Arquivo para 18 de dezembro de 2012

Herbert José de Souza, o Betinho – De Lá Pra Cá

Ação Penal 470 e Direito sensível: da corrupção a geração

Concluído o julgamento da Ação Penal 470, conhecida pela alcunha de Mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF), após quatro meses e meio (faltando ainda a redação do acórdão do processo e a análise de eventuais recursos), resta um tanto de discussões em torno da ciência do Direito e da ação do Direito em assuntos de interesse de toda sociedade, como é o caso da corrupção.

Ficou para o atual presidente do STF e relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, o papel de evidenciar a corrupção como um grande mal capaz de destruir a integridade de todo um país, logo tendo que ser combatida, através de ferramentas jurídicas de que dispõe a maior instância da justiça brasileira. Por esta razão, talvez, ele tenha declarado por ocasião do fim do julgamento: “Vocês nunca mais vão ouvir falar de uma ação tão longa, de um julgamento tão complexo”.

Indubitavelmente complexo. Mas entendamos: não pela complicação jurídica inerente à ação, mas porque reuniu uma série de interesses, próprios da produção da existência, que evidenciaram o jogo de afirmar e negar, de tornar algo absoluto e depois limitá-lo, tão exercitado pela ciência jurídica (Antonio Negri). 

Ao longo do processo, o primado deste jogo pode ser considerado a extenuante preocupação demonstrada por alguns ministros, principalmente por Joaquim Barbosa, e endossada pela mídia maior (representante das regras morais constituídas como fundamento dos vínculos sociais e das grandes representações sociais) de se manter uma luta contra a corrupção no campo político profissional do Brasil. Reivindicação antiga esta, tão antiga quanto o entendimento de que a corrupção é um ato que se fecha no desvio de dinheiro público por pessoas que cumprem mandatos políticos. Com a ação 470, tornou-se comum pensar que o combate a esta corrupção pode ser encontrado na normatividade exercida pelo Direito e que a justiça será cumprida se a decisão tomada sobre um julgamento desta natureza constituir um vínculo entre a decisão tomada e o texto da lei. Deste modo, entende-se que a justiça é realizada quando se é cumprida uma norma.

É óbvio o fato de que o Direito, em sua história e grandes escolas, acolheu a normatividade como forma de objetivar a produção da existência. Pode-se considerar óbvio, também, o fato de o normativismo ter ganhado uma forte identidade com o Estado e a organização de sua estrutura. Contudo, esta aparente obviedade pretende ocultar o lugar do Direito como sendo o das problematizações da existência, da potência e não do poder, da política e da democracia absoluta (Spinoza/Antonio Negri) e não da representação e do Estado. O lugar do direito, portanto, é o lugar da existência, da rua, onde as produções existenciais, constitutivamente, vão engendrando os próprios contratos, as leis, processos e ações responsáveis por compor a realidade, seja ela do poder, do Estado, do Direito e das decisões tomadas segundo o normativismo jurídico.

 

Poder Constituinte e Representação

De modo breve, o Poder Constituinte, na práxis constitutiva de Antonio Negri, é o movimento absoluto da potência criadora da multitudo, ou seja, a produção da existência pelas singularidades que resistem ao autoproduzirem-se, sem ser efeito de uma realidade constituída ou de uma classe, sem ser efeito de uma ideologia; é o trabalho vivo e criador que não é absorvido pelo poder constituído. Este conceito de poder constituinte problematiza uma crise engendrada pelo poder do Estado que tem, por fundamento, a representação.

Sabe-se que esta representação se deu devido à teoria do poder de Thomas Hobbes, na qual a alienação das liberdades individuais da multidão é necessária para impedir que haja a “guerra de todos contra todos”. É por medo que o contrato social se torna o poder do Estado, como organizador e tutor da sociedade, uma necessidade. E é a justiça (entenda-se Direito normativo) a responsável por mediar as relações entre sociedade e Estado. Esta perspectiva do poder do Estado encontra seus ecos nas teorias desenvolvidas por Rousseau e Hegel, citando apenas os mais influentes.

Muitas teorias da ciência do Direito, que trataram do poder constituinte, encerram-no na representação. O poder constituinte como fundamento da Constituição, como movimento livre de falas que vão desdobrando significados e sentidos, vai definindo-se à medida que se reduz à dinâmica orgânica dos poderes constituídos. Deste modo, o poder constituinte é absorvido pela representação e os elementos constitutivos de sua produção livre são regulados pelo poder do Estado e mediado pelo poder jurídico.

Neste caso, para usarmos um exemplo breve, as leis perdem sua característica de produção humana, de efeito de problematizações sociais, políticas e econômicas e passam a existir a partir de suas próprias sentenças. Pior ainda é o fato de surgir o pensamento de que a lei seria uma produção que teria seu inicio, meio e fim no poder legislativo, pois apagado o movimento de produção da lei nos agenciamentos que se encontram na existência material, ela é recolocada como função e ação pura de membros do poder legislativo.

Assim, a Ação Penal 470 imputou, à coerção da lei, a restrita responsabilidade de combater a corrupção. Segundo alguns, até mesmo passando por cima do poder legislativo (aqui). Mas isto pouco importaria, se percebermos o quanto o poder constituinte, enquanto potência criadora da multitudo resiste à sua subsunção ao poder constituído. Esta percepção contribui para que o poder e a ciência jurídica não sejam tratados somente dentro das categorias normativas, mas, pelo contrário, como produções existenciais onde o dever-ser do Direito positivo comece a fazer parte do ser como produção dos desejos. É aí que um direito sensível pode nos interessar.

 

Direito Sensível, Corrupção e Geração

Luís Alberto Warat afirma a necessidade de se elaborar outra concepção do Direito que esteja apartada do normativismo. Para Warat, “O mundo do Direito, suas práticas, discursos, representações simbólicas e circunstâncias institucionais, seguem apresentando um núcleo muito forte de inacessibilidades, quase blindado, a qualquer aproximação interpretativa ou reflexão filosófica.” Seguindo os estudos da vida reflexiva de Warat, pode-se compreender esta afirmação de modo radical: o Direito se afastou da vida, isto é, do movimento material e espiritual (logos/verbo/razão) da produção da existência, que conta com uma política e economia dos afectos, com uma produção das singularidades, da produção da alteridade como aproximação e afirmação das diferenças, da potência que não se reduz ao poder, de um amor político que vai além das instituições prescritivas.

Este direito pode ser chamado de sensível. É sensível, pois não concebe o Direito como algo estranho à produção da existência. O Direito não é concebido de modo arbitrário, mas é compreendido pelos vários modos de ser que compõe percepções novas, isto é, percepções que procuram se afastar dos sentimentos constituídos e desenvolver entendimentos na materialidade da existência de modo radical, indo à raiz do que é produção humana e a problematizando. A verdade do Direito não consistiria no normativismo, mas na produção de saberes e das práticas que fazem com que estes saberes sejam capazes de construir outras vivências. Em uma palavra: estas mudanças jurídicas reivindicam não apenas direitos e deveres, mas acima de tudo, uma práxis constitutiva das singularidades, aonde a produção da existência venha não do universal abstrato, mas de proposições subjetivas capazes de afirmar diferenças e reinventar o campo do real.

Com efeito, do modo em que este texto vem se desenvolvendo, a corrupção não pode ser entendida dentro das modulações do Direito normativo que se identificam com o Estado. A corrupção, segundo esta concepção, encontra seu lugar nos regimes de governo e na contradição de seus atos. Assim, só poderiam ser resolvidos a partir de suas próprias categorias normativas. A corrupção aqui é concebida, segundo Antonio Negri e Michel Hardt, como o rompimento da cadeia de desejos. A corrupção é o que enfraquece e até esvazia a produção ontológica, fazendo da existência apenas a reprodução da perversa realidade capitalista que anula as singularidades.

Deste modo, a corrupção é um alastramento das práticas responsáveis por fazer do bem comum um punhado de pressupostos a serem seguidos como imagens morais impostas. A corrupção está em todo lugar onde o capitalismo estiver, ou seja, em todo lugar onde o individual ocupa o lugar da solidariedade da comunidade e transforma a existência e os objetos e práticas dela resultante em fetichismos para a manutenção do poder do capital.

A Ação Penal 470 trabalhou com o sentido de corrupção reduzido a regimes de governo e não fez com que o Direito se aproximasse da vida. Não tomou o Direito de modo generativo. A geração é o que combate a corrupção, ou seja, os modos de ser moldados pelo capitalismo. A geração é da ordem do desejo, da produção, de uma nova subjetividade que problematize a materialidade da existência. Somos nós, nosso trabalho, nossas ações, a composição de nossos afectos que produzem o mundo.

“Para que a geração ocorra, o político precisa ceder ao amor e ao desejo, isto é, às forças fundamentais da produção biopolítica. A política não é aquilo que nos ensina hoje o cínico maquiavelismo dos políticos; é, antes, como o democrático Maquiavel nos diz, o poder de geração, desejo e amor. A teoria política precisa se reorientar nessa linha e assumir a linguagem da geração” (Antonio Negri e Michel Hardt).

Tornou-se um senso comum dizer o quanto é inelutável a verdade normativa do Direito. Mas podemos sim exercitar a geração como alternativa para um Direito que esteja mais próximo da produção da existência. Não sendo assim, estaremos reduzidos à crença de que somente existimos quando somos representados pelo poder constituído.

Lançado Portal Compromisso e Atitude

Do Portal Brasil

 

O novo site é destinado para que os agentes de direito e justiça o utilizem como instrumento para o trabalho e fonte segura de dados, doutrinas e jurisprudências

 

Operadores do Direito e da Justiça, como advogados, juízes, procuradores, defensores públicos e promotores já podem contar com o portal Compromisso e Atitude, um importante instrumento para os casos de crimes contra as mulheres. Fonte segura de dados, o site reúne doutrinas, jurisprudências, estatísticas e artigos sobre violência doméstica e familiar e sobre a Lei Maria da Penha.

A ferramenta faz parte da campanha “Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha – A Lei é mais forte” e é fruto de parceria entre a Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, o Ministério da Justiça e o sistema de Justiça. Além de notícias e informações sobre a legislação referente à violência contra a mulher, o portal possibilita o acesso a convenções e tratados internacionais, normas, recomendações e manuais. São apresentadas, ainda, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No item estatística, por exemplo, os visitantes podem obter dados nacionais e internacionais de casos de violência contra as mulheres. Os casos emblemáticos de assassinatos e outros crimes contra brasileiras estão postados na seção Justiça em Ação. E, em Serviços, operadores e operadoras de justiça encontrarão políticas públicas para o enfrentamento a esse tipo de violência.

O lançamento do portal marca o fim da primeira fase da campanha, que contou com o lançamento nas cinco regiões do Brasil.

De acordo com a juíza Luciane Bortoleto, que auxilia na coordenação das ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relacionadas à Lei Maria da Penha, a intenção é que o portal seja ferramenta completa, de acesso para o público, no entanto mais voltado para o operador do direito. “O portal vai ser de grande contribuição, principalmente para os profissionais que trabalham com uma gama de assuntos e não especificamente com a lei”, afirmou.

 

BRASIL ALCANÇA META DA ONU PARA MORTALIDADE INFANTIL

Segundo pesquisas feitas em “Estatísticas do Registro Civil 2011″, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de mortalidade infantil no país em 2011 era 16,8 óbitos por cada grupo de mil habitantes, índice que está dentro da taxa estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Embora estes números já reflitam um avanço na saúde pública o gerente da pesquisa do Instituto, Cláudio Crespo, afirma que este número ainda é alto se comparado com outros países como Cuba onde a taxa é cinco mortes por cada grupo de mil. Sabemos que a realidade social de cada país é única e que sua evolução também, porém espera que o Brasil continue deixar esta taxa cada vez menor.

O estudo nostrou que o componente pós-neonatal (mortes de crianças com idade entre 28 e 364 dias) prevalecia no Brasil até o fim da década 1980, quando passou a predominar o componente neonatal que em 2011 atingiu 68,3% do total de óbitos de menores de 1 ano.

Cláudio afirma a importância deste avanço mas a preocupação de sempre avançar mais: “É evidente que o país avançou nessa questão da mortalidade infantil, o que fez com que atingisse, com dois anos de antecedência, as metas fixadas no programa Objetivos do Desenvolvimento do Milênio [compromisso universal da Organização das Nações Unidas para a erradicação da pobreza com a sustentabilidade do planeta], mas 48% das mortes infantis no país são de crianças com idade acima do prazo de seis dias”.

Cláudio Crespo ressaltou que nos países mais desenvolvidos, onde a taxa de mortalidade infantil é baixa, o percentual é sempre até seis dias e, em geral, ligado a problemas congênitos. “Então, quanto mais dias passam, mais as mortes estão ligadas a problemas sociais – o que significa que ainda há espaço para uma redução maior da taxa de mortalidade infantil no país”, disse.

Os avanços do Brasil segundo o IBGE ocorreram devido a melhora nas questões estruturais relacionadas às áreas de saneamento e acesso à saúde. E a tendência é que a mortalidade infantil se iguale a outros países quanto o período em que é mais comum de ocorrerem óbitos (até 6 dias de vida) e que no Brasil já conta com 51,8% dos casos. “Nos países mais desenvolvidos,a mortalidade infantil ocorre basicamente (cerca de 90%) entre as crianças até seis dias de vida – e geralmente de causas congênitas”, explica Crespo.

DATAFOLHA DIVULGA O QUE O POVO QUER: DILMA E LULA

Já se remetendo as eleições presidenciais de 2014, o Datafolha divulgou ontem uma pesquisa sobre as intenções de votos dos brasileiros para a referida eleição e o resultado da intenções foi em primeiro lugar a atual presidenta Dilma Vana Rousseff com 26% seguida de Luiz Inácio Lula da Silva 12%, e além  de  Aécio Neves, de José Serra,  de Marina Silva, e  de Geraldo Alckmin. Foram também colocados outros nomes como o governador de Pernambuco Eduardo Campos e até o ministro presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.

Em um possível segundo turno com qualquer candidato, Dilma ou Lula ganhariam a eleição pela escolha do povo e desgosto da mídia reacionária que veria mais uma vez seu nulo poder de penetração em nas classe sociais.

Esta pesquisa mostra mais uma vez a força dos avanços sociais que o governo do Partido dos Trabalhadores proporcionou conjuntamente com o crescimento econômico e que enfrentou duas fortes crises mundiais pela frente. Avanços na saúde, educação, cultura, diminuição da miséria e desenvolvimento social foram essenciais para este entendimento da população de que o Brasil pode ser diferente e com menos desigualdades. Enquanto isto Dilma continua seu governo com grande ternura e firmeza, fazendo nosso país avançar como uma democracia plural e com respeitabilidade global.

SEDUC/AM DIVULGA NOVA CHAMADA COM LISTA DE CONCURSADOS

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) anunciou a convocação de mais 2.011 candidatos que foram aprovados no último concurso público para os mais diversos cargos como professores, assistentes administrativos, bibliotecários, assistentes sociais, etc.
Em nota a secretaria afirmou que divulgará o procedimento da convocação dos candidatos e que desta vez chamou todos os aprovados no último concurso. Caso isto realmente aconteceu, a Secretaria cumpriu sua obrigação e não utilizou de maneira escusa os processos seletivos sem nomear os concursados.

Venezuela: o começo de uma nova etapa

Para o PSUV de Chávez, o fato de conquistar 20 dos 23 governos em disputa reafirma sua consistente maioria no âmbito nacional, o que não deixa de ser uma sólida base para o inicio da nova e delicada etapa que se abre na Venezuela. Qual nova etapa? A do desafio de manter a revolução bolivariana sem seu principal líder. Porque, a esta altura, está praticamente descartado que Hugo Chávez se recupere da cirurgia que fez em Cuba a tempo de assumir, no dia 10 de janeiro, seu quarto mandato presidencial. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Eric Nepomuceno- Portal Carta Maior

Nas eleições regionais do domingo, 16 de dezembro, o Partido Socialista Unido da Venezuela, o PSUV do presidente Hugo Chávez, varreu o país: ganhou em 20 dos 23 estados. Entre os conquistados estão cinco que eram governados pela oposição. E, desses cinco, pelo menos dois têm sabor especial: Zulia, maior produtor de petróleo, e Carabobo, o terceiro mais populoso do país.

Já a oposição manteve o governo de Miranda, e essa foi uma vitória de importância capital: o vencedor, Henrique Capriles, o mesmo que foi amplamente derrotado por Hugo Chávez na recente disputa pela presidência, venceu Elias Jaua, que até outubro era o vice-presidente da República.

O resultado das eleições regionais é, de certa forma, bom para os dois lados. Para a oposição, porque manteve Capriles em evidência, reforçado por haver derrotado alguém muito chegado a Chávez. Depois de ter conseguido unir todos os oposicionistas ao redor de seu nome e obter uma votação significativa (cerca de 46%) em outubro, perder o governo de Miranda congelaria sua carreira. Com a vitória se confirma como principal nome oposicionista numa eventual nova eleição presidencial.

Para o PSUV de Chávez, o fato de conquistar 20 dos 23 governos em disputa reafirma sua consistente maioria no âmbito nacional, o que não deixa de ser uma sólida base para o inicio da nova e delicada etapa que se abre na Venezuela.

Qual nova etapa? A do desafio de manter a revolução bolivariana sem seu principal líder. Porque, a esta altura, está praticamente descartado que Hugo Chávez se recupere da cirurgia que fez em Cuba a tempo de assumir, no dia 10 de janeiro, seu quarto mandato presidencial. Só os especialmente otimistas ou os olimpicamente ingênuos acreditam nessa possibilidade.

Não foi à toa, e muito menos um gesto histriônico, o pedido de Chávez para que o povo bolivariano apoie Nicolás Maduro, nomeado seu sucessor.

É muito alta a possibilidade de que dentro de menos de dois meses os venezuelanos sejam novamente convocados às urnas para escolher seu presidente. Correm rumores de que se estaria procurando uma alternativa, como prorrogar o prazo para Chávez assumir. Ainda assim, convém se preparar para novas eleições.

Chávez, apesar de seu voluntarismo surpreendente e de sua ousadia muitas vezes desconcertante, é um político habilidoso e experiente. E, em momentos críticos, soube mostrar-se realista. Foi assim agora, quando exibiu friamente a realidade: são grandes a possibilidades de que ele não se recupere, ou não possa mais exercer plenamente a condução do processo político que inaugurou há treze anos. Um processo político tenso, que mudou a face do país e o cotidiano de milhões de venezuelanos e que certamente exige uma capacidade física que ele já não tem nem terá.

Admitiu com todas as letras que o que está em risco elevado é sua própria vida. Se voltar, não terá as condições de antes – mesmo considerando-se esse ‘antes’ como o último ano e meio, de extremos sacrifícios pessoais causados pelo câncer. Será um Chávez extremamente debilitado fisicamente: afinal, foram quatro operações prolongadas e complexas em pouco mais de dezoito meses.

O comandante da revolução bolivariana sabe disso, e deixou claro que a Venezuela começa a viver uma etapa de transição. Voltando ou não, o cenário será outro. Seu estado de saúde passou a ser um obstáculo quase intransponível para a condução do país.

Assim, de certa forma ele se despediu do poder. E essa despedida inaugura um período de profundas incertezas não só na Venezuela, mas em toda a América Latina.

Um aspecto merece atenção: a transição venezuelana está acontecendo muito antes do que se podia prever. Apesar de sua saúde debilitada, Chávez não demonstrava um estado tão grave como o que admitiu ao comunicar que iria se operar novamente e que por isso nomeava um sucessor. Sob muitos aspectos, é possível concluir que nem ele mesmo soubesse da sua verdadeira situação.

Diante desse quadro, as eleições do domingo 16 de dezembro foram um teste positivo para o processo político conduzido por Chávez até aqui. Conquistar 20 de 23 estados foi um passo importante. Miranda ficou onde estava, ou seja, com a oposição. Somados, o eleitorado de Zuila e Carabobo, agora em mãos chavistas, mais que dobra o do estado governado por Henrique Capriles. Além disso, em 12 desses 20 estados foram eleitos militares seguidores do comandante da revolução bolivariana.

Nicolas Maduro, se não sai muito fortalecido das eleições regionais – afinal, ele mal teve uma semana como presidente interino –, ao menos passou a pisar um terreno mais sólido para a disputa eleitoral que, a menos que ocorra um milagre, terá pela frente. Também no cenário externo ele conta com um apoio que tem reflexos nítidos entre os chavistas, principalmente nas Forças Armadas: é um interlocutor privilegiado dos cubanos. Raúl Castro manifestou ao presidente venezuelano, em mais de uma ocasião, sua simpatia pelo chanceler chavista. Isso talvez sirva para acalmar, no seu devido momento, os setores militares que preferiam ter um de seus pares nomeado sucessor de Chávez.

Já as muito diferentes e às vezes antagônicas correntes que integram o movimento bolivariano são mais difíceis de permanecer aglutinadas sem a figura centralizadora de Chávez. Seu sucessor, considerado negociador hábil, terá pela frente, em todo caso, um argumento importante e indiscutível: o país é, definitivamente, outro. A maioria da população foi beneficiada ao longo dos últimos 13 anos, e não aceitará facilmente pôr em risco suas conquistas, quer diante de uma oposição conservadora, quer diante de divisões internas dentro do próprio processo político atual.

Médico brasileiro é nomeado diretor do Unaids

da Agência Brasil

O médico brasileiro Luiz Loures será o novo diretor executivo adjunto do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), em substituição ao norte-americano Paul De Lay. Loures tem mais de 25 anos de profissão e já trabalha no programa

“O Brasil atribui grande importância ao programa Unaids. [Com a] indicação do doutor Luiz Loures, o governo brasileiro reafirma seu comprometimento com o programa e com a cooperação internacional relacionada ao tema do HIV/aids”, destaca, em nota, o Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty.

Antes de ingressar na Unaids, Loures foi assessor especial na área de combate e prevenção à aids do Ministério da Saúde. Também participou da criação e da consolidação do Programa Nacional de Aids do Brasil e se envolveu na elaboração de políticas públicas para a distribuição de medicamentos antirretrovirais.

Loures fez medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especializou-se em cuidados intensivos, depois concluiu os estudos nos Estados Unidos. Ele fala português, espanhol, inglês e francês.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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