Arquivo para 24 de setembro de 2016

INTELECTUAIS PUBLICAM NOTA CONTRA ARBÍTRIOS DE MORO QUE OFENDEM A ORDEM INSTITUCIONAL

Resultado de imagem para simbolo da justiça

   Leia a nota e tome sua posição democrática para que a Justiça não se transforme em mecanismo de defesa dos agentes com síndrome de magnificação do eu, como afirma Freud.

     A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la.
 
O direito ao protesto coletivo vem sendo coibido por intervenções provocativas, abusivas e desproporcionais por parte da Polícia Militar, como se a velha polícia política das ditaduras estivesse de novo às soltas.
 
Ano a ano, cidadãos brasileiros invisíveis são conduzidos coercitivamente a depoimentos – ou algo pior – sem serem intimados pela justiça.
 
Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas.
 
O caráter republicano e isento da Operação Lava-Jato já foi posto à prova, e reprovado, inúmeras vezes.
 
Há seis meses, o evento da condução coercitiva do cidadão Luís Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer foi intimado, parecia marcar o auge na exposição pública da arbitrariedade dos que o perseguiam, levando a uma reação firme, e republicana, de uma sociedade que já escolheu em que regime de garantias civis e políticas quer viver.
 
O episódio da prisão do professor e economista Guido Mantega levou o arbítrio a novos limites. A fragilidade da acusação e a desproporção da ação tornaram-se ainda mais evidentes por causa de sua coincidência com a presença do acusado em um centro cirúrgico, acompanhando a esposa enferma.
 
O professor e economista Guido Mantega deu mostras de dedicar-se à coisa pública de modo republicano. É um homem público de endereço conhecido e não representa qualquer ameaça à ordem pública. O mesmo não pode ser dito de seus perseguidores.
 
Se fosse necessário prender Guido Mantega para recolher possíveis provas, por que foi possível soltá-lo tão rapidamente depois que a sociedade conheceu o absurdo de sua prisão, sob alegação de que as diligências para coleta de documentos não seriam prejudicadas se fosse solto? Se não seriam, por que foi expedida a ordem original de prisão desde logo?
 
Como todo brasileiro, Guido Mantega merece o respeito de suas garantias constitucionais.
 
O combate à corrupção não pode ser um pretexto para corromper a Constituição, autorizar a perseguição política e inflar vaidades de juízes, procuradores e policiais.
 
Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro? É a pergunta que fazem os cidadãos que, abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra mais um golpe às instituições democráticas.
 
Luiz Gonzaga Belluzzo – Professor Titular de Economia – UNICAMP
Marilena Chauí – Professora Titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP
Maria da Conceição Tavares – Professora emérita da UFRJ e da Unicamp.
Luís Carlos Bresser-Pereira – Professor Titular de Economia – FGV
Tereza Campello – Economista e Ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome da presidenta Dilma Rousseff
Eleonora Menicucci Oliveira – Profa Titular de Sociologia da Unifesp e ex-Ministra de Politicas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff
Pedro Paulo Zahluth Bastos – Professor Associado (Livre Docente) – Economia – UNICAMP
Theotonio dos Santos – Professor Visitante da UERJ e Professor Emérito da UFF
Ladislau Dowbor – Professor Titular de Economia – PUC-SP
Eleuterio F. S. Prado – Professor Titular de Economia da USP
Walquiria Domingues Leão Rêgo – Socióloga e professora titular da Unicamp
Gilberto Maringoni – Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Hermano de Medeiros Ferreira Tavares – Professor Titular (aposentado) – Faculdade de Engenharia Elétrica – e ex-reitor da Unicamp
Nelson Rodrigues dos Santos – Professor Titular – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP
Luiz Carlos de Freitas – professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
Marcio Pochmann – Professor IE/Unicamp
Itala M. Loffredo D’Ottaviano – Professor Titular em Lógica, UNICAMP
João Quartim de Moraes – Professor Titular de Filosofia – UNICAMP
Joaquim Palhares – Carta Maior
Lena Lavinas – Professora Titular de Economia (UFRJ)
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Professora Titular da UNB
Antonio Prado – Secretário Executivo Adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)
Magda Barros Biavaschi – advogada, ex-Desembargadora ap. TRT4.
Antonio Correa de Lacerda – Economista – Professor PUC-SP
Matías Vernengo – Professor of Economics, Bucknell U. – Co-editor, Review of Keynesian Economics
Rosa Maria Marques, professora titular do Departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUCSP e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde
Sebastião Velasco e Cruz – Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp
Wladimir Pomar – Jornalista e escritor
Armando Boito Jr. – Professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp
Laurindo Lalo Leal Filho – Professor da ECA/USP
Maria Rita Loureiro – Professora titular da FEA/USP e FGV/SP
Alfredo Saad Filho – SOAS, University of London
Maryse Fahri – Professora IE/Unicamp
Giorgio Romano Schutte – Professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Gastão Wagner de Sousa Campos – Professor Livre-Docente, Departamento de Medicina Preventiva e Social, Universidade Estadual de Campinas
Frederico Mazzucchelli – Professor IE/Unicamp 
Nelson Marconi – Economista – FGV
Carlos Aguiar de Medeiros – Professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Clemente Ganz Lucio – Economista
Ricardo Musse – Departamento de sociologia da USP
Valter Pomar – Professor da UFABC
Carlos Berriel – Professor do IEL/Unicamp
Fernando Nogueira da Costa – Professor IE – Unicamp
Vanessa Petrelli Corrêa – Professora Titular IE – UFU 
Hugo Gama Cerqueira – Professor do Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais
Rubem Murilo Leão Rêgo – Sociólogo e professor da Unicamp
Wolfgang Leo Maar – Professor titular da UFSCar
Tatiana Berringer – Professora Adjunta da Universidade Federal do ABC
Márcia Mendonça – Instituto de Estudos da Linguagem – IEL – Unicamp
Adriano Codato – Cientista Político – Professor UFPR
Cristina Fróes de Borja Reis – Professora adjunta da Universidade Federal do ABC
Daniela Magalhães Prates – Professora do IE/Unicamp
Hildete Pereira de Melo – Professora associada da UFF
Claudio Salm – Professor de Economia _ UFRJ
Marcelo Milan – Professor de Economia e Relações Internacionais, UFRGS
Rubens Sawaya – Economista, professor da PUCSP.
Anna Christina Bentes – Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem -UNICAMP
Humberto Miranda – Professor do IE e Pesquisador do CEDE/UNICAMP
Reginaldo Moraes – Professor de Ciência Política – Unicamp
Eduardo Fagnani – Professor IE/Unicamp
Alcides Goularti Filho – UNESC/CNPq
Daniela S. Gorayeb – Professora Facamp
Marcus Ianoni Ciência Política UFF
Adriana Nunes Ferreira – Professora do IE/Unicamp
Francisco Luiz C. Lopreato – Professor IE/Unicamp
José Eduardo Roselino – Professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)
Guilherme Mello – Professor IE/Unicamp
Marco Antonio Martins da Rocha – IE/Unicamp
Alexandre de Freitas Barbosa – Professor de História Econômica e Economia Brasileira – Instituto de Estudos Brasileiros – Universidade de São Paulo (IEB/USP)
Luiz Fernando de Paula – Professor titular da FCE/UERJ 
Lauro Mattei – Professor de Economia da UFSC
Elza Cotrim Soares – Professora Titular – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP
Fernando Sarti – Professor do Instituto de Economia da UNICAMP
Jorge Felix – Professor PUC-SP
Julia de Medeiros Braga – Professora UFF
Rosangela Ballini – Professora IE – Unicamp
Maria Fernanda Cardoso de Melo – Professora da Facamp
André Biancarelli – Professor do IE/Unicamp
Raquel Rangel de Meireles Guimarães – Professora da UFPR
Cláudia Tessari – Professora, Universidade Federal de São Paulo
Ricardo de Medeiros Carneiro – Professor IE/Unicamp
Antonio José de Almeida Meirelles – Professor Titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos/UNICAMP
Pedro Rossi – Economista e Professor – UNICAMP
Fernando Augusto Mansor de Mattos – Professor UFF
Flávia Vinhaes – Professora de Economia – UCAM e técnica IBGE
Ceci Juruá – Economista 
Walter Belik – Professor IE / Unicamp
Pedro Vieira – Professor do Programa de Pós-Graduação em Rel Internacionais-UFSC
Nádia Farage – Professora colaboradora DH-IFCH, Unicamp.
Carlos Pinkusfeld Bastos – Professor IE – UFRJ
Waldir Quadros – Professor IE/Unicamp
Simone Deos – Professora, IE-Unicamp 
Fábio Eduardo Iaderozza – Professor de Economia da Facamp e do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (CEA)
Rodrigo Vianna – Jornalista e historiador (USP)
Ana Luíza Matos de Oliveira – Doutoranda IE/Unicamp
Adriana Aparecida Quartarolla – Doutoranda em Linguística na UNICAMP e professora de Língua Portuguesa na FACAMP
Marcelo Manzano – Professor FACAMP
Lygia Sabbag Fares Gibb – Professora universitária e doutoranda IE/Unicamp
Beatriz Freire Bertasso – Professora Facamp
Darci Frigo, advogado – Terra de Direitos
Artur Scavone – Jornalista
Benedito Ferraro – PUC-Campinas
Sávio Machado Cavalcante – Professor de Sociologia (IFCH/Unicamp)
Juliana Pinto de Moura Cajueiro – Facamp
Roberta Gurgel Azzi – professora
Miguel Henrique Russo – professor

NÃO SAI NA GLOBO. – TEMER TIRA DINHEIRO DO SUS E DE ESCOLAS PARA DAR A MANSÕES DE MILIONÁRIOS

                Artigo escrito pela inteligente, honrada, engajada e corajosa jornalista Helena Sthepahnowitz.        

Triplex em Paraty Em que lugar no mundo um governante precisando fazer ajuste fiscal, com perda de arrecadação, mesmo sendo neoliberal, seria louco de criar uma lei reduzindo receitas sobre bens de luxo pertencentes à União, usufruídos por milionários? A resposta é: só no Brasil de Temer.

Na calada da noite, sem nenhum debate público, em 10 de junho, o ainda interino Michel Temer assinou e enviou ao Congresso a medida provisória 732/2016, que reduz a 10,54% o teto de reajuste das taxas cobradas de quem ocupa terrenos da União.

Note que esta é uma fonte de receita ideal para ter progressividade, incidindo apenas sobre o luxo e sobre milionários, onde se pode fazer justiça tributária sem impactar nenhum setor produtivo, nem a população de classe média para baixo.

Significa que a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) está proibida de atualizar a planta de valores acima disso neste ano, mesmo que a defasagem, por avaliações desatualizadas, seja de 100%, 1.000%, 10.000% ou mais. Tem gente pagando valores irrisórios por terrenos da União paradisíacos e muito valorizados, e que continuarão com a mamata, mesmo com a população sendo arrochada pelo governo com cortes nos serviços públicos essenciais como saúde e educação.

Temer obriga todo o povo brasileiro, verdadeiro dono do patrimônio da União, a pagar o pato de não poder nem cobrar um “aluguel” justo do que é seu e de quem pode pagar, em um momento em que o povo mais precisa.

Quem mais se dá bem com isso são os donos de paradisíacas mansões no litoral. O dono da famosa mansão em Paraty que a TV Globo não noticia é um dos que ganham com a medida. Ocupam três terrenos enormes de terras da União, com uma praia exclusiva, cercada de área verde. As ilhas, por serem da União, não podem ser compradas, por isso não têm impostos a pagar e nem se sabe a média de impostos. Mas é possível pagar uma taxa anual à SPU para ocupá-las. A taxa já esteve em pouco mais de R$ 6 mil reais, caiu para R$ 3.752,53 e, com a MP do Temer, é proibido subir mais de 10,54% o valor a pagar.

O Plenário do Senado aprovou a MP 732 na terça-feira (20). O relator foi o senador tucano Ricardo Ferraço (ES) que explicou as vantagens para seu pai, deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM-ES), que ocupa cinco terrenos da União: “(…) ainda que a planta de valores genéricos elaborada pelos municípios e pelo Distrito Federal ou a Planilha Referencial de Preços de Terras elaborada pelo Incra autorizem um reajuste mais elevado, a atualização do valor do domínio pleno do terreno de propriedade da União está limitado a 10,54% sobre o valor do trecho correspondente para o exercício de 2015”.

Outro que se deu bem ao votar a MP foi o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele é um feliz ocupante de um terreno da União na valorizadíssima Praia da Ferradura, em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. O cadastro na União está em nome de sua empresa IM Participações e Administração Ltda (documentos abaixo).

Teto no governo Temer está assim: para pobres e classe média que precisam de serviços públicos de saúde e educação, manda a PEC 241 para travar as despesas por 20 anos. Mas para os ricos que têm mansão de luxo na praia, o teto é o contrário. Manda a MP 732 para limitar as taxas que eles teriam de pagar à União por usufruir de áreas paradisíacas.

REPRODUÇÃODocs Aécio
Imóvel da União ocupado por empresa de Aécio em Búzios (RJ) é beneficiária de taxa camarada
 
 

   

TRUQUE DE CENA AJURÍDICA OU REAL JUSTIÇA? MINISTRO TEORI PEDE A PGR ABERTURA DE INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR CONTRA TEMER, AÉCIO, FERNANDO HENRIQUE, AGRIPINO MAIA, RENAN, JUCÁ, H. ALVES

images-cms-image-000517727

Em tempos de quase anomia jurídica em que a Lava Jato se mostra acima de qualquer fiscalização dos órgãos jurídicos que lhe são superiores, como afirmam advogados, promotores, juízes, juristas, a divulgação de que o ministro Teori Zavascki,  relator da operação palco de cenas gritantemente narcísicas, resolveu pedir a Procuradoria Geral da República (PGR) para abrir investigação preliminar contra Temer, em função das denúncias apresentadas nas gravações feitas pelo ex-senador do PSDB, que pertenceu ao partido da burguesia-ignara por dez anos e mais 15 no PMDB, Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, onde ele afirma que entregou propina para Temer usar na campanha de Gabriel Chalita para a prefeitura de São Paulo.

O pedido em relação a Aécio é decorrente de Sergio Machado ter afirmado que em 1998 repassou R$ 1 milhão para o senador citado sete vezes em delação da Lava Jato, de forma ilícita para um fundo criado por ele. Como se sabe o pedido causa espécime porque Aécio tem sete delações contra ele, mas ele continua protegido pela ajustiça sua companheira de defesa. O dinheiro serviu para comprar deputados para votar em sua candidatura para presidente da Câmara Federal.

Também aparecem no pedido, os senadores Romero Jucá, que afirmou que havia um acordo com ministros do Supremo Tribunal Federal, Temer, mídias, empresários para depor Dilma do governo para parar a ”sangria” que a Laja Jato vinha realizando. Renan Calheiros também aparece no pedido do relator Teori por obra da gravação de Sérgio Machado. Ainda aparecem no pedido o réu, campeão da moralidade, Agripino Maia, Valdir Raupp, Fernando Henrique, Henrique Alves.

Na decisão de Teori diz que os que têm foro privilegiado responderão às acusações no STF, e os outros na Justiça Federal, em Curitiba.

Como os grotescos golpistas citados vêm sendo protegidos, a notícia deixa o brasileiro com a dúvida de que se trata apenas de truque de cena antijurídica ou é real justiça. Quem deve responder a inquietação democrática é o procurador-geral da República Rodrigo Janot. É ele quem deve decidir sobre a abertura de inquérito.

Marilena Chauí: ‘Liberdade é afastar as paixões tristes’

reprodução

Para Espinosa a liberdade exige que se saia desse ‘imaginário passional (passivo), sem abandonar a vida afetiva’: eis a chave para a potência de existir.

Tatiana Carlotti

Há trinta anos, o Núcleo de Estudos e Pesquisas da Funarte promovia um curso livre intitulado “Os Sentidos da Paixão”. O sucesso foi tamanho que o curso se transformou em um ciclo de várias conferências, gerando 800 ensaios, sob a coordenação do filósofo Adauto Novaes.

A boa nova é que as conferências foram retomadas neste 2016. Promovido pelo SESC, o ciclo Entre dois mundos: 30 anos de experiências do pensamento revisita os temas abordados anteriormente, com encontros em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Confira aqui a programação.

Adauto Novaes justifica a retomada pela “mutação – transformações radicais – que se verifica em todas as áreas da atividade humana. É preciso pensar este novo mundo”. Para tal, grandes pensadores foram chamados como a filósofa Marilena Chauí. Na última semana, ela estreou o ciclo “Os Sentidos da Paixão”, debatendo a questão da liberdade.  

Com a didática que lhe é peculiar, Marilena abordou o tema, tão precioso neste momento, a partir das ideias de Espinosa (1632-1677), cujas teorias são trabalhadas por ela na premiada obra A Nervura do Real (Cia. das Letras, 2016), que acaba de ganhar seu segundo volume.

Sobre o pensador, Marilena afirma: “Espinosa foi um filósofo de uma coragem fora do comum. Ele enfrentou a religião, o saber, os poderes estabelecidos em nome da liberdade”. Um enfrentamento que ela destrinchou para a plateia do SESC em São Paulo, mostrando a atualidade as inovações propostas por Espinosa em relação à tradição filosófica de seu tempo.

Ética, liberdade e conhecimento dependem dos afetos

São várias as inovações trazidas por Espinosa, por exemplo, sua oposição à ideia ainda vigente de que a vida afetiva é um obstáculo ao exercício do conhecimento. Como explica Marilena, ele defende que “a ética, a liberdade e o conhecimento só são possíveis graças aos afetos e não contra eles”.

Desafiando seus pares, Espinosa recusou a concepção antropomórfica de deus, concebido como um “super-homem transcendente, monarca, juiz, legislador do mundo e dos homens”; inserindo a visão de deus enquanto “substância infinita” que “existe em si e por si mesmo” e sem a qual “nada existe e nem pode ser conhecimento”.

Frente a esse princípio, ele se opôs à tradicional separação entre alma e corpo. Como os seres são expressões dessa substância infinita (deus), “a natureza física e a natureza psíquica se dão simultaneamente e não podem ser separadas, porque se tratam de campos de realidade que exprimem sempre a mesma substância”.

Neste sentido, detalha a professora Chauí, “ideia e corpo são um só”, “exprimem a mesma coisa de maneiras diferentes” e produzem “regiões diferenciadas da realidade” (psíquica e física). Disso advém a premissa: “o corpo humano é mais forte e mais potente quanto mais ricas e complexas forem suas relações com outros corpos”.

O contrário também é válido: “o corpo humano é mais pobre e mais fraco quanto mais isolado se mantiver em relação a outros corpos. A inter-corporeidade [relação entre os corpos] é a condição da nossa força vital”, ensina Marilena.

Isso posto, ela aponta que, segundo Espinosa, “quanto mais se mergulha no corpo, mais capacidade cognitiva a mente tem. E quanto mais apto o corpo, mais apta a mente estará para perceber as coisas”, daí o equívoco dos que defendem que o “conhecimento verdadeiro tem como pré-condição que a mente se afaste do corpo e opere no campo puramente intelectual”.

“Alegria aumenta a força para existir e agir”

Além desse conceito de “substância infinita”, Espinosa também trabalhava com ideia de conatus, a “potência de preservação da vida” que age em cada um de nós. Dividindo os afetos humanos em paixões e ações, ele demonstrou a existência de afetos capazes de aumentar essa potência de agir e existir e afetos que a diminuem.

Segundo Espinosa, essa força “opera passivamente quando somos causas de eventos produzidos sobre nós”, como as paixões; e opera ativamente “quando nós somos a causa dos efeitos produzidos em nós ou fora de nós, como as ações”.

“Paixão e ação caminham juntas e em simultaneidade, da mesma forma que o corpo e a mente são ativos e passivos juntos, por inteiro, sem relação hierárquica”, explica Marilena. Desta forma, segundo Espinosa, “uma ideia jamais vence uma paixão. A paixão só pode ser vencida por outra paixão mais forte do que ela”.

Espinosa também estabeleceu três afetos primários, dos quais nascem todos os demais: a alegria, a tristeza e o desejo. Como detalha Marilena, “a alegria não é uma emoção qualquer. É uma força metafísica e ontológica capaz de aumentar a força para existir e agir (conatus)”. A tristeza, pelo contrário, atua na “diminuição dessa força de existir e agir”.

Os desejos, por sua vez, são aquilo que nos “determina a existir e a agir de alguma maneira”.  Em suma: “ser livre é optar pelos desejos alegres”, frisa Marilena.

Dessa ideia, Espinosa extrai sua concepção de bem e de mal: “bom é tudo o que aumenta a força do nosso conatus. Mal é tudo aquilo que a diminui”. Em outras palavras, explica Marilena, “bom é o que nos alegra e mal o que nos enfraquece”.

Somente paixões alegres podem vencer paixões tristes

Espinosa afirmava que “somente paixões alegres podem vencer paixões tristes”. O conhecimento, por exemplo, era concebido por ele como uma paixão alegre: “a mente se alegra quando têm consciência de que conhece verdadeiramente alguma coisa”.

Isso possibilita, complementa Marilena, “a autonomia de se pensar cada vez mais a partir de si mesmo para viver, podendo se relacionar com todos os demais corpos, mas sem depender ou se submeter a eles, em uma relação de igualdade”.

O fato é que somente vivendo as paixões e as ações, os seres humanos podem caminhar em direção à liberdade. “Não temos de nos livrar da vida afetiva, mas passar da paixão (determinações externas) para a ação (determinação interna)”. Ou seja, passar daquilo a que somos externamente submetidos àquilo que somos internamente dispostos e autônomos”, explica Marilena.

Espinosa, porém, destacava a complexidade dos afetos humanos, na medida em que paixões e desejos tristes tendem a se combinar com paixões e desejos alegres, havendo na vida humana “um entrecruzamento dos afetos”. Marilena cita, por exemplo, os casos de amor e ódio, como os verificados em triângulos amorosos nos quais, teoricamente, as pessoas deveriam amar aqueles que fazem bem aos seus amados, mas que por ciúmes passam, também, a odiá-los.

Para Espinosa a liberdade exige que se saia desse “imaginário passional (passivo), sem abandonar a vida afetiva”. Eis a chave para a ética, a potência de existir e a auto conservação. Marilena destaca que o conceito de virtude do filósofo: “a virtude do corpo é afetar outros corpos de inúmeras maneiras simultâneas; a virtude da mente é afetar outras ideias de inúmeras maneiras, também simultâneas. Tudo isso passa pelo afeto”.

Liberdade começa com a interpretação dos afetos

Se ser livre é afastar as paixões tristes, a passagem da tristeza para a alegria é “um ato de interpretação da mente sobre o que se passa dentro de nós”. Neste sentido, o verdadeiro conhecimento também precisa ser um afeto, porque só assim ele poderá refrear um outro afeto. Em outras palavras, só uma paixão pode combater outra paixão.

“É essa dimensão afetiva do conhecimento que nos permite influir no tônus afetivo”, aponta Marilena, destacando a originalidade do pensamento de Espinosa. Para ele, o desejo que nasce da alegria é mais forte (intensidade) do que aquele que nasce da tristeza, já que a alegria aumenta a potência de agir e de existir.

“As paixões de alegria podem se transformar em ações, ao contrário das paixões de tristeza. A vida afetiva é livre só a partir do desejo livre e alegre. Onde houver tristeza não existe ação, muito menos liberdade”, explica Marilena.

E complementa: “a liberdade começa, portanto, quando a mente se volta à interpretação dos afetos. Um afeto está tanto mais no nosso poder quanto mais ele é por nós conhecido”.

Ser livre na concepção de Espinosa não se trata de escolher entre várias alternativas possíveis, conforme nosso livre arbítrio. Ser livre é agir de acordo com a nossa realidade interior. É a capacidade de sermos a nossa potência interna, autônoma:

“A liberdade não se encontra no exterior, mas na relação do ser consigo, do que é, do que faz, do que pode. Liberdade é a necessidade interna da sua maneira de existir, ser e agir”, ensina Marilena.

“O ser humano é livre na exata medida em que tem potência para a agir. É neste sentido que liberdade é o máximo de força. Não se trata de escolha, mas autodeterminação do agente em conformidade com a sua essência. Uma livre necessidade de existir no mundo”, complementa.

Fortalecer as instituições democráticas

Na esfera política, Espinosa ensina que independente das virtudes ou vícios dos governantes e administradores, o que garante a existência da liberdade é a qualidade das institucionais de uma sociedade. “São as instituições que determinam a maneira como o governante e o administrador devem e podem agir”, explica Marilena.

“Eles não podem agir contrariamente ao que as instituições determinam. Uma política livre é determinada pela qualidade inviolável de suas instituições”, complementa, indicando o “Tratado Político” de Espinosa, obra em que ele analisa como fortalecer essas instituições.

Em sua concepção, a democracia é a “mais natural das formas políticas, porque nela se realiza o desejo de governar e não apenas o desejo de ser governado, visando a manutenção da igualdade e da liberdade do ser humano”.

A partir dessa premissa, Marilena ponderou:  

“Para onde vamos, pelo lado da construção de líderes ou do fortalecimento de instituições? A aposta de Espinosa é nas instituições. A minha também”.

Aos que desejam saber mais sobre Espinosa, além dos dois volumes de A Nervura do Real, (Cia. das Letras, 2016), a professora Marilena Chauí também publicou Desejo, Paixão e Ação na Ética de Espinosa(Cia das Letras, 2011) e Política em Espinosa (Cia das Letras, 2003).


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.243.149 hits

Páginas

setembro 2016
D S T Q Q S S
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

Arquivos