MAIS UMA VEZ EM UM PLEITO ELEITORAL NÃO HAVERA DISPUTA PARA GOVERNADOR DO AMAZONAS

O Amazonas é um Estado cuja realidade política (se é que se pode chamar de política, claro que não se pode) é igual à maioria dos estados brasileiros pós-ditadura civil-militar. Aqui, como em outros alhures, após a ditadura civil-militar as forças mais reacionárias locais se agruparam perseguindo seus interesses, usaram seus velhos métodos populistas e fundaram um corpo profundamente caduco politicamente (se é que se pode…).        

A ORIGEM DA IMOBILIDADE

Na primeira eleição para governador do estado do Amazonas, foi eleito Gilberto Mestrinho, que havia sido cassado pelos militares, mas não por ideologia política. No governo ele se aliou ao prefeito-biônico – indicado pelos militares – Amazonino Mendes, um mero desconhecido da chamada vida política que se autonomeava comunista. Na eleição seguinte para governo, Amazonino, apoiado por Gilberto Mestrinho, foi eleito e construiu amizade com o jovem (jovem na idade, posto que tinha e tem, a mesma subjetividade dos dois anteriores governadores) Eduardo Braga, membro de uma família de empresários que quase chega à falência. Eduardo foi guinado para o governo por Amazonino, que o tratava como “meu garoto”.

 A TRAPAÇA DA REELEIÇÃO CONDUZIDA POR FHC

A determinação da reeleição, uma jogada anticonstitucional de Fernando Henrique com a chamada “compra de votos”, com a participação de Amazonino Mendes, para se reeleger presidente, os governadores e prefeitos foram também reconduzidos aos seus cargos nababescos. Em sua última edição como governador, Eduardo, fez seu vice, Omar Aziz, que também se considerava comunista, no triste passado do Brasil, começo de 80, em que muitos reacionários se diziam de esquerda, e logo foi eleito governador do Amazonas apoiado por Eduardo que foi eleito senador pelo partido fisiológico PMDB (também existem outros no patético quadro partidário do Brasil).

A EXACERBAÇÃO DO MESMO

Agora, nas eleições de 2014, Omar Aziz, se tomando como adversário de Eduardo (Eduardo também fez uma bufa encenação que havia brigado com Amazonino, mas depois foi tratado como “meu garoto” e a bufonada  revelou claramente sua mixórdia),  lançou seu vice José Melo, para disputar o cargo de governador contra Eduardo Braga. É aí que o mesmo continua.  

José Melo (para os íntimos, Zé Melo), desde o tempo da ditadura, sentiu o odor do poder que a filósofa Hannah Arendt, chama de força, e não potência. Território dos confrontos não racionais que conduzem a antidemocracia. Sempre esteve associado aos governantes. Assim foi com Gilberto, Amazonino, Eduardo e Omar. Por isso, é um candidato com os mesmo pressupostos ideológicos de todos os outros governadores direitistas que dominam a cena fisiológica da alcunhada política do Amazonas. Se ele tem algum corpo que diferencia dos outros talvez seja uma diferença que não muda o concreto arcaico implantado no estado.

Desta forma, tanto faz votar em José Melo ou Eduardo Braga, que tudo vai ficar no mesmo ponto-molar que não abala os alicerces da conjuntura alienada. Pode ser, também, por esse corpo, que José Melo não vai ganhar a eleição, que segundo pesquisas, colocam Eduardo na frente abismalmente. Porque o fato é, se Amazonino aprendeu com Gilberto, Eduardo aprendeu com Amazonino e, de quebra, também com Gilberto.

Eduardo conhece os caminhos das pedras dos conservadores opulentos. Eduardo ocupou cargos executivos, entendeu os principais signos da ideologia reacionária e as suas formas de execuções. Se foi “meu garoto”, para Amazonino, para a subjetividade reacionária foi um bom aluno. José Melo sempre andou em círculos nos governos. Ora era um deputado auxiliar destes governos, ora era um secretário. Agora, é governador, mas sem força para ganhar uma eleição mesmo contra um representante do mesmo, seu amigo.

A SUBMISSÃO DAS ESQUERDAS ÀS DIREITAS

Na acepção atuante e produtora do conceito de esquerda que transforma o determinado dos estados de coisas opressivos, ou seja, a ultrapassagem do estabelecido através da potência criadora do novo, não há esquerda no Amazonas. E esse quadro político-bruxuleante pode ser entendido de duas formas e conteúdos.

OS DITOS PARTIDOS DE ESQUERDA RADICAL

Os partidos ditos de esquerda radical (“ser radical é tomar as coisas pela raiz, para o homem a raiz é o próprio homem”, diz Marx, que fez aniversário ontem dia 5, mas pouco é ouvido) como o PSTU, o PSOL, até que têm um programa revolucionário, só que se equivoca por dois fatores: não tem um número suficiente de membros para mobilizar uma luta original e se posta com uma consciência por demais fechada que impede outros diálogos disjuntivos sobre a própria direita. Que apesar de se manter como governo há trinta anos, é frágil politicamente, porque não pensa. Só tem força de imposição. Recurso dos desativados.

Existe através de clichês que vararam a pré-história do mundo-social. Por esta razão a-histórica, é fácil tocar e incomodá-la, visto que como clichês, estão desativados. Mantém-se como herança-vazia que ilude quem a usa e quem acredita nela.

OS DITOS PARTIDOS NÃO-RADICAIS

Já os partidos chamados de esquerda não-radical (mas que já foram radicais para si) como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), não existem como potência-política. Tirando alguns membros (pouquíssimos) desses dois partidos, o resto faz parte do grupo submisso às direitas que detém o poder-caduco. De professores a metalúrgicos, todos estão aliados com esses governos.

O deboche é tamanho que durante anos o deputado Sinésio Campos (PT), foi líder do governo Eduardo Braga na Assembleia Legislativa. O próprio PT encontra-se dominado pela pelegada. O único membro do PT, com possibilidades de vibrações políticas mais abrangentes, que mantém autenticidade é o deputado federal Francisco Praciano, mas é muito solipsista. Tem dificuldade de agregar. Não tem entendido o que vem a ser o PT original. Ficam também o vereador Waldemir José e o deputado estadual José Ricardo (é muito José) que procuram manter uma política democrática moral. Aristotélica, mas melhor que a moral capitalística dos outros. Apesar da moral aristotélica contribuir com a formação da moral capitalista.

A CRÔNICA ANUNCIADA DOS SUBMISSOS

No mais, já se sabia que isso poderia ocorrer com a elevação de alguém da esquerda à Presidência da República, como foi o caso de Lula. Sabia-se que o PT nacional iria se aliar com partidos fisiológicos, como realmente sucedeu. Como não tem potência política para eleger alguém para cargo executivo no Amazonas e em Manaus, membros desses dois partidos se juntaram às direitas como coadjuvante. Um exemplo breve, o sindicato dos professores composto por membros do PCdoB e que é aliado desses governos. E o Sindicato dos Metalúrgicos dirigido por membros do PT.

Era uma crônica anunciada que os aproveitadores, “famintos”, os inexpressivos, os calculistas, os burgueses travestidos de esquerdistas, iriam aproveitar. Assim como a classe média reacionária, a imprensa-submissa, o empresariado-voraz, profissionais de vários setores, como os médicos-burgueses, aproveitam os governos reacionários.  Gente dos mais variados seguimentos da sociedade amazonense. Da Universidade do Amazonas ao jornalismo.

Em função dessa realidade patética, não pode haver eleição para governador do Amazonas na acepção radical do conceito. Não há oposição. E sem oposição não há eleição e muito menos democracia.

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