Arquivo para 11 de julho de 2012

O DIA D DE DEMÓSTENES

Hoje, dia 11 julho, faltando três dias para sexta-feira 13, e faltando quatro dias para a comemoração da queda da Bastilha, o senador Demóstenes Sem Partido Torres, solitário, fora de sua torre, vai encarar os tambores e os acordes libertários da Marselhesa que pressagiava a democracia que nem Napoleão e nem o ex-membro do partido reacionário DEM, e ex-campeão da simulação da moral parlamentar souberam constituí-la.

Hoje é o dia 11 julho, o dia em que o senador que conseguiu iludir seus pares e parte da sociedade brasileira com uma simulada performance política travestida de ética, vai enfrentar os seus próprios pares que foram por ele enganados. Alguns enganados por descuidos, outros por alienação, e outros por calculismo. Mas, hoje dia 11 de julho, os enganos não importam. O que importa é votar por sua cassação para mostrar à sociedade que com sua confiança não se brinca. Brincar com a confiança da sociedade é atentar contra a democracia. A falta cívica-política cometida por Demóstenes.

A cassação de Demóstenes é histórica por um simples signo: ele foi na história do Senado o parlamentar que melhor interpretou dois personagens contraditórios. O político ético, acima de qualquer suspeita, e o corrupto. No dizer do senador Pedro Simon (PMDB/RG), um caso de psiquiatria. Um caso clássico de dupla personalidade. Antes de Demóstenes todos que tentaram representar um político fracassaram. Um exemplo, o senador Antônio Carlos Magalhães, vulgo Toninho Malvadeza. Nenhum conseguiu enganar seus pares e muito menos a sociedade. Daí a razão porque o caso Demóstenes é histórico. Ele havia dito na segunda-feira que se fosse cassado o Senado cometeria o maior injustiça histórica. Mas em verdade, a injustiça seria não cassá-lo.

Ontem, dia 10, em sua última tentação do Senado, Demóstenes, acusado de usar seu cargo parlamentar para beneficiar o mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, presos pela Polícia Federal por ação das operações Vegas e Monte Carlo, subiu à tribuna para clamar compaixão mostrando o que restou de seu plano de clemência desesperada. Ele pediu que a verdade prevaleça, sua verdade, voltou à afirmar que é inocente, e apelou para a religiosidade, se valendo da fé.

“O Senado vai optar pelo devido processo legal, sem pressão, em julgamento baseado em provas, não em campanhas de danos contra senadores. O Senado vai entender que o julgamento é político, ou nas palavras do Supremo Tribunal Federal, que o processo é administrativo-parlamentar, mas o julgamento tem que ser justo, baseado em provas, não em provações; sustentado em fatos, não em ilações. E não há nesse processo uma só prova, um só fato que caracterize quebra de decoro.

As barreiras foram ultrapassadas uma a uma. Aliás, resta uma, a votação de amanhã, quando o Senado vai escolher que futuro pretende, se de insegurança jurídica, em que qualquer de seus integrantes terá de ser eliminado para atender à sanha acusatória, ou um amanhã justo, respeitando-se os direitos dos representantes, sem pressa.

Quem nada fez de errado não espera por isso e, por isso, a campanha pérfida o impele para o canto, para o chão. Fiquei semanas inteiras assim, olhando para o vazio, fitando o infinito, com vergonha dos amigos, não por ter feito algo reprovável, mas por me sentir pequeno diante da onda de perseguição, diminuído, acuado, sem poder de reação, vendo, ouvindo e lendo impropérios.

A mídia pode criticar, com a vontade que estar se tornando costumeira, mas eu tinha de dizer, como fiz no Conselho de Ética, que, quando imaginava que não havia mais condições de suportar, vali-me da fé e fui atendido”, discursou o candidato à cassação recorrendo ao sinal religioso esquecendo que o negócio, como diria o teatrólogo alemão, Brecht, é do homem. E não implica fé, mas razão. Esse recurso de Demóstenes foi mais uma simulação. Uma simulação religiosa.

A responsabilidade de cassar o amicíssimo de Carlinhos Cachoeiras, encontra-se nas mãos dos 81 senadores, mas somente 41, já serve para levá-lo de volta ao seu estado. A onda mostra que vai haver cassação, mas não custa nada ficar de orelha em pé. Uma grande parte de senadores não é eticamente confiável.

A 9ª CONFERÊNCIA NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANAÇ E ADOLESCENTE VAI ESTABELECER A ESTRATÉGIA “BRASIL PROTEGE”

Começa hoje dia 11, e vai até o dia 14, a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente que tem como objetivo debater a violência contra menores, auxiliar os jovens que têm problemas com a lei levando-os a realizar um projeto de vida dissociando-os da violência e do uso das drogas, e fortalecer o Disque 100.

Durante a conferência a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, irá lançar a estratégia Brasil Protege, que prevê a notificação integrada da violência física, sexual e psicológica contra menores. De acordo com a ministra, Maria do Rosário, a intenção é integrar a pasta ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao Conselho Nacional do Ministério Público e aos estados e municípios.

Cerca de 2.600 delegados, sendo que 600 serão adolescentes, deverão participar das mesas de discussões. Essa é a expectativa da Secretaria de Direitos Humanos.

“A conferência prepara a apresentação de um rol de ações onde, no posto de saúde, na escola, na unidade de assistência social e no conselho tutelar vamos ter uma notificação única. Verificou a violência, o professor, o médico ou o enfermeiro vai ser apoiado por essa rede.

São delgados que vêm da base, com propostas e que têm o que dizer. Essa é a maior conferência sobre os direitos da criança e do adolescentes desde 1993. Ela reforça no 22º ano do Estatuto da Criança e do Adolescentes (ECA), o valor dessa lei, demonstra todos os avanços que o Brasil tem realizado e, ao mesmo tempo, se propõe a desafios”, observou a ministra Maria do Rosário. 

TAMARATY VAI ENVIAR DOCUMENTOS À COMISSÃO DA VERDADE

Ficou acertado, depois da reunião realizada ontem, dia 10, para tratar da cooperação do Itamaraty com a Comissão da Verdade entre o coordenador da Comissão da Verdade, Gilson Dipp, com o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, que o Itamaraty irá enviar seu acervo com 4 toneladas de documentos à comissão referente ao período da ditadura militar.

De acordo com o ministro Gilson Dipp, a cooperação do Itamaraty com os documentos em 132 caixas vai ajudar na investigação de fatos ocorridos fora do Brasil. Os documentos compondo as 132 caixas foram entregues ao Arquivo Nacional enter os anos de 2006 e 2007.

Ele disse que os documentos vão ajudar sobremaneira a investigar a Operação Condor. A Operação Condor foi uma sociedade militar entre as ditaduras sangrentas do Brasil, Argentina e Uruguaia, que perseguia militantes políticos estrangeiros nesses países que mantinham o acordo. Assim, como dezenas de brasileiros foram presos torturados e mortos fora do Brasil, outros estrangeiros dos dois países também foram presos no Brasil. Um dos feitos terroristas da Operação Condor era amarrar o prisioneiro com pesos nos pés, colocar em um avião e lançá-lo ao mar. E uma das grandes faces perversas da Operação Condor era a participação de embaixadores, cônsules, diplomatas, como espiões dos exilados. Suas funções era entregar aos militares os estrangeiros que davam entrada nos países do bloco assassino.

“Sabemos que houve no exterior, no período da repressão, em embaixadas e consulados, diplomatas que colaboraram vigiando pessoas que estavam exiladas. O Itamaraty deve ter uma gama de documentos, vamos abrir todos os arquivos para investigar”, afirmou o ministro Gilson Dipp.

Outro ponto importante marcado ontem foi o convênio de trabalho assinado pela Comissão Nacional da Verdade com a Comissão Estadual da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo. 

“A questão ambiental é uma preocupação do governo como um todo”

Em entrevista à Carta Maior, o presidente do Ibama, Volney Zanardy, defende os avanços institucionais, políticos e técnicos da política ambiental brasileira. “A gente vê que nesses 10 anos o Ibama evoluiu muito no aspecto de infraestrutura, pessoal, concurso. Mas, a questão ambiental já começou a ser uma preocupação não só da área ambiental, mas da gestão do governo como um todo. Um exemplo disso está na luta contra o desmatamento”, defende.

Vinicius Mansur – Brasília

Brasília – Empossado há pouco menos de dois meses no cargo de presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Volney Zanardi apresentou, em entrevista à Carta Maior, os principais desafios que enxerga para a área ambiental no Brasil.
Discreto em suas opiniões políticas – postura comum em diversos quadros do alto escalão do governo Dilma – Volney Zanardi fez questão de ressaltar que o Ibama é um órgão operador e não formulador de políticas.

O presidente do Ibama apontou algumas tarefas que serão impostas pelo novo Código Florestal, trouxe elementos para ilustrar o que considera como clara evolução da política ambiental brasileira e também considerou que a Rio+20 deixou um saldo fantástico para o Brasil.

Zanardi é doutor em Ciências Ambientais, mestre em Ecologia, engenheiro químico e funcionário de carreira da Agência Nacional de Águas (ANA). Antes de assumir a presidência do Ibama ocupava o cargo de diretor do Departamento de Gestão Estratégica da Secretaria Executiva e de Secretário-Executivo substituto, ambos do Ministério do Meio Ambiente.

Como o senhor avalia o Código Florestal a partir dos vetos da presidente e da medida provisória enviada ao Congresso?

Na verdade, essa discussão está sendo desenvolvida no espaço mais político, quem coordena todo esse processo de discussão é o MMA com o governo como um todo e nós temos visto um aprimoramento da discussão do Código Florestal. O papel do Ibama vai ser implementar o Código e nós estamos nos preparando para isso, aprimorando nosso sistema, atualizando o nosso pessoal nas novas questões. Temos um papel importante no cadastramento ambiental rural, estamos estruturando esse sistema. Como o Ibama é um órgão fundamentalmente de controle, fiscalização, a gente se preparar para executar bem esse processo sendo uma referência nacional.

Além do Cadastro Ambiental Rural (CAR), quais são as outras demandas que vão se impor para o Ibama a partir das mudanças do Código?

Há questões de procedimento, de normativas, de sistemas, de gestão que nós temos que nos qualificar cada vez mais. Eu passei pelo Ibama há 10 anos, era coordenador geral de licenciamento e todo o licenciamento naquela época estava dentro da coordenação, hoje nós temos uma diretoria e mais do que isso, a gente vê que nesses 10 anos o Ibama evoluiu muito no aspecto de infraestrutura, pessoal, concurso. Mas, a questão ambiental já começou a ser uma preocupação não só da área ambiental, mas da gestão do governo como um todo. Se você pegar a questão do desmatamento, nós estamos tendo um sucesso reconhecido e isso é fruto de um processo de articulação do governo como um todo, desde as Forças Armadas, Ministério da Justiça, Funai, o próprio Ibama.

A gente vê esse processo avançando. Nós temos um papel muito claro nos licenciamentos, de melhorar os projetos, de fazer as autorizações para acesso aos recursos naturais, mas temos uma agenda que vai se desenvolver muito além da fiscalização e licenciamento e que depende muito da visão de política integrada. Ela envolve a questão da qualidade ambiental, onde temos a questão de agrotóxicos, de resíduos sólidos, controle de baterias, de emissão, de portos. 

O novo Código Florestal prevê a compensação de reserva legal em outro lugar que não na propriedade que o desmatou, desde que dentro do mesmo bioma. Como o Ibama vai controlar isso?

Algumas coisas nos preocupam porque as vezes a legislação muda, mas não prevê regra de transição. Algumas questões nós já estamos adiantando, criando os nossos sistemas, interfaces de informação geográfica, agora, seria importante que modificações mais profundas no Código Florestal prevejam uma regra de transição para a gente poder se preparar. Não cai do céu um fiscal capacitado na nova norma, um sistema de informação. Mas, pra você ter uma idéia, nós estamos investindo hoje cerca de 40 milhões por ano em tecnologia de informação.

Quais são estes sistemas em desenvolvimento?

Temos vários, desde os sistemas meio, onde estamos trabalhando as questões relacionadas a arrecadação, cobrança de multas, taxa de controle de fiscalização ambiental. Para você ter uma idéia, as despesas correntes, institucionais, aquelas com o nosso investimento, relativas a gasolina, hospedagem, avião, etc, o Ibama hoje já paga. Hoje temos uma arrecadação de 260, 270 milhões reais para um orçamento na ordem de 250 milhões. Outros sistemas são temáticos, como o CAR, o DOF [Documento de Origem Florestal], a parte de autorização de supressão de vegetação, entre outros. É todo um esforço de integrar uma série de sistemas. Além disso, é preciso trabalhar uma articulação federativa muito mais forte. A Lei Complementar 140 tem uma coisa muito importante que é o empoderamento dos municípios, deixando aos estados e ao governo federal a oportunidade de trabalhar com as questões mais estratégicas.

Como seria essa articulação?

Um exemplo é a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental cujos recursos poderão ser distribuídos a partir da Lei Complementar 140. Já temos cerca de 10 ou 11 estados que assinaram esse acordo, aonde a gente repassa 60% desse valor recolhido no estado para as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente. Desses 60% o estado ainda pode repassar para os municípios que façam licenciamento ambiental e tenham Conselho Municipal do Meio Ambiente. Assim, a gente conseguiu se aproximar das secretarias estaduais. É papel do Ibama vertebrar o Sistema Nacional de Meio Ambiente. Outro exemplo é o CAR, que precisará das informações federais e estaduais para funcionar bem. Então, esses sistemas nacionais nos possibilitarão ter informações sobre todas as autorizações da supressão de vegetação no país, sobre a fauna, agrotóxicos, etc, que vão subsidiar políticas integradas. Mas tem que ficar claro que o Ibama é um órgão executivo, não é político, não cabe a nós fazer a discussão estratégica de desenvolvimento. Esse é um papel da sociedade e do governo como um todo.

Quanto aos agrotóxicos, o que o Ibama pretende fazer para tirar do Brasil o título de campeão mundial no uso de agrotóxicos?

Essa é uma agenda que nós vamos ter que atuar como governo. Uma discussão que a gente vê aumentar cada vez mais é sobre produtos orgânicos, é uma preocupação da sociedade ter acesso a esses produtos. E nós somos parte desse processo, o Ibama tem clareza disso, estamos preparando, temos uma coordenação que trabalha com as substâncias químicas e é uma área que deve crescer. Precisamos de muita cooperação técnica e vemos como uma área que tende a expandir.

Quanto a Rio+20, qual é o balanço que o Ibama faz?

Para o Brasil tem todo um desdobramento internacional que foi favorável, vários pontos foram encaminhados e vão ter um desenvolvimento nos próximos 4 ou 5 anos, assim foi na Rio92, relacionados a oceano, ao fortalecimento do Pnuma [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente], na questão da produção e consumo sustentável, foram 7 ou 8 questões maiores que foram encaminhadas dentro do documento final.

Porém, a questão financeira para a criação dos fundos que poderiam ajudar nesse processo de transição tecnológica ficou um pouco aquém, isso foi uma discussão que o próprio momento de crise não favoreceu. Por outro lado,para agenda ambiental foi importantíssimo. Um levantamento nosso mostra que mais de 27 mil reportagens foram feitas durante esse período.

Nos EUA e Canadá deu cerca de 200 em cada um. Então, o envolvimento da sociedade brasileira foi muito forte, especialmente a juventude que é fundamental para estruturar as nossas políticas daqui a 15 ou 20 anos. Em segundo lugar, a participação do setor privado. Tivemos discussões principalmente com atores econômicos como o próprio Banco Central, foi importantíssimo. A questão ambiental passa a ser um elemento de consideração no negócio, financeiro, como um elemento de risco e como um elemento que pode qualificar o processo de tomada de decisão no setor financeiro, na economia. Mas, o Ibama é um operador, não um formulador de política. Para nós criou um ambiente muito favorável para o que a gente tem que desenvolver nos próximos anos, foi um saldo fantástico.

O Ibama tem uma concepção de economia verde?

Essa questão é um pouco mais complexa, não é uma questão do Ibama. O que nós temos aqui é exatamente como a gente facilita o processo de implementação da economia verde. As pessoas querem desenvolver alternativas de geração de energia que sejam menos impactantes. Nosso trabalho tem licenciamento, tem o controle da qualidade ambiental. Mas a discussão da economia verde é tão complexa que nem se definiu economia verde no documento final, não houve acordo sobre isso, não vamos ser nós aqui.

O Ibama tem implementado mecanismos como o REDD [Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação], pagamentos de serviços ambientais, metodologias de valoração da biodiversidade?

Isso não é uma coisa que o Ibama vai implementar, são questões gerais da política que vão facilitar o nosso trabalho. A questão do REDD é uma competência do MMA, para o pagamento de serviços ambientais existem políticas de recuperação de áreas degradas que utilizam esse tipo de mecanismo, como o Programa Produtor de Água, da ANA, onde agricultores conservam mata ciliar, fazem manejo adequado do solo impedindo erosão em bacias e micro bacias e já recebem recurso por isso. Isso é ótimo, melhora a qualidade ambiental, sem ser uma política nossa de controle e fiscalização. No final resulta numa qualidade melhor e num custo menor para a sociedade. Porque uma agenda só de fiscalização e controle é muito cara. Então, temos uma noção muito clara da evolução que a política ambiental está tendo no Brasil e o papel que o Ibama tem a cumprir.

O senhor pode resumir no que consiste essa evolução?

Nós temos dois aspectos: temos uma visão de qualificar as políticas de modo que a questão ambiental já faça parte da questão da infraestrutura, da energia, da agricultura, que ela seja identificada como um elemento de melhoria da performance, da competitividade. Quando você fala em economia verde, a questão é usar a questão ambiental como um ativo e identificar as oportunidades no bom uso e nas vantagens competitivas que isso traz para o Brasil, que é um grande detentor de recursos naturais.

A outra perspectiva é no sentido de que a questão ambiental tem uma relação de opções que nós temos que fazer com as questões sociais, o conceito de sustentabilidade é isso em última análise. A visão do social, econômico e ambiental se dá na hora em que você define estratégias de desenvolvimento, que por sua vez é articulação das mais diversas políticas.

Então, hoje temos avanços como a Bolsa Verde, avanços na integração da matriz energética com a questão ambiental, vemos os resíduos sólidos sendo trabalhados tanto na dimensão econômica como social, com geração de renda para catadores.

Os licenciamentos das hidrelétricas seguem gerando muita polêmica, indígenas entraram recentemente com um pedido questionando Belo Monte. Existe uma solução?

Não é uma questão de solução. O que é o licenciamento? Ele procura melhorar a performance ambiental do projeto. Então, tem toda uma legislação que diz que pode acontecer isso, que não pode acontecer aquilo e a gente aplica essa legislação. Mas há impactos que muitas vezes não são no físico-biótico, são no sócio-econômico e isso dialoga com o que você quer de desenvolvimento para aquela região. Muitas vezes você acaba tendo que trazer para dentro do licenciamento uma discussão de política de saneamento numa área que não tem saneamento. E aí, o que a gente faz? Tem que melhorar a vida das pessoas, a gente tenta trazer isso, embora isso muitas vezes gere custos, atraso, pessoas reclamam dos tempos das licenças, mas aí não estamos só trabalhando a melhoria do projeto em si, a gente acaba tendo que criar condição para a inserção do projeto naquela realidade.

Então, nós temos que ter noção desses tensionamentos, os licenciamentos tem sido um importante elemento de melhoria não só dos projetos, mas muitas vezes da qualidade de vida do pessoal da região porque faz uma certa integração de política de educação, saneamento, saúde. Aí que eu digo que é importante uma estrutura tipo o PAC porque ela ajuda a fazer essa coordenação. O desafio é melhorar o planejamento, articulação de políticas públicas.

Carta Maior

Mudanças na economia estão no rumo certo, defende economista

Em entrevista à Carta Maior, José Gabriel Palma, economista da Universidade de Cambridge e especialista em economia comparada, defende as mudanças que vêm sendo implementadas pelo governo Dilma Rousseff. Segundo ele, o Brasil está fazendo a coisa certa ao mudar sua política de juros altos e sua política cambial para um modelo baseado na redução dos juros e em um ajuste da taxa de câmbio acompanhados de um programa de estímulo fiscal e de política industrial. “É uma retificação necessária”, afirma. A reportagem é de Marcelo Justo.

Marcelo Justo – Londres

Londres – O Banco Central da Europa e o Popular da China baixam suas taxas de juro, o da Inglaterra anuncia uma nova injeção monetária na economia para baixar as taxas dos bancos e aumentar o crédito às pequenas e médias empresas. O mundo está reagindo como pode a uma tormenta que não cessa. No Brasil, Dilma Rousseff está mudando seu modelo de alta taxa de juro e sua política cambial para um modelo baseado na redução dos juros e em um ajuste da taxa de câmbio acompanhados de um programa de estímulo fiscal e de política industrial. A Carta Maior conversou com José Gabriel Palma, economista da Universidade de Cambridge e especialista em economia comparada, que avaliou a marcha do plano Rousseff e seu impacto sobre o resto do Mercosul.

O governo do Brasil imprimiu um desvio em sua política econômica. É disso que o Brasil necessita neste momento da crise mundial?

É uma retificação necessária. Lula é um dos políticos mais hábeis da América Latina, mas acreditou que podia deixar todo mundo contente. Ele entregou o Banco Central aos monetaristas, o BNDES a setores pró-indústria, facilitou um desenvolvimento das finanças com pouca sustentação na economia real e seguiu adiante com seus programas sociais. Mas em matéria de política econômica – e este é um dos grandes ensinamentos das economias asiáticas – é preciso escolher. No cenário brasileiro, ou se segue o caminho da industrialização ou se inclina por outra estratégia econômica baseada nas finanças e nas commodities.

O PT obteve um extraordinário êxito político graças a essa estratégia porque conseguiu um amplo consenso. Aparentemente quase todos estavam felizes. O problema é que economicamente isso não funciona. Um tipo de câmbio supervalorizado é bom para as finanças, os rentistas e os serviços, mas é destrutivo para a indústria. E vice-versa. É como ocorre com um automóvel. Não se pode entregar o acelerador a um grupo, o freio a outro e a embreagem a um terceiro. O resultado foi que por default se terminou com um modelo de crescimento baseado em commodities e finanças e se abandonou a indústria. Um crescimento assim não é sustentável no longo prazo. Hoje, a indústria manufatureira brasileira é a metade do que era em 1980 em relação ao PIB. É um dos grandes processos de desindustrialização da história. Dilma Rousseff está tentando mudar isso.

No caso de Lula, não foi inevitável adotar essa política para neutralizar o medo que sua eleição havia provocado nos mercados?

Certamente havia temor nos mercados financeiros, mas a única coisa que pediam era que não houvesse uma moratória na dívida interna ou um fechamento da conta de capitais. Cabe recordar que Lula assumiu em janeiro de 2003 quando a última coisa que os Estados Unidos queriam era uma nova frente de conflito político e estavam precisando muito de aliados em sua política externa pós-11 de setembro. Além disso, a economia as finanças internacionais se reativavam fortemente com a nova política expansiva do FED. Por isso, não era necessário passar por uma mudança de direção tão dramática como a que viveu o PT com Palocci e Dirceu. Lula colocou Palocci no Ministério da Fazenda como um sinal da mudança ideológica no PT, porque ele era o único ex-prefeito do PT que havia feito privatizações em sua cidade. Além disso, nomeou Meirelles para o Banco Central, tanto para dar confiança à oposição, já que ele era deputado eleito pelo PSDB, como para dar confiança aos mercados financeiros internacionais por seu exitoso passado como banqueiro internacional.

Estas mudanças adquiriram uma dinâmica própria pró-neoliberal. É uma mudança que não obedece a uma urgente necessidade objetiva. Se bem que as coisas não estivessem uma maravilha no Brasil, tampouco havia uma bomba relógio armada. A dívida pública era muito alta, mas manejável, uma dívida externa baixa e sustentável e uma situação da balança de pagamentos que não era tão ruim. Não é que Lula tenha assumido o governo em uma situação de crise na qual os mercados ditavam a política a seguir. Lula tinha essa ilusão, acreditava que podia contentar todo mundo. E isso não é possível no longo prazo, já que leva a uma paralisia da política econômica e, dentro do contexto brasileiro naquele momento, só podia favorecer aos grupos pró-virada neoliberal do PT no plano político, e às finanças e às commodities no econômico.

Estas medidas então estão avançando na direção correta?

Hoje há um setor público que tenta assumir um papel mais ativo. Nas últimas três décadas o investimento público no Brasil não chegou a 3% do PIB. Na Índia é de 15%. Na China, 12%. O certo é que a infraestrutura brasileira está caindo aos pedaços. Isso é uma trava para o crescimento. Neste sentido vejo uma mudança. Começa-se a optar. Baixando as taxas de juro busca-se uma taxa de câmbio competitiva e favorece-se o investimento público. Agora, até onde o governo vai chegar com essa política isso ainda está por se ver. Mas o que tenho notado em minhas recentes visitas ao Brasil é que há uma consciência muito mais clara de que é preciso optar e que se precisa de uma política muito mais desenvolvimentista. Essas mudanças requerem tempo. É como mudar o rumo de um transatlântico no oceano. O efeito dessa nova política econômica não será imediato.

Essa mudança de política pode gerar tensões no Mercosul? Na Argentina, há uma tendência a pensar a favor de um Real sobrevalorizado porque isso favorece suas exportações.

É conveniente para a Argentina que o Brasil cresça. Uma economia com uma taxa de câmbio favorável para a Argentina, mas que não cresce não é uma situação ideal. Uma economia que cresça rápido pode ser um mercado muito interessante para a Argentina. Neste momento, a Argentina parece mais vulnerável que o Brasil à crise econômica mundial. O Brasil tem altas reservas que lhe dão um colchão para possíveis problemas externos. E se embora a dívida interna siga sendo um peso, parte do legado tóxico de Gustavo Franco, o setor público está relativamente equilibrado enquanto que a Argentina está mais vulnerável a mudanças bruscas tanto por sua situação de reservas como pela situação do setor público, tão dependente do setor externo.

No marco da política mais ampla do Mercosul, está se adotando uma política de bloco correta para enfrentar a atual crise mundial?

Em geral, os países do Mercosul tem levado adiante suas próprias políticas independente do que os demais fazem. Em um momento como o atual, o Mercosul pode ser um instrumento fundamental para que seus países sigam políticas mais concentradas no crescimento interno. Ou seja, poderia ser um grande mercado interno para os países que o constituem, o que poderia dar-lhe um eixo de dinamismo interno muito interessante. Isso não significa fechar-se para o mundo. Significa que, com uma economia e finanças externas com o nível de loucura como o atual em nível mundial exige-se que um país se relacione com o exterior com cautela e de forma seletiva.

Hoje em dia se requer políticas mais orientadas para o mercado interno e a industrialização, como estão fazendo crescentemente China e Índia. O Mercosul pode ser um instrumento fundamental para isso. Na prática, os problemas que a Argentina enfrenta agora para controlar a fuga de capitais, que incluem restrições para trocar pesos por reais, complicam essa situação, assim como também ocorre com a crescente proteção de sua indústria manufatureira.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Carta Maior


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.245.452 hits

Páginas

Arquivos