Arquivo para 28 de maio de 2014

PROFESSORES DE SÃO PAULO CONTINUAM A GREVE, MESMO COM 16% CONCEDIDO PELO PREFEITO. EM MANAUS 5,6% e 10% CALARAM OS PROFESSORES

É muito simples de entender. Desde o dia 23 de abril, os professores do ensino municipal de São Paulo iniciaram uma paralisação exigindo 20% de reajuste salarial, incorporação de um bônus complementar ao salário, valorização profissional e melhorias nas condições de trabalho. São direitos que eles reivindicam anos após anos. Reivindicações que vêm desde as gestões Maluf, Serra e … Direitos negados por todos os prefeitos das direitas.

Na primeira negociação, o prefeito Haddad, do Partido dos Trabalhadores, concedeu um reajuste de quase 16%, mas os professores não aceitaram e continuaram a paralisação. Ontem, dia 27, os professores tiveram uma reunião com os representantes da prefeitura. Não entraram em acordo e resolveram manter a paralisação.

Apesar da chuva, mais de 7 mil professores realizaram uma passeata pelo centro da cidade seguindo até à prefeitura, onde compuseram uma assembleia. De acordo com o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal (Simpeem) a adesão é de 30% a 40%.

Qualquer trabalhador, como personagem das forças produtivas e relações de produção, sabe que a greve foi a primeira grande arma que ele produziu contra a opressão-salarial imposta pela ditadura burguesa. E que para que ela seja vitoriosa é preciso que todos os trabalhadores estejam unidos. E a forma de se encontrar unido é através do sindicato. Foi o filósofo Karl H. Marx que mostrou esse instrumento do trabalhador contra sua opressão. Todavia, existe um número muito grande de trabalhadores que não conhecem esse instrumento. Inclusive muitos que participam de sindicatos, como acontece no sindicato dos professores no Amazonas.

Sabe-se que as duas situações são grandemente diferentes. O caso dos professores de São Paulo e o caso dos professores do Amazonas, principalmente, Manaus. Historicamente existe um grande abismo de separação entre as duas situações. Até mesmo no caso de educação política dos trabalhadores na educação.

Se em São Paulo, a discussão com a prefeitura reflete mais sensibilidade e inteligência, tanto por parte dos professores como do prefeito que é de um partido de esquerda, aqui, em Manaus, a situação é diametralmente oposta.  Tanto a prefeitura como o estado, são governados pelo que há de mais reacionário. O prefeito de Manaus é Arthur Neto, do PSDB da burguesia-ignara, e que ameaçou surrar Lula. O governador é José Melo, candidato à reeleição, e que faz parte do grupo conservador, tanto no sentido de conservar ideias desativadas democraticamente, como conservar no sentido de se manter no poder, que domina a cena bufa do Amazonas há 30 anos. Daí, não se esperar exemplos contagiantes de sensibilidade e inteligência. Presas na consciência do lucro máximo, às direitas, em suas multifaces, nunca pretendem negociações justas.

A diferença da categoria por região é facilmente observada no trato das negociações. Em São Paulo, os professores, quem têm um sindicato politicamente formado e engajado, não aceitaram os quase 16% oferecido pela prefeitura e mantém a greve. Aqui, com um sindicato apolítico e conivente, os professores com um salário humilhantemente-defasado, aceitaram o que foi oferecido pelo prefeito, 10%, e o que foi oferecido pelo governador, 5,6%. Embora eles reivindicassem 20% e outros direitos.

É visível a disparidade de consciência-trabalhista entre os dois estados. Lá, os professores mantém a luta por seus direitos. Aqui, os professores se calam e vão assistir televisão, já que, como diz o poeta Belchior, “ao vivo é muito pior”.

PARA DILMA O QUE OS TURISTAS LEVERÃO DO BRASIL É A IMAGEM DE UM “POVO CIVILIZADO E AFETIVO, E NÃO AEROPORTOS”

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Dilma na semana passada já havia afirmado que os aeroportos das cidades sedes onde as partidas da Copa serão realizadas, estão preparados para receber os turistas. E que depois da Copa eles ficarão como obras para o bem estar da população brasileira.

Mesmo assim, a imprensa desafeta imobilizada em sua trapaça-intrigante e resumida em uma consciência colonizada, tem comentado que os aeroportos não estão ainda no “padrão FIFA”, como se a entidade maior do futebol de mercado fosse o modelo a ser copiado para satisfazer os insatisfeitos conspiradores que pretendem, magicamente, a não realização da Copa do Mundo. Os chamados ‘Ronaldos’ insinuadores do fracasso e sujeitos- inertes da consciência invejosa.

Como a presidenta Dilma Vana Rousseff não deixa pergunta ou insinuação sem respostas, ela respondeu acima da qualidade dos intrigantes. Ela simplesmente disse que as obras da Copa são “padrão Brasil”, porque ficarão para os brasileiros. Um bom saque, pois quem tem a vivência do seu próprio mundo são os brasileiros e sabem o que lhes representa e lhes agrada. E não os que têm a mente assaltada pela cultura alienígena. Os eternos nostálgicos da cultura alienante. Os que não pretendem um espírito social autêntico.

“Os aeroportos, vocês me desculpem, mas não são FIFA, são padrão Brasil. Os aeroportos estão sendo feitos para os brasileiros. Os turistas levarão a imagem de que somos um povo gentil, hospitaleiro, civilizado e afetivo”, afirmou Dilma.

IBOPE NA BAHIA MOSTRA O IBOPE NACIONAL: DILMA DERROTA A DUPLA DOS CONSERVADORES, AÉCIO E EDUARDO NA BOA

Dilma Plano Safra Semiárido

O instituto de pesquisa da burguesia-ignara, Ibope, entrevistou os eleitores para saber em quem votarão na eleição para a Presidência. Deu o que já sabido até no mundo mineral, como diz o jornalista-filósofo Mino Carta.

Dilma tem 50%, contra 19% dos dois ousados candidatos Aécio Arrocho e Eduardo Belezão. Algum discriminador pode afirmar: “É porque é no Nordeste”. Triste e irracional discriminação. Só em São Paulo e Minas Gerais, o Ibope – não esquecer que ele trabalha e torce pelas direitas – afirma que Dilma tem mais 10% acima do Arrocho. E olha que as direitas acreditam que são feudos eleitorais delas.    

Contra Financial Times, The Economist sai em defesa de Piketty

Segundo o semanário britânico, críticas feitas por editor do Financial Times são questionáveis e muitos dos detratores do livro de Piketty sequer o leram.

Marcelo Justo

A polêmica sobre o economista francês Thomas Piketty se converteu em sinônimo de debate sobre a desigualdade. Com um surpreendente terceiro lugar nas vendas da Amazon nos Estados Unidos após três meses de lançamento, com uma segunda edição a caminho, apareceram críticas a supostas incongruências nos dados de “O Capital no Século XXI” que buscam minar a tese fundamental do livro: que a crescente desigualdade do capitalismo é inerente ao sistema.

Segundo publicou na sexta-feira passada Chris Giles, editor econômico do Financial Times, em texto publicado na capa do jornal, Piketty comete erros nas projeções que faz para épocas nas quais não havia informação, no método que usa para distintos países e no uso tendencioso das estatísticas para provar sua tese central.

O artigo do Financial Times produziu uma avalanche de notas e comentários nos principais jornais de direita do mundo anglo-saxão que tomaram o veredito de Giles como a definitiva desclassificação do livro de Piketty. A exceção ao coro foi um meio de comunicação de inquestionável filiação capitalista: The Economist.
 
Segundo o semanário britânico, as críticas de Giles eram questionáveis e muitos dos detratores do livro não tinham se dado o trabalho sequer de lê-lo e ignoravam que a maioria dos dados vinha do World Top Income Database, um índice que ninguém questiona. “Há um par de erros que parecem ser de transcrição ou de ajustes de dados que requerem uma avaliação do investigador”, diz o semanário britânico.

O fundamento para a tese principal do livro, sustentada com um volumoso exame de dados dos últimos 300 anos, é que a riqueza aumentou a uma velocidade maior que o crescimento econômico nestes três séculos e que isso contribuiu para aumentar a desigualdade que, a seguir a tendência atual, será neste século 21 semelhante a que existia no vitoriano século 19. A crítica mais sólida feita a esta tese vem da esquerda e diz que, longe de exagerar o estado das coisas, Piketty subestima a real dimensão da desigualdade.

Segundo James Henry, autor de “The price of offshore revisited” e professor da Universidade de Columbia, o grande erro de Piketty é o cálculo que faz sobre a riqueza oculta em paraísos fiscais. “Há cerca de US$ 21 trilhões ocultos em paraísos fiscais. A metade dessa soma está nas mãos das 91 mil pessoas mais ricas do mundo, cerca de 0.,001% da população mundial, que controla uma terça parte de toda a riqueza mundial. Piketty subestimou esta cifra. Este é o questionamento que pode ser feito a ele. O resto é trivial”, disse Henry à Carta Maior.

Na carta de resposta de Giles, publicada no mesmo Financial Times, Piketty reconhece a necessidade de uma melhor contabilização dessa riqueza oculta. “Na realidade, é muito possível que minhas próprias estimativas não considerem plenamente a riqueza offshore ou guardada em paraísos fiscais, algo que aprofundaria a desigualdade”, assinala o economista. Os dados de Piketty provem de outro investigador da Paris School of Economics, Gabriel Zucman, que estima em cerca de U$ 8 trilhões de dólares a riqueza oculta nos paraísos fiscais, cálculo feito com base nos dados macroeconômicos disponíveis (balança de pagamentos, por exemplo) e nos ativos financeiros, deixando fora todo qualquer outro tipo de acumulação de riqueza (iates, obras de arte, etc.).

Somando-se à polêmica na edição do The Guardian, nesta segunda-feira, Paul Mason, editor econômico do Channel 4 britânico, assinalou que as críticas de Giles (e dos outros veículos de direita) se baseiam em estatísticas oficiais erradas. “As conclusões do Financial Times apenas se diferenciam das de Piketty na análise da Suécia e da França. Ele também trata dos casos do Reino Unido e dos Estados Unidos. Desde tempos imemoriais os ricos têm uma especial aversão a declarar sua riqueza. Com a reestruturação capitalista de 1979, se promoveu a acumulação de riqueza oculta que obrigou Piketty a fazer uma mescla de dados de herança e pesquisas junto a cálculos”, escreve Mason.

Nem sequer as cifras oficiais são congruentes. O HMCR, agência de impostos do Reino Unido, estima que os 10% mais ricos tem 70% de toda a riqueza o país. O Escritório Nacional de Estatísticas, em troca, estima que só possuem 44%. O crescimento dos paraísos fiscais desde os anos 70 tornou muito mais impreciso o cálculo da riqueza (patrimônio pessoal que inclui depósitos, ações, imóveis, etc.). O cálculo das rendas é muito mais rastreável: a diferença gera todo tipo de incongruência na compilação de dados.

Nos Estados Unidos, Sam Pizzigati, do Institute for Policy Studies, de Washington, fala de um “paradoxo americano” para explicar essa defasagem. “Entre os dados que temos sobre a desigualdade de renda e de riqueza há uma profunda desconexão que equivale a um paradoxo. A análise da curva de receitas nos diz que houve um enorme crescimento da desigualdade entre os mais ricos e o resto. Mas quando analisamos a desigualdade de riqueza, vemos que a diferença é ínfima. A explicação mais lógica desta diferença é a riqueza oculta em paraísos fiscais. Se não, seria preciso pensar que esta gente gasta US$ 5 mil em jantas todas as noites do ano”, disse Pizzigati à Carta Maior.

O impacto desta defasagem nos níveis de desigualdade de uma sociedade fica claro em um estudo específico sobre a Argentina, “Fuga de Capitais III (2002-2012)”, que apontou um aumento do coeficiente Gini de 0,42 para 0,49 pontos uma vez que se corrijam as pesquisas oficiais para incluir as rendas não declaradas e se contabilizem os fundos que vão para os paraísos fiscais. “Se aceitamos que o volume de dinheiro nos paraísos fiscais alcança os 400 bilhões de dólares, valor equivalente a 15 vezes o nível de reservas do Banco Central, o coeficiente de desigualdade salta então de 0,43 para 0,49. Muitos pensam que, na verdade, a soma é ainda maior se levarmos em conta as manipulações contábeis de empresas multinacionais e outros fatores. Mas mesmo com essa cifra ‘conservadora’, vemos que o salto que dá a medição da desigualdade neutraliza os avanços obtidos em uma melhor distribuição de renda pelo crescimento econômico e as fortes políticas sociais do governo argentino durante o período 2003-2010”, disse à Carta Maior um dos autores do informe, Jorge Gaggero.

No momento em que, como se viu nas eleições europeias, está se pagando um alto preço por não se prestar atenção nestas tendências profundas, convém que o debate provocado com a publicação do livro de Piketty não seja ignorado com argumentos débeis.
 
Tradução: Louise Antônia León


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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