Arquivo para 6 de julho de 2012

DEMÓSTENES, USANDO DE SEU DIREITO DE QUASE CASSADO, PROTESTOU CONTRA O CONSELHO DE ÉTICA E A CCJ

Usando de seu direito de quase cassado ou de pré-cassado, o senador Demóstenes Sem Partido Torres, amicíssimo do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu bando no dia 29 de fevereiro pela Polícia Federal por força das operações Vegas e Monte Carlo, protestou contra às decisões do Conselho de Ética do Senado por pedir sua cassação, e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por reconhecer constitucionalidade no pedido de sua cassação.

O senador ex-campeão da moral parlamentar, fez seu desabafo em mais um discurso na tribuna do Senado vazio, palco de sua cantilena melosa até o dia de sua cassação, em 11 de julho. Entre lamentos, e ranger de dentes, ele afirmou que houve inconstitucionalidade nas fases do processo no Conselho de Ética que pediu sua cassação, e na CCJ que reconheceu constitucionalidade no pedido. Ele disse também que não teve oportunidade de apresentar provas em sua defesa. Para ele houve alterações nas gravações feitas pela Polícia Federal com o objetivo de incriminá-lo. E disse mais, que o julgamento no Senado não tem cunho político, e não houve investigação, mas um trabalho para a imprensa.

“O relatório analisado ontem pode ter de tudo, menos o que é constitucional, o que o torna ilegal e antijurídico. Como cassar o mandato de um senador com base em provas cuja colheita “rasgou” a Constituição Federal.

O Conselho de Ética se serviu de diversos expedientes na tentativa de robustecer a acusação. Na vontade de cassar um senador, é feita vista grossa para as montagens que, em vez de incriminadoras, são criminosas.

O STF disse aqui que é preciso buscar prova, inclusive de natureza técnica, prova laboratorial. O Conselho de ´Tica fez exatamente o contrário.

Se meu pescoço não servir de abrigo à espada da mídia, ela vai se voltar contra essa Casa”, choramingou épico o ex-campeão da moral parlamentar.

Demóstenes chora sobre um prato que comeu os mais maléficos sabores contra a democracia. As tramas sórdidas proporcionadas por ele junto a essa mesma mídia que hoje, em desespero vaidoso, acusa. Centenas de vezes Demóstenes serviu de leva e trás dessa mídia acéfala que sempre conspirou historicamente contra a democracia brasileira. 

O senador ex-campeão da moral parlamentar, com sua cassação, está apenas realizando o ciclo das trapaças políticas que ele mesmo fomentou junto à essa mídia. Daí que sua cassação é também a cassação dessa mídia. Mesmo que agora ela queira apresentar uma face de entidade confiável e honesta. Princípios que nunca teve.

CACHOEIRA SEGUE SEM GANHAR UMA. A JUSTIÇA FEDERAL DE BRASÍLIA LHE NEGOU MAIS UM HABEAS-CORPUS

Bem que os advogados do contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu bando desde o dia 29 de fevereiro pela Polícia Federal por força das operações Vegas e Monte Carlo, tentaram mais uma saída para seu mais famoso constituinte em dívida com a Justiça, mas nada conseguiram. Tudo ficou como dantes.

A 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), na pessoa do relator do processo, desembargador Sousa e Ávila, negou por unanimidade o segundo pedido de habeas-corpus para a soltura do mafioso. Os advogados usaram o já carcomido argumento de que os outros réus envolvidos no processo já deixaram a prisão e por isso, Carlinhos Cachoeira deveria receber o mesmo tratamento. Além de argumentarem que ele, o contraventor, encontra-se doente, e está sofrendo de depressão.

Conhecedor do carcomido argumento, o desembargador Ávila, argumentou que Cachoeira era a pessoa que autorizava pagamentos e decidia as ações que deveriam ser implementadas pela organização criminosa. Segundo o desembargador, o Judiciário deve analisar com “extrema cautela” o pedido de liberdade para que a “soltura precipitada” venha colocar em risco o andamento do processo. Em função do forte poder econômico de Cachoeira, e sua grande capacidade de influência no meio político e na administração pública.

Ávila também destacou as ameaças de morte sofridas pelo juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima pelo bando de Cachoeira, e as mais recente condenação do contraventor no Rio de Janeiro, onde ele foi condenado a mais de oito anos de reclusão. Além daquela representação contra ele por desacato e desobediência à autoridade na prisão. Segundo o desembargador, todo esses fatores indicam possível reiteração criminosa e prejuízo ao processo.

Rebatendo ao argumento dos advogados de defesa que Carlinhos Cachoeira encontra-se doente, o desembargador disse o sistema prisional tem toda condição do preso, e que ele pode também fazer uso de hospitais fora do presídio, quando for necessário. 

PROPAGANDA ELEITORAL COMEÇA HOJE

Segundo a Lei das Eleições a propaganda eleitoral a partir de hoje, dia 6, a propaganda eleitoral está liberada na internet, e os candidatos podem usar alto-falantes e amplificadores nas sedes dos partidos e nos veículos. O uso desses recursos pelos candidatos deverá seguir um horário que vai das 8 horas às 22 horas. Os comícios também estão liberados, devendo seguir os horários das 8 horas às 24 horas.

A partir do dia 7, sábado, estão proibidos shows artísticos pagos com recursos públicos e participação de candidatos em inaugurações de obras públicas. O dia 18 é o dia em que os candidatos, os partidos políticos, coligações e o Ministério Público têm o prazo para às impugnações das candidaturas finalizado. A determinação é da Lei Complementar N° 64/1.990.

Já no dia 21 de agosto começa a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, indo até 4 de outubro. Correspondendo três dias antes do primeiro turno. Nos municípios onde houver seundo turno, o dia será dia 28.  

VERDÃO COM FUTEBOL MEDÍOCRE, IMPONDO STRIP-TEASE AO COXA, E COM VALDIVIA EXPULSO, GANHA A PRIMEIRA DA PELADA BRSIL

Para o Por Fora do Futebol

A disputa do primeiro confronto entre o Verdão e o Coxa pela Pelada Brasil, conhecida pelos otimistas-incautos como Copa Brasil, não poderia ser diferente: uma verdadeira pelada que fez a festa dos cupins que ocuparam a Arena Barueri. Uma festa tão cupinhada que teve até cena de strip-tease explicito proporcionado por um defesa do Periquito em um atacante do Coxa que se não tivesse de cueca sua parte orgânica-erótica ficaria exposta muito além da coxa.

É por esses casos, futebol-erótico, que às vezes encontram-se com razão os que opinam que os jogadores deveriam jogar sem uniformes. Ou seja, nus. Pelo menos suas roupas não seriam puxadas. Os adversários poderiam puxar outras coisas, mas roupa não.

Para quem está habituado a vê o futebol criativo e ativo do Barcelona e da Seleção da Espanha, mesmo sem Messi, é uma verdadeira tortura assistir tão cruel pelada que chega a quase vazar os olhos dos obstinados do futebol que acreditam que, quem sabe, em uma decisão possa se fazer o milagre da arte futebolística.

Mas nem milagre salvou a pelada de um Verdão mediocremente acovardado em seu campo, diante de um Coxa atacante, mas sem intimidade com o gol. Com peladeiros caindo na frente do goleiro Periquito, perdendo gols próprios de peladas de várzeas. Dois times sem qualquer criatividade. O Coxa sem atacantes criativos que pudessem realizar jogadas que redundassem em gols, e o Verdão sem defesa, meio de campo e ataque. Quer dizer, não foi um time. Não fosse o bom e sambado, Marco Assunção, os paulistanos teriam amargados um saboroso empate.

Marco Assunção é tão imprescindível para o Periquito que os dois gols de seu time saíram de sua lavra. O primeiro, uma cobrança de falta que redundou em um penal cobrado por Valdívia, e o segundo, outra cobrança de falta que Thiago Heleno mandou de cabeça.

Mas nem tudo foi só pelada divorciada de criatividade. Houve uma boa nota criativa exibida por Valdívia. O Mago resolveu fazer mágica com a bola que era do time do Coxa, o juiz não gostou da graça, e lhe sapecou um cartão amarelo. Logo depois, fez uma mágica mais realística, derrubou um jogador do Coxa, e foi expulso. Obras criativas. Na próxima pelada não joga.

Para os amantes do sofrimento do futebol, os pathosoficobols, semana que vem tem mais. Ninguém deixa de sofrer por esperá. 

Foro de São Paulo busca articulação global da esquerda

Em plena crise do neoliberalismo, a 18ª edição do Foro de São Paulo, que ocorre em Caracas, oferece uma ocasião única para as esquerdas do mundo confrontarem ideias e definirem ações em um mundo de areias movediças. “Sem uma concertação em escala mundial será difícil fazer frente a situações como a que atravessa o Paraguai”, disse o eurodeputado espanhol Willy Meyer (foto), da Esquerda Unida. O artigo é de Eduardo Febbro, enviado especial da Carta Maior a Caracas.

Eduardo Febbro – Direto de Caracas

Caracas – Pela primeira vez desde sua criação, o Foro de São Paulo celebra sua edição, a 18ª, na capital da Venezuela. 600 convidados, mais de uma dezena de oficinas temáticas convergem em Caracas sob um lema comum: “Os povos do mundo unidos contra o neoliberalismo e pela paz”. Em plena debacle do neoliberalismo, o Foro oferece uma ocasião única para as esquerdas do mundo confrontarem ideias e definirem ações em um mundo de areias movediças. Jorge Mazzarovich, presidente da Comissão de Assuntos e Relações Internacionais da Frente Ampla, do Uruguai, destacou em Caracas que estes acontecimentos servem para dar um novo impulso aos processos de unidade e solidariedade entre os povos latino-americanos. Para Mazzarovich, nisso residem “as bases da mudança, ou seja, de uma integração solidária e complementar. É contra isso que se enfrenta o imperialismo”.

Esta XVIII edição venezuelana do Foro de São Paulo se articula em torno de 14 oficinas temáticas, entre as quais se destacam os temas da defesa, da democratização da informação e da comunicação, meio ambiente e mudança climática, migrações, movimentos sindicais e sociais, povos originários, segurança agroalimentar, segurança e narcotráfico. O Foro deu também um lugar destacado às mulheres e aos jovens que farão um balanço da experiência técnica, econômica, política e social dos governos de esquerda na América Latina.

O secretário executivo do Foro, Walter Pomar, assinalou que a pluralidade das esquerdas “nos dá uma capacidade de debate e uma incidência muito maior na realidade”. O primeiro ato oficial do Foro ficou a cargo de parlamentares latino-americanos que aprovaram uma dezena de declarações e resoluções em solidariedade a Cuba, Haiti e à reivindicação argentina pelas Ilhas Malvinas. Em uma série de declarações especiais, os parlamentares defenderam a independência de Porto Rico, o direito da Palestina “ser um Estado livre e independente” e a luta do povo boliviano. Os parlamentares também aprovaram uma resolução contra o golpe de Estado no Paraguai e um texto de repúdio às “bases militares estrangeiras” instaladas na América Latina.

O Paraguai foi um dos temas prediletos nos primeiros debates. A histórica senadora colombiana e defensora dos Direitos Humanos, Piedad Córdoba, disse ontem que “o que ocorreu no Paraguai é reflexo do golpe de Estado em Honduras, mas com uma cirurgia legislativa”. Piedad Córdoba está no Foro representando o movimento colombiano Marcha Patriótica. Neste contexto, Córdoba disse esperar que o documento final do Foro se expresse sobre o conflito armado na Colômbia.

Já o eurodeputado espanhol Willy Meyer – membro da Esquerda Unida – observou que sem uma concertação em escala mundial será difícil fazer frente a situações como a que atravessa o Paraguai em função de que o golpe contra Fernando Lugo obedece a uma lógica política importada dos Estados Unidos. “O Paraguai necessita de uma resposta internacional da esquerda, porque a extrema-direita dos Estados Unidos está utilizando todas as vias para dobrar a vontade democrática dos povos”, disse Meyer.

Esta quase cúpula das esquerdas que é realizada na Venezuela permite encontrar dirigentes de todo o mundo que estão hoje na linha de frente da conjuntura mundial. Esse é o caso da deputada grega Rena Dourou, membro da coalizão da esquerda radical grega Syriza. Dourou colocou ênfase sobre um dos grandes paradoxos das democracias ocidentais: não só estão sob controle dos poderes econômicos, como assiste-se ao renascimento de grupos que reivindicam sem reparos seus laços com a ideologia de Hitler. O partido neonazista Aurora Dourada obteve mais de 7% de votos nas eleições legislativas realizadas na Grécia em meados de julho. Rena Dourou destacou essa curiosa coincidência: “O paradoxo está no fato de que a democracia nasceu na Grécia e agora ali surge o neonazismo. A Grécia é o berço da democracia e pode ser fatal para a Europa que o nazismo se instale lá”.

Quer sejam latino-americanos, europeus ou de outras partes do mundo, a mensagem central do primeiro dia de debates teve muito a ver com a convergência e com a racionalidade na ação. O eurodeputado Willy Meyer observou a respeito que “no Foro de São Paulo devemos nos colocar de acordo em torno de agendas comuns contra o neoliberalismo, a guerra e a agressão permanente aos povos e aos trabalhadores”.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Carta Maior

“A salvação do planeta está na América Latina”

Para o analista Juan Carlos Monedero, ex-conselheiro do presidente Hugo Chávez, a salvação do planeta ou virá da América Latina, ou não virá de  lugar algum. “A Europa está exausta, a China não quer, os Estados Unidos tampouco e a África não pode. A América Latina é o continente que sofreu o problema neoliberal e conseguiu superá-lo. É o continente que tem a memória do que é o modelo neoliberal e, além disso, tem a memória dos povos originários que lembram a necessidade de respeitar a Pacha Mama”. A reportagem é de Eduardo Febbro, direto de Caracas.

Eduardo Febbro – Direto de Caracas

Caracas – O primeiro grande debate aberto da 18ª edição do Foro de São Paulo teve como tema os governos progressistas e de esquerda. No curso das amplas discussões ficou refletida a preocupação de muitos delegados pela estabilidade desses governos e pelo modo de desenvolvimento que oferecem ou podem oferecer frente à hostilidade dos modelos liberais. Do Panamá e da Palestina, passando por Honduras, Venezuela, Uruguai, Porto Rico, Brasil ou México, os participantes mostraram grande preocupação com a forma pela qual os progressistas podem implementar suas políticas sem se expor à decapitação liberal. Um delegado da Palestina afirmou com visível temor que, por onde quer que se vá, “o liberalismo bloqueia os caminhos mundiais ou nacionais”.

O outro grande tema consistiu em encontrar uma resposta a essa grande incógnita que consiste em saber em que fase de sua história se encontra o modelo liberal levando em conta todas as crises que o atingiram nos últimos anos. Aqueles que chegaram a considerá-lo como agonizante ou morto reconhecem que não é assim, mas tampouco encontram no horizonte um modelo para retratar o estado atual. Conversamos em Carcas com o analista Juan Carlos Monedero, ex-conselheiro do presidente Hugo Chávez e lúcido pensador dos pleitos que a esquerda deve fazer nestes tempos de dúvidas.

Os participantes deste Foro, ao mesmo tempo em que celebram a existência de governos progressistas, perguntam-se o que fazer frente ao modelo ultraliberal que segue em pé apesar das hecatombes que provocou e que o afetaram.

Há milhares de teses sobre este modelo capitalista que não serviu nem para prever a crise nem para resolvê-la. A esquerda tem um terrível problema de reflexão. Nos cansamos de repetir que uma ação sem teoria é cega e que uma teoria sem ação é vazia. Há problemas para os quais não temos resposta. Por exemplo, quais são as relações entre os movimentos sociais e os governos: como atua um governo que pode ter acesso aos aparatos do Estado sem que isso signifique tenha realmente o poder? Como se relaciona o Estado herdado com o Estado em construção? Qual é o novo sujeito de transformação? O que ocorre quando a classe operária segue existindo, mas já não se deixa representar? Creio que a esquerda pode encontrar respostas a estas perguntas em foros deste tipo. O grande desafio da esquerda é ver como se traduzem as diferentes lutas pela emancipação para encontrar um fio que as unifique.

Há anos que a esquerda tem uma grande capacidade análise, uma extrema lucidez em seu diagnóstico. No entanto, inclusive em um dos piores momentos do liberalismo, a esquerda não consegue plasmar uma ação de impacto global. Por quê?

A esquerda sempre mobilizou com sonhos. Os grandes lemas de mudança social da esquerda que tanto emocionaram a população são um pouco vagos: terra e liberdade, pão e trabalho, socialismo ou morte, etc. Essas ideias são elementos amplos, mas não chegam a se concretizar. Por paradoxal que pareça, hoje em dia os únicos que são politicamente incorretos são os atores da direita: Berlusconi na Itália, Sarah Palin nos Estados Unidos, Esperanza Aguirre na Espanha, etc. São sujeitos capazes de apelar às emoções. Por isso, quando o capitalismo está em crise, a saída mais fácil que encontra é a fascista. E isso se deve ao fato de que a esquerda não consegue entender que tem que ser capaz de unir a emoção e a gestão. A esquerda precisa renovar as emoções e terminar de concretizar as alternativas. Vivemos em um mundo de transição onde o velho não termina de ir embora e o novo ainda não acabou de chegar.

Precisamos fazer teoria não na base daquilo que queremos, mas sim do que não queremos. Isso representa uma vantagem teórica. Os modelos tradicionais se romperam: a União Soviética afundou, o mundo do trabalho se transformou, os Estados nacionais mudaram e as ideologias se diluíram. Os marcadores de certeza se tornaram líquidos e por isso temos dificuldade para concretizar outras coisas em uma alternativa que tomará forma na medida em que for sendo construída. Considero importante teorizar sobre uma esquerda flexível que vá construindo o grande mosaico daquilo que desejamos com base naquilo que não queremos.

Estamos então em uma crise de modelos onde as novas ondas não chegam a arrastar o mundo de antes.

Estamos em uma encruzilhada teórica onde os velhos elementos já não valem, não valem os velhos partidos políticos, não vale o modelo de assalto ao poder nem muito menos o modelo de gestão humanista de um capitalismo em crise como faz a social democracia. Como diria Marx, é um momento para regressar à biblioteca e tentar aportar modelos que orientem.

Mas todas estas buscas que você expõe não afastam o poder uma oligarquia disposta a tudo para ser manter. O sistema não acabou. Por acaso hoje o liberalismo é mais frágil ou se reforçou com a crise? O que seria uma autêntica estratégia da esquerda para um momento como este?

Ludovico Silva dizia que se os louros fossem marxistas seriam marxistas ortodoxos. Eu diria: nem Marx, nem menos. Marx nos dá muita luz, mas é preciso lê-lo com a luz atual. Não sabemos se a crise do capitalismo será a última. Uma filosofia da história tem o problema de pretender que o futuro está escrito, o que não real. A esquerda não conseguiu ver bem a enorme capacidade de adaptação do sistema capitalista. Sabemos que cada vez que há uma crise, o leque de respostas do sistema se estreita. O capitalismo saiu da última grande crise dos anos 70 com a exploração da natureza, com a exploração dos países do Sul e das gerações futuras mediante o déficit. Esses três elementos se esgotaram.

O que sabemos hoje é que as respostas do sistema se estreitam. O sistema global teve que regressar à origem e exacerbar a exploração dentro de casa. Também sabemos que, segundo as cifras mais otimistas, há 75 vezes mais dinheiro que riqueza. E essa mentira funciona enquanto o capital financeiro decida seguir na trilha da mentira. Enquanto diz “nós paramos”, isso é mentira e a situação continua a mesma. Isso é o que está acontecendo. O sistema financeiro se deu conta de que a brecha entre o dinheiro e a riqueza é tão grande que não poderá pagar.

Daí, insisto, a importância deste Foro e da América Latina. Não me canso de repetir que a salvação do planeta ou vem da América Latina, ou não vem de nenhum lugar. A Europa está exausta, a China não quer, os Estados Unidos tampouco e a África não pode. A América Latina é o continente que sofreu o problema neoliberal e conseguiu superá-lo. É o continente que tem a memória do que é o modelo neoliberal e, além disso, tem a memória dos povos originários que lembram a necessidade de respeitar a Pacha Mama. Essa conjunção de memória ancestral e de memória de curto prazo do modelo neoliberal situa a América Latina como um lugar central para encontrar as alternativas.

Nos debates do Foro temos visto uma grande preocupação das pessoas pelo futuro da governabilidade dos governos progressistas. Há uma mescla de medo e ansiedade.

O problema reside em que os governos atuais de mudança têm que administrar o aparato estatal herdado e as pressões atuais. Aí há um conflito porque os movimentos sociais que apoiaram na América Latina os governos da transformação, frequentemente reclamavam também uma parte desse modelo passado. Quem se encarrega então das novas demandas? Do que se trata? Reativar um modelo de consumo que as pessoas consideram perdido, ou reconstruir a realidade?

Os problemas atuais de Evo Morales, Correa, Cristina Fernández de Kirchner respondem a esses problemas mal resolvidos entre a gestão do passado, a gestão do presente e a do futuro. Creio que seria um erro apoiar-se em um movimento social para oferecer-lhe somente o que o modelo anterior deixou de prometer-lhe. Assim estaria se construindo o que fez Margaret Thatcher. Satisfazer as bases da demanda social sem educar com os novos valores da alternativa que queremos construir pode repetir aqui o que ocorreu na Europa: a esquerda construiu a sociedade das classes médias, mas depois essas classes médias chutaram a escada para que os que viessem atrás não tivessem mais oportunidades. Essas classes médias se converteram em novos proprietários sem ideologia. Por isso é essencial um trabalho de tradução entre os diferentes sujeitos que portam a emancipação.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Carta Maior

Carta Aberta à Guido Mantega

Carta Aberta à Guido Mantega
Sexo, Mentiras e… Greve
 
Sr. Ministro
Inicio esta missiva invocando uma faceta sua, pouco conhecida do grande público: a de teórico da sexualidade. Li com grande interesse a obra “Sexo e Poder”, em que teorizaste junto a importantes pensadores do tema, como Olgária Matos, Maria Rita Kehl e Jean-Claude Bernardet, constelação que compôs a obra, inclusive, sob a tua batuta de coordenador.
Lembro-me de que o papel da sexualidade nas relações de poder é situado por ti no âmbito das relações mais sutis, invisíveis. Afirmaste ainda que o autoritarismo mais eficaz não é visto a olho nu, ainda que possa ser tão eficiente quanto a polícia ou as instituições judiciárias.
Sendo assim, no campo da sexualidade, tal autoritarismo é uma das várias manifestações deste poder invisível, subterrâneo, que age na penumbra, entranhando-se até mesmo nas sociedades de aparência a mais democrática. E, concluíste afirmando que a sexualidade tem estado comprometida com as relações de dominação existentes ao longo destes anos de civilização.
Em sua reflexão, no capítulo 1 do referido livro, utilizando-se de referencial marxista, criticaste Freud por estabelecer uma espécie de hierarquia do prazer, onde o gozo do trabalho agradável ou das obras de arte seriam menos intensos do que aqueles produzidos por instintos mais grosseiros e primários. Baseaste sua crítica na constatação de que faltava à teoria freudiana uma compreensão adequada e mais abrangente de trabalho, que pudesse dicotomizar a insatisfação com o exercício do trabalho alienado do incomensurável prazer que emana da atividade que é exercida por gosto, por vontade e não sob coação ou necessidade.
Pois bem, neste sentido, vossa fala, afirmando que o Plano Nacional de Educação (PNE) vai quebrar o Estado, está em clara consonância com a política educacional do Governo Dilma, colocando os formuladores do PNE – docentes, pesquisadores e parlamentares, inclusive do seu próprio partido – na condição de trabalhadores alienados, com braços, pernas e mentes comprimidos pelo torniquete da “austeridade fiscal”. O senhor reafirma, com esta fala, que os professores brasileiros, trabalhadores aviltados pelo Estado, continuarão a exercer sua atividade sob a pressão da mera necessidade de subsistência. Imagine o que estaria indicando o “orgasmograma” ficcional criado por você, em Sexo e Prazer, caso medisse a satisfação destes profissionais com as condições em que seu trabalho é exercido.
Sr. Mantega, não podemos sequer fingir orgasmo com os impotentes 3% do PIB destinados pelo Brasil à educação. E, cá pra nós, ainda que sejas um economista reconhecido e que tenhas feito esta bem sucedida incursão pelo campo da sexualidade, pergunto: porque acredita que possa fazer alguma inferência em relação às necessidades do campo educacional?
Meu caro economista do sexo, segundo José Marcelino Rezende Pintor, da USP, para cumprir efetivamente as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), o investimento do PIB no setor deve chegar a 10,7% em 2020. Nelson Cardoso Amaral, da UFG, por sua vez, afirma, que se o País aplicar 10% do PIB, atingirá padrões próximos aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 6 mil dólares por aluno entre 2020 e 2030. O pesquisador afirma ainda que se forem aplicador 8% do PIB, esse patamar será atingido entre 2030 e 2040 e, se for aplicado 7%, só se aproximará dos valor investido pelas nações ricas entre 2040 e 2050.
Caro Ministro, seu governo diz ter como meta do Ideb a nota 6 (desempenho da Comunidade Européia em 2005), embora aplique apenas 1/3 do montante investido pelos países europeus em ensino (R$3,5 mil por aluno, contra R$9 mil dos europeus). Seu governo, que diz preocupar-se com a educação, investe, nesta área, pouco mais da metade do que recomenda a UNESCO (6% do PIB), menos do que a média latinoamericana (4,6% do PIB), menos do que Bolívia, Argentina, México, Cuba. Enfim, no continente africano, até a pobre Botsuana investe mais do que o seu governo!
Por fim, nas já visíveis tramas das relações entre sexo e poder, Senhor Ministro, seu governo pratica conosco aquilo que V. Sa. cunha de sexualidade autoritária, castrando intelectualmente os docentes, negando-lhes a possibilidade do prazer no magistério. E, como diria o finado pensador Roberto Freire, meu caro economista, sem tesão não há solução.
Com estes argumentos despeço-me com um singelo pedido econômico-sexual:
– Exmo. Sr. Ministro, não f… mais com a Educação!

USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.245.452 hits

Páginas

Arquivos