Arquivo para 4 de agosto de 2012

SABATINA MIDIÁTICA

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade.

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade. Jean Baudrillard

@ Em sua sustentação sobre a existência do ALCUNHADO MENSALÃO cunhado pela mídia reacionária junto com os setores também reacionários do país, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reafirmou a existência do mensalão acusando seus integrantes colocando o ex-deputado federal e ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, como o líder e mentor do esquema, enquanto para o publicitário Marcos Valério sobrou o cargo de seu provedor.

Na introdução de sua sustentação, o procurador-geral usou 20 minutos para citar alguns personagens da história para validar seus argumentos entre ética e poder. Claro que o conceito de ética e poder de acordo com sua formação jurídica que foge totalmente da ética como práxis da constituição dos bons encontros que aumentam a potência de agir, como pensa o filósofo Spinoza. Gurgel, em sua limitada vivência filosófica, recorreu a dois sociólogos, Noberto Bobbio e Max Weber, próprio de quem tem uma compreensão restrita dos dois princípios ontológicos. O que não compromete o verdadeiro conceito de democracia como produto das potências dos homens, novamente, como pensa o filósofo Spinoza.

Desde que tomou o mensalão como realidade, o procurador-geral da República vem sendo objeto de análises dos que acreditam o contrário, como é o caso do corpo de advogados que defendem os acusados. Para eles tudo não passa de “uma criação do delírio” do Ministério Público. Por essa posição contrária a sua, Roberto Gurgel, durante sua sustentação tentou negar essa assertiva.

“Foi o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro público. Com base na prova reunida na ação penal, os fins não justificam os meios, quando ignoram, cabalmente, o que é moralmente correto e socialmente aceitável.

A robustez da prova torna risível a assertiva. Maculou-se a República, instituindo-se à custa do desvio de dinheiro público, um sistema de movimentação financeira à margem da legalidade, com o objetivo de comprar o voto de parlamentares em matérias relevantes para o governo.

Como quase sempre ocorre com chefes de quadrilha, o acusado não aparece nos atos de execução do esquema. Dirceu foi o mentor do esquema enquanto Marcos Valério foi seu executor”, afirmou Roberto Gurgel.

No final de sua sustentação, Gurgel, pediu a condenação de 36 dos 38 réus da Ação Penal 470, com clara veemência contra José Dirceu, o que levou alguns cogitarem que ele tem alguma pendência com o ex-ministro da Casa Civil. Em suas palavras contra Dirceu, o procurador-geral da República só faltou chama-lhe de ladrão, porque chefe da quadrilha ele chamou.

Como em certas circunstâncias a arte serve para ser usada pelos incautos, Roberto Gurgel, para validar seus argumentos de acusação contra os réus, citou um trecho da música que Chico Buarque escreveu contra a ditadura, Vai Passar. “Dormia, a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações”. Uma citação alienada do contexto e com forte teor farsesco para o momento.

Mas como a sustentação de Gurgel já era conhecida dos advogados, para eles o procurador-geral da República não apresentou nada de novo, e, segundo os advogados, não prova nenhuma contra os réus. Eles continuam afirmando que tudo não passa de “uma criação do delírio” do Ministério Público.

@ Enquanto a mídia e a ultradireita brasileira esperavam que o julgamento do mensalão pudesse lhe auferir alguns dividendos atingindo o governo da presidenta DILMA VANA ROUSSEFF, a última pesquisa do Instituto Sensus divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) vem lhe proporcionar invejosa frustração apresentando a presidenta com  um aumento na aprovação de seu governo em comparação com a última pesquisa.

Nessa nova pesquisa, Dilma aparece com 56,6% de aprovação enquanto na última pesquisa ela era aprovada por 49% da população. E para piorar a dor do recalque da direita, 75,7% avaliam como positivo o desempenho de Dilma.

A do recalque aumenta mais nas simulações feitas para as eleições de 2014. Se as eleições fossem realizadas hoje, Dilma daria um banho na direita com direito a escore de basquete. Ela teria 59% das intenções de votos, enquanto o maior representante da direita, atualmente, Aécio Neves, do partido dos retrógados, PSDB, teria 14,8%.

E o fato fica mais tenebroso para a direitaça se o candidato não fosse Dilma, mas sim Lula. Lula teria 69,8% das intenções de votos, enquanto o candidato da direita frustrada abiscoitaria seus invejados 11,9%.

O que é inferido da pesquisa é que no Brasil a direita encontra-se desativada.

Continua em estado grave o CACIQUE POTIGUARA GEUSIVAM SILVA DE LIMA, de 30 anos, baleado na cabeça por dois motoqueiros quando jogava dominó com amigos. A Polícia Federal, que segundo seu superintendente, Marcelo Diniz Cordeiro, abriu um inquérito policial, vai apurar o caso para ver se o assassinato foi motivado por causas pessoais ou se teve como objetivo atingir a comunidade indígena.

“Ainda é cedo para apontarmos o que de fato aconteceu. Estamos averiguando todas as possibilidades, considerando todas as informações já obtidas”, disse Marcelo Diniz.

O cacique Geusivam de Lima, que vivia na Aldeia Vergonha, em Marcação, no litoral norte paraibano, era líder na luta pelo reconhecimento dos direitos de seu povo à Terra Indígena Potiguara. Por isso, já havia recebido várias ameaças de morte, e inclusive registrado queixa na Superintendência da Polícia Federal no estado e na Delegacia de Polícia no Rio Tinto.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIM), durante este ano pelo menos nove cacique, que vivem na Terra Potiguara, já foram ameaçados de morte.   

Só falta a Globo escalar Galvão Bueno para narrar o julgamento do ‘mensalão’

Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Gurgel tropeça na bola e Gilmar apita: penaaaaalidade máxima! E aí, Arnaldo? Olhando o replay não foi pênalti contra o time do PT, mas do ângulo que o juiz Gilmar estava, ele pode ter confundido, ele não viu”.

A cobertura dos barões da mídia no julgamento do chamado “mensalão” está mais para o oba oba das promoções de lutas de UFC do que para noticiário político sério. Requentam os velhos bordões e chavões martelados durante sete anos, sem buscar aprofundar, nem informar a verdade.

Mas vamos lá. Como é o sistema político brasileiro? Permite coligações de partidos? Sim. O financiamento de campanha eleitoral é exclusivamente público? Não. Os partidos são obrigados a passar o chapéu no empresariado, se quiserem concorrer com chances.

É óbvio que partidos coligados também precisam de dinheiro para financiar a campanha de deputados, senadores, prefeitos, vereadores etc. O empresariado sempre prioriza doações para quem tem poder de mando, ou seja, para o partido cabeça de chapa. Logo é natural que partidos coligados também exijam que o cabeça de chapa repasse parte das doações. E, até prova em contrário, foi isso – e apenas isso – que Delúbio Soares fez. Seu erro, já admitido, foi ter o operado o chamado caixa 2.

A função de Delúbio era fechar as contas partidárias. Ele buscava doações ou empréstimos e cumpria os acordos entre os partidos para disputarem eleições, e não para garantir a governabilidade do governo Lula. O próprio Delúbio não tinha obrigação e nem como saber o que era feito do dinheiro depois que ia para outros partidos ou candidatos. E nem o que era feito do dinheiro antes de entrar como doação ou empréstimo – afinal como saber o que se passava dentro da gestão das empresas privadas com as quais mantinha contato?

A lei é assim. É uma porcaria de lei, porque empreiteiras, bancos e até bicheiros (!) financiam campanhas, em geral buscando vantagens futuras nos governos. Os governantes eleitos têm que ser muito populares, como foi Lula, para ter como resistir aos ataques de corruptores sem ser derrubado (como tentaram) e ainda ser reeleito.

Mesmo resistindo, como o Estado brasileiro é grande (e tem que ser, para sermos uma grande nação e haver democracia popular), lobistas acabam conseguindo se infiltrar pelas bordas. Mas são casos à parte, são elos fracos da corrente que se rompem, e que órgãos como a CGU (Controladoria Geral da União) vivem tendo que expulsar do serviço público, e que a Polícia Federal vive tendo que fazer a faxina – limpezas que, diga-se, passaram a ser muito mais frequentes desde o primeiro governo Lula.

A lei não prevê caixa 2, é claro, mas também sempre tratou o caixa 2 como uma infração menor, o que acabou se tornando sinônimo de tolerância e uma prática disseminada nas campanhas eleitorais. Basta ver que o mensalão tucano teria passado despercebido e estaria funcionando até hoje, se Lula não tivesse sido eleito. Só quando descobriram o caixa 2 do PT é que desvendaram, por tabela, o mensalão tucano (e mesmo assim, com uma enorme má vontade em aprofundar as investigações, com medo de atingir Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin).

O leitor deve perguntar: e a turma que deu dinheiro, fez de graça? As intenções podem ser as mais diversas e escusas possíveis, como pode ser também de quem doa oficialmente pelo caixa 1. Daniel Dantas investiu fortunas em publicidade nas empresas de Marcos Valério, e acabou sendo preso durante o governo Lula. As próprias empresas das quais Valério era sócio sofreram devassa da Receita Federal e da Polícia Federal. O Banco Rural também.

Estamos acostumados com políticos demagogos, que dão tapinhas nas costas do eleitor pobre, quando ele pede emprego ou bens materiais. Talvez nunca tenhamos visto gente que faça algo parecido com grande financiadores de campanha, por isso muita gente acha difícil acreditar. Mas então, por que razão o mensalão tucano funcionou tão bem desde a década de 90, e não funcionou no governo Lula?

À luz dos fatos, é razoável considerar se os petistas aceitaram doações para campanha via caixa 2, mas recusaram retribuir com dinheiro público. Talvez, justamente por contrariar interesses, é que todo o escândalo veio à tona. Porém, em vez de focar no que aconteceu realmente, que foi o caixa 2 (coisa que também comprometeria justamente os corruptores, com interesses contrariados), havia o interesse da oposição e da imprensa demotucana em forjar boatos de que a origem do dinheiro seria público e, em vez de caixa 2, haveria compra de votos parlamentares.

São estas outras vertentes desta história que são censuradas do noticiário, por interesse eleitoreiro dos barões da mídia em favorecer seus aliados demotucanos – e daí vem a opção pela cobertura espetaculosa e“esportiva” de um julgamento jurídico de um processo político.

Se o Procurador-Geral conseguir provar, não por ilações, mas com provas materiais, que alguém meteu a mão em dinheiro público para favorecer os financiadores do chamado “mensalão”, teremos que aceitar a condenação de quem tenha sido responsável pelo delito. Mas condenar quem não cumpriu as supostas expectativas de corrupção de financiadores de campanha, será uma completa inversão de valores.

Esquerda paraguaia nunca esteve num melhor momento, diz Lugo

Em entrevista concedida à mídia alternativa brasileira, o presidente deposto do Paraguai analisa as origens do “golpe parlamentar” executado contra ele e diz que os movimentos e partidos progressistas do país estão se reunindo todos os dias para discutir um projeto nacional, o que antes não acontecia. “Nunca antes 12 partidos e oito movimentos sentaram juntos”, disse Lugo, referindo-se à Frente Guasú, concertação de esquerda e centro-esquerda formada em março de 2010. A reportagem é de Igor Ojeda.

Igor Ojeda

São Paulo – Desde que assumiu o cargo de presidente do Paraguai, em agosto de 2008, Fernando Lugo imaginava que dali a cinco anos, em agosto de 2013, quando terminasse seu mandato, passaria a se dedicar a outras atividades fora da política institucional. Mas o golpe sofrido no final de junho mudou sua vida radicalmente, disse ele à mídia alternativa brasileira em uma entrevista conjunta realizada na noite dessa quinta-feira (2) em São Paulo (SP).
“Mais do que nunca, as pessoas me pedem para que eu deixe de ser bispo e seja mais político”, afirmou Lugo, que garante ter assumido o papel de articulador da unidade da esquerda paraguaia depois de sua destituição. De acordo com ele, hoje, todos os dias há grupos sociais e políticos discutindo uma maneira de construir um projeto nacional para o país. “Antes isso não acontecia. A esquerda nunca esteve num melhor momento. Nunca antes 12 partidos e oito movimentos sentaram juntos”, disse, referindo-se à Frente Guasú, concertação de esquerda e centro-esquerda formada em março de 2010.

Nas eleições gerais de abril do ano que vem, a articulação quer jogar seu peso em duas frentes: disputar a Presidência e conquistar o maior número possível de cadeiras no Congresso Nacional. Para atingir o último objetivo, conta com Lugo para encabeçar a lista de candidatos ao Senado, direito garantido a ele recentemente pela Corte Suprema do Paraguai. “Em algumas semanas, saberemos com mais clareza o que é mais conveniente. Penso que se isso for útil à restauração da democracia no Paraguai, sou um soldado”, disse o presidente deposto.

Para Lugo, a próxima eleição será uma disputa entre uma esquerda renovada e uma direita que “não está reciclada”. “Por isso há esperança. A sociedade paraguaia está mais polarizada do que nunca. Se a esquerda também conseguir aglutinar forças não políticas, tem chances.” Segundo ele, uma das vantagens da Frente Guasú reside na divisão dos partidos tradicionais do país. “A direita paraguaia passa da euforia à depressão em muito pouco tempo. Acreditava que seria muito mais fácil executar o golpe. Achava que a Unasul [União de Nações Sul-Americanas] não reagiria, que a comunidade internacional aceitaria. É um completo isolamento político”, destacou.

O golpe
Segundo Fernando Lugo, as políticas adotadas por seu governo não foram o principal motivo do julgamento político a que foi submetido no Congresso Nacional, mas sim o potencial de transformação da sociedade paraguaia que a gestão representava. “Não tomei nenhuma medida socialista.

Aceitamos as regras do jogo. Tinha boas relações com os organismos internacionais e apresentava todos os indicadores conservadores que eles gostam de ver, como economia em crescimento, inflação controlada, multiplicação das reservas internacionais, pagamento das dívidas… éramos bons meninos. Mas havia um perigo. A continuidade do processo de mudanças. Isso sim incomodava. Estávamos economicamente bem, mas politicamente tínhamos articulações com grupos sociais”, analisou.

O presidente deposto foi enfático ao afirmar que o golpe não nasceu da noite para o dia. “Foi pensado por muito tempo”, disse, lembrando-se, principalmente, da recente denúncia do Wikileaks de que os Estados Unidos sabiam dessa ameaça desde 2009. “Quando eu começava na política, me diziam que 70% das decisões eram tomadas fora do país. Não quis acreditar. Hoje, pela minha experiência, não descarto totalmente essa possibilidade”. Segundo Lugo, no Paraguai – assim como na maioria dos países do mundo – o autêntico poder não mostra o rosto. No caso paraguaio, ele citou o narcotráfico, os produtores de soja e as transnacionais do agronegócio.

“O governo golpista tomou já quatro medidas que nos fazem pensar na ingerência desses poderes de fato na política paraguaia. A primeira é o fim do imposto à exportação da soja. A segunda é a permissão da entrada no país de soja transgênica, sendo que nosso governo estava trabalhando pela recuperação das sementes nativas. A terceira medida é o anúncio do pagamento de uma dívida que o Paraguai nunca contraiu. Um empréstimo de 80 milhões de dólares feito durante a ditadura Stroessner e que nunca chegou ao país. A quarta medida é a negociação da instalação da empresa Rio Tinto. Como é possível quererem produzir alumínio no Paraguai se a matéria-prima e o mercado estão no Brasil? Estão negociando que o preço da energia para essa empresa fique por 30 anos sem reajuste, uma perda de 14 bilhões de dólares. Sem dúvida, essas multinacionais têm o poder de fato”, esclareceu.

Por isso mesmo, Lugo defendeu que para que haja mudanças estruturais no Paraguai é preciso a instalação de uma Assembleia Constituinte que tenha como uma das prioridades incidir sobre a propriedade da terra no país. Além disso, disse, outro grande desafio é conquistar um grande respaldo no parlamento.

Sobre uma possível reversão do golpe e volta à Presidência, Lugo explicou que há dois caminhos. Um deles passa pela Corte Suprema, que no momento analisa a constitucionalidade do julgamento promovido pelo Congresso. A segunda via é a política, desde que o Senado reconheça que o processo foi irregular e volte atrás em sua decisão. O presidente deposto, no entanto, embora admita que exista a possibilidade de voltar ao cargo, não está otimista. “Acredito em Deus e nos milagres, mas nesse eu não acredito”, brincou.

“Fazer alguma coisa” na Síria

A História não é uma realidade em preto e branco. É um embuste a sua apresentação como enfrentamento entre anjos e patifes. As revoltas democráticas no mundo árabe foram sequestradas pelos jogos geopolíticos: na guerra síria joga-se porventura menos a democracia do que a fragilização do Irã por Israel e pela Arábia Saudita. A urgência de “fazer alguma coisa” tem décadas de resultados desastrosos, armando até aos dentes os aliados de agora que serão os patifes de amanhã. O artigo é de José Manuel Pureza.

José Manuel Pureza (*)

A história recente do Médio Oriente é a história da falência dos impérios naquela região e a da glória e miséria da implantação do Estado moderno, laico e nacionalista por elites locais. Foi assim nos despojos do império britânico (Arábia Saudita, Iraque, Palestina) e do império francês (Líbano e Síria). Em todos estes lugares, os mandatos da Sociedade das Nações deram lugar a nacionalismos modernizadores que invariavelmente se tornaram em ditaduras sangrentas que agora explodem sob a pressão incontível das lutas pela democracia.

A Síria é um caso típico desta trajetória. Ali, o nacionalismo secular, protagonizado pelo Partido Ba’ath, degenerou em controlo dinástico pela minoria alauita e em todas as perversões das mais estúpidas ditaduras. O apoio de Moscou antes e a sedução dos Estados Unidos depois (a Síria chegou a ser um dos entrepostos de sub-contratação de tortura durante a “guerra contra o terrorismo”) adiaram o inadiável: a implosão da ditadura e a emergência de revoltas pela democracia.

Aqui chegados, há duas observações a fazer. A primeira é a de que a História não é uma realidade a preto e branco. É um embuste a sua apresentação como enfrentamento entre anjos e patifes. Uma análise séria exige que se reconheça que o regime de Damasco é odioso – e que as revoltas populares não são um mero complô fabricado na Virgínia – mas exige também que não se oculte que “a oposição” está longe de ser a expressão da virtude.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, citado como “fonte credível” das chacinas, é uma pessoa (Rami Abdulrahman) que vive em Coventry. Os principais dirigentes do Conselho Nacional Sírio são membros de think tanks conservadores norte-americanos como o Council on Foreign Relations ou a Henry Jackson Society. Retira isto legitimidade à luta dos sírios pela democracia? Nenhuma. Mas põe em evidência as estratégias de infantilização que pintam às opiniões públicas a guerra na Síria como algo entre imaculados e satânicos para delas obter reações emocionais.

E entra aqui a segunda observação. Lembram-se da Líbia? Lembram-se dos relatos diários de massacres sempre mais sangrentos e com mais vítimas indefesas, incluindo, como é da praxe comunicacional, “mulheres e crianças”? Deram-se conta de que, no momento em que começou a intervenção da OTAN, a contagem de vítimas foi substituída por relatos asséticos da sucessão de tomada de localidades pelos rebeldes? Deram-se conta de que as imagens de mortos foram substituídas por mapas e imagens aéreas sempre sem vítimas (salvo a meia dúzia de “colaterais” para dar mais credibilidade à coisa)? Lembremo-nos então de tudo isso quando agora nos falam de novo em chacinas unilaterais e nos dizem: “Alguma coisa tem de ser feita”, que é uma forma moralizada de dizer “tem de haver uma intervenção armada contra uns e a favor dos outros”.

Dir-nos-ão que não podemos permitir que os sírios sejam vítimas do bloqueamento da resposta por causa dos vetos chinês e russo na ONU. Lembremos-lhes então os povos da Palestina ou do Saara Ocidental e de como têm sido vítimas de décadas de vetos dos mesmos que agora rasgam as vestes pela “urgência humanitária” na Síria.

O apelo à nossa melhor humanidade, àquela que se materializa em solidariedade sem fronteiras, não pode ser um apelo a que abdiquemos da inteligência. E a inteligência obriga-nos a levar em conta dois dados essenciais. Primeiro, que as revoltas democráticas no mundo árabe foram sequestradas pelos jogos geopolíticos: na guerra síria joga-se porventura menos a democracia do que a fragilização do Irão por Israel e pela Arábia Saudita. Segundo, que a urgência de fazer alguma coisa tem décadas de resultados desastrosos, armando até aos dentes os aliados de agora que serão os patifes de amanhã.

(*) Publicado originalmente no Diário de Notícias (03/08/2012).


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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