Arquivo para 25 de julho de 2015

A TARJA PRETA EM SERRA, COMO SEGREDO, QUE MAIS REVELA DO QUE OCULTA

SerraA linguagem não foi criada para que se acredite nela, mas para obedecer e se fazer obedecer, dizem os filósofos Deleuze e Guattari. A linguagem do obedecer se desdobra em vários códigos, mas censurados e vigiados pelo significante. O que nunca diz, mas é tirânico como dominador semiótico.

Há significante por todo mundo, embora o mundo não seja só significante. Há significante, no cinema, no teatro, na música, na religião, no marketing – aí é que há mesmo -, na política ele prolifera, na polícia, para alguém de vira encontra significante ocultando a percepção e o entendimento.

O significante é o senhor dos que são imobilizados pela superstição que se coloca como inimiga da razão. O ministério e o segredo são dois produtos da superstição-significante. Ambos são, além de opressivos, são hierarquizantes: quem acredita deter seus elementos ocultos, se toma por superior aos que não iniciados nesses elementos. Os primeiros se tomam como invisíveis e mais espertos que os outros não iniciados. Eles pretendem um oráculo de Delfos sem sabedoria.

Todavia, o mistério e o segredo não suportam um grau de razão como prova de evidência, porque são atos mágicos. E magia não cria o real. Falando sobre o segredo, o filósofo francês Baudrillard, diz que “o segredo do secreto é não ter nenhum segredo”. Já o os filósofos Deleuze e Guattari afirmam que para o segredo existem sempre uma criança, uma mulher e um pássaro para revelá-lo. A mala bem protegida e bem fechada do espião é sua própria revelação. As boas maneiras do dedo-duro, lhe revela matando seu tosco segredo. Só não reconhece um espião quem gosta de jogar o jogo de se esconder do espião.

Marx diz gostar de uma frase de Protágoras, nada do homem me é estranho. Para Marx não há segredo, posto que quem inventou a ocultação como segredo, foi o homem. O segredo é uma tentativa de anular, parcialmente, o mundo humano. É como se ele estivesse fora, não como apêndice, mas fora mesmo. O segredo é tido para enganar um contexto definido geral ou particular. Não importa. O segredo quer ser mais do que é: uma transcendência de si mesmo, diria o filósofo Sartre. Entretanto, por mais que a superstição queira, não há transcendência.

José Serra, falso líder estudantil dos tempos brabos de ditadura, não foi preso e nem torturado como Dilma e outros, mas fez desse tempo um trampolim para fictícia consideração como de esquerda. Não foi e não é. Assim que sentiu os eflúvios da abertura política mostrou sua realidade sem segredo. Hoje é um homem reacionário e rico. Grande amigo dos empresários, além de fazer lobby para entregar o pré-sal ao capital estrangeiro. O que não é segredo em seu partido PSDB. É um homem mau e mal. Fortemente ambicioso. Sua maior frustração é não ter sido eleito presidente do Brasil, desejo também do patrono do jornal reacionário Folha de São Paulo, Otavio Frias.

Em documento da Operação Lava Jato, divulgado pelo pasquim Estadão, entre outros nomes de políticos, aparece o de Serra. Só que seu nome está mais visível do que os outros nomes. Isto por que ele vem com uma tarja preta. Um recurso dos que cultuam o segredo sem saber que ele não existe. Resultado: a tarja preta revela mais do que oculta. Assim como revela a criança quando ela é usada como forma, hipócrita, de proteger e respeitar a criança. Em imagens de corpos nus, a tarja preta serve para ocultar visualmente o aparelho genital, mas não oculta. Todos que olham a imagem sabem que ali tem um pênis ou uma vagina. Quem sabe os dois.

A questão agora é saber quem colocou a tarja preta se a Polícia Federal ou o Estadão. O que em relação à filosofia da negação do segredo não importa. Serra não ficou em segredo. Conteúdo e expressão que se queriam segredo não suportaram a prova da evidência. O que não exigiu nem suspeita. O fracasso do significante como segredo.

Mas a tarja preta não é só tentativa de manter um segredo. Nas ditaduras é uma forma de censura para afirmar que uma obra está proibida. Não foi liberada. Portanto, foi condenada. Talvez seja essa a razão da tarja preta em Serra. Talvez queira enunciar um além do significante: Cuidado! Homem perigoso! Merece ser investigado com mais atenção!

Ignacio Ramonet: Maior batalha da esquerda na América Latina é contra ‘golpe midiático’

O maior confronto enfrentado na América Latina atualmente é “a batalha midiática”, desde pelo menos o ano de 2002, quando a tentativa frustrada de derrubar Hugo Chávez na Venezuela deu início a um novo tipo de golpe de Estado, o “golpe midiático”, transferindo aos meios de comunicação privados o papel de partido político nas oposições aos governos da “guinada à esquerda”.

A avaliação foi feita pelo jornalista e professor Ignacio Ramonet, ex-editor do jornal Le Monde Diplomatique, na palestra de abertura do congresso “Comunicação e Integração Latino-Americana”, realizado entre os dias 22 e 23 de julho em Quito, capital do Equador.

Organizado pelo Ciespal (Centro Internacional de Estudos Superiores da Comunicação para a América Latina), o evento comemora nesta sexta-feira (24/07) os dez anos de fundação da Telesur, canal multinacional de televisão mantido por diversos governos da região. Fundada por iniciativa de Chávez três anos após o golpe fracassado, a emissora nasceu com o papel de promover uma alternativa na cobertura das notícias latino-americanas, feita por jornalistas e comunicadores da própria região.

Leia também: América Latina vive ‘crise do centrismo de seus governos de esquerda’, diz cientista político

Agência Andes (arquivo/2012) Ex-editor do ‘Le Monde Diplomatique’, Ignacio Ramonet é jornalista e professor espanhol radicado na França

“Nos últimos 15 anos, todos os governos progressistas que chegaram ao poder democraticamente na região vêm sendo mantidos por via eleitoral. Nenhum deles foi derrotado nas urnas. Por isso, a resistência à mudança vem sendo cada vez mais brutal, apelando para novos tipos de golpes, alguns com fachada judicial, parlamentar, e sempre com forte ajuda da mídia”, disse Ramonet, lembrando os casos do Paraguai, Honduras e investidas recentes na Argentina e no Brasil.

Ao lado de Ramonet, a presidente da empresa, Patricia Villegas, lembrou que as principais coberturas do canal até agora foram justamente em países que não participam do consórcio, como a campanha militar contra a guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o golpe contra o presidente Manuel Zelaya, em Honduras, em 2009.

“Naquele momento, o mundo só pôde acompanhar o que acontecia em Honduras, minuto a minuto, graças ao sinal da Telesur. Porque as emissoras privadas globais ou não estavam lá, e as que estavam preferiam ignorar”, disse.

A distensão entre Estados Unidos e Venezuela continua de pé, por enquanto

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Para Ramonet, o grande mérito da Telesur ao longo dessa década foi oferecer “uma outra leitura” sobre os acontecimentos da América Latina e do mundo, fugindo das perspectivas de redes privadas como CNN e Fox News que, para ele, seguem praticamente a mesma linha.

“Estou convicto de que a CNN vai desaparecer, não por falta de capital, mas por falta de audiência”, previu Ramonet, falando por teleconferência desde Caracas para a plateia de jornalistas, intelectuais e estudantes reunida no auditório equatoriano. “A Telesur não tem concorrência. Esse é o sonho de qualquer canal. Porque as outras fazem mais ou menos a mesma coisa”.

‘Convergência digital’

Segundo o jornalista — que é espanhol mas vive radicado na França desde 1972 —, a maior mudança na comunicação nos últimos dez anos foi a integração das várias plataformas, a chamada “convergência digital”: smartphones, tablets e computadores, que roubaram da televisão o posto de tela principal da mídia. E, se antes as inovações tecnológicas estouravam primeiro nas cidades ricas da Europa e dos EUA, aponta Ramonet, agora já são disseminadas simultaneamente nas grandes metrópoles da América Latina e de outras regiões em desenvolvimento.

“As novas plataformas abandonam a continuidade que obrigava o espectador a assistir tudo linearmente; agora ele pode ver o que quiser, na ordem que quiser. Os canais que se adaptarem melhor são os que têm mais chance de sobreviver”, aponta.

Patricia Villegas enfatizou que a adaptação às novas plataformas é uma de suas maiores preocupações da Telesur. “Não adianta fazer conteúdos-espelho, que se repetem de forma idêntica na TV, na web, no Facebook, no Twitter. Os conteúdos precisam ser complementares e diferentes, porque o público os consome de formas diferentes”, disse ela.

Divulgação/Ciespal Congresso intitulado ‘Comunicação e Integração Latino-Americana’ acontece em Quito, capital equatoriana

Além do décimo aniversário, completado nesta sexta-feira, dia 24 de julho, a Telesur celebra também um ano desde o início da produção de conteúdos em inglês. “Não estamos traduzindo informações, mas produzindo diretamente em inglês”, enfatizou Patricia Villegas. Segundo ela, a entrada na esfera anglófona sinaliza a intenção da empresa em ampliar sua presença global. Por enquanto restrita ao site e às redes sociais, a Telesur em inglês espera iniciar em breve transmissões também como canal de televisão, com sede em Quito.

Sul geopolítico

“Na América Latina, vários intelectuais e lideranças políticas têm o vício de só ver a relação regional com o ‘gigante do norte’, os Estados Unidos. Mas também é extremamente importante considerar nossa relação com a China, a África, o Oriente Médio. A Telesur tem a tarefa de transportar a missão progressista da América Latina para o resto do mundo”, disse Ramonet.

Justamente por isso, Villegas diz que o canal continua expandindo seu universo de pautas para outras regiões, como o ataque da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar ocidental) na Líbia, em 2011, e mais recentemente na crise financeira da Grécia, quando o canal enviou jornalistas para Atenas e investiu na cobertura ao vivo. “Às vezes perguntam aos nossos repórteres: ‘O que vocês estão fazendo aqui?’. Estamos aqui porque a nossa ideia de ‘sul’ não é apenas geográfica, mas principalmente geopolítica. Enxergamos a informação como um serviço, e não como mercadoria”.

“Durante muito tempo na América Latina, o jornalismo era um privilégio das emissoras privadas, e as TVs públicas ficavam relegadas à programação educativa, cultural e folclórica. Daí a importância de investir em produzir informação numa tela pública. Não se trata de um monólogo do Estado, mas de dar voz também aos grupos comunitários, como indígenas e afrodescendentes, contra a folclorização dessas comunidades”, concluiu Patricia Villegas.

Da teoria à prática

A proposta do congresso em Quito é ser não apenas acadêmico, mas também proporcionar a troca de experiências práticas em jornalismo e gestão de mídia voltada para a integração regional, ambos sob uma perspectiva crítica. A ideia é que professores, intelectuais e estudantes de fato dialoguem com jornalistas, diretores de emissoras e agências de notícias e gestores públicos do setor.

“É fundamental a teoria que reflete sobre a prática para dar-lhe sentido e compreender melhor a realidade para fazer diferente”, comentou Ramonet.

O diretor do CIESPAL, o espanhol Francisco Sierra, lembrou na fala de abertura que a tentativa de descrédito sobre a Telesur e outras mídias públicas, assim como contra as iniciativas de regulação e democratização da mídia pelos governos da “guinada à esquerda”, lembra muito o ataque da mídia privada feito contra a campanha da Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação (NOMIC) e o Relatório MacBride da Unesco (Órgão da ONU para Educação, Ciência e Cultura), entre os anos 70 e 80.

Ele recordou o legado do comunicólogo boliviano Luis Ramiro Beltrán, falecido na semana passada, que não apenas teorizou sobre a comunicação latino-americana, mas ajudou a promover fóruns e encontros internacionais para criar iniciativas práticas de alternativas midiáticas na região naquela mesma época.

Nos dois dias do evento, que reuniu mais de 400 pessoas, também estarão presentes outros nomes do pensamento crítico da região, como o argentino Atilio Borón, do Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais), e o colombiano Omar Rincón, do Ceper (Centro de Estudos de Jornalismo, em espanhol). Mais de 100 trabalhos acadêmicos foram inscritos para apresentação. Entre eles, o do geógrafo André Pasti, doutorando pela Universidade de São Paulo, que discutirá a trajetória das lutas pela democratização da comunicação no Brasil.

“É importantíssimo aprendermos e nos inspirarmos com os processos de democratização da comunicação em curso em outros países da América Latina. O congresso permite esse diálogo”, disse Pasti a Opera Mundi.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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