Arquivo para 23 de julho de 2015

EXACERBAÇÃO DA VIOLÊNCIA EM MANAUS REAFIRMA SUA CONDIÇÃO DE NÃO-CIDADE

“Relativamente aos políticos, em contrapartida, julga-se que estão mais

ocupados em preparar armadilhas aos homens do que em dirigi-los

pelo melhor…”

O filósofo holandês Spinoza, autor do sublime tratado Ética, em sua obra fundamentalmente política, inacabada, Tratado Político nos envia para o mais concreto e humano sentido de cidade, cidadão e administração. Ele afirma que o estatuto do Estado é civil, o corpo inteiro do Estado civil é a cidade e os negócios comuns, República.  O estatuto civil é a potência da multidão criada pela composição das potências de todos os homens. A potência da multidão como estatuto civil é o regime democrático. E nos leva a entender que “o melhor governo é aquele sob o qual os homens passam a sua vida em concórdia e aquele cujas leis são observadas sem violação”.

Dessa forma Spinoza nos concede o direito de efetuar um entendimento sobre o que vem ocorrendo em Manaus em relação à violência que nega a segurança pública. Já é do saber nacional que Manaus é um território em que predomina um alto grau de violência e, consequentemente, um alto grau de insegurança social. Os meios de comunicação juntamente com instrumentos virtuais divulgaram desde duas semanas passadas os homicídios que ocorreram em Manaus. Mas o que se tornou mais preocupante, agravando a insegurança da população, principalmente a mais carente, visto que a privilegiada tem suas próprias seguranças financeiras e eletrônicas, foi o número de pessoas mortas no fim da semana que passou entre elas civis sem qualquer passagem pela polícia.

Segundo informações, foram 34 pessoas assassinadas. De acordo com notícias, ainda sem comprovação, trata-se de luta entre facções do tráfico. E, também, de acordo com notícias ainda sem informação, trata-se de execuções realizadas por agente da Polícia Militar como forma de vingança em relação ao assassinato de um membro da corporação que foi assaltado e morto, crime de latrocínio, depois de retirar dinheiro de um banco.    

Diante das ocorrências, os órgãos de segurança do Amazonas, comandados pelo governador José Melo, iniciaram investigações para saber a causa dos assassinatos e seus autores. Como se pode entender, uma decisão comum em casos como estes com o objetivo de conceder explicação à população insegura que se encontra nesse estado de insegurança há décadas. O que significa que a violência em Manaus só vem aumentando, confirmando que o seu tempo histórico foi imobilizado, já que a história é a mudança qualitativa de um povo e não mero fenômeno cronológico.

Nesse caso de total irracionalidade social, como diz o filósofo Spinoza, realizar investigações é necessário, mas não é o fundamental, já que o status de violência de Manaus só continua predominando sobre a população. O fundamental é a mudança de agenciamento coletivo de enunciação estratificado na subjetividade-violência que se instalou em Manaus contribuindo para que ela continue uma não-cidade. Uma subjetividade que há anos vem apanhando a população e impondo suas forças paranoicas repressivas que impedem a produção de novas cognições e afetos capazes de criar outra subjetividade alegre expressadas em alteridade, tolerância, confiança, coragem e comprometimento ontológico com a existência social.

O psiquiatra filósofo da práxis, Félix Guattari, amigo do filósofo Deleuze, nos mostra, “quer tenhamos consciência ou não”, que “o espaço construído nos interpela de diferentes pontos de vista: estilístico, histórico, funcional, afetivo. Os edifícios e construções de todos os tipos são máquinas enunciadoras”. São corpos materiais e imateriais que atuam com agenciamento coletivo de enunciação que estratifica subjetividade que se torna dominante.

Para entender melhor o filósofo Guattari, autor da revolucionária obra Caosmose – Um Novo Paradigma Estético, se faz necessário ouvir novamente Spinoza sobre o que ele mostra o que vem a ser os significados de urbe e civita, também o filósofo apreciou esses conceitos. Spinoza afirma que urbe são os corpos materiais de uma cidade como prédios, logradouros, públicos, praças, ruas, casas, etc. Já Civita, que significa cidade, que é produzida através das formas de relações entre seus habitantes. É pela potência-cidade que os homens tornam-se cidadãos, pois como diz Spinoza, “os homens, com efeito, não nascem cidadãos, mas formam-se como tais”.

Daí se entende o que Guattari quer dizer ao afirmar que os agenciamentos coletivos de anunciações estratificam subjetividades que tendem a ser dominante, visto que esses agenciamentos são codificados por corpos materiais e imateriais que afetam a população clivando nela seus componentes que determinam seus comportamentos individuais e sociais. Se a subjetividade é opressiva, inconsequente, desumana, distanciadora, é certo que a população vai se sentir insegura. Pois é essa subjetividade opressora que predomina em Manaus há décadas que se exacerbou no pós-ditadura com governantes sem qualquer sentido politico, estético e ético do que seja urbe e civita. O sentido de urbano desses governantes sempre foi divorciado da dimensão humanidade.

As deficiências no transporte coletivo, na educação, saúde, entretenimento, falta de emprego, são alguns corpos produtores dessa subjetividade opressora produzida por esses governantes que fixaram essa subjetividade que é traduzida por insegurança social expressada na violência. E o pior, essa subjetividade encontra-se emaranha nas instituições que tiveram seus corpos anemizados impossibilitando a realização de suas reais funções. Por isso, grande parte da população não se sente solidarizada com essas instituições e nem se sente solidarizada por elas, visto que os governantes anemizaram a potência da multidão negando o estatuto civil ao negar a participação da população no que lhe é de direito. Tudo porque, para esses governantes, o que conta é ser eleito.

Que se faça investigações policiais, julgamentos e condenações jurídicas, mas o âmago dessa patologia social se encontra diretamente ligado a ausência de dimensão política dos governantes, seus aliados no legislativo e a classe media indiferente que os sustenta com sua alienação e convicção capitalista. Para esses governantes e aliados, o conceito e a práxis de cidade se resume na administração-financeira de um território onde se encontram moradores. Tudo porque a investida na política partidária por eles foi só para satisfazer, vaidosamente, impulsos pessoais. Nada coletivo, visto que o coletivo para eles são apenas abstrações, nada concreto saído de vivências singulares onde o humano é espírito animador da existência.

Assim, com a práxis estatuto civil, corpo inteiro do estatuto civil como cidade e negócios comuns como República, além da subjetividade política, estética e ética, ausentes em Manaus, não há como não entender a exacerbação da violência como a reafirmação de sua condição de não-cidade, já que só se pode falar de cidade quando ela se encontra em sua própria jurisdição, onde o medo e a ameaça não existem sobre seus cidadãos, como diz Spinoza.

O que não é o caso da não-cidade Manaus

TIMBÓ FOI MEXER COM LULA SUA QUÍMICA VIROU CONTRA ELE: O CNMP QUER QUE TIMBÓ SE JUSTIFIQUE

f1cbefc5-99b7-4260-8343-888c5302f750O procurador Valtan Timbó pediu abertura de inquérito contra Lula sem apresentar qualquer prova contra o ex-presidente, tão somente baseado em reportagem facciosa de uma revista fascista. A procuradora do caso, Mirella Aguiar já havia afirmado que não havia provas para pedir abertura de inquérito contra Lula.

Diante da decisão de Timbó, Lula entrou com pedido no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para o arquivamento do pedido. O CNMP negou o pedido de Lula indicando que o pedido deve ser feito à Justiça Federal. Entretanto, o CNMP não deixou Timbó livre.

O CNMP determinou que o procurador Timbó se justifique sobre o motivo que o levou a pedir o inquérito de Lula.

JS: MAS SERÁ O BENEDITO?

Antonio Lassance (*)

Mistério: quem será o JS que aparece na lista de ligações do celular do empreiteiro Marcelo Odebrecht? Ninguém sabe. Antes que alguém reclame de que o Senador José Serra está sendo protegido por quem quer que seja, é bom que se respeite o trabalho criterioso dos que conduzem essa investigação isentíssima que está em curso sob o apelido de “Lava Jato”. Muita calma nessa hora. Não vamos nos precipitar.

JS pode ser qualquer pessoa ou pode, até mesmo, ser ninguém. Outra hipótese: e se a ligação tiver sido um engano e a pessoa que se enganou tiver nome com J e S? Gente, isso acontece! Quem nunca recebeu uma ligação por engano que atire a primeira pedra. MO (podemos tratar Marcelo Odebrecht assim, certo? Economiza teclado) pode simplesmente ter guardado na agenda para, quando JS insistisse no engano pela milésima vez, MO estivesse precavido: “esse eu não atendo mais, de jeito nenhum!” Esperto, esse MO. Tem mais: JS pode ser alguém com quem MO tenha péssimas relações. Alguém que ele deteste. Um pulha. Um pilantra. Um traíra. Um… Joaquim Silvério dos Reis.

Como ninguém pensou nisso antes? Nada mais óbvio. Se é isso ou não, precisa ser apurado. JS pode ser até mesmo o Benedito. Por que não? Até o momento, a principal suspeita dos policiais é que JS seja algum José da Silva. É elementar, meu caro Watson. A maioria dos jotaesses no Brasil é composta de Josés da Silva. Portanto, a probabilidade de que JS seja um deles é enorme. Se cuida, Zé da Silva! A PF sabe o que você fez no verão passado.

A segunda grande possibilidade recai sobre os Joões de Souza. Informação quentíssima: foi detectado que uma grande quantidade de agências bancárias do país e escritórios de advocacia foram visitados, de ontem para hoje, por Joões… de Souza. Bingo! Aí tem, só pode. A lição é a seguinte: antes de acusar, é preciso apurar. Só mesmo gente de pouca fé para ficar levantando teorias da conspiração contra pessoas que estão tendo um trabalho imenso, um trabalho de formiguinha (ou seria de cupim? Tanto faz) e ainda não fazem a mínima ideia de quem seja JS.

Mas que vão descobrir, um dia, ah! Isso vão. Nem que demore 30 anos e JS já esteja morto e com seus crimes prescritos. Esse misterioso senhor JS, opa! Senhor? Como assim? Deixemos o machismo de lado. JS pode ser uma mulher. Já pensaram nisso? Vai que a tarja preta foi colocada com a cândida intenção de proteger a reputação tanto de MO quanto de JS, se por acaso eles tiverem tido alguma relação, como diria Bill Clinton, imprópria?

Aliás, se há algo que se deve repreender é o excessivo cuidado que esses heróis de distintivo e toga têm tido com a reputação das pessoas. Não que esses acusados tenham alguma reputação a ser preservada, mas o dever de ofício da polícia e da Justiça em relação a qualquer pessoa, rica ou pobre; branca ou negra; gorda ou magra; petista ou tucana é sempre a de zelar para que investigados e suspeitos não sejam tratados como criminosos. Ninguém é culpado antes de julgado, já dizia o Código de Hamurábi. Nesse particular, somos um exemplo para o mundo.

A esquerdalha que me perdoe, mas a chance de a PF revelar que JS é José Serra é muito, mas muito, mas muito remota mesmo. Remotérrima, diria eu no jargão de Higienópolis. Fontes igualmente isentas, neutras, gente que não fede e nem cheira, pessoas que são bananas de pijama mesmo – e lá de dentro da Polícia Federal, ou seja, “inside information” total – garantem que essa hipótese contra o Senador está d-e-s-c-a-r-t-a-d-a. Descartadérrima. A começar porque o senador mais querido da pauliceia desvairada nem se chama, de fato, José Serra, e sim José Chirico Serra. Fosse Serra o contato de MO, a sigla seria JC.

Outro dado objetivo da realidade é que Serra nunca se mete em confusão, principalmente envolvendo obras, contratos, empreiteiras, petroleiras, dinheiro. Da mesma forma, está descartada a hipótese de uma outra sigla, FP, vir a ser atribuída, por exemplo, a algum senador Filhinho de Papai. Ainda bem. As pessoas não imaginam a quantidade de FPs que existem no Senado Federal. É maior que a bancada da bala. Uma investigação dessa tomaria anos. Ademais, todos os FPs do senado são pessoas de boa índole, e o mais FP de todos os senadores FPs foi inclusive a opção de voto mais entusiasmada dos perdigueiros federais que estão salvando o país da lama.

Ou seja, é gente séria. Chega de ilações! Tirem o cavalinho da chuva, petralhas! Os cães ladram, mas a caravana independente, isenta e neutra da Lava Jato passa, enxagua e põe no varal pra ninguém botar defeito. Se, algum dia, algum difamador quiser atribuir ao tucano José Serra o apelido indecoroso de Senador tarja preta, que fique bem claro: isso é apenas por sua fama de hipocondríaco, e nada mais.

         (*) Antonio Lassance é marxista também adepto de Groucho, Harpo, Chico e Zeppo Marx.
 


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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