Arquivo para 14 de dezembro de 2014

ASSOCIAÇÃO FILOSOFIA ITINERANTE (AFIN) PARABENIZA A CORAJOSA E PROBA MULHER, DILMA VANA ROUSSEFF. OU SIMPLESMENTE, DILMA.

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A Natureza é vida. Vida como composto, posto ao contínuum-infinito. No homem a natureza-naturante se torna natureza-naturada. O homem e a mulher, seres produtores de um mundo sócio/cultural. O mundo codificado por corpos matérias e imateriais. Ideias/Valores que se encadeiam como formação da objetividade-histórica. Modulações filosóficas, científicas, psicológicas. sociais, econômicas, estéticas, etc.

Na Natureza não há tempo pulsante como no mundo-humano. Na Natureza o temo é Aion, não capturado pelo mundo-humano, mas que perpassa pelo mundo-humano. No mundo-humano o corte temporal é concebido por Cronos. O pontuador da existência.

Existir é se temporalizar espacialmente. Se o tempo é movimento, o movimento cria o espaço. Todos nós nos movimentamos especializando. Espacializar-se é atuar. Mas existem dois tipos de atuação. Um como ação, e outro, como reação. Assim, como existem dois movimentos. Um movimento espacial, deslocamento de um corpo, e movimento consubstancial, mudança de estado. Ou, mudança de afecção.

Aquele que se movimenta espacialmente, que caracteriza a atuação-reação, constrói uma biografia doméstica, onde seus fundamentos estão estabelecidos na relação cativa. A relação familiar. Uma relação construída pelos modelos dominantes expressados nos agenciamentos de enunciação coletiva reverberados pelos sujeitos de enunciados. Aí consignado pelo tempo cronológico

Já aquele que se movimenta como ação carrega uma biografia histórica, onde seus fundamentos são livres como corpos coletivos. Não são sujeitos de enunciados reverberadores da semiótica dominante posta pelos agenciamentos de enunciação coletiva-cronológico. É traspassado pelo tempo Aion. O tempo devir-criador.

São homens e mulheres que mudam o mundo lhes conferindo uma nova estética sócio/cultural. É nesse movimento, tempo Aion, que se movimenta Dilma Vana Roussef, ou simplesmente, Dilma. Daí parabeniza-la é atuar como corpus encadeado na sua cartografia de desejos-estéticos-poiéticos. Um aniversário-deviriano. Uma festa fluxo-quantas transformadora.

É nessa festa que a Associação Filosofia Itinerante (Afin) parabeniza Dilma. A fêmea-mulher que causa ansiedade-paranoica nos misóginos. O medo de quem não se constituiu ontologicamente. Um ser para ser. 

Um novo ponto de equilíbrio

A fragmentação completa do PMDB e o predomínio, no seu meio, de uma forte corrente conservadora recomenda que se busque um novo ponto de equilíbrio.

Tarso Genro

O ponto de equilíbrio das coalizões políticas, formais ou informais, que ocorreram no país após o Governo do Presidente Collor foi, sem dúvida, o PMDB. De frente política legal no escasso espaço democrático permitido pelo regime militar (que abrigava com boa vontade parte de partidos e organizações políticas que estavam na clandestinidade), o MDB, – já então PMDB – passou a ser uma espécie de convergência de centro, que deu sustentação política aos governos pós-Collor, que estabilizaram o projeto democrático vencedor na Constituição de 88.

Os métodos, através dos quais este apoio foi conquistado, foram os tradicionais em qualquer democracia e em qualquer país. Estes métodos no Brasil só se tornaram malditos nos Governos do PT: fisiologismo, divisão das responsabilidades de governo, cooptação política e respeito aos poderes oligárquicos regionais.

Programas sociais e educacionais, capacidade de geração de empregos e crescimento da economia, que sempre foram programáticos para o PT (inclusive ao gosto de setores do PMDB comprometidos com a ideologia social do velho MDB da época da ditadura), deram legitimidade aos governos da coalizão e mudaram para melhor a vida de 50 milhões de brasileiros. Baita feito! Como dizemos aqui no meu Rio Grande.

Os métodos tradicionais de fazer política desta feita, porém, foram colocados a serviço de vastas parcelas da população, que não eram contabilizadas nos “custos” de funcionamento do Estado. Parcelas que passaram a ter protagonismo político – em termos sociais e eleitorais – respondendo, em várias oportunidades, com preferencias à esquerda, mesmo em situações de cerco midiático, contra o “populismo” de Lula e de Dilma. Leia-se “populismo”, como políticas que melhoraram a vida de 50 milhões de brasileiros (distribuição de renda forçada pelo Estado e privilégios, nas políticas macroeconômicas, para a manutenção e criação de empregos), mas que não escaparam das exigências do mercado nem excluíram um maior enriquecimento dos privilegiados de sempre.

É previsível que o Governo Dilma, eleito no mesmo contexto institucional em que foram escolhidos todos os governos pós-Collor, e que tiveram o PMDB como partido de apoio e equilíbrio, permaneça nesta dependência. Nenhum governo governaria, ainda hoje, sem o PMDB, se quisesse governar dentro da democracia. É realista e politizado dizer, portanto, que qualquer governo necessitaria aproveitar a energia dos setores democráticos de “centro”, do PMDB (bem como a sua galharda disposição de participar de qualquer governo), para poder governar dentro da ordem. Porque, quem ganha a eleição dentro da ordem e não tem vocação golpista obtém a sua legitimidade dentro, e não fora, das suas formas legitimação.

O cinismo demo-tucano ao criticar estas alianças só é comparável ao conceito de legitimidade, esgrimido pelo Presidente Fernando Henrique, quando em artigo recente aponta a “legalidade da vitória (de Dilma), mas sua discutível legitimidade”. Um ex-Presidente da República não pode desconhecer que o conceito de legitimidade tem um significado genérico (próximo ao sentido de justiça e racionalidade), e um significado específico, de natureza político-jurídica (como atributo do Estado que assegura a obediência aos seus comandos legais) e que refere, para que um governo seja legítimo, ao consenso mínimo que faz desnecessário o recurso ao uso da força para governar. Ora, é discutível que a Presidenta Dilma não precisa usar a força de maneira permanente, para governar dentro das instituições democráticas? Se o ex-Presidente diz que isso é “discutível”, ele está dizendo que a Presidenta eleita não tem legitimidade e ela deveria ser impedida… ou derrubada. Nova linha do PSDB ou equívoco conceitual de sociólogo?

Os sintomas do PSDB, já apontados corretamente por Juarez Guimarães aqui nesta Carta Maior, combinados com a fragmentação completa do PMDB e o predomínio, no seu meio, de uma forte corrente de direita mais conservadora e, principalmente, as exigências que enfrentará a esquerda quando encerrar-se este ciclo de 16 anos,
recomenda que busquemos um novo “ponto de equilíbrio”, para uma coalizão popular e democrática politicamente sustentável.

Explico-me: é muito mais difícil reduzir drasticamente as desigualdades sociais entre as classes do que promover crescimento com inclusão social. A inclusão pode ser perturbadora para as classes médias superiores, que veem os seus territórios de uso manchados com a presença dos hoje já menos pobres. Mas a redução das desigualdades exige, não só mais geração de renda, mas uma repartição mais desigual da renda, para beneficiar os ainda pobres que saíram da miséria, os setores médios ainda com consumo de bens e serviços aquém das suas necessidades, bem como políticas de inclusão ainda mais fortes, para eliminar totalmente a pobreza. Políticas de mais igualdade social são políticas mais difíceis de serem implementadas do que políticas de inclusão. Este é o novo capítulo da Revolução Democrática, aberta com a Constituição de 88 no Brasil.

A Presidenta Dilma ganhou a eleição contra um grande movimento conspiratório, golpista pós-moderno, articulado por setores majoritários da grande mídia, que chegaram a desafiar a Justiça Eleitoral com a já famosa capa da Veja, após promoverem uma cobertura eleitoral desigual e preconceituosa contra ela, contra o PT e contra a esquerda. Dilma adquiriu, portanto, neste cenário, maior legitimidade para governar do que numa eleição comum. Daí o seu compromisso, maior ainda, com as instituições democráticas de 88 e com o programa de governo que convenceu a maioria da população contra toda a manipulação midiática.

Entendo que é importante, nos dias que correm, que o PT e a esquerda façam dois movimentos convergentes, em defesa da democracia e em defesa do futuro democrático do país. Primeiro, defendam o direito de Dilma governar, sem que cada força política perca sua especificidade, inclusive oposicionista (por mais dura que seja), para não dar sustentação à tentação golpista que envolve setores antes não vinculados a estratégias desta natureza. Segundo, que iniciemos uma nova articulação, com vistas ao futuro, soldando um programa mínimo de unidade, de médio prazo, para mudar o “ponto de apoio” da governabilidade democrática do país. Este não será mais ocupado pelo PMDB, como partido, embora setores do PMDB possam compartilhar das lutas em direção ao novo ciclo político, cujo desafio principal, não será mais a mera inclusão, mas a redução das brutais desigualdades que emperram o desenvolvimento do país.

Uma agenda para dar continuidade às mudanças no país, para reestruturar as relações entre as classes e as diferenças sociais entre elas, deve responder desafios políticos e econômico-financeiros: fazer uma reforma política profunda, novos regulamentos para as concessões e democratização dos meios de comunicação, financiamento do Estado no próximo período (imposto sobre as grandes fortunas, tributação da especulação financeira, estímulo à indústria e a produção agroalimentar, reforma tributária e reestruturação da dívida pública), são temas possíveis, para a construção de uma aliança de médio prazo.

Sua formatação política deveria desenhar uma Frente de Esquerda Democrática, cuja preocupação central deve ser a consciência de que se esgotará, nos próximos anos, a possibilidade de fazer reformas dentro da ordem, tendo o PMDB como centro gravitacional das coalizões de governo. Não se trata de desconsiderar previamente eventuais aliados para governar, no futuro, dentro do regime democrático. Mas de compreender que, ou formamos uma coalizão pela esquerda, ou a direita conservadora vai tutelar o PMDB, com os mesmos métodos que qualquer democracia oferece, independentemente da maior ou menor nobreza dos seus objetivos.

O avanço do PT, como maior partido progressista do país, para uma nova coalizão aliancista, cujo ponto de equilíbrio deve ser a unidade da esquerda, depende muito mais de que o nosso Partido mude a sua agenda na relação com a sociedade, do que dos nossos debates internos. Depende muito mais da sua clareza e capacidade de mobilização, referida aos grandes desafios do financiamento do Estado, da agenda da reforma política, da luta sem tréguas contra a corrupção sem quaisquer concessões, do que das resoluções obtidas nos nossos debates internos. Estes são muito importantes, mas estão muito longe de esgotar a imensa riqueza da variedade de opiniões, desejos e necessidades, de uma sociedade que tem muito pouco a ver com aquela da década de 70 que nos deu origem a protagonismo histórico.

É possível pensar, nos dias de hoje, numa futura grande aliança democrática de esquerda, que pretenda ir (não digo que vá), de Bresser Pereira a Lula, de Jean Wilis e Randolfo a Renato Rabelo, de Rui Falcão a Roberto Amaral, de Marina Silva a Stédile, de Maria Rita Khell a Pedro Dallari, de Cid Gomes a Jaques Wagner? Ou não? Se não for possível, creio que será muito ruim para o Brasil, especialmente para os que apostam na ideia da democracia como valor estruturante de uma novo projeto socialista, cujos conteúdos e protocolos democráticos ainda não tem definição clara.

Poderão dizer: socialismo de opereta! Bem, prefiro um socialismo de opereta com democracia, no curto prazo, cujas ideias básicas comecem a reduzir drasticamente as desigualdades sociais, melhorem a vida das pessoas, reduzam violência contra os pobres e elevem a autoestima da nação, do que um socialismo livresco, só implantável daqui a duzentos anos. Um projeto democrático, tendencialmente socialista, que não impeça, que a partir de um certo momento, cada um tome os seus caminhos, orientados pelas suas utopias e as suas convicções.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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