Arquivo para 10 de novembro de 2016

ADVOGADOS DE LULA ENTRAM COM RECURSO QUE QUESTIONA DECISÃO DE MORO POR OMISSÕES DE CERCEAMENTO DE DEFESA. SÃO NOVE OMISSÕES

Na qualidade de advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de 
sua esposa, D. Marisa Letícia, protocolamos ontem (9/11) recurso dirigido ao
juiz da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba, relativo à ação penal nº
 5046512-94.2016.4.04.7000/PR, que trata do apartamento 164-A, do Edifício Solaris, no Guarujá (SP).O recurso, chamado “embargos de declaração”, demonstra que a decisão
proferida em 28/10/2016 pelo mesmo juiz contém nove omissões que precisam
ser sanadas, especialmente em relação à abrangência da ação penal e, ainda,
em relação ao indeferimento de provas que foram oportunamente requeridas,
configurando claro cerceamento de defesa.

Delimitação da ação. Na decisão proferida em 28/10/2016, o juiz afirma que
“o objeto da denúncia é determinado, relativo a três contratos” firmados
entre a OAS e a Petrobras, e restringiu a realização de provas apenas em
relação a esses mesmos três contratos. No entanto, a denúncia de 149
páginas, protocolada pelo Ministério Público Federal em 14/10/2016, que foi
objeto de uma entrevista coletiva sensacionalista realizada na mesma data –
atualmente em discussão no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para
verificar se houve desvio funcional por parte dos procuradores da República
envolvidos —, contém diversas outras afirmações despropositadas e sem
provas. 

Dessa forma, se o juiz entende que irá apurar apenas aspectos relacionados
aos três contratos, ele deve declarar a inépcia do restante da denúncia ou
formalmente rejeitá-la em relação aos demais aspectos. Lula, como qualquer
cidadão, tem o direito de saber da acusação que lhe está sendo atribuída.
Não pode o juiz, além de aceitar uma denúncia frívola, sem provas, deixar de
esclarecer qual é o real objeto da ação penal.

Prova pericial. Em relação às provas, o juiz indeferiu em 28/10/2026 a
realização de três provas periciais requeridas pela defesa de Lula. A
primeira tem por objetivo que “os peritos informem se houve desvio de recursos da Petrobras em relação aos três contratos da Petrobras com o Grupo OAS e se parte deles foi destinado ao ex-Presidente”.

A segunda buscou
verificar “se é possível estabelecer um rastro financeiro entre os valores recebidos do Grupo OAS e os recursos usados para construção do Edifício Solaris ou para pagamento de benfeitorias do apartamento ou para pagamento
de armazenagem”. A terceira tem o objetivo de verificar “a data da finalização do empreendimento ou para verificar o registro de imóveis do prédio e principalmente para definir ‘eventual posse da unidade 164-A pelos Defendentes”.

O recurso mostra que, além de o Ministério Público Federal
acusar Lula de receber vantagens indevidas em virtude de três contratos
celebrados entre a OAS e a Petrobras sem qualquer prova, o ex-Presidente tem
o direito de ver realizadas as perícias requeridas a fim de deixar claro que jamais recebeu vantagem indevida e, ainda, que ele ou seus familiares jamais tiveram a
propriedade ou a posse do apartamento que lhes é atribuído.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

“POR UM BRASIL JUSTO PARA TODOS E PRA LULA”. É AGORA O ATO EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DOS DIREITOS INVIOLÁVEIS DE LULA CONTRA A PERSEGUIÇÃO PARANOICA

ato democracia

Agora, às 18:30 horas, na Casa de Portugal, na Avenida Liberdade, 601, São Paulo, será realizado o ato pela liberdade e pela defesa de Lula contra as perseguições que estão lhe impondo àqueles que não o querem candidato nas eleições presidenciais no ano de 2018. Lula é uma contínua ameaça aos interesses das direitas orais e entreguistas que pretendem o poder para se locupletarem.

          A grande maioria da população brasileira vem percebendo e rejeitando o objetivo do golpe jurídico/midiático/parlamentar que afastou a presidenta Dilma Vana Rousseff eleita com mais de 54 milhões votos. Essa maioria não aceita a catástrofe imposta ao país pelos golpistas, comandados por seu golpista-mor, Temer. O país vive o seu pior momento em termos de insegurança política, econômica e social. Muito pior do que nos desgovernos de Fernando Henrique que também foi personagem atuante no golpe.

       Diante dessa cruel realidade imposta pelos golpistas, sindicatos, movimentos sociais e vários setores da sociedade civil realizam hoje o ato público em defesa da Democracia, do Estado de Direito e do ex-presidente Lula. Ato que lança a campanha: “Um Brasil Justo para Todos e pra Lula”.

         Mais de duas mil pessoas mostraram desejo de participar acatando o contexto do ato. Várias personagens públicas estarão presentes como o escritor e jornalista Fernando Moraes, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o compositor e cantor Chico César, os atores Sérgio Mamberti e Pascoal Conceição, atriz Maria Casadevall, entre outros muitos.

         Leia o manifesto.

Em defesa da democracia, do estado de direito e do ex-presidente Lula

O estado de direito democrático, consagrado na Constituição de 1988, é a mais importante conquista histórica da sociedade brasileira. Na democracia, o Brasil conheceu um período de estabilidade institucional e de avanços econômicos e sociais, tornando-se um país melhor e menos desigual, mas essa grande conquista coletiva encontra-se ameaçada por sucessivos ataques aos direitos e garantias, sob pretexto de combater a corrupção.

A sociedade brasileira exige sim que a corrupção seja permanentemente combatida e severamente punida, respeitados o processo legal, o direito de defesa e a presunção de inocência, pois só assim o combate será eficaz e a punição, pedagógica. Por isso, na última década, o Brasil criou instrumentos de transparência pública e aprovou leis mais eficientes contra a corrupção, provendo os agentes do estado dos meios legais e materiais para cumprirem sua missão constitucional.

Hoje, no entanto, o que vemos é a manipulação arbitrária da lei e o desrespeito às garantias por parte de quem deveria defendê-las. Tornaram-se perigosamente banais as prisões por mera suspeita; as conduções coercitivas sem base legal; os vazamentos criminosos de dados e a exposição da intimidade dos investigados; a invasão desregrada das comunicações pessoais, inclusive com os advogados; o cerceamento da defesa em procedimentos ocultos; as denúncias e sentenças calcadas em acusações negociadas com réus, e não na produção lícita de provas.

A perversão do processo legal não permite distinguir culpados de inocentes, mas é avassaladora para destruir reputações e tem sido utilizada com indisfarçáveis objetivos político-eleitorais. A caçada judicial e midiática ao ex-presidente Lula é a face mais visível desse processo de criminalização da política, que não conhece limites éticos nem legais e opera de forma seletiva, visando essencialmente o campo político que Lula representa.

Nos últimos 40 anos, Lula teve sua vida pessoal permanentemente escrutinada, sem que lhe apontassem nenhum ato ilegal. Presidiu por oito anos uma das maiores economias do mundo, que cresceu quatro vezes em seu governo, e nada acrescentou a seu patrimônio pessoal. Tornou o Brasil respeitado no mundo; conviveu com presidentes poderosos e líderes globais, conheceu reis e rainhas, e continua morando no mesmo apartamento de classe média em que morava 20 anos atrás.

Como qualquer cidadão, Lula pode e deve ser investigado, desde que haja razões plausíveis, no devido processo legal. Mas não pode ser submetido, junto com sua família, ao vale-tudo acusatório que há dois anos é alardeado dentro e fora dos autos. Acusam-no de ocultar imóveis, que não são dele, apenas por ouvir dizer. Criminalizam sua atividade de palestrante internacional, ignorando que Lula é uma personalidade conhecida e respeitada ao redor do mundo. A leviandade dessas denúncias ofende a consciência jurídica e desrespeita a inteligência do público.

A caçada implacável e injusta ocorre em meio a crescente processo de cerceamento da cidadania e das liberdades políticas, que abre caminho para a reversão dos direitos sociais. Líderes de movimentos sociais são perseguidos e até presos, manifestações de rua e ocupações de escolas são reprimidas com violência, jornalistas independentes são condenados por delito de opinião. Ao mesmo tempo, o sistema judiciário recua ao passado, restringindo o recurso ao habeas corpus e relativizando a presunção de inocência, garantias inalienáveis no estado de direito.

Esse conjunto de ameaças e retrocessos exige uma resposta firme por parte de todos os democratas, acima de posições partidárias. Quando um cidadão é injustiçado – seja ele um ex-presidente ou um trabalhador braçal – cada um de nós é vítima da injustiça, pois somos todos iguais perante a lei. Hoje no Brasil, defender o direito de Lula à presunção da inocência, à ampla defesa e a um juízo imparcial é defender a democracia e o estado de direito.  É defender a liberdade, os direitos e a cidadania de todos os brasileiros.

 

A ATUALIDADE DO ALERTA DE DALMO DALLARI

reproduçãoEm 8 de maio de 2002, quando então advogado-geral da União, Gilmar Mendes, era indicado pelo presidente da República da época, Fernando Henrique Cardoso, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o juiz Dalmo Dallari escreveu um artigo na Folha de S. Paulo intitulado “Degradação do Judiciário”. Dez anos depois, o artigo foi republicado no site GGN.

 
Carta Maior convida todos a relerem esse artigo. Um alerta que, mais do que nunca, mostra sua atualidade e a lucidez de Dallari sobre os rumos do país. “Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”, afirma.
 
Ele também destacava no período, que diante daquilo que vinha sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, “estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato”.
 
Segundo Dallari, “um sinal dessa investida” seria justamente a indicação de Mendes, realizada com “afoiteza” por FHC – pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga. Citando vários episódios envolvendo Mendes, Dallari

 
“A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada”, apontava o jurista destacando que é, justamente assim que “se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática”.
 
Aos que já leram e aos que não leram, segue a íntegra de Dalmo Dallari:
 
 
Degradação do Judiciário
Dalmo de Abreu Dallari
 
Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.
 
Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.
 
Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.
 
Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.
 
Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente -pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga-, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.
 
É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.
 
A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha inadequada
 
É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.
 
Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.
 
Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.
 
Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado “Manicômio Judiciário” e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.
 
E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na “indústria de liminares”.
 
A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público -do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.
 
A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou “ação entre amigos”. É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.
Créditos da foto: reprodução.

HILLARY NÃO SE APRESENTOU COMO ALTERNATIVA AO CENÁRIO ATUAL, DIZEM ANALISTAS

Candidato republicano teve o apoio decisivo da classe operária branca - Créditos: Ali Shaker/VOA 

Escrito por Rafael Tatemoto no site Brasil de Fato.

A surpreendente vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais estadunidenses representa, entre outros fenômenos, uma rejeição a representantes tradicionais do sistema político. É o que pensam especialistas como o canadense Sean Purdy, professor de História da Universidade de São Paulo (USP). Para ele, uma das principais questões para se compreender o resultado da disputa foi o fato de que a candidatura de Hillary Clinton não representou, aos olhos da população dos EUA, uma alternativa viável ao atual contexto do país.

A questão econômica, aliada à força de setores conservadores na sociedade dos EUA, foi preponderante, em sua opinião. “Me parece que o Partido Democrata não ofereceu nenhuma alternativa econômica para as pessoas preocupadas com emprego e com a crescente desigualdade”, afirma Purdy.

Os dados da votação no país apontam que, além dos tradicionais votos conservadores, principalmente em áreas rurais, um dos fatores decisivos para a eleição de Trump foi o apoio da classe trabalhadora branca do centro-oeste dos EUA. Enquanto Hillary se saiu melhor em grandes metrópoles, em cidades menores, principalmente no coração industrial do país, o republicano foi vitorioso.

Purdy vê também no sistema bipartidário dos EUA um dos limites que levaram à eleição de Trump. “A falta de uma alternativa, um partido social-democrata, trabalhista ou socialista, faz uma grande diferença na política dos EUA”, avalia o professor.

Ele lembra que, antes da Segunda Guerra Mundial, havia uma tradição de terceiros partidos com relativa força, incluindo socialistas. A adesão massiva dos sindicatos aos democratas, em sua opinião, diminuiu a representatividade e as possibilidades políticas no país.

Questões de classe

O professor de História diz que o resultado das eleições é um “desastre” e um “claro e enorme retrocesso”, mas só foi possível por conta da inabilidade dos democratas. Sua opinião é de que, por conta da insatisfação da população, candidatos não associados à política tradicional tinham mais chances, incluindo o próprio Trump.

“O partido democrata não conseguiu ler o que estava acontecendo. Hillary ofereceu um programa das elites neoliberais do Partido Democrata, quando a situação precisava de um outsider, como Bernie Sander ou Jill Stein. Eles colocaram a pior insider possível. À época das primárias, todas as pesquisas mostravam que Sanders tinha uma margem maior de votos sobre Trump”, diz. “Hillary ofereceu o mesmo tipo de neoliberalismo que o Partido Democrata está fazendo desde os mandatos de Bill Clinton”.

O professor lembra que a família Clinton é associada ao fim do Estado de Bem-Estar nos EUA e à expansão do sistema penitenciário, que penaliza desproporcionalmente negros, latinos e indígenas.

O jornalista estadunidense Nathan Singham diz que “Trump foi um candidato não convencional. O público rechaçou as elites políticas tradicionais. Muitas pessoas se sentiram marginalizadas politicamente, observando os dois candidatos e não se sentindo representadas por nenhum”.

Nesse contexto, Purdy vê a eleição de Trump como um desejo por mudança, ainda que em uma direção equivocada: “Foi um voto de insatisfação. Há questões de classe muito importantes envolvidas. Hillary ganhou 88% dos negros, mas só 65% dos latinos. Para eles [que votaram nele], questões econômicas tiveram mais importância que o próprio racismo [de Trump]. Hillary ganhou por pouco entre jovens e mulheres. Ela também não conseguiu oferecer alternativas a esses setores”.

O jornalista afirma que, além das bandeiras reacionárias, um dos elementos centrais da campanha de Trump é a crítica a acordos de livre comércio: “O Nafta, por exemplo, foi um desastre para os mexicanos e para os cidadãos dos EUA. Ele apelou às pessoas que sofreram os efeitos dos acordos de livre comércio, captando os votos de setores marginalizados, inclusive latinos e asiáticos”.

Polêmicas

Conhecido por declarações machistas, racistas e contrárias aos imigrantes, Trump não era o favorito na disputa. Pesquisas apontavam Hillary na liderança das intenções de votos. Envolvido em uma polêmica após o vazamento de um vídeo no qual relatava atitudes abusivas contra mulheres, o republicano viu parte de seus correligionários o criticarem durante a campanha.

Importantes figuras do Partido Republicano, como John McCain, Colin Powell e até mesmo o ex-presidente George W. Bush, criticaram Trump ou se recusaram a se manifestar.

Para Singham, “é cedo para analisar todos os impactos da vitória de Trump, mas todos seremos afetados de algum modo”. Ele afirma que um dos aspectos mais problemáticos na política de Trump se referem a minorias.

“É muito preocupante: muitas vezes durante sua campanha, ele afirmou o desejo de deportar 11 milhões de imigrantes”, recordou. Outra questão que o espanta é a recusa do republicano em aceitar o aquecimento global como um fenômeno real.

Ele pondera que, além de a plataforma de Trump ter apresentado poucas propostas concretas do ponto de vista da execução – “sem explicar os detalhes” -, o republicano pode enfrentar problemas com o próprio partido. Singham especula, por exemplo, a polêmica promessa de construção de um muro entre os EUA e o México pode enfrentar resistências, mesmo que o eleito tenha maioria no Parlamento.

“Ele necessita do apoio do Congresso, em um contexto em que muitos republicanos deram as costas a ele e têm como prioridade a redução de gastos”, diz. Além do próprio muro, Singham pensa que esse objetivo do partido pode limitar outras propostas, como “armar ainda mais as polícias”, que impactaria de maneira determinante a vida de minorias raciais, especialmente negros.

Política externa

Do ponto de vista global, Purdy observa que Trump não deixou clara sua linha para a política externa. Entretanto, em sua opinião, mesmo nesse aspecto a candidata democrata se diferenciava muito pouco dele.

“Na política externa, Trump é um coringa. A gente não sabe o que ele vai fazer. Ele não tem nenhuma política consistente. Hillary tem: uma política externa agressiva e bélica”. O historiador lembra do apoio da democrata à invasão do Afeganistão, de seu envolvimento no “escândalo na Líbia” e da vinculação com a ala mais extremista da direita israelense.

“Eu não tenho ilusões de que, na política externa, Trump será melhor do Hillary. Mas muita gente sabia que ela tem uma linha mais agressiva que o próprio Obama. Com Trump, nós temos que pensar em possibilidades piores, mas não acho que seria muito diferente com ela”, afirma.

Futuro

Vendo um cenário “muito difícil”, Singham vislumbra a possibilidade de “que talvez se crie um espaço para a esquerda nos EUA”, a partir do que também entende como rechaço aos políticos tradicionais.

“O discurso que tem sido usado há décadas de votar no ‘mal menor’ também levou a isso, acaba abrindo uma porta para a direita. Eu espero que nos próximos anos haja mais esforços para se construir uma alternativa. Nesse momento, considero que o mais importante é fortalecer movimentos sociais, como o Black Lives Matter”, finaliza Purdy.

Edição: Camila Rodrigues da Silva.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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