Arquivo para 7 de fevereiro de 2013

Mais de R$ 140 milhões serão liberados para compra de produtos da agricultura familiar

Do Portal Brasil

Vinte e sete mil agricultores familiares serão beneficiados com o repasse de R$144 milhões para compra de produtos, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

Organizações de agricultores familiares de todo o país interessadas em participar do PAA já podem apresentar propostas à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O repasse da verba será feito pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Os produtos adquiridos pelo PAA destinam-se ao atendimento de pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional e às que são atendidas pela rede socioassistencial, rede pública e filantrópica de ensino.

 Para aderir ao PAA, os agricultores devem preencher proposta e enviar por meio do PAAnet , ferramenta disponibilizada pela Conab que permite verificar a tramitação das propostas e reaproveitar dados já cadastrados no sistema. É preciso constar no documento, além da identificação dos agricultores que vão fornecer os alimentos, as instituições que serão beneficiadas com a distribuição e o tipo de produto a ser fornecido. Enquadram-se no PAA os produtos de origem agropecuária e extrativista próprios para consumo humano, sejam in natura, industrializados, processados ou orgânicos.

Podem participar do programa agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), inclusive os povos e comunidades tradicionais – extrativistas, quilombolas, famílias atingidas por barragens, trabalhadores rurais, comunidades indígenas e agricultores familiares em condições especiais. Os participantes deverão estar organizados em cooperativas ou associações.

Em 2012, o MDS repassou R$ 539,4 milhões para a Conab executar o PAA, beneficiando 119,8 mil famílias de agricultores por meio da aquisição de quase 270 mil toneladas de sua produção. O termo de cooperação entre MDS e Conab prevê mais de R$ 2,6 bilhões em investimentos até junho de 2015, para comprar alimentos de cerca de 500 mil famílias rurais.

Fonte:

Blog do Planalto

Estudantes que fizeram o Enem 2012 podem ver correção das redações

Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A partir de hoje (6), os estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio 2012 (Enem) terão acesso à correção das redações. O estudante deverá acessar o site do Enem com o CPF ou o número de inscrição e a senha. As correções terão apenas finalidade pedagógica, ou seja, não serão passíveis de recurso. Ao todo, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) foram corrigidas 4.113.558 redações, das quais 1,82% estavam em branco e 1,76% obtiveram nota zero. Os candidatos já tiveram acesso às notas, divulgadas no dia 28 de dezembro do ano passado.

No início do ano, estudantes de todas as regiões do país recorreram à Justiça para conseguir acesso à correção antes do período de inscrição do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo qual instituições públicas de educação superior oferecem vagas a candidatos participantes do Enem. Casos como o de Thanisa Ferraz de Borba chegaram a ameaçar o cronograma do Sisu que, por decisão da Justiça Federal em Bagé, no Rio Grande do Sul, só poderia encerrar o prazo de inscrição após o julgamento da ação.

No entanto, os tribunais regionais federais das diferentes regiões suspenderam as liminares que determinavam a vista antecipada dos espelhos de correção, entendendo que o edital do Enem prevê apenas a vista pedagógica e que leva em conta rigorosamente o previsto no termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado pelo Ministério da Educação com o Ministério Público Federal.

Muitos estudantes sentiram-se injustiçados. Thais Bastos obteve a nota 400 na redação do Enem. “No ano passado, tirei 700. Neste ano, estudei muito mais, não posso ter ficado com essa nota”, disse. Além disso, ela comparou o que escreveu com redações disponíveis em revistas e manuais, “As redações que receberiam a nota que eu tirei continham erros de português e um vocaubulário infantil”. Ela foi uma das que levaram o caso à Justiça e chegou a ganhar o direito da vista antecipada, até que o ministério recorreu e venceu.

Thais deseja cursar engenharia química na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição cujo ingresso é feito, para a maior parte das vagas, apenas pelo Sisu, com base na nota do Enem. Como o exame é anual, no segundo semestre a estudante concorrerá com a mesma nota que, segundo ela, é insuficiente. Mesmo que não esteja previsto no edital do exame, ela pretende entrar novamente com recurso, caso discorde da correção.

Ela não está sozinha. No Facebook, mais de 3 mil ususários apoiam a página Ação Judicial – Enem. No espaço, trocam experiências e pedem modelos mais transparentes de seleção.

Em nota, o MEC diz que os “critérios de correção das redações do Enem foram aperfeiçoados e são mais rigorosos”. Segundo a pasta, os textos produzidos pelos candidatos passaram por dois corretores de forma independente e foram avaliados segundo cinco itens de objetividade. Caso haja diferença maior que 20% na nota final entre esses dois corretores, a redação é lida por um terceiro corretor. E se, ainda assim, a discrepância persistir, ou seja, a diferença entre as três notas for superior a 200 pontos, a dissertação passa para uma banca examinadora composta por três professores avaliadores, que dão então a nota final ao participante.

Os cinco itens de competência avaliados foram: domínio da língua portuguesa, compreensão do tema proposto, capacidade de selecionar e organizar ideias, demonstração de conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação e apresentação de solução para a proposta dissertativa. Cada um dos corretores atribuiu nota até 200 pontos para cada uma dessas competências. Havendo discrepância maior que 80 pontos em cada uma das competências, o terceiro corretor avalia e atribui notas segundo o mesmo critério.

Edição: Graça Adjuto

NOTA DO DCE LIVRE DA USP REPUDIA DENÚNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO CONTRA OS 72 ALUNOS QUE OCUPARAM A REITORIA DA UNIVERSIDADE EM 2011

Em nota publicada na terça-feira (05), o Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE- livre da USP) repudiou a denúncia do Ministério Público contra os estudantes que ocuparam a reitoria da USP em ato de protesto, com o objetivo de pressionar a reitoria da universidade a retirar a Polícia Militar do campus.

A Polícia Militar passou a ocupar o campus da USP após a morte de um aluno em 2011, a partir de uma decisão da própria reitoria da instituição de Ensino Superior. Na denuncia, os manifestantes são acusados por danos ao patrimônio, pichação, desobediência judicial e formação de quadrilha.

Na nota do DCE – Livre da USP, é rechaçada, também, a postura da promotora Eliana Passarelli, responsável pela acusação. A promotora, em sua declaração em entrevista à Folha de São Paulo, chamou os estudantes de “bandidos”. Segundo ela, o material encontrado no local – como garrafas, combustível e outros artefatos – poderiam ser usados para fabricar bombas. Os estudantes, na nota, afirmam, como resistência, que “Lutar por democracia e diálogo não é crime”.

Quando tratamos de um Direito fundamentado na moral burguesa, percebemos o quanto este Direito tem por função normativa garantir a individualidade, a propriedade privada e o bom andamento do mercado, seja através do Direito Internacional, seja através da sua forma constitucional. Deste modo, as decisões tomadas por este tipo de direito não procuram dialogar com o processo de produção social, por exemplo, que pode ser encontrado dentro de uma Universidade como a USP, ou em qualquer outra instituição que tenha a educação como seu principal veículo de potencialização de seus atos.

Tais atitudes são separadas do movimento de construção da sociedade. Elas se encontram fechadas na norma.  A norma reconhecida na ação de um juiz, já percebido como receptor e emissor desta mesma norma, e no Estado, que também passa a ter suas ações reconhecidas através de normas. Este Direito não permite uma lógica da imprecisão, não admite um movimento dialético com a sociedade capaz de problematizar a produção social como espaço de constituição das lutas sociais e dos conflitos de onde surgem os acontecimentos singulares que são absorvidos pelas normas.

Quando procuramos situar o Direito como movimento de problematização da constituição da produção social, o que estamos ressaltando é o movimento da diferença, isto é, de uma produção ontológica onde não se determina uma essência para se buscar um fim por meio de regras ou valores morais pré-constituídos. Muito pelo contrário, acreditamos que a produção do saber-Direito pode muito bem se encontrar com a soberania popular, quando não simplifica os conflitos sociais e compreende a produção social como uma imersão nas singularidades e em seus movimentos contínuos de criação.

Falamos, portanto, de um Direito que não seja teleológico e que não tenha como principio somente uma “Teoria do Dever” ou uma Deontologia. Falamos de um Direito ontológico, um Direito que deriva continuamente para uma filosofia da diferença, onde as identidades não constituem os sujeitos históricos, pois estes se tornam sujeitos quando põem em prática o que Foucault chama de ontologia histórica de nós mesmos, de uma genealogia do ser social, da produção de nós mesmos; longe de toda redução do ser à norma e à soberania do Estado.

O evento singular que ocorreu na USP em 2011 podia (e ainda pode) ser uma grande oportunidade de o saber universitário demonstrar o quanto está próximo da sociedade e de sua produção social. Um momento para que a universidade possa demonstrar o quanto a produção do saber é uma problematização do estado constituído das coisas. Uma ocasião para tratar da violência como um evento social.

Walter Benjamin, diz que “Toda violência é, como meio, poder que estabelece ou preserva o direito. Se não almeja nenhum desses dois títulos, renuncia sozinha a toda e qualquer validade”. A violência é o que garante a manutenção e preservação do Direito, pois é a violência que faz com que a lei possa ser fundamentada como norma. A esta violência, Benjamin chama de mítica, atribuindo a ela a estrutura dos mitos capazes de normatizar uma dada situação. Os aparelhos de Estado, como a polícia e o exército, agem de acordo com esta violência, mas quaisquer outros tipos de violência, mesmo aquelas contra o Estado e o Direito, também agem de acordo com a violência mítica, pois procuram determinar a constituição da produção social.

Contudo, Benjamin fala de uma violência divina: “Digna de reprovação é toda violência mítica que estabelece o direito, e que se pode chamar dominante. Digna de reprovação é também a violência que preserva o direito, a violência administrada a serviço dos administradores. A violência divina é emblema e selo, mas nunca um instrumento de execução sacra.” Michel Hardt e Antonio Negri chamam esta violência divina de poder constituinte, pois ela é produção fora da lei e da norma, age dentro da vida à medida que produz vida.

Ora, quando o Direito não problematiza as condições da produção social, ele sempre vai colocar as normas e as leis acima da vida. Ainda assim, a vida se faz presente e resiste, como podemos verificar na forma em que Mireille Delmas-Marty nos diz o que é incriminar:

“Incriminar é definir um crime, no sentido amplo de infração penal. Portanto, ao mesmo tempo nomear e dividir. Nomear uma situação, um comportamento por vezes não nomeado até então. Dividir o espaço social em lícito e ilícito, e, mais precisamente, restringir o espaço de liberdade através de uma nova interdição (ou uma nova obrigação no caso de um delito de ação). Quando uma sociedade decide, assim, separar o que é infração penal do que não é, quando decide nomear o mal, e portanto, dizer o bem, ela entra em território altamente simbólico que modela e transforma ao mesmo tempo. Nesse sentido, toda nova incriminação fatalmente provoca respostas: de integração, de resistência, de revolta ou de invenções de novas transgressões. É o mistério da incriminação.”

Abaixo, a nota do DCE – Livre da USP:

São Paulo, 05 de fevereiro de 2013.

O DCE-Livre da USP vem a público repudiar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo à Justiça no dia 5 de fevereiro, que acusa os 72 estudantes, que foram detidos durante a violenta reintegração de posse do prédio da reitoria em 2011, de danos ao patrimônio público, pichação, desobediência judicial e formação de quadrilha.

Além disso, também repudia as declarações da promotora Eliana Passarelli, autora da denúncia, à imprensa que chama os estudantes de bandidos e criminosos.

Na nossa opinião, a intenção de criminalizar esses estudantes é um ataque ao movimento estudantil e aos movimentos sociais de conjunto, que possuem o direito democrático de livre expressão e manifestação.

Um dos principais problemas existentes hoje na USP é a falta de democracia na gestão da universidade, expressa hoje pelo atual reitor João Grandino Rodas. O convênio assinado com a polícia militar não foi em nenhum momento debatido junto à comunidade universitária e não solucionou o problema da falta de segurança que até hoje permanece dentro da Cidade Universitária.

Por isso, em setembro de 2011, o DCE-Livre da USP realizou um ato público na Faculdade de Direito da USP contra a criminalização dos estudantes e em defesa da democratização da universidade, que contou com a presença do senador Eduardo Suplicy, do deputado estadual Carlos Gianazzi e do jurista Fábio Konder Comparato, além de diversos movimentos sociais.

Lutar por democracia e diálogo não é crime. O DCE-Livre da USP se posiciona contrário a qualquer tipo de punição a esses estudantes e convoca os demais alunos a seguirem na luta pela democratização da universidade.

DCE-Livre da USPGestão Não Vou Me Adaptar

Em ‘Direito, Constituição e Transição Democrática no Brasil’, Tarso critica submissão do direito ao mercado

É traço importante do livro do governador do Rio Grande do Sul a crítica contundente a uma nova ordem global, de submissão negativa do direito aos interesses do mercado. Num contexto, assim, de força normativa cada vez mais débil das constituições e de abandono da efetividade dos direitos humanos, busca-se na centralidade dos direitos fundamentais um alicerce capaz de recuperar a dignidade do Direito. A análise é de Jorge Mauricio Klanovicz

Jorge Mauricio Klanovicz*

“A raposa conhece muitas coisas, mas o ouriço conhece uma única grande coisa”. Em seu célebre O ouriço e a raposa: um ensaio sobre a visão da história em Tolstói, Isaiah Berlin toma de empréstimo o verso do poeta grego Arquíloco, propondo, a partir dele, um critério para classificar pensadores. Os ouriços articulam tudo numa visão unitária e coerente, que serve como um elemento organizador do pensamento. As raposas, por sua vez, têm interesse por várias coisas e perseguem fins muitas vezes sem relação entre si, adotando, assim, uma visão mais pluralista e heterodoxa. Hegel e Marx seriam ouriços; Max Weber, raposa.

Em Direito, Constituição e Transição Democrática no Brasil (Editora Francis, 2010, 214 p.), é possível afirmar que o autor, Tarso Genro, foi ambos: raposa e ouriço. Foi raposa na medida em que o livro perpassa temas diversos, abordados numa perspectiva de esquerda, mas livre da ortodoxia do “marxismo vulgar”. E foi ouriço porque, apesar de ser o livro um conjunto de textos em princípio independentes, todos eles fluem a partir de algumas categorias e conceitos, que organizam o ideário do autor.

O livro é, eminentemente, um ensaio de Filosofia do Direito. Mas não é simplesmente isso. O perfil do autor não o permitiria, pois não se trata meramente de um jurista com inquietações filosóficas. A obra é também um ensaio de Ciência Política, marcado pela afirmação da “potência constitutiva da política no âmbito do Direito”.

É traço importante da obra a crítica contundente a uma nova ordem global, de submissão negativa do direito aos interesses do mercado. Num contexto, assim, de força normativa cada vez mais débil das constituições e de abandono da efetividade dos direitos humanos, busca-se na centralidade dos direitos fundamentais um alicerce capaz de recuperar a dignidade do Direito.

Ante a negligência total dos direitos fundamentais durante a experiência nazista na Alemanha, Hannah Arendt trabalhou com o conceito de “ruptura”, que, como bem aponta Lafer, “se traduz num hiato entre o passado e o futuro, gerado pelo esfacelamento dos padrões e das categorias que compõem o repertório da tradição ocidental”. Trata-se de tamanho desconcerto epistemológico que a “lógica do razoável”, que norteia o pensamento moderno, não é capaz de dar conta da falta de razoabilidade da experiência totalitária. Essa “ruptura” impôs a reconfiguração do papel atribuído aos direitos fundamentais. Como meros “direitos subjetivos”, os direitos fundamentais seriam incapazes de conter o totalitarismo. A eles passa a se colocar, então, a necessidade de, além de “direitos subjetivos”, operarem como “valores objetivos”, que permeiam todo o sistema.

Tarso Genro identifica, porém, que a questão democrática, hoje, passa a informar o Direito “não mais como vítima de ditaduras fundamentalistas supostamente de classe (stalinismo), do espírito nacional (fascismo) ou como alvo da razão racial (nazismo)”. A questão democrática está hoje acossada por questões que servem aos interesses do neoliberalismo.

Esse cenário impõe uma nova espécie de crise ao ideal de não instrumentalização do ser humano proposto por Kant, crise esta diferente daquela que remonta às experiências totalitárias. A crise atual é gestada a partir de uma hegemonia de novo tipo dos valores utilitaristas. Essa nova ordem torna o Direito contemporâneo anacrônico, exigindo novas flexões teórico-doutrinárias capazes de tornar efetivos os direitos fundamentais.

Também é marca do ensaio a crítica à interpretação dada às normas da anistia no Brasil, em decisões que o autor bem caracteriza como “de predominante regressismo conservador e de escassa superação democrática”. Tarso Genro aponta que, no caso brasileiro, houve, segundo uma “ideologia do perdão invertida”, a adesão forçada a um padrão de esquecimento que só beneficia os agentes da repressão da ditadura militar. Daí a importância da luta pela implementação de uma Justiça de Transição, o que é uma luta pela radicalização e aperfeiçoamento da própria democracia.

Por fim, integra o livro o teor da decisão proferida por Tarso Genro naquele que acabou se tornando um dos casos de maior notoriedade em sua passagem pelo Ministério da Justiça: a concessão de refúgio a Cesare Battisti. Trata-se de decisão corajosa, que recusou o conforto da opinião reproduzida pelo senso comum constituído e que – amparada em estudo que indica que Battisti foi condenado em processo repleto de erros, decorrentes da situação de instabilidade política vivida pela Itália à época – guarda caráter radicalmente humanitário.

Em Direito, Constituição e Transição Democrática no Brasil, enfim, Tarso Genro, acompanhado de Kant, Marx, Bobbio e Ferrajoli, entre outros amigos ilustres, instiga a pensarmos grandes temas do Direito e da Política na contemporaneidade. E não o faz de modo convencional, como um “filósofo de gabinete”, mas sim como intelectual ciente da complexidade do mundo em que vive e como político engajado para mudá-lo.

* Jorge Mauricio Klanovicz é analista judiciário do Tribunal Regional Federal da 4a Região e especialista em Direito Constitucional.

Por que as ideias de Marx são mais relevantes do que nunca no século XXI

O marxismo está em evidência com a crise econômica global. Mas, como Marx diz, o importante não é apenas interpretar o mundo, mas o transformar. Para isso, ele precisa ser mais do que uma ferramenta intelectual para comentaristas confusos com a conjuntura. Ele necessita ser uma ferramenta política.

Bhaskar Sunkara* – The Guardian

O ‘capital’ costumava nos vender visões do amanhã. Na Feira Mundial de 1939, em Nova York, empresas exibiram novas tecnologias: nylon, ar condicionado, lâmpadas fluorescentes, e o impressionante ”View-Master”. No entanto, mais do que apenas produtos, um ideal, de “classe média”, de tempo livre e de abundância, era oferecido àqueles cansados da depressão econômica e da expectativa de guerra na Europa.

O passeio futurístico levou os participantes até mesmo por versões em miniatura de paisagens transformadas, representando novas autoestradas e projetos de desenvolvimento: o mundo do futuro. Esta era uma tentativa determinada a renovar a fé no capitalismo.

No despertar da segunda guerra mundial, um pouco desta visão se tornou realidade. O capitalismo prosperou e, mesmo que desigualmente, os trabalhadores norte-americanos progrediram. Pressionado por baixo, o estado foi conduzido por reformadores, e o comprometimento de classe, para além da luta de classes, fomentou o crescimento econômico e compartilhou uma prosperidade antes inimaginável.

A exploração e opressão não acabaram, mas o sistema pareceu ser não somente poderoso e dinâmico, mas conciliável com os ideais democráticos. O progresso, no entanto, estava esmorecendo. A democracia social se deparou com uma crise estrutural nos anos 1970, que Michal Kalecki, autor de ”Os Aspectos Políticos do Pleno Emprego”, previu décadas antes. Altas taxas de emprego e as garantias do estado de bem-estar social não ”compraram” os trabalhadores, mas encorajaram fortes demandas salariais. Os capitalistas mantiveram estas políticas enquanto os tempos eram bons, mas com a estagflação – que consiste na intersecção entre baixo crescimento e alta inflação – e o embargo da Opep, uma crise de rentabilidade seguiu-se.

O neoliberalismo emergente refreou a inflação e restaurou os lucros, mas tudo isso só foi possível por meio de uma ofensiva cruel contra a classe trabalhadora. Havia batalhas campais travadas em defesa do estado de bem-estar social, mas, de maneira geral, nossa era foi de desradicalização e conformismo político.

Desde então, os salários reais se estagnaram, a dívida disparou, e as perspectivas para uma nova geração, ainda apegada à velha visão social-democrata, se tornaram sombrias.

O ”boom” tecnológico dos anos 1990 trouxe rumores de uma ”nova economia”, leve e adaptável, algo que substituiria o velho ambiente de trabalho Fordista. Mas tais rumores foram apenas um eco distante do futuro prometido na Feira Mundial de 1939.

De qualquer forma, a recessão de 2008 despedaçou estes sonhos. O capital, livre de ameaças provindas de baixo, cresceu ganancioso, selvagem, e especulativo.

Para muitos de minha geração, a ideologia subjacente ao capitalismo foi minada. O maior percentual de norte-americanos nas idades entre 18 e 30 anos que possuem uma opinião mais favorável ao socialismo do que ao capitalismo pelo menos sinaliza que a era da Guerra Fria, onde havia uma confluência entre socialismo e stalinismo, não mais impera.

Para os intelectuais, o mesmo é verdade. O marxismo tem estado em evidência: a política externa recorreu a Leo Panitch, e não a Larry Summers, para explicar a recente crise econômica; e pensadores como David Harvey têm desfrutado de um renascimento tardio em suas carreiras. Um maior reconhecimento do pensamento da “esquerda do liberalismo” – como a revista Jacobin, que editei – não é apenas o resultado de uma perda de confiança nas alternativas dominantes, mas sim a capacidade que os radicais possuem de formular questões estruturais mais profundas e apresentar novas alternativas de desenvolvimento situadas em um contexto histórico.

Agora, mesmo um liberal célebre como Paul Krugman tem invocado ideias que foram largamente relegadas às margens da vida norte-americana. Quando pensa sobre automação e o futuro do trabalho, Krugman preocupa-se que “mesmo possuindo ecos de um marxismo fora de moda, tais temas não deveriam ser ignorados, mas frequentemente são”. Mas a esquerda que ressurge possui mais do que preocupações, ela tem ideias: sobre a redução do tempo de trabalho, a desmercantilização do trabalho, e os meios pelos quais os avanços da produção podem constituir uma vida melhor, e não mais miserável.

É neste ponto que está se desenvolvendo, mesmo que desajeitadamente, um intelectualismo socialista do século 21 que mostra suas forças: na vontade de apresentar uma visão para o futuro, algo mais profundo do que mera crítica. Mas mudanças intelectuais não significam muito por si mesmas.

Um exame do panorama político nos EUA, a despeito do surgimento do movimento Occupy em 2011, é desanimador. O movimento trabalhista demonstrou alguns sinais de vida, especialmente entre os trabalhadores do setor público ao combaterem a austeridade; no entanto, tais ações são apenas de retaguarda, um esforço defensivo. Os índices de sindicalização continuam em baixa, e é a apatia, e não um fervor revolucionário, o que reina.

O marxismo nos EUA precisa ser mais do que uma ferramenta intelectual para comentaristas tradicionais confusos com nosso mundo em mudança. Ele necessita ser uma ferramenta política para transformar o mundo. Comunicado, não apenas escrito, para um consumo de massa, vendendo uma visão de tempo livre, abundância e democracia ainda mais real do que os profetas do capitalismo ofereceram em 1939. Uma Disneyland socialista: inspiração para depois do “fim da História”.

Tradução: Roberto Brilhante

Fotos: Arquivo


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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