Arquivo para novembro \30\-04:00 2012

‘Folha de S. Paulo’: o delator esclarece; o jornal esconde

A Folha voltou à carga na edição desta 5ª feira. Não para admitir que um dia antes induzira seu leitor a enxergar no ex-ministro José Dirceu um dos integrantes do esquema de corrupção investigado na Operação Porto Seguro. ( Leia ao final desse texto o post ‘Mídia & togas: a confraria do domínio do fato’)

Não, o que o jornal tenta agora é produzir uma declaração que confirme a sua jpressuposição editorial.

Foi o que fez em 2009 também quando passou meses tentando provar que era verdadeira uma ficha falsa do DOPS sobre a então ministra Dilma Rousseff. A falsificação rudimentar, publicada como documento na 1ª página do jornal em 5 de abril daquele ano, já era parte da campanha eleitoral do eterno candidato derrotado à Presidência, José Serra.

Desta vez, o jornal foi à fonte para entrevistar o delator da Operação Porto Seguro, Cyonil Borges. Não deu certo.

No pingue pongue de 768 palavras publicado na edição de hoje, 29-11 (leia ao final desse texto: ‘Não sou santo, mas não sou corrupto, diz delator do esquema’), o diário pergunta se o nome do ministro foi mencionado nos contatos que manteve com o esquema de corrupção dos irmãos Vieira.

A resposta de Cyonil: ” O nome do ex-ministro, pelo que tudo indica, foi usado pelo Paulo (Vieira).”

A explicação parece pertinente em relação ao pano de fundo. O nome de Dirceu foi jogado na praça pelo linchamento midiático a que vem sendo submetido há meses. Tornou-se um ‘genérico’ de uso encorajador para qualquer fim. Um corrupto se vale disso para encorpar o alcance de um esquema golpista.

Até um delator de propósitos ambíguos como Cyonil (ele esperou 11 meses pela 2ª parcela da propina e só então entregou o jogo e a 1ª à PF) tem a decência de contextualizar o sentido dessa menção.

O que faz a Folha de posse desse desmentido em relação ao publicado? Nada.

Ou melhor, tudo ao contrário do que ocorreu na 4ª feira, quando o editor e o jornal agiram como os corruptos. Usaram o ‘genérico’ em ilações para encorpar uma denúncia e desse modo atingir o objetivo editorial de denegrir adicionalmente o PT.

Como Cyonil decepcionou, o jornal manipulou seu leitor pela segunda vez.

A pergunta que a ombudsman do jornal deveria encaminhar à Secretaria de Redação é: ‘se o delator tivesse confirmado a pauta, a resposta seria mantida no mesmo socavão espertamente reservado ao desmentido?’. A ver.

Leia aqui a entrevista publicada na Folha de S. Paulo em 29-11

‘Não sou santo, mas não sou corrupto’, diz delator do esquema’

Não sou santo, mas não sou corrupto”. É esse mantra que Cyonil Borges, 37, repete quando é acusado de ter recebido R$ 100 mil do grupo que foi alvo da Operação Porto Seguro, acusado de tráfico de influência no governo.
Cyonil é um personagem nada linear: ele entregou os R$ 100 mil à Polícia Federal, virou delator e forneceu as informações que nortearam as investigações.
Autor de livros jurídicos, professor de cursinhos preparatórios para concursos, ele atuou na investigação da Unifesp em 2008 que culminou com a queda do reitor.
Em entrevista à Folha, ele diz que nunca tocou no dinheiro para não caracterizar o crime de corrupção. Afirma que só cometeu um “pecado” no caso: ter deixado Paulo Rodrigues Vieira, preso pela PF, se aproximar dele.

*Folha – Uma procuradora disse que o sr. é um corrupto que não recebeu o combinado.
Cyonil Borges – Respeito a procuradora, mas ela está desestimulando as pessoas de bem a denunciar.
Mas o sr. recebeu dinheiro? O inquérito diz que deixaram R$ 50 mil na sua portaria e o sr. recebeu mais R$ 50 mil dentro de um táxi. Foi assim?
Não aceitei o dinheiro. Há e-mails que mostram que ele liga em casa dizendo que queria me presentear. Eu disse: “Esquece”. Fiquei angustiado. Quem não ficaria com os nomes que Paulo citava?
O sr. ouviu o nome do ex-ministro José Dirceu?
O nome do ex-ministro, pelo que tudo indica, foi usado pelo Paulo. O Paulo falou em dois momentos o nome do ex-ministro José Dirceu. Num momento, ele disse que o processo no TCU [sobre a Tecondi, empresa de contêineres] era de interesse do Zé Dirceu.
Paulo citava outros nomes?
Um nome que ele citava, indevidamente, foi o do ministro José Múcio, do TCU. Mas o ministro recusou o processo, alegando foro íntimo. Isso mostra a idoneidade do Múcio. Como ele não conseguiu no TCU, foi para a AGU.
O sr. disse que não recebeu dinheiro, mas os pacotes ficaram na sua casa.
Quem pegou o pacote na portaria foi um rapaz do lava-jato. O Paulo interfonou, às 8h da manhã de um sábado: “Tô aqui com a família. Posso subir?” “Não, não pode”.
Quando foi isso?
Em abril de 2010, mais ou menos. Desci do meu apartamento com roupa para correr e o porteiro disse: “Deixaram aqui…”. Pego o carro, saio. Peço para o rapaz do lava-jato lavar meu carro e pegar o pacote. Não toquei no dinheiro.
Por que não tocou?
Não sou bandido. Isso poderia caracterizar crime de corrupção passiva.
Você ficou incomodado de ter R$ 100 mil em casa?
Não tinha incômodo. Daí a minha mulher descobre. Ela ficou chateada e pensou outras coisas. Queria depositar. Falei: “Não, isso é dinheiro de cursinho preparatório”.
Tipo caixa dois?
Eu não sou santo. Tenho meus pecados, mas não sou corrupto. Alguns cursinhos pagam em dinheiro, por fora.
Algumas pessoas o descrevem como corrupto arrependido.
Para se arrepender, você tem de aceitar. Eu nunca aceitei nada. Eu posso ter o pecado de, num primeiro momento, ter deixado o cara [Paulo] se aproximar. Quando ele passou o dinheiro, eu falei: “Você tá retardado? O que você bebeu, cara?” Ele: “Mas esse dinheiro é particular”. Eu falei: “Brother, isso é corrupção”. Ele: “Então eu compro isso aqui [R$ 100 mil] em seus livros”. Eu falei: “Não tenho livro para isso”.
Mas o sr. escreveu um segundo parecer que, aparentemente, atendia à Tecondi.
O primeiro parecer foi totalmente contrário. Aí tem um e-mail em que ele fala sobre o meu parecer, o segundo: “Isso não atende o interesse do grupo”. Ele queria que o contrato de arrendamento da área [da Tecondi] fosse renovado. Mas isso era inviável.
Mas o seu parecer abre uma porta para a Tecondi ser beneficiada no TCU, segundo a PF. O sr. diz que houve investimento e o rompimento geraria insegurança jurídica.
Isso não era o que o Paulo queria. O parecer de 2010 era totalmente contrário, mas houve um investimento de cerca de R$ 270 milhões.
O sr. nunca escreveu um parecer por encomenda de Paulo?
Ele pediu que eu lesse um parecer do advogado da Codesp. Falei: “Tá bem escrito”.
Por que você recebeu o dinheiro em abril de 2010 e só foi à polícia em fevereiro de 2011?
Eu queria reunir provas. Imagina você chegar na polícia com um pacote de dinheiro e falar: “Entregaram isso na minha portaria”. Eu seria preso. Nunca tive mácula na administração pública. Fiz a investigação dos cartões corporativos da Unifesp.

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(leia a seguir a postagem da 4ª feira sobre o caso)

Mídia & togas: a confraria do ‘domínio do fato’

A Suprema Corte do país acaba de se avocar mais uma prerrogativa: a de violar a lógica da história democrática brasileira.

Roberto Jefferson, que dispensa apresentações, pivô das denúncias que levaram à montagem daquilo recebeu o nome de fantasia de ‘mensalão’, foi objetivamente liberado pelas togas do STF nesta 4ª feira.

A pena que lhe foi atribuída, sete anos e 14 dias, tem a precisão do relojoeiro esperto; coisa feita para encher os olhos mas aliviar o ônus. Permitir-lhe-á ficar longe de qualquer instituição prisional para exercer livremente aquilo que sempre fez e sabe fazer.

A mesma condescendência já havia sido dispensada antes ao deputado do PR, Waldemar da Costa Neto, outro cuja folha de bons serviços à nação brasileira é conhecida, embora menos festejada.

A contrapelo desse indulto sugestivo, mas em tom de júbilo incontido,o Globo da 3ª feira espocou em manchete faiscante: “Tremembé, cidade do interior paulista, à espera de mensaleiros’.

Quais?

O texto é claro no alvo da mira: ‘ (…) Cidade pequena encravada na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, Tremembé já vive as expectativas de ser o provável destino dos mensaleiros, como está sendo chamada a turma liderada pelo ex-ministro José Dirceu (…) Enquanto José Dirceu e seus companheiros não chegam, Tremembé segue sua rotina“, garante-se o jornal, como se iniciasse a cobrança regressiva do grande dia.

Devemos à Suprema Corte sob a batuta do agora presidente Joaquim Barbosa esse conjunto de uma harmonia desconcertante: Jefferson e Waldemar, livres; e José Dirceu, condenado sem provas, cuja vida foi posta na ponta da baioneta da ditadura militar por lutar pela democracia, vai para Tremembé – pelo menos assim o Globo prefixou. Em se tratando do Judiciário que aprendemos a conhecer em sua fina sensibilidade aos holofotes, significa um passo e tanto.

A reportagem do Globo pode ser encarada como um recado às togas: estamos aqui, ministros. Equipes e câmeras de prontidão no aquecimento para o grande dia. Um símbolo do PT será emoldurado pelas grades, em cena e horário naturalmente desfrutáveis pelo Jornal Nacional, como o foram todos os capítulos da Ação 470.

O empenho do dispositivo midiático é manter acesa a chama.

Cercá-la de cuidados para que contradições flagrantes, como a que foi reiterada hoje, na absolvição daquilo que avulta como o paradigma de um escroque, não empalideçam a demonização arduamente construída ao longo da novela.

Para tanto, o símbolo representado por José Dirceu deve ser regularmente aspergido de lama até que o desfecho se materialize na escalada do JN e no jogral das manchetes do dia seguinte.

É disso que cuida a cobertura jornalística nos dias que correm. Trata-se de
convencer a opinião pública de que repousa nas entranhas da Operação Porto Seguro a ‘chave do porão’.Aquela capaz de escancarar o quarto escuro dentro do qual Lula, Dirceu e todos os corruptos do país, que naturalmente serão sempre do PT, debatem novos e velhos golpes.

Na busca sôfrega das pistas para confirmar as manchetes a lógica muitas vezes atrapalha. Demita-se a lógica.

Os supremos juízes da Suprema Corte não revogaram a história da luta democrática brasileira? Não redesenharam um país em que Roberto Jefferson merece condescendência e José Dirceu é bandido?

As togas da suprema instância não demitiram os fatos? Por que o jornalismo há de se ater a eles? O país e a mídia vivem agora sob o império das ilações.Eis aí uma contribuição inesperada, porém marcante da Corte ao aperfeiçoamento das instituições democráticas e do currículo das escolas de jornalismo.

Virtuoses no ramo, na verdade, já praticam com impressionante desembaraço o cânone da notícia inspirado na assertiva das togas que se dispensaram do elemento essencial de uma sentença: provas.

Na edição impressa da quarta- feira, 28-22, o jornal Folha de S. Paulo deu aula-magna de como aplicar a jurisprudência à estrutura de um texto, para dissimular um editorial em notícia.

O procedimento não é novo, mas o jornalismo à la ‘domínio dos fatos’ desfruta agora do exemplo inapelável que vem de cima. As togas fizeram escola.

Acompanhe como funciona o verdadeiro manual de redação nessa tentativa de afirmar, sem provar, os vínculos entre o ex-ministro José Dirceu e a ‘Operação Porto Seguro’. Siga:

No título, antecipa-se a criminalização, assim: “Procuradora e denunciante citam Dirceu”.

No destaque, abaixo do título, reforça-se a indução reiterativa:

“O nome do ex-ministro José Dirceu foi duplamente envolvido no caso apurado pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal”.

No corpo da matéria, as ‘provas’ que sustentam a manchete:

1) “A procuradora federal Suzana Fairbanks afirma que Dirceu era procurado para resolver questões como se ainda fosse ministro: “[Era] Uma pessoa que tinha poder de decisão lá dentro [do governo]”;

2) Em seguida, o texto incorpora a entrevista ao “Jornal Nacional” do delator do esquema, o ex-auditor do TCU, Cyonil da Cunha Borge (veja aqui, outro primor do gênero ‘jornalismo à la Supremo’)

Trecho incorporado pela pela matéria da Folha: ” Cyonil disse que Paulo Rodrigues Vieira, tido como um dos cabeças do esquema, o convidou para participar de um aniversário de Dirceu e citou o nome do petista ao oferecer a propina”.

Por fim, escondidos no artigo, sem peso nem influencia na manchete, os fatos:

1) (…) “Fairbanks afirma que não há troca direta de mensagens entre a ex-assessora (Rosemary Noronha) e Dirceu”;

2) Também não há o nome de Lula: “Conversa dela com o Lula não existe”, diz. “Nem áudio, nem emails.”

3) Sobre o delator, a promotora afirmou(…) “É um corrupto que sofreu um golpe. Levou um calote. Não recebeu o pagamento todo, como tinham combinado, e resolveu entregar o esquema todo’ .

No arremate, seis linhas para o famoso ‘o outro lado’, em nome do qual avoca-se o direito de fazer qualquer coisa.

Leia a seguir a íntegra da matéria.

Procuradora e denunciante citam Dirceu
Folha de São Paulo 28-11-2012

O ex-ministro da Casa Civil era uma das autoridades a quem a ex-chefe de gabinete da Presidência sempre recorria

Auditor que entregou o caso afirma que suborno foi oferecido em nome do petista; Dirceu diz que é ‘improcedente’

DE SÃO PAULO

O nome do ex-ministro José Dirceu foi duplamente envolvido no caso apurado pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

A procuradora federal Suzana Fairbanks diz que Dirceu era uma das autoridades do governo federal a quem Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, recorria para atender interesses do grupo desarticulado pela PF.

Rosemary, segundo investigação da PF e do Ministério Público Federal, costumava citá-lo como “JD”.

Fairbanks afirma que Dirceu era procurado para resolver questões como se ainda fosse ministro: “[Era] Uma pessoa que tinha poder de decisão lá dentro [do governo].”

Ainda ontem, o petista também teve o nome envolvido no caso pelo delator do esquema, o ex-auditor do TCU (Tribunal de Contas da União) Cyonil da Cunha Borges.

Em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, Cyonil disse que Paulo Rodrigues Vieira, tido como um dos cabeças do esquema, o convidou para participar de um aniversário de Dirceu e citou o nome do petista ao oferecer a propina.

Cyonil disse ter recebido uma oferta de R$ 300 mil de Vieira para fazer um relatório favorável à Tecondi, empresa que opera em Santos.

“Na ocasião, ele [Vieira] escreveu que o processo era de suposto interesse de José Dirceu e escreveu R$ 300 mil no papel”, disse ao “JN”.

PRISÃO
A procuradora Fairbanks disse ainda que não está descartado o pedido de prisão de Rosemary Noronha.

Segundo ela, Rose procurava a cúpula do governo para “agendamento de reuniões de políticos, nomeação de cargos”, para atender o grupo. “A influência dela era constante”, diz, tanto no governo do ex-presidente Lula quanto no de Dilma Rousseff.

Fairbanks afirma que não há troca direta de mensagens entre a ex-assessora e Dirceu. Também não há o nome de Lula. “Conversa dela com o Lula não existe”, diz. “Nem áudio, nem emails.”

Sobre Cyonil, o delator, Fairbanks afirmou que ele entregou o esquema porque foi traído. “É um corrupto que sofreu um golpe. Levou um calote. Não recebeu o pagamento todo, como tinham combinado, e resolveu entregar o esquema todo”, disse.

OUTRO LADO
Em nota, Dirceu afirmou que é improcedente a informação de que tenha relação pessoal ou profissional com Paulo Vieira. “Se Vieira usou o meu nome em conversas com terceiros, o fez de maneira indevida. Também não tenho nenhum interesse nas atividades da empresa Tecondi”, disse o ex-ministro.

O petista afirmou que estuda com os advogados tomadas medidas judiciais. “Considero-me vítima de calúnias com as menções feita.”

O advogado de Cyonil, Rodrigo Selberg, afirmou que a avaliação da procuradora sobre seu cliente é “precipitada”. “O histórico [de Cyonil] comprova que ele não é corrupto”, afirmou.

Postado por Saul Leblon

O capitalismo feliz

A história do desenvolvimento capitalista dos séculos XIX e XX registra a existência de alguns países com altos níveis de desenvolvimento, riqueza e qualidade de vida, e com baixa propensão nacional expansiva ou imperialista. Estes países operam como pequenas “dobradiças felizes” da estrutura militar e do poder global dos EUA.

José Luís Fiori

A história do desenvolvimento capitalista dos séculos XIX e XX registra a existência de alguns países com altos níveis de desenvolvimento, riqueza e qualidade de vida, e com baixa propensão nacional expansiva ou imperialista. Como é o caso das ex-colônias britânicas, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, e dos países nórdicos, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia. Todos apresentam taxas de crescimento alta, constante e convergente, desde 1870, só inferior a da Argentina, até a 1º Guerra Mundial. Hoje são economias industrializadas, especializadas e sofisticadas; a Noruega tem o 3º maior renda per capita, e o maior índice IDH (0.943), do mundo; a Austrália tem a 5º renda per capita, e o 2º melhor IDH do mundo (0, 929); e quase todos tem uma renda média per capita entre 50 e 60 mil dólares anuais. A Noruega é considerada hoje o país mais rico do mundo, em “reservas per capita”, e foi considerada pela ONU, em 2009, como “o melhor país do mundo para se viver”. E a Dinamarca já foi classificada – entre 2006 e 2008 – como “o lugar mais feliz do mundo”, e o segundo país mais pacífico da terra, depois da Nova Zelândia, e ao lado da Noruega.

Canadá, Austrália e Nova Zelândia foram colônias de povoamento da Inglaterra, durante o século XIX, e depois se transformaram em Domínios da Coroa Britânica, até depois da 2º Guerra Mundial. Mas até hoje são nações ou reinos independentes que fazem parte Commonwealth, e mantém o monarca inglês como seu chefe de estado. Como colônias e domínios funcionaram sempre como periferia da economia inglesa, mesmo depois de iniciado seu processo de industrialização, mantendo-se – em média – a participação do capital inglês, em até 2/3 da formação bruta de capita destes três países. E todos eles estabeleceram relações análogas com a economia norte-americana, depois do fim da Segunda Guerra. Neste século e meio de história, o Canadá – como caso exemplar – esteve ao lado da GB e dos EUA na 1º e 2 º Guerras Mundiais, alem de participar Guerra dos Boers e da Guerra da Coréia e de ser um dos membros fundadores da OTAN, em 1949. Participou das Guerras do Golfo, do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, e participa diretamente do sistema de defesa aeroespacial norte-americano. E o mesmo aconteceu, em quase todos os casos, com a Austrália e a Nova Zelândia.

Por outro lado, os países nórdicos foram expansivos, e a Suécia em particular, foi um grande império dominante, dentro da Europa, até o Século XVIII. Mas depois de sua derrota para a Rússia, em 1720, e depois da sua submissão dentro da hierarquia de poder europeia, os estados nórdicos se transformaram em pequenos países, com baixa densidade demográfica e alta dotação de recursos naturais, funcionando como pedaços especializados e cada vez mais sofisticados do sistema produtivo europeu. A Suécia ficou famosa pelo “sucesso” de sua política econômica anticíclica ou “keynesianas”, depois da crise de 1929, mas de fato logrou superar os efeitos da crise graças à suas condição de sócia econômica, e fornecedora de aço e equipamentos para a máquina de guerra nazista, que também ocupou a Dinamarca e exerceu grande influencia sobre a região, durante toda a Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, a Dinamarca e a Noruega se tornaram membros da OTAN, e a Dinamarca segue sendo uma passagem estratégica para o controle do mar Báltico.

Por sua vez, a Suécia participou das Guerras do Kosovo e do Afeganistão, e foi fornecedora de armamentos para as forças anglo-saxônicas, na Guerra do Iraque. Por último, a Finlândia, que fez parte da Suécia, até 1808, e da Rússia, até 1917, acabou ocupando um lugar fundamental dentro da Guerra Fria, até 1991, e ainda ocupa uma posição estratégica até hoje, no controle da Bahia da Finlândia, e da própria Rússia.

Por tudo isto, apesar de que estes países tenham origens e trajetórias diferentes, é possível identificar algumas coisas que eles têm em comum:

i. São pequenos ou tem uma densidade demográfica muito baixa

ii. Tem excelente dotação de recursos, alimentares, minerais ou energéticos.

iii. Todos ocupam posições decisivas no tabuleiro geopolítico mundial.

iv. E todos se especializaram em serviços ou setores industriais de alta tecnologia, e em alguns casos, dentro da industria militar.

Alguns diriam que se trata de um caso típico de “desenvolvimento a convite”, mas isto quer dizer tudo e nada ao mesmo tempo. O fundamental é que o sucesso econômico destes países não se explica por si mesmo, porque desde o século XIX, os “domínios” operaram como “fronteiras de expansão’ do “território econômico” inglês, e como bases militares e navais do Império Britânico. E os países nórdicos, depois que foram submetidos, se transformaram em satélites especializados do sistema de produção, e do poder expansivo europeu. E hoje, finalmente, todos estes sete países operam como pequenas “dobradiças felizes” da estrutura militar e do poder global dos Estados Unidos.
(*) José Luis Fiori é professor titular de Economia Política Internacional da UFRJ e coordenador do Grupo de Pesquisa do CNPQ/UFRJ “O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo”. (www.poderglobal.net)

“O veneno está na mesa” e o uso de agrotóxicos está na pauta

Em meio a manchetes de jornais que apontam que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contrariou regras internas e permitiu a venda de agrotóxicos mais prejudiciais à saúde, o documentário “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler, exibido na 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que ocorrem em São Paulo, vem mostrar a sua duradoura atualidade.

Fábio Nassif

São Paulo – Em meio a manchetes de jornais que apontam que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contrariou regras internas e permitiu a venda de agrotóxicos mais prejudiciais à saúde, o documentário O veneno está na mesa, exibido na 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul vem mostrar a sua duradoura atualidade.

O filme de 50 minutos segue linguagem direta, com opinião explícita sobre o assunto, como já é marca do diretor Silvio Tendler. É produto de uma campanha contra o uso de agrotóxicos no Brasil que conta com apoio direto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de uma série de entidades e movimentos sociais.

Os dados colocados de maneira pedagógica no documentário – como o de que os brasileiros consomem em média 5,2 litros de veneno por ano – impactam não só em decorrência da desinformação geral sobre a quantidade de agrotóxicos contida nos mais variados alimentos disponíveis nas prateleiras de supermercados, como também pela ausência de divulgação dos verdadeiros impactos desses produtos à saúde humana.

Justamente por ser parte de uma campanha, com posicionamento indiscutível contra o uso de agrotóxicos, o filme surpreende pela quantidade e qualidade das entrevistas conduzidas por Aline Sasahara.

São 70 no total, sendo elas majoritariamente de agricultores – de variados municípios do país -, o que também demonstra uma opção de ouvir aqueles que lidam diretamente com a terra, que entendem dos perigos dos agrotóxicos e também sofrem diretamente seus efeitos.

Sasahara conta que foi impactante ver durante a coleta de depoimentos que “as pessoas têm consciência de quanto estão se expondo, que estão multiplicando esses produtos e que estão envenenando outros consumidores”. Mas a angústia é não conseguir vencer esta lógica devido à pressão do agronegócio.

“Nós fomos pra região do fumo, por exemplo, onde a realidade é absolutamente devastadora, que merecia um outro filme” diz Sasahara, explicando que não é somente sobre os produtos comestíveis que este problema versa. Como a produção do fumo também é uma atividade tradicional, de cultivo que envolve o conjunto das famílias incluindo crianças, o tema gera inclusive discórdia entre seus membros sobre como enfrentar as empresas que impõem a compra de um pacote de produtos químicos para viabilizar a produção. “É uma situação de escravidão e as pessoas não conseguem sair”, conclui.

Intercalado com imagens de defensores do uso de agrotóxico, como a senadora Kátia Abreu (PSD), o documentário coloca em confronto aberto os distintos projetos de desenvolvimento da agricultura no país. De um lado os porta-vozes do agronegócio, de outro os movimentos sociais, pequenos agricultores, intelectuais progressistas e pesquisadores do assunto.

“Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos”, diz a abertura do filme. E já se sabe que eles causam câncer, má formação do feto, depressão, problemas hormonais, neurológicos, reprodutivos, no rim, doenças de pele, diarréia, vômitos, desmaio, dor de cabeça e contaminação do leite materno. É sob este estigma que toda uma geração cobaia, em nome do “sucesso da agricultura”, viverá caso as políticas entorno do agrotóxico não sejam revistas. E o filme contribui para que o país tenha melhor noção sobre a dimensão desses perigos, não só aos seres humanos diretamente, mas também ao meio ambiente.

A programação completa da Mostra pode ser vista em: http://www.cinedireitoshumanos.org.br

Folha de S Paulo: jornalismo à la domínio dos fatos

A Suprema Corte do país acaba de se avocar mais uma prerrogativa: a de violar a lógica da história democrática brasileira.

Roberto Jefferson, que dispensa apresentações, pivô das denúncias que levaram à montagem daquilo recebeu o nome de fantasia de ‘mensalão’, foi objetivamente liberado pelas togas do STF nesta 4ª feira.

A pena que lhe foi atribuída, sete anos e 14 dias, tem a precisão de relojoeiro; coisa feita para encher os olhos mas aliviar o ônus. Permitir-lhe-á ficar longe de qualquer instituição prisional para exercer livremente aquilo que sempre fez e sabe fazer.

A mesma condescendência já havia sido dispensada antes ao deputado do PR, Waldemar da Costa Neto, outro cuja folha de bons serviços à nação brasileira é conhecida, embora menos festejada.

A contrapelo desse indulto sugestivo, mas em tom de júbilo incontido,o Globo desta 3ª feira espocou em manchete faiscante: “Tremembé, cidade do interior paulista, à espera de mensaleiros’.

Quais?

O texto é claro no alvo da mira: ‘ (…) Cidade pequena encravada na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, Tremembé já vive as expectativas de ser o provável destino dos mensaleiros, como está sendo chamada a turma liderada pelo ex-ministro José Dirceu (…) Enquanto José Dirceu e seus companheiros não chegam, Tremembé segue sua rotina“, garante-se o jornal, como se iniciasse a cobrança regressiva do grande dia.

Devemos à Suprema Corte sob a batuta do agora presidente Joaquim Barbosa esse conjunto de uma harmonia desconcertante: Jefferson e Waldemar, livres; e José Dirceu, condenado sem provas, cuja vida foi posta na ponta da baioneta da ditadura militar por lutar pela democracia, vai para Tremembé – pelo menos assim a Globo prefixou. Em se tratando do Judiciário que aprendemos a conhecer em sua fina sensibilidade aos holofotes, significa um passo e tanto.

A reportagem do Globo pode ser encarada como um recado às togas: estamos aqui, ministros. Equipes e câmeras de prontidão no aquecimento para o grande dia quando um símbolo do PT será emoldurado pelas grades -em cena e horário naturalmente desfrutáveis pelo Jornal Nacional, como o foi todo o processo.

O empenho do dispositivo midiático é manter acesa a chama.

Cercá-la de cuidados para que contradições flagrantes, como a que foi reiterada hoje, na absolvição daquilo que avulta como a caricatura de um escroque, não empalideçam a demonização arduamente construída ao longo dos 50 capitulos da novela.

Para tanto, o símbolo representado por José Dirceu deve ser regularmente aspergido de lama até que o desfecho predeterminado se materialize na escalada do JN e no jogral das manchetes do dia seguinte.

É disso que cuida a cobertura jornalística ns dias que correm.

A mídia quer porque quer convencer a opinião pública que repousa nas entranhas da Operação Porto Seguro a ‘chave do porão’.

Aquela capaz de escancarar o quarto escuro dentro do qual Lula, Dirceu e todos os corruptos do país, que naturalmente serão sempre do PT, debatem novos e velhos golpes.

Na busca sôfrega das pistas para confirmar as manchetes a lógica muitas vezes atrapalha. Demita-se a lógica. Os supremos juízes da Suprema Corte não demitiram s provas? Por que o jornalismo há de se ater aos fatos? O país e a mídia vivem agora sob o império do domínio dos fatos.

Eis aí uma contribuição inesperada, porém contundente da suprema instância ao aperfeiçoamento das instituições democráticas e do currículo das escolas de jornalismo. Por certo há outras na mesma direção; o tempo as descortinará.

Justiça seja feira: virtuoses do ramo há muito praticam, com impressionante desembaraço, o novo cânone assertivo das togas que se dispensaram do elemento essencial de uma sentença:provas.

O que mudou agora é que passaram a contar com a legitimação do paradigma que vem de cima, o que não é pouco.

Na edição impressa desta quarta- feira, 28-22, o jornal ‘Folha de S. Paulo’ deu mostras de como a nova jurisprudência lubrificou os comandos editoriais, tornando ainda mais esperta a tarefa de estruturar a notícia para que ela se transforme em um editorial dissimulado do anti-petismo.

Eis o passo a passo da reportagem à la ‘domínio dos fatos’, em que a ‘Folha’ afirma sem dispor de provas os vínculos entre o ex-ministro José Dirceu e a ‘Operação Porto Seguro’:

No título, antecipa-se a criminalização, assim: “Procuradora e denunciante citam Dirceu”.

No destaque, abaixo do título, reforça-se a indução reiterativa:

“O nome do ex-ministro José Dirceu foi duplamente envolvido no caso apurado pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal”.

No corpo da matéria, as ‘provas’ que sustentam a manchete:

1) “A procuradora federal Suzana Fairbanks afirma que Dirceu era procurado para resolver questões como se ainda fosse ministro: “[Era] Uma pessoa que tinha poder de decisão lá dentro [do governo]”;

2) Em seguida, o texto incorpora a entrevista ao “Jornal Nacional” do delator do esquema, o ex-auditor do TCU, Cyonil da Cunha Borge (veja aqui, outro primor do gênero ‘jornalismo à la Supremo’)

Trecho incorporado pela pela matéria da Folha: ” Cyonil disse que Paulo Rodrigues Vieira, tido como um dos cabeças do esquema, o convidou para participar de um aniversário de Dirceu e citou o nome do petista ao oferecer a propina”.

Por fim, escondidos no artigo, sem peso nem influencia na manchete, os fatos:

1) (…) “Fairbanks afirma que não há troca direta de mensagens entre a ex-assessora (Rosemary Noronha) e Dirceu”;

2) Também não há o nome de Lula: “Conversa dela com o Lula não existe”, diz. “Nem áudio, nem emails.”

3) Sobre o delator, a promotora afirmou(…) “É um corrupto que sofreu um golpe. Levou um calote. Não recebeu o pagamento todo, como tinham combinado, e resolveu entregar o esquema todo’ .

No arremate, seis linhas para o famoso ‘o outro lado’, em nome do qual avoca-se o direito de fazer qualquer coisa.

Leia a seguir a íntegra da matéria.

Procuradora e denunciante citam Dirceu
Folha de São Paulo 28-11-2012

O ex-ministro da Casa Civil era uma das autoridades a quem a ex-chefe de gabinete da Presidência sempre recorria

Auditor que entregou o caso afirma que suborno foi oferecido em nome do petista; Dirceu diz que é ‘improcedente’

DE SÃO PAULO

O nome do ex-ministro José Dirceu foi duplamente envolvido no caso apurado pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

A procuradora federal Suzana Fairbanks diz que Dirceu era uma das autoridades do governo federal a quem Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, recorria para atender interesses do grupo desarticulado pela PF.

Rosemary, segundo investigação da PF e do Ministério Público Federal, costumava citá-lo como “JD”.

Fairbanks afirma que Dirceu era procurado para resolver questões como se ainda fosse ministro: “[Era] Uma pessoa que tinha poder de decisão lá dentro [do governo].”

Ainda ontem, o petista também teve o nome envolvido no caso pelo delator do esquema, o ex-auditor do TCU (Tribunal de Contas da União) Cyonil da Cunha Borges.

Em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, Cyonil disse que Paulo Rodrigues Vieira, tido como um dos cabeças do esquema, o convidou para participar de um aniversário de Dirceu e citou o nome do petista ao oferecer a propina.

Cyonil disse ter recebido uma oferta de R$ 300 mil de Vieira para fazer um relatório favorável à Tecondi, empresa que opera em Santos.

“Na ocasião, ele [Vieira] escreveu que o processo era de suposto interesse de José Dirceu e escreveu R$ 300 mil no papel”, disse ao “JN”.

PRISÃO
A procuradora Fairbanks disse ainda que não está descartado o pedido de prisão de Rosemary Noronha.

Segundo ela, Rose procurava a cúpula do governo para “agendamento de reuniões de políticos, nomeação de cargos”, para atender o grupo. “A influência dela era constante”, diz, tanto no governo do ex-presidente Lula quanto no de Dilma Rousseff.

Fairbanks afirma que não há troca direta de mensagens entre a ex-assessora e Dirceu. Também não há o nome de Lula. “Conversa dela com o Lula não existe”, diz. “Nem áudio, nem emails.”

Sobre Cyonil, o delator, Fairbanks afirmou que ele entregou o esquema porque foi traído. “É um corrupto que sofreu um golpe. Levou um calote. Não recebeu o pagamento todo, como tinham combinado, e resolveu entregar o esquema todo”, disse.

OUTRO LADO
Em nota, Dirceu afirmou que é improcedente a informação de que tenha relação pessoal ou profissional com Paulo Vieira. “Se Vieira usou o meu nome em conversas com terceiros, o fez de maneira indevida. Também não tenho nenhum interesse nas atividades da empresa Tecondi”, disse o ex-ministro.

O petista afirmou que estuda com os advogados tomadas medidas judiciais. “Considero-me vítima de calúnias com as menções feita.”

O advogado de Cyonil, Rodrigo Selberg, afirmou que a avaliação da procuradora sobre seu cliente é “precipitada”. “O histórico [de Cyonil] comprova que ele não é corrupto”, afirmou.

Postado por Saul Leblon

Ministra rebate Alckmin sobre aumento de pena para jovens infratores

Para a ministra, a questão dos adolescentes em conflito com a lei, “não se trata exclusivamente do tempo em que eles ficam dentro da unidade, mas da qualidade do trabalho que é realizado com eles. Ou seja, a socioeducação no Brasil não é aplicada como está prevista em lei”, disse Maria do Rosário à Carta Maior durante o seminário Latino-Americano Sobre Lugares de Memória, realizado no Rio de Janeiro.

Rodrigo Otávio

Rio de Janeiro – A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (27) discordar de teses que advocam o aumento da pena de reclusão para jovens infratores como solução para os problemas da violência urbana no país. Na segunda-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu o aumento do tempo de punição para menores infratores no contexto da onda de violência que assola São Paulo e após rebelião e fuga de 43 internos da Fundação Casa no domingo. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a internação em estabelecimentos educacionais por atos infracionais de menores não pode ser superior a três anos.

Para a ministra, a questão dos adolescentes em conflito com a lei, “não se trata exclusivamente do tempo em que eles ficam dentro da unidade, mas da qualidade do trabalho que é realizado com eles. Ou seja, a socioeducação no Brasil não é aplicada como está prevista em lei”, disse Maria do Rosário à Carta Maior durante o seminário Latino-Americano Sobre Lugares de Memória, realizado no Rio de Janeiro.

“De fato, nesses três anos dentro da unidade, se esses jovens fossem escolarizados, fossem tratados da situação de drogadição e tivessem formação profissional, com projetos de vida associados as suas famílias, eles teriam uma outra perspectiva de vida. Agora, mais tempo de internação, na situação de abandono que essas unidades socioeducativas estão, não vai resolver o enfrentamento à violência”, completou.

Rosário afirmou que o preocupante diante de situações de violência como as que estão sendo vivenciadas em São Paulo, “e que o governo federal tem contribuído para enfrentar através do ministério da Justiça”, é se colocar a culpa em adolescentes. Segundo a ministra, “em geral, os adolescentes e jovens são vítimas. A violência é a principal causa de morte da juventude brasileira. Agir preventivamente diante disso é mais importante do que buscar soluções que em princípio podem parecer simpáticas à opinião pública, mas não oferecem, de fato, solução para o problema da violência e criminalizam ainda mais a juventude”.

Para a ministra existe também o risco de o aumento da pena de reclusão para menores se transformar em uma bola de neve, “hoje são três anos, amanhã podem ser mais; quatro, cinco, nove”, e não se alcançar a resocialização dos jovens, como o ECA prevê.

Rosário defende ainda a separação dos jovens que completam 18 anos internados em uma das unidades de resocialização daqueles entre 12 e 17 anos, mas acha que os recém entrados na maioridade também devem ficar separados de criminosos adultos. “O governo federal avalia que o jovem a partir dos 18 anos pode estar em uma unidade com outros adolescentes, outros jovens adultos de 18 anos. Ele não deve estar em contato com aqueles entre 12 e 18 anos que ficam na unidade”.

Plano nacional
A ministra disse que vai buscar um diálogo direto com o governador Geraldo Alckmin, assim como está fazendo com todos os demais governadores do país, para que o estado cumpra as determinações do ECA, principalmente após a entrada em vigor, em fevereiro, da lei que instituiu o sistema nacional socioeducativo. A partir da lei, o governo está elaborando um plano nacional socioeducativo, também com investimentos em estruturas para os cerca de 18 mil jovens internados em todo o país.

“Nós últimos dez anos o governo federal construiu cerca de 60 novas unidades de internação, entregando essas unidades para os estados. Mas não se trata apenas de novas unidades, se trata do projeto que é realizado lá dentro”, disse ela. E citou também parcerias já feitas com prefeituras. “No Brasil nós temos hoje cerca de 60 mil jovens que estão cumprindo medidas socioeducativas em sistema aberto, que as prefeituras têm uma responsabilidade que eles não sejam reincidentes, junto com o governo federal”.

E NEM POR ISTO BAIXOU O PREÇO DO PEIXE

≈    O grupo É o Tchan, banda baiana conhecida por colocar pessoas para dançarem na boquinha da garrafa, afirma que voltará aos palcos com a formação original para a gravação de um DVD, dando ênfase para canções antigas. Triste notícia para os apreciadores da boa música e aos que buscam o verdadeiro axé afro. E nem por isto baixou o preço do peixe.

      O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, visitou nesta segunda-feira o estádio do Maracanã no Rio de Janeiro. O mesmo se diz confiante para que tudo esteja pronto para o início da Copa das Confederações em 2013. Acompanhado do ex-jogador Ronaldo e pelo Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, Valcke afirma que não consegue ver a Copa do Mundo no Brasil sem o estádio Mário Rodrigues Filho. Elefantes brancos chegando? E nem por isto baixou o preço do peixe.

     O novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Joaquim Barbosa, em sua primeira sessão como presidente do Conselho, defendeu a extinção dos tribunais militares, os quais ainda estão presentes em três estados – São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Além disso, mostrou-se favorável às investigações patrimoniais abertas de seus companheiros de cátedra. Pavoneia Joaquim… Pavoneia. E nem por isto baixou o preço do peixe.

≈      O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), mostrando sua irresponsabilidade com o dinheiro público, desembolsou R$ 195,4 mil reais para bancar a participação dos servidores em encontros de corais e jogos esportivos. O dinheiro foi repassado para o Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado (Sindicontas). E nem por isto baixou o preço do peixe.

≈        Saiu a lista dos técnicos mais bem pagos do mundo. Entre eles, muitos brasileiros. Encabeçando o rol dos que atuam no Brasil está o técnico Abel Braga, do Fluminense, sendo bancado pela “lavanderia” Unimed/Rio. Também aparecem por lá “Muriçola” Ramalho, Tite e Wanderlei “Terninho” Luxemburgo. E nem por isto baixou o preço do peixe.

        O filho do defunto Wallace “Corleone” Souza, Raphael Souza, teve o benefício de progressão da pena e passará do regime fechado para o regime semiaberto. A partir de amanhã, ele poderá passar o dia fora da cadeia, voltando apenas para o sono nosso de cada dia.  Ele encontra-se preso no complexo penitenciário Anísio Jobim (Compaj). E nem por isto baixou o preço do peixe.

     E o Brasileirinho, maior campeonato de pelada do mundo, termina neste domingo. Amém! E nem por isto baixou o preço do peixe.

Voto contra Palestina na ONU será sinal de que só luta armada funciona, diz OLP

Quatro dias antes de a ONU votar o reconhecimento da Palestina como estado observador, representantes de mais sete países europeus indicam que votarão a favor, dizem fontes da OLP. Para dirigentes palestinos, “um voto contra será um claro sinal para o povo palestino de que só a luta armada trará conquistas, e que a luta diplomática está condenada ao fracasso desde o princípio”. O artigo é de Amira Hass.

Amira Hass – Haaretz

Quatro dias antes que as Nações Unidas votem pelo reconhecimento da Palestina como Estado observador, a Organização para a Libertação da Palestina está esperando uma “grata surpresa” na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. De acordo com fontes da OLP, representantes de mais sete países indicaram que vão votar para admitir a Palestina como estado observador. Cinco outros países europeus já anunciaram que apoiarão a proposta e o ministro de Relações Exteriores, Laurent Fabius, já divulgou que a França votará a favor.

“Até umas duas semanas estávamos temendo porque só três países tinham dito que votariam a favor”, disse um quadro da OLP ao Haaretz. Fontes da OLP afirmam que a Inglaterra já desistiu de pedir aos palestinos para adiarem sua proposta. “O Estados Unidos, que estavam ocupado com as eleições, contrataram a Inglaterra para fazer pressão, o que não deu certo”, disse a fonte. A OLP disse que também estava feliz com o fato de que a Alemanha, que provavelmente iria se opor à moção, ao menos não tenha usado seu poder para dissuadir outros países a darem um voto a favor.

“Quem não votar a favor é um covarde e um imoral, esta é a nossa mensagem”, disse um outro membro do time diplomático palestino, que nos últimos dois meses tem travado o que chamou de “uma luta diplomática e política” nas capitais europeias, tentando convencê-los de que votar pelo status da Palestina como estado observador era dar um voto para a solução dos dois estados no marco das fronteiras de 1967.

Depois do cessar-fogo na Operação Pilar de Defesa, que os palestinos veem como uma vitória do Hamas, a equipe diplomática palestina disse que “um voto contra será um claro sinal para o povo palestino de que só a luta armada trará conquistas, e que a luta diplomática está condenada ao fracasso desde o princípio”.

O corpo diplomático palestino consiste de jovens diplomatas do Ministro das Relações Exteriores da Palestina, da Comissão Fateh para as Relações Internacionais, liderada por Nabil Saath, e por quadros do departamento de negociações da OLP. Para o dia da votação, nesta quinta-feira, os palestinos esperam convencer o máximo de países europeus que for possível, ao menos a se absterem.

A resolução é certo que passará, mas de importância particular para os palestinos são os votos dos países que não estão entre os 136 que já reconheceram a Palestina como estado desde 1988, especialmente os países europeus. A comunidade cristã palestina já tomou parte nos esforços diplomáticos, publicando um comunicado no qual registram a responsabilidade histórica da Europa em assegurar os direitos dos palestinos.

Tradução: Katarina Peixoto

A virtude e o porteiro de Lula

Danuza Leão, que foi esposa de Samuel Wainer, criador do Última Hora – o principal veículo de resistência ao cerco udenista contra Vargas nos anos 50, lamenta a ascensão do consumo de massa no Brasil. Não por ter restrições ao consumo. Mas porque ficou difícil ‘ser especial’ nesses tempos em que ‘todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais’, explica na coluna que assina na Folha.

Musicais na Broadway perderam a graça, afirma, não pelo gosto duvidoso do que se oferece ali. “Por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir”, lamenta-se.

“Enfrentar 12 horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros – não é melhor ficar por aqui mesmo?”, questiona desolada diante das cancelas decaídas.

As raízes desse desencanto com o Brasil, personificado na elite caricatural assumida por Danuza, encontram uma explicação resumida no relatório da consultoria Boston Consulting Group (BCG)’, divulgado nesta 3ª feira.

O estudo compara meia centena de indicadores econômicos e sociais de 150 países , coletados junto ao Banco Mundial, FMI, ONU e OCDE.

O Brasil emerge desse mosaico como a nação que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar do seu povo.

O PIB brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011. Mas os ganhos sociais obtidos no período se equiparam aos de um país que tivesse registrado um crescimento explosivo de 13% ao ano, diz a análise. Ou seja, para efeito de redução da pobreza as coisas se passaram como se o Brasil tivesse crescido bem mais que a China nos últimos cinco anos.

O salto na qualidade de vida da população, segundo a consultoria, decorre basicamente da prioridade implementada à distribuição de renda no período. Algo que Danuza Leão intui em meio às dificuldades crescentes para se distinguir do porteiro de seu prédio.

As diferenças entre eles naturalmente continuam abissais. Mas registraram a queda mais rápida da história brasileira nos anos Lula, quando a pobreza caiu pela metade e 97% da infância foi para a escola.

Nada disso é captado no visor histórico de quem está obcecado em preservar espaços de um privilégio socialmente patológico, incorporado à rotina da classe dominante como se fora a extensão da paisagem tropical.

O desencanto inconsolável com o Brasil deixado por Lula inclui outras versões igualmente elitistas, mas de apelo não tão exclusivista.

O porteiro do prédio neste caso é a ‘corrupção de massa’ que o PT teria promovido, segundo os críticos, num aparelho de Estado antes depenado com elegância pelos donos do país.

Assim como o porteiro de Danuza, a corrupção no aparelho público agora comandado pelo PT também é real.

Não é o caso do que se convencionou chamar de Ação Penal 470 – ainda que a prática do caixa 2 de campanha, é disso que se trata, tenha igualmente nivelado o partido aos adversários, que todavia desfrutam da tolerância obsequiosa nos circuitos escandalizados com os forasteiros.

A atual operação Porto Seguro, a exemplo de outras desencadeadas pela Polícia Federal desde 2003, desnuda com generosa difusão midiática isso que antes era encoberto, pouco investigado e raramente punido.

Não é necessário revisitar o personagem do ‘engavetador geral da
República’, de bons serviços prestados à causa tucana, para contrastar o silencio de gavetas que agora são reviradas em agudos decibéis e cortantes editoriais.

Porém há nuances que a esquerda não pode mais ignorar.

A virtude que se cobra do campo progressista não é um dote imanente a porteiros que conquistaram o legítimo direito de viajar a prestação, tampouco a qualidade intrínseca de governantes eleitos pelos pobres.

Virtuosas –educativas– devem ser as instituições, ancoradas em leis justas e indutoras da convivência solidária; no serviço público digno e transparente; na escola capaz de preparar cidadãos para o livre discernimento; nos bens comuns valorizados e desfrutados coletivamente; na informação plural e isenta etc.

Para isso, o partido que pretende mudar a sociedade tem a obrigação de associar à luta econômica o combate por ideias emancipadoras que ampliem o horizonte subjetivo para além do consumismo individualista. Do contrário sobra o vale tudo por dinheiro.

Entenda-se por vale tudo aquilo que leva um jovem ao crime por um par de tênis de marca. Ou o funcionário público subalterno que concede ‘favores’ em troca de um cruzeiro à Ilha Grande, com direito ao show da dupla ‘Bruno e Marrone’.

O mais difícil na luta pelo desenvolvimento é produzir valores que não aqueles negociados em Bolsas. Não apenas esse, mas sobretudo esse passo a esquerda deve ao Brasil. E não parece recomendável adiá-lo ainda mais.

Postado por Saul Leblon

MINISTÉRIO DA CULTURA PRODUZIRÁ 360 CENTROS UNIFICADOS DE ARTE E ESPORTE EM TODO O PAÍS

A ministra da Cultura Marta Suplicy informou hoje em participação no Fórum de Reitores do Rio de Janeiro. que em breve haverão 360 novos Centros Federais de Arte e Esporte funcionando em todo país. O primeiro desta série será inaugurado nesta semana em Pato Branco, Paraná e 30% do total dos Centros já estáo em obras.

A ministra disse ainda que o foco destes é o desenvolvimento dos talentos artísticos pelo interior do Brasil com o intercâmbio das diversas formas artísticas.A diferença é a valorização do intercâmbio entre as diferentes expressões artísticas. Os espaços servirão para a formação de artistas, com bibliotecas de arte, telecentros e cursos.Estes espaços serão abertos a população e terão toda sua programação gratuitamente. Estes centros certamente auxiliarão na diminuição da diferença cultural entre a região sudeste e o resto do país, fazendo com que espetáculos e produção circulem pelo país, e cidades como Manaus, por exemplo,  possam dar a arte um espaço.

Ainda no evento a ministra falou sobre a parceria com a Fifa para levar atrações culturais às arenas Fifa Fun Fest da Copa do Mundo de 2014, que contarão com telões em espaços públicos quem não conseguir ir aos estádios para ver os jogos. “Nós vamos entrar como parceria para fazer a arena cultural entrando na Fun Fest, mas também queremos fazer outros eventos, como a Arena Cinema Brasileiro e também da América Latina”, falou a ministra que também pediu a colaboração das Universidades estaduais e federais para encontrar locais adequados para receber atrações culturais.

Ainda hoje a ministra reuniu-se com senadores e deputados estaduais do Rio de Janeiro para debater sobre um tema do patrimônio cultural do estado: a reforma do Palácio Gustavo Capanema, um edifício de 1947 que inaugurou a arquitetura moderna no Brasil.  “A reunião do Capanema foi para ter uma ideia dos custos que seriam necessários para a recuperação do prédio na sua estrutura e a apresentação de possibilidades de utilização do prédio de outra forma, visando recuperá-lo como centro cultural do modernismo, o qual ele simboliza”, informou a ministra. Felizmente foi acordado um auxílio de 50 milhões por meio de emendas dos parlamentares carioca para uma reforma estrutural do edifício.

Documentos entregues à Comissão da Verdade mostram que Brasil criou e comandou Operação Condor

“O Brasil, definitivamente criou e comandou a Operação Condor. Os documentos que eu trouxe aqui provam”, disse o ativista em direitos humanos, Jair Krischke em depoimento prestado hoje (26) à Comissão Nacional da Verdade (CNV), que apura as violações de direitos humanos, praticadas por agentes públicos no período da ditadura militar.

Presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), Krischke entregou à representante da comissão, Rosa Maria Cardoso da Cunha uma série de documentos secretos  que relatam a perseguição e captura de dissidentes políticos além-fronteira, com a colaboração das ditaduras da Argentina, Bolívia, do Chile, Paraguai e Uruguai.

De acordo com Krischke, a Operação Condor  teve como objetivo reprimir e eliminar os opositores das ditaduras que vigoravam nesses países. “As ditaduras trocavam informações, prisioneiros e assassinatos, realizando operações conjuntas altamente clandestinas, sem  respeitar as normas internacionais e diplomáticas existentes”, disse.

Durante seu depoimento, Krischke também contestou a versão oficial das autoridades militares brasileiras sobre a queima de arquivos do período. Ele disse que muitos arquivos estão nas mãos de chefes militares à época. “Sabemos que existem [arquivos] nas mãos do Major Curió e de tantos outros que são mais discretos. É preciso continuar na luta para abrir os do Exército e demais arquivos”, disse .

Krischke disse à Comissão da Verdade que a primeira evidência da Operação Condor relata a prisão do ex-coronel do Exército Jefferson Cardin Osório na Argentina, em dezembro de 1970, o primeiro alvo da operação. Em outubro , a Agência Brasil revelou a existência da operação de sequestro de  Osório.

Em 1965, Osório comandou a Guerrilha de Três Passos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a primeira contra o regime militar do Brasil e, por isso, era um militante visado. Um ano antes, ele teve os direitos políticos cassados pelo Ato Institucional 4, de 1964.

Outro documento apresentado mostra a colaboração do Exército argentino com o governo brasileiro na prisão do militante Edmur Péricles Camargo, em 1971. Ele foi detido quando fazia escala em Buenos Aires, em um voo que partiu de Montevidéu em direção ao Chile.

A representante da Comissão da Nacional da Verdade, Rosa Maria Cardoso, disse que os documentos vão contribuir para resgatar a história do período. “Nós vamos caracterizar a operação, levantando questões factuais e evidências também. Vamos anexar no nosso relatório final a comprovação do que estamos dizendo”, disse.

Parte do material apresentado por Krischke foi recebido de autoridades argentinas e trazem os nomes brasileiros ou descendentes desaparecidos na Argentina por ações combinadas da repressão dos dois países. A Operação Condor é objeto de uma investigação na Justiça Federal daquele país, denominada Causa Condor.

“Lamento que as autoridades brasileiras não tenham nenhuma atitude com relação a esses casos. Acho que ao final dos trabalhos da comissão eles têm que ser encaminhados ao Ministério Público”, disse Krischke.

Amanhã (27), a Comissão Nacional da Verdade vai receber das mãos do governador do Rio Grande do Sul (RS), Tarso Genro, documentos que relevam detalhes sobre o episódio Riocentro (1981) e sobre o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva (1971). O material foi apreendido pela Polícia Civil gaúcha na residência do coronel do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), assassinado no início do mês em Porto Alegre.

“O dia que durou 21 anos” remonta a participação dos EUA no golpe de 64

O documentário “O dia que durou 21 anos”, dirigido por Camilo Tavares, explicita a participação ativa dos EUA no golpe de 1964 com uma contundência inédita no Brasil. O trabalho de pesquisa de três anos rendeu aos organizadores do filme materiais secretos da CIA, telegramas e até gravações telefônicas entre o embaixador norte-americano no Brasil e os presidentes dos EUA John Kennedy e Lyndon Johnson.

Fábio Nassif

São Paulo – Que os Estados Unidos da América contribuíram com o golpe militar de 1964 no Brasil todos sabem. Mas o documentário O dia que durou 21 anos, dirigido por Camilo Tavares, explicita isso com uma contundência inédita no Brasil. O trabalho de pesquisa de três anos rendeu aos organizadores do filme materiais secretos da CIA, telegramas e até gravações telefônicas entre o embaixador norte-americano no Brasil e os presidentes dos EUA John Kennedy e Lyndon Johnson. As conversas mostram o passo a passo do golpe e o reconhecimento dele.

O documentário introduz o contexto vivido no Brasil desde João Goulart e suas tentativas de aplicação das chamadas Reformas de Base, até a reação estadunidense ao encaixá-lo como um comunista semelhante a Fidel Castro. Com forte participação dos embaixadores no Brasil, de institutos – como o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES) e Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) – o golpe é tratado no filme de maneira direta, expondo os interesses econômicos dos EUA no Brasil e o investimento financeiro aplicado para, por exemplo, comprar parlamentares brasileiros.

Historiadores e personalidades conduzem a narrativa, com ajuda de fotos da época animadas, áudios, imagens de documentos e filmagens do período. Um trabalho de fôlego, que preenche a 7a Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul com conteúdo, contribuindo para a construção das história do país. O documentário buscará a distribuição comercial para abril de 2013.

Veja a entrevista que Camilo concedeu à Carta Maior e confira a programação da Mostra no site (www.cinedireitoshumanos.org.br):

Por que escolheu dar o enfoque do documentário na atuação norte americana no golpe de 64?

Camilo Tavares: A riqueza do material encontrado nos levou a esta opção. Tanto os telegramas da CIA, como as conversas da Casa Branca, assim como os incríveis programas de TV produzidos pela CBS (em 1961) para convencer a opinião pública dos EUA.

Acredita que no Brasil há uma percepção comum dessa participação ativa dos presidentes norte-americanos no golpe?

Camilo Tavares: Há muito pouco conhecimento do assunto. Este foi um dos objetivos do filme. Nossa meta é que o filme que teve patrocínio do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, via Eletrobras, Sabesp e Cesp, seja distribuído na rede de ensino público com foco no público jovem que precisa conhecer melhor nossa história. E também do público adulto em geral que viveu a ditadura militar mas não conhece a dimensão dos interesses dos EUA em nosso país.

O documentário traz uma série de documentos secretos do governo dos EUA e da CIA, além de gravações entre embaixadores e os presidentes dos EUA. Como foi o processo de pesquisa? Quanto tempo durou, como foram adquiridos esses materiais e como foi organizado? A divulgação desse material é considerada inédita no Brasil?

Sim é inédita no sentido do volume de informações. Tivemos apoio de historiadores muito antenados como Carlos Fico (UFRJ) que pesquisou os arquivos e publicou dois livros sobre o assunto, Peter Kornbluh (NARA_Washington) e da jornalista e escritora Denise Assis que fez a pesquisa do IPES e IBAD. A Pequi Filmes , minha produtora, arcou um árduo e custoso trabalho de 3 anos para levantar todo o material de arquivo. Aliás temos um rico material suficiente para novas series de TV ou filmes longa-metragem das relações Brasil, EUA e América Latina.

O documentário traz também dois aspectos interessantes: a insistência do interesse financeiro dos governos norte-americanos em apoiar o golpe militar e a suposta falta de controle de pessoas que apoiaram o golpe mas não concordavam com torturas, prisões e outras medidas autoritárias. Acredita que os objetivos norte-americanos foram atingidos ou em algum momento houve um descompasso com os interesses dos militares brasileiros?

Os militares brasileiros fizeram exatamente o que os americanos queriam. Entregaram nosso mercado para os EUA e adotaram o modelo de desenvolvimento financiado pelas empresas americanas, que hoje são as grandes empresas do Brasil nos setores estratégicos da economia. A primeira medida do Presidente Castelo Branco ao assumir foi acabar com a lei que limitava a remessa de lucros excessivos das empresas americanas ao EUA. Ou seja abriu as portas , como diz a música do Raul Seixas: ” a solução é alugar o Brasil”. E alias como será que está esta lei de remessa de lucros atualmente?

Foram colhidos depoimentos de militares. Com que objetivo buscou isso?

Este foi o grande desafio ouvir a voz dos militares como o Ministro Jarbas Passarinho, General Newton Cruz, Almirante Bierrenbach e também dos militares que apoiavam João Goulart, como Capitão Ivan Proença e o Brigadeiro Rui Moreira Lima.

Qual papel o documentário em si e o cinema em geral podem ter para a promoção dos direitos humanos no Brasil?

Considero essencial.

Catalunha: crescem as esquerdas nas eleições

Os partidos chamados de “soberanistas” na Catalunha venceram as eleições deste domingo nesta “província rebelde” da Espanha. Mas a vitória veio de um modo inesperado: cresceram as esquerdas, embora em todas as direções. A tentativa do presidente da província, Artur Más, da Convergência e União, de ampliar sua maioria no parlamento, fracassou. Por outro lado, cresceu o partido da Esquerra Republicana, de esquerda, e seu líder, o professor de história Oriol Junqueros, apontado como o grande vencedor do pleito. O artigo é de Flávio Aguiar, direto de Barcelona.

Flávio Aguiar, de Barcelona

Barcelona – Como era esperado, os partidos chamados de “soberanistas” na Catalunha venceram as eleições deste domingo nesta “província rebelde” da Espanha. Mas a vitória veio de um modo inteiramente inesperado, pelo menos de início: cresceram as esquerdas, embora em todas as direções.

Esta eleição parlamentar antecipada foi resultado de uma tentativa, por parte do presidente da província, Artur Más, de conseguir ampliar sua maioria no Parlamento. Seu partido, a Convergência e União, tinha 62 cadeiras. Mas o tiro lhe saiu pela culatra: perdendo 12 cadeiras, a CiU, como é conhecida, ficou com apenas 50. Mas é um político considerado como um “conservador moderado”, liberal em matéria de economia, conhecido por dar uma no cravo e outra na ferradura: por exemplo, é favorável ao fim da discriminação contra gays, mas não do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e é a favor da “livre discussão” sobre o tema do aborto em seu partido.

Por outro lado, cresceu o partido da Esquerra Republicana, de esquerda, e seu líder, o professor de história Oriol Junqueras, é apontado na mídia catalã e do restante da Espanha como o grande vencedor do pleito. Foi de 10 cadeiras no Parlamento para 21. O Esquerra Republicana é um partido historicamente independentista desde antes do tempo de Franco. Seu líder e presidente da província em 1934, Lluís Companys, foi preso e condenado depois de uma tentativa de levante contra o governo (então conservador) de Madri. Depois da vitória da Frente Popular em 1936, foi libertado, e foi líder da resistência anti-franquista na Catalunha. Exilado na França depois do fim da Guerra Civil, deixou de fugir deste país, após à invasão alemã, porque seu filho se achava gravemente enfermo num hospital parisiense.

Preso pelos nazistas em 1940, foi deportado para a Espanha, sendo fuzilado em outubro deste ano pelo governo franquista depois de um julgamento considerado vergonhoso. Antes da execução líderes franquistas iam até sua cela para dizer-lhe insultos e jogar moedas e migalhas de pão contra seu corpo. Hoje seu nome batiza o Estádio Olímpico em Barcelona.

As eleições marcaram também uma derrota para o Partido Socialista, que pregava um federalismo renovado, que caiu de 28 para 20 cadeiras. O PP de Mariano Rajoy, claramente contra a independência, ficou onde estava: de 18 foi para 19 cadeiras. A Iniciativa Verde-Esquerda Unida, que se autodenomina ecossocialista, ganhou mais 3 cadeiras, ficando com 13. Já o partido Ciudadans, tido como de esquerda, mas anti-independência, teve 9 cadeiras (tinha 3). E outro partido considerado vencedor, a CUP – Candidatura de Unidad Popular, de extrema esquerda – ficou com 3; apesar do número pequeno, é a primeira vez que toma assento no Parlamento.

Os partidos “soberanistas”, com seu leque de opções ideológicas, ficaram com 87 assentos, três a menos do que os 2/3 necessários para, por exemplo, um voto favorável à independência. Os partidos contrários ficaram com 48 cadeiras.

Artur Más viu seu desempenho prejudicado por denúncias de corrupção levantadas em Madri. Mas também teve um erro de avaliação política. Depois de eleito em 2010, viu o descontentamento catalão com Madri crescer por duas razões. A primeira foi a resistência do governo madrilenho em renegociar a repartição de impostos com Barcelona, o que aumentou a insatisfação geral, mas sobretudo de um setor mais conservador da Catalunha, que pensa estar esta província “financiando” outras mais pobres. Explique-se que a Catalunha é a província mais rica do país, sendo, historicamente, uma das primeiras que se industrializou na Espanha.

A segunda foi a recusa pela Suprema Corte Espanhola em aprovar o novo Estatuto da Autonomia Catalã, aprovado depois de um extenso processo de negociação com o então governo socialista de Zapataro, num julgamento exarado em 2010. A decisão declarava inválido, inclusive, o uso da palavra “nação” no preâmbulo do Estatuto, além de invalidar outros 14 itens.

No embalo deste descontentamento realizou-se uma manifestação no dia 11 de setembro deste ano em Barcelona, que reuniu de 1,5 a 2 milhões de pessoas, segundo diferentes avaliações. No embalo destes movimentos, Más decidiu antecipar as eleições parlamentares, num movimento cujos contornos não eram muito claros, ficando entre a soberania e fortalecer sua posição para renegociar com Madri. Essa ambigüidade ficava clara na proposta que levantou, que era a de realizar, ao invés de um plebiscito vinculante, para o que precisaria de uma validação do Poder Judiciário (que já proibira algo desse tipo no País Basco), uma “consulta não vinculante”, que contornaria o problema.

Porém entre a chamada ao pleito e a sua realização aconteceu a greve geral ibérica e européia de 14 de novembro, com grande adesão na Catalunha, que elevou a temperatura à esquerda. O resultado é que Más plantou e a Esquerda Republicana colheu. Analistas da tendência à soberania dizem também que o eleitorado rejeitou a ambiguidade de Más, preferindo um partido clara e historicamente independentista. É possível. Mas não dá para negar a evidência que a esquerda cresceu em todas as direções, pela soberania e contra ela.

O debate em torno da soberania vai continuar, embora o plano de Más no sentido de chamar a consulta para breve tenha sofrido uma pane. Mas o que o pleito mostra é o crescimento de uma clara insatisfação com a linha “austera” de Rajoy e que hoje predomina na Europa, além de um desejo, ainda que fragmentário, de mudança na direção de uma social-democracia tradicional, do estado de bem-estar social.

Carta aberta de um jornalista ao Supremo Tribunal Federal

 

Quero propor a Vossas Excelências que não atropelem a linha que os separa dos demais poderes. O ódio por alianças partidárias nasce de um vício idealista de quem chega ao poder sem ter que passar pelo voto da cidadania. É essencial para a ordem pública confiar na Justiça, mas para que isso aconteça não basta condenar os grandes: é preciso simplesmente condenar os culpados, segundo as provas. O artigo é de J.Carlos de Assis.

J. Carlos de Assis (*)

Passei as duas décadas da ditadura sem ter sido vítima de tortura física, sem enfrentar mais que dois interrogatórios militares, sem ter sido condenado. Conheci, porém, pessoalmente, a justiça da ditadura. Em 1983, incriminado nos termos da Lei de Segurança Nacional por ter denunciado na “Folha de S. Paulo” as entranhas do escândalo da Capemi, enfrentei um processo pela antiga Lei de Segurança Nacional no qual a denúncia se baseava em dedução. Foi com base em deduções que Vossas Excelências, em plena democracia, condenaram figuras proeminentes do PT, pela culpa de serem proeminentes. Quanto a mim, tive melhor sorte: fui absolvido por
um juiz militar que já não acreditava mais na ditadura, Helmo Sussekind.

Não traço paralelo entre o crime a mim imputado e aquele por que foram condenados Dirceu e outros senão pela absoluta falta de prova, num caso, e a declarada desnecessidade dela, noutro. Meu crime teria sido, na letra do Art. 14 da LSN de 68, “divulgar, por qualquer meio de comunicação social, notícia falsa, tendenciosa ou fato verdadeiro truncado ou deturpado, de modo a indispor ou tentar indispor o povo com as autoridades constituídas”. Pena, de seis meses a dois anos de reclusão. Nota-se que não se falava de provas. Poderia ter sido condenado, pois tudo ficava ao arbítrio do juiz: sob pressão do sistema sua tendência era condenar.

Sussekind, contra a letra e o espírito da lei, para me absolver me permitiu a exceção da verdade. Vossas Excelências, inventando lei, fizeram a exceção da mentira para condenar.

Não disseram mais de um de seus pares que não era possível acreditar que Dirceu não soubesse dos fatos, fatos esses que só existiram na imaginação fértil de dois procuradores e de um ministro relator com ganas de promotor, decididos todos a inventá-los para compor um “caso”? É assim que julga um ministro deste Tribunal, pensando o que os réus teriam sido obrigados a pensar seguindo o figurino da acusação? Dêem-me uma evidência, uma apenas, de relação entre pagamentos de despesas de campanha e votações no Congresso: suas estatísticas estão simplesmente furadas; elas não comportam uma análise científica de correlação, mesmo porque o critério que o procurador usou para estabelecê-la estava viciado pelo resultado que ele queria encontrar.

Não sou jurista. Mas na ciência política que tenho estudado junto a pensadores eminentes como Max Weber e Norberto Bobbio as doutrinas jurídicas têm uma posição singular. Weber, sobretudo, fala em justiça no cádi em casos de grande comoção social. Entretanto, nosso país está em calma. O pouco que aprendi de direito de cidadania me leva a concluir que Vossas Excelências cometeram uma monstruosidade jurídica ao fundar seu veredito contra Dirceu, de forma arbitrária, no princípio alemão do domínio funcional do fato.

Não me estenderei sobre isso para não repetir o que já disse alhures, embora me alegra o fato de que outros jornalistas e principalmente juristas, consultando um dos formuladores originais do princípio, passaram a expor com evidência cristalina sua inaplicabilidade ao caso Dirceu. Sim, Excelências, para condenar é preciso ter provas. Vossas Excelências condenaram sem provas.

Fiquei estupefato ao ouvir o discurso patético de seu novo Presidente com o elogio da independência política do Judiciário. É que suas excelências se comportaram como servos de uma parte da opinião pública manipulada pela mídia de escândalos. Creio que, absorvidos em sua função, Vossas Excelências não têm se apercebido do que está acontecendo com a mídia brasileira. Acossada pela internet, ela já não encontra meios de atrair leitores e anunciantes senão pela denúncia de escândalos reais ou forjados. Haja vista o imenso caudal de ações contra denúncias infundadas que se amontoa no próprio Judiciário. Com o propósito de explorar mais um grande escândalo, desta vez dentro do Governo e do PT, criaram o chamado “mensalão” e o venderam à opinião pública como fato consumado.

Nunca houve evidência de pagamentos regulares, mensais, a parlamentares, mas tornou-se impossível esclarecer os pagamentos como acertos de campanha. Criou-se, dessa forma, no seio da opinião pública uma sensação de grande escândalo, não de caixa dois de campanha, exacerbada quando o procurador, num assomo de retórica, recorreu à expressão, totalmente falsa, de quadrilha.

Finalmente, agora na condição de especialista em Ciência Política, quero propor a Vossas Excelências que não atropelem a linha que os separa dos demais poderes. Sobretudo, que não interfiram na organização política do Brasil condenando arbitrariamente alianças partidárias. Sem alianças não há governo no Brasil. É possível que Vossas Excelências prefiram o sistema americano, ou algum sistema europeu com dois partidos hegemônicos, mas nós não estamos nem nos Estados Unidos nem na Europa. O Supremo não tem competência para alterar isso. Não há democracia sem política, não há política sem partido, e não há partido sem liberdade de organização. O ódio de Vossas Excelências por alianças partidárias nasce de um vício idealista de quem chega ao poder sem ter que passar pelo voto da cidadania. Caveat. É essencial para a ordem pública confiar na Justiça, mas para que isso aconteça não basta condenar os grandes: é preciso simplesmente condenar os culpados, segundo as provas.

(*) Economista, professor de Economia Internacional e chefe do Departamento de Relações Internacionais da UEPB, autor do recém-lançado “A Razão de Deus”. Esta coluna sai também nos sites Rumos do Brasil e Brasilianas, e, às terças, no jornal carioca “Monitor Mercantil”.

O golpe e o Franquismo no Paraguai

Um dos pontos centrais do livro “Franquismo no Paraguai. O Golpe”, da socióloga Lorena Soler e do pesquisador italiano Rocco Carbone, é perguntar o que significa hoje a palavra “golpe”. Em uma conjuntura onde os processos políticos transformadores vivem com o fantasma da desestabilização às costas, surge a interrogação de como nomear as estratégias da direita continental. O livro compila uma série de ensaios, apresentados como “intervenções urgentes” a partir da destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai no dia 22 de junho deste ano. O artigo é de Federico Vázquez.

Federico Vázquez

Resenha do livro “Franquismo no Paraguai. O golpe”, de Rocco Carbone e Lorena Soler (EDS) El 8vo. Loco Ediciones, Buenos Aires, 2012. pp.148.

“A orfandade social dessa praça era acaso a orfandade política de um presidente em retirada”, escreve – mordaz e provocadoramente – a socióloga Lorena Soler na introdução do muito recomendável Franquismo no Paraguai. O Golpe, livro onde ela, juntamente com o pesquisador italiano Rocco Carbone, compila uma série de ensaios, apresentados acertadamente como “intervenções urgentes” a partir da destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai.

Um dos pontos centrais do livro é perguntar por que, paradoxalmente, leva em seu título uma caracterização determinante, mas ao mesmo tempo aberta: o que significa hoje a palavra “golpe”. Em uma conjuntura onde os processos políticos transformadores vivem com o fantasma da desestabilização às costas, surge a interrogação de como nomear as estratégias da direita continental. Até que ponto os mecanismos usados no Paraguai (ao qual se deve acrescentar Honduras e as tentativas fracassadas no Equador e na Bolívia) têm uma continuidade cristalina com o golpismo do século XX, e até onde são produto de outra época, na medida em que estes novos golpes são praticados sob formas institucionais, mas sejam de duvidosa legitimidade.

É uma questão que aparece no começo do artigo de Milda Rivarola, destacada socióloga paraguaia. “As opiniões contraditórias sobre o ocorrido em 22 de junho de 2012, dentro e fora do Paraguai, delatam o caráter confuso e obscuro desse evento. A variedade de categorizações beira o absurdo: golpe de Estado, substituição constitucional, golpe parlamentar (com ou sem colarinhos brancos), ruptura institucional, uso de atribuições legais do Congresso, julgamento expresso, mecanismo normal e legal, quebra ou ruptura democrática, etc”.

Soler ilustra isso com uma mensagem que uma amiga enviou de Buenos Aires, enquanto ela estava em Assunção, no dia da destituição de Lugo: “esconda-se na embaixada argentina, pede asilo e daí que te extraditem a teu país. Não corra perigo, Haverá fogo”. Como explicar em uma mensagem cifrada que não estávamos em 55, nem em 73 ou em 76. E, ao mesmo tempo, que Lugo era o melhor presidente possível de toda a história política do Paraguai e o que havia acontecido era um golpe de Estado. E que Franco era, por isso, um ditador. Em todo caso, as categorias utilizadas até agora já não podiam explicar a complexidade desse processo”.

Complexidade que, no caso paraguaio, tem um de seus marcos na passagem da ditadura de Stroessner aos governos democráticos, sem que houvesse mudança de partido político, conformando assim uma “transição sem alternância”, como assinala Waldo Ansaldi. Mas a raiz desse processo pode ser buscada mais atrás, e Ansaldi agrega a centralidade do conflito agrário (cabe lembrar que a faísca que acendeu o julgamento foi um enfrentamento entre camponeses sem terra e a polícia). A conta pendente da reforma agrária foi um dos temas que opuseram, desde o início, Lugo e seu vice e futuro conspirador, Federico Franco.

O texto de Rocco Carbone aponta outra questão, que se estende a todas as demais experiências continentais. “Como símbolo destes tempos, um dos lugares onde houve manifestações de apoio a Lugo foi precisamente a sede da TV Pública”. O texto marca bem um terreno fronteiriço, onde o luguismo parece ter feito as coisas na direção correta, mas demasiado tarde: o canal estatal foi um empreendimento que tinha apenas meses de vida e, ainda assim, foi um dos poucos espaços onde se percebeu certa resistência civil frente à destituição presidencial.

Uma “batalha cultural” que, no caso paraguaio, significa algo mais profundo, uma chaga subcutânea que durante a presidência de Lugo – mesmo com suas contradições – foi trazida à superfície, mediante os gestos simbólicos de um poder que, pela primeira vez, olhava em uma direção distinta da tradicional. Algo que aparece presente no trabalho de Juan Carlos Rodríguez, Os motivos do Lobo: “Fernando Lugo cometeu outro pecado grave. Ter em torno de si gente de esquerda, ou simplesmente, pobre. É verdade que seu entorno incluía também liberais, colorados, técnicos e independentes. E não havia muita gente de esquerda em postos decisivos de poder, como a Agricultura, Obras Públicas, Fazenda ou Defesa. Mas frequentava sindicatos de trabalhadores, sobretudo camponeses, quando anteriormente tinham acesso à “coroa” empresários, militares, políticos ou embaixadores. A corte desse bispo incluía convidados indesejáveis. Isso era execrável para a sociedade mais excludente do continente”.

Ricardo Aronskind, por sua vez, avalia o ocorrido no Paraguai dentro de uma disputa regional, assinalando que “assim como os governos progressistas de nossa região, apesar de serem muito diferentes e responderem a realidades nacionais muito diversas, os setores retrógados da América do Sul também compartilham uma série de valores que os caracterizam. Todos eles carecem de projetos nacionais autônomos”.

Mas a lupa tem que ser colocada sobre a singularidade de um país traumatizado por sua história desgraçada. Em um continente pacífico para os padrões internacionais, o Paraguai é uma exceção que confirma a regra. O imaginário da Guerra da Tríplice Aliança teve seu papel na conjuntura atual, apesar do século e meio de distância. Rossana Gómez sustente assim que “o golpe parlamentar não buscou só na legalidade suas fontes de legitimidade. Conforme foram surgindo as reações internacionais, ele foi buscando outros argumentos e os encontrou em velhos relatos nacionalistas”.

Finalmente, a pluma de Martín Rodríguez localiza esse relato de nação junto às perguntas sempre incômodas sobre o processo de integração regional, do qual o Paraguai segue sendo protagonista e vítima ao mesmo tempo. “O Paraguai tem em seu disco rígido a pergunta da região: para que serve a região? A história revisionista joga lenha na fogueira dessa memória porque afirma incansavelmente: “O Paraguai sofreu um genocídio, mataram seus homens, destruíram a primeira experiência de Estado de bem-estar, populismo, ferrovias, fábrica de pólvora””. E assim, a lista enlaça um passado mítico em estado de sonho eterno. Quase a história de um país inventado. O Mercosul, essa afável expressão de desejos, é uma forma de nomear – aos olhos paraguaios – uma deformidade de outras tríplices alianças da paz que perduram como conspiração burocrática contra o país condenado a ter saída para o mar. E, para essa cultura eternizada, Lugo também foi um forasteiro.

Além dos autores assinalados, o trabalho de Soler e Carbone traz contribuições de Emir Sader, Ana Inés Couchonnal Cancio, Ticio Escobar e Gerardo Halpern.

Tradução: Katarina Peixoto

Que horas são? É tarde, é tarde…

Dilma e Lula tem juntos 45% das intenções espontâneas de voto para 2014.

O conservadorismo personificado em Serra e Aécio, e a alternativa verde estampada em Marina Silva, adicionam ao balaio oposto 9% de menções.

A maiúscula atrofia do campo conservador explode na pesquisa do Ibope divulgada neste domingo. Não por acaso apresentada sob a pátina de uma irrelevante ultrapassagem de quem deixou o governo há dois anos por quem ainda o exerce.

O fato esférico é que a 24 meses das urnas presidenciais, 55% dos eleitores tem um nome de preferência estabelecido. Em 2010, oito meses antes do pleito, 52% dos eleitores não tinham candidatos (23% mencionavam Lula, inelegível).

Hoje, quatro em cada cinco referendam o bloco de forças progressistas que comanda a sociedade e o desenvolvimento do país desde 2003.

Um discernimento tão antecipado não significa voto líquido. Mas a musculatura de largada ilumina uma desvantagem que explica, e explicará cada vez mais, os métodos da tentativa conservadora de voltar ao poder.

Anote-se que o saldo favorável de Lula e Dilma supera inclusive os decibéis midiáticos que há quatro meses martelam hits da Ação Penal 470. Alguém poderá entender, como parece ter entendido pelos movimentos recentes, que não foi suficiente.

O que está em jogo, portanto, não é uma gincana de simpatias.
A resiliência eleitoral de Lula e Dilma apoia-se em pilares objetivos. A implosão da ordem neoliberal avança no seu 5º ano sem que os adoradores de mercado tenham sequer aprumado a capacidade de fazer autocrítica.

A exemplo das políticas que levaram ao desastre, o ajuste que praticam combate o fogo da depressão com o lança-chamas da austeridade.

A Europa já flambada mergulha no seu segundo round recessivo. O Japão aderna. Os EUA atolam no desemprego. Merkel augura: são necessários mais alguns anos de cozimento bem ajustado.

A Espanha completa um ano no caldeirão de Rajoy, do PP, que comunga as mesmas receitas reafirmadas cronicamente pelo aparato conservador brasileiro.

O que elas conseguiram no caso espanhol? O déficit público cresceu (por conta do PIB e arrecadação minguantes); a insolvência financeira empurra a 4ª economia europeia para um resgate ainda mais doloroso; 25% da força de trabalho está na rua –mais 800 mil demitidos irão se juntar a ela este ano.

O contraponto do cenário brasileiro explica o silencio conservador na disputa econômica.

A taxa de desemprego em setembro foi a menor para o mês dos últimos dez anos: 5,4%, segundo o IBGE.

A massa salarial (novas vagas + aumento real de poder de compra) cresceu quase 5% acima da inflação nas regiões metropolitanas, entre julho e outubro.

Apesar da frágil capacidade de indução estatal e da inexistência de planejamento público, em setembro os investimentos do PAC 2 atingiram 40,4% da meta prevista para o período 2011- 2014.

Quase R$ 386 bi foram aplicados nesse meio tempo em obras de infraestrutura e logística social e urbana.

Distinguir-se daquilo que seria o Brasil se o conservadorismo persistisse no governo é confortante. E pedagógico. Mas não suprime os desafios que a economia tem pela frente, marmorizados da luta pela sucessão.

O arsenal econômico acionado não é suficiente. O grosso do investimento do PAC concentra-se na construção civil (1,9 milhão de casas contratadas no Minha Casa, Minha Vida).

Projetos ferroviários e de infraestrutura mais geral rastejam.

O investimento da indústria brasileira anda de lado. Embora a taxa de juro real, sempre apontada como obstáculo à expansão do setor, seja a menor da história, o parque industrial registrou a 13ª queda seguida no nível de atividade em setembro (na comparação anual).

Sem planta manufatureira sólida nenhuma economia consolida sua autonomia externa. Sem autonomia externa não existe Estado soberano.

Não há Nação digna de usar esse nome sem que a sociedade tenha o comando do seu destino. Celso Furtado.

A dependência de importações industriais não fragiliza apenas a contabilidade em dólares.

Ela sonega aos trabalhadores empregos de maior qualidade, aqueles cuja produtividade eleva os salários e permite reduzir a desigualdade intergeracional, a herança trazida da senzala, que requer simultaneamente reformas estruturais –a da terra, a urbana e a do capital acumulado.

O êxito inegável na condução da economia durante a crise não isenta o PT e o governo de encarar contradições crescentes. Compromissos sagrados nas urnas adicionam tensão ao elástico de um sistema democrático que autoriza mais do que os mercados estão dispostos a conceder –e a crise quer estreitar.

O conflito se evidencia na incapacidade de alavancar o investimento público –por indução estatal interditada e insuficiente; bem como em destinar recursos fiscais necessários à saúde e à educação. ‘É preciso fazer mais com menos’, retruca o mesmo editorial a cada 24 horas em algum meio de difusão.

O que o Ibope mostra não é propriamente uma resignação com esses limites –a luta para ir além deles está na pauta da sociedade brasileira.
O que ele faz de mais sólido talvez é sinalizar o profundo desencanto com as versões programáticas da casa grande em nossos dias.

Quando maior esse discernimento mais se impõe ao aparato conservador camuflar suas bandeiras amarrotadas em outras agendas de apelo popular.
A disputa desloca-se do campo estratégico para o uivo udenista.

A guerra aberta contra o PT testa os limites de um novo arsenal que consiste em destituir o poder, e os compromissos consagrados nas urnas, mas fazendo-o por dentro das instituições, sobretudo com a exacerbada manipulação da ferramenta judiciária.

A renuncia ao golpe de força é compensada pela força da hipertrofia midiática que se avoca inimputável para coordenar e ecoar a ofensiva.

Quem ainda insiste em delegar a defesa do projeto progressista brasileiro ao exclusivo sucesso econômico –que é crucial, de fato– subestima as contradições políticas inerentes à travessia para um ciclo de crescimento sustentado num mundo em convulsão.

Apostar no discernimento compassivo da população diante desse horizonte de instabilidade e acirramento conservador implica não apenas em voluntarismo cocho.

Há outras coagulações perigosas implícitas. Uma delas consiste em assinar uma pax branca que concede ao conservadorismo o pleito da hegemonia intocável na esfera da comunicação.

É como se uma parte do PT e do governo Dilma não ouvisse os alarmes que soam de forma estridente e continuasse a perguntar: ‘Que horas são?’.
‘É tarde; é tarde’ –responderá um dia o coelho dessa história.

Postado por Saul Leblon

Reflexologia Facial Holística

MANAUS, UMA NÃO-CIDADE ONDE A ARTE NÃO TEM ESPAÇO

A não-cidade de Manaus em todo seu tempo de constituição nunca permitiu que a arte pudesse brotar. Não apenas pela escolha e governança de representantes anti-democráticos como ocorreu. Mas principalmente pela inexistências de artistas que fizessem uma leitura desta não-cidade e produzisse sua obra em uma síntese capaz de auxiliar em novas formas de pensar, ver e sentir a realidade da urbes.

Os arteiros amazonenses apenas produzem se subsidiados pelo governo e possuem todo o louro de dedicar e expor numa homenage, e sem nenhuma vergonha, em espaços públicos que são tomados pelos governos e não tem reverberação social nenhuma, ficando sempre em um abestalhamento da classe média. Não vemos nos artistas diplomados com curso superior uma motilidade no sentido de utilizar sua potência criadora na produção de uma obra que esteja ligada a sua realidade. Em outras palavras não era uma vez um homem e seu tempo belchioramente brasileiro.

DA SUBSERVIÊNCIA DA FALSA ARTE AOS GOVERNOS

Na não-cidade de Manaus a produção delirante das pessoas que se chamam de artistas sem ser tem uma ligação direta com a produção da realidade opressora dos governantes. Isto pois eles não se diferenciam da massa em suas atividades e não engajamento na modificação do já constituido. Estes falsos artista ajudaram a eleger o sucessor do atual prefeito Amazonino, o mensaleiro desonesto Arthur Virgílio. Assim para eles a arte é apenas um ofício como outro qualquer que assalariadamente busca produzir um bem de consumo tendo como fim o mercado.

Além destas limitações dos não-artistas, Manaus tem uma produção de cena cultural praticamente nula. A praça de São Sebastião por exemplo foi um espaço sequestrado pela Secretaria de Cultura que criou um controle policial coercitivo do espaço da praça e que impede a potência de produção social de realizar encontros e até eventos como já relatamos neste bloguinho na proibição da realização do Beijaço Gay no local. Além disso este sequestro da Praça São Sebastião e do Teatro Amazonas inclui em uma programação glamourizada e centralizadora naquele espaço em eventos como o Festival de Ópera, que gasta em favorecimento de uma cultura européia e reativa, e o total simulacro Festival de cinema de aventura, que além de não possuir nenhuma importância no cenário nacional e internacional é um espaço elitizado do glamour baré abestalhado.

Estes dois eventos somados com a cópia paulista do Virada Cultural englobam mais de 80% dos gastos da secretaria estadual isto sem contar na inoperante secretaria de cultura municipal desta não-cidade, que não tem uma produção também na maior parte da cidade. A virada cultural também não propicia nenhuma mudança perceptiva quanto a experimentação de novas formas artisticas musicais: é o pornoforro e brega pra chamada periferia (já que em Manaus a verdadeira periferia geográfica é o rio) e mpb, jazz, reggae e música clássica para os bairros nada nobres e a falsa elite. E alguns ritmos musicais são excluidos como o caso do rap que gerou a onda de protestos nos muros da cidade com E o rap…

UMA NÃO-CIDADE ONDE A ARTE NÃO TEM ESPAÇO

Somado a esta produção reativa está a inexistência de espaços culturais e sociais na periferia. Praticamente não há na maior parte da cidade, e principalmente nas áres mais empobrecidas como a Zona Leste e Zona Norte, espaços culturais e artisticos, centros esportivos, projetos conveniados com centros comunitários, a construção de uma casa de espetáculo (teatro) popular… E a assim a não-cidade continua  em sua insignificância quanto a si mesmo. 

A Afin, constituida a 11 anos, é um dos únicos trabalhos que percorre estas áreas ignoradas pelos desgovernantes de Manaus, levando o cinema aos bairros, discussões e teatro a escolas (e mesmo assim sendo censurado pela Secretaria de Educação-Seduc), centro comunitários, igrejas, centro espiritas, terreiros afro, eventos sociais, etc. E esta unicidade é muito ruim, pois se Manaus fosse uma cidade sua produção artística e social estava fervilhando em todas esquinas, havendo milhares de espaços artísticos.

Entretanto vemos que a arte não tem seu espaço na não-cidade, e todos os espaços existentes na cidade são envoltos em uma aura da burguesia ignara. Os artistas de fora (já que não há de dentro) quando vem para a não-cidade se deparam com esta realidade de não haver espaços para arte. Tirando os Teatros centralizados (como o Amazonas, da Instalação, Américo Medeiros),  as casa de evento com sua ilusão luxuosa, e os espaços de shoppings centers (onde o amor do capital se une com a não-arte capital) não há nenhum espaço. E este espaços citados anteriormente já estão ensignados em uma cultura do vazio do glamour.

Veja o caso do talentoso músico carioca Luiz Melodia que vem para Manaus graças a um programa nacional financiado pela Petrobras, mas não há nenhum espaço para se apresentar. A solução foi um teatro construido literalmente (já que é um espaço privado cujo o proprietário é uma construtora) dentro do shopping mais ilusório e burguês da cidade. Como uma pessoa que gosta de boa música, que usa seu corpo e mente na construção da cidadania e na modificação das imposições neoliberais dos governos, pode ir a um shopping para assistir uma cantoria, mesmo sendo de um verdadeiro artista? Somente se ela tiver um transtorno esquizoide onde não se diferencia do mundo… Mas aí ela não ia ser este tipo de pessoa.

Infelizmente o manauara classe-média é abestalhado e escotomizado, vivendo em seu delírio de consumidor e nunca de produtor e cidadão de sua responsabilidade com o mundo e com a história.

Não sabemos até quando a não-cidade de Manaus vai continuar não dando espaço para a arte e as produções. Mas sabemos que afinadamente a presença de Luiz Melodia, quanto tantos outros artistas vai passar batido por aqui, até que o povo produza artistas que façam parte de sua história e auxiliem na transformação de seu tempo.

Dilma determina exoneração e afastamento de servidores indiciados pela PF

A presidenta Dilma Rousseff determinou, neste sábado (24) que todos os servidores indiciados na Operação Porto Seguro da PF sejam afastados ou exonerados de suas funções. A operação, deflagrada na sexta (23), resultou na prisão de diretores da ANA e da Anac, além dos indiciamentos da chefe do escritório da Representação da Presidência da República em São Paulo e do advogado-geral da União substituto, José Weber Holanda.

Najla Passos

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff determinou, neste sábado (24) que todos os servidores indiciados na Operação Porto Seguro da Polícia Federal (PF) sejam afastados ou exonerados de suas funções. A operação, deflagrada na sexta (23), resutou na prisão de três pessoas (incluindo o diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira, e o diretor de Infrestrutura Portuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Rubens Rodrigues Vieira), e no indiciamento de outras 18, como a chefe do escritório da Representação da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, e o advogado-geral da União substituto, José Weber Holanda.

Em coletiva à imprensa, a PF informou que o objetivo da operação, realizada em São Paulo e Brasília, foi o de desarticular uma organização criminosa que se infiltrou em diversos órgãos federais para a obtenção de pareceres técnicos fraudulentos, com o fim de beneficiar interesses privados. Segundo os investigadores, o inquérito policial que resultou na operação teve início em março de 2011, após denúncia de um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU). Ele afirmava que lhe ofereceram R$ 300 mil em troca de um parecer técnico para beneficiar um grupo empresarial do setor portuário.

No decorrer da investigação, a PF apurou que não se tratava de um caso isolado: uma quadrilha composta de servidores públicos e agentes privados agia cooptando outros servidores para acelerar a tramitação ou elaborar pareceres fraudulentos em benefício de interesses privados. Ainda segundo a PF, os investigados responderão, de acordo com suas ações, pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica e falsificação de documento particular, cujas penas podem ir de 2 a 12 anos de prisão.

O Planalto já confirmou a exoneração de Rosemary e José Weber. Já os irmão Paulo e Rubens, que estão presos, foram afastados das diretorias das agências e responderão sindicâncias administrativas. Como suas nomeações foram aprovados pelo Congresso, a presidenta achou mais prudente não exonerá-los antes da conclusão das investigações. Ela determinou também que todos os órgãos citados no inquérito abram processos de sindicância para apurar possíveis irregularidades: além da ANA, Anac e AGU, o Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Mídia culpa Lula
Na imprensa, o tom geral parece ser o de poupar a presidenta de quaisquer responsabildiades, e creditar o problema na conta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o jornal Estado de São Paulo, a Dilma está “muito irritada com toda a repercussão do caso e com respingos que este escândalo terá sobre o Planalto”. “Dilma tem insistido também que nada será barrado para impedir ou atrapalhar as investigações da PF”, atesta a repórter Tânia Monteiro na reportagem Dilma demite chefe do escritório da Presidência em São Paulo.

Ainda conforme a reportagem, “Dilma não gosta de despachar do escritório de São Paulo e só vai lá quando é absolutamente necessário. Nunca gostou de Rose, mas a manteve no cargo, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Rose é muito próxima. A presidente desde o início do processo está avisando que não vai passar a mão na cabeça de ninguém e o que tiver de ser investigado será”.

Em O Globo, as repórteres Maria Lima e Fernanda Krakovics atribuem a responsabilidade não só de Lula, mas também ao ex-ministro José Dirceu. Na reportagem “Preso pela PF, diretor da ANA foi apadrinhado por Lula e Dirceu”, elas informam que “Paulo Rodrigues Vieira teve padrinhos poderosos para chegar ao cargo: o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua secretária particular em São Paulo, Rosemary Noronha, e o ex-ministro José Dirceu”. Lembra que, ainda assim, a indicação causou polêmica no Congresso: “O nome de Vieira foi rejeitado em duas votações em 2009” e só foi aprovado no ano seguinte, quando, “o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), colocou a indicação novamente em apreciação”.

SABATINA MIDIÁTICA

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade.

Êxtase da informação: simulação. Mais verdadeira que a verdade. Jean Baudrillard

@ Operação Porto Seguro desencadeada pela Polícia Federal cumpriu seis mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão em São Paulo, interior e Brasília, além de Cruzeiro, Dracena e Santos com objetivo de desarticular uma organização criminosa infiltrada em órgãos públicos federais.

De acordo com uma nota divulgada pela Polícia Federal a “organização criminosa” se infiltrou em órgãos federais para obter pareceres técnicos falsos, com o objetivo de beneficiar “interesses privados”.

O inquérito foi aberto em março de 2011, e foi possível com a denúncia de um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU).

“Ele se viu envolvido num esquema no qual foram oferecidos R$ 300 mil para que elaborasse um parecer técnico para beneficiar um grupo empresarial do setor portuário.

Os investigados responderão, de acordo com suas ações, pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha, tráficos de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica e falsificação de documento particular, cujas penas podem ir de dois a doze anos de prisão”, diz trecho da nota da Polícia Federal.

@ Permanece Internado no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Moinho dos Ventos, em Porto Alegre, o criativo, ativista e ilustre escritor gaúcho, Luiz Fernando Veríssimo, com um quadro de infecção generalizada. Ele tem feito hemodiálise e vem respondendo conveniente ao tratamento embora esteja respirando com ajuda de aparelhos e seus estado ainda inspire cuidado.

Internado desde a última quarta-feira a causa de seu estado encontra-se sendo estuda pela equipe médica que vem lhe acompanhando. O bom, humorado e músico Veríssimo, continua sedeado, mas seus admiradores encontram-se de vigília para que ele se recupere logo e volte a criar suas crônicas alegres e políticas.

@ O exército israelense, mais uma vez, não respeitando o cessar-fogo entre Israel e o Hamas voltou a atacar a Faixa de Gaza desta feita matando um agricultor e ferindo dez pessoas. A informação foi passada por profissionais de saúde palestinos.

Após oito dias de acirrados confrontos, ontem Israel e o Hamas assinaram um acordo de cessar-fogo, mas hoje o exército israelense passou por cima do cessar-fogo e atirou em agricultores desarmados.

As Formas Armadas de Israel já mataram 162 palestinos, entre os mortos crianças e civis. A comunidade internacional o uso desproporcional de força. O Ibas, que é formado pela Índia, Brasil e África do Sul, e o Mercosul pediram que se busque um acordo de paz para que definitivamente cesse a crise na região.

Por sua vez, o governo brasileiro representando dia 22 pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, defendeu a posição internacional do direito de haver dois Estados, da Palestina e Israel.

@ Mano não conta mais com seus manos da CBF. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu – o já anteriormente decidido – que o técnico da Seleção Brasileira de Futebol não é mais o titular da pasta peladeira. Além de Mano, a CBF também demitiu os manos de Mano que formavam sua equipe técnica.

Durante o tempo que permaneceu na frente da seleção dos pernas-de-pau, desde julho de 2010, Mano não mostrou nada de criativo e competitivo em sua seleção amarelada. Perdeu torneios, taças e ganhou de algumas seleções galinhas mortas. Um lucro sofrível.

Agora, que Mano não fique na mão. Com jogadores-peladeiros como o mascarado Neymar, não há técnico que forme uma regular seleção. Aliás, a pergunta que se faz: Há técnicos no Brasil para dirigir a seleção?

Enquanto isso, Romário, do alto de seu ressentimento, como diz o filósofo Nietzsche, “ a culpa é dele”, comemora, como fazem os falhos de inteligência. Como se mudar um técnico de futebol fosse “baixar o preço do peixe”. Ele disse que a saída de Mano é um dia histórico. Romário mais uma vez mostra que carrega o mais baixo grau de inteligência. Não tem qualquer conhecimento do que seja história, quanto mais um dia histórico. E mais, ainda pede que os torcedores festejem. Coisas de Romário.

Tudo ao contrário

O diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Jr., e o contraventor Carlinhos Cachoeira, que acaba de ser condenado por formação de quadrilha e tráfico de influência, mantiveram uma longa relação baseada na troca de favores. Verdade factual.

Há provas irrefutáveis de que Cachoeira executou grampos a pedido de Policarpo Jr. e organizou a operação para monitorar os movimentos de José Dirceu, cujos resultados geraram uma capa da semanal da Abril. Provado está também que o ex-senador Demóstenes Torres ganhou as célebres páginas amarelas de Veja, prontas a apresentá-lo como um varão de Plutarco, em atenção a uma solicitação de Cachoeira. Investigações da Polícia Federal revelaram que, durante a feliz parceria, o profissional e o contraventor mantiveram mais de 200 conversações pelo telefone.

Situações similares em outros países provocaram a expulsão de jornalistas não somente de suas redações, mas também, e sobretudo, das próprias entidades da categoria. Por ter formulado acusações falsas, um diretor de redação italiano pagou recentemente pela culpa do seu jornal e foi condenado a alguns anos de reclusão. No Reino Unido, Rupert Murdoch teve de sair do país por ter praticado façanhas muito parecidas com aquelas cometidas pela Veja de Policarpo Jr.

No Brasil, causa surpresa, se não espanto, o fato de que o deputado Odair Cunha, relator da CPI do Cachoeira, peça o indiciamento do diretor da sucursal abriliana entre o de outros cidadãos sob suspeita, encabeçados pelo governador Marconi Perillo. Solicita também investigação a respeito do procurador-geral da República Roberto Gurgel. Ao todo, 46 nomes, e muitos jornalistas, embora sem a ressonância de Policarpo Jr. Donde já me apresso a preparar meu coração e meus ouvidos para a tradicional ladainha, a denunciar o assalto à liberdade de imprensa. Como é do conhecimento até do mundo mineral esta, nas nossas latitudes, corresponde à liberdade dos barões midiáticos e dos seus sabujos de agirem como bem entendem. Manipulam, omitem, mentem.

Quando a verdade factual dos comportamentos de Policarpo Jr., e portanto da Veja e da Abril, veio à tona faz meses, até um Marinho se moveu do Rio no rumo de Brasília para um encontro com o vice-presidente da República, Michel Temer, a fim de alertá-lo sobre os riscos que a mídia da casa-grande sofreria caso o parceiro de Cachoeira fosse chamado a depor na CPI. Logo, uma figura graúda da Abril seguiu-lhe os passos para reproduzir o alerta. Se havia um plano de convocar Policarpo Jr., este abortou. Temer sabe mexer seus pauzinhos.

De todo modo, a mídia está de prontidão. Alinhados, como sempre do mesmo lado, os jornalões agora acusam o relator da CPI de ter cedido às pressões do seu partido, o PT, que dúvida! Ora, ora, acabamos de viver, nós, de uma forma ou de outra privilegiados, as consequências do processo do chamado “mensalão”. Vimos o Supremo Tribunal Federal, representante do terceiro poder da nossa democracia, perpetrar desatinos jurídicos sem conta, ao usar, inclusive, uma interpretação inaplicável nas circunstâncias. Tratou-se de um julgamento eminentemente político. Nele o STF curvou-se às pressões da mídia em vez de atentar para os sentimentos da maioria da população, desinteressada do êxito da demanda. Nesta edição leiam, a propósito, a instrutiva coluna de Marcos Coimbra.

Não pretendo afirmar, com isso, que o PT no poder não se portou como os demais partidos. Chegou ao cúmulo de imitar os tucanos dos tempos da Presidência de Fernando Henrique Cardoso. Sim, portou-se e imitou, mas a maioria dos brasileiros está mais atenta aos resultados dos governos Lula e Dilma. Para a mídia, entretanto, só pesam os interesses da casa-grande, e a determinação apoia-se com firmeza inaudita na desfaçatez e na prepotência, de sorte a me arriscar a um vaticínio: o pedido de indiciamento de Policarpo Jr., este no mínimo, vai naufragar no oblívio. Donde, as raposas podem sossegar.

Há coisas que não entendo. Consta que a história é escrita pelos vencedores, no entanto, na hora de vazar as informações básicas a respeito do seu relatório, o valente Odair Cunha, que, aliás, começou a fraquejar no dia seguinte à divulgação do relatório, entregou o ouro ao Jornal Nacional da Globo. O qual, está claro, nada falou a respeito de Policarpo Jr. No fundo, até os senhores do poder petista, salvo exceções, gostam de aparecer no vídeo global ou nas páginas amarelas de Veja.

Observem: houvesse eleições presidenciais hoje, Dilma Rousseff esmagaria qualquer competidor da oposição. E Lula ganhou anteontem a parada paulistana ao levar Haddad à prefeitura contra o cada vez mais preparado José Serra. Não consigo escapar ao costumeiro diálogo com os meus botões. Será que, neste singular, insólito, quem sabe único país chamado Brasil, os vencedores atuam como perdedores e vice-versa?

Mino Carta

 


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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