Arquivo para 1 de junho de 2016

A EXTINÇÃO DO MINISTÉRIO DAS MULHERES POR TEMER MOSTRA AO POVO BRASILEIRO QUE ELE NÃO ENTENDE DA POTÊNCIA POLÍTICA DAS MULHERES

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Essa afirmativa pode ser extraída da conversa que a presidenta Dilma Vana Rousseff teve com internautas quando, junto com ex-ministra Eleonora Menicucci, do ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, analisou a extinção do ministério promovida por Temer. Uma clara e perversa demonstração que não entende nada da potência política das mulheres como produtoras das transformações do país direcionadas ao bem de toda a população brasileira.

“Queremos mulheres representantes e protagonistas da vida social brasileira, em igualdade de condições com os homens, parceiras e líderes. O ministério é o reconhecimento de que a questão tem receber tratamento prioritário na construção de um país democrático.

Sabemos que um dos maiores desafios da sociedade brasileira é ampliar a representatividade das mulheres no governo e em espaços de poder. Entretanto, o presidente interino não possui a mesma visão da presidenta e foi duramente criticado por isso.

A foto do primeiro escalão do governo provisório é chocante. Sem mulheres, sem negros, sem jovens. Homens, velhos, ricos e brancos.

Não faltam episódios de discriminação contra as mulheres. Está aí o terrível caso do estupro coletivo que envergonhou todos nós. Estão aí também as manifestações machistas e preconceituosas que surgiram durante o processo do impeachment. Como primeira presidenta mulher, quebrei paradigmas e tenho muito orgulho de todas mulheres que lutam todos os dias pelo seu espaço”, afirmou Dilma.

PEDRO CORREA (PP), EM DELAÇÃO PREMIADA, AFIRMA QUE A COMPRA DE VOTOS PARA REELEIÇÂO DE FHC CONTOU COM PAUDERNEY, AMAZONINO, CAMELI, MOTA E EDUARDO MAGALHÃES

 

Pedro Correa (PP), em delação premiada na Lava Jato, afirmou o que a maioria da população brasileira já sabia: que a compra de votos de deputados para reeleição de Fernando Henrique “Foi um dos momentos amis espúrios da vida pública”. Só que ele esqueceu que a sordidez também se repetiria de forma mais brutal com o golpe para o afastamento de Dilma de um governo composto por mais de 54 milhões de votos, porque contou com as participações de parlamentares, mídias acéfalas capitalizadas e parte do poder judiciário.

A compra de votos, que rasgou a Constituição, foi promovida para garantir a reeleição de Fernando Henrique, que em sua miserável vaidade, queria continuar no poder, mas a Constituição proibia reeleição. E os responsáveis pela operação “rasgando a Constituição”, foram diretamente, os autores, Sérgio Motta, ministro das Comunicações e o presidente da Câmara Federal, Luiz Eduardo Magalhães, filho de Antônio Carlos Magalhães, ACM ou Toninho Malvadeza.

Também participaram ativamente, segundo Pedro Correa, na operação “rasgando a Constituição” o ex-governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), o ex-governador do Acre, Olair Cameli (PFL), e o deputado do DEM (ex-PFL) do Amazonas, segundo Sérgio Machado, “o mais corrupto de todos”, Pauderney Avelino que foi condenado esse ano pelo Tribunal de Contas da União do Estado do Amazonas a devolver R$ 4.600 milhões por desvio de verbas públicas. Esses personagens, foram responsáveis pela compra dos votos dos parlamentares.

De acordo com a delação de Correa, foram 50 deputados que receberam propina para votar a favor da emenda que promulgava a reeleição de Fernando Henrique no valor R$ 200. Como Fernando Henrique havia indicado para Procuradoria-Geral da República seu amigo Geraldo Brindeiro, o caso foi engavetado.

Porém, agora, Pedro Correa mexe na memória ocultada pelas direitas comandadas por Fernando Henrique. O falso príncipe que toma, em fantasia e delírio, como honesto acima de qualquer suspeita. Acima da suspeita do maior caso de corrupção na Petrobrás em seu desgoverno. Pedro Barusco e Paulo Roberto que o digam. Além do jornalista Paulo Francis que morreu em decorrência da perseguição que sofreu por denunciar tal corrupção.

MORO TEM TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA NEGADO PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, ONDE FOI ALUNO

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Leia o documento em que a Universidade Estadual de Maringá (UEM) nega o título a Moro que foi publicado no site Brigada Herzog.

O reitor Mauro Luciano Baesso decidiu não conceder o titulo de Doutor honoris causa ao juiz Sérgio Moro, depois que um grupo de docentes e funcionários da Universidade Estadual de Maringá (UEM) solicitou sua invalidação. Dois documentos foram produzidos, e um deles protocolado, elencando varias considerações para a anulação do título.

Entre elas, o currículo Lattes do juiz  maringaense com apenas uma página e com um parco conhecimento em língua estrangeira, além de uma graduação desconhecida e não discriminada em seu currículo, somente cinco artigos publicados, ou seja, um curriculo que não corresponde à altura do ilustre título.

Segundo o professor Titular do Departamento de Física (UEM), Marcos Cesar Danhoni Neves, a proposta nasceu de alguns professores do curso de Direito tentando aproveitar o aniversário dos 50 anos do curso. “Mas uma parcela de outros docentes e funcionários do Departamento de Direito reclamou criando documentos que foram apresentados ao reitor que decidiu em não conceder o título”, explicou Neves.

Responsável pela equipe que realiza as investigações dos casos de corrupção na petrolífera brasileira Petrobras, o juiz Sergio Moro, tornou-se a figura central na crise política que abala o Brasil. O ex-aluno da UEM despertou opiniões controversas da opinião pública ao divulgaras gravações de telefonemas de Lula da Silva e a prisão do mesmo pela Polícia Federal.  Moro responde ao Supremo Tribunal por violar a Constituição por intercepção ilegal a presidente Dilma e por ter espalhado para a mídia reservados atos investigativos.

O documento protocolado na UEM ressalta principalmente o fato de Moro seguir o modelo da Operação Mani Pulite italiana na Lava jato. O juiz que virou uma especie de herói dos opositores do governo Dilma, parece não saber ao certo a diferença entre mãos limpas e sujas. Em uma entrevista ao site Comunità Italiana, em fevereiro de 2016, o juiz admitiu ter pouco conhecimento sobre o sistema judiciário italiano: “Não conheço muito bem o sistema processual e o judiciário italiano, mas admiro a coragem dos magistrados que trabalharam na Operação Mani Pulite”, revelou Moro não adentrando-se no assunto que deveria ser esclarecido aos brasileiros que não sabem que as Mãos Limpas italianas não era uma revolução, mas um golpe de Estado.

Lê-se no documento do Prof. Neves:

“Considerando que em trabalho acadêmico e divulgado, de 2004, o Sr. Sergio Moro busca recapitular o trabalho do juiz italiano Antonio di Pietro da Operação Mani Pulite (Mãos Limpas) que resultou na destruição completa da classe política italiana, na sua própria candidatura(derrotada) a postos políticos superiores na Itália, e que acabou permitindo a ascensão e a longa permanência de Berlusconi por 12 (doze) anos no poder.”

Foi citado também no documento protocolado, a ligação do juiz com os EUA. Por meio de um documento interno do governo americano, vazado pelo Wikileaks, é possível inferir que Sérgio Moro está entre os agentes judiciais treinados pela CIA em suas “visitas ligadas a agências de Estado norte-americanas”. Sua biografia publicada em um jornal online Diário do Centro do Mundo e sua ligação com a Rede Globo (mediante concessão do Prêmio “Faz a Diferença”) também constam na longa lista.

Uma das últimas observações do documento protocolado:  “o título de Doutor honoris causa deve ser concedido a pessoas de indubitável caráter altruísta, de solidariedade, de promoção da educação e da cultura no Brasil e no mundo.”  O pedido de não concessão do honoris causa a Sérgio Moro aceito pelo reitor da UEM é mais uma prova que o juiz não é tão intocável assim como muitos pensam.

Abaixo cópia da petição protocolada.

O ALCUNHADO GOVERNO DO GOLPISTA, TEMER, É UMA SIMULAÇÃO-KITSCH: FINGE SER O QUE NÃO É

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O ilegítimo é um corpo ou uma situação que não contém as propriedades essências produtoras do corpo e da situação que ele tenta fazer-se passar. É ilegítimo porque não sendo produto dessas propriedades essenciais busca ser tido como real e legítimo. Uma patética tentativa de engodar o outro para conseguir a consideração necessária para ser tido como real e funcional. Uma espécie de adoção do outro que ele, como ilegítimo, recorre a todos os expedientes possíveis para seduzi-lo. E assim, com essa consideração, colocar em prática seus objetivos adulterados, já que sua ‘legitimidade’ não tem suporte nas realidades exteriores e interiores. Não é matéria e nem ideia.

Recorrendo ao filósofo Baudrillard, o ilegítimo por sua busca de ser tomado como legitimo, ou seja, com função real, não passa de uma simulação: finge ser o que não é. Daí que o ilegítimo como simulação é duplamente perverso (perverso no sentido de desvio do objeto do desejo). Um, no início ele sabe que não é o que finge ser. O que se confira em uma duplicação de si. Porém, como suplicação, ele se aliena dele mesmo não tendo mais corpos referenciais de si. Não pode se alcançar. É outro distante de si. Um desconhecido de si. Poderia até se dizer que ele não finge mais, visto que é outro. Dois, como alguém que não é ele, não pode usufruir do que almejava quando ainda não era uma simulação. Seus propósitos de ilegítimo não serão alcançados, restando somente a frustração ao observar que foi outro quem atingiu os seus propósitos. Ele está fadado à impossibilidade do grande gozo. Um malogro total.

Tratando-se do kitsch, há uma situação pior para o ilegítimo. Na encenação da simulação, ele simula porque tem um referencial real do qual ele se serve para inspiração do fingimento do que não é. Embora jamais consiga ser o corpo que lhe promove a inspiração. Freud diria que ele foi inibido no impulso e na meta. Como o kitsch é uma imitação miniatural do modelo real que desfila na sociedade de consumo como valor de uso e valor de troca, ele é totalmente vazio e sem utilidade que só serve para iludir quem o possui como uma falsa posição social. Uma forma fantasmagórica de ‘satisfação’ por não poder possuir o modelo real como signo de diferença social. Uma miniatura que imita um modelo com valor de uso e valor de troca só serve para adornar espaços disfuncionais. O governo Temer, o ilegítimo, é uma miniatura diante da grandeza do governo popular de Dilma. Como kitsch só se desqualifica. 

Essa é uma perspectiva que se pode olhar e conceber Temer, o ilegítimo. Temer finge ser o que não é: presidente. Como finge, está impossibilitado de construir um governo real que beneficie a sociedade brasileira. Não poderia ser diferente. Seu fingimento vem desde que se colocou a disposição de ser o vice de Dilma, porque nem como vice poderia ser legítimo. Temer não tem as propriedades democráticas essências para ser vice de um governo popular. O desmonte que ele vem realizando no país confirma sua carência de legitimidade democrática e política

Nesse quadro que Baudrillard nos envolve, compreende-se que a ilegitimidade de Temer é mais perigosa à democracia que a corrupção política-jurídica que afastou Dilma. Ela é mais perigosa por causa dos efeitos que a simulação e o kitsch proporcionam. Se na simulação há uma fantasia-paranoica de se passar pelo o que não se é tendo como objeto um modelo real, uma ocultação de si por medo de si mesmo, no kitsch seu objeto, por ser uma quinquilharia-imitadora, rebaixa o modelo real por um simples snobismo. Uma tentativa de imitar uma mobilidade social que o signo do modelo imitado oferece como sedução na sociedade de consumo.

Assim, o alcunhado governo de Temer como simulação e kitsch se encontra condenado a nunca ser um governo democraticamente político. Todos os seus atos são denegações da democracia. Não há concretude em atos fingidos. E muito menos grandeza democrática em atos como miniaturas-imitativas.

Com uma representação espectral ilegítima, o Brasil só se tornará democrático quando se tornar realidade o “Fora Temer!”.   

Um filme chamado Brasil

Lula Marques

A resistência ao golpe precisa demarcar o futuro, como fez o presidente islandês na bancarrota de 2009: ‘Somos uma democracia, não um sistema financeiro’

por: Saul Leblon

Instale uma lente grande angular na sua angústia com o Brasil.

Abstraia contradições óbvias demais.

Essa, por exemplo:  um projeto econômico neoliberal que só se viabiliza com um golpe de Estado articulado por instituições que encarnariam o liberalismo –o congresso ‘representativo’, o judiciário ‘independente’, ‘a mídia ecumênica e isenta’…

Não restou um tijolo desse edifício no Brasil pós 11 de maio.

Afaste a tentação de condensar essa montanha desordenada de ruínas no riso de escárnio de Gilmar Mendes.

A toga partidária é um personagem por demais caricato, ainda que representativo do Supremo Tribunal do país.

Tome a mídia como referido, não como referência.

Para guardar alguma distância em relação ao país e ainda assim enxerga-lo melhor, imagine um enredo de Costa Gavras.

Não o óbvio ululante: o assalto ao poder por parte da cleptocracia de rentistas, banqueiros, proprietários dos meios de comunicação, escória política…

Vá além da borra tóxica que flocula na superfície pegajosa dos noticiosos.

Abra lentes para o mundo.

O mundo da grande estagnação que amassa o capitalismo global desde o colapso de 2008, no qual ano a ano as instituições internacionais revisam para baixo suas projeções de ‘recuperação’.

Sociedades subtraídas de seus pilares indivisos — pujança industrial, empregos de qualidade, sindicatos representativos, Estados fortes e reguladores, direitos sociais universalizados— experimentam o longo inverno de uma encruzilhada histórica.

A incerteza é senhora.

O subemprego, permanente.  

Precariedade profissional e social, generalizadas.

O conjunto contamina as relações pessoais e coletivas, mastigadas nas mandíbulas de um sistema político incapaz de reinventar o futuro.

As estruturas produtivas mudaram à frente das estruturas políticas.

Mudaram para pior.

Ferrugem industrial e mal-estar social.

A polarização que opõe Sanders e Trump nos EUA decorre desse derretimento de um tempo capitalista que se despediu para sempre e levou consigo o espaço estrutural das camadas médias.

Sobrou a fricção crua dos interesses contrapostos.

Só mitigados pela manipulação midiática.

‘É isso que se vê nos EUA. Essa contraposição é algo muito sério e profundo, vai além da retórica de palanque’, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, em meio a uma conversa sobre a natureza igualmente extremista do desmonte neoliberal promovido pelo golpe no Brasil.

O filme imaginário de Costa Gravas mostra a esquerda brasileira, como a de todos os lugares, perplexa.

Hesita-se em abandonar uma zona de conforto que aderna e  deixou de fazer sentido sob as novas condições globais, brutalmente internalizadas aqui pelo golpe.

O xeque-mate impõe-lhe repensar as bases do desenvolvimento.

E mais que isso: a correspondente arregimentação de forças para viabiliza-las, sem as velhas ilusões na indulgência dos mercados e da mídia.

Trata-se de reconstruir os canais de decisão da sociedade.

Mas sem esquecer os requisitos econômicos à vigência futura de uma verdadeira democracia social.

‘Sem indústria –ou hiperindustrialização, como se vê em setores de ponta, inclusive na agricultura’, pondera em off a voz do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ‘ uma sociedade não cria os requisitos de investimento, emprego, renda e receita para a convergência social. A desigualdade se impõe’.

Como se impôs nos EUA desguarnecido de zonas inteiras de industrialização  transferidas para o inalcançável padrão de eficiência e custo chinês.

Como reindustrializar um país caudatário nessas condições, sem resvalar no protecionismo cartorial?

‘O ponto de partida é que você não consegue decidir mais o seu desenvolvimento sem reverter a liberalização da conta de capitais, que removeu barreiras aos fluxos especulativos. Terá que fazer isso, sobretudo, com instrumentos de regulação das operações com derivativos, desvinculadas dos fluxos, mas de efeitos cambiais adversos sobre a competitividade industrial’, sinaliza o economista brasileiro.

O que o ele enfatiza, para horror da equipe do golpe, é endossado por alas do próprio FMI.

Corte para a matéria do Financial Times de 30/05/2016.

Voz radiofônica sobre imagens de plantas industriais e bairros decadentes do entorno de Detroit e favelas latinoamericanas: ‘…três dos principais economistas do FMI sugerem que a “agenda neoliberal” pode ter tido menos sucesso do que o pretendido – e que produziu um aumento da desigualdade (em consequência de dois elementos específicos do chamado cuore neoliberal):  liberalização da conta de capital, ou seja, a remoção de barreiras aos fluxos de capitais; e consolidação fiscal, hoje mais comumente denominada austeridade.”

Volta à disjuntiva subjacente ao golpe brasileiro.

Qual Brasil?

O da industrialização sonhada por Vargas, Furtado, pelos nacionalistas, keynesianos e marxistas; ou o paraíso da arbitragem de juros, o entreposto dos especuladores, a terra de ninguenzada, com alfandegas livres, o reino da Alca, de FHC, e do entreguismo psicopata de José Serra, que subordina a nação ao seu ego?

A indiferença jornalística diante das determinações globais que dificultam a transição de ciclo do desenvolvimento brasileiro tem razões estratégicas.

O véu espesso lançado pelo noticiário cuida de sonegar a gravidade do desequilíbrio mundial para enfatizar a tese do “desgoverno petista”.

O recorte pavimenta a inexorabilidade do arrocho e empresta virtude à gororoba neoliberal que, finalmente, tomou o poder a contrapelo das urnas.

Ter a visão integral do jogo é decisivo para poder vencê-lo.

O enredo imaginário de Costa Gavras passeia agora pelas reuniões de pauta e de fechamento dos jornais e telejornais em que esse requisito é sonegado.

Ali se assa o pão aziago do fatalismo, da desventura, das impossibilidades, da prostração, da perda da autoestima pessoal, política, nacional, histórica.

Ali se desvela a usina que acua o imaginário social até leva-lo à catatonia.

Não há fato que resista a títulos, fotos, imagens e escaladas manipuladas pela lógica pré e pós golpe.

Exceto um deles: a rua.

Ainda assim, a narrativa justa das causas que dificultam a retomada do crescimento – seu componente interno e externo – é crucial para arregimentar a correlação de forças necessária a uma repactuação progressista do desenvolvimento.

Sem isso a rua pode ser exaurida pela dízima periódica dos enfrentamentos pulverizados.

As determinações estruturais invadem a tela numa sequência quase documental.  

Na raiz da crise global está o excesso de capacidade produtiva desprovida de demanda em cada nação e no conjunto das nações, motivo das desvalorizações cambiais em marcha.

As cenas rápidas dizem com todas as letras o que a mídia local oculta ou rebaixa às notas de rodapé: esse é o legado de um desequilíbrio estrutural instaurado por quarenta anos de hegemonia neoliberal no mundo, obra que o conservadorismo quer replicar no Brasil.

‘A diluviana sobra de capitais decorrente desse ciclo de fastígio das finanças e depauperação do mundo do trabalho’  — resume exemplarmente Zygmunt Bauman em fugaz aparição no filme imaginário de Gavras, inaugurou uma era em que ‘a política teve as mãos decepadas’.

A crise do Estado-nação, sua subordinação aos mercados, está na raiz do descrédito na política.

Que força poderá rejuvenesce-la?

Eis a pergunta que as câmeras imaginárias de Costa Gavras pontuam em cada close, em cada rua, em cada imagem da angústia no mundo.

É esse também o conjunto de bloqueios que cerceia o passo seguinte da história brasileira nesse momento.

Explicitá-los é um requisito para o discernimento necessário ao enfrentamento.

A preciosa fatia da soberania nacional que restou é a repactuação da sociedade e do seu desenvolvimento em escrutínios de amplitude democrática renovada.

A democracia, sim, ainda é a grande questão política do nosso tempo. É o que se depreende das imagens estonteantes das mobilizações de rua na Europa em coma, sobretudo nos movimentos dos Indignados espanhóis.

Sem recorrer a esse trunfo derradeiro a sociedade, a nação e o seu desenvolvimento ficarão escravos de receitas e ajustes que agravam a sua fragilidade e aprofundam o seu descrédito na política.

A isso se dedica o mutirão vertiginoso de decisões anunciadas pelo golpe.

Corte para o desmonte em curso do aparato público brasileiro: manchetes, protestos, anúncios solenes, ruas em chamas.

O rame-rame do ajuste neoliberal consiste nisso: em demolir o que foi conquistado para instituir o retrocesso como limite do possível.

E a exclusão como sinônimo de estabilidade.

Atrelar o país à lógica mundial do neoliberalismo – como apregoa o golpe– significa corroer 12 anos de esforços distributivos e sacrificar um dos maiores mercados de massa do planeta, para abraçar a receita rentista que está na raiz da polarização derivada da grande estagnação global.

Quatro décadas de neoliberalismo esfarelaram a classe média dos EUA e desmontaram o estado do Bem-Estar europeu.

A renda real da outrora afluente classe média norte-americana encontra-se estagnada no nível de 1977, tendo o PIB crescido 50% no período.

Nunca a desigualdade foi tão extremada como agora na sociedade mais rica da terra.

Para recorrer novamente a Bauman: a tese neoliberal de que a concentração em cima, vazaria ariqueza por gravidade para baixo, comprovou-se uma grande mentira.

O que sobreveio foi o apogeu da desigualdade.

Cenas documentais:

A fatia da renda nas mãos dos 20% mais ricos nos EUA hoje chega a 55%; declinando na base da pirâmide.

Não é menos regressivo o quadro europeu.

Pesquisas mostram que a diferença entre um rico e um pobre na sociedade europeia era de 1 para 12, em 1945.

Em 1980, passou a 1 para 82.

Após o desmonte das bases da democracia social, atinge a desconcertante vastidão de 1 para 530.

Não por acaso, a disputa presidencial nos EUA repõe em cores ainda mais vivas o confronto entre políticas fiscais para engordar os ricos ou investimentos públicos para resgatar os pobres.

Volta ao professor Luiz Gonzaga Belluzzo: ‘A polarização que se assiste nos EUA sintetiza o nosso tempo; se Sanders fosse o candidato democrata teria chances reais de derrotar Trump; o mesmo não acontece com Hillary, que nada tem a contrapor ao populismo direitista do republicano’.

‘Trump não é um fascista mas carrega nuances dos anos 30’, admite a The Economist diante do apelo popular que a xenofobia e o protecionismo bélico do republicano exercem nas massas desamparadas da outrora afluente sociedade do Norte.

Quem considera simplismo descrever assim a polaridade incrustrada pelo neoliberalismo na carne das nações, talvez mude de opinião diante das estatísticas divulgadas há dois anos pela consultoria Wealthx, de Cingapura (http://www.wealthx.com/home/).

Um analista da assessoria expõe o mapeamento feito em 2014, enquanto as câmeras passeiam no planeta por ele descrito:

– 185.759 endinheirados dos quatro continentes detêm uma fortuna calculada em US$ 25 trilhões, nada menos que 40% do PIB mundial;

– o seleto clube comporta acentuada divisão interna de camarotes: o nível A é ocupado por 1.235 megarricos que controlam uma dinheirama quase igual a dois PIBs brasileiros: US$ 4, 2 trilhões.

A distribuição da riqueza nunca foi o forte do capitalismo.

Mas as últimas décadas de supremacia das finanças desreguladas conseguiram dar envergadura inédita à palavra desigualdade.

Quarenta anos de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, associados a mimos tributários que promoveram o fastígio dos endinheirados, premiaram o capital celibatário que se autorreplica na especulação, sem agregar riqueza real à sociedade.

O conjunto enlouqueceu a engrenagem da desigualdade, corroeu a fatia do trabalho na riqueza, tornando-se o principal obstáculo à recuperação da economia mundial.

Oito anos após o colapso de 2008, o dinheiro ocioso transborda dos caixas das empresas, bancos já cobram para guarda-lo, com juros perto de zero, mas o investimento produtivo patina.

Sem investimento a conta da sociedade do bem-estar e a da democracia social não fecha.

A alternativa conservadora é clara: arrocho e opressão.

É essa receita do golpe que derrubou a Presidenta Dilma Rousseff.

A democracia terá que intervir contra o despotismo do capital para deter uma lógica que não saciará enquanto não abater, eviscerar e desossar integralmente o espaço do desenvolvimento e da soberania popular no Brasil do século 21.

Reduzir essa conflagração de interesses a um “esgotamento do desenvolvimentismo”, ou, mais rastejante ainda, “aos erros da nova macroeconomia lulopopulista”, como quer o sociólogo FHC –em aparição gelatinosa no filme imaginário de Costa Gavras–  pouco agrega à agenda do desassombro requerida pela encruzilhada brasileira.

O país, insista-se à exaustão, está diante de provas cruciais.

É preciso dar à crise o seu nome: o enredo de Costa Gavras pega a esquerda pelos ombros e a sacode diante da incontornável realidade capturada pelo cinema.

O nome da crise é capitalismo.

Em seu estágio de supremacia financeira; é a desenfreada ferocidade com que os capitais fictícios exigem um mundo plano de fronteiras livres e desimpedidos , por onde possam transitar à caça de fatias reais de uma riqueza, para a qual não se dispõem a contribuir, apenas se apropriar em espirais de bolhas recorrentes.

Quem vê no capitalismo apenas  um sistema econômico, e não a dominação política intrínseca a sua encarnação social, derrapa, ajoelha e se rende incapaz de reagir porque perde a centralidade que a democracia ocupa nessa disputa.

Não a democracia liberal.

O cinema imaginário de Gavras fala da democracia contra o capitalismo, a democracia que civiliza, barra e impede o capital regressivo de devolver a  sociedade ao estágio de comer carne humana.

A dificuldade principal é refletir sobre o colapso fora da receita conservadora de arrocho e desemprego ante qualquer ameaça à remuneração do capital a juro.

A ditadura intelectual do pensamento único é pincelada em cores vibrantes pelo cinema político de Gavras.

Em 2011, em plena curva ascendente da crise, o Escritório de Avaliação Independente do FMI analisou 6.500 trabalhos escritos produzidos ou contratados nos últimos dez anos, portanto na chocadeira da crise mundial.

Praticamente todos afiançavam as boas condições do comboio capitalista que rumava em alta velocidade para se espatifar na desordem neoliberal.

Pior: 62% dos economistas do Fundo afirmaram que se sentiam pressionados a alinhar as conclusões de suas pesquisas econômicas ao pensamento dominante no órgão.

A indiferenciação entre direita e a esquerda no manejo da crise persiste como parte constitutiva da encruzilhada atual.

O filme imaginário desfila economistas de cepas variadas balbuciando platitudes à beira do abismo.

O que chamamos de crise hoje é também a fotografia de corpo inteiro da longa captura da esquerda e da democracia pelo cânone neoliberal.

A trinca aberta entre a base da sociedade e aqueles que deveriam vocalizar o conflito, mas, sobretudo, a negligência deliberada com a organização dessa base, redundou no paradoxo infernal dos dias que correm.

Vive-se uma crise sistêmica do capitalismo que não gerou forças de ruptura para supera-la.

O fosso é proporcional à virulência do que se busca despejar nos ombros da sociedade.

O déficit de democracia emerge, assim, como o mais importante desequilíbrio revelado pelo filme da crise.

A contrapartida é a dominância capilar, estrutural, midiática e institucional acumulada pelo capital financeiro.

Apenas um governo parece ter assumido a coerência equivalente ao desafio que ameaça a tudo vergastar.

Os letreiros do filme começam a descer vagarosamente sobre uma paisagem gelada de metafórico isolamento.

Ali, perdido no branco da neve, o presidente da Islândia, Ólafur Grímsson, explica a decisão de devolver ao poder plebiscitário da sociedade a escolha que levou o país a sacrificar bancos em defesa da população na bancarrota de 2009:

‘Somos uma democracia, não um sistema financeiro’.

A imagem de Ólafur Grímsson e sua frase resistem enquanto a câmera se afasta acentuando o isolamento dessa ousadia que pode, ainda, devolver aos cidadãos a responsabilidade pelas escolhas do seu destino e o destino do desenvolvimento em nosso tempo.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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