalista e o empresário, não se sabe bem as razões, embora possam ser formuladas hipóteses.

Uma delas é a de que o maior partido da base governista, o PMDB, estaria sendo sensível ao lobby da mídia por uma blindagem. Com uma CPMI em banho-maria, o partido não seria muito arranhado com a exposição de políticos peemedebistas a investigações. E o PT, concorrente na disputa por espaço no governo, não capitalizaria demais os resultados. A concentração em poucos e poderosos grupos nacionais e transnacionais deu à mídia um poder nunca antes alcançado, muitas vezes superior aos próprios poderes republicanos.  Assim, governos e outras instituições públicas tornam-se reféns dos meios de comunicação e temem enfrentá-los.

Apenas em três ocasiões de nossa história veículos de comunicação foram alvo de investigações por parte de CPIs.  Em 1953, o dono do Última Hora, Samuel Wainer, sugeriu ao presidente Getúlio Vargas que seu jornal fosse investigado quanto às operações de crédito mantidas com o Banco do Brasil, como lembra o professor Venício Lima, da Universidade de Brasília.  Dez anos depois, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) foi acusado de ter ligações com a CIA e receber recursos dos Estados Unidos para interferir nas eleições brasileiras.  O instituto chegou a alugar por três meses, num período pré-eleitoral, o jornal A Noite do Rio, para colocá-lo a serviço da oposição ao presidente João Goulart. E em 1966 foi aberta investigação do acordo entre as Organizações Globo e o grupo de mídia estadunidense Time-Life. Uma operação de US$ 6 milhões, em benefício da TV Globo, acabou com o império dos Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Testemunha de defesa Há uma outra inquirição de jornalista que não se enquadra entre os casos mencionados, embora seja altamente significativa para os dias de hoje. Trata-se da ida a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, em 2005, do mesmo Policarpo Junior.  Na ocasião, o chefe de organização criminosa se dizia vítima de chantagem por parte de um deputado carioca que estaria exigindo propina para não colocar seu nome no relatório final de uma CPI instalada na Assembleia Legislativa do Rio. Policarpo testemunhou em defesa do bicheiro e nenhum jornal nem a ABI alegaram tratar-se de uma intimidação à imprensa.

Uma das explicações para essa baixa exposição de jornais e jornalistas a investigações está no poder de interferência dos grupos midiáticos na política eleitoral.  Exemplo clássico é a frase da viúva do proprietário das Organizações Globo referindo-se ao governo Collor: “O Roberto colocou ele na Presidência e depois tirou. Durou pouco. Ele se enganou”, disse com candura dona Lily no lançamento do seu livro Roberto & Lily, em 2005.  Mas essa não foi uma ação isolada. Para derrotar Lula em 1989, Globo e Veja faziam dobradinha perfeita, como agora. Demonizavam Lula e exaltavam o jovem governador de Alagoas, “caçador de marajás”.
Essa articulação tornou-se hoje mais orgânica. A presidenta da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que representa os proprietários de veículos, Judith Brito, assumiu o papel de oposição ao governo Lula.

De modo mais discreto, mas não menos eficiente, trabalha o Instituto Millenium, que reúne articulistas, jornalistas e patrões da imprensa.  E realiza eventos em que os convidados aliam-se ao que há de mais conservador na sociedade para afinar suas linhas de cobertura. Em um deles estavam Roberto Civita (Abril), Otavio Frias Filho (Folha) e Roberto Irineu Marinho (Globo). Vários colaboradores, exibidos no site do instituto, escrevem e falam contra as cotas raciais nas universidades, criticam a política econômica dos governos Lula e Dilma, seja qual for, louvam o governo Fernando Henrique Cardoso, discordam da atual política externa brasileira e fizeram campanha contra a criação da CPMI do Cachoeira. São ações orquestradas que lembram as do Ibad, antes mencionado.

As evidências atuais indicam a necessidade de uma investigação séria sobre o papel de setores da mídia no caso Cachoeira. Os indícios vão além do jogo político e apontam para conluios com o crime comum.  No entanto, até o momento, a CPMI não mostrou disposição para enfrentar o poder da mídia, que, quando acuada, conta com a defesa não apenas dos proprietários como também de parte de seus empregados. Cabe lembrar a observação frequente do jornalista Mino Carta sobre a peculiaridade brasileira de jornalista chamar patrão de colega. Com isso diluem-se interesses de classe e uma difusa “liberdade de imprensa” é utilizada para encobrir contatos altamente suspeitos.

Até entidades respeitáveis como a Associação Brasileira de Imprensa, por seu presidente, Maurício Azêdo, confundem as coisas. Em depoimento ao programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, Azêdo não admite a ida de jornalistas à CPMI para prestar depoimentos, sob a alegação de intimidação ao trabalho jornalístico, mas condena a promiscuidade de alguns profissionais com fontes próximas ou ligadas ao crime. Com isso dá ao jornalista uma imunidade que nenhum outro cidadão tem.

Nesse mesmo programa, o professor Venício Lima ressaltou o impacto do caso das escutas ilegais promovidas pelo jornal News of the World  sobre as relações mídia-sociedade na Inglaterra. “Levou Murdoch (o dono do jornal) e seus jornalistas a depor não só na Comissão de Esportes, Mídia e Cultura da Câmara dos Comuns como na Comissão Leveson, que tem caráter de inquérito policial.” Nada disso ameaçou a liberdade da imprensa britânica. Aqui, apesar da resistência com forte apelo corporativo da mídia e de parte dos seus empregados, vozes importantes lembram que ninguém está imune a convocações feitas pelo Congresso Nacional para prestar esclarecimentos.

À Record News, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), foi direto ao ponto: “Todos devem ser investigados no setor público, privado e na imprensa. Sem paixões e sem arroubos. Nós vamos descobrir muitas coisas quando forem feitas as quebras de sigilo – o fiscal, por exemplo. Devemos apoiar sempre a liberdade de expressão. Mas não podemos confundi-la com uma organização criminosa. Para o bem da sociedade e da própria liberdade de expressão.”

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

Uma aliança com a dignidade

Uma grande frente da direita brasileira se move na ansiosa tentativa de preservar o comando da maior capital do país. O comboio transporta  interesses pesados; não perder sua maior vitrine política é um deles; propiciar ao candidato da derrota conservadora em 2002 e 2010 um holofote de sobrevida até 2014, outro Há também o orçamento: R$ 40 bilhões, maior que o de vários Estados. Serra teria hoje 30% das intenções de votos na corrida pela prefeitura de São Paulo; seu principal oponente, Fernando Haddad, 3%. Lula adoeceu no meio do caminho e já se recuperou. Mas a convalescença pode reduzir a decisiva participação em uma disputa com DNA  nacional.

O conservadorismo atrelava vagões ao comboio e exultava a cada tropeço do outro lado. A frustrada tentativa de cooptar Kassab parecia ter subtraído ao PT até mesmo o discurso da polaridade ideológica. Com Marta ressentida e afastada, Serra chocava  a serpente ao abrigo de confrontos constrangedores. A incubação conservadora ia bem até que uma palavra que desequilibra o lado contra o qual ela se volta entrou no jogo: dignidade, ou Luiza Erundina. Essa mulher nordestina e socialista, ex-prefeita da capital, que alguns criticaram pelo excesso de zelo com a causa popular, será a parceira de Haddad para devolver a São Paulo algo de  inestimável valor: o resgate do  voto como um engajamento que faz sentido outra vez na luta por uma cidade a serviço dos cidadãos.

Em 2010, seus 50  anos de integridade e dedicação à justiça social foram manchados  por uma condenação no Supremo Tribunal Federal: malversação de fundos públicos. Pela sentença, de um processo que se arrastava há 20 anos, Erundina teria   que devolver aos cofres municipais cerca de R$ 350 mil, quantia de que não dispunha, nem nunca teve, razão pela  qual a Justiça determinou o leilão de seus únicos bens de valor:  um apartamento de 80 m2 na zona sul de São Paulo, avaliado então em R$ 100 mil  e dois carros populares – um Palio 97 e um Gol 2004, do tipo ‘rodados’.  As razões que a levaram à condenação e a forma como ela a superou resumem a inquietação que o seu engajamento eleitoral causa agora nas fileiras da direita.

Erundina não virou ré por qualquer desvio de dinheiro público; sua administração não foi acusada de  fraude em licitações ou superfaturamento; ela não nomeou, como fez Serra, um achacador para Departamento de Aprovação de Edificações da Prefeitura, que em poucos anos ‘adquiriu’ 125 imóveis  de alto padrão. Não, eu crime,pelo qual quase perdeu o seu único patrimônio, foi não ter boicotado uma greve geral dos trabalhadores brasileiros, em 1989. Em março daquele ano, a então prefeita de São Paulo determinou que fossem impressos cartazes explicando à população que os ônibus municipais  não circulariam nos dias 14 e 15 em apoio à greve geral convocada pela CUT e a CGT, como protesto contra o “Plano Verão.

A decisão de que ela deveria ressarcir os cofres da despesa com os cartazes era definitiva e não cabia  mais recurso. A mais pobre ex-prefeita de São Paulo contou então com a ajuda dos amigos para evitar o desastre. Um grupo organizou uma campanha nacional com jantares e doações populares que se espalhou rapidamente, acumulando depósitos de R$ 2 a R$ 20 mil na conta aberta para essa finalidade.

A resposta massiva assumiu contornos de indignação suprapartidária e solidariedade ecumênica a ex-prefeita. Em pouco tempo foi atingido o montante necessário e saldada a sentença. Na verdade, os recursos ultrapassaram  o valor estipulado em  R$ 7 mil, que Erundina decidiu doar a  uma instituição de caridade escolhida com a ajuda dos amigos da campanha. Bem-vinda, senhora dignidade.

Por Saul Leblon

Carta Maior

Paraguai: fazendeiros estariam por trás da morte de camponeses

A morte de 18 pessoas, entre elas 11 camponeses, ocorrida na semana passada quando a polícia desocupou uma fazenda ocupada por camponeses sem terra no noroeste do Paraguai, em uma zona próxima à fronteira com o Brasil, foi uma “matança” e há informações sobre mais camponeses mortos na área, denunciou à Carta Maior o representante de uma organização campesina, enquanto a porta-voz de outra organização alertou para um plano desestabilizador contra o presidente Fernando Lugo.

Dario Pignotti – Especial para Carta Maior

A morte de 18 pessoas, entre elas 11 camponeses, ocorrida na semana passada quando a polícia desalojou sem diálogo prévio uma fazenda ocupada por camponeses sem terra no noroeste do Paraguai, em uma zona próxima à fronteira com o Brasil, foi uma “matança” e há informações sobre “mais companheiros mortos no monte”, denunciou o representante de uma organização campesina, enquanto a porta-voz de outra organização alertou para um plano desestabilizador contra o presidente Fernando Lugo.

“Isso que aconteceu foi uma matança contra nossos companheiros, muitas mentiras estão sendo ditas para prejudicar o que a gente disse dos camponeses que estão lutando por terra para trabalhar, que estão lutando pelo direito à reforma agrária. Confirmo que, até esse momento, são 12 os companheiros que foram assassinados”, declarou Damasio Quiroga, secretário geral do Movimento Campesino Paraguaio, em conversa telefônica com a Carta Maior.

“Agora estou falando desde o local onde ocorreu a matança. Estamos chegando agora com companheiros de várias organizações no departamento de Camendiyú. Está chovendo muito, estamos com outros 300 companheiros porque temos informações de que há mais companheiros mortos e feridos. Também ficamos sabendo que alguns foram executados depois de terem sido presos”, relata Quiroga.
A versão midiática-policial do ocorrido é que um grupo de agentes foi atacado quando ingressava na fazenda de um milionário, Blas Riquelme, que enriqueceu à sombra do ditador Alfredo Stroessner (que recebeu asilo político de José Sarney em 1989), ocupada por membros do Movimento Campesino dos Carperos.

A Associação Rural do Paraguai agregou a esse relato o “seguro” vínculo entre os camponeses e os guerrilheiros do Exército Popular do Paraguai. “Este fato, mais o emprego de armas automáticas e de dispositivos explosivos fala de algo mais que um simples grupo de “sem terras”, mas sim de um grupo fortemente armado e organizado, capaz de desferir um golpe mortal a forças policiais regulares”, disse a entidade.
Trata-se de uma versão dos fatos pouco verossímil pois o saldo de vítimas indica, até o momento, que há mais camponeses mortos (11) que policiais (7), entre eles dois elementos do Grupo de Operações Especiais. O relato do camponês Quiroga difere do divulgado pela maioria dos meios de comunicação, a polícia e a associação de fazendeiros.

“Não há nada de verdade em dizer que havia armas automáticas no acampamento de nossos companheiros. Eu posso dizer a você companheiro que não temos nenhuma relação com uma guerrilha que se chama EPP, para nós o EPP não existe, eles estão inventando isso para prejudicar o campesinato que se organiza melhor, porque nós agora não queremos seguir esperando que nos deem terras ruins. Estamos lutando por nossos direitos, estamos lutando pela reforma agrária que nunca chega na prática porque há gente muito rica contra a reforma agrária”, denunciou o dirigente.

– Você disse que “eles inventaram essa história”. A quem se refere?
Os fazendeiros e a polícia que estão juntos em tudo isso, este novo chefe de polícia nomeado por Lugo é uma pessoa muito perigosa, com denúncias de envolvimento com corrupção contra ele, alega Quiroga.
“O atropelo com violência é um mecanismo que sempre foi utilizado pelas instituições estatais como polícia, militares e promotoria para proteger empresários nacionais, transnacionais, latifundiários, sempre a favor do setor privado”, assinalou em um comunicado a Organização Nacional de Indígenas Independentes.

A tensão entre camponeses e latifundiários, setor onde predominam os produtores de soja brasileiros, cresceu desde a chegada de Fernando Lugo ao governo em 2008, quando este prometeu levar adiante a Reforma Agrária e resolver o problema de “terras irregulares”, grandes superfícies de terrenos fiscais que o ditador Stroessner distribuiu entre militares e seguidores, como o milionário Blas Riquelme, o “Carlos Slim paraguaio”, segundo a definição de Martín Almada, o principal ativista de direitos humanos do país.

O ex-bispo Lugo teve como principal apoio social e eleitoral o campesinato que já não o apoia da mesma forma que anos atrás. “Deixamos de acreditar no presidente, pois ele não está cumprindo as promessas. Depois desse massacre nomeou personagens corruptos e de péssimos antecedentes. O governo que havia prometido fazer a reforma agrária está esquecendo seu compromisso e está nomeando colorados corruptos”, disse Quiroga a Carta Maior.

Ele se referia à indicação, como ministro do Interior, de Rubén Candia Amarilla, membro do Partido Colorado (de Stroessner), que ao assumir prometeu mão dura contra os camponeses e anunciou que, de agora em diante, as desocupações das fazendas ocupadas serão realizadas sem estabelecer diálogo com os “carperos”.

“Lugo teve que dar um passo atrás e aceitar a gente do Partido Colorado, foi uma imposição dos setores mais reacionários, o que deixou um setor dos camponeses descontentes com o Presidente. Ao mesmo tempo, há outros setores campesinos que ainda depositam confiança em Lugo e o respaldam criticamente como um mal menor, porque se ele cair agora sem concluir seu mandato que termina em 2013, será uma vitória das forças conservadoras”, sustenta Martin Almada, que acredita que está em curso um plano para desestabilizar Lugo.

O enfrentamento entre camponeses e policiais causou um tsunami político no Paraguai com repercussões ainda imprevisíveis sobre o destino do primeiro governo sem vínculos com o ex-ditador Stroessner, desde o fim da ditadura. “A situação está muito quente, a direita está muito envolvida em tudo isso”, disse à Carta Maior Magui Balbuena, da Coordenação Nacional pela Recuperação das Terras Irregulares.

“O massacre do departamento de Canindeyú foi consequência de um conflito de classes histórico na sociedade paraguaia, produto da sustentação por parte dos três poderes do Estado de um sistema de acumulação e concentração das terras em mãos de uns poucos. A violência prosseguirá se não se iniciar de uma vez por todas a devolução das terras que pertencem ao povo paraguaio e que hoje estão nas mãos de algumas pessoas e não sujeitas à Reforma Agrária”, assinala um comunicado da Coordenação.

Tradução: Katarina Peixoto


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

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Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

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