Arquivo para outubro \25\-04:00 2012



Ato na USP: “Haddad é resposta da civilização à barbárie”

No ato “São Paulo quer Mudança”, promovido pelo Coletivo de Estudantes em Defesa da Educação Pública, professores da Universidade de São Paulo manifestaram apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT). Nas falas, a eleição de Haddad foi apontada como uma possibilidade de mudança, uma resposta da civilização à barbárie. Para Marilena Chauí, Haddad aparece para São Paulo como uma passagem do medo, vindo da atual gestão, para a esperança no resgate da imagem cidadã da cidade.

Caio Sarack

São Paulo – O Coletivo de Estudantes em Defesa da Educação Pública promoveu terça-feira, às 17h, na USP, o ato “São Paulo quer Mudança”. O evento contou com professores da instituição que resolveram se colocar no debate das eleições de segundo turno. Marilena Chauí, André Singer, Homero Santiago, Deisy Ventura, Amélia Cohn, Ismail Xabier, Leda Paulani e outros intelectuais colocaram-se a favor da eleição do candidato Fernando Haddad (PT). Nabil Bonduki, vereador eleito e também professor da USP, compareceu para dar apoio ao que o evento chamou de “única possibilidade de mudança”.

Estas eleições têm o potencial de ampliar a participação direta da população nas decisões públicas, afirmou o professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, Ricardo Abramovay. O ato promovido na USP nesta terça, 23, pretendeu ser justamente um espaço de participação e debate sobre o segundo turno da eleição paulistana.

Nas falas, o mote foi bastante definido: a eleição de Haddad é uma possibilidade de mudança, uma resposta da civilização à barbárie. O projeto de cidade do petista foi elogiado e posto como paradigmático. Homero Santiago, professor de Filosofia da universidade, elogiou a maneira petista de governar e a contrapôs à maneira tucana de governar, “No transporte, o bilhete único mensal foge da lógica da discussão de planilhas de tarifa tucana. Dá direito a vida social e democrática, o deslocamento na cidade é uma questão da democracia”, disse Homero. O professor fez o contraste com a gestão tucana, segundo ele, um projeto higienista e sem consulta ao povo. “Votar contra Serra é uma espera quase moral”, finalizou.

Amélia Cohn, socióloga aposentada pela universidade, concordou. “São modos de governar radicalmente distintos. Uma, tecnocrática e se reduz a uma questão contábil, outra de transformação civilizada e apropriação do espaço público”. Para a socióloga, Haddad é opção até dentro do PT, vem como um paradigma para o próprio partido e um entusiasmo de retomada da cidade. Saído do departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais (FFLCH-USP), Haddad foi comparado com o também egresso da USP, Fernando Henrique Cardoso. “Saiu daqui a escola neoliberal que governou o país, mas agora sai alguém de esquerda,” afirmou o professor Sérgio Cardoso.

A elaboração de um projeto sério para a economia também é importante, “A Alemanha vai bem porque 60% do seu PIB está nas mão das pequenas empresas e não na economia de escala dos oligopólios. O projeto do Haddad tenta dar uma saída para essa tendência econômica”, disse o especialista em Economia das Organizações Paulo Feldmann.

O voto em Haddad despontou no ato como única opção possível de mudança, Leda Paulani, economista e professora também da universidade, disse que a democracia participativa é opção que nos sobrou, que já está ultrapassada e morta, no entanto é o que nos dá abertura para a democratização do acesso e do espaço público.

“A cidade no século XIX tinha relação estreita com o conceito de civilização, no século XX a cidade tem se confundido com a barbárie. Temos a possibilidade de um processo de desbarbarização, somos uma cidade ocupada”, afirmou Ismail Xavier da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP). A reflexão sobre um projeto de cidade que a afaste de uma gestão higienista e tecnocrática aparece com urgência, segundo Xavier. A urgência deste debate e de achar uma saída que dê vazão ou espaço de movimentação democrática faz a esquerda se colocar a favor do petista.

Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais (IRI-USP), aposta em Haddad como a oportunidade de recolocar a universidade no debate sobre um governo de esquerda. “No segundo turno não temos um candidato ideal, isto é crença. Mas não estamos no ambiente da crença, sim no ambiente da política”, concluiu Deisy.

“Há três maneiras de impedir a prática e participação políticas. A concepção teológica do poder, da escolha divina; a concepção moralista que vira as costas para a prática do mundo concreto e a submissão à ideologia da classe dominante, submissão ao monopólio da imagem que domina o corpo e o espírito da nossa sociedade”, disse Marilena Chauí no final do evento. Para ela, Haddad aparece para São Paulo como uma passagem do medo, vindo da atual gestão, para a esperança no resgate da imagem cidadã de São Paulo.

Juristas fazem ato em apoio à eleição de Fernando Haddad

Um grupo de juristas, advogados, defensores públicos, magistrados, procuradores, estudantes e professores de direito decidiu promover, na noite desta quarta-feira, no Sindicato dos Advogados de São Paulo, um ato em apoio à eleição de Fernando Haddad para a prefeitura da capital paulista. Manifesto diz que Haddad é “herdeiro da experiência de governo democrático e popular das prefeituras de Luiza Erundina (1989) e Marta Suplicy (2004) e partícipe do projeto de transformação em curso no Brasil desde 2003”.

Redação

São Paulo – Um grupo de juristas, advogados, defensores públicos, magistrados, procuradores, estudantes e professores de direito decidiu promover, na noite desta quarta-feira, no Sindicato dos Advogados de São Paulo, um ato em apoio à eleição de Fernando Haddad para a prefeitura da capital paulista.

Anunciaram participação do ato, entre outras personalidades do meio jurídico, Gilberto Bercovici, professor Titular da Faculdade de Direito da USP; Celso Fernandes Campilongo, professor Titular da Faculdade de Direito da USP; Dalmo de Abreu Dallari; Otávio Pinto e Silva, advogado e professor Livre-docente da Faculdade de Direito da USP; Márcio Sotelo Felippe, Procurador do Estado de São Paulo, mestre em direito pela FDUSP e Alberto Zacharias Toron, candidato à Presidência da OAB-SP.

A candidata a vice-prefeita na chapa de Fernando Haddad, Nádia Campeão (PCdoB), o deputado federal Paulo Teixeira (PT) e o deputado estadual Simão Pedro (PT) também participam do ato.

Abaixo, veja o manifesto dos juristas:

Juristas com Haddad!!

O 2º turno das eleições de São Paulo apresenta duas candidaturas antagônicas: de um lado, José Serra (PSDB), continuidade da gestão Kassab, extensão do governo estadual de Geraldo Alckmin e aliado de FHC no desmonte do patrimônio público brasileiro; de outro, Fernando Haddad (PT), símbolo de mudança, herdeiro da experiência de governo democrático e popular das prefeituras de Luiza Erundina (1989) e Marta Suplicy (2004) e partícipe do projeto de transformação em curso no Brasil desde 2003.

Não por acaso, essa eleição polariza a cidade, situação evidenciada pelo mapa eleitoral do 1º turno: enquanto Serra recebeu os votos dos setores mais privilegiados e das regiões mais abastadas de São Paulo, Haddad emergiu como depositário dos anseios do povo das periferias da cidade, de uma maioria que almeja uma vida melhor.

Nessa hora, é necessário escolher um lado!

Repetindo a dinâmica da disputa presidencial de 2010, Serra manifesta preconceitos e valores antidemocráticos em sua campanha, ao invés de fazer um debate político qualificado sobre o futuro de São Paulo. Como solução para os problemas em áreas sensíveis para o povo, como saúde, educação, transporte e moradia, Serra representa mais do mesmo: submissão aos interesses do mercado imobiliário, políticas higienistas, privatizações (disfarçadas sob as Parcerias Público-Privadas e as Organizações Sociais) e recrudescimento da violência policial contra os pobres e os movimentos sociais.

Haddad apresentou à população de São Paulo um Programa de Governo construído com amplos setores da sociedade civil e que reinsere o respeito aos Direitos Humanos e o compromisso com a gestão democrática e participativa no núcleo da administração pública municipal.

Nós, juristas – advogados, defensores públicos, magistrados, procuradores, estudantes e professores de direito – acreditamos que a Prefeitura deva ser um vetor de promoção de cidadania, de respeito aos direitos humanos e de melhoria das condições de vida da população, em especial da maioria pobre e trabalhadora que faz de São Paulo a maior cidade do país.

Por isso, manifestamos nosso apoio à candidatura de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo e convidamos a todos a participarem do “Ato dos juristas com Haddad”.

Assinam esta Convocatória / Manifesto (últimas adesões, escrevam para juristascomhaddad@gmail.com):

José Eduardo Martins Cardoso, Ministro da Justiça;

Ricardo Gebrim, advogado trabalhista;

Aton Fon Filho, advogado popular;

Flavia Piovesan, Doutora e professora de Direito pela PUC/SP;

Gilberto Bercovici, professor Titular da Faculdade de Direito da USP;

Marcus Orione Gonçalves Correia, juiz federal, professor Livre-docente da Faculdade de Direito da USP;

Otávio Pinto e Silva, advogado e professor Livre-docente da Faculdade de Direito da USP;

Boaventura de Sousa Santos, professor da Universidade de Coimbra e da Universidade de Wisconsin (EUA);

Ney Strozake, advogado popular;

Giane Alvares, advogada popular;

Paulo Teixeira, Deputado Federal e advogado;

Luiz Edson Fachin, professore da Faculdade de Direito da UFPR, atualmente Visiting Scholar do King´s College, London.

Patrik Lemos Cacicedo, defensor público do Estado de São Paulo;

Márcio Sotelo Felippe, Procurador do Estado de São Paulo, mestre em direito pela FDUSP;

Flávio Crocce Caetano, advogado, professor de Direito Administrativo e Direitos Humanos da PUC/SP;

Carlos Duarte, tesoureiro do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo;

Aldimar de Assis – Presidente do Sindicato dos Advogados SP;

Benedito Barbosa – “Dito”, advogado do Centro Gaspar Garcia De Direitos Humanos e da União Dos Movimentos De Moradia De São Paulo;

Alexandre Mandl, advogado do Movimento das Fábricas Ocupadas – Flaskô;

Thiago Duarte Gonçalves, chefe de gabinete de Desembargador do TRT da 2ª Região;

Thiago Barison, advogado, mestre e doutorando em Direito do Trabalho;

Valter Uzzo, advogado trabalhista;

Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado;

Silvio Luiz de Almeida, advogado, Doutor em Direito e Presidente do Instituto Luiz Gama;

Suzana Angélica Paim Figueredo, advogada, mestra em direito pela PUC/SP;

Gladstone Leonel da Silva Júnior, professor de direito da UnB e advogado popular;

Alexandre F. Mendes, professor de Direito Urbanístico – PUC-RJ;

Ronaldo Tamberlini Pagotto, advogado trabalhista;

Yuri Carajelescov, Procurador da Assembleia Legislativa do Estado de SP, advogado;

Daniel Carajelescov, Procurador do Estado aposentado, advogado;

Isadora Brandão, membro da comissão de Direitos Humanos do Sindicato dos Advogados de São Paulo;

Jonnas Esmeraldo Marques de Vasconcelos, advogado;

Lourdes Buzzoni Tambelli, advogada trabalhista, diretora secretária do Grupo de advogados pela Diversidade Sexual – Gadvs e diretora suplente do Sindicato dos Advogados de SP;

Raimundo Vieira Bonfim, advogado, coordenador geral da Central de Movimentos Populares do Estado de São Paulo (CMP-SP);

Yasmin Pestana, advogada;

Fernanda Cyrineu Pereira, advogada;

Pablo Castellon, advogado;

Íria Braga Stecca, advogada;

Gabriel de Carvalho Sampaio, advogado e Diretor da Secretaria de Assuntos Legislativos do Mistério da Justiça;

Alessandro Oliveira Soares, advogado, professor e chefe de gabinete do Ministro da Justiça;

Rodrigo Faria, advogado, secretário executivo adjunto do Ministério da Justiça;

Marivaldo de Castro Pereira, advogado e Secretário de Assuntos Legislativos do Mistério da Justiça;

Anna Claudia Pardini Vazzoler, advogada e Diretora da Secretaria de Assuntos Legislativos do Mistério da Justiça;

Sabrina Durigon Marques, advogada e coordenadora da Secretaria de Assuntos Legislativos do Mistério da Justiça;

Patrick Mariano Gomes, advogado e coordenador da Secretaria de Assuntos Legislativos do Mistério da Justiça;

Luiz Antônio Bressane, defensor público e coordenador da Secretaria de Assuntos Legislativos do Mistério da Justiça;

Tedney Moreira da Silva, advogado e coordenador da Secretaria de Assuntos Legislativos do Mistério da Justiça;

Jean Keiji Uema, advogado e consultor jurídico do Ministério da Saúde;

Eduardo Piza Gomes de Mello, advogado, diretor do Sindicato dos Advogados de São Paulo, militante do movimento LGBT e membro do IEN – Instituto Edson Neris;

Paulo Cesar Malvezzi Filho, advogado, membro do Instituto Práxis de Direitos Humanos;

Caio Yamaguchi Ferreira, advogado;

Vinicius Cascone, advogado;

Flavio Marques Prol, advogado;

Stacy Natalie, advogada;

Ricardo Leite Ribeiro, advogado;

Silvio Luiz Estrela, advogado;

Regina Stela Corrêa, advogada;

Francisco Brito Cruz, advogado;

Antônio Carlos de Carvalho, advogado;

Marina Ganzarolli, advogada;

Guilherme Varella, advogado;

Lea Vidigal Medeiros, advogada;

Aroldo Joaquim Camillo Filho, advogado;

Cleyton Wenceslau Borges, militante da área de educação popular e combate ao racismo;

Marco Aurélio Braga, advogado;

Mariana Marques Lage Cardarelli, advogada;

Silas Cardoso de Souza, advogado;

Aline Viotto Gomes, advogada;

Taiguara L. S. e Souza, doutorando em Direito PUC-Rio, professora de Direito Penal;

Jarbas Ricardo Almeida Cunha, professor de Direito Constitucional – Brasília/DF;

Juliana Avanci, advogada;

Sérgio Colletti Pereira do Nascimento, Secretário Municipal de Assuntos Jurídicos de Araras/SP;

Rosa Costa Cantal, advogada;

Márcio Fernandes da Silva, advogado;

Alexandre Pacheco Martins, advogado criminalista e membro da comissão de direitos humanos do sindicato dos advogados;

Ulisses de Miranda Taveira, assistente de Desembargador do TRT da 2ª Região;

Maristela Monteiro Pereira, advogada;

José Carlos Callegari, advogado trabalhista;

André Rota Sena, advogado;

Renan Honório Quinalha – advogado;

Daniella Bonilha de Carvalho, advogada popular;

Taylisi de Souza Corrêa Leite, advogada e professora universitária;

Mário Cabral, advogado;

Stella Bruna Santo, advogada;

André Feitosa Alcântara, advogado, coordenador do CEDECA da Fundação Criança.

Sinvaldo José Firmo, advogado coordenador do departamento jurídico Instituto do Negro Padre Batista

Fábio Roberto Gaspar – Advogado Trabalhista,

Gabriela Araujo – Advogada;

Cesar Pimentel – Advogado – Direito Administrativo;

Marco Aurelio de Carvalho – Advogado;

Rodrigo Frasteschi – Advogado;

Flávia Annenberg, advogada;

Paulo Cesar Malvezzi Filho, advogado, membro do Instituto Práxis de Direitos Humanos;

MANAUS PRODUZ SEU ANIVERSÁRIO

Depois de mais de 300 anos adormecida, tal qual uma bela a espera de seu príncipe encantado ou quiçá de sua princesa, mas sem jamais chegar, por se encontrarem em uma profunda inércia, a não-cidade de Manaus despertou no dia 24 de outubro de 2012, sabendo ser o dia de seu aniversário. Estremeceu todo seu corpo histórico e se pôs a agitar seu território, seus estados de coisas, suas enunciações semióticas e se preparou para sua desterritorialização.

Observando, sem qualquer piedade de si, sua triste e deplorável condição existencial, onde suas necessidades básicas não estavam atendidas, resolveu produzir seu próprio aniversário dando desprezo às falsas e iludidas homenagens que algumas  autoridades e habitantes incautos fantasiavam lhe serem endereçadas.

Ativar seu território para que ele se tornasse espaço-existencial-pulsante, fragmentar os estados de coisas para que o movimento real se revelasse, ir além das enunciações semióticas imóveis para produzir uma nova escritura, e desterritorializar sua condição segmentada para fazer fluir seu corpo-devir-terra, foi o que decidiu prontamente. Uma nova cartografia de desejos produtivos como poiesis-caosmótica deveria nascer como o espaço-estético. Uma subjetividade onde a segmentaridade marcadora de poder não se estabelecesse como prisão eufemisticamente chamada de democrática.

Integrada em sua unicidade-substancial, incorporada de seus atributos e modus de ser Natureza-Naturante, se colheu Manaó, e concebeu que sua potência produtiva só poderia se tornar expressão, conteúdo e forma, se afastasse de si os corpos mortos, em estado de putrefação que lhe impediam de florescer e pujantemente se manifestar physis e philos. Homonoia (identidade de pensamento), homologia (identidade de linguagem) como pletos democracia.

Foi então, que em estado deviriano-dionisíaco, se movimentou de forma dialética tão inapreensível que em poucos segundos os corpos imóveis, degeneração humana, e aberração democrática, desapareceram sem que ninguém percebesse. Todo seu passado adormecido desaparecera. Fora alcançada a beatitude. O mais alto grau da inteligência e da produção.

Agora, ela era tão somente presença ativa de si mesma. Seu em si e seu para si, nada de estranho. Aquela classe média indiferente, preguiçosa, parasitária, oral, voraz, venal, cujo egoísmo privado levava sempre a se aproximar dos mercadores políticos, desaparecera. Aqueles politicofastros – falsos políticos – hipócritas, narcisistas, dissimulados, fanfarrões, chantagistas, covardes, indolentes, soberbos, vaidosos que o filósofo Nietzsche chama de falhos de inteligência, todos desapareceram. Aquela mídia submissa, conivente, reacionária, fantasiosa, alienada do jornalismo disciplina cívica, desaparecera. Aqueles professores abstratos massa de modelação dos governos perversos, desapareceram. Os sindicatos pelegos anêmicos, os funcionários públicos bem hierarquizados e sem voz, os artistas imitadores dos simulacros, os profissionais liberais que de tanto liberalismo liberaram seus sentidos éticos, também desapareceram. Os entretenimentos entorpecedores dos sentidos e da inteligência também desapareceram. A violência contra os humilhados e ofendidos desaparecera. Nenhum ressentimento, rancor, culpa, dívida, ideal ascético, pecado, perdão, todos os sentimentos anticristãos, que fazem os homens escravos e tiranos despareceram. Também os céus de papelão, assim como os infernos com fogos factos, também desapareceram. Inútil se querer pastor, porque não havia mais ovelhas.

Mas um desaparecimento magno que lhe causou intenso júbilo foi o desaparecimento da Zona Franca. Um espectro de projeto de desenvolvimento instalado contrariando toda a lei natural e econômica de todas as cidades que tiveram suas origens, a formação de suas identidades e seus crescimentos tendo como sustentáculos os atributos homem-natureza-trabalho. Nada do que tentaram fazer com ela, Manaus. Criar um parque de montagem industrial para instalar na população um falso sentido de necessidade e progresso.

Assim, Manaus produziu seu aniversário com um novo povo que aproveitando as águas dos rios, a exuberância de sua flora e fauna, mais suas terras, e o trabalho humano, promoveram também uma atividade agropastoril rica, e construíram uma cidade com uma economia forte sem precisar de artifícios tendo como potência a democracia participativa, e não a democracia representativa que estimula o aparecimento e a afirmação do demagogo.

E então, Manaus, como verdadeiro ser-aniversariante pôde festejar seu aniversário com um sonoro e alegre, “Parabéns Para Mim!

Supremo político

No Estado Novo esta mesma corte autorizou a entrega de uma judia comunista para morrer nas Câmaras de Gás de Hitler. Esteve dentro da estrita legalidade de uma Ditadura. Em 1988 recebemos um ordenamento jurídico resultante da luta contra o terrorismo de Estado que imperou no Brasil depois de 1964. A condenação de José Dirceu mostra que o consenso de 1988 mudou. Doravante, empresários, políticos e lideres de movimentos sociais terão grande dificuldade de se defender no STF. A não ser que o julgamento tenha sido de exceção! O artigo é de Lincoln Secco.

Lincoln Secco (*) – Vi o Mundo

(*) Artigo especial para o Viomundo.

Conta-nos George Duby que no século XII o cavaleiro Guilherme Marechal descobriu uma jovem dama e um monge em fuga. Ao saber que se dirigiam a uma cidade para empregar seu dinheiro a juros, ele ordenou a seu escudeiro que lhes retirassem o dinheiro. Para ele aquilo não era roubo! Ele não tocou na jovem, não impediu que continuassem e nem lhes tomou a bagagem. Nem mesmo quis ficar com o dinheiro tomado pelo escudeiro. É que para a moral da cavalaria o metal era vil, a acumulação desonrada e a usura um pecado.

Ninguém nos dias de hoje concordaria com aquele “Direito Medieval”. Todo o Direito corresponde ao seu tempo e à leitura política que predomina numa sociedade.

No caso do Supremo Tribunal Federal, a sua natureza política se torna quase transparente. É que os juízes do STF não fazem concurso, eles são indicados. A Constituição garante ao Presidente da República e à maioria que ele constitui no Senado Federal, o poder de interferir na sua composição.

Dessa forma é dever constitucional do presidente nomear pessoas que estejam de acordo com a correlação de forças políticas que a população livremente estabeleceu pelo voto. Quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito, ele nomeou juízes que estavam afinados com o seu projeto liberal de privatizações. Nomeou pessoas que deveriam criar o ordenamento jurídico dentro do qual ele ergueu o modelo econômico escolhido pelo povo. Caberia aos juízes inviabilizar questionamentos que duvidassem das privatizações, por exemplo.

Em 2002 o povo escolheu um novo modelo de desenvolvimento oposto ao anterior e era esperado do presidente que nomeasse para o STF juízes que calçariam o sua opção pelo social com uma segurança jurídica mínima que impedisse ações contra sua política de cotas ou seus programas de transferência de renda, por exemplo. Mas, ao contrário de FHC, Lula seguiu uma interpretação errônea do que seria a República.

Ocorre que se o STF não é politizado pelo presidente ele o é pela oposição. É que o Direito não é só um conjunto de fatos ou normas, como rezam os positivistas, mas a expressão de uma relação de poder. Se um lado hesita em exercê-lo o outro o fará. Nada disso atenta contra a Democracia. Esta é apenas a forma de um domínio encoberto pelo consenso da sociedade. A violação do direito ocorre se um dos lados usa a força e se põe fora da legalidade.

Até ontem, o consenso jurídico era o de que na dúvida prevalecia a absolvição do réu. Cabia ao acusador fornecer a prova, e não o contrário. Provas não podiam ser substituídas pela crença espírita de que uma pessoa devia necessariamente conhecer determinado fato. Todo cidadão tinha o direito de ser julgado em mais de uma instância.

No século XIX havia escravos que iam às barras do tribunal para requerer a liberdade alegando que teriam ingressado cativos no Brasil depois da proibição do tráfico. E quando perdiam num Tribunal da Relação, podiam recorrer até a última instância, embora a nossa mais alta corte defendesse a escravidão.

No Estado Novo esta mesma corte autorizou a entrega de uma judia comunista para morrer nas Câmaras de Gás de Hitler. Esteve dentro da estrita legalidade de uma Ditadura. Em 1988 recebemos um ordenamento jurídico resultante da luta contra o terrorismo de Estado que imperou no Brasil depois de 1964.

A condenação de José Dirceu mostra que o consenso de 1988 mudou. Doravante, empresários, políticos e lideres de movimentos sociais terão grande dificuldade de se defender no STF.

A não ser que o julgamento tenha sido de exceção!

Neste caso, tudo voltará a ser como antes. Mas então a ilusão que a esquerda acalentou na democracia será posta em causa e ela poderá se voltar aos exemplos tão temidos pela oposição, como a Argentina, a Bolívia, o Equador e a Venezuela.

(*) Lincoln Secco é professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

O poder da mídia, contradições e (in)certezas

Hoje, como sempre, não existe explicação simples para a enorme complexidade das relações entre a mídia, as instituições republicanas e, sobretudo, a cidadania. Um fato, todavia, parece certo: de maneira geral, a grande mídia não exerce mais o imenso poder que já teve sobre a maioria da população brasileira.

Venício Lima

(*) Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

Apesar da certeza arrogante com que alguns “pesquisadores” nos oferecem interpretações sobre a influência da grande mídia – ou da inexistência dela – tanto no funcionamento das instituições republicanas como no comportamento coletivo – ou no comportamento do que se chama de “opinião pública” –, os dias que correm oferecem razões de sobra para muita reflexão e humildade.

Alguns exemplos reveladores:

1. É difícil acreditar que a posição unânime da grande mídia favorável à condenação de todos os réus, por todos os crimes a eles imputados pelo Ministério Público na Ação Penal nº 470, ao longo dos últimos sete anos, não tenha exercido influência importante no resultado do julgamento no STF.

Dito de outra forma: tivesse a grande mídia, desde a primeira denúncia, em 2005, pautado sua cobertura pelo princípio constitucional da “presunção de inocência” em relação a todos os réus e a todas as acusações, o resultado do julgamento teria sido o mesmo?

Supondo que a resposta correta a essa pergunta seja “dificilmente”, estaremos admitindo a influência direta da grande mídia sobre o Judiciário, vale dizer, um dos três poderes da República.

Nova visibilidade

2. A se confirmarem os resultados ainda pendentes no segundo turno das eleições municipais, será possível afirmar que o julgamento da Ação Penal nº 470 não produziu o resultado esperado (desejado) pela grande mídia e pelos partidos de oposição [ao governo Dilma e ao governo anterior do presidente Lula]. Isto é, apesar de anos seguidos de “julgamento e condenação pública” de quadros dirigentes do PT e de alguns de seus partidos aliados, candidatos desses partidos venceram disputas em cidades-chave e tiveram expressivo número de votos em todo o país.

Seria correto, portanto, afirmar que a grande mídia não exerce mais a influência decisiva que já exerceu em campanhas eleitorais como, por exemplo, nas eleições presidenciais de 1989 (Collor x Lula).

3. O Ibope divulgou recentemente o resultado comparativo das preocupações predominantes entre os brasileiros no ano de 1989 e em 2010 (ver aqui).

O quadro abaixo é autoexplicativo, todavia vale destacar o comentário que está no release de divulgação dos resultados em relação ao “tipo de preocupação” corrupção. Afirma o Ibope:

“Apesar das constantes notícias sobre o assunto, o combate à corrupção também preocupa menos o brasileiro: de 20% passou a ser citada por 15% dos entrevistados.”

Qual a relação da queda da preocupação do brasileiro com a corrupção e as “constantes notícias” – uma verdadeira campanha de moralidade seletiva e criminalização da política – veiculadas na grande mídia desde 2005?

4. O final da novela Avenida Brasil da Rede Globo prendeu a atenção de boa parte do país na sexta feira (19/10). As Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) já haviam constatado queda do consumo de energia durante o horário em que a novela esteve no ar: 5% entre 21h e 22h. Por causa da novela, o comício do candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad, com a participação da presidenta Dilma, marcado para o mesmo dia do capítulo final, foi adiado.

Considerando que a novidade foi a visibilidade que deu à chamada “nova classe C”, vale perguntar: quais modelos de comportamento (político, ético, de consumo etc., etc.) foram “oferecidos” diariamente à imensa audiência mobilizada por essa novela?

Outros tempos
Aparentemente contraditórios, esses fatos deveriam obrigar “pesquisadores” a pensar duas vezes antes de fazer avaliações definitivas: se há grande influência sobre o Judiciário, ela parece ser bem menor em relação aos resultados eleitorais (salvo o aumento nos índices de abstenção?) ou às preocupações dominantes entre os brasileiros. Por outro lado, o que dizer sobre uma novela que mobiliza milhões de pessoas a ponto de interferir diretamente na organização do tempo cotidiano? E, mais importante, o que tudo isso tem a ver com o processo democrático?

Hoje, como sempre, não existe explicação simples para a enorme complexidade das relações entre a mídia, as instituições republicanas e, sobretudo, a cidadania.

Um fato, todavia, parece certo: de maneira geral, a grande mídia não exerce mais o imenso poder que já teve sobre a maioria da população brasileira. Ainda bem.

(*) Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012/2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentando) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros

DILMA E A FESTA DEMOCRÁTICA

A presidenta da República Dilma Vana Roussef esteve ontem  em Manaus em uma verdadeira festa democrática junto com diversos representantes e a candidata a prefeitura de Manaus Vanessa Grazziotin. Independente do motivo que a trouxe a cidade, este encontro com o povo de Manaus não poderia ser diferente: um encontro alegre que aumenta a potência social de cada presente.

A presidenta, que é reconhecida em todo mundo como uma das mais importantes governantes do planeta graças a produção de um crescimento com base nas políticas sociais, foi recebida por milhares de presentes juntamente com as ministras Ideli Salvatti, das Relações Institucionais e Helena Chagas da Comunicação Social.

Dilma estava irradiando alegria e ao agradecer todo carinho que o povo amazonense sempre demostra ela relatou que também é uma cidadã amazonense, deixando todos muitos alegres. Não só pela respeitabilidade internacional de Dilma, que faz do Brasil uma das mais importantes democracias do mundo, mas sim por este ser o estado onde Dilma teve a sua maior votação e por parabenizar a todos pelos 343 anos que Manaus fará amanhã, porém sem nada a comemorar.

A responsabilidade d@ futur@ representante de Manaus escolhid@ no próximo domingo (28) será produzir uma cidade a partir dos escombros disto que é a não-cidade. Será criar outros modos de relação entre os órgãos públicos, a população e a gestão executiva, sempre visando o bem comum.

DILMA E MANAUS

Dilma afirmou que o  Governo Federal continuará lutando pelo desenvolvimento do Brasil e do Amazonas, porém as prefeituras tem que se responsabilizar. O projeto da prorrogação da Zona Franca de Manaus em mais 50 anos foi elaborado por Dilma estará em breve sendo votado nas casas legislativas, assim como a proposta do governo em reajustar anualmente o salário mínimo.

Foi lembrado também a luta de Lula nos programas sociais na educação, saúde, moradia,etc que também auxiliaram no desenvolvimento do estado e da Região Norte, que era até então esquecida. Hoje 125 mil pessoas recebe auxílio do Bolsa Família em Manaus, mas a cidade ainda sofre com a falta de água que foi privatizada, com a falta de escolas de educação integral e com as creches que não foram construidas durante toda a história da não-cidade.

A presidenta glosou que continuará olhando para o Amazonas e toda região, porém é imprescindível que quem for eleit@ utilize com responsabilidade suas verbas e saiba dirigir esta cidade .

DILMA E AS MULHERES

Dilma lembrou que hoje pouco mais de 50% da população são mulheres “E os outros 50% são os nossos filhos, então estamos todos em casa”. Dilma falou da importância da mulher e seu papel na transformação social, e o preconceito contra a mulher que foi de certa forma enterrado na eleição em 2010:

” É importante perceber que este país tem de crescer e tem de mudar. As mulheres podem sim, serem prefeitas, governadoras, podem sim ser presidentas, como podem exercer todas as profissões que nós resolvermos exercer e isto é uma grande contribuição para o Brasil, é uma grande contribuição para o Amazonas e para Manaus.”

Assim Dilma- que é uma das mais importantes mulheres do mundo, que junto com Lula tirou mais de 40 milhões de brasileiros da pobreza, que tirou o Brasil do apagão e interior do Amazonas da escuridão e como nunca nesta história deste país diminuiu a desigualdade- se juntou nesta festa democrática com os manauaras para mostrar que os eleitores nossa cidade deve utilizar seu titulo de eleitor pessoal e intransferível para votar socialmente, em algo que se transforme na produção de novas realidades voltadas sempre ao bem comum e  aos direitos humanos.

Além disto Dilma,  deu uma oportunidade do povo amazonense em refletir sobre os modelos de governo que estão em jogo nesta eleição: um do desenvolvimento social com melhor divisão das riquezas, e outro voltado ao capital externo, as privatizações, e a manutenção da não-cidade e alienação das massas. Resta ao eleitor a decisão… E as consequências.

SEGUNDA-EIRA DOMINICAL

Dia das boas almas

# Sociólogo espanhol,  há mais de suas décadas no Brasil, Ignácio Cano, do Laboratório de Análise de Violência (LAV) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ao analisar a epidemia do uso de drogas no país afirmou que mais eficaz que a repressão contra este crime o certo mesmo é fazer mais uso da inteligência. Para ele é necessário o investimento de mais recursos para capacitar as forças de segurança e melhorar os setores de inteligência.

“O que precisa é investigação e inteligência. A fantasia que existe, que a gente vai conseguir resolver o problema por meio do patrulhamento das fronteiras, é ingenuidade. Não há exército no mundo que possa patrulhar de forma eficiente uma fronteira do tamanho da brasileira. A ação pública tem que priorizar a investigação e a inteligência. A partir da captura de armas e drogas, é preciso reconstruir a rota para tentar pegar esses grupos.

Todo o combate ao crime organizado depende basicamente da inteligência. Quanto mais se investigar nessa área, melhor. A questão da movimentação financeira e da lavagem de dinheiro é o calcanhar de Aquiles do crime organizado.

A política de repressão está no rumo errado, porque ela deve ser feita junto com os usuários e não contra eles. O princípio da internação compulsório é muito problemático. Os especialistas em saúde pública e mental concordam que isso não é uma boa ideia. As pessoas acabam saindo. Se não houver cooperação ativa delas, não vão se desintoxicar. O foco da política, infelizmente, parece visar mais à limpeza de determinadas áreas da cidade do que à ajuda de fato aos usuários de drogas”, observou Ignácio Cano.

Como diz o filósofo Heidegger em relação à existência, “o medonho já aconteceu”. E em relação à essa existência infraestruturada pelo sistema capitalista cujos valores não têm nada de humano, mas tão somente dos valores de alguns homens, o combate ao uso das drogas e seu tráfico, diante do “medonho” é importante, mas não muda nada. Mesmo com a preocupação de se fazer melhor atuação da inteligência.

A droga é um recurso que algumas pessoas lançam mão em função de uma sociedade perversa, drogatizadora e suicidante. Uma sociedade cuja realidade só é suportável com o embotamento dos sentidos e da razão. Que não se reduz apenas ao uso do crack, cocaína, da pasta ou heroína. A televisão, as formas de entretimento do sistema de consumo opulento, como diz o filósofo Marcuse, são também drogas que diminuem as percepções, as inteligência, as autonomia, os sensos críticos, e que leva à inércia. Entorpece. Mas são drogas que não precisam ser combatidas, porque são propagadas como lucros legais. E é ai que habita o grande perigo, porque acelera a degeneração da existência sem fronteiras.

# “Existe Amor em São Paulo”. Este foi o tema ou lema que impulsionou mais de 30 mil pessoas a tomarem conta da Praça Roosevelt, no centro da cidade de São Paulo na tarde de ontem, dia 21, domingo.

Foi uma manifestação-festiva com claro grau de pluralidade. Jovens, crianças, famílias inteiras se uniram para exigir uma cidade de São Paulo Mais humana, mais criativa, mais participativa, mais solidária e pública. Visto que a cidade está se transformando em um conglomerado privado com uma ordem voltada principalmente aos interesses e benefícios da burguesia-ignara que vem se solidificando como poder através dos governos reacionários, principalmente do PSDB, que se eternizam nas administrações públicas.

Alguns tentaram desvincular a manifestação de qualquer entendimento político-partidário, visto que ela floresceu nas redes sociais, mas não foi possível. Ficou claro que tratava-se, também, de uma forma de apoio à candidatura à prefeitura de São Paulo do candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad. O próprio texto usado para descrever como se encontra São Paulo mostra que a manifestação-alegre mostrou a posição contrária ao atual prefeito Kassab, e ao candidato da ultradireita, o retrógado Serra.  

Uma imensa bandeira no meio dos manifestantes com o retrato de Che, e milhares de pessoas com adesivos nas roupas de Haddad, ficava mais nítido o endereçamento do evento. A grande presença de membros do movimento LGBT, confirmava ainda mais a posição contra Serra que em sua campanha tenta atacar Haddad com o alcunhado, Kit Gay, termo elaborado por parlamentares com perturbações de personalidade nazifascista. Entre as mensagens divulgadas nas redes sociais havia uma que dizia: “Faça amor, não faça Serra”.

Outra grande comprovação do sentido político do movimento pôde ser encontrada no texto divulgado nas redes sociais.

“Há anos SP vem se tornando mais agressiva, repressiva, individualista, proibida, militarizada. Enquanto as favelas pegam fogo e a polícia ganha status de milícia, opoder político tenta acabar com o público em prol do privado. Acabar com a festa em prol do silêncio. Acabar com o pobre em prol do rico. Acabar com a Justiça em prol da ordem”, diz parte do texto.

# Depois do anúncio paranoico feito pela imprensa da extrema-direita de que o comandante da revolução cubana, Fidel Castro, havia morrido, sua família veio à publico desmentir o agouro capitalista com fotos em que Fidel aparece muito bem vivo. Para o sofrimento da tara burguesa.

A foto é de sábado passado onde o comandante aparece ao lado do vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua, e alguns funcionários de um hotel em Havana. O vice-presidente venezuelano disse aos jornalistas, no Hotel Nacional de Havana, que teve uma reunião com Fidel que durou cinco horas.  De acordo com seu testemunho, Fidel, “estava muito bem, muito lúcido”.

# Incrível, torcida brasileira! O Mengão ganhou uma partida. Ganhou do São Paulo. Mísero 1 a 0, mas ganhou. Só que tem galera contrária afirmando que o Sampa amoleceu para ajudar o Mengão, assim como o Coringão amoleceu contra o Bahia para prejudicar o Periquito. Verdade ou fantasia, o certo mesmo é que nada muda. O Peladão Brasileiro continua em sua imobilidade.

O Fluzão acometido da síndrome Fernando Henrique, “Já ganhei”, levou um couro do Galo que bicou a pelada até os últimos segundos para levar a melhor na dança dos pernas-de-pau. Embora o Abel tenha tentado esconder que não estava de salto alto, quem olhou de perto para seus pés sob suas pernas cabeludas, viu dois vaidosos pizantes. Depois da queda, Abel, deve ter corrido para um podólogo.

Enquanto isso, novamente o Periquito voltou a estrebuchar: ganhou uma, mas o Sport, que disputa saída da penúria ganhou do penuriado Atlético Goianiense. Novamente o time do mascarado Neymar voltou a perder. Desta vez, para a Macaca.

# Frase para tirar sarro da direita ultraconservadora e sua irmão extrema-direita. “De poste em poste, o Brasil vai ficar iluminado”, Lula.

Lula, no comício em Campinas para o candidato do PT, Márcio Pochmann se referindo ao ato de que quando lançou a candidatura de Dilma, disseram que ela era um poste. O mesmo ocorreu quando dos lançamentos das candidaturas de Haddad e de Pochmann.   

“Lei de Cotas é uma nova abolição na história do Brasil”, diz líder dos “sem universidade”

A opinião é de economista Sérgio José Custódio, presidente do Movimento dos Sem Universidade (MSU), que concedeu entrevista à Carta Maior. A Lei de Cotas acaba de ser regulamentada pelo governo federal e determina a reserva de, no mínimo, 50% das vagas em instituições federais vinculadas ao Ministério da Educação. Fundado em 2000, o MSU recebeu esse nome de Dom Pedro Casaldáliga e, desde então, tornou-se interlocutor do debate educacional no país.

Daniella Cambaúva

O dia 15 de outubro de 2012 é uma data de festa para o economista Sérgio José Custódio, presidente do Movimento dos Sem Universidade (MSU). O motivo da comemoração está publicado na Seção I do Diário Oficial da União: a regulamentação da lei que determina a reserva de, no mínimo, cinquenta por cento das vagas em instituições federais vinculadas ao Ministério da Educação para estudantes que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escolas públicas, além das cotas raciais.

Para ele, trata-se de uma conquista memorável, cuja dimensão a é de uma nova abolição, “no sentido de garantir as condições objetivas e subjetivas para uma distribuição de renda, para a entrada do país na era do conhecimento e para que mitos da realidade brasileira sejam combatidos de fato, com políticas públicas – como o mito da democracia racial”.

Com a regulamentação da medida, 12,5% das matrículas em 59 universidades federais brasileiras serão reservadas para cotistas já em 2013. Esse percentual será elevado nos anos seguintes até chegar ao mínimo de 50% em 30 de agosto de 2016. A lei, aplicável em cada processo seletivo por curso e turno, contempla também um critério social, já que metade das vagas reservadas serão destinadas a candidatos cuja renda bruta por pessoa seja igual ou inferior a “um inteiro e cinco décimos” de salário mínimo.

O presidente do MSU se sente aliviado com a conquista, mas afirma que “a luta não acabou”. Para ele, é preciso que o Estado possa garantir a permanência no Ensino Superior para que o aluno extraia dali o melhor, e não “para entrar na fila da esmola dentro da universidade”.

Custódio nasceu em um bairro rural do município de Barão de Antonina, sudoeste do estado de São Paulo, na divisa com o Paraná. Filho de costureira e de lavrador, trabalha desde os sete anos e sempre foi aluno de escola pública. Formado em Economia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e estudante do mestrado em Ciências Humanas e Sociais da UFABC (Universidade Federal do ABC), é um dos criadores do MSU no início dos anos 2000.

Seu objetivo é fazer com que pessoas como ele, “exceções que estampam capa de revista”, não sirvam de respaldo para afastar do debate político as medidas de democratização do ensino de qualidade no Brasil. “É um apartheid comunicativo, no qual exceções viram manchetes de jornal, viram capa para justificar as cotas do privilégio”, diz.

Carta Maior O que significa, para o senhor e para o MSU, o fato de a Lei de Cotas estar publicada e regulamentada no Diário Oficial?
Sérgio José Custódio – Significa uma nova abolição na história do Brasil. É um novo tempo, um gesto da presidenta Dilma Rousseff que resolve um problema histórico que a abolição deixou. A abolição foi feita com dois parágrafos. “Decreta-se abolida a escravidão no Brasil” e “Revogam-se as disposições em contrário” (1988). Ao negro não se falou da casa, da escola, da terra, do trabalho, da renda, de nada. Por isso, a dimensão do que foi aprovado é de uma nova abolição. Além disso, quebra o paradigma neoliberal imposto ao país nos anos 90 porque a lei trata com dignidade a escola pública, que é um bem público. É uma nova abolição no sentido dos povos negro e indígena brasileiros e também porque é uma aposta na escola pública, que sofreu todo tipo de ataque. E é um elemento estruturante da chamada mudança social no país, que foi o alargamento daquilo que se chama de nova classe média, que são trabalhadores e trabalhadoras que tiveram mudanças nas suas vidas, uma ascensão social. Cria-se uma ponte entre a escola pública e a universidade pública e valoriza-se o ensino técnico. Desenha-se no Brasil um movimento estruturante do Estado brasileiro no sentido de garantir as condições objetivas e subjetivas para uma distribuição de renda, para a entrada do país na era do conhecimento e para que mitos da realidade brasileira sejam combatidos de fato, com políticas públicas – como o mito da democracia racial.

CM Um argumento que sempre está no discurso dos opositores à política de cotas diz que a lei provoca uma queda da qualidade da universidade pública, por um lado, e um esquecimento em relação à escola pública, de outro. Esse argumento é falacioso?
SJC – É falacioso porque desconsidera a educação como um processo coletivo e a coloca como um processo individual. 5,79 milhões de pessoas farão o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em novembro. Isso significa que a maioria veio da escola pública. Significa que o sonho de ir à universidade passa a ser compartilhado por uma geração inteira e pelas famílias dessas camadas populares brasileiras. Isso repercute dentro da sala de aula de uma escola pública, repercute nas famílias. Há um esforço competitivo em dominar conhecimento. Ao tirar a luz do indivíduo e colocar na instituição, na escola pública, naquele povo que construiu este país com seu sangue, que é o povo negro, e no povo indígena, a lei aproxima as diferenças étnicas no país, que estavam separadas, para um mesmo ambiente. Isso gera maturidade e um novo ambiente cultural na universidade. Então, é um choque de qualidade na universidade. Obviamente, do mesmo jeito que aquele menino que passou na peneira do Flamengo e veste a camisa do time, [o aluno cotista] vai dar o sangue para ocupar a posição de titular. E esse titular vai ser o futuro médico do sistema público do sistema de saúde, um futuro engenheiro, um futuro pesquisador. E a lei tem outra grande dimensão: ela reserva vaga por turno e por curso. Portanto, vai acabar também o escanteamento, em alguns lugares, das camadas populares. Isso dá um choque de qualidade na pauta de pesquisa científica, desde a iniciação científica à pós-graduação, e aproxima, por exemplo, a história da África, que passa a ser ensinada por professores negros. A visão do projeto é republicana, da educação como um direito, como um bem público, ao contrário da ladainha neoliberal, que colocava a educação como mercadoria.

CM Com o decreto firmado em Diário Oficial, a luta do MSU e dos movimentos de educação acabou?
SJC – A luta não acabou, ela continua. Se nós imaginarmos que, no Brasil, essa luta saiu primeiramente do Movimento dos Sem Universidade (MSU), do movimento negro, do movimento indígena e dos cursinhos populares espalhados pela periferia até chegar a Brasília, você vê, ao longo desses 10 anos, vários episódios. É uma luta que continua porque nós não acreditamos mais em política pública sem participação popular na gestão dessa política. Nós temos expectativa de que o Ministério da Educação institua um conselho de acompanhamento social da lei de cotas equivalente ao que tem no ProUni, por exemplo. Nós temos expectativas de que essa política seja intersetorial porque, dada a enorme e trágica desigualdade social brasileira, é preciso que o Estado garanta a permanência na universidade. Novamente, essa lei é um novo paradigma na educação porque o discurso neoliberal falava que a universidade tinha que separar o que era atividade-fim da atividade-meio. Comer, ter livro, ter laptop, ir ao cinema, na ética neoliberal, era atividade-meio, e a universidade e o Estado não precisavam se preocupar com isso. Isso era deixado à sorte individual, pela lei do mais forte. Hoje o país tem condições de usar o Fies, o sistema de financiamento que existe para o setor privado, para as famílias que estão na chamada classe média e querem que seus filhos estudem na universidade pública, mas para extrair dali o melhor, e não para entrar na fila da esmola dentro da universidade. Então, o financiamento do Fies tem que ser estendido para esses estudantes, seja para a compra de livros, computadores, que são caros no Brasil. Comer também é fundamental. É preciso estreitar a relação com restaurantes populares, organizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, como forma de ter nas universidades um bandejão. O mesmo vale para a moradia estudantil, tal como foi criada na Unicamp, por exemplo, em que era um projeto de edificar uma universidade, de fincar um pensamento nacional. É essa ética que nós também queremos com esse novo projeto de lei: que as universidades passem a criar moradias. Isso interessa para o sistema produtivo nacional, para as empreiteiras, e é barato. Interessa para as universidades, que precisam ser estruturadas. Este país precisa de doutorandos, de mestrandos, e a moradia estudantil faz parte dessas condições objetivas para garantir o conforto para a produção intelectual.

CM A aprovação da lei de cotas não foi um processo tranquilo. Ao contrário: os setores que se opuseram a ela o fizeram de modo contundente. Quais foram os principais desafios que os movimentos sociais enfrentaram ao longo desses anos?

SJC – Os principais problemas foram de ordem política, na arena do Congresso Nacional, e da ordem da comunicação – o filtro daquilo que acontecia e era passado ao restante do país. Nós conseguimos, num primeiro momento, um acordo político que as pessoas achavam impossível, que foi o acordo na Comissão de Educação da Câmara, que aprovou o projeto por unanimidade. O então PL 73 passou a ser o carro-chefe da lei de cotas – projeto da deputada Nice Lobão, do então PFL, junto com a relatoria do deputado Carlos Abicalil, então do PT. Esse acordo foi feito por conta da pressão dos movimentos sociais porque eram partidos distintos e, no caso da deputada Nice Lobão, não era a posição do PFL, mas a posição dela. Na Comissão de Direitos Humanos, teve uma atenção muito grande. Mas, naquele momento, alguns setores da intelectualidade, liderados pela antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ, lançaram um manifesto contra. Nós conseguimos vencer isso quando foi a matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em 2005. A partir daí, houve uma grande campanha orquestrada por setores da mídia contra o projeto, com grandes jornais e uma famosa revista semanal. O então líder do PSDB, Alberto Goldman, e o líder do PFL, Rodrigo Maia, apresentaram recurso ao plenário da Câmara, o que travou o projeto por lá até 2008. Mas, em 2008, havia uma nova situação e nós fizemos um trabalho de coleta de assinaturas em um corpo a corpo com cada parlamentar. Foi um trabalho em que o MSU se fez presente no cotidiano da Câmara e nós passamos a visitar as grandes bancadas, as grandes reuniões tanto partidárias quanto interpartidárias. Deu um conjunto de 270 assinaturas, que compunha a maioria. No dia 19 de novembro de 2008, depois de várias tentativas de colocar em votação o projeto, nós conseguimos fazer um acordo e o levamos à Presidência da Câmara. Comunicamos o Gilberto Carvalho, da presidência da república, ele aceitou o acordo também. Eu estava na Câmara, sem ter onde dormir, e o então deputado Vicentinho me levou para o apartamento funcional dele. Acordamos cedo e, no dia seguinte, o Chinaglia colocou em pauta. Foi simbólico porque foi no dia de Zumbi de Palmares, dia 20 de novembro de 2008, que foi a votação.

CM E quanto às batalhas no Senado, travadas mais recentemente?
SJC – Este foi o segundo momento. Foi uma batalha com dois senhores: Marco Maciel e Demóstenes Torres. Obviamente, nós estávamos muito entusiasmados em 2008 e achávamos que seria uma questão de segundos porque tínhamos participado da luta pela aprovação do ProUni e tínhamos feito rapidamente esse circuito Câmara-Senado. Mas, no Senado, o que vimos foi um teatro de horrores porque toda ancestralidade dos preconceitos brasileiros foram mobilizados contra nós, tanto pela mídia como por aquilo que a gente chama de uma coalizão anticotas, liderada pelo Demóstenes Torres. A audiência pública foi adiada até o limite para não acontecer, para não dar tempo de aprovar o projeto. Aprovado o projeto na CCJ, ele teria uma tramitação rápida. Não deixaram ler o pedido de urgência no Plenário – tínhamos maioria, mas o Demóstenes obstruía, ficava de plantão. Quando ele assumiu a presidência da CCJ, em 2009, ele, que estava como juiz e advogado, cria um discurso nacional. Ali foram os momentos mais violentos de enfrentamento no sentido da violência simbólica e da violência discursiva. Criamos um comitê brasileiro pela aprovação do projeto, que reuniu o movimento de educação, o movimento indígena e o movimento negro; fizemos a denúncia do neobranqueamento no Senado; fizemos diversos abaixo-assinados e não aceitamos as proposições do Demóstenes, que eram duas: ele topava votar se reduzisse o percentual da escola pública e se tirasse a questão racial do projeto, que branqueasse o projeto. Nós negamos esse acordo porque nosso argumento era bem simples: qualquer número diferente de 50% era arbitrário para qualquer um dos lados. Se fosse para considerar o peso real da escola pública, tinha que elevar a 88%. Nós já estávamos cedendo. Creio que ali foi o maior enfrentamento e, quando ele perde a CCJ, leva a decisão ao STF para impedir a votação. Então, ele judicializou o projeto de cotas quando mobilizou advogados e o partido. Ali você vê ao vivo e a cores as ofensas, que ficaram registradas, quando ele disse indiretamente que não houve estupro na escravidão, que o sexo foi consensual, e disse que o escravo foi o primeiro produto de exportação do Brasil. O Demóstenes que conhecemos desde dezembro de 2009 foi um feroz sinhozinho e, quando caiu a máscara dele com as denúncias, para nós, não era novidade, porque todo sinhozinho tem seu pé-de-meia muito bem feito.

CM Em todas as reuniões feitas junto ao governo, como aquela realizada na segunda-feira (8/10), quais movimentos sociais estavam presentes?
SJC – Muitos movimentos, estava bem legítimo. O que nós requeremos é que o movimento indígena, o movimento negro e o movimento de educação estejam presentes. Acho que, nesse sentido, o Ministério da Educação entendeu. E, particularmente, que fosse reconhecido o protagonismo, até porque a aprovação dessa lei é didática para a democracia brasileira. Significa que a sociedade e os novíssimos movimentos sociais lutaram para construir leis no sentido de garantir direitos. Manter o diálogo com Ministério da Educação é condição para sustentar a existência desse projeto, até porque, pela história brasileira, ninguém dá o braço a torcer. Nós acreditamos que esses setores anunciam uma verdadeira guerra contra o Enem e contra a lei e cotas. Vamos vivenciar novas cenas…

CM Quais, por exemplo?
SJC – A mobilização dos estigmas e do preconceito, a mobilização conservadora, a ação nas redes sociais, de caráter individual, e de movimentos proto-racistas e preconceituosos. Nós vivemos isso. Houve uma reação contra o MSU, por exemplo, da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), que é prova desse movimento ultraconservador que nos avizinha. Como a escola pública nunca vai ser anunciante de grandes revistas e nem financiadora de campanha eleitoral, a história nos mostra que também terá um ataque contra a escola pública tentando desqualificá-la. É preciso que se diga que o país produziu indústrias perversas – por exemplo, uma indústria do vestibular e da educação. É uma indústria de uma educação artificializada, que não produz, mas reproduz conhecimento e mantém a elite com os dentes de fora nas suas posições de reprodução da desigualdade no país. O padrão de renda no país é tão desigual que, se a chamada nova classe média, muito pela propaganda da indústria do vestibular, decidisse, num ato de loucura, colocar seus filhos na escola privada, não haveria dinheiro para fazer isso. E não há nada que garanta que aquela escola privada terá a qualidade vendida. É uma questão estrutural. O Estado acredita que apostar na escola pública é o caminho mais rápido para o próprio desenvolvimento do país. Esta lei não é contra o ensino privado porque 50% é um universo tão grande de mercado e, culturalmente, a universidade vai chegar a tanta gente, que variados produtos educacionais serão lançados.

CM E quais atos palpáveis levam o senhor a dizer que estamos vivenciando um cenário de guerra na educação?
SJC – Em São Paulo, em 2006, houve quase 500 mortes na periferia, promovidas com a ação direta ou indireta do estado. A guerra se traduz, por exemplo, no genocídio da juventude negra em São Paulo; na opção do setor imobiliário por construir condomínio fechados; na existência, para cada policial, de cinco homens armados de segurança privada para proteger a propriedade. A guerra é real e, obviamente, a dimensão simbólica dela se traduz na educação. São Paulo foi o estado que por último aboliu a escravidão do café e, ainda ao abolir, não deu nenhuma indenização e nenhuma política pública para seus escravos. São Paulo faz uma política de perfumaria nas suas universidades, que precisa ser denunciada como um ingrediente da violência simbólica da guerra. A USP não tem cotas, mas tem uma cota do privilégio, que é um perfil social que ocupa os principais cursos. Não tem o negro dentro da USP, não tem o pobre dentro da USP, não tem a escola pública dentro da USP nos principais cursos e carreiras. Ora, a USP e a Unicamp são sustentadas com o dinheiro público. Além disso, foi São Paulo o centro de resistência contra a política de cotas. O Alberto Goldman, vice-governador do Estado, é o mesmo que liderou a campanha contra as cotas. O único senador que votou contra as cotas no Senado foi Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB de São Paulo, que estudou na USP com dinheiro de todos. A violência real tem uma dimensão na violência simbólica porque os espaços são segregados. E a guerra também é no campo da comunicação. É dito e repetido que é através da Fuvest que você será avaliado, que ela seleciona os melhores. Isso é uma piada de mal gosto, uma nojeira intelectual. A Fuvest seleciona os melhores economicamente. Basta olhar as estatísticas de propaganda que estampam os rostinhos bonitos aprovados pela Fuvest. O discurso do mérito é vendido como violência simbólica e atinge os pobres e os estudantes da escola pública porque os inferioriza, mexe com sua autoestima e não traz investimentos novos na escola pública. Esse apartheid é um registro da guerra. É um apartheid comunicativo, no qual exceções viram manchetes de jornal, viram capa para justificar as cotas do privilégio.

CM Como você se tornou um brasileiro que, com dificuldade, fez um curso superior e cursa um mestrado em uma universidade pública?
SJC – O que me fez ir para a universidade foi a consciência política. Trabalhei na roça desde os sete anos de idade na Serra dos Pais, em Barão de Antonina, região considerada por muito tempo o ramal da fome no estado de São Paulo. Tinha um tempo em que era celeiro agrícola, mas, com as geadas, teve um declínio total da produção de feijão e café. Teve um êxodo rural tardio, do qual participei. Fomos trabalhar em Itaporanga e, quando meu pai morreu de Mal de Chagas, nós viemos a São José dos Campos – fui trabalhar na Kodac. Quando estudava na escola pública no Ensino Médio, formei minha consciência política no sentido de perceber tudo o que tinha acontecido comigo, e que não era um caso individual. Então fui para a universidade. Sou um estudante retardatário. Tive que abandonar a escola. Eu fazia um cursinho de manhã e trabalhava na fábrica das 15h à meia-noite. Acho que ir para a universidade e ver a diferença social foi dolorido demais, inclusive para minha família. Consegui, aos trancos e barrancos, me formar. E nós, na universidade, juntamos os negros, os pobres e iniciamos o processo dos cursinhos populares. Foi quando começamos a fazer um trabalho de educação popular resgatando a experiência com educação popular e com o movimento negro. Foi muito difícil fazer isso, naquela época, na Unicamp. Passei a trabalhar no Banco do Brasil como concursado, me casei e me formei já depois de casado. Então decidi que não queria mais trabalhar no banco e passei a fazer movimento social junto com o MSU.

CM Como o MSU se tornou um interlocutor relevante no debate educacional no Brasil?
SJC – O trabalho bonito nas periferias de Osasco e de Guarulhos, em Cidade Tiradentes, no Jardim Ângela, no Campo Limpo, em Cidade Dutra, em Santo Amaro, na Zona Norte, a luta para transformar o Carandiru em universidade, a luta por universidade municipal, pela criação de um sistema público de bolsas – que deu no Prouni – foram as lutas que referenciaram o MSU. O movimento ficou muito famoso, por exemplo, quando fez manifestações para o Carandiru virar universidade. Apanhamos da polícia em frente ao Carandiru. Mas ficou mais famoso ainda quando se criou o Prouni. Só quem tinha trabalho real na periferia sabia da importância para as famílias da existência do Prouni. A maioria dos movimentos contra o programa só veio depois. Não era o caso dos movimentos que tinham trabalho de educação popular, como o MSU e o Educafro, que, na prática, deram a ideia. Lembro de conversas com o Haddad, do encontro com o Lula na campanha eleitoral, de que fomos falar no lançamento do Prouni. O então ministro Tarso Genro nos ligou e disse: “O protagonismo é de vocês. Vocês merecem!”. Ele chamou o povo lá. Ali nós tomamos a decisão de continuar a luta. E aquela experiência de ir ao Congresso, de sair da periferia, de lotar ônibus, de passar fome em Brasília… Acho que a gente fez como uma verdadeira missão, com a noção de que dava para conquistar, além do trabalho nos fins de semana nos cursinhos populares, eu sempre dei aula de história. Nós levamos a um reconhecimento prático. Conseguimos transitar de ministérios para as comissões em função da legitimidade da luta. O MSU não teve nenhum padrinho.

CM Quando o movimento começa, de fato?
SJC – O nome “MSU” foi dado pelo Dom Pedro Casaldáliga na Unicamp. O MSU começa quando os trabalhos de cursinhos populares, que começam a existir na Unicamp, quebram com a ótica da ação de ONG e começam a ter causas gerais. Uma primeira causa é a questão da isenção da taxa de vestibular. As pessoas não conseguiam pagar a taxa para fazer o vestibular. Já havia reuniões de cursinhos populares, da pastoral da juventude, do movimento negro. A gente já fazia as reuniões, mas não tinha um nome. Quando o Dom Pedro falou, caiu como uma luva. O MSU existe enquanto movimento social, como um coletivo nacional.

CM Esses resultados todos permitem uma comemoração?
SJC – A comemoração é uma das marcas do movimento popular. A coisa que mais alimenta a luta popular é a vitória. Nós jamais teríamos chegado à luta das cotas se não tivéssemos conquistado o Prouni, se não tivéssemos os cursinhos populares com apostilas, professores dando aulas com qualidades, mesmo que isso tenha sido feito aos trancos e barrancos. Isso precisa ser comemorado.

O referendum islandês e os silêncios da mídia

 

Os cidadãos da Islândia referendaram, ontem, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais.

Mauro Santayana

Os cidadãos da Islândia referendaram, ontem, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais. A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 qm2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.

Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.

Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.

A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades – pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.

A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo. Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado ontem.

Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população, o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.

Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau), seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.

Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os meios de comunicação internacional fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

A VIDA NUM PAÍS SEM HUMOR É INSUPORTÁVEL (BRECHT)”, MAIS INSUPORTÁVEL É TER NECESSIDADE DE HUMOR EM MANAUS

Na peça de teatro do teatrólogo alemão Brecht, O Diálogo dos Exilados, o operário Kalle, e o físico Ziffel, conversam em uma estação na Segunda Guerra Mundial. Em um momento do diálogo eles comentam o sentido de liberdade para os Estados Unidos, nesse comentário eles chegam à conclusão que a liberdade nos Estados Unidos é uma ironia. Daí surge a temática do diálogo.

“Realmente a vida em um país sem humor é insuportável; mas muito mais insuportável é a vida num país que tem necessidade de Humor”.

A liberdade é humor, assim como humor é inteligência. Liberdade, humor e inteligência confirmam a fruição da vida, como diz Marx. Certo que quando se fala de liberdade, não se trata de uma liberdade relativa, assim como quando se fala de humor não se fala de alegria psicológica, como também inteligência não é uma categoria hierarquizada por uma instituição. Liberdade, humor e inteligência refletem a Vontade de Potência nos pareceres do filósofo Nietzsche.

Mas tanto a liberdade, o humor e a inteligência só podem se manifestarem nas vivências dos indivíduos. O indivíduo como ato social. Embora não sejam tipos, elas podem ser sentidas nas vivências, como estados contínuos de viver fora dos quadrantes determinantes de uma sociedade controlada e controladora.

Como já é da sabedoria dos que não entendem eleições apenas como um ato de confirmação da democracia representativa, o momento eleitoral revela muito além desse quadro propulsor legislativo e executivo. Uma eleição revela faces de uma sociedade, que quase sempre encontram-se ocultas durante o seu cotidiano por forças de formas simuladoras. Mostrar ser o que não é.

Essas eleições em Manaus vêm tendo a condição de revelar umas das suas tristes faces. Uma cidade – Manaus é uma não-cidade – sem humor. As campanhas dos dois candidatos mostram essa face da forma mais livre. São campanhas onde predominam a hipocrisia, a mentira, a ambição, a persuasão, a ameaça, a chantagem, a submissão, o calculismo,  ódio, todas as forma-rígidas que impossibilitam a fluência do humor. E não trata-se apenas das campanhas nos meios de comunicações – que por suas próprias estruturas são deprimentes -, mas também as campanhas nas ruas.

Daí que essa confirmação possibilita a aplicação da dialética brechtiana/marxiana à cidade de Manaus referente às campanhas e a maioria dos eleitores. Esse quadro revela uma Manaus sem humor. Portanto, insuportável. E que ela se torna mais insuportável porque aos seus habitantes é forçoso ter humor. O que significa que não há liberdade, não há humor, e pior, não há inteligência para poder se ter humor. É mais uma eleição da tristeza. Uma eleição que quem vencer (?) vai gritar, pular, se rasgar, na ordem da delusão. Um estado que é pior que a ilusão, posto que a ilusão efeito do fracasso diante da realidade. E a delusão é estado-vazio que surge do nada. Quem vencer terá a euforia do nada. Um precedente perigoso para administrar Manaus.

Ter que ter humor em Manaus é insuportável.

 

     

SABATINA MIDIÁTICA

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade.

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade. Jean Baudrillard

@ Diante de várias denúncias que afirmam ações de quadrilhas traficando crianças, o Ministério Público da Bahia (MP) continua investigando os casos denunciados. Segundo o promotor de Justiça Luciano Tasques Ghignone, um inquérito criminal foi instaurado no dia 26 para investigar os casos.

No momento, o MP da Bahia investida a denúncia de que o juiz Vitor Xavier Bizerra do município de Monte Santo autorizou que uma família de lavradores entregasse cinco crianças para quatro casais de São Paulo. A denúncia motivou os pronunciamentos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas e do Conselho Nacional de Justiça.

Segundo o promotor Luciano, a existência de uma quadrilha atuando no estado, foram apresentadas à Procuradoria Criminal em Salvador, no primeiro semestre deste ano e repassada à Promotoria de Monte Santo e Euclides da Cunha.

“A apuração do suposto tráfico de crianças envolve outras situações que podem ou não ter conexão com os processos relativos às cinco crianças de Monte Santo – nos quais o Ministério Público também identificou algumas irregularidades formais – mas não podem ser confundidos.

Já ouvimos alguns depoimentos, mas ainda não chegamos à metade da apuração. Segundo algumas pessoas que já depuseram, algumas situações que aconteceram principalmente em Monte Santo precisam ser apuradas e é exatamente o que estamos fazendo, mas em toda sua extensão”, observou Luciano.

Por sua vez, o juiz Vitor Xavier Bizerra, afirmou que sua decisão foi feita com base em informações oficiais, e que o fato foi “intencionalmente distorcido”. O Conselho Tutelar e o Ministério Público fizeram todas as averiguações necessárias e procuraram saber se os cinco irmãos sofriam maus-tratos.

“A medida se fez necessária, pois, conforme apurou o Ministério Público, e assim manifestou-se judicialmente, as crianças estavam em situação de risco, mas as crianças não foram retiradas de casa à força. Foram encontradas sozinhas, algumas delas doentes, conforme consta dos relatórios”, afirmou o juiz.

Sendo assim, cai por terra toda a matéria fantasiosa apresentada pela TV Globo, visto que foi ela que apresentou em seu programa histérico, Fantástico, o caso já condenando o juiz.

@ O ministro Joaquim Barbosa do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu das mãos do Ministério Público Federal o inquérito 355º, que corre sob segredo de Justiça, que trata do suposto envolvimento de políticos em um esquema para matar uma das testemunhas do mensalão do PSDB, na campanha de 1998.

O inquérito que passou pela alçada da Polícia Federal investiga ao menos um senador, um deputado e um ex-ministro. Esses personagens são identificados com as iniciais CSDEA, EBA e WSDOS MG.   

@ O gramado da Esplanada dos Ministérios, próximo ao Congresso Nacional, serviu de território para que índios da etnia guaranis kaiowás, do Mato Grosso do Sul, e entidades que apoiam a causa indígena fincassem cinco mil cruzes como forma de protesto contra os assassinatos de indígenas e as ameaças que eles vem sofrendo. De acordo com os organizadores da manifestação de protesto os índios guaranis kaiowás são hoje a etnia que mais sofre com ameaças e a violência fundiária. Eles também reivindicam a homologação e a demarcação das terras.  

Cleber Buzatto, secretário do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ligado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falando sobre a violência que os índios vêm sofrendo disse que entre os anos de 2003 e 2011, foram assassinados 503 índios, onde mais da metade, 279, são da etnia guaranis kaiowás.

“Precisamos que o Estado tome as iniciativas adequadas que são de direito e dever do Estado brasileiro para a proteção física das pessoas, dos indivíduos guaranis kaiowás e, especialmente, tome a iniciativa estruturantes no sentido se implementar suas terras tradicionais e assim, superar os conflitos naquela região”, observou Cleber Buzatto.

Enquanto isso, 170 índios, que se encontram há mais de um ano acampados Cambará, às margens do Rio Hovy, no município de Naviraí, divulgaram uma carta onde pedem que o governo e a Justiça Federal não decretem a ordem de despejo. Na semana passada eles foram ameaçados de expulsão através de uma decisão da Justiça Federal de Naviraí.

“Estamos fazendo este ato para dizer que muitas lideranças já foram mortas, derramaram sangue pelas suas terras, mas não queremos isso. Já decidimos coletivamente, não vamos sair das terras porque nós não temos para onde ir”, afirmou Eliseu Lopes, líder indígena.

@ Soninha Francine, ex-petista, mas ressentida PPS, onde se pode ler também PSDB e DEM, é o mesmo, usou seu blog para tentar atacar o candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad. Deslocada em mais uma derrota em disputa na capital de São Paulo, Soninha transbordou seu poço de rancor e desespero e escreveu um texto digno da subjetividade capitalista que defende heroicamente.

“E esses imundos vêm dizer que Nunca ninguém fez nada pelos pobres, e que eles fizeram Muito pelos pobres.

Repetem, repetem, repetem. Aí botam um cara na televisão dizendo exatamente isso: “Os tucanos nunca fizeram nada pelos pobres”.

Aí vem no debate dizer “Vamos assinar um protocolo para que a campanha não tenha agressões”.

FILHO DA PUTA”.

Como o texto foi publicado pela insigne revista Carta Capital, reverberou o ciberespaço e Soninha, como que saindo de seu letárgico soninho, resolveu mudar o texto e afirmar que escreveu desta forma porque estava morrendo de raiva. Como seria esta Soninha com o poder na mão? Nem a filósofa Hannah Arendt responderia.

Por sua vez, Haddad, não respondeu ao destrambelhamento da amicíssima de Serra e Roberto Freire, os ícones da ultradireita.

Economistas da Unicamp lançam Manifesto em Defesa da Civilização

Diante do quadro de regressão social que atinge os países ditos desenvolvidos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um “Manifesto em Defesa da Civilização”. “Estamos, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? Quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?” – pergunta o manifesto. As respostas para tais questões, acrescenta, não serão encontradas nos meios de comunicação de massa, “ocupados hoje por aparatos comprometidos com a força dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades”.

Da Redação

São Paulo – Diante do quadro de regressão social que atinge os países ditos desenvolvidos, com supressão progressiva de direitos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um “Manifesto em Defesa da Civilização”. Assinaturas começaram a ser colhidas tambémpelo site Petição Pública e a iniciativa se espalhou. O documento pergunta:

Estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?

Segue a íntegra do manifesto:

MANIFESTO EM DEFESA DA CIVILIZAÇÃO

Vivemos hoje um período de profunda regressão social nos países ditos desenvolvidos. A crise atual apenas explicita a regressão e a torna mais dramática. Os exemplos multiplicam-se. Em Madri uma jovem de 33 anos, outrora funcionária dos Correios, vasculha o lixo colocado do lado de fora de um supermercado. Também em Girona, na Espanha, diante do mesmo problema a Prefeitura mandou colocar cadeados nas latas de lixo. O objetivo alegado é preservar a saúde das pessoas.

Em Atenas, na movimentada Praça Syntagma situada em frente ao Parlamento, Dimitris Christoulas, químico aposentado de 77 anos, atira contra a própria cabeça numa manhã de quarta-feira. Na nota de suicídio ele afirma ser essa a única solução digna possível frente a um Governo que aniquilou todas as chances de uma sobrevivência civilizada. Depois de anos de precários trabalhos temporários o italiano Angelo di Carlo, de 54 anos, ateou fogo a si próprio dentro de um carro estacionado em frente à sede de um órgão público de Bologna.

Em toda zona do euro cresce a prática medieval de anonimamente abandonar bebês dentro de caixas nas portas de hospitais e igrejas. A Inglaterra do Lord Beveridge, um dos inspiradores do Welfare State, vem cortando recorrentemente alguns serviços especializados para idosos e doentes terminais. Cortes substantivos no valor das aposentadorias e pensões constituem uma realidade cada vez mais presente para muitos integrantes da chamada comunidade europeia. Por toda a Europa, museus, teatros, bibliotecas e universidades públicas sofrem cortes sistemáticos em seus orçamentos. Em muitas empresas e órgãos públicos é cada vez mais comum a prática de trabalhar sem receber. Ainda oficialmente empregado é possível, ao menos, manter a esperança de um dia ter seus vencimentos efetivamente pagos. Em pior situação está o desempregado. Grande parte deles são jovens altamente qualificados.

A massa crescente de excluídos não é um fenômeno apenas europeu. O mesmo acontece nos EUA. Ali, mais do que em outros países, a taxa de desemprego tomada isoladamente não sintetiza mais a real situação do mercado de trabalho. A grande maioria daqueles que hoje estão empregados ocupam postos de trabalhos precários e em tempo parcial concentrados no setor de serviços. Grande parte dos postos mais qualificados e de melhor remuneração da indústria de transformação foram destruídos pela concorrência chinesa.

Nesse cenário, a classe média vai sendo espremida, a mobilidade social é para baixo e o mercado de trabalho vai ficando cada vez mais polarizado no país das oportunidades. No extremo superior, pouquíssimos executivos bem remunerados que têm sua renda diretamente atrelada ao mercado financeiro. No extremo inferior, uma massa de serviçais pessoais mal pagos sem nenhuma segurança, que vivem uma realidade não muito diferente dos mais de 100 milhões que recebem algum tipo de assistência direta do Estado. O Welfare State, ao invés de se espalhar pelo planeta, encampando as tradicionais hordas de excluídos, encolhe, aumentando a quantidade de deserdados.

Muitos dirão que essa situação será revertida com a suposta volta do crescimento econômico e a retomada do investimento na indústria de transformação nestes países. Não é verdade. É preciso aceitar rapidamente o seguinte fato: no capitalismo, o inevitável avanço do progresso tecnológico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produção industrial é acompanhado pela constante redução da necessidade de trabalhadores diretos. Uma vez excluídos, reincorporam-se – aqueles que o conseguem – como serviçais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza disponível. Por isso mesmo, a crescente desigualdade de renda é funcional para explicar a dinâmica desse mercado de trabalho polarizado.

Diante desse quadro, uma pergunta torna-se inevitável: estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?

A angústia torna-se ainda maior quando constatamos que as possibilidades de conforto material para a grande maioria da população deste planeta são reais. É preciso agradecer ao capitalismo, e ao seu desatinado desenvolvimento, pela exuberância de riqueza gerada. Ele proporcionou ao homem o domínio da natureza e uma espantosa capacidade de produzir em larga escala os bens essenciais para as satisfações das necessidades humanas imediatas. Diante dessa riqueza, é difícil encontrar razões para explicar a escassez de comida, de transporte, de saúde, de moradia, de segurança contra a velhice, etc. Numa expressão, escassez de bem estar!

Um bem estar que marcou os conhecidos “anos dourados” do capitalismo. A dolorosa experiência de duas grandes guerras e da depressão pós 1929, nos ensinou que deveríamos limitar e controlar as livres forças do mercado. Os grilhões colocados pela sociedade na economia explicam quase 30 anos de pleno emprego, aumento de salários e lucros e, principalmente, a consolidação e a expansão do chamado Estado de Bem Estar Social. Os direitos garantidos pelo Estado não deveriam ser apenas individuais, mas também coletivos. Vale dizer: sociais. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que o direito à saúde, à previdência, à habitação, à assistência, à educação e ao trabalho eram universalizados, milhares de empregos públicos de médicos, enfermeiras, professores e tantos outros eram criados.

O Welfare State não pode ser interpretado como uma mera reforma do capitalismo, mas sim como uma grande transformação econômica, social e política. Ele é, nesse sentido, revolucionário. Não foi um presente de governos ou empresas, mas a consequência de potentes lutas sociais que conseguiram negociar a repartição da riqueza. Isso fica sintetizado na emergência de um Estado que institucionalizou a ética da solidariedade. O individuo cedeu lugar ao cidadão portador de direitos. No entanto, as gerações que cresceram sob o manto generoso da proteção social e do pleno emprego acabaram por naturalizar tais conquistas. As novas e prósperas classes médias esqueceram que seus pais e avós lutaram e morreram por isso. Um esquecimento que custa e custará muito caro às gerações atuais e futuras. Caminhamos para um Estado de Mal Estar Social!

Essa regressão social começou quando começamos a libertar a economia dos limites impostos pela sociedade, já no início dos anos 70. Sob o ideário liberal dos mercados, em nome da eficiência e da competição, a ética da solidariedade foi substituída pela ética da concorrência ou do desempenho. É o seu desempenho individual no mercado que define sua posição na sociedade: vencedor ou perdedor. Ainda que a grande maioria das pessoas seja perdedora e não concorra em condições de igualdade, não existem outras classificações possíveis. Não por acaso o principal slogan do movimento Occupy Wall Street é “somos os 99%”. Não por acaso, grande parte da população espanhola está indignada.

Mesmo em um país como o Brasil, a despeito dos importantes avanços econômicos e sociais recentes, a outrora chamada “dívida social” ainda é enorme e se expressa na precariedade que assola todos os níveis da vida nacional. Não se pode ignorar que esses caminhos tomados nos países centrais terão impactos sob essa jovem democracia que busca, ainda, universalizar os direitos de cidadania estabelecidos nos meados do século passado nas nações desenvolvidas.

Como então acreditar que precisamos escolher entre o caos e austeridade fiscal dos Estados, se essa austeridade é o próprio caos? Como aceitar que grande parte da carga tributária seja diretamente direcionada para as mãos do 1% detentor de carteiras de títulos financeiros? Por que a posse de tais papéis que representam direitos à apropriação da renda e da riqueza gerada pela totalidade da sociedade ganham preeminência diante das necessidades da vida dos cidadãos? Por que os homens do século XXI submetem aos ditames do ganho financeiro estéril o direito ao conforto, à educação e à cultura?

As respostas para tais questões não serão encontradas nos meios de comunicação de massa. Os espaços de informação e de formação da consciência política e coletiva foram ocupados por aparatos comprometidos com a força dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades. É mais importante perguntar o que o sujeito comeu no café da manhã do que promover reflexões sobre os rumos da humanidade.

A civilização precisa ser defendida! As promessas da modernidade ainda não foram entregues. A autonomia do indivíduo significa a liberdade de se auto-realizar. Algo impensável para o homem que precisa preocupar-se cotidianamente com sua sobrevivência física e material. Isso implica numa selvageria que deveria ficar restrita, por exemplo, a uma alcateia de lobos ferozes. Ao longo dos últimos de 200 anos de história do capitalismo, o homem controlou a natureza e criou um nível de riqueza capaz de garantir a sobrevivência e o bem estar de toda a população do planeta. Isso não pode ficar restrito para uma ínfima parte. Mesmo porque, o bem estar de um só é possível quando os demais à sua volta encontram-se na mesma situação. Caso contrário, a reação é inevitável, violenta e incontrolável. A liberdade só é possível com igualdade e respeito ao outro. É preciso colocar novamente em movimento as engrenagens da civilização.

Assinaturas

DAVI DONIZETI DA SILVA CARVALHO
EDUARDO FAGNANI
CAMILA LINHARES TEIXEIRA
CLAUDIO LEOPOLDO SALM
MILTON LAHUERTA
EDSON CORREA NUNES
MIRIAM DOMINGUES
WILMA PERES COSTA
NEIRI BRUNO CHIACHIO
NATÁLIA MINHOTO GENOVEZ
PEDRO GILBERTO ALVES DE LIMA
SAMIRA KAUCHAKJE
FABIO DOMINGUES WALTENBERG
ALICIA UGÁ
JULIANO SANDER MUSSE
AMÉLIA COHN
LIGIA BAHIA
MAGDA BARROS BIAVASCHI
FABRÍCIO AUGUSTO DE OLIVEIRA
ANTONIO CARLOS ROCHA
RODRIGO PEREYRA DE SOUSA COELHO
GABRIEL QUELHAS DE ALMEIDA
MARIENE GONÇALVES TUNG
AMILTON MORETTO
ANA AURELIANO SALM
MARCIO SOTELO FELIPPE
FREDERICO MAZZUCCHELLI
CELIO HIRATUKA
EDUARDO BARROS MARIUTTI
ANGELA MOULIN SIMÓES PENALVA SANTOS
ANGELA MARIA CARVALHO BORGES
JOÃO MIRANDA SILVA FAGNANI
RODOLFO AURELIANO SALM
EVA LUCIA SALM
ÉDER LUIZ MARTINS
FERNANDA MAZZONI DE OLIVEIRA
MICHELLE MAUREN DOVIGO CARVALHO
FELIPE LARA CIOFFI
ALOISIO SERGIO ROCHA BARROSO
RONEY MENDES VIEIRA
NAIRO JOSÉ BORGES LOPES
MARIA FERNANDA CARDOSO DE MELO
WILSON CANO
NEREIDE SAVIANI –
FREDERICO LOPES NETO
MARIA DE FÁTIMA BARBOSA ABDALLA
BRANCA JUREMA PONCE
LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO
ALAN GUSMÃO SILVA
JOSE ANTONIO MORONI
VANESSA CRISTINA DOS SANTOS
JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI
EDSON DONIZETTI XAVIÉR DE MIRANDA
MARIA EDUARDA PAULA BRITO DE PINA
MARIA DE FATIMA FELIX ROSAR
CÁSSIA HACK
DERMEVAL SAVIANI
ROBSON SANTOS DIAS
RODRIGO TAVORA GADELHA
JORGE LUIZ ALVES NATAL
LUCIANO VIANNA MUNIZ
ALUIZIO FRANCO MOREIRA
MARISE VIANNA MUNIZ
JURACI COLPANI
ALESSANDRO CESAR ORTUSO
GENILDO SIQUEIRA
CARLOS EDUARDO DE FARIAS
CARLOS ALONSO BARBOSA DE OLIVEIRA
JOSE DAMIRO DE MORAES
FERNANDO MOREIRA MORATO
CELSO JOÃO FERRETTI
SILVIA ESCOREL DE MORAES
DANIEL ARIAS VAZQUEZ
EVERTON DAB DA SILVA
JOÃO GABRIEL BARRETO SILVA ROCHA
CELSO EUGÊNIO BRETA FONTES
SARAH ESCOREL
VINICIUS GASPAR GARCIA
DENIS MARACCI GIMENEZ
DENISE DO CARMO SILVA PEREIRA
JEFFERSON CARRIELLO DO CARMO –
VAGNER SILVA DE OLIVEIRA
GABRIEL PRIOLLI
JÉSSICA MARCON DALCOL
MARINA VENÂNCIO GRANDOLPHO
PEDRO HENRIQUE DE MELLO LULA MOTA
DANIEL SANTIAGO MOREIRA
VANESSA MORAES LUGLI
SANDRA MARIA DA SILVA LIMA
CARLOS RAFAEL LONGO DE SOUZA
MARIA SILVIA POSSAS
LUCIANA RAMIREZ DA CRUZ
CAROLINA PIGNATARI MENEGHEL
PEDRO DOS SANTOS PORTUGAL JÚNIOR
JOSÉ AUGUSTO GASPAR RUAS
WELLINGTON CASTRO DOS SANTOS
ALESSANDRO FERES DURANTE
DANIEL HERRERA PINTO
PEDRO HENRIQUE VERGES
DAVI JOSÉ NARDY ANTUNES
CARLA CRISTIANE LOPES CORTE
CARLOS ALBERTO DRUMMOND MOREIRA
DANIEL DE MATTOS HÖFLING
MARCELO WEISHUPT. PRONI
ENIO PASSIANI
JOSÉ DARI KREIN
ANSELMO LUIS DOS SANTOS
FABIO EDUARDO IADEROZZA
HIGOR FABRÍCIO DE OLIVEIRA
DANER HORNICH
HELDER DE MELO MORAES
JOSE EDUARDO DE SALLES ROSELINO JUNIOR
JULIANA PINTO DE MOURA CAJUEIRO
FERNANDO CATALANI
FERNANDA PIM NASCIMENTO SERRALHA
LEANDRO PEREIRA MORAIS
MARCELO PRADO FERRARI MANZANO
OLIVIA MARIA BULLIO MATTOS
RENATO BROLEZZI
LUCAS JANNONI SOARES
MÁRCIO SAMPAIO DE CASTRO
MARIA PINON PEREIRA DIAS
LUIZ MORAES DE NIEMEYER NETO
RODRIGO COELHO SABBATINI
LÍCIO DA COSTA RAIMUNDO
FERES LOURENÇO KHOURY

Fotos: Crise dramática na Grécia, com crescentes casos de suicídios e abandono de bebês é apontada como exemplo do quadro de regressão social que ameaça a vida democrática hoje.

Trabalhador pode acessar saldo do FGTS pela internet e mensagem de celular

Portal Brasil

Quem optar por esta modalidade irá receber em sua residência um extrato de papel, até o mês de fevereiro, com todas as movimentações ocorridas

A partir de agora, os trabalhadores brasileiros terão acesso gratuito a informações atualizadas sobre saldos, depósitos e saques no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O termo de cooperação técnica para divulgar os novos canais de informações da conta vinculada ao fundo foi firmado entre a Caixa Econômica Federal (CAIXA) e as centrais sindicais, nessa quinta-feira (18).

A parceria amplia o serviço, que já atendia cerca de 800 mil contas, e deve chegar a 3,1 milhões de contas, das 105 milhões existentes, até o final deste ano, movimentando cerca de R$ 225 bilhões. A meta é alcançar 27,7 milhões de cadastros até o ano que vem. As informações serão enviadas, a quem aderir ao serviço, por meio de mensagens SMS de celulares e da internet.

O trabalhador que aderir aos serviços irá receber informação atualizada de saldo, depósitos e saques do FGTS no celular, através de SMS, além de realizar a consulta do extrato do fundo pela internet. Quem optar por esta modalidade irá receber em sua residência um extrato de papel, até o mês de fevereiro, com todas as movimentações ocorridas no exercício anterior.

A adesão aos novos serviços é facultativa, e os trabalhadores que quiserem permanecer no modelo anterior continuarão recebendo o extrato bimestral do FGTS em endereço residencial cadastrado, que pode ser atualizado pela internet. O serviço é gratuito e já está disponível.

Para consultar o extrato na internet, basta cadastrar senha na página oficial do FGTS ou na página especial do fundo na CAIXA. No site também é possível fazer adesão ao serviço de mensagem pelo celular em substituição ao recebimento bimestral do extrato emitido em papel.

 

Fiscalização

De acordo com o vice-presidente de Fundos de Governo do banco, Fabio Cleto, a previsão é que “as informações enviadas por SMS possibilitam que o próprio trabalhador se transforme no maior fiscal de sua conta vinculada, acompanhando se a empresa está ou não depositando as parcelas descontadas”.

Para o gerente nacional do FGTS, Henrique José Santana, “o serviço de consulta ao FGTS, via SMS, se mostra mais aderente aos interesses e necessidades atuais dos trabalhadores, em especial, daqueles que estão ingressando no mercado de trabalho, e se traduz em um eficiente meio de monitoramento do seu patrimônio junto ao fundo”.

Centrais sindicais

O acordo foi fechado com todas as centrais sindicais que têm assento no Conselho Curador do FGTS, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT); a Força Sindical; a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), a Nova Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

As centrais se comprometeram a divulgar para os trabalhadores as vantagens e os benefícios da utilização do novo modelo gratuito de acesso às contas do FGTS pela internet e SMS, que é mais rápido e tem menor impacto sobre o meio ambiente, já que não utiliza papel.

 FGTS

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço dá ao trabalhador proteção financeira em situações de dificuldade, como a demissão sem justa causa ou a ocorrência de doenças graves. O cidadão também pode usar o fundo para formar um patrimônio a ser sacado, por exemplo, no momento da aquisição da casa própria ou para aposentadoria.

O FGTS é um direito de todo trabalhador brasileiro com contrato de trabalho formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e de trabalhadores rurais, temporários, avulsos, safreiros e atletas profissionais. Empregados domésticos e diretores não empregados podem ser incluídos no sistema caso o empregador assim deseje.

No caso de rescisão de contrato, o empregador deve comunicar o ocorrido à CAIXA e, em até cinco dias úteis, já poderá efetuar o saque do benefício. Nos demais casos, é o trabalhador quem deve solicitar o saque do FGTS, dirigindo-se a uma agência do banco.

 

Faça aqui a sua adesão ao serviço de mensagem via celular.

 

Fonte:
Blog do Planalto
Caixa Econômica Federal
Portal Brasil

 

DOCUMENTOS OBTIDOS PELA TV BRASIL AFIRMAM QUE JANGO ERA VIGIADO PELA OPERAÇÃO CONDOR

A TV Brasil, a eficiente televisão pública, obteve do Arquivo Nacional documentos que afirmam que o ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, depois de ter sido deposto pela força repressiva da ditadura militar que se instalou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, continuou sendo vigiado por agentes de segurança do regime de exceção.

Depois que foi impedido de continuar no poder, João Goulart se exilou no Uruguai e Argentina, mas continuou sendo vigiado até nos momentos privados como em seu aniversário de 55 anos. De acordo com documentos do Serviço Nacional de Informação (SNI) as cartas de Jango antes de serem entregues eram lidas e analisadas pelos agentes. Em documento datado de 1966, um agente militar afirma que as cartas do ex-presidente eram obtidas clandestinamente. O Centro de Informação Exterior (Ciex) informando sobre uma viagem de Jango à Argentina faz comentários que ele se preparava para voltar ao Brasil.

Jango sabia que era vigiado, mas esse fato não o incomodava, disse seu neto Christopher Goulart.

“Ele não se importava muito, não era uma coisa que o incomodava”, disse Christopher.

De acordo com o professor Enrique Padrós, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), João Goulart foi vítima da Operação Condor composta pelos seis países de ditadura na América do Sul e agiam conjuntamente com métodos de repressão sequestros, torturas e assassinatos contra adversários dos regimes ditatoriais.

“Ele foi sistematicamente vigiado, foi sistematicamente atingido, com essa coisa de infiltrarem pessoas ou, talvez, infiltrarem mecanismos para obterem informações.

Christopher Goulart também falou da suspeita que a família que Jango foi assassinado pela Operação Condor.

É claro que é muito suspeita. É óbvio que é muito suspeita. Tem que se investigar”, disse Christopher.

Essa suspeita se fortalece cada vez mais, porque o ex-agente do serviço de inteligência da polícia uruguaia, Mário Neira, preso em Porto Alegre há mais de dez anos, afirmou que havia um plano para assassinar Jango que fora decidido em uma reunião no Uruguai que contou com as presenças do Serviço de Inteligência Americano (CIA) e o delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, Sergio Fleury.

“Foi uma operação muito prolongada e a gente não sabia que tinha como objetivo a morte do presidente João Goulart”, afirmou Neira.

O CANDIDATO SERRA, SENTINDO A DERROTA, PRETENDE SE CANDIDATAR EM MANAUS E GANHAR COM OS VOTOS DOS REACIONÁRIOS

Diante da derrota irrevogável ao cargo de prefeito de São Paulo em disputa com Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores, o candidato Serra, cuja menina de seus olhos é o próprio PT, pretende trocar de domicílio eleitoral e vir morar em Manaus.

A decisão de Serra ocorreu depois que ele teve certeza que sua carreira como candidato pelo PSDB paulistano chegou ao fim, e também quando ele percebeu que seu amigo do peito, Arthur Neto, conta com expressiva aprovação dos reacionários de Manaus. Uma semelhança tamanha com os reacionários paulistanos o leva a acreditar que será facilmente eleito com os votos desses eleitores que se mostram cumpliciados com Arthur, o candidato da direita ultraconservadora comandada pela classe média indiferente, preguiçosa, parasitária, ineficaz e compassiva que em seu egoísmo privado, imagina que Manaus é sua casa, seus parentes e aderentes.              

Sua decisão, segundo se comenta, é inabalada. Principalmente depois do debate em que participou ontem, dia 18, pela parte da noite, na TV Bandeirantes, quando saiu convicto de sua derrota diante de um Haddad eficiente, leve, e com uma inteligência acima da média dos chamados políticos brasileiros.

Por isso, sua decisão ninguém muda. Mesmo que seu amigo, Arthur, não ganhe a eleição para prefeitura de Manaus, ele virá domicilia-se em Manaus, e tentará o apoio de Amazonino, já que seu partido em São Paulo lhe abandonou. E também tentará o apoio da imprensa submissa de Manaus, já que, também, perdeu o apoio da mídia paulistana, principalmente a Folha de São Paulo.

Ao serem indagados sobre a decisão de Serra, alguns eleitores de Arthur consideraram o fato beleza, e muito romântico, já que Manaus precisa de mais de Serras, porque os que aqui habitam precisam se fortalecer mais. E concluíram afirmando que Serra nunca é demais.   

SIP, uma ameaça à liberdade de expressão e à democracia

A 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada de 12 a 17 de outubro, em São Paulo, mostrou mais uma vez que essa entidade, que na prática funciona como um sindicato dos donos dos grandes conglomerados de comunicação, representa hoje uma das mais graves ameaças à liberdade de expressão na América Latina. A SIP e seus dirigentes, aliás, têm uma longa e sólida ficha corrida de serviços prestados à violação de liberdades e de apoio a governos golpistas na região. Editorial da Carta Maior.

Editorial – Carta Maior

A 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada de 12 a 17 de outubro, em São Paulo, mostrou mais uma vez que essa entidade, que na prática funciona como um sindicato dos donos dos grandes conglomerados de comunicação, representa hoje uma das mais graves ameaças à liberdade de expressão na América Latina. A constatação não chega a ser uma novidade, mas algumas coincidências muito expressivas marcaram o encontro da SIP no Brasil. Enquanto os grandes empresários que dirigem a entidade e seus dedicados funcionários apontavam a “Ley de Medios” do governo argentino como uma das mais graves ameaças à liberdade de expressão e de imprensa no continente, o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Liberdade de Opinião e de Expressão, Frank La Rue, dizia, em Buenos Aires, que essa lei é avançada e representa um “modelo para todo o continente e para outras regiões do mundo”.

Diante dessa gritante divergência de avaliação a respeito de uma mesma lei, cabe perguntar: onde reside exatamente a diferença entre a SIP e a ONU? Para a SIP, a “ameaça à imprensa independente” na Argentina pode “ter um capítulo obscuro em dezembro, quando o governo pretende avançar sobre os meios audiovisuais do Grupo Clarín desconhecendo sentenças judiciais e normas legais”. No dia 7 de dezembro, vence o prazo fixado pela Corte Suprema para a medida cautelar com a qual o grupo Clarín conseguiu bloquear, durante três anos, a aplicação do artigo 161, que obriga as empresas a abrir mãos das concessões que superem o limite estabelecido pela nova legislação para evitar práticas monopólicas.

Compreende-se assim a preocupação da SIP. Os empresários fogem de qualquer limitação legal à prática de monopólio (direto ou cruzado) como o diabo, da cruz.

O que a SIP considera uma ameaça, o relator da ONU considera um avanço. “Eu considero essa lei um modelo e a mencionei no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Ela é importante porque, para a liberdade de expressão, os princípios da diversidade de meios de comunicação e de pluralismo de ideias é fundamental”, afirmou Frank La Rue. Desnecessários dizer que a SIP e os veículos de comunicação de seus dirigentes omitiram completamente as declarações do relator da ONU. O limite da liberdade de imprensa e de expressão que defende é exatamente o limite de seus interesses econômicos, nem mais nem menos. Para compreender a natureza desses interesses é preciso recordar a própria história da SIP e de seus dirigentes, que, na América Latina, está intimamente ligada ao apoio a golpes militares, à deposição de governos constitucionais, à violação sistemática de direitos humanos e à censura. Para a SIP, é fundamental que essa história permaneça oculta, mas cada vez que um de seus dirigentes ou aliados abre a boca para dizer algo, ela vem inteira à tona.

Um exemplo disso é o editorial do jornal O Globo, de 16 de outubro de 2012, intitulado “Cerco à liberdade na América Latina”. Logo no início o editorial afirma: “Qualquer pessoa medianamente informada sabe que a democracia representativa passa por um ciclo de ataques na América Latina, região com longa história de recaídas autoritárias”. De recaídas autoritárias, o grupo Globo, de fato, entende, afinal, prestou inestimáveis serviços à ditadura brasileira, assim como o grupo Clarín fez com a ditadura argentina. Não é por acaso, portanto, que O Globo saia em defesa do seu parceiro argentino, acusando a presidenta Cristina Fernández de Kirchner de querer obrigá-lo a se desfazer de várias concessões de rádio e TV que hoje compõem um dos tantos monopólios que há no setor na América Latina.

Qualquer pessoa medianamente informada sabe qual foi o papel que a Globo e outras grandes empresas de mídia desempenharam na ditadura brasileira, como foram cúmplices de assassinatos, torturas, desaparecimentos de pessoas, violação de direitos humanos fundamentais e supressão da liberdade de imprensa e de expressão. O mesmo ocorreu na Argentina, com os grupos Clarín e La Nación, no Chile com o diário El Mercurio, e em praticamente todos os países da região. Mais recentemente, a tradição golpista da entidade foi exercida na Venezuela, em Honduras, no Equador e no Paraguai.

A SIP e seus dirigentes, neste contexto, têm uma sólida ficha corrida de serviços prestados à violação de liberdades na América Latina. É compreensível, portanto, que, no momento em que esse poder começa a ser contestado e ameaçado, seus veículos venham a público alertar para o “cerco à liberdade na América Latina”. Há apenas uma liberdade que está sob cerco na região: a liberdade dos donos de grandes conglomerados midiáticos continuarem sonegando à população o direito à livre expressão e a um jornalismo de qualidade.

Jornalismo, aliás, que não é mais o interesse central da SIP e seus veículos há muito tempo. O fato já foi admitido inclusive pela presidenta da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, que reconheceu que os grandes veículos de imprensa estavam substituindo o papel da oposição ao governo Lula. “Esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”, disse a executiva da Folha de S.Paulo em março de 2010. Para desempenhar essa função, esses veículos não hesitam em deixar o jornalismo de lado. Como fez mais uma vez o grupo Globo esta semana, que contratou uma pesquisa Ibope para avaliar a intenção de voto dos eleitores de São Paulo no segundo turno da eleição municipal e, diante do aumento da vantagem do candidato Fernando Haddad (PT) sobre o candidato José Serra (PSDB), simplesmente sonegou a informação no principal noticiário do grupo, o Jornal Nacional. A SIP, a ANJ, seus dirigentes e filiados também guardam profundo silêncio sobre as agressões e truculências praticadas por José Serra contra jornalistas, inclusive de seus veículos. O que está sob cerco na América Latina, é a possibilidade se seguir chamando tais práticas de “jornalismo”.

A cereja deste bolo de autoritarismo, cinismo e hipocrisia foi fornecida pelo novo presidente da SIP que, no discurso de encerramento da assembleia da entidade, além de repetir os discursos citados acima, resolveu atacar o jornalista australiano Julian Assange, fundador do grupo Wikileaks, que atualmente encontra-se refugiado na embaixada do Equador em Londres, já tendo recebido asilo político deste país. Jaime Mantilla, do diário Hoy, do Equador, acusou Assange, classificado por ele como um “indivíduo hábil e irresponsável”, de “conseguir informação de maneira fradulenta e praticar o jornalismo desonesto”. Os jornais brasileiros, mais preocupados em blindar seu dirigente do que em fazer jornalismo, omitiram as declarações do recém-empossado presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa.

Esses são, portanto, alguns dos principais alvos da SIP e de seus braços midiáticos no continente, como a ANJ no Brasil: políticas contra a prática de monopólio, apontadas como exemplares pela ONU, jornalistas como Assange, que vive hoje trancafiado em uma embaixada por ter exposto segredos de guerra da maior potência do planeta, leis que busquem garantir o direito à diversidade de opinião e à liberdade de expressão. Os fatos falam por si. Qualquer pessoa medianamente informada sabe hoje que entidades como a SIP e a ANJ representam, de fato, uma grave ameaça a essas liberdades e direitos em toda a América Latina.

Organizações pedem nova lei para comunicação brasileira

Para marcar o dia nacional de luta pela democratização da comunicação, 18 de outubro, organizações lançaram no Congresso Nacional a campanha “Para expressar a liberdade: uma nova lei para um novo tempo”. Objetivo é pressionar o governo para, a exemplo dos países vizinhos, impulsionar nova legislação para combater o oligopólio midiático e impulsionar a liberdade de expressão e a pluralidade.

Vinicius Mansur

Brasília – Para marcar o dia nacional de luta pela democratização da comunicação, 18 de outubro, a campanha “Para expressar a liberdade: uma nova lei para um novo tempo” foi lançada no Congresso Nacional nesta quinta-feira (18) em audiência pública promovida pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) e pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Rosane Bertotti, presidenta do FNDC, considerou que legislação brasileira para as comunicações é incompatível com a história recente do Brasil, de aprofundamento da democracia e de conquistas sociais. “Tivemos diversos avanços na democracia, com um operário e uma mulher chegando à presidência, tiramos milhões da pobreza, mas a comunicação desse país ainda continua arcaica”.

Este ano, o Código Brasileiro de Telecomunicações, que rege o funcionamento de rádios e TVs, completou 50 anos, apesar de todas as mudanças políticas, sociais, econômicas e tecnológicas vividas pela sociedade brasileira nas últimas cinco décadas.

O clima da audiência foi de cobrança. “Esse debate tem sido feito pelo movimento social e por poucas vozes dentro do governo federal. São muito poucos, acho que podemos contar em uma mão”, criticou Bertotti, que também cobrou o Marco Regulatório das Comunicações, cujo projeto de lei foi deixado pelo governo Lula e para o qual o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já prometeu diversas vezes submeter à consulta pública.

“O Congresso que tem que responder por isso. Precisa ser pressionado e sensibilizado para que assuma a sua parte da responsabilidade”, acrescentou a deputa Luiza Erundina (PSB-SP).

O dirigente do MST, Alexandre Conceição, classificou como “inadmissível” o fato da presidência da República, além de não combater a concentração dos veículos de comunicação, ainda destinar com 70% de sua verba publicitária aos maiores grupos de mídia e maiores responsáveis pela criminalização dos movimentos sociais perante a opinião pública.

O diretor do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Jonas Valente, destacou que o famoso slogan de Lula, “a esperança venceu o medo”, não chegou às políticas públicas de comunicação. “Ainda estamos numa batalha para o governo soltar uma consulta pública para que, talvez um dia, possa virar um projeto de lei que, talvez um dia, possa ser aprovado por essa casa” protestou, acrescentando que, enquanto ministro Paulo Bernardo é eleito homem do ano pelas empresas de telecomunicações, o seu ministério não enviou ninguém para acompanhar a audiência.

Diversas intervenções lembraram que a atuação nociva do oligopólio midiático na cobertura julgamento do chamado “mensalão”. “Estamos num caso patente onde os meios não tentam só agendar os governos ou parlamentos, mas o judiciário” disse Valente. “A gente fica tão refém dessas forças como a pauta do STF que se submete totalmente a uma agenda de uma mídia dominada por interesses que não são os reais do povo brasileiro. Não que não haja um clamor para que nosso governo e instituições tenham cada vez mais transparência e lisura, mas pelo processo de carnavalização e espetacularização que assumiu a cobertura, com propósitos absolutamente eleitorais”, acrescentou Sergio Mamberti, secretário de políticas culturais do Ministério da Cultura.

O deputado Jean Willys (PSOL-RJ) acentuou que a atual falta de controle sobre a mídia dá espaço para, por exemplo, a sublocação de espaços nas TVs para religiões atacarem outras crenças e ainda difundirem mentiras. “E a ideia de controle social das mídias é censura tem sido usada [pelos grandes veículos] para gerar um pânico. Nada mais é do que uma estratégia de impedir o debate”, disse.

Com esse discurso, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) tem se articulado para evitar a ascensão de legislações mais rígidas e descentralizadoras para o setor, como é o caso recente da Argentina.

Reunidos em congresso esta semana em São Paulo, Judith Brito, presidenta da Associação Nacional de Jornais, disse que “democratização da comunicação é eufemismo para censura”. “Aquela entidade conservadora que deu sustentação as ditaduras do continente agora vem atacando a democratização”, disse Erundina, que também saudou Dilma Rousseff por ter se recusado a participar do evento.

A representante da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, Eliana Magalhães, afirmou que todo o trabalho pela reforma política não pode estar dissociado da democratização da comunicação. “É a questão do poder, estamos batalhando para democratizar o poder nesse país (…)A concepção da plataforma vai além do sistema eleitoral para democratizar todos os processos e espaços de decisão, onde se exerce o poder nesse país”, concluiu.

Ao final da audiência pública, os presentes foram convocados pelo FDNC para se dirigir até o Ministério das Comunicações e fincarem cartazes da campanha “Para expressar a liberdade: uma nova lei para um novo tempo”.

2º BELA LUGOSI´S DEAD! Um evento voltado á cena gotica e pós punk!!!!!!!!

2º BELA LUGOSI’S DEAD!

Um evento voltado a cena rock gótica de manaus.

O Bela Lugosi é evento que resgata a cena dark dos anos 80´s miscigenada ao rola em de atual.

Neste estarão se apresentado:

-banda JOY –  pós punk

-banda Amelia Jus Sanguinis

-Performance Corpo em Movimento

-DJ Mandrake.

Durante o evento serão sorteados camisas e CD´s.

Local: Nativos Bar Cafe – Av. Leonardo malcher, entre getulio vargas e Joaquim Nabuco.

Ingressos no local ou antecipados no endereço: Acervo Cultural ” O Alienigena” – rua lima bacuri, 64c – prox. à 7 de setembro com Getulio Vargas.

Hora: 22:00

Ingressos: 10,00.

Informaçoes: 9404-0921.

PESQUISA DO IBGE MOSTRA NOVO PERFIL DA FAMÍLIA BRASILEIRA

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem (17) Resultados da Amostra da pesquisa Censo Demográfico 2010 – Famílias e domicílios. Os resultados da pesquisa demonstram algumas características novas na constituição das famílias brasileiras. Entre estas mudanças está ao aumento de famílias que estão completamente sob a responsabilidade da mulher e o aumento de casais gays no Brasil e nestes casos as famílias se declararam católicos e sem religião.

Estas mudanças em instituições tradicionais, como a família, podem significar, para alguns, a certeza de que o mundo entrou em descontrole e que a globalização, em seus aspectos tecnológicos, culturais, sociais, políticos e econômicos, ameaça a tranquila existência de tradições locais com uma enxurrada de novos modos de existência permeados por modelos impostos que sugerem que as instituições, como a família, tornaram-se inadequadas para as funções a que foram designadas.

Contudo, estas transformações no seio das relações afetivas entre pessoas e grupos sociais, podem também demonstrar o quanto a globalização, em todos seus aspectos, exigiu uma resistência do seu próprio tamanho. Esta resistência está na emancipação feminina que de modo algum, pode ser dissociada das resistências dos trabalhadores contra a exploração capitalista; no aumento de casais gays, que pode significar uma libertação maior do corpo em relação às novas formas de controle sobre o corpo através da sexualidade, por exemplo; e na declaração de que pessoas não se encaixam em nenhuma religião, que pode ser a tentativa de se manter uma relação com o divino sem mediações.

Por mais que isto possa ser tratado apenas como hipóteses, o fato é que instituições responsáveis por manter a ordem ideológica (a consciência constituída de uma realidade sempre em mudança) da sociedade, no intuito de manter o estado de coisas constituído sem restrições, são obrigadas a se transformarem para se adequarem a estas novas mudanças.

Assim, o direito deve ir além do “senso comum teórico dos juízes” (Warat) para tratar de novos casos como a união civil de homoafetivos, a família deve aprender a lidar com novos laços afetivos e sociais, a mídia passa a tratar esta nova realidade de modo mais aberto, o mercado de trabalho deve garantir vagas para mulheres, entre outras adequações. Entretanto, isto não significa que estas transformações possam desempenhar uma revolução social, política, econômica e cultural. Ao contrário, elas podem ser incorporadas pelo capitalismo e serem exploradas tal como a ordem anterior era explorada.

Para acessar reportagens sobre a pesquisa do IBGE clique aqui e aqui.

ELEIÇÕES EM MANAUS REVELAM ESTADOS PATOLÓGICOS PREOCUPANTES DE MISOGINIA, XENOFOBIA E ANTIDEMOCRACIA

Qualquer pessoa que tenha uma inteligência livre das enunciações dominantes de uma sociedade sabe muito bem que eleições não refletem apenas a concretização do exercício do regime democrático representativo. Um regime nem tanto democrático como a democracia participativa como afirma a filósofa Marilena Chauí.

Eleições também são momentos de expressividades política/social que serve como matéria de análise da consciência coletiva. Através de uma eleição é possível se analisar a disposição econômica, social, educacional, política, antropológica, religiosa, estética, e mental da população que dela participa. Daí que eleições não são matérias para serem analisadas por fálicos analistas que se tomam por cientistas políticos como sempre ocorre nesses momentos. Parodiando o engajado escritor uruguaio, Eduardo Galeano, eleições são as “veias abertas” de uma sociedade. É um momento de catarse social em que o voto serve ab-reação – fala liberada, como diz a psicanálise – do eleitor ao se mostrar como sujeito de expressão. As escolhas dos candidatos e os motivos das escolhas são matérias-primas para serem tomadas como compreensão de uma subjetividade dominante.

Em Manaus, não é diferente. Essas eleições também estão servindo material para ser apropriado, analisado, para que suas formas de desenvolvimento sejam encontradas, como diz a dialética do filósofo Karl Marx. Matérias por demais perigosas estão contaminando o evento eleitoral. Matérias que não deveriam ser encontradas em expressão democrática. Três, são as matérias expressadas nessas eleições de formas preocupantes. E agora no segundo turno tornou-se mais veemente. Um tema por demais perigoso em função de suas patologias.

E é a candidata Vanessa do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que não nasceu em Manaus, é de Santa Catarina, quem vem sendo objeto – no sentido de objeto sem sujeito, como querem as mentes controladas e infantilizadas ( infantilizada como patologia regressiva-agressiva de alguns “adulto”) – dessas três matérias perversas. Misoginia, Xenofobia e Antidemocracia.

A MISOGINIA

A misoginia vem da palavra grega Misos. É um estado patológico cujo sintoma é o ódio e o desprezo contra a mulher. Não se trata de homossexualismo masculino. Trata-se de heterossexual que odeia e despreza a mulher e faz tudo para sempre detrata-la. Podem ser homens casados, com filhos ou não casados. Neles o casamento é uma sublimação. Ou como aventam alguns psicanalistas, uma formação reativa: no inconsciente são dependentes da mulher-mãe.

Algumas teorias psicanalistas dizem que o ódio que o homem sente pela mulher é decorrente do fato dele quando criança, não haver conseguido realizar em si, a imago (Imagem) e o ser ontológico da mãe que o levaria a amar a mulher. Assim, o misógino é um fracassado em relação à presença da mãe. É possível que ele tenha fracassado pela força da imagem do pai. Uma imagem paterna severa perturba a realização dessa imagem no homem. Ou uma mãe distante, nervosa, marimacho – como diz a psicanalista Françoise Dolto – pode ser também fator dessa frustração. O certo é que o misógino muitas vezes tenta simular amar uma mulher para poder agredi-la. É como se a culpa dele odiar as mulheres fosse de sua mãe. Quando não é. É de sua responsabilidade ser misógino. E como diz o filósofo Sartre, todos nós somos responsáveis por nossas escolhas. O misógino se escolheu um homem malogrado, frustrado, recalcado. Misógino.

Vanessa vem sendo objeto de projeção desses estados patológicos de muitos misóginos que se iludem imaginando que seus votos são verdadeiramente reflexos de suas escolhas. Quando em verdade, eles são apenas projeções de seus conflitos em seu candidato. O que democraticamente não tem valor algum. Há também uma misoginia da mulher para a mulher. E não é lesbianismo. São mulheres que odeiam o sucesso de outras. Se sentem sempre ameaças por outras, até mesmo quando não há qualquer sinal de ameaça. No caso delas, o fracasso foi com a imagem do pai. São casadas, tem filhos ou solteiras, mas odeiam as outras mulheres. Encontram sempre um sinal de defeito nas outras. Daí um número grande de mulheres que mostram aversão em votar em Vanessa. Mais um voto sem razão democrática, visto que a democracia é a razão política dos homens e mulheres, como afirma o filósofo Spinoza. Ou como dizem os filósofos Guattari e Deleuze: a democracia é a sociedade dos amigos.

 A XENOFOBIA

Outro estado patológico é a xenofobia tão bem acentuada nestas eleições que até os mais incautos estão percebendo. A xenofobia é uma palavra que vem do grego xénos: estrangeiro. É um transtorno patológico de medo ao que é estrangeiro. O xenófobo tem aversão a qualquer pessoa que não seja de sua nacionalidade, território, região ou condado. A xenofobia tem em sua base o corpo racista. Uma aversão aos imigrantes.

O xenófobo, como o misógino, epistemologicamente tem o mais baixo grau de inteligência. É do tipo que viu e ouviu, mas nunca examinou o que lhe mostraram. Assim, ele é um preconceituoso. Alguém que conceitua as ocasiões com juízos pré-concebidos. Ou seja, juízos que não saíram da reflexão. Seu voto em uma democracia também não tem qualquer razão de valor. O xenófobo também apresenta sintoma de preocupação com a limpeza. Seu ódio contra o estrangeiro é uma compulsão por limpeza étnica.

A sentença escolhida do xenófobo é: “não é daqui”. Uma forma de separatismo. Essa sentença está exaustivamente sendo projetada em Vanessa. E a prova do baixo grau de inteligência do xenófobo manauara, é o fato de Manaus ser habitada por uma pluralidade de pessoas que vieram dos mais variados rincões do Brasil e do estrangeiro e que escolheram Manaus para morar, como Vanessa. Muitas dessas pessoas mostram um enraizamento com a terra manauara melhor que muitos que nasceram aqui.

O ÓDIO CONTRA O COMUNISMO

O terceiro estado patológico é o antidemocrático. Ou melhor: ódio contra o comunismo. Esse mesmo ódio levou os militares darem o golpe de Estado no Brasil que perdurou do ano de 9164 a 1985, e que prendeu, torturou e assassinou milhares de pessoas. Esta mesma brutalidade intelectual e política agora estar sendo usada contra a candidata Vanessa. Os antidemocratas propagam que ela não acredita em Deus, é a favor do aborto, dos homossexuais, e só faltam afirmar que ela “come criancinha”. O mote usado pelos ditadores.

Como os misóginos, os xenófobos e os antidemocratas carregam o mais baixo grau de inteligência eles não entendem que o comunismo – não precisa nem Marx afirmar, mas afirmou – é a primeira forma de democracia que a história experimentou. Como democracia o Estado é uma produção do Sujeito-Constituinte. Ou como diz Marx:”A democracia parte do Homem e faz do Estado o Homem Objetivado”.

Mas nada disso eles sabem. Por isso, são antidemocratas com a fantasia de que seus votos lhes tornam agentes da democracia.

O NAZISMO DE HITLER E OS ESTADOS PATOLÓGICOS

A misoginia foi uma das formas de expressões do nazismo. O próprio Hitler odiava as mulheres, assim como os membros do Terceiro Reich. Sua relação com as mulheres foi por demais perturbada, principalmente quanto sua vida sexual. Hitler era impotente e só podia se relacionar com as mulheres na forma do sadismo ou masoquismo, como dependente. O caso da bailarina que ele se apaixonou é revelador do que é um homem misógino.

Hitler se apaixonou por uma jovem bailarina e quis ter um caso com ela. A bailarina ficou preocupada por se tratar do Reich. Mesmo assim ela foi ao quarto com ele. Qual não foi seu desespero quando ela o viu jogado ao chão implorando que ela pisasse nele.

Logo depois ela se suicidou.

Como a xenofobia é também um transtorno de limpeza étnica, Hitler, como é sabido de todos fez uso compulsivo dela. O nazismo odiava o que não fosse ariano dos olhos azuis que era considerado por eles, a raça pura. O exemplo são os milhares de judeus assassinados por ele em função da patologia xenofóbica.

Outros que também foram perseguidos pelos nazistas foram os comunistas. Considerados por eles como raça impura por apresentar várias etnias.

Daí o grande perigo da expressividade desses estados patológicos nessas eleições em Manaus. Por isso, é preciso que a parte da sociedade que não expressa estes estados patológicos fique atenta, porque eles não se manifestam apenas nas eleições. Eles se encontram nas relações cotidianas de Manaus. As eleições são apenas um momento para que estes estados patológicos sejam expressos mais livremente tendo como fundo um candidato.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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