O SENTIDO DE NOVA POLÍTICA REPRESENTADO POR MARINA COMO CONCEITOS DE MENTIRA E MÁ-FÉ NO FILÓSOFO SARTRE

sartre

A sociedade brasileira tem observado nos últimos dias, desde a morte de Eduardo Campos, a candidata-substituta Marina, se autonomear representante da nova política que carece o Brasil. Uma propaganda que tenta diferenciá-la dos outros candidatos pretendentes à Presidência da República. Uma representação que vem, segundo ditos especialistas, tomando corpo entre alguns eleitores.

Entretanto, a sociedade brasileira tem compreendido que Marina, não apresenta qualquer novidade no corpus político. Ela é tão apolítica como muitos que ela rejeita como contrários à vida política. Em sua ambição pelo poder, ela vem se aliando com o que há de mais reacionário no Brasil. O capitalismo financeiro representado por sua coordenadora-financeira Maria Alice Setúbal, vulgo Neca, uma das proprietárias do banco Itaú, o maior banco privado do Brasil, especuladores do capitalismo de mercado, o economista-burguês Eduardo Giannetti, e tem como seu vice Beto Albuquerque, representante obstinado do agronegócio entre outros personagens da velha política.

Além de quê, Marina, é carregada por afetos tristes fundados na base arcaica da história como, ambição, sentido de desagregação por interesse individual, ideia fixa, messianismo e uso de sua compleição física para catalisar consciências malogradas ou coaguladas, aqueles que se encontram imobilizadas, como diz o filósofo Sartre.

MARINA E AS ESTRUTURAS ONTOLÓGICAS

Diante dessa encenação de Marina, é oportuno recorrer ao filósofo da liberdade, Jean Paul Sartre, para tentar uma compreensão sobre sua consciência-representada. Compreender se essa consciência é fundada como estrutura ontológica da mentira ou da má-fé. Para isso precisamos entender que existem duas estruturas ontológicas, segundo Sartre, que nos fundamenta como existentes no mundo. A relação de uma existência com outro e a relação de uma existência consigo mesmo (ipseidade).

Na primeira, encontram-se dois projetos ontológicos: minha existência para o outro e a existência do outro para mim. Nos dois casos existem duas transcendências, a minha para chegar ao outro e a do outro para chegar a mim. O que o filósofo Heidegger chama de mit-sein: ser-com. Na segunda, há um projeto ontológico: eu chego em mim mesmo como Em-Si.

 A MENTIRA

Na mentira, que “é conduta de transcendência”, como diz Sartre, é necessário que o sujeito que mente, seja conhecedor da verdade que ele tenta esconder do outro. Impedir a transcendência do outro de sua liberdade como criadora de possíveis. Fazer com ele fique coagulado em relação à verdade. Torna-se imóvel em relação da verdade que lhe é ocultada pelo mentiroso. Em síntese: nadificar o outro.

O mentiroso, em seu projeto da mentira, tem inteira compreensão da verdade que altera. Por isso, há no mentiroso uma forma cruel de sadismo. Ele aproveita em seu benefício a dualidade ontológica de seu “eu e do eu do outro”. Esse sadismo se revela como a confirmação da anulação do projeto do outro.

A MÁ-FÉ

Enquanto o projeto da mentira é ocultar a verdade do outro, o projeto da má-fé é mentir para si mesmo. Mascara uma verdade desagradável para si ou “apresentar como verdade um erro agradável”. O que significa que eu escondo a verdade de mim mesmo. O que elimina a dualidade do enganador e do enganado que existe na mentira. Porque a má-fé não chega a mim de fora da realidade humana, mas a partir de mim mesmo. Ou seja, a consciência se afeta de má-fé. Para me enganar tenho que conhecer a verdade que pretendo ocultar de mim mesmo. Sou enganador e enganado na estrutura de um só projeto. Assim, o sujeito da má-fé tem consciência de sua má-fé, “pois o ser da consciência é consciência de ser”.

BREVE ILUSTRAÇÃO DA MÁ-FÉ EM UMA MULHER

Uma breve ilustração do filósofo Sartre, para entender melhor a consciência que Marina leva como representação. Uma mulher se encontra com um homem sabendo de suas intenções. O homem lhe fala com claro respeito e expressa sentimentos amáveis. A mulher, em sua facticidade, seu presente, aceita o jogo, mesmo sabendo o que ele objetiva. Aceitar o jogo é se colocar em transcendência àquilo que ela é. O homem segura sua mão, ela tem duas escolhas: recolhe a mão ou a abandona no desejo do homem. Se ela tira a mão revela o que é e o que sabe, e se ela deixa a mão ela se mostra não sendo. Ela escolhe a última. Configura-se a má-fé: ela mente para si, visto que o que queria era ser amada sem recorrer à mentira. Ela é facticidade, presença, e transcendência, com predominância da transcendência.

A MULHER NA MÁ-FÉ E O HOMEM NA MENTIRA

Na condição do projeto de má-fé, ela não foi amada em si, mas como outra, uma coisa divorciada do espírito que acreditou e aceitou os cortejos que o homem realizou e ela retribuiu como essa outra. Assim, como o homem não a amou em si, mas a sua transcendência como outra. Dessa forma, ela mentiu para si e o homem mentiu para ela. O homem só queria a experiência sexual de seu corpo como coisa, uma cadeira, uma mesa. Para seu propósito, elogiou sua inteligência, seus bons sentimentos, e ela aceitou para realizar seu projeto de má-fé, já que sabia o que realmente ele pretendia.

Sartre diz que ambos estão em condição de consciências malogradas. A opacidade de suas consciências impossibilitou que eles realizassem um encontro, já que nenhum dos dois era o que era. Ausentes de seus corpos e atos, foram a “divina ausência”, como diz Valéry, citado por Sartre.

A LIBERDADE MARINA ESCOLHER SUA REPRESENTAÇÃO

Como a filosofia de Sartre é a filosofia da liberdade que afirma que o homem encontra-se condenado à liberdade, e a liberdade se concretiza como “escolha que cria suas próprias possibilidades”, e não sendo Marina, a nova política, mas apenas uma representação no sentido teatral em que um ator se passa por uma outra personagem, Marina  encontra-se, de acordo com Sartre, tanto como consciência de projeto da mentira e consciência da má-fé. Tanto como uma consciência como outra, ela situa-se em estado de transcendência. É o que não é. Sua posição representada como nova política nada mais é do que a expressão da “divina ausência”.

OS ELEITORES DE MARINA SE ESCOLHEM ENGANADOS

E como diz Sartre, que todo homem é responsável por suas escolhas, seus eleitores são responsáveis por seus votos. Não estão sendo enganados. Eles escolheram o engano. Mas o grande perigo seria se Marina fosse eleita. Porque não governaria no estado de facticidade, mas no estado de transcendência. Muito distante do que é o Brasil e precisa.   

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