Arquivo para 22 de junho de 2012

EVO MORALES DISCURSA NA RIO+20, PROTESTA CONTRA O CONCEITO DE ECONOMIA VERDE, E É APLAUDIDO

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pela orientação oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, RIO+20, referente às palavras dos chefes de Estados, tinha apenas cinco minutos para discursar, mas diante de um público receptivo composto por manifestantes e índios, ele ultrapassou o tempo que lhe fora dada para gáudio da plateia não reacionária.

Evo Morales além de exaltar os países de orientação libertadoras como os atuais países da América do Sul, também desconcertou o conceito de economia verde disseminado e defendido pelos países capitalistas. Também aconselhou os países a estatizarem seus recursos naturais e serviços fundamentais prestados aos cidadãos. Além de recorrer a Fidel Castro para fortalecer seu discurso.

“Os serviços básicos jamais podem ser privatizados. É obrigação do Estado. A economia verde é o novo colonialismo para submeter os povos e os governo anticapitalistas. Coloniza e privatiza a biodiversidade a serviço de poucos. Verticaliza os recursos naturais e transforma a natureza em uma mercadoria. A economia verde converte todas as fontes da natureza em um bem privado a serviço de poucos.

Acabe com a fome, não com o homem. É preciso pagar a dívida ecológica e não a dívida externa.

Querem criar mecanismos de intromissão, para julgar e monitorar nossas políticas nacionais com argumentos ambientalistas.

Não é possível que uma civilização de cerca de 200 anos ou 300 anos tenha conseguido destruir a vida harmônica que os povos indígenas desfrutaram durante mais de 5 mil anos”, discursou o presidente boliviano.

Enquanto isso, na reunião sobre combate ao desmatamento a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e alguns ambientalistas entraram em litígio sobre a política adotada pelo governo referente ao tema. Os ambientalistas com cartazes e palavras de irdem protestaram contra as ações do governo e a liberação de grandes obras como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu, no estado do Pará.

“Isto aqui é um espaço democrático. Por isso, vocês interromperam a reunião e se pronunciaram. Não há nenhuma restrição, mas sempre há mais de uma posição a ser dita. No Código Florestal, realmente a luta não acabou. Mas vamos ter que ir para o Congresso Nacional, um espaço democrático da sociedade brasileira, defender os nosso interesses. E eu gostaria que os ambientalistas elegessem mais deputados e senadores ambientalistas.

Fiquem juntos com o Ministério do Meio Ambiente. Não fiquem contra. Porque nós já somos muito poucos perante àqueles que não querem deixar a Amazônia em pé”, disse a ministra.

As ambientalistas Maíra Irigaray, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, e Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica, justificaram a razão dos protestos.

“Temos tentado um diálogo aberto com o governo sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e sobre o retrocesso do Código Florestal, mas não existe um diálogo verdadeiro. Inúmeras vezes tentamos audiências, mas não fomos recebidos. As obras avançam sem nenhum monitoramento”, justificou Maíra.

“Mostrar aos presentes que a questão do Código Florestal, embora a ministra tenha dito que não acabou este jogo, faz o Brasil retroceder. Nunciam o pacto pela desmatamento zero na Amazônia na mesma época em que sancionam um código florestal que permite a redução de áreas protegidas e consolida as ocupações da soja e do gado na Bacia Amazônica”, justificou a ambientalista Malu Ribeiro.

JUSTIÇA DETERMINA MAIS UMA VEZ QUE O CONTRAVENTOR, CARLINHOS CACHOEIRA, PERMANEÇA PRESO

O mafiosos Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso junto com seu bando no dia 29 de fevereiro, pela Polícia Federal por força das operações Vegas e Monte Carlo, acusado de comandar uma organização criminosa que envolve empresários, policiais civil, militar e federal, funcionários públicos e privados, e parlamentares, entre outros, mais uma vez sofreu uma derrota em seu intento de querer se livrar da prisão. É que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) negou um habeas-corpus impetrado pelos seus advogados.

Os desembargadores José Carlos de Souza e Ávila, relator do caso, e Roberval Belinati afirmaram que o contraventor deve permanecer preso, porque ele solto há risco do desaparecimento ou destruição de provas, visto que ele tem influência política e alto poder econômico. Por isso, para o desembargador José Carlos de Souza e Ávila a manutenção de Carlinhos Cachoeira na prisão é necessária para manutenção da ordem pública.

“É fato notório que o réu é mentor intelectual da organização criminosa e, solto, pode prejudicar o andamento da ação, até mesmo com coação de agentes públicos”, firmou o desembargador Ávila.

Por sua vez, analisando o fato, o desembargador Roberval Belinati, destacou as ameaças promovidas por gente do contraventor, sofridas pelo juiz federal, Paulo Moreira Lima, que foi obrigado a deixar o caso, assim como também as ameaças sofridas pela procuradora da República, de Goiás, Léa Batista.

“A organização criminosa já demostrou seu alto poder de articulação, ousadia e periculosidade, realmente oferecendo risco à ordem pública e assim justificando a manutenção da prisão preventiva. Além do mais, o juiz federal ameaçado de morte e procuradora ameaçada revela ainda mais a gravidade da organização”, sentenciou o desembargador Belinati.

E como sempre vem ocorrendo nessas negações da Justiça em privilegiar o contraventor com sua soltura, seus advogados já disseram que vão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Enquanto isso, o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Carlinhos Cachoeira, Vital Rego (PMDB/PB), afirmou que a comissão deve receber 57 novos áudios gravados com a autorização da Justiça que integram o inquérito da Operação Monte Carlo.

Segundo Rego, hoje, dia 22, os novos áudios estarão disponíveis nos computadores instalados na sala-cofre da comissão para consulta dos parlamentares. 

JUIZ LEÃO APARECIDO ALVES SE DEFENDE AFIRMANDO QUE NÃO VAZOU INFORMAÇÕES PARA CARLINHOS CACHOEIRA

 

O juiz federal da 11ª Vara Federal em Goiás, Leão Aparecido Alves, publicou nota negando que tenha vazado informações das operações Vegas e Monte Carlo realizadas pela Polícia Federal que prendeu no dia 29 de fevereiro o contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, e seu bando.

O juiz que seria o substituto do juiz federal Paulo Moreira Lima, que deixou o caso por encontra-se ameaçado por pessoas próximas ao contraventor, não pôde assumir a vaga por ser amigo de um dos acusados preso pela Polícia Federal. De acordo com o juiz Aparecido Alves, o auxiliar de Carlinhos Cachoeira, Olímpio Queiroga Neto, preso junto com o mafioso, tem uma irmã que é madrinha de seu filho.

Em sua nota, o Juiz Leão Aparecido Alves, nega que tenha vazado as informações, e como argumento ele afirma que se houvesse ocorrido o vazamento das informações Carlinhos Cachoeira e seus parceiros teriam se escondidos, e não teriam sido presos como foram. A acusação de que o juiz havia vazado informações foi inferida de uma das gravações da Polícia Federal em que o contraventor Carlinhos Cachoeira faz alusão a uma suposta informação de Leão à ele.

“Dia 14 o Leão assume a Vara e ele ficou de avisar se vai ter prisão ou não”, diz Carlinhos Cachoeira, no dia 7 de fevereiro em uma interceptação da Polícia Federal.

O juiz Leão explicou também que a proximidade de sua família com Carlinhos Cachoeira é decorrente do fato de que seus filhos e os de Cachoeira estudam juntos já há alguns anos. Daí as constantes ligações telefônicas entre sua família e de Carlinhos Cachoeira. O juiz disse ainda que não pode se responsabilizar pelo que atribuem a ele e à mulher.

“Lamentavelmente, nos dias de hoje, algumas pessoas se satisfazem apenas com especulações.

Melhor seria se tivesse havido a interceptação telefônica, porque nesse caso a exibição das conversas seria o suficiente para expor a verdade.

Tenho a convicção de que a investigação inocentará as pessoas atualmente colocadas apenas com base no que terceiros disseram em conversa telefônica, na condição de suspeitos”, diz trecho da nota.

O PEDIDO DE IMPEACHMENT DO PRESIDETE DO PARAGUAI, LUGO, PELA DIREITA, “É GOLPE DE ESTADO”, DISSE CHEFE DE GABINETE

Nessa sexta-feira o Senado do Paraguai, que para alguns analistas, se constituiu em um tribunal vai julgar o futuro do presidente Fernando Lugo. Os oposicionistas do governo popular que se instalou democraticamente no país acusam o presidente de não comandar com eficácia o conflito agrário que ocorreu na semana passada quando foram mortos 17 pessoas, entre camponeses e policiais. Como também, estimular conflitos entre ricos e pobres e promover invasões por camponeses à fazendas particulares.

Diante do arbítrio que tomou conta do Parlamento, que só deu duas horas para Lugo se defender hoje, Miguel López Perito, chefe de gabinete do presidente, afirmou com veemência que o que está sendo tramado no Paraguai “é um golpe de Estado” comandado pelo partido reacionário Colorado, e o partido Liberal que era aliado do governo e que lideraram a abertura do impeachment. Todos temem as eleições do próximo ano que pode eleger mais uma vez as forças progressivas.

“Eles temem que setores progressivos voltem a ganhar”, disse o chefe de gabinete da Presidência.

Diante da crise que se instalou no governo paraguaio, a presidenta Dilma Vana Roussef mostrou preocupação. Assim como todos os governos progressistas da América do Sul.

Pai de Michelle Bachelet morreu por causa das torturas de seus colegas de armas

Investigação do Serviço Médico Legal chileno confirmou o que a família já sabia: o general Alberto Michelet morreu por causa das torturas que sofreu enquanto permaneceu preso durante o golpe militar. Na época, ele escreveu para a família: “Me quebraram por dentro, me encontrei com camaradas aos quais conheci por 20 anos, alunos meus, que me trataram como um delinquente ou como a um cachorro”. O artigo é de Christian Palma.

Christian Palma – De Santiago

Santiago – O general Alberto Bachelet, pai de Michelle, a ex-presidenta socialista do Chile, foi um homem honesto e enérgico defensor da democracia, que foi destruída quando Augusto Pinochet e outros altos oficiais chilenos deram o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, sendo o bombardeio a La Moneda o ícone dessa jornada sangrenta que terminou com o presidente Salvador Allende morto no palácio presidencial chileno.

O alto escalão das forças armadas vinha tramando havia meses esta ação  de extermínio contra o governo da Unidade Popular, devidamente eleito nas urnas. Entretanto, muitos militares, defensores da república chilena, se negaram sistematicamente a apoiar o golpe de Estado. Um deles foi o general da Força Aérea do Chile (FACH), Alberto Bachelet, que nessa época trabalhava na unidade de abastecimento e preços do governo de Allende.

Michelle tinha, nessa época, 21 anos e começava uma carreira na medicina que a ligaria por toda a vida ao serviço público. Nesse mesmo dia, Bachelet foi detido por seus colegas de armas no Ministério de Defesa. Embora tenha sido liberado na mesma noite, três dias depois foi tirado de sua casa e preso novamente, acusado de “traição à pátria”. Humilhado e torturado morreu seis meses depois na prisão. “Me quebraram por dentro – nunca soube odiar ninguém – sempre pensei que o ser humano é o mais maravilhoso desta criação e deve ser respeitado como tal, mas me encontrei com camaradas aos quais conheci por 20 anos, alunos meus, que me trataram como um delinquente ou como a um cachorro”, escreveu o general Bachelet da prisão a sua família antes de morrer. Michelle Bachelet e sua mãe foram embora, exiladas na Alemanha.

Ao voltar ao país, ela começou uma metódica carreira que a converteu na primeira mulher presidente do Chile, em 2006. Antes, foi a primeira ministra de Defesa da América Latina, posto no qual se encontrou mais de uma vez com aqueles que ordenaram torturar seu pai. A todos deu a mão. Todos sabiam que algum dia se saberia a verdade.

Verdade que chegou quarta-feira (20), quando o ministro especial Mario Carroza entregou as conclusões do Serviço Médico Legal (SML) que investigava as circunstâncias que rodearam a morte de Bachelet. A perícia estabeleceu que o oficial faleceu por causa das torturas que sofreu enquanto permaneceu preso na Academia de Guerra Aérea, durante o golpe militar. O pai da ex-presidenta faleceu mais tarde no interior da prisão pública após sofrer uma parada cardiorrespiratória em março de 1974. O “traidor da pátria” foi golpeado pelos próprios membros das Forças Armadas e organismos de inteligência da ditadura encabeçada por Pinochet.

“O laudo do Serviço Médico Legal chegou há uma semana e efetivamente afirma que todos os interrogatórios a que foi submetido o general Bachelet agravaram sua situação coronária e que, provavelmente, foram a causa da morte do general. O Serviço aponta que foram as torturas, ainda que se possa pedir outra perícia, mas suas definições são conclusivas”, disse o magistrado. Também estariam identificadas as pessoas que realizaram os interrogatórios com o general Bachelet.

Nesse sentido, é provável que o juiz Carroza determine decisões judiciais nos próximos dias. A viúva do general Alberto Bachelet, Ángela Jeria, disse aos meios de comunicação locais que foi “muito importante” que a justiça chilena estabelecesse que seu marido foi sido morto por causa das torturas aplicadas por seus colegas de armas quando foi acusado como traidor da pátria por haver participado do governo de Salvador Allende. A mãe de Michelle Bachelet assegurou que o laudo do SML “confirma algo que eu e a minha filha sabíamos há muito tempo”.

Nesse sentido, Jeria insistiu que “eu e minha filha sempre estivemos convencidas que isso tinha acontecido e vimos quanto ele sofreu depois de ter ficado detido na Academia, depois de levá-lo ao hospital por causa das torturas”. Finalmente, disse que este laudo chega num momento onde “muita gente trata de questionar e ocultar tudo o que aconteceu em 17 anos de ditadura”.

Tradução: Libório Junior

Fotos: Michelle Bachelet com seu pai, Alberto

depoimento dos índios Suruís sobre a Guerrilha do Araguaia

Os Suruís, do sul do Pará, habitantes da região do Araguaia e Sororó, sofreram uma era de terror, na década de 1970, quando os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil, montaram uma base na região. A versão oficial que é divulgada dá conta dos índios como bate-paus, guias, dos militares que combateram os guerrilheiros, ajudando a esquartejar corpos, enterrar as partes. Agora, os mais jovens estão resgatando a história de seu povo.

Najar Tubino

Rio de Janeiro – Essa é mais outra história traumática sobre o período da ditadura. Os Suruís, do sul do Pará, habitantes da região do Araguaia e Sororó, até a década de 1960, quando o antropólogo Rock Laraia, fez os primeiros contatos, sofreram uma era de terror, na década de 1970, quando os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil, montaram uma base na região. A versão oficial que é divulgada dá conta dos índios como bate-paus, guias, dos militares que combateram os guerrilheiros, ajudando a esquartejar corpos, enterrar as partes, enfim, estavam ao lado dos militares.

Agora os mais jovens, que participam de um Conselho da Juventude, com todas as tribos da região de Marabá – Sorte, Xicrin, Guarani, Guajajara, Assurinin, entre outros -, estão resgatando a histórias de seus povos, da destruição e tomada de seus territórios, e da destruição das suas culturas.

No caso Suruí, das aldeias So’ó e Itamy, cerca de 490 pessoas, morando perto de São Geraldo do Araguaia, com um trecho da BR-153, cortando os 26 mil hectares da reserva, a situação é bem complicada. Trechos da reserva, com cemitérios antigos e onde faziam suas danças e produziam matérias para suas atividades, foram loteadas pelo INCRA, transformada em assentamentos. Outra parte foi ocupada por fazendeiros. São 11 mil hectares ocupados, deixando espaço para invasores, local de descarga de lixo, inclusive hospitalar, que estão contaminando os igarapés, onde eles pescam.

Uelton John Sorte é um cacique, filho de Tibakw, criado em São Paulo, retornou à reserva no momento em que os militares chegaram de helicóptero e cercaram a aldeia. Não foi o caso de um seqüestro, foi coletivo. Ninguém da aldeia podia sair pelo mato. Nem as crianças. Tibakw não permitiu que os militares transformassem a aldeia na base de ação contra a guerrilha. Deslocaram-se para uma área chamada de Bacaba, onde hoje existe a vila Santana.

No começo da história dos Suruís, um funcionário do Serviço de Proteção ao Índio (órgão anterior a FUNAI), atuava como o chefe do posto, na verdade era um militar infiltrado. Convenceu os índios de que alguns amigos dele procuravam algumas pessoas no mato. Quando o Exército teve as coordenadas gerais da localização, baixou em peso na aldeia. Obrigou Tibaw, que tinha feito um curso de enfermagem, a pegar uma arma e seguir com o pelotão de enfrentamento.

Os militares descobriram que o índio cacique havia se alistado no Rio de Janeiro, antes de voltar ao Araguaia. A partir daí o terror foi implantado. Mulheres foram estupradas, os Suruís desconfiam que até o tipo étnico característico de eles mudou. Os pais são altos, fortes, os filhos bem mais baixos. Existem vários casos de descendentes com sangue branco, uma miscigenação empurrada goela baixo.

A situação era muito simples de imaginar: em plena era da Lei de Segurança Nacional, cercados de mato, longe de qualquer contato, com pouca convivência com brancos, os Suruís passaram por um período negro. Comeram carne crua de caça, ou até mesmo, de jaboti. Não podiam fazer fogo. As crianças não podiam brincar, ou fazer barulho. As mulheres foram usadas porque não havia prostitutas disponíveis no mato.

Táxi  um dos 14 sobreviventes, dos combatentes do Araguaia, como eles foram definidos, sem saber em que guerra estavam metidos. Foram oficialmente 18 guias. Quatro já morreram. Tawé disse aos mais jovens que eles apanham em fila, para comer carne crua. Um deles, do grupo de 14, está perturbado mentalmente, outro está surdo. Nenhum deles gosta de falar. Mesmo para os descendentes mais jovens. O antropólogo Oswaldo Calheiros, presente na entrevista, morou 18 meses com os Suruí. Esta fazendo a sua tese de mestrado para o Museu Nacional , que deverá se chamar Sapura-hay, a dança do povo.

Os Suruís tem canção para todas as suas atividades cotidianas, inclusive na alegria e na tristeza. Eles eram conhecidos por ser um “povo de cantores”. Isso na região mais violenta da Amazônia que é o sul do Pará. Uma região que foi desmantelada em termos de direitos e de legislação, de garantias, de funcionamento do Ministério Público, tanto estadual como federal. A herança da ditadura está presente ainda hoje no povo da região, principalmente quem teve alguma ligação com a Guerrilha do Araguaia.

Foi criada a Associação dos Torturados em São Domingos, onde os índios tentam uma reparação contra o que sofreram durante esse período. Uelton John Suruí e seu irmão Clelton, estão na Rio+20 deram o depoimento para CARTA MAIOR. A responsabilidade do movimento agora é deles. Os mais velhos estão cansados e não querem falar. A não ser que fossem ouvidos por autoridades reconhecidas, como a Comissão da Verdade, que vai repassar o período da ditadura, mas ainda não tocou no assunto dos indígenas.

Não somente Suruís, mas também Waimiri-atroaris e Araras, somente dois outros exemplos de aldeias que estavam no caminho de estradas abertas pelo Exército, como no caso da Manaus Caracaraí e na Transamazônica.

– “Nós ficamos sem nada, conta Uelton. Nossa terra, nossa cultura, invasão, hoje em dia até corpos são jogados na nossa área, contaminação dos igarapés. Na verdade nós vivemos ameaçados  por fazendeiros, com queimadas no verão. Não podemos andar à vontade no mato, nem armados, porque a região é muito tensa. Queremos reparar essa situação. Queremos indenização pelo que sofremos. Ou então vamos fechar a estrada.”

A BR-153 já foi fechada em fevereiro. Os índios deram prazo de 90 dias para o governo do Pará e o governo federal se pronunciarem. Querem cercar, pelo menos, um trecho da estrada, porque os animais da região estão morrendo atropelados. Os Suruís ainda caçam e pescam. No dia 25 de junho está marcado novo bloqueio. Os índios que participam da Rio+20 estão preocupados porque o ônibus deles quebrou. Levaram três dias e meio para chegar ao Rio.

Entre 2009-2010, uma advogada do Centro de Direitos Humanos, que eles não lembram o nome, procurou a comunidade, porque o pai dela, um cubano foi morto no Araguaia, e seu corpo nunca apareceu. Logo que essa informação vazou no Pará, apareceu um coronel com um aparato militar, querendo que Tibakw mostrasse o local, ou os locais, onde existem vestígios de corpos. Alguns já foram retirados, dizem os índios, em outras covas, o que ficou são partes de esqueletos.

Como a época mudou, os Suruís não concordaram. Mesmo assim, pagando um rancho para outra liderança, os militares cavaram em algumas áreas. Uelton e Clelton, os filhos de Tibakw, que ainda está vivo, é um dos 14, sabe onde estão enterrados os vestígios. O pai mostrou o local para eles.

-“ Mas nós só vamos mostrar se repararem o que sofremos. Queremos nossa terra – TUAPEKUA KWAWERA – e o direito de falarmos. Até hoje, tudo o que saiu sobre a Guerrilha do Araguaia não teve a participação dos Suruís, e temos muitos dos nossos parentes, meus tios, meu avô que participaram de tudo. Meu pai sempre me disse que não era para contarmos, porque um dia essa história ia ajudar o nosso povo. Queremos nossa terra para manter a vida do nosso povo”, reforçaram por mais de uma vez os dois filhos de Tibakw.

Pedi para eles anotarem alguns dos nomes dos participantes da guerrilha que ainda vivem nas duas aldeias Suruí. São eles: Tibakw, Umassú, Warny, Mikwá, Mittó, Jawara’á,Waywera, Morrahy, Apy, Tiremé, Tawé.

Muitos deles não conseguem nem ver alguém desossando um porco do mato, tirando a pele, ou cortando a cabeça de uma galinha. Oswaldo Calheiros lembra que o índice de câncer de estômago e pâncreas, entre os Suruís é quatro maior vezes a média do estado, por isso desconfia que estejam jogando lixo hospitalar na região.

O grupo dos jovens estuda no Instituto Federal do Pará, ficam 15 dias em Marabá e voltam, permanecendo outros 20 na aldeia, onde repassam os ensinamentos aos outros membros da comunidade. Estão estudando Agroecologia, num curso de 3,5 anos. Outros sete, vão completar o curso superior no mesmo tema. Agora o assunto está em discussão. A hora é da verdade, completa, não só um pedaço.

Fotos: Da esquerda para a direita: Uelton Jonh Surue (etnia Suruí); Paulo (etnia Guajajara), Najar Tubino, Cleiton Surue (etnia Suruí) e Osvaldo Calheiros (antropólogo).

Carta Maior


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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