Arquivo para 20 de outubro de 2014

AÉCIO E O LEVIANO

As pessoas que escaparam do senso comum sabem que somos introduzidos na vida social pelos corpos linguísticos. O que significa que somos primeiro efeito do que causa. Os adultos, com seus conceitos e seus objetos, apresentam a criança o mundo que para eles representa sua realidade.

As primeiras palavras que uma criança aprende é efeito do ter ouvido. O que os adultos falam. Assim, como os primeiros objetos que ela domina é efeito do que ela viu. Ou melhor, do lhe mostram acompanhado de um signo linguístico que vai se tornar corpus imagem-sonora em sua mente. Ela começa a representar o mundo pelo que ouviu e viu. Esta sua primeira vivência de fé na objetividade que foi criada pela forma de subjetivação posta pelos adultos.

Como a criança ainda encontra-se em processo evolutivo físico e mental, ela só repete o que lhe foi falado e mostrado. Para o filósofo holandês Spinoza, esse é o mais baixo grau de conhecimento que elabora as imagens e os signos que serão usados para criação da imaginação e da superstição. Ainda não há na criança um processual racional. O que significa que ela vive na ordem do pré-conceito. Como não evoluiu cognitivamente, ela usa os conceitos sem realizar os seus exames. Pode-se afirmar que ela fala por falar, preconceituosamente. Ela pré-concebe os conceitos que lhe foram oferecidos.

Se lhe mostram um objeto acompanhado pelo signo mamadeira. Ela acredita e repete. Se lhe dizem essa é a “mamãe”. Ela acredita e repete. Se lhe mostram “essa flor foi criada por Deus”. Ela acredita e repete. Assim, vai sendo concebido seu mundo imagético e sonoro. Quer dizer, linguístico. Tudo em forma de preconceito. Como todo signo linguístico tem elementos político, social, econômico, antropológico, estético, moral, a criança não aprende enunciados vazios, mas enunciados que representam um mundo agenciado por enunciações de sujeito coletivo. Entretanto, a criança não sabe, que quando lhe apresentam um objeto, como uma cadeira, que por trás desse corpo existem milhares de trabalhadores, salários, opressão, exploração imprimidas pelo capital.

Se os adultos lhe apresentam o negro, índio, a mulher, o homossexual, o pobre, de forma repulsiva, ela assim também concebe. Do mesmo modo que ela acredita que um Deus criou o mundo, porque os adultos lhes disseram. Dessa forma, todos nós ingressamos no mundo pela condução do preconceito. Também conhecido, banalmente, como senso comum. Por isso, a maioria das pessoas, até muitas com curso superior, são agentes tautológicos da semiótica dominante. Os conceitos que aprenderam quando crianças continuam como suporte sensível e cognoscível de suas existências como corpos petrificados. É por esta razão que é muito difícil encontrar pessoas singulares. E por essa razão, quando você encontrar uma pessoa singular a cative e componha com ela bons encontrso.

Como pode ser observado e entendido, esse sujeito que repete o que lhe foi falado e mostrado, é um sujeito-sujeitado como efeito. Jamais causa. E como efeito ele continua no mais baixo grau de conhecimento. O que leva Spinoza a afirmar que ninguém nasce racional. Para ser racional é preciso deixar de ser efeito e se tornar causa de si mesmo ou conhecer o corpo que lhe afeta. Ou melhor, analisar os corpos que lhes afetam e sair do estado de afecção passiva. Atingindo o grau racional a pessoa examina os conceitos que herdou de sua infância e procura seu verdadeiro significado. Feito isso, ela tem um mundo resultante de seu processual intelectivo, fora dos corpos mitificados e mistificados que os adultos lhes apresentaram. É uma pessoa que sente mais e pensa em outra dimensão. Um ser livre diferente do homem cativo.

Aécio Cunha, candidato das direitas, porta-vozes e agentes do capitalismo internacional, tem nos mostrado que é um triste efeito do estado do ouvir, ver e repetir. Quando ele, em um debate, chamou Luciana Genro, de leviana, assim como também Dilma, ele só estava repetindo o signo sem examinar seu conteúdo para dominá-lo e usá-lo. Aécio não sabe que o conceito leviano carrega como corpos enunciativos o sentido da não responsabilidade e da não reflexão. Um corpo moral e outro epistemológico. Ser responsável implica moralidade. Refletir implica conhecimento.

Nem Luciana Genro e nem Dilma tiveram condutas levianas, visto que o que elas enunciaram saiu da reflexão responsável. Luciana e Dilma se referiram sobre o aeroporto construído por Aécio Cunha com dinheiro público em terreno de seu tio. Um fato já envolvido em análise jurídica. Daí nenhum ato de irresponsabilidade e nem irrefletido pelas duas candidatas. Mas como Aécio Cunha não conhece o sentido do conceito leviano, ele usa da forma como aprendeu sendo efeito do que lhe disseram sem qualquer exame linguístico. Sem qualquer sentido político-histórico.

 Da mesma forma ele usa o conceito mentira. Quando Dilma mostra os comportamentos de seu partido PSDB, e os seus como antidemocráticos, ele recorre á tautologia e grita “mentira, mentira, mentira”, como qualquer pessoa que pretende se defender com palavras vazias porque não sabe argumentar e não carrega os corpos dialéticos do conhecimento. Ele recorre ao conceito mentira para se convencer que não existe verdade. Para e verdade é a mentira que pronunciar como signo contestador. A verdade de que foi seu partido quem iniciou a prática da corrupção no Brasil recente, para ele mentira. Mesmo que a história já tenha confirmado essa prática de seu partido.

No mais, Aécio Cunha, incapaz de construir argumentos racionais, reage compulsivamente recorrendo às palavras que ele ouviu sem ter examinado. Daí, que sendo ele efeito e não causa, chega até a quem lhe observa uma compreensão, que ele sequer leu O Diário de Um Mago, do sobrenatural escritor Paulo Coelho. O mestre da literatura supersticiosa. O mais baixo grau de conhecimento.

É por isso que essa eleição é um bom momento para um exame linguístico-equizoanalítico. Ou uma psiquiatrização social, porque há um grande número de eleitores tautológicos. Agentes-efeitos, meros repetidores do que lhe impuseram. Uma condição nada democrática, posto que democracia é causa social produzida pelas potências de todos. 

ÓDIO AO PT ESTÁ MATANDO A CANDIDATURA DE AÉCIO NEVES

Laura Capriglione:

Imerso em uma piscina de bílis e ódio, o  candidato tucano Aécio Neves chamou a sua adversária Dilma Rousseff, no debate do SBT, de “mentirosa” e “leviana”. Foi agressivo e desrespeitoso como não se tinha visto até ali.

Ele não precisava disso. O ex-governador de Minas já fora repreendido abertamente por Luciana Genro (PSOL) quando lhe levantou o dedo, durante um debate.

“Por que Aécio nunca fez isso contra adversários homens?”, perguntou o PT.

Aécio tem contra si uma denúncia séria de agressão contra mulher, reportada pelo jornalista Juca Kfouri em 2009. Ele “deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio”, escreveu Kfouri na época.

O candidato até ameaçou processar por injúria, calúnia e difamação. Mas o jornalista sustentou a informação e Aécio deixou por isso mesmo.

Por que será?

Dado Dolabella em foto de arquivo

Dado Dolabella em foto de arquivo

Logo, um notório espancador de mulheres, o ator Dado Dolabella, animou-se a externar seu apoio a Aécio. Chato! Dolabella, de parcos dotes artísticos, é mais famoso por ter distribuído bofetadas públicas em Luana Piovani e em uma camareira, agressões pelas quais foi condenado, enquadrado na Lei Maria da Penha.

Os marqueteiros de Aécio já deviam saber que o ódio é um aliado mortal em eleições democráticas. Assusta. É repulsivo. Na história, só ganhou eleições em países à beira do precipício da ruptura institucional.

Todos se lembram da abertura da Copa do Mundo, estádio novinho em folha, quando o Brasil deu ao planeta a prova cabal da qualidade da elite que tem. Do setor ultra-vip do estádio, especificamente do camarote do Itaú (e eu nem insinuo que seja mais do que uma infeliz coincidência que se tenha tratado do mesmo banco da dona Neca Setúbal, a coordenadora do programa de governo de Marina Silva), elevou-se o grito “Ei, Dilma! Vai tomar no cu!”

Foram milhares de vozes cujos donos ou tinham sido convidados por megacorporações para estar lá, ou eram felizes pagantes dos cobiçados ingressos Fifa (na porta, cambistas ofereciam os últimos tickets por até R$ 2.000).

A violência e vulgaridade do insulto, transmitido para bilhões de aficionados do futebol espalhados pelas centenas de países que receberam o sinal direto da Arena Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo, durou poucos minutos —mas infinitos minutos para Dilma, que, estóica, suportou com o semblante fechado a humilhação diante do mundo.

O resultado? Ela saiu transformada do episódio. Voltou a ser a vítima com aura heroica. Os seus agressores, ao contrário, depois do grito, vestiram-se com a máscara repulsiva e covarde dos linchadores.

Linchadores de uma mulher, é bom salientar. Isso nunca pega bem.

José Serra, em 2010, todos se lembram, além de forjar uma agressão por bolinha de papel, pôs-se a denunciar o suposto abortismo de Dilma, ele, cuja própria mulher havia se submetido a uma interrupção voluntária da gestação. Tanta encenação, percebeu-se logo, foi só para agradar ao raivoso e descontrolado pastor Silas Malafaia. De novo, assustou.

Aécio vai na mesma toada.

Soltar cachorros hidrófobos gera vítimas e a sensação de que todos estão ameaçados. Ninguém —a não ser os loucos— quer isso para o país. Eis porque geram repugnância as manifestações de intolerância explicitas como as que atingiram o ator e escritor Gregório Duvivier, quando foi atacado aos berros em um restaurante de comida natural só porque cometeu o “erro” de escrever em sua coluna de jornal que votará em Dilma.

É atirar no próprio pé o PSDB se associar ao ideário do Clube Militar, a pretexto de derrubar o PT. Até a grife de óculos escuros Rayban sofreu durante anos o impacto negativo nas vendas, por associação como essa… Porque os Rayban eram os preferidos dos torturadores. A turma do porão da Ditadura aparecia pouco, mas quando o fazia, vinha sempre escondida detrás daquelas lentes que em outros países representam o glamour da aventura. A minha geração baniu o Rayban escuro.

A impressão que dá é que o PSDB, por falta de algo melhor para dizer (além de que manterá o Bolsa-Família), precisa insuflar o ódio para criar factóides de imprensa. É a única coisa que explica que Fernando Henrique Cardoso afie os dentes dos advogados da supremacia do Sul e Sudeste, ao atribuir à desinformação do povo nordestino a votação acachapante no PT, durante o primeiro turno das eleições presidenciais.

“O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, disse FHC, desdenhoso. O resultado foi uma horda de doidos ter-se considerado autorizada pelo mestre a externar os mais odiosos preconceitos. A rede social está coalhada de manifestações dos baixos apetites incitados.

Como resultado óbvio de tal convergência insultuosa Aécio viu crescer e se multiplicar a sua taxa de rejeição. Afastou novos eleitores e conseguiu assim estancar o crescimento eleitoral que poderia levá-lo a vencer o PT. Agora, de novo, é Dilma quem detém a iniciativa.

A semana promete!

 


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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