Arquivo para 19 de fevereiro de 2016

O EFEITO DA DESNARCISAÇÃO: PROMOTOR CONSERINO QUE PRETENDIA INTIMAR LULA SERÁ AFASTADO DO CASO

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Primeiro um lembrete sobre a questão do narcisismo. Sempre se afirma que alguém que gosta compulsivamente de se autoadmirar ou exigir a atenção dos outros é um narcisista. Há aí dois equívocos ou erros, dependendo de quem analisa. Para Freud a energia, libido narcísica, é o desejo que o eu tem de si e é investido no mundo que não é nada mais do que a confirmação desse desejo. Assim, todo investimento libidinal no mundo que faz com que o eu não fique preso em seu interior, é narcisista. Para existir é preciso que as pessoas invistam sua libido narcísica no mundo que é sua confirmação amorosa. Esse investimento é realizado em pessoas, objetos e ideias.

Quando esse investimento é obstruído, a libido narcísica volta para o interior do eu causando a conhecida angústia depressiva, dependendo do caso, levar a melancolia e a psicose. Exemplo: quando uma pessoa perde um ente querido, um amigo ou uma ideia, ela fica impossibilitada do investimento de sua libido narcísica entrando no estado de luto, porque seu narcisismo não encontra o objeto de seu desejo. Observa-se assim, que é através de sua libido narcísica que a pessoa constrói sua relação objetal no exterior.

Desta forma compreende-se que uma pessoa é narcisista porque investe sua libido no mundo, e não porquecompulsivamente se autoadmira. Desse primeiro equívoco ou erro, dependendo de quem analisa, quem procura chamar compulsivamente atenção sobre si não é um narcisista, mas um desnarcisado. Alguém cujo amor-próprio encontra-se diminuído. Daí necessitar da atenção dos outros para se iludir que é importante e que tem uma existência atuante. Esse tipo de desnarcisado blefa se fazendo passar por uma pessoa segurona, muito cheia de si.

Todas as pessoas têm momentos que se sentem meio que desnarcisadas e precisam de um ânimo narcísico para se sentir melhor. Essas não são pessoas que representam um blefe de superioridade, comandante. Nelas a desnarcisação é efémera, transitória. Ao contrário do desnarcisisado que compulsivamente quer chamar atenção sobre si, porque sua desnarcisação é seu tipo psicológico. Nelas a desnarcisação não tem nada de anormal, já que se existe em constante relação com o meio, com pessoas, agindo e sendo agida. A própria psicanalista famoso Françoise Dolto diz que às vezes se sente desnarcisada e necessita de alguém para animar seu narciso. Coisa do tipo, ‘hoje estou pra baixo, mas logo vou subir’. Como se diz: ”Normal!”

Agora, desnarcisado o narcisismo vamos ao tema. O promotor Cássio Conserino, como já é sabido até pelas pedras que não rolam, por isso criam limo, concedeu entrevista ao reacionário pasquim Veja, em que afirmou que iria intimar Lula e Dona Marisa a depor sobre o caso do apartamento do Edifício Solaris onde Lula é acusado de ter comprado um apartamento. Fato já negado pelos advogados do Sapo Barbudo através de documentos. Só que essa entrevista mostrou que o promotor estava extrapolando de suas prerrogativas de agente do Estado.

O deputado Paulo Teixeira (PT/SP), entrou com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pedindo a suspensão do depoimento afirmando que o promotor havia agido de modo incorreto fazendo juízo de valor antecipado. No fim do dia 16, o conselheiro, juiz Valter Araújo, concedeu liminar suspendendo o depoimento de Lula e Dona Marisa. Não deu outra: o promotor se sentiu ofendido afirmando que Lula acreditava que estava “acima da lei e à margem da lei”. Como se trata de um promotor do estado de São Paulo a entidade logo se mostrou posicionada a favor do promotor.

Só que ontem, dia 18, segundo matéria publicada na imprensa, no entendimento de 14 membros do conselho que é presidido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o promotor deve ser afastado do caso porque se excedeu ao antecipar à imprensa que denunciaria Lula e Dona Marisa, e que infringiu uma resolução do órgão.

Agora, tirando o papel partidarizado do promotor que muitos o acusam, o que pode ter o levado a ter essa conduta, já que ele deve saber, por obrigação jurídica, quais os procedimentos legais? Há Freud? Há Françoise Dolto?

Não precisa ser psicanalista para responder.

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ADVOGADOS CRIMINALISTAS PROTESTA CONTRA DECISÃO DO STF QUE AUTORIZA QUE CONDENADOS EM 2ª INSTÂNCIA CUMPRAM PENAS

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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autoriza que pessoas condenadas em segunda instância, mesmo que todos os recursos não estejam esgotados, cumpram penas já causou a primeira reação de protesto. Para a Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas a Corte teve uma decisão equivocada e é um desastre humanitário. E nega o princípio da presunção de inocência.

“Revela-se, repito, um desastre humanitário, pois se está suprimindo garantias constitucionais do cidadão, no tocante a sua defesa, agravada pelo fato de nosso sistema prisional brasileiro encontrar-se falido. Enquanto o mundo busca caminhos para punir sem encarcerar, essa decisão privilegia o encarceramento antecipado, na contra mão do direto penal mundial.

Nosso sistema penal está sedimentado em garantias individuais que visam equilibrar a relação entre o Estado todo poderoso e o cidadão, na busca da Justiça. Esse sistema garantidor está garantido em nossa Constituição Federal, que precisa ser observada e respeitada, antes de tudo e de todos”, diz trecho da nota escrita e divulgada pelo presidente da entidade Luiz Flávio Borges D’Urso. 

Também a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contestou a decisão do STF. Decisão que foi prontamente apoiada pelo juiz Sérgio Moro responsável pela Operação Lava Jato. Como diz o filósofo Nietzsche, o homem é o animal que prima pelo castigo.

“A entidade respeita a decisão do STF, mas entende que a execução provisória da pena é preocupante em razão do postulado constitucional e da natureza da decisão executada, uma vez que eventualmente reformada, produzirá danos irreparáveis na vida das pessoas encarceradas injustamente”, afirmou a OAB.    

Como FHC enganou o país

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Por: Palmério Doria

Muito antes das expressões “bullyng” ou “assédio moral” se tornarem corriqueiras, pude comprová-las na pele. Inicialmente na forma de sutis consultas, telefonemas despretensiosos, convites para almoços ou cafés.

Eu, o saudoso Sérgio de Souza, o grande editor de Caros Amigos, e todos os colegas envolvidos na apuração da histórica matéria que revelaria ao Brasil a proteção da imprensa a Fernando Henrique Cardoso no caso de seu filho de 8 anos com Miriam Dutra, jornalista da Rede Globo.

Era o verão de 2000. Entre a definição da pauta, em fevereiro, e a publicação da reportagem que entrou para a história do jornalismo independente em nosso país, em abril, meu caráter foi submetido a leilão. Reportagem, aliás, classificada pelo jornalista Ricardo Setti ainda outro dia no Roda Viva como “irresponsável”, sem qualquer contestação dos colegas ali reunidos.

Instalado, durante todo o mês de março, num hotel de luxo dos Jardins, o lobista Fernando Lemos ofereceu dinheiro, empregos, sinecuras e distribuiu ameaças. Tudo para que a tal reportagem não fosse publicada. Eu (ou meus companheiros de Caros Amigos) poderia ter ficado rico, me tornado alto funcionário da Petrobras (como propuseram, e hoje “defendem” a Petrobras), resolvido os crônicos problemas de caixa de Caros Amigos ou o que pedisse. Tudo me foi oferecido, sem rodeios.

Contei tudo isso em detalhes no livro “O Príncipe da Privataria” com Mylton Severiano, outro mestre soberano (Geração Editorial, várias edições), responsabilizei o lobista Fernando Lemos, cunhado de Miriam Dutra e “operador” de FHC, em inúmeras matérias aqui e acolá. Uma delas, em 27 de junho de 2011, no Brasil 247, sob o título A Última Exilada, com o qual Miriam Dutra hoje se apresenta. De nada.

Nem Lemos (morto em 2012), nem FHC, nem Miriam me processaram. Fernando Lemos morreu biliardário e não se deu ao trabalho de gastar um mísero centavo para tentar provar que seu comportamento, por mim relatado, não havia sido nefasto e corruptor. Enfim, faz 16 anos e estou sentado, na cadeira de balanço, debaixo da jaqueira, na curva do rio e sequer uma interpelação judicial.

Com um atraso de exatos 15 anos e 10 meses, Miriam Dutra resolve contar o que revelamos no outono de 2000. Antes tarde do que nunca.

Hoje, nas páginas da Folha – que à época, em discreta nota na coluna Painel justificou seu tumular silêncio, apelando para a surrada tese de que seria uma questão relativa à vida pessoal de FHC e de sua ex-amante – explode a entrevista bombástica de Miriam. Está tudo lá. Um repeteco ampliado e pormenorizado do que há 16 verões publicamos diante do silêncio indecente da grande imprensa.

E há acréscimos importantes: aparece uma das tais empresas nas Ilhas Cayman que arrepiam as penas do tucanato; o nome da Brasif, empresa detentora do negócio bilionário dos Free-shop nos aeroportos fazendo favor financeiro ao presidente da República (imaginem se fosse o Lula); as contas recheadas de FHC em bancos no exterior; a bolsa família paga com dinheiro arrecadado pelo lobista entre empresários que tinham relação promíscua com o governo de FHC; a relação lodosa com o filho que ele teria reconhecido e não teria reconhecido; um apartamento de milhares de euros na cara Barcelona presenteado ao filho que é filho e não é filho; a grave declaração de Miriam de que houve fraude no exame de DNA (quem comprou um Congresso Nacional para se reeleger não compraria um funcionário de laboratório? Entra na dança Mario Sergio Conti, aquele que entrevistou o sósia do Felipão como se fosse o próprio treinador em plena Copa do Mundo, que em 2000 me brindou com impropérios pelo telefone. Agora como o jornalista que usou sua condição de diretor de redação de Veja para lançar um cortina de fumaça sobre a gravidez da jornalista, em conluio com Fernando Henrique, além engavetador-geral de matérias.

Resta uma pergunta à própria imprensa, aos justiceiros do Ministério Público, aos irrequietos delegados da Polícia Federal, aos plutocratas de São Paulo que viajam em seus jatinhos até Nova York e vestem seus smokings cheirando naftalina em regabofes cafonas organizados pelo João Dória (pausa para sonora e gostosa gargalhada) para louvar o presidente que quebrou o Brasil três vezes; às “senhoras” de Higienópolis; aos Marinho, aos Frias, aos Saad e aos falidos Civita e Mesquita, além dos patéticos paneleiros de todo o Brasil:

Vocês não se envergonham de dizer que não sabiam de tudo isso?

Lembra aquela foto do FHC pedante, imperioso, deslumbrado. “Umbigo delirante” (licença, Millôr). Retrato em branco e preto de alguém que não amadureceu. Apodreceu. Muito longe do cicerone de Sartre no Brasil dos anos 50, ou do exilado no Chile, ou do aplicado professor auxiliar do mestre Florestan Fernandes.

Não se pode negar que FHC enfim caiu na boca do povo. Não enganou só Dona Ruth. Nem só a amante, por ele abandonada. Ele enganou todo um país.

“Lula é o que há de melhor”

Ricardo Stuckert:

Por: Paulo Moreira Leite

Para o dirigente sindical norte-americano Gary Casteel, que veio ao Brasil participar de um protesto de trabalhadores contra a Nissan, montadora oficial das Olimpíadas do Rio de Janeiro, a perseguição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolve “um ícone do movimento sindical mundial, inclusive nos Estados Unidos. Ele representa o que há de melhor no movimento sindical.” Secretário-tesoureiro da UAW, entidade que representa os metalúrgicos da maior indústria automobilística do mundo, em entrevista ao 247 Gary Casteel comparou o momento político brasileiro à situação política de Alemanha e outros países da Europa, onde se assiste ao renascimento de movimentos de extrema direita, inclusive neo-nazistas. Sua entrevista:

PERGUNTA — Líder operário, presidente do Brasil durante dois mandatos, Luiz Inácio Lula da Silva hoje é alvo de investigação pela Justiça. Nada se demonstra mas muito se fala contra ele. Como você vê essa situação?

GARY CASTELL– Ele é um ícone do movimento sindical americano. Já recebeu todas as honras e homenagens que poderia ter recebido da UAW. Ele representa o que há de melhor no movimento sindical. Ele veio do sindicalismo, defendeu os trabalhadores e mudou esse país — profundamente.

PERGUNTA –Muitos brasileiros comparam o processo que se vive hoje no país, de criminalização do principal partido de esquerda e suas lideranças, ao período da história norte-americana conhecido como macharthysmo, ocorrido no final da década de 40 até 1960. Qual a importância das perseguições daquela época — retratadas recentemente no filme “Trumbo,” — na memória dos trabalhadores norte-americanos? 

GARY Para minha geração, o macharthysmo se passou há muito tempo. Mas eu acho que o que está acontecendo no Brasil é o que está acontecendo na Alemanha. Há um grande movimento da direita. É o grande capital tentando encontrar uma maneira de vencer. Estão tentando fazer com que as pessoas se revoltem e deixem de lado as posições que no fundo são melhores para elas. Dessa maneira, conseguem fazer com que as pessoas votem contra os seus próprios interesses. Na última vez que  estive aqui os nossos companheiros do movimento sindical diziam que os movimentos de direita eram uma loucura porque as ruas costumavam ser nossas. Na Alemanha há manifestações da direita todas as segundas-feiras. Há uma volta ao nazismo, ao isolacionismo, tudo impulsionado pela questão da imigração.

PERGUNTA — Como explicar o desempenho de Donald Trump, candidato ultra-conservador, nas primárias do Partido Republicano?

GARY Trump está atraindo um certo apoio mas não sei em qual porcentagem. Não acho que terá o apoio da maioria. O melhor de Trump é que ele expôs a cara da direita. Suas políticas e posições são tão radicais que apenas um pequeno porcentual o apoia. Mas dá pra ver quem são essas pessoas. Elas são anti direitos humanos, anti-imigrantes, sem nenhuma compaixão pelo próximo. Ele realmente identificou quem é essa direita. E acho que ele não vai conseguir a maioria dos votos dos trabalhadores. Nem de longe.

PERGUNTA –Como você avalia o governo Barack Obama?

GARYEle enfrentou problemas porque não conseguiu a cooperação da Câmara dos Representantes e do Senado. Para impedir que Obama tivesse êxito, a direita combateu até medidas que antes apoiava e dizia que eram positivas. Eu acho que Obama foi um presidente tão bom quanto ele poderia ter sido nas circunstâncias, sendo que as circunstâncias foram muito ruins.

PERGUNTA — Dá para explicar isso melhor?

GARY No começo do mandato houve a questão em torno do Employee Free Choice Act, (uma reforma trabalhista progressista)  que não avançou. No cotidiano,  temos mais acesso ao presidente Obama que a qualquer outro presidente dos Estados Unidos, ao menos do que eu posso me lembrar. Podemos telefonar para ele e receber uma resposta. Ele conversa. Isso é importante. Ele age assim com os sindicatos em geral, mas particularmente com a UAW pelo fato do nosso presidente, Dennis Williams, ser do mesmo estado dele, Illinois. É uma relação que se estende desde que Obama foi candidato ao Senado estadual.

PERGUNTA — Os sindicatos preferem Bernie Sanders a Hillary Clinton? E a UAW?

GARY Nós ainda não apoiamos nenhum candidato oficialmente. Antes de anunciar qualquer posição, faremos um processo de consulta às lideranças regionais, pois esta não é uma decisão que se toma de cima para baixo. Muito provavelmente não tomaremos uma decisão antes do final das primárias. Alguns sindicatos já apoiam oficialmente algum candidato. Não é o nosso caso.

PERGUNTA – O Tratado de comércio do Pacífico, TPP, tem sido apresentado, no Brasil, como um exemplo de acordo internacional que deveria ser seguido por todos os país. Como você vê o TPP?

GARY Sou contra, institucionalmente e pessoalmente.  O TPP não contempla proteção aos direitos humanos, aos direitos trabalhistas, nem contra manipulações da taxa de câmbio. Temos experiência nestes acordos, que não é positiva.

PERGUNTA — Duas décadas depois, qual balanço que se pode fazer do NAFTA, o tratado de livre comercio entre EUA, Canadá e México?

GARY O Nafta reduziu salários. Representou danos econômicos para os trabalhadores americano e nada fez nada pelos trabalhadores mexicanos. Representou a estagnação. O tratado continha cláusulas que previam a recapacitação para os trabalhadores americanos. A recapacitação foi feita, mas não havia mais empregos para eles. Só se beneficiou foram as empresas transnacionais, capazes de explorar os trabalhadores de todos os países.

PERGUNTA — Num reflexo das mudanças econômicas promovidas no governo de Ronald Reagan, a partir dos anos 1980 vimos um período de demonização dos sindicatos no mundo inteiro, inclusive nos EUA. Denúncias sobre privilégios de dirigentes sindicais se tornaram frequentes, e ajudavam a enfraquecer as entidades. Como está este debate hoje?

GARY– Este processo criou mecanismos externos de controle e prestação de contas que, em nome da boa contabilidade,  só contribuíram para impedir o crescimento dos sindicatos, que era seu objetivo real. Fala-se em salários altos e outros privilégios, mas isso não tem a ver com a realidade. Estes registros são engordados com despesas de trabalho, como, por exemplo, viagens internacionais. O meu salário, por exemplo, é menos da metade do que consta nessa contabilidade. Os dirigentes da UAW recebem o terceiro salário mais baixo dos Estados Unidos e, no entanto, somos o sindicato mais rico dos Estados Unidos. Muitos dos trabalhadores das três grandes empresas do setor automotivo ganham mais que o presidente do nosso sindicato.

PERGUNTA — Embora a recuperação econômica dos Estados Unidos tenha se mostrado, comparativamente, melhor sucedida do que na Europa, nós sabemos que estamos assistindo a um crescimento com empregos precários, e salários baixos. O que acontece? 

GAR Um dirigente sindical muito sábio já disse no passado: toda vez que saímos de uma recessão, os lucros voltam, mas os empregos ficam para trás. E os níveis salariais e as condições de trabalho permanecem achatados. Eu digo que essa situação existe devido à falta de sindicatos. As corporações enfrentam dificuldades, perdem dinheiro, e quando a produção volta a crescer, elas querem recuperar a rentabilidade e o fazem as custas do trabalhador. Algo assim aconteceu na indústria automotiva.

PERGUNTA –Dá para explicar?

GARY Das três grandes empresas americanas do setor que nós representamos, duas foram à falência (GM e Chrysler) e outra (a Ford) estava à beira da falência. Hoje, todas três tem lucros bilionários por trimestre. Desde 2008 os trabalhadores abriram mão de muitas conquistas para ajudar as empresas a saírem da falência. Chegamos a 2015, com a recuperação do setor automotivo, os trabalhadores sindicalizados conseguiram fechar acordos coletivos com melhorias econômicas expressivas. Isso não aconteceu com os não sindicalizados. Se a pergunta é por que os novos empregos são precários e tem salários baixos a resposta está na falta de sindicalização.

PERGUNTA — Vocês vieram ao Brasil apoiar um protesto contra a Nissan junto ao Comitê Organizador das Olimpíadas no Rio. A acusação é que a subsidiária da Nissan persegue sindicatos e utiliza terceirizados de forma permanente, por longos períodos.

GARYEstamos aqui para apoiar os sindicatos brasileiros, que são os condutores do processo. Nós apenas apoiamos. Uma montadora alemã vai ter os seus principais mercados na própria Alemanha, no Brasil e nos Estados Unidos. Se for uma empresa japonesa, os principais mercados costumam ser Brasil e Estados Unidos. Então 54% das vendas da Nissan são nos EUA, o que mostra a operação da empresa na América do Norte é muito lucrativa. Ela está lá há bastante tempo e, por isso, deveria acompanhar os padrões Americanos e permitir que os trabalhadores sejam representados por um sindicato se assim desejarem. Eles dizem que nos EUA não é normal que os trabalhadores dos EUA sejam sindicalizados.

PERGUNTA — Isso é verdade?

GARY São apenas as montadoras estrangeiras que não tem unidades sindicalizadas. As multinacionais, que combatem a sindicalização. Elas vem ao nosso país, colhem os frutos do nosso mercado e querem oprimir os trabalhadores e evitar que eles formem um sindicato. O sindicato permitiria que eles negociassem questões como salários e trabalho precário, saúde e segurança no trabalho e todas as outras coisas que o sindicato negocia.

PERGUNTA –Em vários países, há um movimento de crítica a indústria automobilística, seja pelo transito nas grandes cidades mas também pelos danos que a poluição causa a saúde das pessoas. Nós sabemos que a indústria automobilística é um setor de cauda longa, capaz de gerar empregos em grande quantidade, criando benefícios preciosos e inegáveis. Como se pode responder a essas questões?

GARY—  Meu ponto de vista é que os países industrializados seriam simplesmente dizimados se resolvessem acabar com a indústria automotiva. Ela é a cauda longa da economia.

PERGUNTA — O que se pode fazer, então?

GARY Se você analisar os avanços nos automóveis há uma grande evolução. Não dá para comparar o padrão de omissão da década de 1980 com os padrões de hoje. Os fabricantes de alguns caminhões pesados chegam a dizer  que o ar que sai do escapamento é às vezes mais limpo que o ar que entrou no motor. Isso é impressionante. Quanto aos carros de passeio, nos Estados Unidos o padrão de emissões é cerca de 100 vezes mais rigoroso do que era há alguns anos. A indústria automotiva, ao contrario da indústria do Tabaco, reconhece que existem questões relativas ao meio-ambiente e à saúde pública e tem tentado enfrentá-las. E existem regulamentos do governo que exigem isso. Não é uma indústria que foge da raia. Eu acho que existe uma consciência. Como resultado da resolução desses problemas estão sendo gerados trabalhos em outras áreas, nas chamadas tecnologias verdes e o marketing envolvido. Surgem novas oportunidades de trabalho de engenharia que foge do convencional, por exemplo, os novos fabricantes de baterias para carros elétricos. Os países industrializados, como eu estava falando antes, perderiam muito em termos de emprego e receitas. Nos Estados Unidos, então, nem se fala: os carros fazem parte da sua persona. É normal nos EUA você trabalhar a 150 km de casa e ir de carro para o trabalho. Isso varia de país a país. Mas eu diria que nos Estados Unidos, culturalmente, as pessoas não aceitariam não ter um carro. Vale a pena dizer: os empregos envolvidos em toda a cadeia automotiva me fazem crer que os carros vão continuar existindo por um bom tempo.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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