Arquivo para 10 de julho de 2012

Festança afinina no Novo Aleixo

No último domingo o Bairro do Novo Aleixo em Manaus caiu na festa afinina e não faltou animação nesta produção das crianças e jovens afinados. Com muita dança, brincadeiras, música e comida a festança mais tradicional deste meiod’ano começou antes do sol de por e terminou na bela noite de luar.

Durante o arraiá tiveram várias brincadeiras. A primeira delas era a criação de uma forma de dança que fosse diferente da quadrilha e qualquer outra que foi ensignada no corpo.

E como logo a produção de novos movimentos os corpos estavam prontos para se unir ao corpo das outras crianças na animada quadrilha. E como a quadrilha afinada é feita a partir da alegria e potência coletiva, a festa ficou ainda mió.

Ao som das diversas e conhecidas composições juninas como Olha pro céu, Festa na roça, Polca Fogueteira, Pagode Russo e Piriri do centenário Mestre Lua, também conhecido como Luiz Gonzaga a quadrilha começou seus movimentos. E neste arrasta-pé homem canta e dança também, mostrando que o forró é de todos.

E como toda quadrilha além do tunel, da grande roda, do caracol, também tem a hora do casamento. A brincadeira do casório bota na roda o casamento burguês, o falso contrato feito para a partir das “paixões objetais” como escreveu o filosofo Sartre.

Assim a brincadeira propõe mostrar as duas formas de união: uma a partir do contrato falocrático que é dominada pelo “poder familiar” dos homens e outro em uma relação de amizade e companheirismo em uma tentativa de encontros e novas produções. E na teatralização da existência as jovens noivas e noivos atuaram nestes casamentos da roça.

E a animação continuou com mais brincadeiras como a teatralizante produção de rostidades, onde as expressões faciais de uma criança tinham que ser repetidas por outra. Porém como as festas juninas sempre ocorrem junto com as festividades do folguedo do bumba-meu-boi, as brincadeiras também se voltaram ao nosso amigo boi.

A primeira delas foi de laçar a cabeça boi, onde com a corda tinha que laçar por inteiro a cabeça. Mesmo muitas tentativas depois, o boi continou livre, já que o máximo que conseguiram lançar foi um dos chifres do boi que se movimentava contente, pois nem o grande laçador de boi Anderson Vizinho conseguiu laça-lo.

Depois de tentarem laçar o boi foi a vez de colocar o rabo no boi. Com os olhos vendados e depois de algumas giradinhas, a concentração espacial e sonora tem que guiar o corpo em sua nova posição em direção a anca do boi, onde finalmente o rabo encontraria o corpo. E foram várias tentativas para achar o boi, mas era mais fácil colocar o rabo na parede, na porta, ou até em outro colega.

A última brincadeira foi a pescaria, onde todas crianças tinham que escolher uma linha e puxar seu próprio destino presente. Com muitos brindes como um kilo de alimento, brinquedos, roupas, acessórios, aneis, entre muitos outros.

Com tantas brincadeiras, danças e vivências também não pode faltar a hora do repouso e reposição das energias. E como a festança é para os três santos juninos João, Pedro e Antônio, a comida não poderia ser mais típica com vatapá, mingau de mungunzá, bolo de milho, paçoca e o sorvete delicioso do Nelson Noel.

E a comilança foi apreciada por todos com as deliciosas iguarias que foram servidas. E logo a festança chegou a fim como a fogueira que se torna cinzas. Porém assim como fenix a alegria é revivida durante todo o ano e renasce em um novo fogo na próxima festa junina.

E as crianças afinadas continuarão em sua produção durante todo o ano, pois no domingo o encontro kinemasófico continua agitando as noites que produzem novas imagens e relações.

DESESPERADO COM O DIA DE AMANHÃ, DEMÓSTENES VOLTA AO PLENÁRIO VAZIO PARA CLAMAR COMPAIXÃO DE SEUS EX-PARES

E lá foi novamente o senador Demóstenes Sem Partido Torres, acusado de usar seu cargo no Congresso para beneficiar o contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu bando pela Policia Federal por ação das operações Vegas e Monte Carlo, ao plenário vazio do Senado para implorar, da tribuna, complacência e compaixão de seus ex-pares para que evitem sua cassação, cuja votação ocorrerá amanhã, dia 11, dois dias antes da sexta-feira 13.

Em seu discurso lacrimoso o ex-campeão-arrogante da moral parlamentar voltou a acusar a mídia como responsável pela dor que se encontra passando. De acordo com seu choro ele está sofrendo a “ditadura da perseguição”. Por isso, por insuflação da mídia, seus ex-pares querem sua cassação. Não porque sejam inidôneo, mas por pressão da mídia. Nestes momentos, Demóstenes,  esquece de dizer, “logo essa mídia que foi tão minha amiga, e a quem eu tanto ajudei a perseguir o governo Lula e Dilma, satisfazendo Carlinhos Cachoeira”.

Demóstenes não economizou seu dom histriônico para fazer seu discurso de apelação. Inflamado ele afirmou que estava ali para defender sua honra, e que “a desonra é pior que a morte”. Novamente afirmou que é inocente, e que no dia da votação o Senado não se curva ao sensacionalismo.

“Vivemos a ditadura da perseguição, que se aproveitou de um relatório vazado criminalmente. Fizeram porque foi colocado sobre seu peito uma enxurrada de matérias. Não quiseram ser as vítimas da vez. A mídia considera impuro o que de mim se aproxima.

A desonra é pior que a morte. Por isso que eu preferi lutar para salvar o meu mandato . Reafirmo minha inocência e asseguro que estou sendo sacrificado por uma grande injustiça. Insisto que não há provas contra mim e estas carnavalizadas pela imprensa são ilegais e foram montadas.

É preciso relembrar que estamos na antevéspera do momento em que o Senado não pode se curvar ao sensacionalismo. Depois de amanhã, esta Casa vai votar um projeto de resolução que determina a perda do meu mandato. Se ele for aprovado, será a maior injustiça da história do Parlamento brasileiro”, lacrimou o senador que se simulava politicamente ético.

COMISSÃO DA VERDADE QUER QUE O ITAMARATY AJUDE EM CASOS DE VIOLAÇÕES NO EXTERIOR

O coordenador da Comissão da Verdade, Gilson Dipp, disse que a comissão vai se encontrar hoje, dia 10, com ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, para esclarecer fatos de violações dos direitos humanos de brasileiros no exterior. O objetivo, segundo o coordenador da comissão, é estreitar laços para melhor andamento das investigações.

Ele disse também que a Comissão da Verdade resolveu reabrir o caso do guerrilheiro Ruy Carlos Vieira Berbert, assassinado aos 24 anos, na cadeia pública de Natividade, em 1972. Nesse tempo Natividade pertencia ao estado de Goiás, hoje pertence ao Tocantins. A comissão ficou sabendo do caso de Ruy através de uma reportagem, com fotos, publicada por um jornal de São Paulo. Dipp, disse ainda, que a comissão desconhecia a quantidade de casos dispostos no Arquivo Nacional.

“É a primeira aproximação, certamente vamos conversar tudo que for interesse da comissão. Eles podem dar uma colaboração muito grande à comissão.

Conhecemos o caso pela reportagem, mas que é possível ter pesquisa maior. Amanhã vamos ver que providências podemos tomar junto com os conselheiros para vermos como vamos tratar esses casos. Estão aparecendo casos novos que não estávamos esperando, fatos que desconhecíamos. Vamos tentar localizar o corpo, porque a morte já foi constada pelas fotografias.

Não tínhamos noção de que o Arquivo Nacional disponibilizassem tantos documentos e, mediante consultas inteligentes, pudesse se chegar o que foi agora, pela primeira vez, divulgadas fotografias. Vocês estão inda mais rápido que nós em termos de pesquisa e mapearam toda a documentação que não sabíamos que existia”, disse Dipp.

Dia 30 deste mês, haverá uma reunião em Brasília com todos integrantes das 40 comissões da verdade existentes no país, para discutir sugestões. 

EM NOTA, LUGO, DENUNCIA VIOLÊNCIAS E PERSEGUIÇÕES EXECUTADAS PELO GOVERNO DO USURPADOR FEDERICO FRANCO

Assunção – Fernando Lugo, o presidente paraguaio que foi alvo de um golpe parlamentar, divulgou nota oficial na noite desta segunda-feira (9) endereçada à opinião pública nacional e internacional denunciando ameaças e atos de violência que estariam sendo cometidos pelo “regime ilegítimo e golpista” de Federico Franco. A íntegra da nota:

Não à violência do regime ilegítimo e golpista!

O julgamento político de 21 e 22 de junho teve origem em um ato de violência em Curuguaty que deixou 17 mortos e que foi parte de uma conspiração para desestabilizar o Poder Executivo. Propusemos desde a Presidência a constituição de uma comissão especial de investigação séria do ocorrido com acompanhamento de organismos internacionais. No entanto, a primeira medida do regime encabeçado por Federico Franco foi suspender essa iniciativa, o que desperta a suspeita de toda a nação de que não há interessa por parte desse regime de esclarecer aqueles fatos.

O governo atual é um regime originado na violência e frente a isso temos realizado, desde o começo, um chamado ao povo para manter a calma, evitar as provocações e a violência. Essa tem sido a atitude de nossa parte, mas temos encontro violência e perseguição por parte do atual regime.

A Mesa do Senado não entregou até agora, após mais de quinze dias, nem ao presidente Fernando Lugo nem ao senador Filizzola, o registro gravado das sessões e a sentença com as razões da destituição do presidente constitucional, apesar dos vários pedidos feitos neste sentido.

Os senadores Carlos Filizzola e Sixto Pereira estão sendo ameaçados por senadores golpistas com a suspensão por terem se oposto ao julgamento político.

No Senave (órgão de controle das sementes), o novo presidente, um vendedor de agrotóxicos, militante do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), afastou mais de cem funcionários sob a acusação de que seriam “luguistas”.

Na Itaipu Binacional, o sindicato controlado por Honor Colorado, em aliança com o atual diretor geral paraguaio, dirigente do PLRA, anunciou a demissão de 300 funcionários sob a acusação de serem “esquerdistas”.

O novo regime tratou de assaltar a TV Pública, o que gerou uma heroica defesa de seus funcionários. Mas já se iniciaram também as ameaças para sufocar a resistência e começaram demissões em massa. Em vários ministérios recebemos denúncias no mesmo sentido. Acreditávamos que as demissões por motivos ideológicos eram práticas do passado estronista, mas elas voltam agora pelas mãos da cúpula do PLRA.

O novo regime apresentou com clara intenção intimidatória um vídeo de muitos anos atrás onde aparecem líderes políticos como o atual senador Sixto Pereira e o governador de São Pedro, José Pakova Ledesma. A partir de vários espaços, os golpistas anunciam ações contra o presidente Lugo. Eles não somente violaram princípios fundamentais do direito para poder implementar um julgamento político arranjado, como continuam as ilegalidades com perseguições e atentados contra a pessoas que resistem pacificamente e buscam amedrontar os dirigentes políticos que não vacilaram na defesa da democracia paraguaia.

São estes alguns dos fatos que convocam a opinião pública internacional e nacional, a todos os democratas da região e do país, às instituições internacionais e regionais a não ceder na denúncia para impedir que o atropelo contra a Democracia e a Constituição paraguaia fique impune.

GOVERNO PARAGUAIO TENTA ANULAR A SAÍDA DO PAÍS DO MERCOSUL

Recorrendo ao Protocolo de Olivos que regula a solução de controvérsias entre os países membros do bloco, o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai entrou com pedido de revisão no Tribunal Permanente de Revisão do Mercado Comum do Sul (Mercosul) para suspender a decisão da suspensão do Paraguai do Mercosul até que as eleições de abril do ano de 2013 sejam realizadas.

O pedido também se estende à inclusão da Venezuela no bloco. O governo paraguaio quer que o país de Hugo Chaves sejam afastado Mercosul. Em seu pedido o governo do usurpador Federico Franco afirma que houve violação do direito internacional referente ao princípio da igualdade jurídica entre os Estados e de não intervenção. O tribunal poderá levar de 60 a 90 dias para responder as exigências do governo paraguaio.

O Paraguai foi suspenso do Mercosul pelos países que compõem o bloco em função da forma sumária como a direita paraguaia destituiu o presidente Fernando Lugo da Presidência, eleito democraticamente pelo voto popular. Para os países do Mercosul, os conspiradores não ofereceram direito de defesa à Lugo.

Com a suspensão do Paraguai do Mercosul, e como o Congresso paraguaio era quem votava pela não entrada da Venezuela no bloco, o Brasil, Argentina e Uruguai resolveram incluir a Venezuela no Mercosul.

Como tudo ocorreu, na conspiração contra Lugo, e como os fatos vêm se transfigurando no Paraguai, o governo usurpador de Federico Franco não se encontra realmente interessado em participar do Mercosul. O que ele pretende mesmo é mostrar que tem poderes não só internamente como internamente. E o pior, de uma maneira intransigente. Como também mostrar que é um governo democraticamente lícito. 

GRUPO DE TRABALHO ARAGUAIA REINICIA BUSCAS DE CORPOS DE MILITANTES

O Grupo de Trabalhos Araguaia (GTA) reiniciou ontem, dia 9, as busca dos corpos dos militantes da Guerrilha do Araguaia, em Xambioá (TO), e São Geraldo do Araguaia (PA) que lutaram contra a ditadura militar no período entre os anos de 1964 e 1985. Até o dia 17 de julho a expedição desenvolverá atividades de procuras acompanhada por uma equipe técnica pericial, representantes do Ministério Público Federal (MPF), e os parentes dos presos e assassinados pelas forças repressivas da ditadura.

Dois corpos foram encontrados na última expedição que ocorreu entre os dias 10 e 20 de junho. Os dois corpos que foram encontrados na divisa dos estados de Tocantins e Pará, foram exumados pelo GTA. Desde o ano a década de 1990, ano que começaram as exumações, já foram encontrados 19 corpos. Na exumação os corpos são submetidos aos exames antropométrico e extração de DNA. Em seguida esses corpos são armazenados no Hospital Universitário de Brasília. Para processar um exame rigoroso de DNA os técnicos estiveram nos Estados Unidos identificando novas técnicas de extração de DNA de material genético degradado, o que aperfeiçoou o trabalho da equipe.

Qualquer pessoa que tiver informação onde foram enterrados corpos dos militantes podem entrar em contato com os membros do GTA, através do Disque Direitos  Humanos – Disque 100. As ligações são gratuitas. 

A luta de classes na Europa e as raízes da crise econômica mundial (I)

A situação europeia não pode ser compreendida sem considerar a situação da economia mundial em sua totalidade. Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado alcançaram um nível jamais visto anteriormente. O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”. Alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. E único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. O artigo é de François Chesnais.

François Chesnais – SinPermiso

A crise financeira europeia é a manifestação, na esfera das finanças, da situação de semiparalisia na qual se encontra a economia mundial. Neste momento é sua manifestação mais visível, mas de modo nenhum a única. As políticas de austeridade aplicadas simultaneamente na maior parte dos países da União Europeia contribuem para a espiral recessiva mundial, mas não são sua única causa.

Foram eloquentes as manchetes da nota de perspectiva de setembro de 2011 da OCDE: “A atividade mundial está perto da estagnação”; “O comércio mundial se contraiu, os desequilíbrios mundiais persistem”; “No mercado de  trabalho, as melhoras são cada vez menos perceptíveis”; “A confiança diminuiu”, etc. Após as projeções de Eurostat, em meados de novembro, apontando uma contração econômica da UE, da qual nem a Alemanha escaparia, a nota da OCDE de 28 de novembro assinala uma “considerável deterioração” com um crescimento de 1,6% para o conjunto da OCDE e de 3,4% para o conjunto da economia mundial.

Compreensivelmente, a atenção dos trabalhadores e dos jovens da Europa está centrada nas consequências do “fim de caminho” e do “salve-se quem puder” das burguesias europeias. A crise política da UE e da zona euro, assim como as intermináveis vacilações do BCE acerca do financiamento direto dos países em maiores dificuldades, são suas manifestações mais visíveis. A tendência é endurecer as políticas de austeridade e montar uma operação de “resgate total” da qual não escape nenhum país. No entanto, a situação europeia não pode ser compreendida independentemente da consideração da situação da economia mundial em sua totalidade.

A CNUCED começa seu informe assinalando que “o grau de integração e interdependência econômicas no mundo atual não tem precedentes” (CNUCED, 2011). Este reconhecimento é um inegável progresso intelectual no qual muitos analistas e, inclusive, militantes de esquerda, deveriam se inspirar. O campo da crise é o do “sistema de mudança internacional mais desenvolvido”, do qual já falava Marx em seus primeiros escritos econômicos (Marx, 1971: 161). Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado mundial alcançaram um nível jamais visto anteriormente. Este é o marco no qual devem ser abordadas as questões essenciais: a superacumulação e a superprodução, os super poderes das instituições financeiras e a competição intercapitalista.

Não há nenhum “fim da crise” à vista Na usual linguagem econômica de inspiração keynesiana, o termo “saída da crise” indica o momento no qual o investimento e o emprego se recuperam. Em termos marxistas, é o momento no qual a produção de valor e de mais valia (tomando e fazendo trabalhar os assalariados e vendendo as mercadorias a fim de realizar sua apropriação pelo capital) está baseada na acumulação de novos equipamentos e na criação de novas capacidades de produção. São muito raras as economias que, como é o caso da China, apesar de estarem inseridas em relações de interdependência, seguem desfrutando de certa autonomia, de modo tal que a saída da crise pode ser concebida em nível na economia do Estado-Nação. Todas as demais estão inseridas em relações de interdependência que determinam que o fechamento do ciclo do capital (Dinheiro-Mercadoria-Produto-Mercadoria-Dinheiro) da maior parte das empresas (de todas as grandes, em todo caso) se realize no estrangeiro. E os maiores grupos deslocalizam diretamente todo o ciclo de uma parte de suas filiais.

A isso se deve o alcance do atoleiro registrado desde o último G20. A mais de quatro anos do começo da crise (agosto 2007) e três desde as convulsões provocadas pela quebra do banco Lehmann (setembro 2008), o conjunto da situação está marcado pela incapacidade, ao menos momentaneamente, do “capital” – os governos, os bancos centrais, o FMI e os grupos privados de centralização e poder do capital coletivamente considerados – para encontrar meios que permitam criar uma dinâmica como a indicada em nível da economia mundial ou, pelo menos, em muitos grandes setores da mesma. A crise da zona euro e seus impactos sobre um sistema financeiro opaco e vulnerável são uma expressão disso.

Mas essa incapacidade não implica passividade política. O que ocorre simplesmente é que a ação da burguesia está cada vez mais movida exclusivamente pela vontade de preservar a dominação de classe em toda sua crueza. E faz isso de maneira imediata e direta sobre os trabalhadores da Europa. Os centros de decisão capitalista buscam ativamente soluções capazes de proteger os bancos e evitar o imenso choque financeiro que significaria a moratória de Itália ou Espanha, fazendo cair mais do que nunca o peso da crise sobre as classes populares. Um testemunho disso foi o desembarque (com poucos dias de intervalo) na cúpula dos governos grego e italiano, de agentes do capital financeiro que foram designados diretamente por este, “ignorando os procedimentos democráticos”. Outro testemunho é a dança de rumores sobre projetos de “governança” autoritária que estão sendo discutidos na zona euro. Isso tem implicações políticas ainda mais graves para os trabalhadores, porque vem acompanhado pelo reforço do caráter pró-cíclico das políticas de austeridade e privatização que contribui para a nova recessão em marcha.

Os incessantes chamados que, do outro lado do Atlântico Norte, fazem Barack Obama e o Secretário do Tesouro, Tim Geithner, para que os dirigentes europeus apresentem uma rápida resposta à crise do euro traduzem o fato de que o “motor americano”, como dizem os jornalistas, está “avariado”. Desde 1998 (rebote da crise asiática), o funcionamento macroeconômico estadunidense foi construído quase inteiramente na base do endividamento das famílias, das pequenas e médias empresas e das comunidades locais.

Este “regime de crescimento” está muito arraigado: reforçou com tanta força o jogo dos mecanismos de distribuição desigual de renda que os dirigentes não têm outra perspectiva a qual se agarrar que o momento – distante – em que as pessoas possam (ou estejam, na verdade, obrigadas a) endividar-se novamente. As diferenças “irreconciliáveis” entre democratas e republicanos estão ligadas a duas questões interconectadas: qual seria a melhor maneira de desendividar o Estado Federal desde essa perspectiva e se pode, ou mesmo deve, endividar-se ainda mais para alcançar esse objetivo.

A incapacidade de conceber qualquer outro “regime de crescimento” reflete a quase intocável força econômica e política da oligarquia político-financeira que constitui esse 1%. O movimento Ocupa Wall Street é um primeiro sinal do enfraquecimento desta dominação, mas até que não ocorra um terremoto mundial que inclua os Estados Unidos, a política econômica norteamericana seguirá reduzida às injeções de dinheiro do Banco Central (FED), ou seja, a fazer funcionar a máquina de fabricar cédulas, sem que ninguém saiba até quando isso pode durar.

A China e a Índia podem ajudar, como fizeram em 2009, a limitar a contração da produção e do comércio. Em particular a China seguirá – mas com mais dificuldade que antes – ajudando a enfrentar a contração mundial. Com a plena integração da Índia e da China na economia se produziu um salto qualitativo na dimensão do exército industrial de reserva a disposição do capitalismo mundial em seu conjunto. Adicionalmente, deve-se recordar que na China se encontram alguns dos mais importantes focos de superacumulação e de superprodução. Fala-se muito do efeito tesoura entre a grande baixa do PIB dos países capitalistas industriais “velhos” e a ascensão dos “grandes emergentes”, e a crise também acelerou a finalização do período de hegemonia mundial dos Estados Unidos (hegemonia econômica, financeira e monetária, desde os anos 1930, hegemonia militar não compartilhada a partir de 1992). No entanto, a China não está de nenhum modo em condições de tomar o lugar dos Estados Unidos como potência hegemônica.

A novidade da grande questão política do período Este artigo trata de repassar a origem e a natureza das crises capitalistas que se tornaram particularmente notórias com a crise atual e situar esta na “história de longo prazo”. A crise em curso estourou ao término de uma fase muito longa (mais de cinquenta anos) de acumulação quase ininterrupta: a única fase desta duração em toda a história do capitalismo. Precisamente, a crise pode durar muitos anos, até uma década, porque tem como substrato uma superacumulação de capacidades de produção especialmente elevada e, como aberração, uma acumulação de capital fictício em um valor também sem precedente.

Por outro lado, a situação muito difícil dos trabalhadores em qualquer parte do mundo – por diferenciada que ela seja de continente para continente e, inclusive de país para país, devido a suas trajetórias históricas anteriores – resulta da posição de força obtida pelo capital graças à mundialização do exército industrial de reserva com a extensão da liberação dos intercâmbios e do investimento direto na China.
Se em um horizonte temporal previsível não há “saída da crise” para o capital, de maneira complementar e antagônica, o futuro dos trabalhadores e dos jovens depende, em grande medida, senão inteiramente, da capacidade para abrir espaços e criar “tempos de respiração” políticos próprios, a partir de dinâmicas que hoje só eles podem mobilizar. Estamos em uma situação mundial na qual o decisivo passou a ser a capacidade destes movimentos – nascidos sem aviso – se organizarem de tal modo que conservem uma dinâmica de “autoalimentação”, inclusive em situações nas quais não existam, no curto prazo, desenlaces políticos claros ou definidos.

Na Tunísia, Grécia ou Egito, mas também nos Estados Unidos, os movimentos OWS (Ocupa Wall Street), em especial no contexto nacional da principal potência capitalista do mundo e de um espaço geográfico continental, o melhor que os militantes podem fazer é ajudar a que os atores dos movimentos com essa potencialidade afrontem os diversos e numerosos obstáculos contra os quais se chocam e defendam a ideia de que, em última instância, as questões sociais decisivas são “quem controla a produção social, com que objetivo, segundo que prioridades e como pode ser construído politicamente esse controle social”. Possivelmente seja este o sentido dos processos e consignas “de transição” hoje em dia. Alguns poderão dizer que sempre foi assim. Mas, dito nos termos acima, para grande quantidade de militantes constitui uma formulação em grande medida – se não completamente – nova.

A valorização “sem fim e sem limites” do capital como motor da acumulação

Antes de retomar a crise iniciada em 2007, é preciso explicitar os meios da acumulação capitalista. Detenhamo-nos por um instante na teoria da acumulação no longo prazo. O objetivo é ajudar, partindo de uma compreensão precisa dos estímulos do movimento de acumulação capitalista, para facilitar a explicitação da natureza das crises e situar cada grande crise na história social e política mundial. Como escreveu Paul Mattick, ao comentar uma indicação de Engels, “nenhuma crise real pode ser entendida se não for situada no contexto mais amplo de desenvolvimento social global” (Mattick, 1977:39). A magnitude e os traços específicos das grandes crises são a resultante dos meios aos quais o capital (em um sentido que inclui os governos dos países capitalistas mais importantes) recorreu no período precedente para “superar esses limites imanentes” antes de ver “que voltam a se levantar esses mesmos limites, ainda com maior força” (Marx, 1973: III, 248).

As crises estouram no momento em que o capital fica novamente “enredado” em suas contradições, enfrentando as barreiras que ele mesmo cria. Quanto mais importantes tenham sido os meios utilizados para superar seus limites, mais prolongado será o tempo em que esses meios de superação atingirão seu objetivo, e mais poderão diferir sua revelação. Além disso, mais importante será a crise e mais difícil a busca de novos meios para “superar esses limites imanentes”. Deste modo, a história invade a teoria da crise.

Cada geração lê e relê Marx. E o faz tanto para seguir a evolução histórica como também para dar conta da experiência de dificuldades teóricas com as quais tropeçou. Durante muitas décadas predominou a problemática do desenvolvimento das forças produtivas em suas distintas variantes, com as reminiscências das teorias do progresso que a mesma ainda podia arrastar.

Hoje, o Marx que, como militante-investigador, deve ser lido é o que ajuda a compreender o que significa a tomada do poder pelas finanças, o dinheiro em toda sua brutalidade, aquilo sobre o qual ele escreveu nos Manuscritos de 1857-58 dizendo que “o capital (…) enquanto representante da forma universal da riqueza – o dinheiro – constitui o impulso desenfreado e desmedido de passar por cima de suas próprias barreiras” (Ibid.: 276). Ou também o que sustenta em O Capital, a saber que “a circulação do dinheiro como capital carrega em si mesmo seu fim, pois a valorização do valor só se dá dentro deste processo constantemente renovado. O movimento do capital é, portanto, incessante” (Ibid.: I, 108). Ao longo do século XX, muito mais que no momento em que foi estudado por Marx, o capital evidenciou um profundo nível de indiferença quando ao uso social das mercadorias produzidas ou a finalidade dos investimentos.

Há trinta anos, a “riqueza abstrata” tomou cada vez mais a forma de massas de capital-dinheiro em busca de valorização colocadas nas mãos de instituições – grandes bancos, companhias de seguros, fundos de pensão e Hedge Funds – cujo “trabalho” é o de valorizar seus bens de maneira puramente financeira, sem sair da esfera dos mercados de títulos e de ativos fictícios “derivados” de títulos, sem passar pela produção. Enquanto as ações e os títulos da dívida – pública, das empresas ou das famílias – só são “vales”, direitos de se apropriar de uma parte do valor e da mais valia, concentrações imensas de dinheiro se voltam ao “ciclo curto Dinheiro-Dinheiro” que representa a suprema expressão do que Marx chamou de fetichismo do dinheiro. Expressa mediante formas cada vez mais abstratas, fictícias, “nocionais” (termo utilizado pelos economistas das finanças) de dinheiro, a indiferença ante as consequências da valorização sem fim e sem limites do capital impregna a economia e a política, inclusive em “tempos de paz”.

Os traços principais do capital a juro, que foram destacados por Marx – manter-se “à margem do processo de produção” e apresentar “o juro como o verdadeiro fruto do capital, como o originário, e com o lucro transfigurado agora como lucro de empresário, como simples acessório e aditamento adicionado no processo de reprodução” (Ibid.: III, 373) – hoje colocam os dirigentes capitalistas defrontados com a toda a sociedade, com o conjunto da sociedade. O que ocorre em nível da distribuição (o 1% frente ao 99%, segundo diz a consigna dos militantes do OWS) é só a expressão mais facilmente perceptível de processos muito mais profundos. Na cúpula dos grandes grupos financeiros – tanto nos chamados “com predomínio industrial” como nos demais – existe uma fusão quase completa entre o “capital-propriedade” e o “capital-função”, que Marx identificou, opondo-os parcialmente. A “era dos gerentes” deu lugar a outra na qual há uma identidade de visão quase completa entre os acionistas e os dirigentes.

Para um capital no qual as finanças estão no comando, a busca “desenfreada e desmedida” da valorização deve ser conduzida muito mais impecavelmente se o sistema está em crise. Os “vales” sobre a produção em forma de dividendos ou juros estão ameaçados e alcançam montantes que, desde os anos 1920, nunca tinham sido tão elevados. É por isso que, seja se trate dos trabalhadores que o capital emprega apesar da situação de superprodução, ou dos recursos básicos que vão ficando raros ou mesmo da posição a se adotar frente às mudanças climáticas e suas previsíveis consequências, o reflexo predominante no capital tomado de conjunto é intensificar as exploração das “duas fontes originais de toda riqueza”: a terra e o homem (Ibid.: I, 424) e isso, ilimitadamente, até o esgotamento, sejam quais forem as consequências.
Não posso estender-me aqui na análise das questões ecológicas e sua interação com o movimento da acumulação e suas contradições, mas cabe assinalar que, com a crise, estas interações se tornam ainda mais estreitas, como mostra o último informe da Agência Internacional de Energia (Reverchon).

Centralização e concentração do capital e intensificação da competição intercapitalista A ideia associada à expressão “os senhores do mundo”, a de uma sociedade planetária do tipo de Metrópolis, de Fritz Lang, acaba de ser reforçada pela difusão de um estudo estatístico muito importante sobre as interconexões financeiras entre os maiores bancos e empresas transnacionais, publicado pelo Instituto Federal Suíço de Tecnologia, de Zurich (Vitali et. al.). Seria preciso um artigo inteiro para examinar a metodologia dos dados de base e as conclusões deste ambicioso estudo, cujos resultados têm importantes implicações, mas devem ser cruzados com outros fatos.

Qual o sentido de classificar cinco grupos financeiros franceses (Axa no quarto lugar e Société Générale no posto vinte e quatro) entre os cinquenta primeiros grupos mundiais com base no número de seus laços (caracterizados como “de controle”) com outros bancos e empresas? Como reconciliar essa informação com a exigência de socorrer esses mesmos grupos? A densidade de interconexões financeiras não traduz sobretudo o fluxo de operações financeiras nas quais os grupos em questão são intermediários? E os numerosos laços não teriam o estatuto de nós do sistema e não o de centralizadores do valor e da mais valia?

Em todo caso, a publicidade dada ao estudo exige fazer dois tipos de observações teóricas que são, ao mesmo tempo, indispensáveis para compreender a situação mundial. Os processos de liberalização e privatização fortaleceram muitíssimo os mecanismos de centralização e de concentração do capital, tanto em nível nacional, como de maneira transnacional. São processos que alcançaram tanto o Sul como o Norte. Em determinados setores dos países chamados “emergentes” – a banca e os serviços financeiros, a agroindústria, a mineração e os metais básicos – vimos a centralização e a concentração do capital e sua expansão para os países vizinhos.

No Brasil e na Argentina, por exemplo, a formação de poderosas “oligarquias” modernas andou de mãos dadas com fortes processos endógenos de acumulação financeirizada e a valorização de “vantagens comparativas” conformes às necessidades de matérias primas desta acumulação mundial na qual a China passou a ser o pivô. Especialmente no Brasil se formaram oligopólios que rivalizam com seus pares norteamericanos ou australianos na extração e transformação de metais e na agroindústria. Devido à mundialização, as interconexões entre os bancos e entre bancos e empresas comprometidas com a produção industrial e os serviços, passaram a ser mais fortemente transnacionais do que em qualquer outro momento. O campo de ação do que Lenin chamava de “entrelaçamento” é a economia mundial. Não é por isso que o capital é monolítico. O entrelaçamento não apaga a competição entre os oligopólios que, por ocasião da crise, recuperam traços nacionais e comportamentos pouco cooperativos.

O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”, cujo motor é a competição, mesmo que  o monopólio e o oligopólio sejam a forma absolutamente dominante dos “múltiplos capitais” que conjuga o capital considerado como totalidade. Os Estados, ou mais exatamente, alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. O único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. Não ocorre o mesmo na França, onde a burguesia se tornou novamente financeira e rentista, deixando que ocorresse um processo de desindustrialização, encerrando-se na opção da energia nuclear e que vê agora seus “campeões nacionais” caírem um após o outro. Por isso, as dúvidas a respeito da presença dos bancos franceses entre os cinquenta “senhores do mundo”.

A outra grande observação referente à centralização-concentração do capital nos devolve ao nosso fio condutor. A razão pela qual as leis coercitivas da competição desfazem as tendências que vão no sentido do acordo entre os oligopólios mundiais é que o capital, por mais centralizado que seja, não tem o poder de se libertar de suas contradições constitutivas, assim como não pode bloquear o momento no qual volta a se encontrar com seus “limites imanentes” (CONTINUA)

(*) François Chesnais é professor emérito na Universidade de Paris 13 – Villetaneuse. Destacado marxista, integra o conselho científico da Attac-França. É autor de “La mondialisation du capital” e coordenador de “La finance mondialisée, racines sociales et politiques, configuration, conséquences”.

Email: chesnais@free.fr
Tradução de Marco Aurélio Weissheimer, a partir da versão em espanhol publicada em Sin Permiso.

Carta Maior


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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