Arquivo para 14 de janeiro de 2014

PRAÇA 14 DE JANEIRO, ONDE A FESTA É CONTÍNUA

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De janeiro a janeiro a Praça 14 é festa. Para quem não conhece Manaus, a Praça 14 de Janeiro foi um dos primeiros bairros a se constituir como realidade urbana. Mas não é por essa ordem cronológica que esse bairro é ponto de referência de um existir alegre. A sua singular referência encontra-se constituída no fato de ter sido um território de expressivas produções coletivas.

Historicamente foi o território escolhido pelas primeiras comunidades negras para servir de habitação. Território para formação dos signos necessários ao habitar. Uma antecipação prática do diria posteriormente o filósofo alemão Heidegger sobre ser: “Ser é Habitar”. Quando não se habita não, ontologicamente, não se pode ser tomado como ser. E essas comunidades negras concretizaram na Praça 14 de Janeiro sua morada.

E foi nessa morada, habitação, que foi possível ser constituída o folguedo nordestino, vindo do Maranhão, o Bumba-Meu-Boi que depois passou a ser chamado, inicialmente, em Manaus, de Boi-Bumbá. A 14, como é carinhosamente chamada, territorializou o Bumba-Meu-Boi que foi desterritorializado da terra do poeta Gonçalves Dias. Como território singular dos negros, se manifestou como quilombola manauara. Formas de relações culturais que preservaram os signos afros. Mostrar a 14 como território-morada das primeiras famílias negras, não significa torná-la a única expressão dessa etnia em Manaus. Existem outros territórios como Seringal Mirim, onde outras famílias negras foram habitar, e onde também surgiu o Boi-Bumbá Mina de Ouro, além de manifestações do Candomblé, Macumba, Umbanda, como já haviam se manifestado na 14. O que se enfatiza, é que a 14 promoveu com menos acanhamento a cultura negra.

Foi também da Praça 14 que saiu a primeira personagem engajada da luta pelos direitos dos negros. Quer dizer: foi na Praça 14 que foram encadeadas as primeiras manifestações de lutas política, social e cultural dos negros revelada na práxis do negro Nestor Nascimento, membro do PCB. Foi na Praça 14 que o rizoma Consciência Negra se emaranhou pela Manaus. Até então, falar em defesa do negro era uma temeridade. Visto trata-se de uma manifestação étnica-política em plena a ditadura militar-civil que se fixou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Ditadura que prendeu e torturou Nestor Nascimento.

Como território de manifestações coletivas, a Praça 14 não podia ficar de fora de uma alegoria que se encontra estreitamente ligada a sua expressividade cultural: o carnaval. Depois de muita experiência com o samba, onde as rodas de samba já haviam se tornado tradição, os moradores resolveram criar usar seus talentos musical e dançante e criaram a Escola de Samba da Praça 14. A Verde e rosa, lembrança carinhosa da “Mangueira, teu cenário é uma beleza”. Reduto contínuo do samba. Território da festança anual. Da festança singular de moradores que não arrefecem nem mesmo com todo descaso que as chamadas autoridades administrativas lhes submetem.

Hoje, é 14 de janeiro, e janeiro, com todo respeito a São Sebastião e ao Rio de Janeiro, janeiro é Praça 14. Parabéns, Praça 14, por confirmar que “costume de casa vai à praça”!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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