Arquivo para janeiro \31\-04:00 2017

AÉCIO, VULGO MINEIRINHO, SEGUNDO O PORTAL BUZZFEED, É CITADO NA LAVA JATO COMO TENDO RECEBIDO PROPINA DA ODEBRECHT, ANDRADE E OAS

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 Aécio, vulgo Mineirinho, de acordo com a lista de propina da Odebrechet, um dos mais citados em vazamento de delação da Operação Lava Jato, só perdendo para o amigo do peito o golpista-mor Temer, como 43, e o outro amigo Renan, com um time de futebol com reservas, encontra-se, segundo o Portal de notícias BuzzFeed, com assento garantido na Lava Jato.

   Aécio, vulgo Mineirinho, é citado como tendo recebido propina da empresas Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez por serviços realizados pela três emprfesas na construção da Cidade Administrativa. O Portal afirmou que a informação foi prestada por investigadores da Lava Jato.

   Um fato hilário, se não fosse real. Durante a delação da empresa Andrade Gutierrez, ela não citou o nome de Aécio. Só que depois da delação da Odebrecht, onde Aécio aparece como um dos receberam dinheiro das empreiteiras, a Andrade será chamada para um ‘recall’ porque não citou o Mineirinho.

   Como sempre ocorre com os ‘honestos’, eles se dizem inocentes.

  Êta Mineirinho bão, sô! 

“SÉRGIO CABRAL SE FORJOU NA OPOSIÇÃO AO EX-GOVERNADOR LEONEL BRIZOLA

Então presidente da Alerj, Cabral contou com o apoio da mídia conservadora para investir contra o ex-governador Brizola - Créditos: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
 Artigo do honesto e engajado jornalista Mário Augusto Jakobskind do Conselho Editorial do site Brasil de Fato.

O gangsterismo na política brasileira é um fato que se tornou rotineiro. Em outros tempos os paulistas consagraram Ademar de Barros, posteriormente Paulo Maluf, que nos últimos tempos saiu de circulação, e assim sucessivamente.

Com Ademar era o tempo do “rouba, mas faz” e o seu cofre que se encontrava em poder de uma amante residente no bairro carioca de Santa Teresa acabou sendo expropriado por um grupo guerrilheiro. Mas essas histórias pertencem ao passado, até porque no dias de hoje os gangsteres envolvidos atacaram o dinheiro do Estado em volumes assustadores, ou seja, retirando dos cofres públicos quantias que poderiam ser investidas na melhoria de qualidade de vida e muito maiores dos que os antigos gangsteres aqui mencionados.

Chegamos, portanto, aos tempos do ex-governador Sérgio Cabral, que já agia chantageando quem encontrava pela frente, quando era deputado estadual, inicialmente filiado ao PSDB e em seguida bandeando-se para o PMDB, o que, trocando em miúdos, não faz tanta diferença.

Como deputado estadual galgou ao posto de presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), tempo em que aumentou substancialmente suas contas bancárias, agora reveladas.

Naquela época, Sérgio Cabral tinha total e absoluto apoio da mídia comercial conservadora, que contava com o político picareta para investir contra o governador Leonel Brizola. Chegou ao ponto de Cabral tentar de todas as formas impedir a aprovação das contas do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Esta parte da história não é contada pelos então aliados do meliante Sérgio Cabral e que hoje procuram disfarçar investindo contra o cachorro morto de Bangu.

O furor antibrizolista entre os apoiadores de Cabral era de causar espécie. Toda máquina de propaganda desse setor estava voltado para queimar o governador Brizola e enfraquecer os seus núcleos partidários, sobretudo na zona oeste.

No tempo em que um tal de Moreira Franco governou o Estado do Rio de Janeiro, tudo se fazia para evitar que Brizola se fortalecesse para vir a disputar a Presidência da República. Moreira, que ficou sendo também conhecido como gato angorá, investiu furiosamente contra os CIEPS, desmontando-os, o que seria uma experiência, se não sofresse solução de continuidade, e reduziria substancialmente os índices de marginalidade na região, pois daria condições dos jovens a se inserirem na sociedade. Essa era a proposta de Darci Ribeiro, abortada pelo esquema PSDB-PMDB.

Depois vieram os tempos do governador Marcelo Alencar, que deu continuidade, desta vez via PSDB, à fúria antibrizolista. Marcelo, hoje lembrado através da denominação de um túnel, seguiu os passos de Moreira Franco, retomado posteriormente pelo ex-governador Sérgio Cabral, hoje defenestrado e preso em Bangu, com milhões de dólares acumulados produtos de propinas, cujo volume é assustador e revela que o político contava com a impunidade e se julgava acima do bem e do mal.

A propósito de propinas, o pagador a Sérgio Cabral, Eike Batista voltou ao Brasil e foi conduzido para o presídio Ary Franco. Resta agora acompanhar o que vem por aí em matéria de delação premiada, se de fato acontecer. Até porque o empresário deve ter muitas histórias não reveladas que os brasileiros gostariam de conhecer.

Também se aguarda o conhecimento das delações premiadas de 77 ex-executivos da Odebrecht, já homologadas pela Ministra Carmen Lúcia, atual presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF). Aguarda-se também a indicação do novo Ministro do STF que ocupará o lugar de Teori Zavascki. Mas convenhamos, ser indicado pelo usurpador Michel Temer não é nada abonador, sobretudo pelo fato do Presidente golpista provavelmente sendo citado pelos delatores premiados da Odebrecht.

Resta também aguardar quando as tais delações deixarão de ser sigilosas, como decidiu Carmen Lúcia.

Mário Augusto Jakobskindi é jornalista, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato-RJ, escritor, autor, entre outros livros de Parla – As entrevistas que ainda não foram feitas; Cuba, apesar do Bloqueio; Líbia – Barrados na Fronteira e Iugoslávia – Laboratório de uma nova ordem mundial. 

“A NECESSIDADE DE MAIOR “DEMOCRATICIDADE” NA ESCOLHA DOS MEMBROS DO STF”

A necessidade de maior “democraticidade” na escolha dos membros do STF

Texto do Promotor de Justiça Márcio Berclaz, para o site Justificando.

Aproxima-se mais uma escolha de ministro do Supremo Tribunal Federalpela Presidência da República. A angústia, nesse tema, mais do que constitutiva, é permanente, especialmente porque o formato pela Constituição de 1988 precisa ser revisto e aperfeiçoado.

A escolha dos Ministros da Suprema Corte é um dos temas mal enfrentados e pouco debatidos com seriedade no Brasil. A própria “comunidade jurídica” sequer discute a questão entre si, o que somente aumenta o campo das especulações, dos subjetivismos e também do corporativismo com listas desta ou daquela carreira. De entropia, fechamento e elitização do sistema de justiça por carreiras de advogados/defensores, juízes e membros do Ministério Público e Poder Judiciário, já estamos cheios. É hora de mudar.

Os não ingênuos interessados na leitura crítica do direito, na sua posição contra-hegemônica de resistência, bem sabem da relação do direito com a política. Mesmo assim,  mesmo neste grupo pouco se discute quanto a legitimidade de se permitir que a Presidência da República escolha um nome dentre critérios genéricos e submeta a sua homologação ao Senado Federal, como prevê o artigo 101 da Constituição.

Esse critério, definitivamente, embora repetido na essência por diversos outros países (dos Estados Unidos a países da América Latina, por exemplo), definitivamente não parece ser o melhor, sobretudo porque excessivamente baseado na crença de que a democracia representativa do Chefe do Executivo nacional e dos membros do Poder Legislativo seja adequada para uma escolha dessa magnitude e importância, em especial para um direito que, na práxis, descumpre as promessas mínimas de direitos humanos e fundamentais.

Se a estruturação em carreiras e a legitimação das autoridades do sistema de justiça feita pela via do concurso público (inegavelmente democrática, sob o ponto de vista do acesso, pelo menos na perspectiva formal) por intermédio do pressuposto da  “técnica” e “independência” exige complementos e temperos para propiciar maior aproximação social (direito não é forma jurídica, mas sobretudo relação social), mais preocupante ainda é a escolha de Ministros de Cortes Constitucionais sem que haja qualquer tipo de discussão e participação dos movimentos populares e sociais da sociedade brasileira.

Se o Ministério da Justiça e o Congresso Nacional estão repletos de “bacharéis-políticos” e “políticos juristas”, não é preciso muito esforço para verificar que, muitas vezes, a escolha do nome a ser indicado atravessa os universos dos “jogos de poder” com promessas, compromissos ou anúncios pouco alvissareiros e republicanos.

O panorama do novo constitucionalismo da América Latina revela exemplos que poderiam inspirar uma mudança nos critérios adotados pelo Brasil no caminho de maior democraticidade e legitimidade do escolhido.

O poder de administrar a justiça, em especial nas instâncias superiores e em último grau, inclusive de zelo pelo poder constituinte originário, precisa incluir o povo como sujeito histórico de obrigatória e necessária participação. Se “todo o poder emana do povo”, como previsto no parágrafo primeiro do artigo 1º da Constituição da República, é hora de se repensar, a começar pelas cúpulas, os critérios de escolha das Chefias das instituições do sistema de Justiça (Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública, necessariamente incluídos).

A Constituição do Equador (2008), embora mantenha a escolha pela Presidência da República, revelam importantes avanços nesse sentido, em especial na ideia de implementação de um controle social. Coube à essa Constituição do Equador, no seu artigo 170, estabelecer que o ingresso na função judicial deve observar critérios de igualdade, equidade, probidade, oposição méritos, publicidade, impugnação e participação cidadã; mais do que isso, a mesma Constituição do Equador, no seu artigo 182, estabelece o saudável mandato de 9 (nove) anos para membros da “Corte Nacional de Justiça” para os 21 membros da Corte, prevendo renovação de um terço dos membros a cada 3 (três) anos.

Melhor do que isso fez a Constituição do Estado Plurinacional da Bolívia de 2009, a qual, no seu artigo 178, também prevê que o poder de atribuir justiça emana do povo e se sustenta em princípios de independência, imparcialidade, seguridade jurídica, publicidade, probidade, celeridade, gratuidade, pluralismo jurídico, interculturalidade, equidade, serviço à sociedade, participação cidadã, harmonia social e respeito aos direitos. Para além disso, o mais interessante exemplo de democraticidade decorre do fato de o artigo 182 da Constituição da Bolívia prever “as Magistradas e Magistrados do Tribunal Supremo de Justiça serão eleitas e eleitos mediante sufrágio universal”, o que, nos termos do mesmo dispositivo, se faz a partir de lista de pré-selecionados encaminhadas pelo Poder Legislativo, havendo mandato de 6 anos.

Por esses dois exemplos se vê que uma mudança constitucional para estabelecer mandato e alguma forma de participação popular na escolha dos ministros do STF seria muito bem-vinda no Brasil. Os riscos de escolhas indevidas por conta da falta de educação e conscientização do povo para as necessidades de um novo Judiciário, não são menores do que os riscos postos e colocados pelo atual sistema, os quais podem ser visualizados de modo muito claro no presente. O modelo hoje posto, nos seus critérios abstratos e genéricos de “notável saber jurídico” e “reputação ilibada”, na sua forma insuficientemente democrática, definitivamente não serve e precisa ser revisto.

Márcio Berclaz é Promotor de Justiça no Estado do Paraná. Doutorando em Direito das Relações Sociais pela UFPR (2013/2017), Mestre em Direito do Estado também pela UFPR (2011/2013). Integrante do Grupo Nacional de Membros do Ministério Público e do Movimento do Ministério Público Democrático. Membro do Núcleo de Estudos Filosóficos (NEFIL) da UFPR. Autor dos livros “Ministério Público em Ação (4a edição – Editora Jusvpodium, 2014) e “A dimensão político-jurídica dos conselhos sociais no Brasil: uma leitura a partir da Política da Libertação e do Pluralismo Jurídico (Editora Lumen Juris, 2013). 

TIRANDO AS BRONCAS. TEMER, EM SIMULAÇÃO-DEMOCRÁTICA, ELOGIA CÁRMEN LUCIA POR HOMOLOGAÇÃO DAS DELAÇÕES DA ODEBRECHT

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 O filósofo da liberdade, Sartre, sintetiza o Para-si em relação ao Em-si nessas estruturas ontológicas: “É o que não é e não é o que é”. O filósofo Baudrillard, que é um dos grandes estudiosos de Sartre, e criador da filosofia da simulação-virtual, apanhou as estruturas sartreanas e sintetizou assim: “Simular é fingir ser o que não. E dissimular é fingir não ser o que é”. 

  De qualquer forma – dizem, sorte – os dois filósofos englobam o comportamento de todo homem e mulher que processam sempre a má-fé. A má-fé não no sentido vulgar, senso comum que é estruturada na ordem da moral, “Tu estás de má-fé comigo”. Nada disso. A má-fé em filosofia sartreana é consciência malograda do homem para o homem. Síntese: é mentira que adoto para mim mesmo. Simulo ser o que não sou para manter uma existência alienada, viscosa, nadificada para obter o que pretendo e me proteger.

 A maioria dos homens e mulheres que se mostram em público, principalmente nos três poderes, é traspassada por esse tipo de existência-malograda.

    Diante do óbvio, onde não há escapatória do olhar do público que captura o outro em má-fé como objeto alienado de si, Temer, sabendo que se encontra arrolado nas delações da Odebrecht, decidiu simular uma posição democrática perante a decisão da ministra presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF) que homologou as delações. Tentou tirar as broncas elogiando a ministra.

       “A ministra já tinha pré-anunciado que muito provavelmente hoje ou amanhã faria a homologação. Fez o que deveria fazer, e nesse sentido, fez corretamente”, afirmou Temer, tirando as broncas como se não estivesse no meio das delações.

        Sartre e Baudrillard mostra a singeleza moral desses tipos.

REPRESENTANTES DA OPOSIÇÃO, COMO O DEPUTADO PAULO PIMENTA, EXIGEM QUE NOMES DOS DELATADOS NAS HOMOLOGAÇÕES SEJAM DIVULGADOS. É DIREITO DE TODO BRASILEIRO

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 Veja e ouça o vídeo em que o deputado Paulo Pimenta (PT/RG) apresenta os motivos que devem ser observado para que o povo brasileiro tenha garantido seu direito de saber quais formam os propineiros que tiveram seus nomes homologados.

 Saber dos nomes dos envolvidos é direito de todo brasileiro. Inclusive o golpista-mor Temer. É um direito dele, como brasileiro, saber que seu nome encontra-se entre os nomes homologados. Os brasileiros já sabem, em função dos vazamentos das delações, que o nome dele e de seus cúmplices golpistas, foram citados. Mas o povo brasileiro que saber oficialmente. Afinal de contas, o ministro Teori – hoje finado – era só desvelo para que os nomes fossem revelados.

HOMOLOGAÇÃO SEM PUBLICIDADE BENEFICIA OS GOLPISTAS

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Para os envolvidos nos roubos e que pretendiam estancar a sangria estão vendo seus planos, diferentes dos previstos, levá-los ao xilindró. Vendo. Virtual. STF e governo combinaram a trama. Homologar mas não divulgar.

A presidenta do STF, Carmen Lúcia acaba de homologar as 77 delações dos executivos da Odebrecht.

O ministro Teori, quando vivo, falava em divulgar as delações.

Carmen homologa, mas não os torna público. Antes da homologação já havia inúmeras manifestações de que os depoimentos captados pelos juízes auxiliares de Teori fossem divulgadas.

A maioria dos jornalistas, políticos que se manifestaram esta manhã dizem que a não divulgação das delações servirá para manter a onda de especulações, advogados das partes envolvidas falarão o que lhes interessa. O deputado federal Paulo Pimenta do Partido dos Trabalhadores disse que “é preciso que ela torne públicas as 77 delações. Se isso não ocorrer, ocorrerá um fato inusitado. Conselheiros do Tribunal de Contas, citados nas delações, continuarão julgando como se nada tivesse acontecendo, ministros das altas cortes, eventualmente delatados, continuarão julgando, como se não tivessem impedidos, parlamentares integrantes do núcleo duro do governo Temer, ministro de Estado, continuarão agindo como se não fosse parte desta investigação”, declarou o deputado.

É necessário que se divulgue de hoje até amanhã essas delações porque o Brasil elegerá os presidentes do Senado e da Câmara e há dois membros, o índio e Botafogo delatados que não honrarão dirigir duas instituições importantíssimas na República.

Além desses dois corruptos, Brasília e o seu centro de poder estão inseguros. Essas delações chegam numa hora que o desgoverno golpista de Temer não resistirá. O golpe que roubou 54 milhões de votos democraticamente dados a Dilma vai desmanchar-se no ar, pois a situação política, econômica do povo que vinha bem antes desses degenerados darem o golpe, os levou ao desemprego e à insegurança e desespero porque falta “bufunfa” para comprar jaraqui.

 

“SEXISMO, HOMOFOBIA, LESBOFOBIA, DESCRIMINAÇÃO RACIAL, DESRESPEITO AO DIREITOS HUMANOS E SOCIAIS E AO ESTADO LAICO”, SÃO ALGUMAS DAS POSIÇÕES QUE O MANIFESTO FEMINISTA ENCONTRA EM YVES GRANDA PARA QUE ELE NÃO SEJA INDICADO MINISTRO

Como já se sabe, o desgoverno Temer é produto de uma reação (reação é o comportamento de todos em que a vontade de potência foi desativada pela força contrária a vida. Daí, porque se chama de reacionário todo aquele que não age, só reage através do que já impregnado em si) antidemocrática. O que significa que todos que participam desse desgoverno são golpistas. E não adianta recorrer ao argumento de que só participa do desgoverno em função de sua capacidade produtiva, porque em desgoverno golpista não há produtividade no sentido de valoração da vida.

 A morte do ministro Teori, relator da Lava Jato, que passou meses para pedir o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, retardo que redundou no golpe contra a presidenta Dilma Vana Rousseff, eleita democraticamente com mais de 54 milhões de votos, abriu uma perspectiva alvissareira para o desgoverno golpista: ele pode indicar o ministro que vai ocupar a vaga de Teori como relator da Lava Jato. Um achado, já que o ministro indicado terá os poderes que os golpistas almejam para deixem a posição de ansiedade quanto as investigações, julgamentos e, talvez, suas condenações como réus acusados de corrupção. Então, os anseios do senador Jucá, “estancar a sangria”, proporcionada pela Lava Jato sejam extirpados.

  Diante do caso Teori, um dos primeiros nomes que foi posto como possível ministro para o cargo foi de Yves Granda. Para quem acompanha o desenrolar sofrido das chamadas fases brasileiras comandadas pelos alcunhados políticos, Yves Grande é muito bem conhecido por suas posições ultra-reacionárias que extrapolam a modernidade, e mais ainda a pós-modernidade. Ele é o tipo que o filósofo Nietzsche chama de “retardo”. Os que não são nossos contemporâneos. Os destemporalizados. Os que ficaram imobilizados no passado longínquo.

    Compreendendo essa realidade “grandiana”, o movimento feminista decidiu mobilizar um manifesto para que o pior não ocorra. Não esquecer que trata-se de desgoverno golpista. Qualquer indicado tem é igual.

      Leia o manifesto.

 

MANIFESTO DE LANÇAMENTO DE
ANTICANDIDATURA AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Nós, mulheres, abaixo-assinadas, profissionais de diversas áreas, negras, brancas, indígenas, estudantes e membros de organizações e movimentos sociais, conscientes da importância das funções exercidas pelos integrantes do Supremo Tribunal Federal e firmes na defesa
– do Estado Democrático de Direito;
– da soberania nacional;
– do pluralismo político;
– do patrimônio público;
– do desenvolvimento econômico sustentável comprometido com a construção de uma sociedade em que a livre iniciativa esteja condicionada à garantia do valor social do trabalho;
– de uma sociedade em que a propriedade esteja subordinada à função social;
– da construção de políticas públicas sociais integradoras e redutoras de desigualdades;
– do ensino público e universal;
– do direito à saúde e à seguridade social e ao acesso aos bens da vida que assegurem a igualdade positiva de que trata o art. 5º, caput, da Constituição da República Federativa do Brasil, e;
atentas à diversidade humana, cultural, socioeconômica, étnica e religiosa da sociedade brasileira e comprometidas com a concretização dos direitos sociais fundamentais inscritos no Pacto Constitucional de 1988, não aceitamos a indicação à composição do STF de pessoas que representem retrocessos nos direitos humanos e sociais arduamente conquistados, que desrespeitem o direito à não discriminação e à igualdade substantiva que a Constituição brasileira assegura a todas as pessoas.
Numa situação em que a ilegitimidade do governo constituído compromete todos os processos políticos regulares, esvaziados de sua sustentação democrática, estamos diante da afronta de ter como postulantes à função de Ministro do STF pessoas que demonstram desconhecer a realidade social de brasileiras e brasileiros. Sexismo, homofobia, lesbofobia, discriminação racial, desrespeito aos direitos humanos e sociais e ao Estado laico não podem ser parte da trajetória de quem irá integrar o colegiado do STF.
Assim, convencidas de que os atuais postulantes à função de Ministro do STF representam, em sua maioria, posições que colocam em xeque direitos conquistados e a respeitabilidade do STF, vimos a público lançar a anticandidatura da Professora Beatriz Vargas Ramos ao Supremo Tribunal Federal. A anticandidata integrou o quadro docente da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (1991/2009) e, atualmente, é Professora Adjunta da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). É criminóloga crítica abolicionista, feminista, ativista de direitos humanos e em sua trajetória tem se posicionado firmemente pela descriminalização das drogas, pela descriminalização do aborto, contra a redução da idade de capacidade penal e contra a criminalização dos movimentos sociais e, mais recentemente, pela resistência democrática contra o golpe institucional de 2016, por meio do qual buscam constituir no País um modelo de sociedade e de Estado que já se mostrou desastroso nos quatro cantos do mundo.
Temer e seus aliados empenham-se na redução do Estado Social, ao mesmo tempo em que o Estado Policial se amplia com a implantação da receita neoliberal. Isso se dá por meio da ex-PEC 241, PEC-55 no Senado e atual EC nº 94/2016 que, em meio a uma crise econômica sem precedentes, congela o gasto público por 20 anos, acirrando as brutais desigualdades sociais. Isso se dá também por meio da proposta de reforma da Previdência Social e da privatização fatiada da Petrobras. Para o mundo do trabalho, entre tantas medidas, o presidente não eleito e seus aliados defendem as que desconstituem a tela pública de direitos, em propostas fundamentadas em documentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), delineadas no Programa do PMDB de 2015, “Ponte para o Futuro”, cuja centralidade é o “acordo livre entre vontades iguais” na condição de fonte prevalente dos direitos sociais do trabalho. O presidente não eleito e seus aliados apostam em lei denominada “modernizadora” que afasta todos os obstáculos à terceirização, com ampliação da jornada de trabalho e a exclusão do trabalho não decente do conceito de trabalho escravo, num retrocesso brutal a patamares do século XIX, bem ao gosto dos detentores da riqueza, sobretudo financeira, sem qualquer medida de tributação efetiva das rendas e grandes fortunas.
No campo da luta das mulheres, Temer e seus aliados romperam todos os elos e trouxeram o “primeiro-damismo” de volta à cena política. A Secretaria de Mulheres saiu do primeiro escalão e passou a ser subordinada ao Ministério da Justiça. Tornou-se um apêndice das políticas repressivas e policialescas gestadas pelo comando da pasta, além de ser dirigida por uma mulher contrária a bandeiras históricas dos movimentos de mulheres, como o direito ao aborto.
A anticandidatura ao Supremo Tribunal Federal é uma ação política de protesto e de denúncia desse estado de coisas. Nenhuma mulher, na vida doméstica ou profissional, precisa de um marido a quem obedecer. Nenhuma profissional da carreira jurídica, advogada, professora, pesquisadora, consultora, promotora, juíza ou ministra de Corte Superior precisa do aval de um homem para exercer, de acordo com sua própria qualificação, capacidade e autonomia, suas atividades profissionais.
Convidamos nossas parceiras, a todas e todos que compreendem a relevância do papel do Estado e sabem que regulação dos direitos sociais sucumbe quando o capital deixa de ser publicamente regulado, a todas e todos que apoiam os movimentos de mulheres e os movimentos negros, LGBT e em defesa de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros a assinarem este manifesto, posicionando-se publicamente contra o modelo de Estado e sociedade que está sendo implantado para atender aos interesses de uma pequena parcela da população, a todas e todos que se colocam contra o machismo e a criminalização do aborto, contra o direito penal máximo e a superlotação prisional, contra o punitivismo rotundo e o racismo que respondem pela exclusão social e pelas mortes de jovens negros e pobres, dentro e fora das prisões, contra a flexibilização e o desmonte dos direitos sociais do trabalho, contra a prevalência do “negociado sobre o legislado” – o “paraíso da insegurança jurídica” – e em favor da vida, da afirmação do Estado laico e da tolerância e em respeito à dignidade humana.
Este manifesto é também a defesa de um Supremo Tribunal Federal atento à missão constitucional de guardião maior dos direitos fundamentais e sensível às necessidades de uma sociedade complexa como a brasileira, marcada pela desigualdade e pela injusta redistribuição de riquezas, e, enfim, para que o STF seja o parceiro da emancipação humana e social no Brasil, ao invés de se converter definitivamente numa ilha de conservadorismo, inacessível à grande maioria da população brasileira. Somos a favor da repressão e do controle da corrupção, mas não aceitamos que, para este fim, seja violado o devido processo legal e as garantias constitucionais de defesa, assim como nos colocamos fortemente contra a “fulanização” da corrupção e a “heroificação” de servidores públicos – do Poder Judiciário, do Ministério Público e das Polícias – que devem pautar sua conduta profissional pela estrita obediência à lei e à Constituição da República.

1. Magda Biavaschi, desembargadora aposentada do TRT4, professora convidada e pesquisadora no CESIT/IE/Unicamp
2. Juliana Neuenschwander Magalhaes professora da UFRJ
3. Marilane Oliveira Teixeira, economista e pesquisadora do Cesit/IE – Unicamp
4. Patrícia Maeda, juíza do trabalho e doutoranda na FDUSP
5. Cleide Martins Silva, pedagoga, servidora pública aposentada
6. Gisele Cittadino – Professora PUC-Rio
7. Elinay Melo – Juíza do Trabalho Substituta – Membra da AJD
8. Andrea Ferreira Bispo- Juíza de Direito Membros da AJD
9. Fabíola Orlando Calazans Machado – professora e pesquisadora da Faculdade de Comunicação da UnB
10. Joseanes Lima dos Santos – Frente de Mulheres Negras do DF e Entorno
11. Leonor Araujo. Professora e pesquisadora do NEAB-UFES. Núcleo Estadual de Mulheres Negras do ES
12. Simone Dalila Nacif Lopes -Juíza de Direito TJRJ
13. Ingrid Lopes e Silva – Estudante de Direito
14. Yvone Magalhães Duarte- Assistente Social e militante dos DHs
15. Beatriz Vargas Ramos – professora da UnB
16. Denise da Veiga Alves, advogada, mediadora de conflitos
17. Fabiana Marques dos Reis Gonzalez, advogada, professora de história da arte na EAV.
18. Renata Conceição Nóbrega Santos, Juíza do Trabalho e membra da AJD
19. Débora Diniz – professora da UnB e pesquisadora da Anis
20. Ana Cristina Borba Alves – Juíza TJSC e Associada AJD
21. Joelma Melo de Sousa – Terapeuta
22. Giselle Flügel Mathias Barreto – advogada, especialista em Direito Público
23. Fernanda Martins, professora UNIVALI e pesquisadora UFSC
24. Naiara Brancher, Juiza de Direito, TJSC
25. Liziane Guazina, professora da UnB
26. Wanja Carvalho – Procuradora Federal
27. Renata Melo Barbosa do Nascimento – Frente de Mulheres Negras do DF e Entorno – Historiadora – Doutoranda em História (UnB)
28. Lucia Mendes, historiadora e publicitária
29. Rosângela Piovizani Cordeiro – direção nacional do Movimento de Mulheres Camponesas
30. Fernanda Martins – professora UFSC e UNIVALI
31. Márcia Marques, professora de jornalismo da UnB
32. Maria Luiza Quaresma Tonelli – Advogada, Mestre e Doutora em Filosofia
33. Camila Gomes de Lima, advogada, integrante da Renap, mestranda UnB
34. Geórgia Sena Silva Varella – Advogada/ Ativista do Movimento de Mulheres Negras e Direitos Humanos
35. Joanna Burigo Mestre em Gênero Mídia e Cultura pela LSE e fundadora da Casa da Mãe Joanna
36. Zélia Lucas Patrício, Assistente Social , Emprendedora Secretaria Nacional da REAFRO Rede Brasil de Afro Emprendedores.
37. Daniela Muller, juíza do trabalho do TRT1
38. Esther Arantes – Professora da UERJ e da PUC-Rio.
39. Maria Lúcia Barbosa, professora substituta da UFPE, faculdade de Boa Viagem e Advogada
40. Ana Bock, professora da PUC/SP
41. Vanessa Patriota, Procuradora do Trabalho
42. Yvone Magalhães Duarte – Assistente Social e militante dos DHs
43. Liziane Guazina / Professora e Pesquisadora Universidade de Brasília

 

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EM PALESTRA NA HOLANDA, CRISTIANO MARTINS DETALHA A PERSEGUIÇÃO LULA

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, falou neste sábado em Amsterdã, na Holanda, em um evento organizado para denunciar os abusos cometidos contra a democracia brasileira e a lei tanto no processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff quanto no Lawfare, a perseguição jurídica que inventa acusações sem base ou provas contra Lula, para impedi-lo de continuar disputando eleições; vídeo.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, falou neste sábado em Amsterdã, na Holanda, em um evento organizado para denunciar os abusos cometidos contra a democracia brasileira e a lei tanto no processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff quanto no Lawfare, a perseguição jurídica que inventa acusações sem base ou provas contra Lula, para impedi-lo de continuar disputando eleições.

TOM ZÉ FAZ MÚSICA SOBRE DELAÇÕES: ´HOMOLOGA LOGA ESSE CASCALHO`

Cantor e compositor baiano Tom Zé divulgou na noite desta sexta-feira, 27, a música “Queremos as delações”, no momento em que o Supremo Tribunal Federal conclui os últimos procedimentos para homologar as delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht; “Pessoal, esta canção fiz com Paulo Lepetit pra gente torcer pela publicação das delações, que há quem esteja interessado em esconder”, afirmou Tom Zé em sua página oficial no Facebook; ouça

O cantor e compositor baiano Tom Zé divulgou na noite desta sexta-feira, 27, a música “Queremos as delações”, feita por ele e pelo compositor Paulo Lepetit, no momento em que o Supremo Tribunal Federal conclui os últimos procedimentos para homologar as delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht.

“Pessoal, esta canção fiz com Paulo Lepetit pra gente torcer pela publicação das delações, que há quem esteja interessado em esconder”, afirmou Tom Zé em sua página oficial no Facebook. O cantor anunciou ainda que divulgará o arranjo completo da música na segunda-feira, 30.

Ouça:

A INTELIGENTÍSSIMA E CORAJOSA JORNALISTA HILDELGARD ANGEL REPUBLICOU ENTREVISTA QUE FEZ COM D. MARISA EM 2011. RESULTADO: DE TANTO ACESSO SEU BLOG FICOU FORA DO AR

DONA-MARISA-E-LULA

Extraído do Portal Fórum.

A jornalista Hildegard Angel publicou um artigo, em janeiro de 2011, sobre a Dona Marisa Letícia. Ontem, em função da repercussão da internação de Dona Marisa em decorrência de um  AVC, ela resolveu republicar este mesmo artigo. A procura foi tão grande, cerca de 11 mil acessos simultâneos, que acabou provocando um “engarrafamento virtual”, tirando o blog do ar. Leia aqui a reprodução do artigo, fato que foi justificado pela própria jornalista.

Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas.

 Hildegard Angel

Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos. Ah, dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família? Ah, meus queridos,Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.

Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade. Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão? Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar poderoso de doutorados e mestrados. Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia. E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?

Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade. Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e as brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto. Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.

Marisa Letícia1 Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas

Marisa Letícia soube valorizar o artesanato brasileiro na moda como nenhuma outra primeira-dama. Vejam, nos looks acima, a bolsa é de fuxico e as rendas são tipicamente brasileiras.

Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada. No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita. Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor!

Marisa Letícia 2 Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas

O estilo de dona Marisa Letícia evoluiu ao longo do período em que foi primeira-dama. Na montagem acima, bons momentos em que demonstrou sua elegância.

Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social. Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam.

Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos. Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

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Com Michelle Obama. Duas lindas mulheres. Foto: reprodução.

DEPUTADO PAULO PIMENTA VAI À JUSTIÇA PEDIR O AFASTAMENTO DO DELEGADO ‘TIMINGUISTA’ (MOMENTO CERTO) IGOR DE PAULA DA PF POR SUA ATITUDE “CRIMINOSA” E “COVARDE” PARA ATINGIR LULA

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Veja o vídeo em que o deputado Paulo Pimenta vai à justiça pedir a punição do delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paulo, que segundo o deputado fez campanha para Aécio, para que ele seja punido por afirmar em entrevista que Lula pode ser preso em 30 ou 60 dias.

      Aqui o vídeo.

 

‘MARISA E LULA’, TEXTO DO ENGAJADO, CORAJOSO E INTELIGENTE SAUL LEBLON PARA A CARTA MAIOR

Chegará o dia em que o enredo pronto que existe dentro da legenda ‘Marisa e Lula’ merecerá o olhar de um cineasta brasileiro.
 
Um diretor atento a um Brasil contra o qual a mídia sempre manteve, e intensificou, uma relação depreciativa, mais belicosa e obsessiva que a dispensada agora aos veículos de comunicação  por Trump, enxergará neles a personificação de um dos períodos mais generosos e vitais da vida nacional.
 
O improvável revestirá os passos iniciais na trajetória deste casal de trabalhadores no maior polo industrial do Brasil.
 
Um homem e uma mulher de origem simples, jovens mas viúvos, apetrechados no máximo de um cristianismo ingênuo a revestir a luta pela sobrevivência, um dia abriram a porta de sua casa a uma visitante ilustre, para nunca mais fechá-la.

Era a história.
 
E ela os arrebatou.
 
Surpreendentemente, porém, e nisso reside o magnetismo da trama há léguas de ser uma fábula de seres perfeitos, também foi arrebatada por eles, com todos os riscos inerentes a uma coisa e outra num dos períodos mais turbulento da vida nacional.
 
Estamos no Brasil de 1974, em plena ditadura militar.
 
Nesse enredo de carne e osso as cenas se desenrolam quase prontas aos olhos de quem quiser enxerga-las.
 
É uma história de resistência e luta, de coragem e medo, curtida em derrotas e superação, temperada de doses  de grandezas e fraquezas, cuja soma conflituosa afronta a prateleira do previsível e do edulcorado para arrombar a fronteira que dividia o passo seguinte do país.
 
Contra todas as probabilidades eles não foram derrotados pela avalanche que recobriria seu destino pelo resto da vida.
 
Marisa e Lula afrontaram a hierarquia inoxidável do mundo burguês, patronal e conservador e também do universo pequeno burguês no qual poderiam ter se acomodado na ampla sala de estar reservada aos mansos.
 
Para a surpresa de uns –deles mesmos, talvez–  e horror de outros, lograram tomar as rédeas do cavalo xucro da histórica que passou na sua frente, mudando a direção dele e o enredo de suas vidas
 
Estão juntos há 43 anos assim. Sem parar o trote agalopado.
 
Um ano depois de se casarem, em 1975, Lula seria eleito presidente do mais estratégico sindicato de trabalhadores do país, inserido  no maior polo automobilístico da América Latina.
 
Lula assumiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo quando o general Geisel era o ditador do Brasil.
 
O país ingressava num ciclo vertiginoso de luta por democracia e de levantes operários contra o arrocho econômico e sindical.
 
O ABC era o coração da impaciência operária. Mas a opressão patronal assegurada pelos militares empurrava velozmente a reivindicação salarial para a confrontação política.
 
Não era o que eles preconcebiam. Longe disso. Mas era o que se impunha como um efeito dominó a cada passo do embate.
 
Pois bem, Marisa e Lula não se deixaram encurralar pelos repetidos chamados do toque de recolher que dispara na vida de um casal nas situações de perigo que ameaçam o teto e a prole.
 
Logo, muito logo, nas mãos de Lula, o sindicato dos metalúrgicos ficaria nacionalmente conhecido como uma das principais fortalezas da frente ampla de luta por liberdades democráticas que se esparramava pelo país irradiando a audiência da voz rouca do mar ao sertão.
 
As ruas eram uma extensão dessa consciência que se adensava contra o que não era mais tolerável, a censura, a tortura, a repressão, o arrocho, enfim, a interdição do futuro na vida de uma nação.
 
O lar de Marisa, 25 anos, e Lula, 30 anos, foi arrebatado por esse turbilhão da história que entrou pela sala, logo estava na cozinha tomando sopa de madrugada, esparramou colchonetes e fez dali um acampamento de prontidão permanente por democracia e justiça social.
 
Era assim a casa de Marisa recém-casada.
 
Ou melhor, a casa da senhora hoje com  66 anos e uma hemorragia cerebral  — que respira por aparelhos na UTI de um hospital, em cuja entrada o ódio escarnece de seu drama e ergue cartazes em que pede a prisão de seu marido.
 
Sua casa tornou-se uma arriscada trincheira da luta por democracia e justiça social, num tempo em erguer cartazes por democracia e justiça social dava cadeia, não raro, pancada e tortura.
 
O lar dessa senhora em coma induzido era um gigantesco cartaz de audácia operária na noite do Brasil.
 
O filme à espera de um diretor abriria com a leitura vagarosa dos estandartes de ódio, solitários, mas exclamativos de um sentimento incontido das elites e do seu entorno contra tudo o que se refira àquela casa, à mulher e ao homem que a partir dela os desafiou e venceu.
 
No ambiente frio da UTI desta São Paulo cinzenta de janeiro de 2017, o silêncio só é entrecortado pelos equipamentos que monitoram o metabolismo fragilizado pelo aneurisma rompido.
 
O boletim médico informa que o quadro da paciente Marisa Letícia é estável.
 
O que se luta para preservar ali, porém, é justamente algo que se mexe como a história e que por se mexer opõe-se ao cerco que pretende afoga-lo numa grande hemorragia de demonização e esquecimento.
 
O alvo é certeiro.
 
A memória é um pedaço do futuro.
 
A daquele período, sobretudo preciosa para o presente.
 
Não apenas para entender o Brasil atual, a partir dos protagonistas  ora capturados pela máquina avassaladora de picar e reconstruir reputações e legados deformando-os.
 
Não só para repor o que está sendo lixiviado, sangrado diariamente na mídia.
 
Mas ela, a memória, também é crucial para repor o orgulho, a credibilidade, a confiança e, sobretudo,  a faísca  capaz de religar a esperança que respirava naquela casa onde brotariam as sementes do país que trinta anos depois vicejaria.
 
Esse que está sendo ceifado agora com rancor inaudito, um Brasil que ainda não somos, mas que poderemos ser no século XXI.
 
A metamorfose do improvável nas ruas do país naqueles primórdios contradiz o impossível hoje elevado à condição de permanente.
 
Não é hagiografia filmada.
 
É uma história real, de gente de carne e osso.
 
Que se entregou sem se perguntar onde era a porta de saída de volta à rotina, e o fez de peito aberto, pondo na mesa empregos, filhos, o presente e o futuro,  numa aposta contra o estabelecido, com os riscos e a violência sabidos.
 
Gente comum se agiganta em circunstancias incomuns, ao não recuar diante delas.
 
Esse resgate feito de carne e osso é indispensável para repor a grandeza e as fraquezas da carne e do osso humano na fricção da história brasileira hoje sufocada pela mentira e o ódio.
 
Carta Maior recuperou uma das raras entrevistas em que a personagem que hoje luta pela vida em uma UTI, assim como lutou pela sua e a de milhões nesses 43 anos, rememora o seu olhar sobre os acontecimentos desse início, cujo epílogo persiste em disputa.
 
A resistência ao esquecimento é um pedaço dessa disputa.
 
A entrevista é de 2002, feita durante a campanha que levaria o PT pela primeira vez ao governo.
 
É atual porque devolve a Marisa o direito de se proteger daquilo que os indígenas mais temem diante de uma câmera:  o roubo de alma.
 
Da alma da mulher que ia visitar o marido preso pela polícia política da ditadura sem fraquejar nem lhe pedir que fraquejasse; da esposa e mãe, sozinha, que, ao contrário de todos os prognósticos, quando o sensato era recuar e sumir, abriu a casa para ser o sindicato quando os três sindicatos de metalúrgicos do ABC sofreram intervenção na grande greve de 1979, coroada pelas lendárias assembleias de 60 mil pessoas no estádio da Vila Euclides; a alma da mulher que organizou com outras mães e esposas uma audaciosa passeata  de mulheres e filhos em uma São Bernardo tomada por tropas da repressão, em defesa dos maridos, dos operários e sindicalistas presos; a alma da Marisa que costurou a primeira bandeira do PT; e que se politizou assim, como protagonista de uma história feita com as próprias mãos, sobre a qual nem ela, nem ele, Lula, jamais seriam convidados a opinar se ficassem esperando o convite dos que agora tomaram se assalto a engrenagem e a reescrevem com fel, ferro e fogo.
 
Repita-se, não é uma elegia à pureza dos oprimidos.
 
É um enredo de luta entre opressores e oprimidos.
 
Nessa fricção, virtudes e defeitos se misturaram na implacável máquina de mastigação que é a experiência da política e do poder no capitalismo que eles encararam sem se despir da única armadura que sempre os acompanhou: a consciência de que viver é lutar.  
 
A memória da senhora de 66 anos que hoje trava a batalha pela vida não vale pelo saldo de pureza que ela até possa externar.
 
Vale pelo legado desse percurso inconcluso.
 
Feito de instituições e direitos que ajudou a demarcar.
 
E de possibilidades que contribuiu para esboçar na vida brasileira.
 
É nesse legado que repousa a possibilidade deste país de presos degolados se tornar um dia uma sociedade virtuosa.
 
Pautada em pedra e cal por direitos entre iguais e por democracia entre diferentes, que só pode ser democracia se for levada às últimas consequências na repartição do bem comum.
 
Inclusive para garantir a expressão de quem hoje se posta diante do hospital onde Marisa e Lula travam a batalha de vida e morte para persistirem nessa busca.
 
E ali destilar a represália dos que rugem contra o enredo de filme à procura de um diretor que se desata aos nossos olhos à simples menção da legenda indivisa: ‘Marisa e Lula’.
 
Abaixo,a entrevista de Marisa Letícia ao site da campanha do PT de 2002.
(…)
Para Marisa Letícia Lula da Silva, 52 anos, esposa de Luiz Inácio Lula da Silva, 57, o candidato a presidente pela Coligação PT-PL-PCdoB-PC -PMN, a casa nunca foi apenas o refúgio familiar, mas também um ponto de intersecção de alguns dos fatos políticos mais importantes que mudariam a face do Brasil nas últimas três décadas.
 
As greves do ABC, a repressão do regime militar, a luta pelas Diretas, a fundação do PT e as campanhas presidenciais do marido ganharam as ruas e viraram História, mas antes atravessaram a soleira da porta e transitaram pela sala e a cozinha de Marisa. Em 1975, com um ano de casamento, Lula chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP). Três anos depois, começaria o ciclo histórico de greves no ABC paulista.
 
A política incorporou-se assim a sua vida como algo natural, quase uma extensão da rotina doméstica frequentemente adaptada para abrir novos espaços à mesa do almoço, ou receber visitantes que desde os anos 70 passaram a ter na casa do líder metalúrgico um ponto de referência nacional.
 
Lá estiveram senadores, deputados, vereadores, personalidades de todos os matizes. Alguns se incorporaram à família definitivamente. Frei Betto, por exemplo, cansou de dormir no chão da sala durante as greves metalúrgicas dos anos 78/80, designado especialmente pelo então Bispo de Santo André, Dom Cláudio Hummes, hoje arcebispo de São Paulo, para ajudar na segurança de Lula.
 
Tornar-se a primeira-dama, a partir de 1 de janeiro, portanto, é uma hipótese que não chega a sobressaltar essa neta de italianos, mãe de quatro filhos, avó de dois netos, que começou a ganhar a vida muito cedo.
 
Aos nove anos Marisa já trabalhava como pajem; aos 13, ainda sem carteira regular de trabalho, empregou-se na fábrica de chocolates Dulcora, em São Bernardo, onde ficou até os 21 anos.
 
Casada, tornou-se funcionária da rede municipal de ensino, que deixou para cuidar dos filhos.
 
Nem sempre, porém, o trânsito do país para dentro da casa foi tranquilo. Na greve de abril de 1980, Marisa e Lula acordaram sobressaltados pelos gritos dos agentes do Dops -Departamento de Ordem Política e Social.
 
Eram cinco e meia da manhã, ainda estava escuro. A residência cercada por homens de metralhadoras em punho foi despertada por berros no portão: -Cadê o Lula? Viemos buscar o Lula, viemos buscar o Lula.
 
“Foi terrível, mas mantivemos a tranqüilidade. Lembro-me que ele ainda disse –calma, vou tomar um café antes de sair, enquanto eu arrumava a mala”. Lula ficou preso 31 dias, saiu duas vezes nesse intervalo. Uma para visitar a mãe agonizante; outra, para o funeral de dona Lindu.
 
Diante da crescente exposição pública do marido, Marisa preferiu a discrição aos holofotes. Mas por trás deles ajudou a organizar passeatas de mães e filhos de metalúrgicos, em 1980, quando os líderes estavam presos e o sindicato sob intervenção. Foi ela também que de forma pioneira inaugurou o hábito da participação feminina na vida sindical do ABC. Foi Marisa, ainda, quem cortou e costurou a primeira bandeira do PT –feita em sua casa, claro–, quando da fundação do partido, em fevereiro de 1980.
 
Hoje, ela tenta preservar um pouco mais a fronteira familiar, pelo menos nos raros fins de semana em que o marido está no apartamento onde residem, em São Bernardo. “Proíbo conversa política e filtro as ligações telefônicas. Notícia ruim, à noite, fica para o dia seguinte”, sentencia com a voz firme mas serena. Mais que simplicidade, seu jeito reflete a maturidade de quem aprendeu na prática que tudo tem um tempo e nada vinga sem esforço. “As coisas foram acontecendo aos poucos na nossa vida, ao longo de anos de luta. A projeção do Lula foi a evolução natural de uma pessoa de muita persistência. Quando quer algo, ele consegue”, diz com conhecimento de causa.
 
Em 1973, viúva, mãe de um filho do primeiro casamento, ela conheceu de perto a tenacidade do galante diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
 
Foi um namoro rápido. Um cerco telefônico e uma manobra ousada de ocupação do terreno do rival definiram as núpcias, sete meses depois do primeiro encontro.
 
“Lula chegou em casa um dia e avisou meu namorado que precisava tratar um assunto muito sério comigo. Mandou o sujeito embora –pode?”, balança a cabeça ainda perplexa com a lembrança. Perseverança equivalente ela identifica na sua trajetória política. “Em 1980, quando fui a Brasília pela primeira vez, disse a Lula: eles não vão abandonar o poder nunca. Hoje tenho certeza de que ele vai chegar lá. E espero que faça algo pela juventude –tenho certeza que o fará. A violência me assusta. Quando leio os jornais já nem presto atenção nos nomes, fixo apenas a idade das vítimas. É terrível o que está acontecendo com os jovens no Brasil”, desabafa.
 
Aqui os principais trechos da sua entrevista
 
Qual a origem da sua família?
 
Meus pais são descendentes de italianos. O sobrenome do meu pai é Casa; o da minha mãe, Rocco. Meus avós, tanto do lado paterno, como os do lado materno, conheceram-se no navio vindo da Itália. Conheceram-se no mar, casaram-se em São Bernardo e tiveram vários filhos. Foram posseiros e para não dividir as terras faziam casamentos entre eles, algo que naquele tempo era normal. Tenho várias primas-irmãs: os irmãos de meu pai casavam-se com as irmãs de minha mãe e vice-versa.
 
Em que bairro eles moravam?
 
Atualmente chama-se bairro dos Casa, em São Bernardo do Campo, antigo sítio dos Casa, onde meu avô fez a capela de Santo Antônio, que está lá até hoje. A maioria dos irmãos do meu pai chama-se Antônio; os de minha mãe também; o meu avô, idem.
 
Eles plantavam o quê?
 
De tudo um pouco. Batata doce, batatinha, milho. Tinha gado, tinha galinha, pato. Saí do sítio com cinco anos de idade.
 
Vocês são em quantos irmãos?
 
Minha mãe teve quinze filhos. Três morreram ao nascer. Vivos, hoje, somos em nove. Mamãe trabalhava na lavoura, os maiores ajudavam e os menores ficavam num chiqueirinho cavado na terra. Minha mãe deixava a gente ali dentro, para não fugir. Eu tinha uns dois ou três anos. Sou a penúltima dos irmãos. Tenho irmã que poderia ser minha mãe, pela diferença de idade.
 
Qual é o nome dos seus pais?
 
Regina Rocco Casa e Antonio João Casa.
 
Foi uma infância difícil?
 
Não, em casa tinha fartura. Como minha mãe plantava e colhia e também tinha criação, nunca ninguém passou fome. Ela fazia aquela galinhada, galinha com polenta para o jantar ou a minnestra, um caldo de feijão com muito legume, arroz, carne…
 
Vocês frequentavam a cidade?
 
A gente só saía para ir a capela. A cidade era longe. Só por volta de 1955, quando minhas irmãs mais velhas começaram a trabalhar nas tecelagens a gente saiu do sítio, aí em definitivo. Meus irmãos também estavam buscando emprego nas fábricas de móveis. Mudamos para o bairro Assunção. Meu pai comprou uma casa muito grande, com quintal onde ele continuou criando seu porquinho, galinha, horta. Ficou sempre nessa vida. Mas ainda não tínhamos luz, a água era de poço. Minha mãe cozinhava no fogão à lenha. Foi nessa época que comecei a estudar, numa escolinha de madeira. Só na terceira série é que fui para um colégio no centro, o Grupo Escolar Maria Iracema Munhoz.
 
Qual era teu sonho de vida?
 
Eu queria dar aula, gostava muito de criança. Meu pai achava que mulher tinha que aprender a lavar, cozinhar e costurar. Educação rígida, à antiga. Aos nove anos as meninas começavam a ajudar dentro de casa. Eu não gostava muito dessas coisas, mas fiz cursinhos de corte e costura, culinária…
 
Você começou a trabalhar com que idade?
 
Aos nove anos. Fui ser pajem dos filhos do sobrinho do Cândido Portinari, um dentista muito famoso em São Bernardo, o Jaime Portinari. Ele tinha três filhas. Eu tomava conta dessas meninas porque a mãe dava aula. Ela trabalhava à tarde e eu estudava de manhã, as duas no mesmo colégio. Depois nasceu mais uma menina e eu com nove anos tomava conta de uma recém-nascida. Morava nesse emprego, dormia lá.
 
Ficou muito tempo?
 
Saí mocinha para trabalhar em fábrica, na Fábrica de Chocolates Dulcora. Tinha 13 anos. Foi necessário tirar uma carteira especial de menor, com autorização do pai. Tenho essa carteira até hoje. Depois, com 14 anos, você já tirava a carteira normalmente. Eu comecei como embaladora de bombom alpino.
 
Como era para você trabalhar assim tão criança?
 
Sempre gostei de ser útil, adorava isso. Era um sonho trabalhar fora, ter o próprio dinheirinho. Fazia com prazer, mas hoje tenho consciência de que lugar de criança é mesmo na escola, com tempo para brincar e aprender. Trabalhei na Dulcora oito anos. Saí para casar.
 
Seus pais eram bravos?
 
Meu pai era muito enérgico, minha mãe contornava as coisas. Mas namorar não podia, imagine! Minha mãe inventava historinhas para a gente poder sair, mas era difícil. Das irmãs eu era a mais rebelde. Gostava de participar de tudo, reuniões, centro cívico, festinhas de igreja, meu pai não deixava…
 
E para namorar?
 
Namorar naquela época era bate-papo, dava a mão, ele levava você até a esquina de casa e ponto.
 
Você tem alguma lembrança política dessa época?
 
Não, nenhuma. A gente não tinha televisão e meu pai proibia falar de política dentro de casa. Ele não gostava. Nunca comentou o porquê. A gente sabia é que os avós tinham passado momentos difíceis na Itália, vieram fugidos por causa de política e proibiam de falar no assunto. Meu pai seguiu a regra. Televisão em casa só entrou quando eu já era bem mocinha. Mas nós ainda rezávamos toda tarde, às seis horas. Paquera então, só longe de casa, na Marechal Deodoro (rua central de São Bernardo), logo após o cinema, à tarde. Comprava-se pipoca e depois era sobe e desce a Deodoro…
 
Com que idade você teve o seu primeiro casamento?
 
Casei com o primeiro namorado, o Marcos, aos 19 anos. Casei e continuei trabalhando. Só saí da Dulcora quando engravidei. Marcos era motorista de caminhão, transportava areia. Como a gente queria comprar casa própria, ele pegava o táxi do pai, que só trabalhava à noite, para fazer bicos à tarde e nos fim de semana. Ficamos casados apenas seis meses. Marcos foi assassinado quando eu estava grávida de quatro meses. Trabalhava com o táxi num domingo à tarde quando foi assaltado e morto. Meus sogros queriam demais essa criança, aí praticamente me adotaram. Fiquei morando com eles até o Marcos completar um aninho. Então fui trabalhar num colégio de Estado, como inspetora e substituta, mas contratada pela prefeitura. Aí voltei para a casa de minha mãe, porque ela tinha mais tempo para tomar conta do nenê, enquanto eu estivesse no serviço.
 
Como você conheceu o Lula?
 
Eu recebia uma pensão de viúva. Naquela época você tinha que passar em qualquer sindicato para recolher um carimbo e depois receber no INPS. Costumava ir ao sindicato dos marceneiros. Mas houve umas mudanças de local e a sede dos metalúrgicos passou a ficar mais perto para mim. Foi assim que conheci o Lula, que trabalhava no Serviço de Assistência Social do sindicato.
 
O Lula já conhecia seu sogro?
 
É o que ele conta. Diz que eles se conheciam porque tomava o táxi do seu Cândido às vezes. Os dois conversavam sobre a nora viúva etc, mas ele não me conhecia, nem houve nenhum arranjo para esse encontro entre nós. Foi pura coincidência a ida ao sindicato.
 
Ele atendeu você?
 
Não, foi um menino, um mocinho chamado Luisinho. Expliquei que precisava do carimbo para receber a pensão. Diz o Lula que já havia avisado a esse rapaz: assim que chegasse uma viuvinha nova, era para chamá-lo porque ele também era viúvo (a primeira esposa de Lula, Maria de Lurdes, operária tecelã, faleceu grávida e o filho também morreu).
 
O tal Luisinho chamou mesmo o Lula?
 
Exato. Inventou que o carimbo estava com um probleminha, foi lá dentro e quem voltou foi o Lula. Chegou e já senti que havia algo diferente. Percebi logo, porque nunca precisou tanta cerimônia para receber uma pensão que eu já tinha há três anos. O Lula disse que havia mudado a lei, eu teria que deixar o carnê para renovar etc… E pediu meu telefone. Caí que nem uma bobinha. Trabalhava na secretaria de uma escola na época. Desse dia em diante o telefone não parou mais de tocar.
 
E você não atendia?
 
Um dia atendi. Ele disse que já podia passar para assinar a papelada. Cheguei, começou tudo de novo. Senta um pouquinho; vou te explicar; aquele papo… Vamos tomar um cafezinho? Foi nessa hora que deixou cair a carteirinha do sindicato e falou: tá vendo, eu também sou viúvo. Respondi: ah é?
 
Nenhuma simpatia nesse primeiro contato?
 
Não, naquele tempo, o que uma mulher mais queria na vida era casar e ter um filho. Eu já tinha passado por essa experiência. Mas ele não desisitiu. Telefonava, insistia, por fim, marcamos um almoço no São Judas, no bairro Demarchi (tradicional restaurante do ABC).
 
O Lula sabia que você era nora do tal chofer de táxi?
 
Ele diz que ficou desconfiado, porque as histórias batiam. Mas foi tudo coincidência. Jamais foi montado um encontro.
 
E o namoro como começou?
 
Eu já tinha um namorado, vizinho da família que eu conhecia desde criança. Uma coisa assim descompromissada. Mas o Lula não queria saber. Um dia descobriu a minha rua. Chegou com um TL azul turquesa. Viu uma senhora, pediu informações. Era justamente minha mãe. Eu estava tomando banho para encontrar o namorado. Quando saio, quem está lá com a minha mãe? O Lula. Pedi que fosse embora porque tinha um compromisso, mas ele só deu uma voltinha com o TL e retornou. Chegou e foi logo dizendo para o meu namorado dar licença, que tinha assunto muito sério a tratar comigo. Mandou o cara embora. Pode? Aí já havia conquistado a simpatia de minha mãe porque era um sujeito mais alegre, mais dado que o outro. Ela ofereceu um aperitivo, o Lula entrou e, bom, tive que acabar o namoro porque ele já não saía mais de casa…
 
Casaram-se rápido?
 
Depois de sete meses. Mas não casei grávida não (risos). O Fábio, meu primeiro filho com o Lula, nasceu com nove meses e nove dias depois do casamento. Depois, com um ano de casado, em 1975, ele ganhou a eleição para a presidência do sindicato dos metalúrgicos.
 
Como foi essa coisa de ele virar uma figura pública?
 
Eu não estranhei muito porque, como disse, comecei a acompanhá-lo. Levava as esposas dos trabalhadores, organizava festas, projetos sociais. Passamos a reivindicar a presença de mulheres nas chapas. Então foi uma evolução junto.
 
E quando começam as greves, veio o medo?
 
Medo a gente sempre tem um pouquinho. Mas o dia a dia vai mostrando tanta força que muitas vezes você se pergunta: será que eu fiz isso mesmo? Por exemplo, nós fizemos aquela passeata das mulheres em 1980, quando os dirigentes sindicais estavam todos presos. Hoje, você pensa, parece uma loucura. Encheu de polícia. Os homens queriam dar apoio, mas nós dissemos, não, e saímos. Fizemos só com as mulheres. Botei as crianças na rua, meus filhos no meio daquela multidão, polícia para tudo quanto é lado.
 
Como era para eles ver o pai na televisão?
 
Tive que fazer um trabalho com isso mas acho que ficaram com uma cabeça boa. As coisas foram acontecendo aos poucos, fomos nos adaptando. Quando ele aparecia na tevê eu brincava com os meninos: querem ver seu pai, olha ele aí, porque eles já quase não viam mais o pai.
 
Você virou mãe e pai?
 
É, mas foi tranqüilo. Tinha reunião de pais na escola, lá ia eu. Tinha joguinho dos pais, lá ia a mãe. Não tinha problema, eu sabia que era importante.
 
A sua casa também virou uma sucursal do sindicato?
 
Virou mesmo. Em 1980, tomaram o sindicato da gente com a intervenção. Não tínhamos para onde ir. Desocupei a sala da frente e disse: pronto, aqui é o sindicato. E a secretária era eu. Vinham políticos, almoçavam, alguns dormiam lá em casa. Depois, montamos um fundo de greve na Igreja, para arrecadação de alimentos. Aí desconcentrou um pouco. Quem ajudou muito nessa época foi Dom Cláudio Hummes, que era bispo de Santo André e hoje é arcebispo de São Paulo.
 
Vocês acabaram conhecendo muita gente nesse processo. O Fernando Henrique Cardoso também?
 
Sim, sim, em 1978 quando ele foi candidato ao Senado, o Lula apoiou, demos o maior apoio a ele. Foi nessa época também que conhecemos os deputados do PMDB, Suplicy, Geraldinho Siqueira, Sérgio dos Santos… Mas a gente ficava com um pezinho atrás, porque nós éramos sindicalistas e eles, políticos.
 
E a prisão do Lula, em 1980?
 
Nossa casa estava cercada há muito tempo. Policiais na esquina, gente rondando à noite. Eu tinha um pouco de medo pelas crianças. Mas tinha consciência de que estávamos mudando alguma coisa importante. Depois, o irmão do Lula, o Frei Chico, já havia sido preso. Preso político. Fomos visitá-lo, conversamos muito. Aquilo tudo foi deixando um sentimento de revolta em mim. Eu sabia que era preciso mudar. E para mudar alguém tinha que enfrentar aquela situação porque se ficasse pensando como meu pai, que não queria nada com política, as coisas não sairiam do lugar nunca.
 
Quando o Lula decolou como liderança, o que você sentiu?
 
Achei que era isso mesmo, um momento importante, algo que alguém precisava assumir. Tinha orgulho. Mas também sentia falta dele, claro, sentia falta de ter alguém com quem conversar, discutir…
 
E a prisão?
 
Então, a casa estava cercada há várias semanas. Frei Betto, Geraldinho Siqueira, o Jacó Bittar, o Olívio Dutra e vários outros dormiam lá para nos dar alguma cobertura.
 
Como é que vocês conheceram o Frei Betto?
 
Olha, foi até gozado. Um dia o Lula avisou: vem um frei almoçar aqui. Para mim, tudo bem, almoçava tanta gente lá que não fazia diferença. Come o que tem. O Lula precisou sair e lá pelas tantas me aparece na porta um jovem. Eu estava esperando um frei, com aquela bata, chinelo, um velhinho, enfim, com roupa toda marrom. Então me aparece um rapazinho e diz: —Sou o frei Betto, trouxe uma pasta para o almoço. Respondi brincando: você pensa que nesta casa não tem comida? Somos grandes amigos até hoje.
 
E quando a polícia chegou?
 
Bom, primeiro,ligaram dizendo que o motorista do deputado Geraldinho Siqueira havia sumido. Saiu para buscar jornais e sumiu. Fomos dormir. Cedinho bateram no portão. Era umas cinco e meia. Tudo escuro. Frei Betto atendeu -Cadê o Lula, nós vamos levar o Lula, nós vamos levar o Lula…. Um bando de homens armados de metralhadora com uma Veraneio que fechou a saída da garagem, onde ficava o nosso Fiat. Meu quarto dava para a rua. Acordei assustada, chamei –Lula, Lula, estão aí atrás de você.
 
E ele, apavorou?
 
Nada. Falou exatamente assim — Calma, calma, vou tomar meu café, trocar de roupa, manda esperar. Eu queria que o Frei Betto e o Geraldinho acompanhassem a viatura, mas eles já tinham prendido o motorista do deputado justamente por isso. E barraram a saída do nosso Fiat. Foi uma cena horrorosa, metralhadoras para tudo quanto é lado, mas as crianças não acordaram, graças a Deus. Pegaram o Lula, enfiaram dentro do carro e sumiram. Não falaram nada, na-da. A gente não sabia para onde o levariam. Até o Fiatizinho esquentar, já tinham desaparecido. Então começamos a ligar para Deus e o mundo, e descobrimos que estava no DOPS. Ele e vários outros. Foram pegando todo mundo da diretoria do sindicato.
 
Lula tomou o tal café?
 
Tomou, trocou de roupa…
 
E as crianças?
 
Não falei sobre a prisão num primeiro momento. Dei um tempo em banho-maria, depois expliquei devagarzinho, direitinho para não assustar. Mas eu tive problemas com o mais velho na escola. O Marcos se recusava a ir à aula. Quando fui saber, eram colegas que acusavam: seu pai é bandido. Está preso, é bandido. O Marcos sentava lá na frente, eles jogavam aviãozinho dizendo essas coisas. Acabei permitindo que ele se afastasse por um tempo, o que o levou perder o ano letivo. No semestre seguinte fui à escola e falei com a diretora. Expliquei o que havia acontecido e disse que elas deveriam esclarecer as crianças. Esse tipo de preconceito não podia continuar. Só então o Marcos voltou aos estudos.
 
O Marcos era filho do seu primeiro casamento?
 
É. Eu o ensinei a chamar o Lula de tio, mas ele preferia pai mesmo. Aos nove anos, disse ao Lula que queria ter o mesmo sobrenome dele. E o Lula assumiu isso legalmente com alegria, com a maior satisfação. Hoje ele é Marcos Cláudio Lula da Silva.
 
Nesse período da prisão morreu a mãe do Lula?
 
Ela já estava muito mal, com câncer, queria ver o filho. Nós conseguimos que o Lula saísse uma vez da prisão, antes da morte, coisa que pouca gente sabe. Convencemos o Romeu Tuma (diretor do Dops na ápoca) a permitir essa visita. Depois, ele voltou para o velório. Saí do Dops com o Lula. Mas quando chegamos ao enterro os trabalhadores cercaram o carro da polícia. Estavam revoltados. Lula pedia calma. Mas os operários haviam parado as fábricas, eram ônibus e ônibus que chegavam, uma situação tensa, de nervos à flor-da-pele, que exigiu muita habilidade e liderança do Lula.
 
As crianças foram visitar o pai no Dops?
 
Foram. Preparei os meninos. Expliquei como era para eles não terem medo. Disse que tinha polícia, mas que o papai estava bem, contei sobre o lugar, enfim, tentei evitar surpresas que assustassem uma criança. Quando chegamos, o Tuma disse: –Olha, dona Marisa, é melhor a senhora ir para a minha sala com as crianças que eu vou buscar o Lula. Quando ele apareceu na porta, o Fábio pensou que a cela era ali e falou — Papai você não tá preso, você tá num hotel! Tinha quatro aninhos.
 
Quando você ouviu falar em PT pela primeira vez?
 
Nesse tempo a discussão já havia começado, em pequenos grupos, lá em casa. No início, muitos políticos diziam: Lula, para que criar outro partido, basta entrar num dos que já existem. Mas ele respondia: quero criar um partido diferente de todos, um partido dos trabalhadores. A primeira bandeira do PT eu é que fiz.
 
Como é essa história?
 
Eu tinha um tecido vermelho, italiano, um recorte guardado há muito tempo. Costurei a estrela branca no fundo vermelho. Ficou lindo. A gente não tinha núcleo, não tinha nada. Minha casa era o centro. Começamos então a estampar camisetas para arrecadar fundos. Vendíamos uma para comprar duas. Estampava a estrelinha, vendia, comprava mais. Foi assim que começou o PT.
 
Você se lembra da primeira vez em que se falou de Lula na Presidência?
 
Em 1980, Lula foi julgado no Superior Tribunal Militar, em Brasília. Foi a primeira vez que visitei a capital. Fizemos um passeio e o guia foi mostrando as mansões, aquela ostentação toda. Quando acabou eu disse – Lula, vamos parar com tudo isso: esses caras não vão deixar você chegar ao poder nunca. Eles não vão largar isso aqui jamais. Fazem qualquer coisa, mas não abandonam essa vida…
 
Você mantém essa opinião?
 
Não, hoje não mais. O PT cresceu muito e na verdade já começou a mudar o país. Tem prefeituras, tem governos de estado. A mudança começou. Mas ainda vão resistir muito. Vão lutar muito para deixar a gente chegar ao poder. Mas hoje temos chance. O povo está descontente demais. Além do que, existe uma característica do Lula que pesa muito. É algo que vem de berço: o Lula quando quer uma coisa consegue. E ele vai conseguir melhorar esse país.Ele mudou na época da ditadura militar, não mudou?
 
O que te dá mais medo no Brasil hoje?
 
A violência. Os nossos jovens são a principal vítima. Quando leio os jornais já não olho nem nome, nada. Me fixo na idade: uns moleques, viu? Só moleques. É o que me dá mais medo, me dá dó, dá pena. Mas eu sei que se essa juventude tiver a chance de uma escola, uma boa educação e trabalho, o país muda.
 
Muda. Tenho certeza que muda.

“É DESMORALIZAÇÃO COMPLETA DAS INVESTIGAÇÕES”, AFIRMOU O ADVOGADO KAKAY SOBRE DECLARAÇÃO DE DELEGADO DA PF SOBRE AMEAÇA DE PRISÃO DE LULA

Matéria do honrado jornalista Eduardo Maretti, para o site Rede Brasil Atual.

São Paulo – A entrevista do delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula, ao portal Uol, nesta sexta-feira (27), na qual o policial prevê que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser preso num prazo entre 30 e 60 dias, é “tão desqualificada” que nem mereceria comentário. “Ninguém fala de prisão em forma de ameaça. É a própria desqualificação do instituto da prisão. Estou em Lisboa, trabalhando aqui, mas vi e achei inacreditável. Prefiro não acreditar que seja verdade aquilo que foi dito, prefiro acreditar que seja falso”, diz o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

“É a desmoralização completa das investigações, ao se utilizar a hipótese da prisão como instrumento de intimidação”, acrescenta. “Tem que se discutir isso, esses abusos não podem acontecer. Temos que ter uma sociedade de pesos e contrapesos. A polícia não pode tudo, ninguém pode tudo, nem o Supremo Tribunal Federal pode tudo. Vindo de um delegado, é gravíssimo.”

O delegado federal previu que o “timing” para prender Lula pode surgir em “30 ou 60 dias”. Kakay concorda com a defesa de Lula, que, em nota, voltou a denunciar que o ex-presidente é vítima de “perseguição, mesmo sem existir evidências de delitos ou provas de qualquer tipo contra Lula”.

“Não tenho nenhuma dúvida de que as prisões estão sendo feitas de formas ilegais e arbitrárias. A prisão preventiva virou uma regra, quando tem que ser uma exceção. Uma declaração como essa (do delegado Igor Romário de Paula) fortalece imensamente a hipótese de uma perseguição, sem dúvida”, avalia Kakay. A defesa de Lula afirma que o delegado “será objeto das providências jurídicas adequadas”. 

Além de desmoralizar a própria investigação, Kakay diz que a fala desmoraliza o próprio policial, apesar de fazer efeito na mídia. “A sociedade ávida por espetacularização vai achar bom, mas temos que manter uma sociedade que pensa. Aqueles que pensam, que têm visão crítica, precisam ver que os limites têm que ser preservados.”

Kakay afirma que a parcela crítica da sociedade precisa resistir. “Contra o abuso, nós temos que resistir de todas as formas, seja através da palavra, seja através das ações, seja através da tristeza. Nós temos que resistir, porque o Brasil hoje virou uma sociedade punitiva, onde só tem vez e voz, principalmente na imprensa, quem trabalha pela punição.”

Na nota, o advogado de Lula Cristiano Zanin Martins afirma que “a forma como o delegado Federal Igor Romário de Paula se dirige ao ex-presidente Lula é incompatível com o Código de Ética aprovado pela Polícia Federal”.

Segundo Zanin Martins, ao abordar a “hipotética privação da liberdade” de Lula, o delegado “deixa escancarada a natureza eminentemente política da operação no que diz respeito a Lula”. Os defensores de Lula voltam a dizer no comunicado que “há pré-julgamento, parcialidade, vazamentos e comportamentos que violam a ética e a conduta profissional por parte de diversas autoridades envolvidas nas investigações e processos referentes ao ex-presidente”.

Zanin Martins voltou a citar o termo lawfare para se referir aos métodos utilizados nas investigações contra Lula. “É o ‘lawfare’, como uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.”

 

ADVOGADOS DE LULA PUBLICAM NOTA CONTRA DECLARAÇÃO DO DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL IGOR DE PAULA QUE EM ENTREVISTA A MÍDIA REACIONÁRIA AFIRMOU QUE LULA PODE SER PRESO DENTRO DE 30 OU 60 DIAS

delegado

 É simplesmente fácil de entender. O delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo, semanas passadas, concedeu entrevista a revista reacionária Veja que foi uma das explícitas integrantes do golpe que assaltou o governo Dilma eleita com mais de 54 milhões de votos genuinamente democrático. Na entrevista, o delegado afirmou que a PF havia “perdido o timing” para prender o ex-presidente Lula.

 Agora, Igor Romário de Paulo, delegado da Polícia Federal, coordenador das investigações da Operação Lava Jato, preste a concluir dois inquéritos contra Lula, contradisse seu companheiro de instituição. Igor disse que o “timing” para prender Lula pode aparecer em 30 ou 60 dias.

    “Não acho que a gente perdeu o timing. Esse timing pode ser daqui a 30 dias, daqui a 60 dias”, afirmou.

    Leia a nota publicada pelos advogados de Lula.

   Sobre a entrevista concedida pelo Delegado Igor Romário de Paula ao portal UOL (27/01/2017), fazemos os seguintes registros, como advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

1- A divulgação pela imprensa de fatos ocorridos na repartição configura transgressão disciplinar segundo a lei que disciplina o regime jurídico dos policiais da União (Lei no. 4.878/65, art. 43, II). Além disso, a forma como o Delegado Federal Igor Romário de Paula se dirige ao ex-Presidente Lula é incompatível com o Código de Ética aprovado pela Polícia Federal (Resolução no. 004-SCP/DPF, de 26/03/2015, art. 6o, II) e com a proteção à honra, à imagem e à reputação dos cidadãos em geral assegurada pela Constituição Federal e pela legislação infraconstitucional e, por isso, será objeto das providências jurídicas adequadas;

2- Ao renovar uma abordagem sobre hipotética privação da liberdade do ex-Presidente sob o enfoque de “timing” ou sentido de oportunidade, o Delegado Federal Igor Rodrigo de Paula deixa escancarada a natureza eminentemente política da operação no que diz respeito a Lula. Há pré-julgamento, parcialidade, vazamentos e comportamentos que violam a ética e a conduta profissional por parte de diversas autoridades envolvidas nas investigações e processos referentes ao ex-presidente. É o “lawfare”, como uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política, exposto reiteradamente pela defesa de Lula, que fica cada vez mais claro a cada pronunciamento de agentes públicos que participam da Operação Lava Jato;

3- Agentes públicos que se valem do cargo para promover atos lesivos à honra de Lula ou de qualquer cidadão cometem abuso de autoridade, na forma do artigo 4o., alínea “h”, da Lei no. 4.898/65. Por isso, o conteúdo da entrevista concedida pelo Delegado Federal Igor Romário de Paula deve ser investigada e punida, se constatada ocorrência do ilícito, independentemente de “timing”. Ninguém está acima da lei, quanto mais as autoridades encarregadas de garantir o seu cumprimento;

4- A declaração do delegado Igor de Paula caracteriza coerção moral ao ex-Presidente e ataque à sua imagem pública. É inadmissível que um agente do estado se pronuncie sobre investigação ainda em curso, sob sua responsabilidade, com o claro objetivo de constranger um cidadão, em desrespeito ao direito de defesa e ao devido processo legal.

O fato presente é mais uma evidência de que alguns integrantes e mesmo coordenadores da Operação Lava Jato desviaram-se do objetivo da investigação, para atuar na perseguição ao ex-presidente, mesmo sem existir evidências de delitos ou provas de qualquer tipo contra Lula.

 

NOTA DE DEFESA DOS ADVOGADOS DE LULA, CONTRA MAIS UMA AÇÃO ILEGAL COMETIDA COM O EX-PRESIDENTE

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Nota publicada no site abemdaverdade.

Na qualidade de advogados de Luiz Inácio Lula da Silva e de Marisa Letícia Lula da Silva, protocolamos hoje (26/01/2017), na 13ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Curitiba (PR), defesa referente à Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000, demonstrando não haver respaldo mínimo que lastreie a denúncia contra nossos clientes, oferecida pelo Ministério Público Federal em 14/12/2016 e aceita pelo MM. Juízo em 19/12, tendo como base dois imóveis – o da Rua Haberbeck Brandão, nº178 (SP) e o da Av. Francisco Prestes Maia, nº 1501 (SBC). Tal ação deriva de dois procedimentos investigatórios (Inquérito 290/2016 e 1034/2016) instaurados pela Polícia Federal, em 15/3/2016.

Tais inquéritos tramitaram de forma oculta, sem o conhecimento da defesa, até o dia 29/11/2016, data em que a autoridade policial expediu ofício requerendo esclarecimentos de Lula sobre a questão. Forjando uma relação inexistente com as investigações da Operação Lava-Jato, foi afirmado que o ex-Presidente da República teria participado conscientemente da empreitada criminosa que forjava as licitações da Petrobras por meio de pagamentos de propinas dirigido a agentes políticos e seus respectivos partidos. As imputações são vagas e genéricas e a acusação francamente especulativa. Nesse contexto artificial, a denúncia do MPF acusa Lula da prática do crime de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro e Marisa Letícia, da prática do crime de lavagem de dinheiro – pressupondo a existência de uma “organização criminosa”, tese que repudiamos com veemência.

A questão, que tramita perante a Suprema Corte, é de titularidade exclusiva do Procurador-Geral da República e ainda se encontra em fase investigatória. Indaga-se, então, como os Procuradores da Lava-Jato acusam – com toda “convicção” – o que ainda é investigado pelo seu chefe máximo e, cuja eventual procedência será futuramente analisada pelo Supremo Tribunal Federal? Como a “convicção” dos subscritores de tal denúncia pode afirmar o que ainda é apurado pela instância superior? No que tange às acusações inerentes ao comando da organização criminosa, críticas não faltam e o próprio ministro relator Teori Zavascki já se manifestara sobre isso.

Nenhum órgão de controle interno ou externo — incluindo as empresas de auditoria, a CGU, o TCU, a Polícia Federal e o Ministério Público — produziu qualquer relatório ou tornou pública acusação a respeito de uma suposta organização criminal. Lula reafirma jamais ter tido conhecimento de qualquer esquema de corrupção instalado na Petrobras e muito menos de ter recebido, bem como sua esposa, qualquer vantagem indevida proveniente de contratos financeiros firmados pela companhia. Assim como ambos jamais foram beneficiados por qualquer dos dois imóveis citados. A defesa reafirma a veracidade de citações anteriores:

1. Imóvel da Rua Haberbeck. Foi oferecido ao Instituto Cidadania, que antecedeu o Instituto Lula, e não houve interesse na sua aquisição. O ex-Presidente esteve presente uma única vez no local, juntamente com membros da diretoria do Instituto Cidadania, ocasião em que decidiu recusar a compra. O que ocorreu com o imóvel após tal data não resguarda qualquer relação com nossos clientes. Mas a denúncia afirma que o imóvel “foi recebido pelo ex-presidente da República LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA em 29/09/2010” sem indicar em que circunstâncias isso teria ocorrido. O Instituto Lula funciona no endereço que foi comprado em 1990 pelo IPET – Instituto de Pesquisa e Estudos do Trabalhador e Lula jamais teve a posse ou a utilização do citado imóvel;

2. Apartamento da Av. Francisco Prestes Maia – vizinho àquele de propriedade de Lula e de sua esposa. Pretende-se atribuir a Lula a propriedade de um bem imóvel do qual são locatórios ele e sua esposa, conforme prova existência de contrato. O casal paga aluguel, com o recolhimento dos impostos, negócio de âmbito estritamente privado e sem qualquer relação com a Operação Lava-Jato.

Não há qualquer fundamento fático/probatório para atribuir a destinação ou oculta propriedade desses imóveis – de alegada origem ilícita – a Lula e D. Marisa Letícia. Nem mesmo a denúncia logrou apontar uma só conduta praticada pelo ex-Presidente em relação a essa questão. Assim, Lula não pode ser responsabilizado criminalmente sob o fundamento de que seria o proprietário oculto dos imóveis, pois isso configura responsabilidade penal objetiva, estranha ao Direito Penal.

O trâmite desse processo é um recorde digno de figurar no Guinness, considerando que a denúncia foi aceita em 19/12 pelo juiz da 13ª Vara, sendo proveniente de um IP no qual o ex-Presidente e seu advogado Roberto Teixeira – que agiu sempre dentro do estrito dever profissional e com a observância do dever ético inerente à profissão – tiveram apenas dois dias para se manifestar e em menos de um dia útil já estavam indiciados. A denúncia foi oferecida 3 dias úteis depois e o recebimento da peça acusatória se deu em 4 dias úteis. Sob a égide constitucional, é incabível o procedimento tramitar ocultamente por mais de oito meses e ser concluído um dia depois do investigado prestar seus esclarecimentos! Onde ocorreu o mínimo de respeito às garantias fundamentais dos investigados? Como atribuir impessoalidade a tal investigação?

Essa ânsia desmesurada e crescente de prover acusações é tática comprovada de lawfare, o condenável expediente autoritário consubstanciado no uso do Direito e dos procedimentos jurídicos como meio de atingir resultados políticos. É inegável que parte dos agentes públicos envolvidos na Lava-Jato abriu uma verdadeira — e notória — guerra contra Lula e o projeto político que representa, utilizando-se da persecução penal extra judicium e, agora, do procedimento penal in judicium, para combatê-lo e, mais que isso, eliminá-lo da vida pública.

Não houve qualquer investigação isenta, mas uma sequência de fatos produzidos para sustentar a abertura de inúmeros procedimentos frívolos e sem materialidade contra Lula, com o único intuito de impedir o livre exercício de suas atividades políticas. A retaliação e a vingança também orientaram essa nova ação. Para tornar o processo menos inverossímil e simultaneamente fragilizar a defesa, inseriram também um de seus advogados.

As acusações, portanto, não têm suporte em base real. São frívolas. Foram construídas sobre “convicções” fervorosas daqueles que elegeram Lula como inimigo em um cenário de guerra, sob o dossel da aparente legitimação conferida pela persecução penal em juízo. Ressaltamos, ainda, que não reconhecemos a competência e a isenção do juiz da 13ª Vara de Curitiba, por isso renovamos as exceções de incompetência e suspeição.

O documento está disponível em http://www.averdadedelula.com.br

Cristiano Zanin Martins.

“FEMINISMO LIBERTA HOMENS E MULHERES”, OPINA SABATELLA EM ENTREVISTA A PROBA JORNALISTA FANIA RODRIGUES DO SITE BRASIL DE FATO

Letícia Sabatella: "Penso no feminismo como algo que não pertence apenas ao movimento de mulheres" - Créditos: Claudia Ferreira

Brasil de Fato – Segundo o dicionário mais famoso do mundo, o Oxford, da Inglaterra, a palavra de 2016 foi “pós-verdade”. O adjetivo faz referência a “circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais”, segundo o Oxford, que incorporou a palavra no dicionário depois dela ter sido exaustivamente usada nos jornais e redes sociais.

Em tempos de “pós-verdade”, conceitos já consolidados, assim como identidades e as conquistas parecem suspensos no ar. Estão sendo atropelados pela cultura conservadora. Nesse contexto, pensar e discutir o feminismo é um desafio. Não por acaso, os direitos das mulheres foram os primeiros a serem atacados, mas também partiram das mulheres as lutas mais espontâneas e emblemáticas lutas dos últimos dois anos. Foi assim com a “primavera das mulheres”, no Brasil, o movimento “Ni Una a Menos”, na Argentina, e mais recentemente a “Marcha das Mulheres”, nos Estados Unidos, contra o novo presidente Donald Trump.

Para falar sobre feminismo o Brasil de Fato entrevistou a atriz Letícia Sabatella. Ela foi uma das convidadas do evento Mulheres em Movimento, que está sendo realizado essa semana, no Rio de Janeiro, pela organização ELAS Fundo de Investimento Social. A atriz falou sobre os desafios que mulheres e homens devem enfrentar nesse momento de turbulências políticas e sociais no país.

Qual é o papel do feminismo na conjuntura em que a gente vive no Brasil?

É a busca de equilíbrio para o que vem acontecendo. Nós somos as mais atingidas pelo modo neoliberal de pensar a sociedade, com alguns lucrando com a miséria e nenhum cuidado com o bem-estar social. A melhor coisa que alguém pode desejar na vida é abrir a porta de casa, sair tranquila, em paz, e saber que existe educação, saúde de qualidade, que vai poder crescer na vida. Estamos vivendo um tempo em que os valores individualistas parecem mais importantes que o coletivo. Não querem mais pensar coletivamente, isso virou uma coisa imoral. É nosso papel lutar contra isso e a favor de práticas amorosas.

Toda mulher já sofreu algum tipo de machismo em algum momento da vida, senão durante a vida inteira. O mais te incomoda nessa questão do machismo?

Incomoda o tempo inteiro porque as pessoas introjetam o machismo. O machismo vai por dentro, vai minando nossas forças e daqui a pouco qualquer mulher pode introjetar o machismo, são limites que são impostos e incutidos na cabeça dela. Isso vem da cultura machista. A mulher precisa de mais possibilidades, mais liberdade. A sociedade tem que dar mais poder à mulher, mais possibilidades de realização de sonhos diversos e nos liberar de todas essas ideias que nos oprimem e permitir à mulher ter conhecimentos diversificados.

Aquela vez em que você sofreu uma agressão na rua, de manifestante pró-impeachment, em agosto de 2016, em sua opinião tinha algum viés machista?

Acho que tudo o que configurou o golpe foi machista, até a maneira como se referiam à presidenta Dilma era uma maneira muito misógina (de ódio e aversão à mulher). Tudo isso foi tirando qualquer questão legítima da pauta e foi entrando uma coisa que era embrutecedora. O que estava vindo era algo que fazia crítica de maneira estúpida, ignorante, sem escrúpulo, sem ética e muito destruidor. Quando penso em feminismo até acho que é um nome meio doido porque parece que pende para um lado da balança, mas na verdade ele equilibra a balança, que está pendendo demais para um lado só. Penso no feminismo como algo que não pertence apenas ao movimento de mulheres, pois é algo que liberta e melhora a situação de homens e mulheres.

Gostaria que falasse também sobre seus trabalhos na atualidade e o que está planejando para esse ano.

Estou fazendo um monólogo (no teatro) que é Ilíada, junto com outros 24 atores, cada um fazendo um monólogo. Com esse trabalho, onde compus a trilha sonora com o Fernando Alves Pinto, concorremos ao Prêmio Shell (2014). Agora também estamos fazendo a Caravana Tonteria (um show musical com intervenções teatrais), com algumas músicas próprias e algumas escolhidas. Esse ano estamos ainda com alguns projetos para continuar fazendo a peça A Vida em Vermelho de Edith Piaf e Bertolt Brecht (peça de Aimar Labaki que narra um encontro fictício entre a cantora Edith Piaf e o dramaturgo Bertolt Brecht). Vou fazer uma participação na minissérie Carcereiros, na Globo (série é baseada no livro homônimo do médico Drauzio Varella, sobre o sistema penitenciário). Recentemente também fiz o filme Happy Hour, do diretor Eduardo Albergaria, em uma coprodução Brasil-Argentina.

Por fim, queria que você deixasse uma mensagem para todas as pessoas que estão resistindo e lutando contra retrocessos.

Tenho recebido tanto afeto, tanto amor, tanta adesão e tenho visto tanta gente linda e corajosa lutando que confesso que tenho esperança. Muitas conquistas serão inevitáveis diante do que tenho visto de luta, nisso tenho muita esperança. Me compadeço de todas essas perdas que a gente está tendo. Vejo as dificuldades que estamos vivendo, isso fica claro nas falas lindas de muitas mulheres do movimento negro, indígena, lésbica, movimentos populares importantes. Me emociono com todas elas, com todas as causas das mulheres trabalhadoras. Nossa resposta a tudo isso é o afeto e a reorganização desse feminino que incomoda tanto.

DILMA FAZ CONFERENCIA INAUGURAL DO SEMINÁRIO “CAPITALISMO NEOLIBERAL, DEMOCRACIA SOBRANTE”

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MAIS UMA “COERÊNCIA” DE TEMER. ANTES ELE DIZIA QUE ERA CONTRA FOTO OFICIAL, PORQUE “É CULTO Á PERSONALIDADE QUE NÃO É COMPATÍVEL COM A DEMOCRACIA”, AGORA É

 Essa passagem meteórica de Temer como golpista-mor no poder, já evidenciou um talento que antes ele não expressava: sofrível piadista. Uma grande parte da sociedade brasileira quando se refere a ele é sempre no tom de curtição, sarro, deboche, piada. Não é para menos, Temer não tem qualquer qualidade que lhe possa conferir o adjetivo de presidente da República. E não se fala nem em grau de dimensão superior política.

  Dizem, para diminuir essa deplorável realidade, que ele até tem alguma qualidade, mas o problema é que ele se misturou com péssimas companhia em seu desgoverno. Como gente acusada de envolvimento em corrupção. Só ele tem 43 denúncias. Ledo (Ivo) engano. Temer tem em seu desgoverno os mesmos cúmplices que já tinha antes da concretização do golpe. E ele foi escolhido para o cargo não somente porque era vice da presidente Dilma Vana Rousseff eleita com mais de 54 milhões de votos democráticos materializados pelo desejo dos eleitores brasileiros, mas, para seus instigadores como empresários, parlamentares, mídia afasia das massas reacionárias e parte do judiciário, porque, por sua ausência de qualidade presidencial, servia aos propósitos ambiciosos desse tipo de gente antidemocrática. Temer sempre esteve aliado com indivíduos do tipo Padilha, Eduardo Cunha, Renan, Sarney, Aécio, Alckmin, Jucá, entre outros notórios inimigos da democracia.

   Agora, fugazmente no poder, tenta criar para si algum signo que possa lhe notabilizar como diferente do que é tentando outra consideração do povo brasileiro mais afeita ao que ele imagina ser. Como já é sabido, sentindo que vai ser expulso do poder usurpado tiranicamente, resolveu posar para a foto oficial. Como mostrou esse blog Afinsophia. Para explicar o porque de sua demora em tirar a foto, afirmou que era contra foto oficial por ser um “culto à personalidade que não compatível com a democracia”. Palmas e gargalhada geral.

      Um golpista tentando valorar a democracia. Um golpista tentando se mostrar respeitador da democracia por via de uma foto. Ele que junto com as massas reacionárias do país, coadjuvadas com o capital estrangeiro, tripudiou sobre a democracia obliterando seu movimento real através da força de um golpe, tenta se mostrar o símbolo maior da anti-vaidade quando o que verdadeiramente almeja é ser tido para a história da República brasileira também um presidente. Novamente ledo (Ivo) engano. Golpista não tem essência e nem existência para ser considerado e percebido. E mais, não tem produção revolucionária. O que a história toma como sua substância.

    E mais do mais. Ele uma figura que esbanja necessidade de reconhecimento fala em “culto à personalidade”. JK e Lula não cultuaram personalidade e tiraram foto oficial com faixa e tudo. E não foi a foto oficial que lhe fizeram os dois mais importantes presidentes da República brasileira. Não foi a faixa que determinou suas personalidades notáveis e excepcionais. No caso específico de Lula ele já coleciona duas faixas, e se prepara para aumentar sua coleção com a terceira faixa que vai abiscoitar em 2018.

     Porém, sempre tem um porém, diz a vovó Saterê. Temer não entende de psicanálise de massa. O culto à personalidade não é produzida pela vontade da personalidade que persegue o reconhecimento, mas pelas classes que se identificam com a personagem por seus atos. Breve exemplo: Marx. O filósofo de Trier não fez qualquer esforço para ser considerado a mais influente personalidade do mundo. Foram as classes que reconheceram sua sensibilidade, inteligência e moral como substâncias que atingiram o mais alto grau do pensamento. Marx não cultuou nada.

      Temer não deve se preocupar em mostrar que não é vaidoso (invejoso), porque não serão as exibições de sua foto nas paredes das   instituições públicas que irão lhe transforma em um notável presidente.         

 

Quanto a perseguição a Lula pesou no AVC de Dona Marisa? Por Nathali Macedo

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Ler os comentários nas notícias dos grandes portais conservadores na internet é a maneira mais rápida e eficiente de se perder a fé na humanidade.

Abaixo das notícias sobre o estado de saúde de Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, por exemplo, há de tudo: desde sinceros votos de uma morte lenta e dolorosa para uma mulher de 66 anos internada na UTI, até um “só acredito dando um tapa na cara dela pra constatar.”

O mais curioso é que essas pessoas que se ocupam em desejar os mais horrendos destinos à Dona Marisa – e a quem quer que seja de alguma maneira ligado ao PT ou aos comunistas (?) – se auto-intitulam “cidadãos de bem”.

No Brasil, cidadãos de bem são aqueles que concordam com a pena de morte, a redução da maioridade penal e violência contra senhoras de 66 anos. São os que acreditam que o erro da ditadura foi torturar e não matar. Os conservadores cristãos, defensores da moral e dos bons costumes só procuram uma maneira qualquer de externalizar o ódio que já não cabe em si. É típico dos conservadores brasileiros não discutir política, porque não sabem fazê-lo, e limitar-se a espalhar ódio e mentiras.

“Roubaram tanto, que gastem no Sírio Libanês”, eles insistem. Qualquer evento, mesmo os que envolvem mortes, AVC’s ou o fim do mundo, é uma oportunidade para que os cientistas políticos de redes sociais sucumbam ao mesmo argumento de sempre: a culpa é de Lula.

A culpa pelo quê?

Para os insanos perseguidores, isso é o que menos importa.

Há dois tipos de pessoa: as que perseguem-no ferozmente, com seus respectivos ódios devidamente alimentados pela Rede Globo e as que, por empatia ou gratidão, o amam.

As pessoas do primeiro grupo não desejam apenas que ele seja derrotado politicamente, desejam que morra em um desastre aéreo antes de 2018 ou que perca os outro nove dedos. O ódio e a perseguição são tão concretos que foram dignos de uma nomenclatura própria e tudo: anti-lulismo.

O pior é que o ódio não fica no campo do desejo: se transfigura em ações, como o circo da condução coercitiva ordenada por Moro e festejada na mídia em 2016.

Pergunta-se: qual a responsabilidade dos anti-lulistas sobre a saúde de Dona Marisa? O quanto anti-petistas e os golpistas e os donos dos carros da Presidenta legítima com as pernas abertas devem se sentir responsáveis por seu estado de saúde? Quanto todos eles devem nessa conta?

Não importa. Ninguém liga. Humanidade é coisa de petralha.

O antipetismo é o Coliseu moderno: gente de bem, entediada, esperando o bom combate – de preferência com doenças e mortes macabras em aviões – para dar uma animada na vida.

Eu, que não me intitulo cidadã de bem – na atual conjuntura, trata-se de uma terminologia, digamos, perigosa – expresso à Dona Marisa os mais sinceros votos de boa recuperação. Expressaria-os, acreditem, mesmo se ela fosse casada com Serra.

Humanidade é – ou deveria ser – uma virtude apartidária.

‘Não se faz oposição a um governo golpista, se combate’, defende Eugênio Aragão

EBC

O procurador federal Eugênio Aragão criticou a naturalização do golpe contra a presidenta Dilma e a aceitação do governo Michel Temer como algo legítimo.

O procurador federal Eugênio Aragão criticou, na tarde de sexta-feira (20), a naturalização do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e a aceitação do governo Michel Temer como algo legítimo. “Nós podemos ser oposição a um governo eleito legitimamente, mas não podemos ser oposição a um governo golpista. Não se faz oposição a um governo golpista, se combate. Eles não são nossos adversários, são inimigos”, disse o ex-ministro da Justiça durante o painel “Defesa da democracia e o futuro da esquerda”, realizado no Parque da Redenção dentro da programação do Fórum Social das Resistências. Aragão criticou também, no atual contexto político, as propostas de eleições diretas já e de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

“Neste momento, pautas como Diretas Já e Constituinte são agendas que mais nos dispersam que nos unem. A agenda fundamental é o golpe que não passou de um arrastão de trombadinhas. O tema central é o desfazimento do golpe e a restituição da presidenta Dilma. Não podemos abandonar essa agenda sob pena de sermos acusados de hipócritas. Não dissemos que esse golpe foi misógino, machista e antidemocrático? Tudo isso passou? Negar o nosso discurso e trocá-lo por uma variação é algo que nos enfraquece. Uma nova eleição direta agora significaria aprofundar o golpe, tornando a reconquista da legitimidade mais distante. Se tivéssemos uma nova Constituinte agora, a direita transformaria o Brasil num Estado teocrático”, afirmou.

“Os juristas brasileiros são os maiores golpistas”
Eugênio Aragão definiu o atual momento vivido no País como a mais grave crise do republicanismo brasileiro. “Voltamos a um estágio atrasado marcado pela desestruturação das nossas instituições e pela destruição de políticas públicas. A superação desse momento vai depender da nossa capacidade de gerar coesão. Para isso, precisamos modular o nosso discurso, definir uma estratégia comum e superar dois vícios históricos da esquerda: o esquerdismo e o burocratismo”, defendeu. Para o procurador, o discurso do “Volta Dilma” não precisa ser contrastado com a inviabilidade disso acontecer. “O que é mais importante agora é a manter a coerência e a unidade. Esse discurso nos unifica. Precisamos promover um grande debate nacional, formando comitês locais, organizando seminários, fazendo conversas como esta que estamos fazendo aqui hoje”.
“O futuro da esquerda passa pela democracia”
Organizado pela Central Única dos Trabalhadores e pela Fundação Friedrich Ebert, o debate também contou com a presença do ex-senador chileno e presidente da Fundação Chile 21, Carlos Ominami, da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) e do presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo. Ex-ministro da Economia do Chile, Carlos Ominami fez uma análise dos problemas enfrentados pela esquerda latino-americana e apontou aquele que é, na sua opinião, o principal eixo programático para a superação do quadro atual. “O futuro da esquerda passa pela democracia e o futuro da democracia passa pelo seu aprofundamento”. Para Ominami, os golpes que aconteceram em Honduras, no Paraguai e no Brasil se deram não só pela ofensiva da direita, mas também pelos erros cometidos pela esquerda. “Nós temos democracias de baixa intensidade que são muito frágeis. Fizemos mal algumas coisas. Não devemos considerar a democracia como um meio para chegar a outra coisa, mas sim como um fim”, defendeu.
O ex-senador, que participa atualmente de uma articulação para formar uma nova frente da esquerda chilena, chamou a atenção ainda para a necessidade de defender a democracia de seus novos inimigos. Entre eles, destacou o ceticismo com a política e a democracia, o populismo de direita (expresso exemplarmente, segundo ele, na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos) e o populismo judicial. “É algo ruim e muito danoso quando juízes começam a legislar e governar ou quando querem fazer justiça com a imprensa. No caso do Brasil, o que está se buscando não é fazer justiça, mas sim impedir que Lula volte a disputar o governo com as armas da democracia”.
“Não há democracia de direita”
A deputada Maria do Rosário também defendeu a necessidade de a esquerda priorizar programaticamente a agenda da radicalização da democracia. “A direita despreza a democracia. Produzir uma democracia renovada é, portanto, uma tarefa da esquerda. Não há democracia de direita, pois esta não respeita sequer os valores e princípios clássicos dos liberalismo. Ela trabalha com uma produção contínua de crises que inviabilizam a continuidade da democracia. Nós não estamos vivendo uma crise da democracia hoje no Brasil, pois a democracia faliu no dia do impeachment da presidenta Dilma. O golpista Temer não tem nenhuma legitimidade para indicar o novo ministro do STF, após a morte de Teori Zavascki. Do mesmo modo, o Senado, cheio de investigados na Lava Jato, não tem nenhuma isenção para sabatinar o novo ministro”, afirmou.
Rosário sustentou ainda que a esquerda deve retomar o debate sobre o direito à representação e a qualidade dessa representação. Além disso, acrescentou, precisa enfrentar o tema do capital. “Não há possibilidade de democracia com o atual grau de exploração. Para ser democrática, a esquerda precisa ser anti-capitalista, humanista e feminista. Precisa assumir integralmente a agenda dos direitos humanos, que nem sempre foram um tema central para a esquerda”.
Claudir Nespolo, por sua vez, definiu a conjuntura atual como um período de resistência, de acumulação de forças para uma nova fase. “Estamos assistindo a uma revisão da Constituição de 1988, que está sendo feita sem voto, sem participação popular e sem um processo constituinte. O centro dessa revisão é o ataque à Previdência e às leis trabalhistas”. O presidente da CUT-RS anunciou que, para enfrentar essa ofensiva da direita, estão sendo construídos, em todo o país, comitês em defesa dos direitos para preparar a população para uma grande greve geral em 2017.

USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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