Arquivo para 19 de dezembro de 2012

Quando a arte engajada encontra o modismo industrial: Gangnam Style teatro oficina uzyna uzona

Regularização do CPF pela Internet de Graça

Todos os contribuintes que estejam com pendências no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) podem resolvê-las agora pela internet. Foi lançada pela Receita Federal uma ferramenta que permite a regularização cadastral no sitio eletrônico do órgão. Segundo a Receita, o serviço estará disponível todos os dias da semana durante 24 horas, inclusive nos feriados.

De acordo com a Agência Brasil:

“Até agora, a pessoa física com problemas com o CPF só tinha a alternativa de regularizar a situação se fosse a uma das unidades da rede conveniada, nas agências dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. De acordo com a Receita, a regularização será gratuita apenas na internet. Os contribuintes continuarão a pagar R$ 5,70 nos postos conveniados.

O formulário eletrônico para o pedido de regularização é de fácil preenchimento. O contribuinte precisa informar o número do CPF, nome, data de nascimento, nome da mãe, naturalidade e número do título de eleitor”

E NEM POR ISTO BAIXOU O PREÇO DO PEIXE

≈       A bispa Sônia Hernadez, uma das fundadoras da Igreja Evangélica Renascer em Cristo, em sua ânsia descontrolada de enriquecer a custa da superstição alheia, lançou no último sábado (15/12) uma linha com perfume, creme hidratante e sabonete intitulado “De Bem com a Vida”. De acordo com a filha da bispa, o kit “exala o bom cheiro de Deus” e pode ser comprado pela singela bagatela de R$ 79. E nem por isto baixou o preço do peixe.

      A revista paulistana Época divulgou esta semana a lista dos 100 brasileiros mais influentes no ano de 2012. Dentre os eleitos, estão: Xuxa, Ana Maria Braga, Fernando Henrique Cardoso, e o prefeito da não cidade de Manaus, Artur Neto, do PSDB paulista. Observando estes nomes, e outros que avultam a desprestigiada revista, fica a pergunta pertinente: que tipo de critério de inclusão esta revista utilizou para inserir figuras tão impotentes numa seleção que deveria medir o aumento da potência de agir causado pelos encontros com estas pessoas? E nem por isto baixou o preço do peixe.

≈        Para tristeza daqueles que têm um pouco de memória, foi diplomado nesta quarta feira (18/12) o futuro prefeito da não cidade de Manaus, Artur “Amo Camelô” Neto.  No show, ocorrido na sede do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), ele não poderia deixar os seus infelizes pavoneios de lado, e como é de um partido paulistano ultraconservador (PSDB) o qual tem por ideologia a privatização do país para o mercado capitalista, afirmou que será necessário investir em parcerias público-privadas E nem por isto baixou o preço do peixe.

≈       Na batalha pelo domínio das teletecnologias, a Apple acaba de perder um confronto. A empresa do defunto Steve Jobs, não poderá mais utilizar a marca “iPhone” no mercado brasileiro. Isto por que ela pertence, na verdade, a IGB Eletrônica, detentora da Gradiente. De acordo com o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), registro feito pela IBG ocorreu em 2002, enquanto a patente da Apple foi registrada apenas em 2008. E nem por isto baixou o preço do peixe.

≈     Considerada uma das empresas mais exploradoras do capitalismo, a Wal-Mart pagou suborno de US$ 59 mil para violar leis mexicanas e abrir uma loja na região das pirâmides de Teotihuacán. O esquema envolvia um funcionário do governo do México, que modificaria os mapas que limitasse as zonas próximas das pirâmides, onde o comércio seria permitido. Além deste, a Wal-Mart está sendo investigada em outras 19 localidades do país, nos quais também estariam praticando subornos. E nem por isto baixou o preço do peixe.

≈        O Corinthians foi e continua sendo o Campeão Mundial de Clubes de 2012, após vencer o desmotivado time inglês do Chelsea… E nem por isto baixou o preço do peixe.

Na linha de frente de uma nova Guerra do Pacífico

Conforme a China e os EUA dão forma a uma nova corrida armamentista, as nações menores da região do Pacífico e da Ásia são pressionadas a escolherem seus lados. A população da ilha de Jeju, território sul-coreano, desde 2007 combate o processo de militarização de sua terra natal que faz parte da “Guinada para o Pacífico”, iniciativa anunciada ao final de 2011 pelo presidente Obama para “enfrentar” a ascensão chinesa.

Koohan Paik e Jerry Mander – The Nation

Na pequena e espetacular ilha de Jeju, próxima ao sul coreano, camponeses nativos obstaculizam com os próprios corpos a construção de uma base naval de propriedade norte-americana e sul-coreana que seria um desastre político, cultural e ambiental. Se completa, a base contaria com mais de 7 mil funcionários da marinha, vinte navios de guerra, porta-aviões para as aeronaves norte-americanas, submarinos nucleares e destroieres portando os novos mísseis Aegis – todos apontados para a China, a 480 quilômetros de lá.

Desde 2007, quando o projeto de 970 milhões de dólares foi anunciado, o povo Tamna, das comunidades de Gangieong, exerceu todo esforço legal e pacífico para impedi-lo. Eles entraram com ações judiciais, realizaram um referendo em que 94% do eleitorado rejeitou a construção, acorrentaram-se por meses a um contêiner estacionado na maior rodovia da ilha, construíram bloqueios com pedras nos portões do canteiro de obras, ocuparam guindastes de dragagem de recifes de coral e foram presos às centenas. O prefeito Kang Dong-Kyun, que permaneceu encarcerado por três meses, certa vez disse o seguinte: “se os camponeses cometeram algum crime, foi o de desejar legar a seus descendentes a beleza de sua aldeia”.

Jeju é só uma ilha na crescente constelação de pontos geoestratégicos em processo de militarização da “Guinada para o Pacífico”, iniciativa anunciada ao final de 2011 pelo presidente Obama para “enfrentar” a ascensão chinesa. De acordo com pronunciamentos da secretária de Estado Hillary Clinton e do secretário de Defesa Leon Panetta, 60% dos recursos militares estadunidenses estão sendo transferidos do Oriente Médio e da Europa para a região da Ásia e do Pacífico (os Estados Unidos têm 219 bases militares nessa região, enquanto a China não tem nenhuma). A base de Jeju ampliaria os sistemas equipados com mísseis Aegis da Coréia do Sul, Japão, Filipinas, Singapura, Vietnam e da colônia norte-americana de Guão.

O Pentágono também posicionou os sistemas de defesa com mísseis Patriot Pac-3 em Taiwan, Japão (onde há mais de noventa instalações, além das 47 mil tropas em Okinawa) e na própria Coréia do Sul (que hospeda mais de 100 instalações norte-americanas).

Ainda, o governo norte-americano começou a posicionar tropas na Austrália e tornou públicos seus planos de construir uma base para aviões não tripulados, “drones”, nas remotas Ilhas Keeling (a deslumbrante Ilha Palawan nas Filipinas e as Ilhas Marianas Setentrionais, riquíssimas em recursos naturais, também são visadas, para mencionar um pedaço de uma lista enorme). Em uma das viagens para fortalecer a lista de aliados na região, Leon Panetta revelou a intenção de posicionar tropas na Nova Zelândia, apesar de não haver consentimento para isso. Obama fez sua própria viagem pouco depois da reeleição, e cortejou Mianmar, Camboja e Tailândia como potenciais parceiros comerciais e aliados militares no cerco à China. Até com os militares da Indonésia, conhecidos por sua brutalidade, os Estados Unidos retomaram as conversas que haviam sido interrompidas em virtude do desrespeito aos direitos humanos praticados no território do talvez principal parceiro comercial da China.

Robert Willard, presidente do Comando Norte-americano no Pacífico (Uspacom, pela sigla em inglês), contextualizou essas manobras em setembro último. Num discurso no Conselho de Relações Internacionais, ele intitulou toda a região da Ásia e do Pacífico, que contém 52% da Terra e dois terços da população mundial, como “bens” a serem “protegidos” pelos Estados Unidos. Normalmente, a palavra “bens” refere-se a recursos comuns controlados por partes contíguas. Mas Willard parecia ter em mente uma rede gigantesca de bens estadunidenses que se estende por quase 13 mil quilômetros para além da costa oeste.

A retórica imperialista de Willard concretizou-se quando o Uspacom reagiu às disputas entre China e Japão pelas ilhas do geopoliticamente vital Mar da China Oriental. De sua sede no Havaí, Willard deu início a exercícios militares que envolviam 37 mil tropas japonesas e 10 mil norte-americanas. Em outubro, o Uspacom enviou um grupo de ataque de aeronaves da Marinha à capital das Filipinas para demonstrar força na disputa pelas Ilhas Spratly.

Pouco sabido é que as atividades do Comando Norte-americano no Pacífico compreendem a supervisão das forças armadas sul-coreanas. Essa condição remonta ao Tratado de Defesa Mútua, vigente desde 1953. De fato, a hegemonia estadunidense sobre a região permaneceu inalterada por mais de meio século. A base lógica do “império de bases militares” uma vez foi a contenção do comunismo. A “guinada para o Pacífico” de Obama é uma atualização turbinada da política internacional norte-americana na Guerra Fria, mas dessa vez visa-se conter a China nos planos econômico, político e militar.

A resposta chinesa é a produção acelerada de armamentos, incluindo novos porta-aviões, o cortejo de aliados na região – especialmente os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e a Rússia – e o controle mais austero das rotas de navegação do Mar da China Meridional.

Conforme esses dois monstros dão forma a uma nova corrida armamentista, as nações mais diminutas são pressionadas a escolherem seus lados. Como disse um ativista, “quando elefantes lutam, são esmagadas as formigas”.

Impactos Locais
Na ilha de Jeju, as consequências da estratégia norte-americana são cataclísmicas. A Reserva de Biosfera da Unesco, adjacente ao porto militar, seria atravessada por porta-aviões e contaminada por vários tipos de navios militares. As atividades da base aniquilariam uma das mais espetaculares florestas de corais moles do planeta, matariam os últimos golfinhos-nariz-de-garrafa-do-índico e contaminariam parte da mais pura e abundante água mineral de que atualmente usufruímos. Também, a base significa a destruição do habitat natural de milhares de espécies de plantas e animais. Os meios de vida sustentáveis dos nativos cessariam de existir, e muitos temem que a tradição dos viventes da região seria sacrificada em troca de bares, restaurantes e bordeis para os militares.

Os aldeões de Gangjeong também se preocupam com a possibilidade do século XX se repetir, pela transformação de sua pequena vila num alvo militar como aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Coréia. Os manifestantes da base nunca mais querem se encontrar em fogo cruzado.

A luta dos dissidentes têm sido difícil. Sul-coreanos não conformados com o governo são rapidamente denominados “pró-Coréia do Norte”, postos na lista negra e não raramente encarcerados. Em Gangjeong, embora a violência policial seja corriqueira, os dissidentes continuaram lutando de maneira ininterrupta por cinco anos. E o fizeram apesar de que a absoluta maioria de seus esforços não tenham sido reportadas pela altamente controlada imprensa coreana e uma relapsa mídia norte-americana – relapsa, pelo menos, até setembro passado.

Uma ruptura miraculosa se apresentou quando a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN na sigla inglesa) – a maior organização pelo meio ambiente do mundo, que dedica-se a “um planeta justo que valorize e conserva a natureza” – anunciou seu Congresso Mundial de Conservação para Jeju, a apenas 7 quilômetros de onde ocorriam os confrontos entre a polícia e os manifestantes anti-base.

Os camponeses alegraram-se pela oportunidade de contar suas histórias para os líderes ambientes do mundo. Entretanto, eles se escandalizaram ao descobrir que os líderes da IUCN planejavam ignorar a catástrofe.

Descobriu-se que havia um acordo entre os mandatários da organização e o governo sul-coreano. O governo apoiara a convenção com 21 milhões de dólares. Em contrapartida, a IUCN aceitou não permitir discussões sobre a base naval sem consentimento do governo, muito menos se nelas tomassem parte algum dos aldeões dissidentes. Corporações como a Samsung, principal contratante da construção da base, ofereceram apoio financeiro. Somente quando uma revolta dos próprios membros da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais surgiu na internet que o acordo dúbio foi posto em cheque e a luta contra a base militar tornou-se internacional.

Aparentemente, pintar a base naval de verde não foi a única razão pela qual o governo coreano foi tão doce na recepção do Congresso de Jeju. Também pretendia-se promover uma lista de projetos compreendida sob a alcunha “Crescimento Verde”. O termo é aflitivo de tão impróprio. Iniciativas devastadoras e lucrativas como a da base naval estão sendo dirigidas pela chaebol coreana (monopólios pertencentes a famílias riquíssimas como Samsung, Hyundai e LG, interessadas em construções, defesa e eletrônicos, entre outros produtos).

Os mais recentes projetos de Crescimento Verde incluem manufatura, promoção e exportação de “energia nuclear limpa”. O mais notório dos elefantes brancos realizados sob esse pretexto foi o Projeto de Restauração dos Quatro Grandes Rios, que não era, de modo algum, um projeto de restauração. Ele envolvia a construção de canais de concreto que punham os tortuosos rios coreanos em ordem para navegação comercial. O projeto removeu agricultores, causou enchentes, contaminou a água mineral e fez desaparecer aves migratórias. Na Convenção de Ramsar deste ano, o projeto esteve presente na lista dos cinco piores projetos para áreas pantanosas do planeta.

Após tanto desastre e em face da crescente controvérsia a respeito da base naval, a elite sul-coreana precisava do Congresso de Jeju para abrandar o desapontamento de parte dos cidadãos. Não funcionou.

A revolta da IUCN
Ao se darem conta do que ocorria, os membros da IUCN ficaram horrorizados. Eles se impressionaram com a franqueza do compromisso estabelecido entre a organização e a República da Coréia. Essa perplexidade, no entanto, não se justificava. Quatro anos antes, em Barcelona, lideranças da IUCN fecharam parceria com a Shell. E o escrete de palestrantes do último Congresso era revelador: enquanto não havia moradores de Gangjeong, o presidente da Shell, Marvin Odum, falou como uma autoridade em mudanças climáticas. Noutro painel, o CEO da Syngenta, empresa produtora de transgênicos, discursava sobre agricultura sustentável.

Os membros descontentes da IUCN logo solidarizaram-se ao Comitê de Ações de Jeju, grupo de ativistas anti-base e pró-Gangjeong que conta com adeptos da pujança de Vandana Shiva, Noam Chomsky, Robert Redford, Gloria Steinem, Victoria Tauli-Corpuz, Joseph Gerson, Christine Ahn e dúzias de cientistas e ambientalistas proeminentes. Durante a Convenção, o Comitê enviou uma série de e-mails para os filiados e promoveu encontros com os moradores de Gangjeong.

Enquanto isso, participantes da conferência diplomavam-se nos procedimentos de emergência sul-coreanos: equipes da Swat perambulavam pelo prédio, coreanos eram revistados à procura de literatura anti-base e quatro moças foram expulsas do prédio por vestirem camisas com dizeres contra a construção da base. Quando a ativista Sung-Hee Choi foi vista entrando no centro de convenções, vinte policiais vieram tomar seu crachá e negar sua entrada, pela qual ela havia pagado 600 dólares. Um membro da IUCN disse nunca ter ido a um Congresso daquele tipo, no qual “o Ministro da Defesa presenciava cada reunião, pressionando qualquer opinião contrária”.

A resposta recrudesceu quando a Solidariedade Popular por Democracia Participativa, uma organização não-governamental de Seoul, disseminou um relatório do Ministério da Defesa indicando que navios regularmente passariam pela Reserva de Biosfera da Unesco, condenando qualquer espécie de vida da área. O capitão Yoon Seok-Han, chefe de construção da base naval, prometera numa coletiva de imprensa que nenhum navio atravessaria a reserva, a não ser em casos de tempo ruim, coisa comum na região.

Membros da IUCN começaram a denunciar o “pacto com o diabo” firmado por seus representantes. Os secretários recuaram para atenuar a brecha que rapidamente materializava-se entre suas próprias fileiras e a organização, então, passou a encorajar manifestações anti-base e permitir panfletagem no interior do centro de convenções. Os camponeses de Gangjeong descobriram-se no centro das atenções e apoderaram-se da situação para vender camisetas e promover um show com centenas de espectadores. Jovens aldeões fantasiaram-se de espécies em extinção segurando placas em que se lia “me permita viver!”. E, dessa vez, quem ficou horrorizado foram os patrocinadores sul-coreanos.

No quinto dia de conferência, oficiais do governo viam seu investimento exorbitante virar-se contra eles próprios. Uma ong de Chicago, o Centro pelos Humanos e pela Natureza, apresentou uma moção emergencial para barrar a construção da base. Em dois dias, 34 outras ongs assinaram a
moção.

Ao final, a moção recebeu imensa maioria dos votos dos membros da IUCN, embora ela não tenha sido aprovada em virtude da peculiar lógica pela qual a organização conta seus votos. A mídia coreana, então, obedientemente reportou a prevalência da “base naval eco-amiga” e do “crescimento verde”. Para a população de Gangjeong, a votação não teve muita importância. Na luta por reconhecimento, a “Batalha de Jeju” foi uma vitória tremenda. As consequências da guinada norte-americana para o Pacífico foram evidenciadas e desde então, como disse um camponês no último dia da convenção, “não estávamos mais sozinhos”.

Imediatamente após a convenção, centenas de camponeses, juntamente com líderes religiosos, realizaram uma marcha em direção a Seoul que durou um mês e acumulou apoiadores no caminho. Ao chegarem na capital, havia cinco mil deles – e a mídia sul-coreana não disse palavra. De volta a Jeju, os dissidentes notaram que o governo acelerara a construção e a luta se intensificou. As eleições presidenciais de hoje, 19, são cruciais. Os ativistas acreditam que se o candidato de centro-esquerda, Moon Jae-In, vencer o candidato conservador, Park Geun-Hye, a situação da base naval pode ser revista.

Nova Resistência: Moana Nui
Conforme avança a “Guinada para o Pacífico”, a resistência de movimentos locais como o de Jeju ergue-se prontamente. Em Okinawa, por exemplo, 100 mil foram às ruas mais de uma vez, fartos com a presença militar estadunidense que elenca estupros e violência aos cidadãos locais em seu currículo. Nas Filipinas, protestos contra a presença militar e o despejo de lixo tóxico tornam-se cada dia mais recorrentes e maciços. A população das pequenas ilhas onde os norte-americanos testam seus mísseis, especialmente os nativos das Ilhas Marshall e da Melanésia, organizaram-se de maneira similar. Na ilha japonesa de Yonaguni, distante 100 quilômetros de Taiwan, os EUA desejam estabelecer mais uma base no cerco à China. Lá, também há resposta organizada da população.

Temos, pois, algo realmente novo desenvolvendo-se: os outrora isolados povos da Ásia e do Pacífico estão unificando-se em frentes cada vez maiores de auxílio mútuo.

Há quatorze meses, quando dezenove estadistas (Obama incluso) encontraram-se em Honolulu para firmar os acordos comerciais da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), militantes antimilitarização, antiglobalização, ambientalistas e ativistas pelos direitos de povos nativos da região encontraram-se para o primeiro Moana Nui (polinésio para “grande oceano”). A cúpula durou três dias e foi concluída com um grande protesto do lado de fora de onde realizavam-se as negociações da Apec. Moana Nui foi largamente noticiado no Pacífico, nos Estados Unidos não. A próxima cúpula está marcada para a próxima primavera, em São Francisco, e seu principal objetivo é despertar o povo norte-americano para o que está em jogo no Pacífico.

Enfim, a questão é a seguinte: em tempos de crise econômica e ecológica, os norte-americanos realmente pretendem acelerar custosos programas típicos da Guerra Fria em centenas de lugares a milhares de quilômetros de distância, quase sempre contra a vontade dos nativos e com efeitos ambientais terríveis? Se não, é hora de os Estados Unidos conversarem sobre sua guinada para o Pacífico.

(*) Koohan Paik é o diretor do programa para a Ásia e o Pacífico do Fórum Internacional de Globalização (IFG). Jerry Mander é fundador e Membro Honorário do IFG.

Tradução de André Cristi

Venezuela: o começo de uma nova etapa

Para o PSUV de Chávez, o fato de conquistar 20 dos 23 governos em disputa reafirma sua consistente maioria no âmbito nacional, o que não deixa de ser uma sólida base para o inicio da nova e delicada etapa que se abre na Venezuela. Qual nova etapa? A do desafio de manter a revolução bolivariana sem seu principal líder. Porque, a esta altura, está praticamente descartado que Hugo Chávez se recupere da cirurgia que fez em Cuba a tempo de assumir, no dia 10 de janeiro, seu quarto mandato presidencial. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Eric Nepomuceno

Nas eleições regionais do domingo, 16 de dezembro, o Partido Socialista Unido da Venezuela, o PSUV do presidente Hugo Chávez, varreu o país: ganhou em 20 dos 23 estados. Entre os conquistados estão cinco que eram governados pela oposição. E, desses cinco, pelo menos dois têm sabor especial: Zulia, maior produtor de petróleo, e Carabobo, o terceiro mais populoso do país.

Já a oposição manteve o governo de Miranda, e essa foi uma vitória de importância capital: o vencedor, Henrique Capriles, o mesmo que foi amplamente derrotado por Hugo Chávez na recente disputa pela presidência, venceu Elias Jaua, que até outubro era o vice-presidente da República.

O resultado das eleições regionais é, de certa forma, bom para os dois lados. Para a oposição, porque manteve Capriles em evidência, reforçado por haver derrotado alguém muito chegado a Chávez. Depois de ter conseguido unir todos os oposicionistas ao redor de seu nome e obter uma votação significativa (cerca de 46%) em outubro, perder o governo de Miranda congelaria sua carreira. Com a vitória se confirma como principal nome oposicionista numa eventual nova eleição presidencial.

Para o PSUV de Chávez, o fato de conquistar 20 dos 23 governos em disputa reafirma sua consistente maioria no âmbito nacional, o que não deixa de ser uma sólida base para o inicio da nova e delicada etapa que se abre na Venezuela.

Qual nova etapa? A do desafio de manter a revolução bolivariana sem seu principal líder. Porque, a esta altura, está praticamente descartado que Hugo Chávez se recupere da cirurgia que fez em Cuba a tempo de assumir, no dia 10 de janeiro, seu quarto mandato presidencial. Só os especialmente otimistas ou os olimpicamente ingênuos acreditam nessa possibilidade.

Não foi à toa, e muito menos um gesto histriônico, o pedido de Chávez para que o povo bolivariano apoie Nicolás Maduro, nomeado seu sucessor.

É muito alta a possibilidade de que dentro de menos de dois meses os venezuelanos sejam novamente convocados às urnas para escolher seu presidente. Correm rumores de que se estaria procurando uma alternativa, como prorrogar o prazo para Chávez assumir. Ainda assim, convém se preparar para novas eleições.

Chávez, apesar de seu voluntarismo surpreendente e de sua ousadia muitas vezes desconcertante, é um político habilidoso e experiente. E, em momentos críticos, soube mostrar-se realista. Foi assim agora, quando exibiu friamente a realidade: são grandes a possibilidades de que ele não se recupere, ou não possa mais exercer plenamente a condução do processo político que inaugurou há treze anos. Um processo político tenso, que mudou a face do país e o cotidiano de milhões de venezuelanos e que certamente exige uma capacidade física que ele já não tem nem terá.

Admitiu com todas as letras que o que está em risco elevado é sua própria vida. Se voltar, não terá as condições de antes – mesmo considerando-se esse ‘antes’ como o último ano e meio, de extremos sacrifícios pessoais causados pelo câncer. Será um Chávez extremamente debilitado fisicamente: afinal, foram quatro operações prolongadas e complexas em pouco mais de dezoito meses.

O comandante da revolução bolivariana sabe disso, e deixou claro que a Venezuela começa a viver uma etapa de transição. Voltando ou não, o cenário será outro. Seu estado de saúde passou a ser um obstáculo quase intransponível para a condução do país.

Assim, de certa forma ele se despediu do poder. E essa despedida inaugura um período de profundas incertezas não só na Venezuela, mas em toda a América Latina.

Um aspecto merece atenção: a transição venezuelana está acontecendo muito antes do que se podia prever. Apesar de sua saúde debilitada, Chávez não demonstrava um estado tão grave como o que admitiu ao comunicar que iria se operar novamente e que por isso nomeava um sucessor. Sob muitos aspectos, é possível concluir que nem ele mesmo soubesse da sua verdadeira situação.

Diante desse quadro, as eleições do domingo 16 de dezembro foram um teste positivo para o processo político conduzido por Chávez até aqui. Conquistar 20 de 23 estados foi um passo importante. Miranda ficou onde estava, ou seja, com a oposição. Somados, o eleitorado de Zuila e Carabobo, agora em mãos chavistas, mais que dobra o do estado governado por Henrique Capriles. Além disso, em 12 desses 20 estados foram eleitos militares seguidores do comandante da revolução bolivariana.

Nicolas Maduro, se não sai muito fortalecido das eleições regionais – afinal, ele mal teve uma semana como presidente interino –, ao menos passou a pisar um terreno mais sólido para a disputa eleitoral que, a menos que ocorra um milagre, terá pela frente. Também no cenário externo ele conta com um apoio que tem reflexos nítidos entre os chavistas, principalmente nas Forças Armadas: é um interlocutor privilegiado dos cubanos. Raúl Castro manifestou ao presidente venezuelano, em mais de uma ocasião, sua simpatia pelo chanceler chavista. Isso talvez sirva para acalmar, no seu devido momento, os setores militares que preferiam ter um de seus pares nomeado sucessor de Chávez.

Já as muito diferentes e às vezes antagônicas correntes que integram o movimento bolivariano são mais difíceis de permanecer aglutinadas sem a figura centralizadora de Chávez. Seu sucessor, considerado negociador hábil, terá pela frente, em todo caso, um argumento importante e indiscutível: o país é, definitivamente, outro. A maioria da população foi beneficiada ao longo dos últimos 13 anos, e não aceitará facilmente pôr em risco suas conquistas, quer diante de uma oposição conservadora, quer diante de divisões internas dentro do próprio processo político atual.

Contribuintes poderão regularizar CPF de graça pela internet

da Agência Brasil

A partir de hoje (18), os contribuintes com problemas no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) podem resolver as pendências pela internet. A Receita Federal lançou uma ferramenta que permite a regularização cadastral no site do órgão. De acordo com a Receita, o novo serviço ficará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nos feriados.

Até agora, a pessoa física com problemas com o CPF só tinha a alternativa de regularizar a situação se fosse a uma das unidades da rede conveniada, nas agências dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. De acordo com a Receita, a regularização será gratuita apenas na internet. Os contribuintes continuarão a pagar R$ 5,70 nos postos conveniados.

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USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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