Arquivo para 7 de julho de 2012

SABATINA MIDIÁTICA

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade.

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade. Jean Baudrillard

Em sua deplorável jornada que vai ao único lugar, sua cassação, o senador Demóstenes Sem Partido Torres, acusado de usar seu mandato para beneficiar o contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu bando no dia 29 de fevereiro pela Polícia Federal por ação das operações Vegas e Monte Carlo, voltou à tribuna do Senado para por em prática sua cantilena melosa inglória de comover seus ex-pares com seus vagos argumentos. Uma jornada inatingível.

Por trinta minutos, diante de um plenário vazio, Demóstenes, voltou a reafirmar os antigos argumentos de que não teve direito de defesa e que as gravações feitas pela Polícia Federal que o incriminam contém indícios de montagens e edições. Desesperado, Demóstenes, tenta derrubar uma decisão da Justiça que já decidiu que as gravações são legais.

Apelando para o sinal que tem um forte clamor junto à sociedade, o enriquecimento ilícito, o senador ex-campeão da moral parlamentar que teve sua performance simuladora desmontada, afirmou, em tom de triste pudor, que em todo o processo não há qualquer indício de que ele tenha recebido vantagens indevidas de sua relação com Carlinhos Cachoeira.

“O perito comprova cabalmente que houve a edição. Há robustos indícios de edição. Quem está dizendo é o perito, talvez o melhor perito em mídias forenses do Brasil.

Não encontraram nenhuma relação minha com negócio ilegal, com enriquecimento ilícito no processo inteiro. Não tem milhão, não tem mil, não tem centavo. Só tem o salário que recebo aqui como senador da República.

“Sou limpo, meu patrimônio é limpo”, afirmou choroso, Demóstenes.

Quarta-feira, dia 11 de julho, dia de sua cassação, é o dia que Demóstenes não quer encontrar de nenhuma forma, porque ele se transformará em conteúdo fantasmagórico de sua memória.

@ A centralização autoritária da direção nacional do Partido dos Trabalhadores força a saída de um dos mais aguerridos, ético e racional de seus filiados, o deputado federal, por Pernambuco, Maurício Rands. A desfiliação do deputado federal foi anunciada ontem, dia 6, na Câmara dos Deputados, em nota lida pelo deputado João Caldas (PSDB/AL), no exercício da presidência da sessão. Rands, estava licenciado da Câmara para exercer o cargo de secretário de Governo de Pernambuco.

O deputado ex-petista afirmou que tomou a decisão depois que a direção nacional do PT agiu autoritariamente na candidatura à prefeitura de Recife impondo seu próprio candidato não respeitando decisões regionais de decidir o nome para à disputa. A direção nacional simplesmente proibiu disputa interna para impor a candidatura do senador Humberto Costa do partido.

“Depois da decisão da direção nacional do PT, impondo autoritariamente a retirada de minha candidatura e a do atual prefeito – João da Costa -, recolhi-me à reflexão. Conclui que esgotei por inteiro a minha motivação e a razão para continuar lutando por uma renovação no PT.

Por não terem dialogado com a militância do PT em Recife, muito menos com a Frente Popular, ignoraram que existiam alternativas, procedimentais e de quadros, dentro do partido, que unificariam a frente em torno de uma candidatura do PT.

Com a decisão da direção nacional do PT, lamentavelmente, esta unidade resultou rompida. Diante de minha discordância com essa ruptura provocada pela direção nacional do partido, concluí que cheguei ao fim de um ciclo na minha vida de militante partidário”, diz trecho da nota de desfiliação do deputado federal, Maurício Rands.   

Quem é de Manaus sabe como ocorrem essas imposições. Não só em Manaus. Mas aqui, em Manaus, o PT, é deplorável. E como deplorável é facilmente objeto de joguete da direção nacional. Depois de se condicionar à posição de serviçal da direita pedradora que tomou conta do Amazonas há quase trinta anos, resolveu ser um mero coadjuvante de uma candidatura dominada por três reacionários. Senador Eduardo Braga (PMDB), cria do atual prefeito Amazonino, que por sua vez foi cria do finado governador Gilberto Mestrinho; senadora Vanessa Graziotin (PCdoB), acusada de compra de votos pelo ex-senador Arthur Neto – candidata à prefeitura -; e o governador Omar Aziz (PSD), afilhado de Braga.

Daí que por força das decisões da direção nacional, o PT no Amazonas foi proibido de lançar candidatura própria para continuar sua imobilidade mendiga. É um partido com forte comportamento comercial, porque não tem singularidade, nada que signifique um partido político.

Sem injustiça, deve ter alguns poucos com nota política.

@ Enquanto o Ministério do Planejamento divulgava que iria cortar o ponto dos servidores em greve, mais de quinhentos servidores de doze órgãos federais em greve realizavam uma assembleia na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A reunião que fora organizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal (Sindsep/DF), decidiu pela intensificação e ampliação da greve. A decisão foi uma resposta ao governo que afirmou que vai cortar o ponto dos servidores desde a data de 18 de junho, dia que começou a greve.

Embora tenha mandado cortar o ponto dos servidores em greve, o governo afirmou que vai continuar com as negociações, porque trabalha com a data limite de 31 de julho para concluir os estudos que possam afirmar ou não se ele pode conceder o reajuste salarial. Mas o governo tem como base certa a data de 31 de agosto, a data limite para enviar o projeto do Orçamento de 2013 ao Congresso Nacional.

Os servidores continuam em paralisação reivindicando a criação de plano de carreira, criação e estabelecimento de data-base no dia 1° de maio, melhores condições de trabalho, novos concursos públicos e equiparação de salário e benefícios com os servidores do Legislativo e Executivo.

Uma reivindicação democraticamente justa.

@ Em junho, a procuradora da República, Lea Batista de Oliveira, recebeu um e-mail anônimo cuja mensagem afirmava que ela havia sido “dura demais” com os comparsas de Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, chefe da organização criminosa que se espalhou pelo Brasil, principalmente o Brasil Central.

No dia 23 de junho, a procuradora da República, Léa Batista de Oliveira, voltou à receber outro e-mail. Só que dessa vez com ameaças a ela e sua família. Foi então que a Polícia Federal começou às investigações para encontrar o autor anônimo das ameaças. Visto que todo anônimo não é invisível, por isso passível de ser encontrado. Ainda mais na internet.

Então, não deu outra. Ontem, dia 6, a Policia Federal prendeu, em Anápolis, Adriano Aprígio, uma figura conhecida do Ministério Público Federal de Goiás por encontra-se incluído entre os 80 indiciados acusados de envolvimento com a quadrilha do mafioso Carlinhos Cachoeira.

Mas a notoriedade do peça não fica só em sua participação no bando do contraventor. Ele é ex-cunhado de Carlinhos Cachoeira. Como diz o bordão da máfia: “Tudo em família”.

@ Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), referente a confiança ou não da sociedade brasileira nas polícias do Brasil, números que fazem parte de estudo do Sistema de Indicadores de Percepção Social sobre Segurança Pública de 2012, a maioria não confia nas instituições policiais do país.

Da população brasileira, 62% tem total desconfiança da Polícia Militar. Quase o mesmo índice indica a Polícia Civil: 60% não confia nessa instituição. A desconfiança vai cair quando os entrevistados tiveram que dá suas opiniões sobre a Polícia Federal e a Polícia Federal. Na confiança  dos entrevistados 46% e 47%, respectivamente, acreditam nas Polícia Federal e Rodoviária.

O estudo mostra ainda, que 53,3%, em todo país, acredita que a Policia Militar é ineficiente em atender a população quando é chamada. Para 51,5%, a Policia Militar não respeita as pessoas quando aborda as pessoas nas ruas. Nacionalmente, 53,5% dos policiais brasileiros não respeitam não respeitam os direitos dos cidadãos. Já para, 63,5%, os policiais tratam as pessoas com preconceitos.

Um estudo preocupante, mas já esperado quando se sabe que o Brasil encontra-se nos primeiros lugares dos países do mundo que desrespeita os direitos humanos, e onde a tortura é uma prática diária nas delegacias policiais. Conforme mostram organismo internacionais que tratam dos direitos humanos.

O que mostra que a tortura é a única forma “inteligente” que os policiais que à praticam tem para tentar solucionar crimes. Uma situação dolorosa para um país que é 6° economia do planeta, e pretende ter maior voz entre as comunidades internacionais.

Ideias em liberdade

Digamos, Garfield, o gato. Personagem extraordinária, filósofo cínico no sentido da antiga Grécia com o retoque de um senso de humor próximo, ouso sugerir, do jovem Dickens, aquele dos Cadernos Póstumos do Pickwick Club.

Apanho outra figura exponencial, o Pica-Pau. Chistoso, maldoso, capaz de malignidades de refinamento extremo, favorecidas pela agudez do bico impiedoso. E logo não dispenso o Leão da Montanha e sua vocação, na hora do aperto, de sair ora pela direita, ora pela esquerda, com o destino exclusivo, despidas de qualquer conotação ideológica, de pôr a pele em salvo.

Devo observar nos comportamentos do Leão da Montanha um substrato de ingenuidade, manifestado inclusive por sentimentos muito próximos da mania de perseguição, contrabalançados por repentes de matreirice não isenta de graça, embora elementar. Trata-se, em suma, de um esperançoso. Ao contrário de Garfield e do Pica-Pau, os quais provavelmente não leram Spinoza mas não se permitem alimentar fé e muito menos esperança.

Estas personagens surgem em cena por causa de uma conversa que acabo de ter com um velho companheiro, Paulo Henrique Amorim, responsável há quem diga, não menos do que o acima assinado, se não pelo golpe de 1964, ao menos pela sustentação da ditadura depois do golpe dentro do golpe de 1968. Para variar, Paulo Henrique e eu falamos da mídia nativa, infatigável na sua trincheira em defesa da democracia, ameaçada, como se sabe, antes por um operário metido a sebo e agora pelo governo de dona Dilma, envolvido em uma conspiração a favor de Hugo Chávez em consequência da queda de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai. Precipitada, aliás, por decisão parlamentar absolutamente constitucional. Vale um adendo em relação à presidenta: ela é secundada por um carcamano que no Ministério da Fazenda leva o Brasil à falência.

Ouço a voz de Raymundo Faoro: “Não exagere em ironias, haverá quem o leve a sério”. Talvez um punhado de petistas, ainda entregues ao fanatismo do Apocalipse. Apresso-me, de todo modo, a recomendar: por favor, não levem a sério as linhas do parágrafo precedente. Em compensação, não há como duvidar da seriedade que moveu Paulo Henrique e a mim ao imaginarmos que a qualidade e a consistência informativa do Jornal Nacional, escolhido como exemplo da mídia nativa, melhorariam sobremaneira caso fosse ancorado pela dupla Garfield–Pica-Pau.

Não pretendemos formular uma proposta formal à alta direção da Globo. Nem por isso renunciamos à ideia, à nítida percepção, afirmo até, de que os aludidos heróis confeririam ao noticioso global um certo poder de credibilidade até agora em falta. O Leão da Montanha figura no enredo de caso pensado. No nosso entendimento, ele cabe à perfeição no papel de analista.

Cada um dos citados, de resto, promete desempenho impecável. No caso do Leão da Montanha, creio que ele poderia ampliar o raio de ação. Sem temor de enganos, sustento que valeria alargar-lhe o saber até a escrita, graças a uma coluna diária para alegria dos leitores. Miriam Leitão que se cuide. Merval Pereira também, mesmo porque não haveria surpresas se algum dia o Leão da Montanha fosse eleito para a Academia Brasileira de Letras. E digo mais, de fardão ele ficaria muito bem.

Recordo que William Bonner, âncora inextinguível, exige um Jornal Nacional prioritariamente dirigido a telespectadores dotados do nível mental de Homer Simpson. Ao cabo, sobra-me uma certeza: o velho, exemplar Homer gostaria destas modestas sugestões, formuladas, está claro, a tempo perdido.

Por Mino Carta

“Chegou a hora da solidariedade internacional”, diz ativista paraguaio

Os parlamentares, operadores do direito e ativistas dos direitos humanos que participaram do Seminário Internacional sobre a Operação Condor aprovaram uma moção de repúdio ao recente golpe de estado no Paraguai. Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o médico, escritor, professor e ativista paraguaio, Alfredo Boccia Paz, explicou porque é importante que os demais países da região se oponham à medida. “A democracia tem que se defender”.

Najla Passos – Brasília

Brasília – Os parlamentares, operadores do direito e ativistas dos direitos humanos que participaram do Seminário Internacional sobre a Operação Condor, em Brasília, nos dias 4 e 5/7, aprovaram uma moção de repúdio ao golpe de estado no Paraguai. De acordo com o documento, o golpe foi “um lampejo de um nefasto espírito civil da Operação Condor, que retirou em processo sumário e sem direito de ampla defesa, Fernando Lugo do cargo de presidente do Paraguai, que ocupava pelo voto direto e democrático do seu povo, agora traído pelos que se dizem seus representantes no parlamento”.

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o médico, escritor, professor e ativista dos direitos humanos paraguaio, Alfredo Boccia Paz, autor do livro “Os arquivos secretos da Operação Condor”, avaliou as possíveis relações entre o pacto firmado entre os governos ditatoriais da América Latina, na década de 1970, e o golpe recente. Explicou também porque é tão importante que os demais países da região se oponham à medida. “A democracia tem que se defender”, afirma.

– Qual a relação entre o golpe no Paraguai e a Operação Condor?

A primeira vista, é difícil relacionar algo que aconteceu em 1975, 1980, com algo que ocorreu agora. Mas, do ponto de vista da motivação, há alguns pontos em comuns. O Operação Condor não poderia ter funcionado apenas por iniciativa dos militares. Precisou ter um apoio político, social e econômico que permitia o funcionamento das estruturas repressivas. E estas estruturas conservam interesses econômicos atuais. No golpe de agora, é impossível falar de uma repressão militar como se via antes, mas não é impossível se falar em retirar governos com uma nova metodologia, por estruturas afins às mesmas diretrizes políticas e econômicas daquelas que, há 30 anos, apoiaram os ditadores. Os golpistas de agora são os filhos daqueles.

– Então, há risco para outros governos da América Latina?

Nunca na história, a América Latina passou por um momento onde tantos países estavam transitando em governos democráticos. Até que tivemos Honduras, em 2009, que foi um primeiro alarme. Mas parecia que isso só poderia acontecer em um país centro-americano, pequeno e com muitos problemas econ6omicos e sociais. Parecia impossível aqui. Mas, agora, descobrimos que é possível também no coração do Mercosul. E sem violência, sem retirar presidente em avião, mas com um golpe parlamentar.

– Um golpe com capa pseudo democrática?

Sim, porque de outra forma seria injustificável perante a comunidade internacional.

– Foi correta a postura dos demais países do Mercosul de suspenderem o Paraguai do bloco?

Lógico. Chegou a hora da solidariedade internacional com o Paraguai. Primeiro pela mesma luta do Paraguai de, nos últimos 20 anos, tentar vivenciar a democracia, coisa que não aconteceu quase nunca na história do país. Mas também porque um governo de direita que comete violações dos direitos humanos, ou das normas adotadas pelas democracias, é permanentemente um perigo para as outras democracias. A democracia tem que se defender. Tem que se defender via organismos multilaterais, como o Mercosul, a Unasul, e outros mais.

Carta Maior

Resistência do Brasil em punir torturadores prejudica toda a AL

Os cerca de 350 parlamentares, operadores do direito e militantes dos direitos humanos que participaram em Brasília, do Seminário Internacional sobre a Operação Condor se comprometeram em criar Fórum Permanente para lutar contra a impunidade dos crimes praticados pelas ditaduras da América Latina. As críticas mais contundentes foram contra o judiciário brasileiro, que revalidou a Lei da Anistia, imposta pela ditadura militar em 1979.

Najla Passos – Brasília

Brasília – A resistência do Brasil em adotar medidas que permitam a punição dos agentes da ditadura responsáveis por crimes de lesa humanidade, como torturas, desaparecimentos forçados e assassinatos, prejudica a luta pelos direitos humanos em toda a América Latina. Este foi o principal recado deixado pelos cerca de 350 parlamentares, operadores do direito e militantes dos direitos humanos que participaram, nestas quarta (4) e quinta (5), do Seminário Internacional sobre a Operação Condor, em Brasília, promovido pela Comissão Parlamentar de Memória, Verdade e Justiça da Câmara.

A Operação Condor foi um pacto firmado entre as ditaduras de Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, fundado na Doutrina de Segurança Nacional, ministrada pela Escola das Américas, que, por meio de terrorismo de Estado, impôs sofrimento a milhões de pessoas, em centros clandestinos de tortura, cadeias e quartéis da América do Sul. A compreensão dos participantes do seminário é a que justiça só será feita com a participação efetiva de todos os estados envolvidos.

Para o juiz federal argentino, Daniel Rafecas, que teve pedidos de extradição de torturadores argentinos rejeitados pela corte brasileira, a interpretação equivocada que o Superior Tribunal Federal (STF) faz da Lei da Anistia, imposta pela ditadura brasileira em 1979, impede os avanços dos direitos humanos não só no Brasil, mas também nos demais países do cone sul. “Esta é a questão central para avançarmos na consolidação das nossas democracias. Crimes de lesa-humanidade, como torturas, assassinatos e prisões ilegais, são imprescritíveis sob o ponto de vista de toda a legislação internacional. O Brasil precisa compreender isso”, criticou.

Segundo ele, na Argentina, desde 2005, a suprema corte declarou a lei local de anistia inconstitucional. Com isso, foi possível abrir processos contra cerca de mil agentes da ditadura, sendo que 250 já foram condenados por crimes graves.

O deputado argentino Remo Gerardo Carlotto acrescentou que os julgamentos dos crimes praticados no âmbito da Operação Condor devem ser considerados políticas de estado pelos governos envolvidos. “O Estado democrático deve prestar contas daquilo que foi feito pelo estado terrorista anteriormente”, defendeu.

A jornalista, escritora e professora chilena Mônica Gonzalez, também cobrou uma postura mais incisiva das autoridades brasileiras, para permitir o resgate da memória dos regimes militares, comum a todos. Em especial, no caso do povo chileno, a verdade sobre um dos períodos mais emblemáticos da sua história: o golpe que retirou do país, em 1973, o presidente socialista Salvador Allende. “Nós sabemos foram os empresários brasileiros que financiaram a junta militar responsável pelo golpe. E que as primeiras armas que chegaram ao Chile para apoiar Pinochet saíram do Exército brasileiro. Queremos que essa história seja esclarecida e os culpados, punidos”, reivindicou.

O jornalista e ativista dos direitos humanos brasileiro Luiz Cláudio Cunha reconheceu que o país é um péssimo exemplo em resgate da memória. “O Brasil é o país mais atrasado nesta questão. Suas elites políticas e judiciais são extremamente covardes e hipócritas. Eles acham que não punição é uma coisa importante. E a gente vê que os povos da argentina, do Uruguai, do Chile estão resgatando sua autoestima a partir da vivência dos julgamentos de pessoas que cometeram crimes que não são perdoáveis, crimes imprescritíveis. O crime de tortura, por exemplo, é um crime que deve ser sempre perseguido no mundo inteiro. Tanto é que ainda hoje se ouve notícias de nazistas de 80, 90 anos sendo presos. E não por causa de um revanchismo idiota, ou de um sentimento de vingança qualquer, mas porque a justiça do mundo exige que a tortura seja sempre punida. No Brasil, inventaram que isso não tem importância. E para vergonha nossa, isso foi chancelado pelo STF”, criticou.

O médico, professor, escritor e ativista paraguaio Alfredo Boccia Paz propôs uma articulação entre os movimentos dos direitos humanos dos países envolvidos para cobrar justiça e, assim, curar as feridas abertas pelas ditaduras. “Sempre nos chamou muita a atenção porque no Brasil tardava tanto a começar a discutir essas questões de resgate da memória e justiça, que há muito tempo que já vínhamos discutindo nos demais países. A Condor foi transnacional. O reencontro com a memória também precisa ser sem fronteiras”, cobrou.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça a Câmara, também defendeu a articulação de um pacto para lutar contra a impunidade. “Temos que construir uma articulação que seja o reverso da Operação Condor, e possa resgatar a dignidade dos nossos povos por meio da verdade e da justiça. Crimes como o de tortura não podem ser resolvidos com perdão, mas com punição. Isso não se trata de uma vontade pessoal, mas de uma demanda da sociedade”, justificou.

No documento final do evento, denominado Carta de Brasília, ficou expresso o recado ao judiciário brasileiro. “É exigida uma nova interpretação dos instrumentos legais que cada ditadura impôs nos ordenamentos jurídicos nacionais, como autoanistia e prescrição, a garantir a impunidade aos crimes por elas praticados contra os povos da região, cabendo-nos confrontar toda lei, decreto ou norma que possa reduzir, anular ou restringir a proteção aos direitos humanos, e propugnar que os Estados, em nossas constituições, permitam a investigação e a punição dos crimes contra a humanidade, conforme já estabelece a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, para que os agentes de Estado, assim como os seus cúmplices civis que violaram os direitos humanos, sejam processados e punidos com penas proporcionais aos seus crimes”, diz a Carta.

Fotos: Antonio Augusto/Agência Câmara

Carta Maior


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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