Arquivo para 13 de novembro de 2012

COMISSÃO ORGANIZADORA DA 3ª CONFERÊNCIA GLOBAL SOBRE TRABALHO INFANTIL É INSTALADA

Em cerimônia no Itamaraty, a comissão organizadora da 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil foi instalada, por meio da assinatura de portaria interministerial. Durante a assinatura as autoridades brasileiras assumiram a responsabilidade de liderar o balanço sobre os progressos e os desafios que deverão ser identificados na atuação do Brasil e de outros países para o combate de trabalho de crianças e adolescentes. O Brasil é o primeiro país não europeu a sediar a conferência.

Pela parte da tarde os representantes do governo, de órgãos atuantes na área e a sociedade civil debateram o formato da conferência, as atividades e o conteúdo das discussões durante o evento que ocorrerá em outubro de 2013, em Brasília.

“Temos que garantir que o debate avance dentro do Brasil. Esse é um grande desafio, fazer com que a conferência seja encarada como uma oportunidade para o país. A partir de hoje, passamos a intensificar o debate.

Temos que combater o trabalho difícil de ser localizado, o que exigirá mais da fiscalização, com campanhas e um conjunto de novas políticas para tirarmos da invisibilidade essas crianças e adolescentes. Esses são pontos que nos desafiam a avançar”, discursou a ministra Tereza Campello do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Para a ministra, o Brasil deverá inovar para lidar com as novas características entre as crianças e adolescentes que já foram identificadas pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos dados da pesquisa mostra que a maioria dos jovens que trabalha também estar na escola e faz parte de família com renda superior a meio salário mínimo per capita, cerca de R$ 311, muito diferente da situação na década de 1990.

Segundo o último Relatório Global sobre Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 2011, há mais de 250 milhões de crianças entre 5 e 7 anos trabalhando no mundo. Para Laís Abramo, diretora da OIT no Brasil, o Brasil deve atuar em três pontos durante a conferência.

  1. –Solidariedade em relação a outros países que não alcançaram os mesmos níveis brasileiros de avanços nas discussões e nos debates sobre o tema.
  2. –Diálogo social para analisar e compartilhar as formas de superar as insuficiências que ainda persistem tanto no âmbito nacional quanto internacional.
  3.  –Exercício da liderança para o avanço no debate.

Para o ministro do Trabalho, Brizola Neto, o trabalho infantil é uma mácula no processo de desenvolvimento nacional, mesmo com os avanços no mercado de trabalho e dos ganhos salariais promovidos nos últimos anos pelas políticas sociais e de valorização do salário mínimo.

MINISTRO LEWANDOWSKI CRITICA MINISTRO BARBOSA POR ELE TER MUDAR A ORDEM DAS PENAS DOS RÉUS

Na semana passada o ministro ídolo da extrema-direita reapresentada pela burguesia-ignara e pela corporação mídiaimbecilizante fantasmaglorificada pela Globo, Veja, Folha de São Paulo, Época, Estadão e outras congêneres, Joaquim Barbosa, relator do alcunhado mensalão, disse que nessa semana o núcleo que iniciaria as determinações das penas seria o financeiro. Mas como o julgamento estar de acordo com as cores sombrias da inversão da razão, o idolatrado ministro, paladino da classe espectral, chegou e fez valer seu sentido imperioso: resolveu começar a apresentar as penas dos réus do núcleo político. E para impressionar mais sua claque, anunciou a pena de José Dirceu em mais de dez anos. Um espasmo nos alucinados sentidos dos trapaceiros que aplaudem esse espetáculo já censurado internacionalmente.

Foi então que diante da mudança imperiosa, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor da Ação 470, com seu garbo de jurista republicano e inteligência democrática, protestou. Ele se confessou surpreso com o fato de Joaquim Barbosa resolver pessoalmente mudar o que estava combinado sem avisar os outros ministros.

“Eu não aceito surpresas, senhor relator. A imprensa está surpresa porque anunciou que seria o núcleo bancário. Não é possível procedermos desta forma. Eu estou surpreso, os advogados, e seguimos as regras, da publicidade e da transparência”, criticou o ministro Lewandowski.

Até o confortado ministro Marco Aurélio se posicionou contra as mudanças repentinas no programa do julgamento, mas o ministro alegria da claque reacionária não se preocupou. Do alto de seu trono confortou seus pares.

“São apenas seis penas, e superado esse grupo, acho que andaremos mais rápido”, respondeu.

Por sua vez, os que pretendem um Brasil justo, e homens públicos justos da jurisprudência, esperam que os ministros sejam rápidos nos julgamentos dos processos do mensalão do PSDB. Esse sim, com provas condenatórias. Segundo os que os conhecem.

JOSÉ DIRCEU DIZ QUE NÃO SE CALARÁ E NÃO SE CONFORMA COM A INJUSTA SENTENÇA

Dediquei minha vida ao Brasil, a luta pela democracia e ao PT. Na ditadura, quando nos opusemos colocando em risco a própria vida, fui preso e condenado. Banido do país, tive minha nacionalidade cassada, mas continuei lutando e voltei ao país clandestinamente para manter nossa luta. Reconquistada a democracia, nunca fui investigado ou processado. Entrei e saí do governo sem patrimônio. Nunca pratiquei nenhum ato ilícito ou ilegal como dirigente do PT, parlamentar ou ministro de Estado. Fui cassado pela Câmara dos Deputados e, agora, condenado pelo Supremo Tribunal Federal sem provas porque sou inocente.

A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus.

Um julgamento realizado sob a pressão da mídia e marcado para coincidir com o período eleitoral na vã esperança de derrotar o PT e seus candidatos. Um julgamento que ainda não acabou. Não só porque temos o direito aos recursos previstos na legislação, mas também porque temos o direito sagrado de provar nossa inocência.

Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta. Vou lutar mesmo cumprindo pena. Devo isso a todos os que acreditaram e ao meu lado lutaram nos últimos 45 anos, me apoiaram e foram solidários nesses últimos duros anos na certeza de minha inocência e na comunhão dos mesmos ideais e sonhos.

Carta aberta em apoio à Comunidade Vila Oliveira, do Recife

Na noite do dia 6 para o dia 7 de novembro de 2012, vinte famílias da comunidade Vila Oliveira foram expulsas de suas casas. Assistiram em seguida à destruição das suas habitações, construídas com suor e trabalhos próprios há mais de 30 anos. O nome do cinturão: imissão de posse. O pai, sem rosto, é a autoridade invisível da justiça. O caso da Vila Oliveira não é um fato isolado no Recife.

Direitos Urbanos – Recife

Se alguém na semana passada tivesse se informado apenas pelos jornais tradicionais, ficaria sabendo que moradores da Vila Oliveira em Recife protestavam, tal como na letra de Chico Buarque, “na contramão, atrapalhando o tráfego”. Mais uma comunidade havia sido removida, gerando os choros e resmungos de sempre, causando os transtornos habituais no trânsito. Por trás desse enredo contado pelos jornais, como se fosse mais uma recorrência de um mesma narrativa, há a história das pessoas da Comunidade Vila Oliveira, que perderam suas casas – e tantas outras coisas intangíveis – de maneira arbitrária e absurda.

Diante da cobertura pela imprensa onde as informações eram descuidadas, imprecisas e a postura arrefecida, o contato direto com a comunidade ou com as pessoas a ela vinculadas nas ações de resistência, assim como a consulta também direta às sentenças judiciais se constituíram como as únicas formas de conhecer a história concreta do processo e da luta para tentar revertê-lo. Assim formou-se uma rede de apoio, de circulação de informação e de análise coletiva dos fatos, da qual a carta abaixo, publicada originalmente pelo grupo ‘Direitos Urbanos | Recife’, é um dos resultados.

O Direitos Urbanos é um grupo de facebook que se consolidou ao longo deste ano em Recife como uma plataforma de debate e de mobilização em torno dos problemas da Cidade e suas implicações nas esferas pessoal, coletiva e pública. Apesar de não haver opiniões unívocas a respeito dos temas debatidos no grupo, nem um sistema de representação estruturado, tem sido sua prática que membros do grupo se reúnam em momentos críticos para expressar suas idéias em defensa de certos valores e objetivos, de forma que esta carta contém sentimento e disposição coletivos.

Carta aberta ao povo do Recife em apoio e solidariedade às famílias da comunidade Vila Oliveira

“Sozinho, vi-o de novo cruel e forte, soprando, espumando. E ali permaneci, miúdo, insignificante, tão insignificante e miúdo como as aranhas que trabalhavam na telha negra. Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.“ (Graciliano Ramos)

A epigrafe é um trecho de um capítulo do livro Infância, de Graciliano Ramos. Nela, o escritor adulto lembrava de um cinturão com o qual seu pai, por alguma razão e do seu lugar de autoridade absoluta da casa, bateu violentamente nele quando criança, acreditando que o menino havia escondido o maldito objeto. O pai, depois da surra, logo em seguida, encontrara a correia dentro da rede. Ele mesmo a havia perdido. Questão crucial: como tirar a dor do menino e as marcas da violência deixadas no corpo? Como falar de justiça, de ressarcimento, quando a autoridade máxima foi a responsável pelo ato assimétrico de aplicação da violência? O silêncio do pai, incapaz de autocrítica, era o sentido da sentença mórbida sentida no corpo a chicotadas.

Na noite do dia 6 para o dia 7 de novembro de 2012, vinte famílias da comunidade Vila Oliveira foram expulsas de suas casas. Assistiram em seguida à destruição das suas habitações, construídas com suor e trabalhos próprios há mais de 30 anos. O nome do cinturão: imissão de posse. O pai, sem rosto, é a autoridade invisível da justiça.

A área havia sido desapropriada em 1988, ano da Constituição Federal, pelo governo Arraes, que deu posse aos moradores. De 1993 a 2009 se arrasta o processo de contestação aberto pelos pretensos proprietários, com ganho de causa dos moradores em primeira instância. No entendimento do juiz, apesar de o terreno em questão tenha ficado de fora do alcance do decreto de desapropriação por ter sido previamente vendido pela Santa Casa, a boa fé dos moradores ao ocupar uma área fisicamente indistinguível do terreno desapropriado, seu uso familiar e o lapso temporal transcorrido entre a ocupação e a resistência dos proprietários, de pelo menos oito anos segundo a perícia ordenada pela Justiça, eram elementos suficientes para caracterizar um caso de usucapião especial urbano, previsto pela Constituição.

Entretanto, o Tribunal de Justiça de Pernambuco, em 2011, reverteu a decisão do primeiro grau, com base em uma interpretação profundamente equivocada dos requisitos para o usucapião especial: o acórdão, relatado pelo desembargador Adalberto de Oliveira Melo, considerou que a área do terreno, de 1008m², excedia o limite de 250m² previsto para o usucapião urbano, fechando os olhos ao fato de que a posse desse terreno estava dividida por cerca de vinte famílias. O acórdão também fez questão de ressaltar o inciso XXII do artigo 5º da Constituição, o que garante do direito de propriedade, sem levar em conta que o inciso seguinte afirma: “a propriedade cumprirá sua função social”.

Sem assistência jurídica adequada, as famílias perderam o prazo para recurso e a decisão transitou em julgado em agosto de 2011, sem que nem mesmo o Ministério Público se pronunciasse a favor do interesse social, do direito à moradia e à dignidade daquelas pessoas. Presente em todas as fases do processo, o MP limitou-se a endossar as pretensões dos proprietários. Por fim, o governo do estado, através da Perpart, sucessora das obrigações da Cohab, tentou anular o processo, alegando não ter sido chamado como parte, porém não conseguiu sustar a ação de despejo. O mérito da ação da Perpart continua em aberto, mas os efeitos de um processo que pode vir a se mostrar nulo já aconteceram.

Uma vez tomada a decisão judicial, sua execução pelo Estado aconteceu da pior forma possível: de maneira truculenta, com presença do batalhão de choque, sem ao menos garantia de moradia, abrigo ou ajuda financeira para as pessoas, sem controle público, a ponto de a um dos advogados da parte ganhadora do processo ter sido permitido dar uma marretada na casa de uma senhora antes do início da desocupação. Diante dessa violência, não durou muito a resistência dos moradores. A assistência do Governo do Estado chegou tardiamente, após o despejo e a destruição das casas, após noite e dia de completo e concreto abandono, com a promessa de relocação para conjuntos habitacionais próximos e cadastramento para auxílio aluguel de ínfimos R$150,00. É uma cena que, a despeito dos seus efeitos drásticos para a vida daquelas famílias e para o resto da cidade, somente se repete, se torna comum, e muitas vezes só vira notícia quando atrapalha o trânsito. Com mais ou menos pesar, todo mundo acaba pensando: “é assim que acontece”.

É de dentro dessa naturalização que nos acostumamos com a idéia de que imissão ou reintegração de posse vêm sempre junto com remoção forçada e desrespeitosa, com abandono, com desamparo e com humilhação. É desse mesmo lugar que tendemos a não perceber a hierarquização que há nesse tipo de remoção em relação ao próprio direito à propriedade: do dono da terra, conforme reconhecido oficialmente, e do dono dos pequenos bens sobre a terra, dentro da casa: roupas, brinquedos, memórias, máquinas, ferramentas, etc.

No limite, o que determinou a expulsão das pessoas e destruição das casas foi uma interpretação equivocada e excessivamente estrita das condições para a aplicação do usucapião, além de formalidades processuais, que, no conjunto, nada têm a ver com princípios fundamentais, garantidos pela Constituição Brasileira e pelos principais acordos internacionais em favor da Pessoa, como o direito à moradia, a dignidade da pessoa humana, e a função social da propriedade. E menos ainda têm a ver com a relação concreta dos moradores com o espaço que construíram e onde viveram até esta semana, espaço que era seu suporte para estar conosco na cidade.

Essas pessoas têm direito não só às casas que construíram, como à terra que, na verdade, criaram: como boa parte da maré do Recife, o aterro foi feito a braço sobre o alagado pelos moradores hoje expulsos, numa época em que não havia a perspectiva de valorização que se verifica hoje no Pina (e que coincide com o novo acirramento da disputa pelo terreno). Nesse período, seu valor era reconhecido exclusivamente pelos próprios moradores, através do uso e do vínculo. Por um certo tempo, os moradores da Vila Oliveira foram tolerados no Pina enquanto estavam ocupando um resto de cidade. Mas, com o aporte de investimentos públicos e privados na área, tais como o Shopping Rio-Mar, a Via-Mangue e o Projeto Novo Recife, associados à saturação da exploração imobiliária de Boa Viagem, o Pina se tornou um novo foco de atenção e comunidades pobres que levantaram o lugar e construíram suas histórias misturadas à dele repentinamente deixaram, aos olhos desse “progresso”, de caber ali. Por isso, o caso da Vila Oliveira não pode ser visto como um fato isolado: soma-se a outros na região, como o da Comunidade do Bom Jesus, destruída pela Prefeitura em maio deste ano.

Há que se encontrar o caminho dentro do Direito para corrigir a situação no que ela ainda tiver de reversível ou compensável. Principalmente quando o histórico do lado frágil, confirmado pelo episódio de ontem, é quase sempre o do desespero diante do Direito. Não poucas as vezes, é o mesmo o Direito que vem esmagando e tirando os pingos de esperança das populações mais vulneráveis (como não seria se o lado fraco é sempre tão miúdo e insiginificante?) revelando que a justiça, pretensamente neutra, tem tido lado definido ao longo de nosssa história. Não se trata de uma somatória de escolhas pontuais pelo lado mais forte, mas de uma escolha estrutural, historicamente construída. Essa escolha se dá com contornos particulares no Brasil, na maneira como a Justiça (as políticas públicas e as relações sociais) permite(m) manejos e acomodações ao longo de um tempo mais estendido de forma que, vencida(s) pela força ou pelo cansaço, sempre cede(m) à pressão do mais forte em detrimento do mais fraco que deveria proteger.

Esperamos do Estado a devida assistência social, econômica e jurídica às famílias, para a garantia de sua dignidade e a continuação da sua vida construída junto com a Vila Oliveira, bem como esperamos da mídia que ela exerça seu papel fiscalizador do Estado na defesa dos direitos básicos da população. Mas, além disso, é urgente a revisão por todas as partes – o Estado, a mídia e a sociedade civil – das falhas que permitiram esse desfecho, visando à máxima diminuição e compensação dos danos, e à atenção redobrada para que essa situação não se repita em outras áreas submetidas a condições semelhantes, que não são poucas. Não adianta a política de oferecer assistência e parecer comprometido somente depois que uma longa história de desatenção, abandono e seletividade no acesso à justiça e aos direitos que produzem efeitos irreversíveis nas vidas das pessoas. O Estado tem a obrigação de se antecipar e agir sistemática e estruturalmente para proteger as pessoas no seu direito à dignidade, à moradia e à cidade, sem precisar ser obrigado a isso pela comoção e a vergonha diante de uma tragédia.

É em solidariedade aos moradores da Vila Oliveira, em atenção aos demais residentes em áreas do mesmo tipo e em apelo aos responsáveis nomeados acima que esta carta foi elaborada, construída coletivamente a partir do debate travado através do Grupo Direitos Urbanos | Recife no Facebook. Aqueles que compartilharem a mesma indignação e as mesmas opiniões, podem somar suas assinaturas nos comentários eletrônicos ao texto publicado no blog Direitos Urbanos | Recife.

Recife, 9 de novembro de 2012.

Direitos Urbanos | Recife

O futuro das relações entre China e América Latina

Em entrevista à Carta Maior, Sun Hongbo, professor do Instituto de Estudos Latinoamericanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, fala sobre o presente e o futuro das relações entre China e América Latina. “A atual crise econômica mundial criou oportunidades estratégicas para que China e América Latina reforcem suas relações. Tanto na China como na América Latina está ocorrendo uma notável expansão da classe média que implica que o consumo doméstico terá um papel muito mais importante”, diz Hongbo.

Marcelo Justo

Londres – A China muda de dirigentes neste mês de novembro em um momento crítico da economia mundial. Enquanto os países industrializados enfrentam anos de incerteza e própria economia chinesa está desaquecendo, sua relação com a América Latina parece andar de vento em popa. Entre 2001 e 2011, o comércio cresceu cerca de 30% ao ano, rondando os 24 bilhões de dólares no ano passado. Em junho, durante sua visita a América Latina, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao propôs duplicar os intercâmbios e deu o pontapé inicial para um tratado de livre comércio com o Mercosul. Neste concerto, o Brasil ocupa um lugar, tanto por seu potencial econômico como por seu peso diplomático. Mas nem tudo são flores. Segundo os críticos, as relações com a China mostram traços do velho modelo colonialista baseado na exportação de matérias primas e importação de produtos com valor agregado. A Carta Maior conversou sobre o tema com o professor do Instituto de Estudos Latinoamericanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Sun Hongbo.

CM: Em sua recente visita a quatro países da América Latina, o premier Wen Jiabao indicou que quer duplicar o comércio com a América Latina em cinco anos. Isso se dá em um momento no qual os principais sócios comerciais da China – Estados Unidos, União Europeia e Japão – têm sérios problemas que, muito provavelmente, exigirão anos para serem resolvidos. Pode-se dizer que essa é uma das razões pelas quais a China aumentou seu interesse na América Latina?

Sun Hongbo: A atual crise econômica mundial criou oportunidades estratégicas para que China e América Latina reforcem suas relações. Se comparamos a relação atual com a que havia antes da crise de 2008, é óbvio que os laços com a região se intensificaram. Mas a China sempre adotou uma perspectiva estratégica de longo prazo em sua relação com a América Latina. Esse interesse ficou claramente explicitado no discurso do premier Wen Jiabao na Cepal em junho quando anunciou o estabelecimento do fundo de cooperação China-América Latina com mais de US$ 15 bilhões. Em nível comercial, o volume do intercâmbio China-América Latina registrou no ano passado um aumento de quase 100% em relação a 2009.

O investimento direto e os empréstimos da China à região aumentaram de maneira extraordinária. No final de 2011, os investimentos chegaram ao redor de US$ 54 bilhões. A isso, somam-se os empréstimos comerciais do Banco de Exportação e Importação chinês e do Banco de Desenvolvimento que firmou linhas de crédito com 12 países latino-americanos para mais de 60 projetos de desenvolvimento e infraestrutura.

CM: Neste concerto, o Brasil ocupa um lugar muito especial.

Sun Hongbo: O Brasil é o principal sócio comercial na região e um destino privilegiado dos investimentos chineses. Isso se nota desde o próprio Brasil: a China ultrapassou os Estados Unidos como primeiro sócio comercial. Está em curso uma extraordinária cooperação nas áreas de mineração, petróleo, agricultura, indústria automotriz, alta tecnologia, ciência espacial, infraestrutura, educação, etc. Além disso, em nível diplomático, a partir de uma perspectiva multilateral, a aliança China- Brasil vem tendo um forte impacto mundial.

CM: Apesar desta importância estratégica do Brasil e da América Latina, o certo é que os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão representam duas terças partes do consumo mundial. Nem Brasil, nem América Latina podem competir com isso.

Sun Hongbo: Não resta dúvida que o consumo dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão é muito importante, mas ao mesmo tempo há um deslocamento do centro de gravidade das economias industrializadas para as emergentes. Esta transição vai demorar um tempo. Tanto na China como na América Latina está ocorrendo uma notável expansão da classe média que implica que o consumo doméstico terá um papel muito mais importante. A isso, deve se acrescentar que tanto a China como a América Latina tem certas vantagens para avançar na direção de produtos de maior valor agregado, apesar da dependência da América Latina em relação aos seus produtos primários.

CM: Precisamente, Venezuela, Brasil, Argentina e Equador são os grandes destinatários de empréstimos chineses. As prioridades chinesas parecem claras: energia e alimentos. No Brasil e no resto da América Latina existe preocupação de que a influência chinesa reforce uma primarização econômica. É possível ter uma relação bilateral mais equilibrada?

Sun Hongbo: As relações entre China e América Latina são, ao mesmo tempo, complementares e de competição. A preocupação que você menciona surge de concentrar-se mais na competição do que na complementariedade. A China não quer ter um superávit comercial com a América Latina, mas sim uma relação equilibrada e sustentável. Em termos de recursos naturais como o cobre, petróleo, carne e soja, a China vai continuar sendo um grande importador da América Latina. O problema não é ter recursos naturais, mas sim o que fazer com eles. Em toda a indústria, incluída a dos produtos primários, pode haver um alto desenvolvimento tecnológico. Um desafio para os países latino-americanos é a plena exploração desse potencial.

Tomemos o caso do lítico como exemplo. Argentina, Chile e Bolívia exportam lítio como matéria prima enquanto que Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos o utilizam em todo seu valor agregado para a indústria das baterias. Certamente que há setores como o têxtil, brinquedos, calçados e autopeças em que há competição. Mas creio que China e América Latina podem potencializar as cadeias de valor agregado global reforçando o investimento direto no interior de uma indústria.

CM: Em que áreas o Brasil poderia aproveitar melhor suas exportações para a China, na sua avaliação?

Sun Hongbo: O Brasil tem uma vantagem tecnológica em relação a outros países da América Latina. No marco atual, o Brasil pode exportar mais artigos agrícolas processados com alto valor agregado para a China. E tem o etanol e a exploração petrolífera. Creio que com o fortalecimento da cooperação científica, técnica e agrícola pode melhorar seu nível de competitividade na indústria manufatureira.

CM: A China e o Mercosul vão iniciar estudos preliminares para um tratado de livre comércio. Quais são as dificuldades e as vantagens que pode ter uma associação deste tipo?

Sun Hongbo: O Mercosul é uma plataforma estratégica para a China em sua relação com a América do Sul. A declaração conjunta da China e do Mercosul propôs seis iniciativas que não incluíam o tema do tratado do livre comércio. Ele foi abordado na vídeo-conferência que o premier Wen Jiabao teve com os líderes do Mercosul em junho. Creio que ainda é prematuro falar de tratado de livre comércio. É preciso que os membros do Mercosul tenham uma maior coordenação e consenso sobre o tema. O setor industrial do Mercosul provavelmente se opõe a essa agenda. Há um longo caminho a percorrer.

CM: Pode-se dizer que o crescente interesse que a China mostrou durante o giro do primeiro ministro Wen Jiabao, em junho, é uma política de estado? Pode haver mudanças com a eleição desta nova cúpula do Partido Comunista?

Sun Hongbo: O discurso do premier Wen Jiabao na Cepal em junho é a formulação da política de estado chinesa sobre a América Latina. Não haverá mudanças nesta política. A América Latina tem que formular agora sua própria política em relação a China.

Tradução: Katarina Peixoto


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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