Arquivo para 4 de julho de 2012

COMITÊ ESTADUAL DA VERDADE NOS ENCONTROS EM BUSCA DA REAL DEMOCRACIA

O Comitê Estadual que integra a Comissão da Verdade, Memória e Justiça vem ativando um debate democrático de um período de injustiça que bloqueou a potência produtiva e memória do povo brasileiro. Assim o trabalho da Comissão e dos comitês estaduais é trazer a consciência do povo brasileiro parte deste período de ditadura militar em que houve diversas persguições, torturas, assassinatos de estudantes, artistas, sindicalistas, padres, operários, advogados, jornalistas e outros milhões de brasileiros que sonhavam com um país sem repressão, com liberdade e envolvimento popular. Os assassinos e contraventores continuam, no entanto, impunes mesmo após mais de 20 anos do fim da ditadura.

Desta forma o trabalho do Comitê Estudual é investigar os casos de violação dos direitos humanos cometido pelos militares no Estado do Amazonas, identificando tanto as vítimas quanto os algozes. Assim desde o mês passado o comitê vem averiguando os casos ocorridos através de um grupo de pesquisa e propondo diversas atividades na cidade com o grupo de mobilização. Uma destas ações ocorreu na semana passada, quando alguns membros do comitê estiveram em uma audiência na Assembléia Legislativa do Estado expondo o trabalho dos grupos e criando parcerias com alguns parlamentares.

Nesta última segunda-feira (2) às 18 horas, os cidadãos que compõe o Comitê se reuniram no Sindicato dos Jornalistas em Manaus para continuar a discussão sobre as pesquisas que vêm sendo realizadas com dezenas de parentes e vítimas do regime militar.Foi feita também a análise da ação do grupo na Assembléia Legislativa, que todos julgaram bastante positiva aos propósitos do comitê.

Esteve presente também na reunião o Deputado Estadual José Ricardo Wendling que comentou a importância da organização nos trabalhos do grupo e se colocou a disposição do Comitê para apoiar e auxilia-lo quando necessário.

As reuniões do Comitê Estadual da verdade ocorre nas segunda-feiras a cada quinze dias na sede do Sindicato dos Jornalistas no Centro de Manaus. Semanalmente os grupos de pesquisa e mobilização se reunem para realizar suas ações. A próxima reunião do Comitê está marcada para o dia 16 de julho às 18 horas.

DEMÓSTENES VOLTA AO SENADO PARA CONTINUAR SUA AVENTURA DO PERDÃO

Conforme havia prometido na segunda-feira, dia 2, porque promessa é dívida, o senador Demóstenes Sem Partido Torres, amicíssimo do contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinho Cachoeira, preso no dia 29 de fevereiro junto com seu bando pela Polícia Federal por força das operações Saint Michel, Vegas e Monte Carlo, voltou à tribuna do Senado para dar continuidade à sua aventura do perdão. Não esquecendo para uma tribuna quase vazia. Ele tenta os últimos recursos dos que se sentem diante da hora fatal: o dia 11 deste mês, dia de sua cassação.

Demóstenes tenta realizar, através dos discursos, um ritual para obter o compadecimento de seus ex-pares. Ele vai seguir essa cantilena melosa até o dia 11, dia em que será votado, no plenário, o pedido de sua cassação. Até lá, ele é um santo que renega seu destino político dantesco.

Com cara de piedade, mas sem baixar a guarda como os que não aceitam desaforo, uma forma de acreditar que ainda tem respeitabilidade, ele afirmou que as gravações realizadas pela Polícia Federal, que o acusam de participar do esquema de Cachoeira, foram manipuladas e conseguidas de formas ilegais. E que trechos das gravações serviram para virar manchetes contra sua reputação. Demóstenes como é um sujeito escolada não precisa de orientação, mas essas últimas atuações dele refletem a indicação de seu advogado que tem um irmão envolvido com Cachoeira. Toda essa encenação desesperada tem o objetivo de reverter os votos à favor de sua cassação.

Ele também afirmou que não houve perícia nas gravações que fora solicitada por sua defesa ao Conselho de Ética do Senado durante o processo de quebra de decoro parlamentar. Como já havia se expressado na segunda-feira, ele voltou a afirmar que é inocente. Triste argumento de Demóstenes quando se tem as gravações da Polícia Federal.

“O título da transcrição virava títulos das manchetes. Uma máquina de moer reputação. Reafirmo a todos que sou inocente e que o tempo provará”, ladainhou Demóstenes, lembrando o cassado Collor com o seu “o tempo senhor da razão”. E que razão.

O tempo que poderá provar para Demóstenes que ele é inocente é o tempo cujo conteúdo será o inverso da realidade que se tem no momento. Uma realidade difícil de ser transmutada para um tempo demosteniano que anulará o real do Senado. O fracionamento da democracia. Nada que Demóstenes possa ter como poder para realizá-lo.

A saga de Demóstenes é inglória. Que o digam os seus ex-pares que não estão sendo afetado por seus pedidos de perdão e clemência. Alguns senadores, mesmo os que não estavam presentes no plenário, foram unânimes em afirmar que já era para o amicíssimo de Cachoeira.

“Nada altera a convicção pessoal de cada um depois dos fatos revelados. Não é o discurso do senador que vai nos emocionar, que vai nos comover”, disse o senador do partido reacioná PSDB, Álvaro Dias.

“É o último grito de desesperado. Não há o que fazer”, afirmou a reacionária senadora Katia Abreu, que não presenciou o discurso lacrimoso.

“Não ficou demonstrado a inexistência do vínculo. Ele não conseguiu demonstrar que não se constituiu instrumento dos interesses, por muitas vezes ilícitos, de Cachoeira”, observou o sendor petista, Eduardo Suplicy.

PADRE ACUSADO DE ABUSAR SEXUALMENTE ADOLESCENTES É PRESO

O padre Anderson Risseto, que no ano passado foi denunciado por seis adolescentes da Comunidade Advento de abuso sexual contra os mesmos, foi preso pela Polícia Civil de São Paúlo. O padre foi preso sob a suspeita de abusar sexualmente alguns adolescentes em uma comunidade clandestina no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo.

Ao tomar conhecimento da denuncia do ano passado feita pelos seis adolescentes da Comunidade Advento, que abriga mais de vinte adolescentes, o Ministério Público (MP) determinou investigação sobre o padre Anderson que é padre a seis anos, e desde 2008 trabalha assistindo jovens carentes. Um dos rapazes que denunciou o padre, contou que foi chamado por ele para ir até seu quarto, e ao chegar lá, encontrou nu. O jovem disse ainda, que o padre ameaçava os adolescentes afirmando que só ficaria na entidade quem tivesse relações sexuais com ele.

O delegado, Paul Henry Verduraz, que efetuou a prisão do padre afirmou que as denúncias “são consistentes”.

“Além disso, no mandado de busca cumprido nessa terça-feira foram encontrados DVDs e material que confirma o que os jovens denunciaram”, disse o delgado.

Por sua vez, a Diocese de Campo Limpo, diante do fato erótico-sacro, divulgou nota afirmando que o padre Anderson já não realiza mais trabalhos em paróquias desde que renunciou à paróquia em março de 2010. E a Comunidade Missionária Advento foi extinta logo depois da saída do padre. Em junho deste ano, o padre foi suspenso de todas às suas funções sacerdotais.  

PT VAI CONVOCAR PREFEITO DE PALMAS PARA EXPLICAR A DENÚNCIA DE SUA RELAÇÃO COM CACHOEIRA

O prefeito de Palmas, Raul Filho, do Partido dos Trabalhadores que aparece em gravações da Polícia Federal em conversas íntimas e comprometedoras ao decoro executivo, vai prestar esclarecimento dessa sua relação promíscua. Ele aparece em gravações pedindo que Cachoeira promova um show para sua campanha em 2004, além de se comprometer em facilitar ações do contraventor em Palmas. A informação é da Executiva do Partido dos Trabalhadores do Tocantins.

A reunião da executiva que tratou da convocação de Raul Filho para explicar seu relacionamento com o mafioso Carlinhos Cachoeira ocorreu na noite de ontem terça-feira, dia 3. A executiva também defendeu que o prefeito, amigo de Cachoeira, seja convocado para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Donizeti Nogueira, presidente estadual do partido disse que a convocação de Raul Filho pode ocorrer ainda essa semana, e que ver com grande preocupação as denúncias. Por isso, ele espera que a CPMI vá além nas investigações.

Se referindo ao pedido de ajuda para a campanha do prefeito ao contraventor, Donizeti, disse que tem perspectivas para que a CPMI crie um projeto de reforma política para acabar com esse vício.

“Isso revela o fracasso que o sistema eleitoral brasileiro. A minha perspectiva é que a CPMI apresente para a sociedade brasileira um projeto de reforma política que dê conta de superar esse vício”, disse Donizeti.

Esse  tipo de conduta corrupta do prefeito Raul Filho, já era esperada em função dele haver, no passado, apresentado um comportamento rejeitado pelo Partido dos Trabalhadores, mas ao mesmo tempo aceito. É que o prefeito no ano passado teve uma conduta contrária à posição do partido. Ele apoiou João Ribeiro, do PR, à reeleição ao Senado, mesmo o PT tendo seu próprio candidato, Paulo Mourão.

Por essa decisão, ele foi expulso do partido, entretanto ele recorreu à Executiva Nacional, e foi novamente reconduzido à legenda. O que infere-se é que mesmo que o PT queira se mostrar distante da relação de Raul com Cachoeira, ele também encontra-se compromissado com essa relação antidemocrática de seu membro. 

“Regularização de rádios comunitárias é questão de vontade política”

Em entrevista à Carta Maior, Arthur William, representante brasileiro da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), fala sobre o episódio do fechamento da rádio Cúpula dos Povos, durante a Rio+20, e defende a necessidade de uma mudança legal para que elas contribuam com a nova realidade política, social, econômica e tecnológica da democracia brasileira. Hoje no Brasil a gente tem mais de quatro mil rádios comunitárias legalizadas.

Rodrigo Otávio

Rio de Janeiro – Uma das vitórias da Cúpula dos Povos foi a união popular contra o fechamento da rádio Cúpula, no domingo, 17 de junho, dia em que a mobilização recebia seu maior público no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Presente ao episódio, o jornalista Arthur William, representante brasileiro da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), foi um dos negociadores contra a interrupção das transmissões, que por fim explicitou quão rápido uma licença pode ser emitida.

Em entrevista à Carta Maior, ele relembra o episódio para denunciar como as rádios comunitárias são oficialmente discriminadas e o quanto é necessário a mudança legal para que elas contribuam com a realidade política, social, econômica e tecnológica da democracia brasileira nos anos 2010. “E também é preciso fiscalizar para que a concessão sirva à comunidade e não a interesses pessoais, econômicos e políticos”, acrescenta.

CARTA MAIOR – Como foi o quase fechamento da rádio Cúpula dos Povos, durante a Rio+ 20?

ARTHUR WILLIAM – A rádio reunia diversos participantes da cúpula justamente para transmitir o que estava acontecendo para todo mundo, através da internet. E também pelas ondas de rádio através de uma frequência de FM. O processo de legalização de uma rádio comunitária demora muito no Brasil, hoje está até melhorando, mas em geral demorava 10, 20 anos, então o coletivo da rádio optou por transmitir independentemente da licença, porque era uma baixa potência e os equipamentos eram homologados.

E no domingo da Cúpula dos Povos (17/6) a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) chegou, sem nenhum documento requerendo os equipamentos, para lacrar e levar os transmissores. Devido à mobilização de todos os participantes, com um abraço a radio, a Anatel acabou se afastando do local e chamou a polícia militar para garantir a entrada deles na rádio. Aí passamos a argumentar, através de uma comissão de negociação da qual eu participei, que não era competência da polícia militar a questão de radiodifusão. E entramos em contato com o ministério das Comunicações para conseguir uma licença provisória.
O Ministério das Comunicações, entendendo a importância que a rádio tinha para o evento, conseguiu junto com a EBC (Empresa Brasil de Comunicações) uma licença experimental, temporária, para que a rádio pudesse continuar funcionando de forma legal durante a cúpula. E foi o que aconteceu, conseguimos uma licença experimental, que foi uma grande vitória do movimento, mostrando que na verdade quando se há interesse político para que uma emissora funcione, ela pode funcionar. Então a questão da radiodifusão no Brasil, das rádios comunitárias, pode ser muito melhor do que está, basta vontade política.

Como avalia a atuação da Anatel no caso?

Na reunião de negociação nós questionamos o papel da Anatel. Ela tem outras coisas muito mais importantes para fazer. O STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu que a Anatel fizesse busca de equipamento de radiodifusão, e o entendimento da Defensoria Pública da União é de que não existe apreensão sem busca; o transmissor não apareceu lá no escritório da Anatel, ela foi fazer uma busca e conseguiu encontrar de onde a rádio estava sendo transmitida. Então, segundo entendimento da defensoria pública, essas ações da Anatel são ilegais.

E o conselho da sociedade civil na Anatel, até o Marcelo Miranda, que é do instituto Telecom, se colocou à disposição para travar esse debate dentro da Anatel. A Anatel não vai na Oi, não vai na Vivo, na Tim, sendo que essas empresas são as que mais têm reclamações do consumidor. Agora, contra a rádio comunitária, que está cumprindo o papel essencial que é transmitir a cultura e informações locais de forma voluntária, porque não recebe dinheiro para isso, ela só trata com repressão, com criminalização.

Qual a situação da legislação sobre as rádios comunitárias?

As rádios comunitárias têm uma lei de 1998 (Decreto 2615, para a Lei 9742/97) que é muito ultrapassada. Ela foi uma lei feita pelos empresários para que as rádios comunitárias não significassem uma concorrência. Ela é uma lei do pior momento do governo Fernando Henrique Cardoso, que foi o momento das privatizações, da entrega do patrimônio brasileiro para a iniciativa privada estrangeira, que foi ali entre 1997 e 1998. Essa lei reflete esse momento da democracia brasileira, que era diferente do que a gente tem hoje.

É preciso mudar essa lei. Ela traz uma série de amarras. Ela burocratiza a questão da legalização das rádios comunitárias, então hoje grande parte das rádios comunitárias está na ilegalidade por conta dessa lei. E algumas rádios comunitárias acabam sendo controladas por políticos, por grupos religiosos, porque eles têm o controle econômico e político de uma situação que requer contratação de advogados, de funcionários. E que uma comunidade sem dinheiro, sem poder captar através de publicidade, ou de outras fontes de recursos, como o Fundo Público, voltado para isso, ou o percentual de um imposto, como é o Fistel (fundo de Fiscalização das Telecomunicações), ou do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), para financiar rádio comunitária, fica impossibilitada e alguns grupos políticos ou religiosos acabam se aproveitando para controlar essa concessão de rádios comunitárias. E também é preciso fiscalizar para que a concessão sirva à comunidade e não a interesses pessoais, econômicos e políticos.

A gente precisa avançar, porque a rádio comunitária tem que ser vista como um ator importante na questão da comunicação pública, que hoje está se fortalecendo com a EBC, as rádios Nacional e MEC (Ministério da Educação e Cultura), as rádios públicas estaduais, a TV Brasil e a rede pública de televisão. E as rádios comunitárias fazem parte desse processo, então elas precisam ser tratadas e reconhecidas com a importância devida, e hoje não têm.

A portaria 1462, de 2011, não mudaria esse panorama?

Não. A norma 462 na verdade regulamenta essa lei de 98. Então você regulamentar uma lei que é ruim, você só intensifica o grau de perseguição, o grau de burocracia, o grau de desimportância que o poder público está tendo com as rádios comunitárias. Ela trouxe uma maior transparência nos processos, que na verdade é uma condição que o estado deveria dar sempre, e que até hoje não tinha, por exemplo, na disputa por uma frequência.

Mas por outro lado os pontos piores da lei foram aprofundados. Como a questão, que para a gente é a principal, de que quem transmite sem legalização fica automaticamente desclassificado de um processo de legalização. Ou seja, foi uma forma de impedir que as pessoas exerçam seu direito à comunicação independentemente da legislação burocrática que criminaliza os movimentos sociais, as rádios comunitárias.

Hoje na própria lei não há uma isonomia entre as rádios comunitárias e comerciais. Se uma rádio comercial interferir em uma rádio comunitária, nada acontece. Agora, se uma comunitária interferir em uma comercial, ela tem que desligar o seu transmissor. E a rádio privada, na verdade não é nem rádio comercial, é rádio privada, ela pode ter anúncio na sua programação, o que em grande parte é o que viabiliza sua sustentabilidade. E a rádio comunitária é proibida de fazer publicidade, ou seja, a rádio comunitária, no Brasil, é sinônimo de rádio pobre, por conta da lei.

Há como mudá-la?

A norma 1462 foi um retrocesso. Os movimentos sociais reclamaram, tanto a Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária), como a Amarc fizeram mobilizações e agora o governo está com uma proposta de alteração da norma. Esse processo está na Casa Civil e toca em pontos que para o movimento são muito importantes. Um exemplo é a autorização de publicidade comercial, desde que essa publicidade seja do comércio local e desde que não sejam veiculados os preços e condições de pagamento. E a rádio comunitária é muito importante para incentivar o comércio local, porque o pequeno comerciante não consegue anunciar na grande rádio (NR: No Rio de Janeiro, por exemplo, média de R$ 700 por 30 segundos de veiculação). Então quem tem acesso aos meios de comunicação vai comprar nas grandes lojas, e o comércio local fica enfraquecido. A rádio comunitária é um espaço para fazer essa economia local girar.

Outra questão é o alcance do transmissor. A norma de 1998 colocava o alcance do transmissor em um quilômetro. Ou seja, além de 25 watt ser uma transmissão de muito baixa potência, a questão de 1 Km de raio é até aonde a rádio pode pegar. E isso desconsidera a formatação territorial da comunidade. Pode haver uma rádio comunitária que atende a um município que tem muito mais do que 1 km de raio. Então a proposta de modificação da norma é que o alcance do transmissor seja equivalente ao território da comunidade atingida. Mas de qualquer forma essas pequenas melhorias não atendem ao que a gente precisa, que é mudar a lei.

Um novo marco regulatório?

O marco regulatório brasileiro das telecomunicações está fazendo 50 anos. E não dá para continuar, ele é muito antigo, não contempla rádios comunitárias, sites e comunicação digital. Ele precisa ser atualizado do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista da comunicação que hoje temos, porque não dá para 99% das rádios e 99% das televisões serem privadas comerciais. É preciso ter maior democracia nas comunicações e hoje isto não existe. O marco regulatório precisa tratar disso.

O marco regulatório é a principal pauta do movimento de comunicação como um todo hoje. O FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), do qual a Amarc faz parte, luta pela aprovação do marco regulatório. A partir das contribuições da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) o governo fez um esboço do que seria esse marco e está prometendo colocar em consulta pública o mais breve possível. Então o movimento social pressiona o governo para que isso aconteça e que esse processo também seja o mais democrático possível, com audiências públicas discutindo os pontos do marco e que ele seja aprovado o mais urgentemente.

É importante também que o debate sobre comunicação seja feito junto. Seja feito com uma certa coerência entre as leis. A Amarc verifica que o governo tem aprovado leis recentemente, a lei da EBC em 2008, a norma de rádio comunitária em 2011, a lei de TV por assinatura, o marco civil da internet, que também está quase sendo aprovado, ou a própria lei dos direitos autorais. Ou seja, é uma série de questões da comunicação que estão sendo aprovadas sem nenhuma ligação entre elas. É preciso que exista uma consolidação, uma coerência entre as normas. Não dá para ter um marco civil da internet que é bem avançado e uma norma de rádios comunitárias que é um retrocesso feitos pelo mesmo governo. O governo tem que manter uma coerência e tratar a questão da comunicação como algo único, essencial para a consolidação da democracia no Brasil.

Fazendo um comparativo, qual a situação das rádios comunitárias em outros países?

As rádios comunitárias, principalmente na América Latina, têm uma realidade bem parecida com a do Brasil. Só que em alguns países têm avançado, como por exemplo Equador, Uruguai e Argentina. Na Argentina, com a lei dos meios, todas as comunicações foram divididas entre estatais, ou seja, controladas pelo estado, independentemente se têm finalidades públicas, culturais, educativas; as emissoras privadas com fins lucrativos, que são o que a gente chama hoje de emissoras comerciais, e as emissoras privadas sem fins lucrativos. E nesse último segmento estão contempladas as rádios comunitárias, quilombolas e livres.

É um enquadramento bem mais amplo do que a gente tem no Brasil, que a constituição diz público, estatal e privado. Até a própria discussão entre o que é público e privado acaba complicando o enquadramento das rádios comunitárias. Por exemplo, rádios comunitárias são privadas, mas são públicas, elas têm caráter público. Já as emissoras, hoje as rádios e televisões que a gente chama de públicas, elas são controladas pelo estado, estatais, mas têm finalidade pública também. Então a definição do que é público é muito importante para isso.

A gente luta, por exemplo, no marco regulatório, para que a definição do que é público, estatal ou privado esteja contemplada nisso. Até para que as rádios comunitárias que a gente entende que estão nesse campo público da comunicação tenham a relevância merecida na lei.

E em outros lugares?

Você tem uma realidade, por exemplo, de países que são muito pobres, onde a comunicação privada não existe, como no Haiti e em alguns países da África. Existe a comunicação pública, que também não tem muito investimento. E a comunicação comunitária é muito forte. Por quê? Porque ela recebe financiamento estrangeiro, de entidades, de outras organizações não governamentais. O Haiti é um exemplo disso, onde as rádios comunitárias têm mais audiência, mais importância, chegam ao país todo com um transmissor com alcance para o país inteiro. E cumprem um papel importante na conscientização da população.

Na própria questão dos desastres naturais, como é o caso do Haiti, elas cumpriram papel superimportante para conscientizar a população para encontrar desaparecidos durante o terremoto daquele país. O que aconteceu aqui também em Teresópolis e Nova Friburgo (RJ) com a Rádio Comunidade de Friburgo, onde foi a rádio comunitária que conseguiu encontrar os desaparecidos. Porque a rádio comercial não tem relações com a comunidade, não é feita pela própria comunidade, é feita por profissionais e tem a finalidade de lucro; e a rádio pública está muito distante da cidade, ela está transmitindo do Rio de Janeiro, então não tem laços tão firmes como uma rádio comunitária.

Isso mostra a importância da rádio comunitária em países que não têm estrutura nenhuma. A rádio comunitária cumpre esse papel essencial, como no caso do Haiti e em países da África também.

Quais os objetivos da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc)?

O objetivo da Amarc mundialmente é a luta pela garantia do direito à comunicação como direito humano fundamental. O ser humano é comunicativo por natureza. Se expressa pelo olhar, pela fala, pelos gestos, mas também por um jornal, um site, um blog, uma rádio e uma televisão. É preciso que o poder público garanta isso através de políticas públicas.

A Amarc atua com foco nas rádios comunitárias em parceria com os movimentos locais de cada país. Ela se junta aos movimentos comunitários locais para lutar para que políticas públicas sejam colocadas em prática, ou sejam criadas para garantir esse direito à comunicação.

Voltando ao Brasil, é possível fazer uma estimativa de quantas rádios comunitárias existem?

Hoje no Brasil a gente tem mais de quatro mil rádios comunitárias legalizadas. Mas a nossa previsão é que existam, entre legalizadas e não legalizadas, mais de 10 mil rádios operando.

Finalmente, para o cidadão que leu essa entrevista e gostou do tema. Como ele acessa as rádios comunitárias?

As rádios comunitárias têm uma frequência apenas por município. Se você está em determinado lugar, você só pode ouvir uma rádio comunitária, porque a lei impõe isso, e elas têm uma separação de quatro quilômetros. Então se você está em casa, ou no trabalho, você só vai conseguir ouvir uma rádio comunitária.

E em cada município ela tem uma frequência diferente. Aí tem que entrar no site da Anatel para verificar qual a frequência específica do seu município. Ou pode entrar no site da Amarc, www.amarcbrasil.org, ou no site da Abraço, www.abraconacional.org, para verificar qual a rádio comunitária mais próxima. E também participar, porque a rádio comunitária é aberta a participação de todos. Não apenas ouvir, mas também fazer locução, ajudar no que puder dentro da rádio comunitária.

Carta Maior

“Na terra…homens do mar” – trabalho fotográfico

 Fotos por: Cláudia Moura Fotografia

Acesse o blog: http://claudiamourafotografia.wordpress.com/2012/06/28/na-terra-homens-do-mar-2/ 


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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