Arquivo para 27 de junho de 2012

BRASIL SE POSICIONA QUE A AVALIAÇÃO DA OEA SOBRE O CASO PARAGUAI OCORRA DEPOIS DA REUNIÃO DA UNASUL

A sessão extraordinária da Organização dos Estados  Americanos (OEA) ocorrida ontem, dia 26, que designou um grupo liderado pelo secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza, para avaliar a crise no Paraguai e a condução do processo de impeachment de Fernando Lugo, que deve resultar em um relatório a ser apresentado ao Conselho Permanente da OEA, que é formado por 35 nações, não agradou ao governo brasileiro.

Como muitos integrantes da OEA estão divididos sobre o impeachment de Lugo, o representante do Brasil no organismo internacional, Breno Dias da Costa, disse que seria melhor que a avaliação sobre o Paraguai só ocorresse depois da reunião dos chefes de Estados da União de Nações Sul Americanas (UNASUL) que ocorrerá no dia 29, em Mendoza, na Argentina.

Para Breno a decisão de guardar a decisão da reunião seria prudente, porque a UNASUL é composta por um bloco de 12 países membros.

“Não me parece lógico que essa organização tome uma decisão sem ouvir os país mais diretamente afetados pela situação no Paraguai”, disse Breno da Costa.

Na reunião, enquanto a Argentina, Nicarágua e a Venezuela defenderam a suspensão do Paraguai do Conselho Permanente da OEA, demonstrando que Fernando Lugo foi deposto sumariamente pelos parlamentares da direita reacionária sem qualquer direito de defesa, sendo desrespeitado sumariamente, o representante do Paraguai na OEA, embaixador Bernadino Saguier, como era de se esperar – porque não podia ser diferente -, defendeu o o governo Federico Franco, acusando o Brasil, a Argentina e o Uruguai de se aliarem para prejudicar seu país.

Uma acusação sem qualquer valor moral para quem é representante de um governo que usou a mais velha estratégia dos tiranos para se apossar do poder. Além do mais, um poder que havia sido conquistado pelo voto popular. Pelos fluxos da democracia. Mas, Breno da Costa, não deixou barato. Repudiou com veemência a acusação do representante do governo usurpador.

Enquanto isso, depois de afirmar em claro e bom tom que iria participara da reunião da Cúpula Mercosul, o presidente expulso do governo por um golpe de Estado comandado por parlamentares da ultradireita, Fernando Lugo, afirmou ontem que não vai mais comparecer à dita reunião onde o Paraguai será o tema principal.

Lugo disse que desistiu de participar da reunião porque não quer parecer que com sua presença esteja fazendo pressão sobre os países vizinhos. Realista diante da decisão dos parlamentares que lhe depuseram, Lugo, disse também, baseado em sua experiência religiosa, que só um “milagre” pode fazer com que os parlamentares revejam seu impeachment. Talvez Lugo fosse menos otimista se tivesse lido o Tratado Teológico Político do filósofo Spinoza. Ele não recorreria ao milagre, pois saberia com Spinoza que “já é um milagre que exista milagres”. 

DIA 11 DE JULHO O PLENÁRIO DO SENADO VOTARÁ A CASSAÇÃO DO SENADOR DEMÓSTENES

Depois que o Conselho de Ética do Senado pediu a cassação senador Demóstenes Sem Partido Torres na segunda-feira passada por quebra de decoro parlamentar, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado marcou par o dia 11, no plenário, a data de votação da cassação do senador. A CCJ designou para seu relator o senador Pedro Taques (PDT/MT).Pedro Taques terá como função analisar os aspectos constitucionais do texto aprovado no Conselho de Ética.

A CCJ votará o processo, de acordo com o senador Eunício Oliveira (PMDB/CE), no dia 4 de julho.

“Vamos antecipar sessões sem açodamentos para cumprirmos o regimento. A ideia é fazer algo que não tenha nenhum questionamento”, disse Eunício Oliveira.

Como o Regimento do Senado exigi como intervalo, cinco sessões deliberativas entre a votação no Conselho na CCJ e no plenário, a Mesa Diretora da Casa marcou sessões em plenário para as segundas-feiras dia 2 e 9 de julho.

Se opondo à posição da defesa de Demóstenes, o senador Pedro Taques, relator do processo, disse que as reclamações não procedem, pois tudo está dentro da Constituição.

“Até agora, eu entendo que os trâmites foram de acordo com a Constituição. Aceito a incumbência com muita honra, vamos fazer um trabalho técnico, regimental e constitucional”, afirmou Taques.

Diante da bela ameaça democrática de ser cassado no plenário o senador Demóstenes, amicíssimo de Carlinhos Cachoeira, vem telefonando para alguns líderes do Senado, entre eles o presidente da Casa, José Sarney, e o senador Renan Calheiros para propor renúncia de seu mandato para poder ser candidato nas próximas eleições de 2014. Só que ele esqueceu do Ficha Limpa.

Enquanto o dia da cassação se aproxima, Demóstenes, se angustia e deprime. Para não sofrer mais dos próprios males que criou fica cantando a canção de Nelson Ned: “Mas tudo passa, tudo passará, e nada fica, nada ficará”. 

O TORTURADOR CARLOS BRILHANTE USTRA, CORONEL REFORMADO, VAI TER QUE PAGAR R$ 100 MIL DE INDENIZAÇÃO PELA MORTE DE JORNALISTA

No dia 15 de julho de 1971, o jornalista Luiz Eduardo Merlino, membro do Partido Operário Comunista (POC) e da Quarta Internacional, foi preso e conduzido para a sede do Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) que era comandado pelo coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, que durante 24 horas comandou as sessões de tortura contra Merlino, onde ele veio morrer.

Agora, em uma decisão publicada segunda-feira assinada pela juíza de Direito, Cláudia de Lima Menge, da 20ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra aparece como condenado a pagar R$ 100 mil de indenização pela morte do jornalista Merlino que será divido entre sua mulher, Ângela Maria Mendes de Almeida, e sua irmã Regina Maria Merlino Dias de Almeida, por danos morais. Caberá a cada uma a quantia de R$ 50 mil.

A juíza Cláudia Menge em sua sentença mostra que houve evidentes excessos cometidos pelo coronel reformado do Exército.

“Evidentes os excessos cometidos pelo requerido, diante dos depoimentos no sentido de que, nã maior parte das vezes, o requerido participava das sessões de tortura e, inclusive, dirigia e calibrava intensidade e duração dos golpes e as várias opções de instrumentos utilizados. 

Mesmo que assim não fosse, na qualidade de comandante daquela unidade militar, não é minimamente crível que o requerido não conhecesse a dinâmica do trabalho e a brutalidade do tratamento dispensados aos presos políticos. É o quanto basta para reconhecer a culpa do requerido pelos sofrimentos infligidos a Luiz Eduardo e pela morte dele que se seguiu”, diz parte da sentença.

A defesa do torturador disse que vai recorrer.

Golpe na democracia, vitória do “stronismo”

A ditadura de 35 anos deixou mais do que cicatrizes na sociedade paraguaia. O stronismo está vivo e impregnado em instituições como o Poder Judiciário e a Polícia, controladas durante seis décadas pelo Partido Colorado, herdeiro de uma de suas principais tradições: o desprezo pela democracia. Falar que o processo respeitou a Constituição do país é ignorar o contexto político paraguaio e as circunstâncias que levaram a este golpe na democracia. O artigo é de Daniel Cassol.

Daniel Cassol (*)

Assunção, 1º de Maio de 2009. As manifestações do Dia Internacional do Trabalho terminam em frente a uma clínica privada, que abriga desde a madrugada Augusto Montanaro, ministro do Interior e responsável pelas torturas e desaparições durante a ditadura de Alfredo Stroessner, recém chegado de Honduras, onde estava foragido. Há confronto com a tropa de choque da Polícia Nacional. Sobram, para este repórter que fotografava o ato, alguns chutes de um policial, mesmo anunciando aos gritos ser jornalista. Quando a situação se acalma, um dos manifestantes picha um muro da clínica: “sanatório stronista”.

Qualificar uma clínica privada como “stronista” não é apenas um arroubo exagerado de um manifestante, mas um exemplo de como a ditadura de 35 anos deixou mais do que cicatrizes na sociedade paraguaia. O stronismo está vivo e impregnado em instituições como o Poder Judiciário e a Polícia, controladas durante seis décadas pelo Partido Colorado, herdeiro de uma de suas principais tradições: o desprezo pela democracia.

Foi dentro do Partido Colorado que, em 1999, se gestou uma tentativa de golpe de Estado, no episódio que ficou conhecido como Marzo Paraguayo, a crise gerada pelo assassinato do vice-presidente Luis Maria Argañas e pelas evidências de que, por trás de tudo, estava o general Lino Oviedo, que três anos antes havia tentado um golpe pela primeira vez. Libertado da prisão pelo presidente Raúl Cubas Grau, seu afilhado político, Oviedo estaria tramando para chegar à presidência. Os paraguaios foram às ruas para evitar o retorno da ditadura militar. Sete jovens morreram nos protestos, provavelmente alvos de atiradores de elite que se posicionaram em edifícios do centro de Assunção – da mesma forma que aconteceu na noite da última sexta-feira. Cubas acabaria renunciando à presidência. Oviedo, atualmente, é líder do UNACE, partido de direita que ajudou a impulsionar o “juício político” contra Lugo.

A fragilidade da democracia paraguaia, a tradição antidemocrática do Partido Colorado e a disposição à resistência dos movimentos sociais do país estão sintetizadas no julgamento sumário a que foi submetido o presidente Fernando Lugo na sexta-feira (22). Isso demonstra a limitação das análises legalistas: falar que o processo respeitou a Constituição do país é ignorar o contexto político paraguaio e as circunstâncias que levaram a este golpe na democracia. Também indica que a crise está longe de um desfecho: a comunidade internacional pode não intervir e o sistema político interno pode se estabilizar, mas os movimentos sociais paraguaios – especialmente os camponeses – sofrerão na carne o retorno das oligarquias ao poder formal.
Aliança para el cambio “Bispo dos pobres”, ligado à Teologia da Libertação e com atuação junto aos movimentos camponeses do departamento de San Pedro, Fernando Lugo apareceu como alternativa política no Paraguai principalmente a partir de 2006, quando passou a liderar o movimento Resistência Cidadã. No esteio das transformações políticas na América do Sul, conseguiu pôr fim a seis décadas de domínio do Partido Colorado, elegendo-se presidente em abril de 2008.

Mas mesmo um governo minimamente reformista como o de Lugo não teve tranquilidade em meio a um sistema político controlado pelas oligarquias. E as tentativas de golpe começaram já nos primeiros meses.
Alguns veículos do Paraguai falam em 24 vezes em que os colorados ou outros parlamentares de direita tentaram aprovar o pedido de “juício politico” contra o presidente Lugo. Não sei dizer se foram tantas, mas nos seis meses em que morei em Assunção, em 2009, lembro de duas. Os motivos eram absolutamente prosaicos. Quando surgiu a informação de que Lugo tinha um filho não reconhecido, uma senadora ingressou com um pedido de impeachment no Congresso.

Em seguida, a realização de um encontro de jovens ligados a movimentos sociais em um quartel do Exército gerou uma nova tentativa. Era de conhecimento de todos, inclusive da embaixada dos Estados Unidos em Assunção, que desde 2009 se tramava um golpe contra Lugo, como mostram correspondências diplomáticas publicadas pelo Wikileaks.
Na mesma época, o presidente Manuel Zelaya era destituído em Honduras, levando os partidos de esquerda e movimentos paraguaios a protestarem contra a ameaça à democracia no continente. Falava-se na época sobre os riscos de se reproduzir no Paraguai a mesma experiência hondurenha.

Todas essas tentativas, no entanto, foram barradas no Congresso com ajuda do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), um partido conservador e adversário histórico dos colorados que foi fundamental na eleição de Lugo, entrando na ampla “Alianza para el Cambio” com o candidato a vice Federico Franco. Mas o PLRA nunca foi um aliado confiável de Fernando Lugo, ainda que alguns de seus líderes tenham se mostrado leais ao presidente. Mal comparando, era o PMDB de Lugo. Em todas as vezes que a oposição ameaçou com o impeachment, Federico Franco disse basicamente que estava pronto para assumir a presidência, atuando como mais um fator de instabilidade dentro do governo.

Um governo frágil em um país de oligarcas Lugo também tem responsabilidade por ter feito um governo tímido, ambíguo e com pouca habilidade política para lidar com a oposição e com sua heterogênea aliança. Desde a esquerda, era criticado pelas “más companhias”, por políticas controversas, pela submissão aos interesses dos Estados Unidos – Lugo era um frequentador assíduo da embaixada norte-americana – e por retardar questões urgentes como a reforma agrária.
É preciso dizer, no entanto, que mesmo reformas simples foram barradas pelo Congresso, hegemonizado pelo Partido Colorado. Acostumada nos privilégios, a elite paraguaia jamais tolerou sequer a mais básica política de cunho social. Atrasada e truculenta, usava o medo do chavismo como justificativa para a histeria – com apoio de um considerável setor da imprensa, liderado pelo reacionário, controverso e mirabolante jornal ABC Color.

Lugo não conseguiu criar um imposto sobre a renda pessoal, cuja inexistência perpetua a desigualdade e os privilégios das elites locais. Na questão agrária, qualquer menção à recuperação das chamadas “terras mal havidas”, distribuídas ilegalmente a grandes proprietários durante a ditadura Stroessner, gerava uma nova onda de desestabilização, que tinha nos grandes produtores de soja um dos principais incentivadores.

Los sojeros, entre eles muitos brasileiros, detêm o poder econômico e político no Paraguai. Dados da Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco), uma entidade do agronegócio, portanto, apontam que a área plantada de soja saltou de 1,2 milhão de hectares no ano 2000 para quase 3 milhões de hectares em 2012, concentrados na fronteira com o Brasil. O pequeno país é o quarto maior exportador de soja no mundo. Cerca de 80% das áreas agricultáveis do país são controladas por 2% da população.

Dotado de grande poder, este setor, apoiados pelas multinacionais de sementes e defensivos químicos, sempre pressionou, por exemplo, pela flexibilização das leis ambientais e pela liberação de cultivares transgênicos e de agrotóxicos pesados. Sempre teve a Polícia Nacional e o Exército paraguaio sob seu comando. A concentração de terras e a pobreza no campo são grandes fatores de tensão, mas para os grandes produtores era Lugo quem estava incitando os movimentos camponeses.

Estopim para o golpe Uma tragédia decorrente de uma disputa por terras supostamente mal havidas em Curuguaty, próximo da fronteira com o Brasil, em uma propriedade de Blas Riquelme, ex-presidente do Partido Colorado, foi o estopim para o impeachment de Lugo. Há uma grande suspeita de armação na incitação à violência, que terminou com a morte de 11 camponeses e seis policiais. Não é possível afirmar nada, a não ser que a tensão no campo foi explorada pelos setores que desde o começo do governo Lugo tentaram abreviá-lo. E que da União de Grêmios Produtores (UGP), a confederação dos sindicatos de produtores rurais do Paraguai, partiu a palavra de ordem pelo “juício político”.

O principal articulador da estratégia oposicionista foi Horácio Cartes, líder de um movimento interno do Partido Colorado, pré-candidato às eleições presidenciais no ano que vem e apontado, pelos Estados Unidos, como tendo ligações com o narcotráfico, segundo revelou o Wikileaks. Diante da crise, o PLRA decidiu romper com Lugo: publicamente, pelas mudanças realizadas pelo presidente no Ministério do Interior e na Polícia Nacional. Mas está claro que falou mais alto o senso de oportunidade ao PLRA, que finalmente chegou à presidência com ajuda dos colorados.
O impeachment foi aprovado e sacramentado com rapidez impressionante. Da noite para o dia, a elite paraguaia conseguia levar a cabo o que sempre foi uma obsessão. Fica claro, portanto, que o massacre em Curuguaty foi o pretexto que faltava para que a direita paraguaia recuperasse as rédeas da administração pública – na marra, como é de seu costume.

Desconsiderar esse contexto é ignorar a gravidade do que aconteceu no Paraguai.
Mas regras são regras e a classe política paraguaia quer fazer crer, com ajuda de muitos analistas políticos, que houve respeito às regras do jogo democrático no impeachment de Lugo. Tal argumentação não resiste a cinco minutos de exposição de fatos.

As acusações contra Lugo levadas ao Congresso foram baseadas fundamentalmente em ilações e opiniões políticas. O uso do quartel do Exército para um ato político de jovens entrou na lista de acusações. Lugo também foi acusado de incitar a violência no campo, por causa de suas relações democráticas com movimentos sociais. Os parlamentares chegaram afirmar que não era necessário apresentar nenhum tipo de prova, porque os fatos seriam de pública notoriedade. Sem apresentar um indício sequer, disseram que Lugo tem ligações com o Exército do Povo Paraguaio (EPP), uma suposta guerrilha de extrema-esquerda.

Em relação ao massacre em Curuguaty, as evidências não apontam responsabilidade do presidente Lugo. Vale ressaltar que o pedido para a desocupação da fazenda foi feito pelo Ministério Público e acatado pela Justiça. De qualquer modo, havia uma investigação em curso e o correto seria esperar seu andamento. Lugo também nomeou uma comissão para investigar o caso (Federico Franco cancelou essa investigação especial assim que tomou posse).

O Congresso não esperou e, em pouco mais de um dia, condenou Lugo em um rito sumário, sem direito a ampla defesa. Sobre a eleição legítima de Lugo não há nenhum tipo de suspeita, mas o mesmo não pode se dizer sobre sua destituição.

Um recuo de décadas É difícil prever o que acontecerá daqui para frente. Os movimentos sociais paraguaios seguirão protestando em Assunção. No interior, movimentos camponeses anunciam manifestações, enquanto Lugo, depois de um discurso desmobilizador, criou um gabinete paralelo para acompanhar o novo governo. A reação da comunidade internacional se resume, por enquanto, a condenações públicas e à suspensão do Paraguai pelo Mercosul. A esperança dos golpistas e o temor de quem defende a democracia no Paraguai é que a normalidade no país chegue tão rapidamente quanto foi o golpe, assim como aconteceu em Honduras, com o tema caindo no esquecimento.

Será um regresso de décadas. Paraguai ainda vivia sua transição para a democracia e a eleição de Lugo era um passo importante na consolidação do processo democrático. Mas este processo foi abortado pelos mesmos setores que já haviam atentado contra a frágil democracia paraguaia nos últimos anos. Há colorados e oviedistas no novo gabinete de Federico Franco.  O stronismo recupera a administração, já que nunca perdeu poder.

A Polícia Nacional e o Exército estarão completamente livres novamente, já sob o comando de direito de seus comandantes de fato. Lideranças sociais seguramente sofrerão perseguição política e agressões, especialmente no campo. O Paraguai, que mesmo com o ambíguo governo Lugo experimentava algo de consolidação democrática, vai conviver mais uma vez com um governo de oligarcas.

E a experiência iniciada em Honduras e validada no Paraguai poderá muito bem ser levada a outro país.

(*) Daniel Cassol é jornalista. Cobriu a campanha eleitoral paraguaia em 2008 e viveu seis meses em Assunção, ano de 2009, como correspondente do jornal Brasil de Fato.

Fotos: O maior representante dos latifundiários brasileiros, Tranquilo Favero, junto a um representante da Igreja Católica e Federico Franco, então vice-presidente, inaugurando uma igreja financiada pelo “Rey de la soja”. Foto: Vicepresidencia.

Frente pede voto aberto para cassação de Demóstenes

Deputados promoveram manifestação em defesa da PEC 349/2001, que visa abolir o voto secreto das decisões do Congresso. A PEC foi aprovada em primeiro turno, em 2006. Desde então, segue engavetada.  Se passar na Câmara, ainda terá que tramitar no Senado. Mas os manifestantes acreditam que, com vontade política, é possível tê-la sancionada antes do processo contra o senador Demóstenes Torres chegar ao plenário.

Najla Passos

Brasília – Preocupados com a possibilidade da votação secreta impedir a cassação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), membros da Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto promoveram uma manifestação, nesta terça (26), no Plenário da Câmara.  Eles pediram que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 349/2001 seja colocada imediatamente em votação.  A PEC, que abole o voto secreto das decisões da Câmara e do Senado, foi aprovada em primeiro turno, em 2006. Desde então, permanece engavetada.

“Nós queremos voto aberto para cassação do senador Demóstenes. Queremos que cada senador seja cobrado da sua posição publicamente”, afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que participou da manifestação. Segundo ele, embora a PEC, se aprovada na Câmara, ainda tenha que tramitar no Senado,  há prazo suficiente antes da votação do processo do senador Demóstenes. “Quando se quer, quando se tem vontade política, se aprova coisas aqui em 24 horas. É uma PEC que tá maduríssima. Só falta colocar na ordem do dia, na pauta, e a gente aprovar”, acrescentou.

O deputado disse também que a expectativa dos organizadores do ato é que a repercussão chegasse ao Senado. “Temos esperança que essa manifestação repercuta também no Senado, porque o presidente da Casa, José Sarney, disse que irá colocá-la em discussão, no máximo, até a outra semana”.

Autor do projeto que quebrou a imunidade parlamentar, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Domingo Dutra (PT-MA), disse que a provação da PEC é fundamental para o processo de avanço da democracia brasileira. “Não faz sentido um congressista esconder o seu voto. Esse esconderijo só favorece à corrupção e àqueles que praticam crimes e desvios éticos, e se escondem atrás dos mandatos para não serem penalizados. Agora, é hora de avançar, descobrindo o voto”, afirmou à Carta Maior.

Questionado sobre os motivos que levaram ao engavetamento do projeto, foi enfático. “Primeiro, porque a Câmara tem uma forma de votar muito difícil. Há um colégio de líderes que é pior do que o Vaticano: se não houver acordo, nada vai para o plenário. Segundo, porque há muitos deputados com medo de que o voto aberto possa resultar em processo. Terceiro, falta uma pressão maior da opinião pública”, acrescentou.

Demóstenes Torres é acusado de estar ligado à organização criminosa chefiada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.  Nesta segunda, a Comissão de Ética aprovou, por unanimidade, sua cassação. Mas o voto era aberto. A preocupação de muitos é que, quando a votação chegar ao plenário, o voto secreto proteja uma postura bem mais condescendente dos seus colegas senadores.

Carta Maior


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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