Arquivo para 6 de janeiro de 2017

LEANDRO FORTES, JORNALISTA PROBO, INTELIGÊNCIA SUPERIOR E ENGAJADO, MOSTRA EM SEU ARTIGO “LOBISTAS DO MASSACRE” O ‘CRISTIANISMO’ DO DEPUTADO SILAS CÂMARA (PSD/AM) DA ASSEMBLÉIA DE DEUS

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Texto extraído do facebook de Leandro Fortes.

A Umanizzare Gestão Prisional Privada, empresa responsável pelo presídio privado onde ocorreu o recente massacre de presos, em Manaus, mantém um lobista de plantão no Congresso Nacional: o deputado Silas Câmara, do PSD do Amazonas.

Em 2014, ela doou 200 mil reais para a campanha a deputado federal de Silas.

Expoente da chamada “bancada da bala”, Silas foi um dos 43 parlamentares responsáveis, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, pela aprovação da admissibilidade da PEC 171/1993 – que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos.

Ou seja, o nobre parlamentar trabalha para garantir carne fresca para os presídios privados da Umanizzare – ao todo, seis, no Amazonas, e dois, em Tocantins.

Também em 2014, a esposa de Silas, a bispa da Assembleia de Deus Antônia Lúcia Câmara (PSC-AC), candidata a deputada federal, recebeu 400 mil reais da Umanizzare.

No mesmo ano, a filha do casal, Gabriela Ramos Câmara (PTC-AC), então candidata a deputada estadual, recebeu 150 mil reais.

Então, apenas com a família Câmara, a Umanizzare investiu nada menos que 750 mil reais!

Detalhe: ano passado, o Supremo Tribunal Federal – STF condenou Silas Câmara a 8 ANOS DE PRISÃO por uso de documento falso e falsidade ideológica. Ele só não está em cana porque o crime prescreveu antes da condenação.

A bispa Antônia Lucia, mulher de Silas, eleita deputada federal em 2010, foi CASSADA, em 2011, também por falsidade ideológica, formação de caixa dois e compra de votos, no Acre.

Ela é do mesmo partido de Marco Feliciano e Jair Messias Bolsonaro.

É esse o nível dos políticos que estão por trás dos interesses do bilionário negócio de presídios privados, no Brasil.

E estão todos com as mãos sujas de sangue, impunemente, pelo menos até agora.

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PAULO SÉRGIO PINHEIRO: “MINISTRO DA JUSTIÇA É RESPONSÁVEL POR MASSACRE E DEVERIA RENUNCIAR”

Matéria da Rede Brasil Atual.

São Paulo – Para o diplomata e ex-ministro dos Direitos Humanos (governo Fernando Henrique Cardoso) Paulo Sérgio Pinheiro, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, é responsável pelo massacre ocorrido no Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj) em Manaus (AM) no último dia 1º, que resultou na morte de 56 presos, em suposta disputa entre facções. “Caso tivéssemos um governo de democraticamente eleito, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, já deveria ter apresentado a sua renúncia, porque é ele o maior responsável pela chacina na penitenciária de Manaus”, afirma Paulo Sérgio Pinheiro, em vídeo publicado no blog Nocaute, do jornalista e escritor Fernando Morais.

O diplomata afirma também que o ministro Alexandre de Moraes não teria repassado verbas suficientes para a manutenção dos presídios e que, portanto, o massacre de Manaus trata-se de uma “crônica de uma morte anunciada”. A responsabilidade pelo ocorrido é compartilhada também com o governador de Amazonas, José Melo (Pros), diz Paulo Sérgio Pinheiro.

Ele lembra ainda que o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 600 mil detentos, sendo mais de um terço deles presos em situação provisória ainda sem julgamento e penas definidas.

“Sai governo, entra governo, a situação continua de total desprezo. Por quê? Porque a maioria desses presos faz parte da maioria da população pobre e miserável, e as elites calhordas brasileiras não têm nenhum momento para levar em conta o enorme sofrimento das famílias desses presos”, questiona.

“SINAIS DE RELAÇÃO ABUSIVA”, TEXTO DA ADVOGADA LINDA OSTJEN

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O comportamento abusivo pode variar desde o abuso emocional, verbal, até o físico e sexual. Freqüentemente uma pessoa abusiva emocionalmente é também abusiva verbalmente ou uma combinação de todos os tipos acima. Sinais de uma pessoa abusiva podem usualmente ser encontrados depois de alguns momentos no início da relação, se você prestar atenção. Faça muitas perguntas e alguma investigação a respeito do seu passado.

Relações abusivas são caracterizadas por jogos de controle, violência, ciúmes, abstinência sexual e frieza emocional.

É difícil identificar uma pessoa abusiva. Costuma ser esperta e pode facilmente fazer com que você pense que não é boa o suficiente e que tudo é por sua culpa.

É tão difícil recuperar-se de um abuso emocional como é de um abuso físico. O abuso emocional provoca baixa auto-estima e depressão.

Uma pessoa abusiva pode dizer que AMA VOCÊ e que irá mudar, portanto você não tem que deixá-la. No entanto, quanto mais vezes você a recebe de volta, mais controle ela ganhará sobre você. Promessas vazias tornam-se a norma. Tenha certeza de prestar atenção em suas ações e não apenas em suas palavras.

Relacionamentos abusivos nunca são abusivos no início.

Há sinais a respeito de uma pessoa abusiva. Se o seu parceiro apresenta um ou mais desses sinais, reavalie seu relacionamento e procure ajuda ou caia fora.

1. Possessividade – É ciumento/a de sua família, de seus amigos, e colegas de trabalho. Tenta isolar você. Um homem abusivo vê as mulheres e suas crianças como sua propriedade em vez de indivíduos únicos. Acusa você, sem razão, de traição ou de flertar com outros homens. Pergunta onde você estava e com quem estava de uma maneira acusadora.

2. Controle – uma pessoa abusiva exige abertamente que seu tempo e você sejam o centro de sua atenção. A pessoa controla as finanças, o carro, e as atividades que praticam juntos. Torna-se raivoso/a quando você começa a mostrar sinais de independência ou força.

3. Superioridade – a pessoa abusiva tem que ganhar sempre ou estar no comando. Ela sempre justifica suas ações de modo a estar sempre “certa” para você e os outros. Um abusador/agressor irá falar de cima para baixo com você e te xingará, a fim de sentir-se melhor. O alvo dele é fazer você sentir-se fraca/o de modo que ele/ela possa ter poder. Abusadores são frequentemente inseguros e seu poder faz com que se sintam melhor a respeito de si mesmos.

4. Manipulação – o abusador/agressor lhe diz que você é louca ou estúpida/o de modo que a culpa caia sobre você. Ele tenta fazer você pensar que o que ele faz é sua culpa.

Diz que não pode fazer nada quanto a ser abusivo de modo que você sinta a pena dele e continue tentando ajudá-lo. Mas diz aos outros que você é instável.

5. Mudanças de humor – o seu humor muda de agressivo e abusivo para uma aparência humilde, desculpando-se e tornando-se amoroso/a depois que o abuso aconteceu.

6. Suas ações não correspondem a suas palavras – ele/a quebra promessas, diz que ama você e depois abusa de você.

7. Pune você – uma pessoa abusiva emocionalmente pode privar você de sexo, de intimidade emocional, ou joga um jogo silencioso como punição quando ele não consegue as coisas do seu jeito.

8. Não quer procurar ajuda – o agressor não pensa que alguma coisa está errada com ele então porque ele precisa de ajuda? Ele não reconhece suas faltas ou culpa sua infância e circunstâncias exteriores.

9. Desrespeita as mulheres – o homem agressor demonstra falta de respeito em relação a sua mãe, irmãs, ou qualquer mulher em sua vida. Pensa que as mulheres são estúpidas e sem valor.

10. O homem agressor muitas vezes tem uma história de abuso e traição à mulheres, ou a animais, ou foi abusado ele mesmo – Agressores físicos repetem seu padrão e procuram pessoas que são submissas e possam ser controladas. O comportamento abusivo pode ser uma disfunção geracional e pessoas que sofreram abuso têm uma grande chance de se tornar agressores.

Se você continua em um relacionamento abusivo porque pensa que ele mudará e que o agressor começará a te tratar bem, pense novamente.

Um homem abusivo não muda sem uma terapia de longo prazo.

Sessões de aconselhamento em grupo podem ser particularmente boas em ajudar um homem abusivo a reconhecer seu padrão abusivo. Drogas e álcool podem criar ou aumentar o abuso em um relacionamento. Os grupos de ajuda mútua como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos são programas excelentes para um adicto. A esposa de um abusador deverá enfrentar um grupo de co-dependência.

Se o homem abusivo não estiver disposto a procurar ajuda, então você deve começar a agir para proteger a si mesma e os filhos saindo de casa.

Se você estiver com medo de não ser capaz de sobreviver por conta das finanças, comece a procurar ajuda, buscando a família, amigos, e descubra como eles poderão ajudá-la. Uma vez que você tenha saído, o abusador pode chorar e pedir perdão, mas não volte atrás sem procurar ajuda e sem ele completar uma terapia de longo prazo bem-sucedida.

Esteja preparada para o aumento da pressão pelo abusador, pois ele perdeu o controle.

Se o seu parceiro não está desejoso de procurar ajuda para seu comportamento abusivo, a sua única opção é sair fora.

“ONDE ESTAMOS NA ATUAL ESCALADA PUNITIVISTA?”, TEXTO DE VITOR MARTINS PIMENTA PARA O SITE JUSTIFICANDO

Onde estamos na atual escalada punitivista?

Escrevo sobre o recrudescimento punitivo no Brasil e sobre nossas possibilidades de organização e militância para a resistência e para a construção de caminhos alternativos para lidar com conflitos e violências. Compartilho as inquietudes em três partes, falando do contexto atual; da análise que proponho para a sua compreensão; e, por fim, de possibilidades de agendas para a luta política no sentido da emancipação frente às opressões impostas por nosso sistema penal.

Os pontos serão explorados em uma série de artigos aqui no Justificando, publicados hoje e nas próximas duas semanas.

Contexto

Não custar repetir que vivemos dias difíceis. Está crescendo o apoio a respostas repressivas e punitivas para lidar não apenas com criminalidades, mas com conflitos sociais em geral, condicionando a forma como nos relacionamos com os outros, a partir de marcadores que legitimam a segregação, a exclusão e a punição. Esse não é fenômeno apenas nacional, ele está presente em diversos países do mundo. Na Europa, as questões relacionadas à migração cada dia mais se orientam pela lógica da xenofobia e da divisão do mundo entre “nós” e “eles”, a ponto do inconformismo com invasão do “meu” espaço se sobrepor à solidariedade e ao mais básico sentimento de humanismo com pessoas refugiadas. O “meu conforto” importa mais do que a barbárie e o risco concreto de eliminação física do outro. Nos Estados Unidos da América, o presidente eleito, Donald Trump, apresentou-se na disputa eleitoral como o candidato da Law and Order, com a promessa de deportação imediata, após a posse, de ao menos 3 milhões de imigrantes supostamente ilegais no país.

Por aqui, no Brasil, para além de uma guinada do governo na política de estrangeiros, que vai deixando de ser uma questão de direitos para se tornar uma questão de polícia, também ressurge com força as propostas de aumento de penas para “criminosos” e endurecimento dos regimes de cumprimento, e de recrudescimento da política de guerra às drogas. É difícil separar o que dessa agenda repressiva é próprio do governo Temer, como a “outra face da moeda” de suas políticas antisociais e neoliberais, e o que faz parte do projeto particular do atual ocupante do cargo de Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. O certo é que o governo recrudesceu sua agenda criminal e penal, passando a ser importante promotor do discurso de vingança, da visão do mundo entre “cidadãos de bem” e “bandidos”, e de políticas públicas aderentes a esses princípios.

Alexandre de Moraes, atual ministro da justiça (Fotos Públicas).

Alexandre de Moraes, atual ministro da justiça (Fotos Públicas).

De imediato, após a posse de Alexandre de Moraes como Ministro da Justiça, pôde-se perceber uma grande guinada discursiva e simbólica. Não se deve menosprezar o potencial dessas dimensões, pois discursos e símbolos são expressões de saber-poder e produzem impacto nas práticas dos atores que operam as agências punitivas “na ponta” e para outros agentes que incidem sobre a política criminal e penal: funcionam, assim, como um “comando repressivo” para policiais, juízes, promotores e, ainda, para legisladores, gestores públicos, meios de comunicação e sociedade em geral. Daí que não são pequenos os danos quando o Ministro da Justiça atua como garoto-propaganda da guerra às drogas ao posar para câmeras tentando arrancar pés de maconha a facadas, quando anuncia que o país precisa de “menos pesquisas e mais armas”, ou quando nomeia policiais para praticamente todo o segundo escalão do Ministério nas áreas relacionadas com a segurança pública, eliminando a diversidade de pensamento no órgão. Nesse contexto afloram manifestações e discursos de ódio, que partem da desumanização do outro – sobretudo o “outro” criminalizado ou criminalizável – para justificar até mesmo sua eliminação física, a exemplo da declaração do governador do Amazonas, José Melo, após o assassinato de 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj, Manaus/AM), de que entre os mortos “não tinha nenhum santo”.

Mais recentemente, os discursos evoluíram para ações concretas que reorientaram o Ministério da Justiça, direcionando-o abertamente a uma política criminal repressiva e punitiva. Para ficar em dois exemplos, cito a Medida Provisória 755/2016, publicada no último dezembro, com o intuito de desviar recursos do Fundo Penitenciário Nacional, que seriam destinados para políticas de inclusão social de pessoas presas e para políticas de alternativas penais à prisão, mas que serão agora dirigidos principalmente às polícias, à construção de mais prisões e à compra de armamentos e equipamentos de segurança, além de promover uma enorme deturpação da Força Nacional de Segurança Pública com o intuito de se criar um “exercitozinho particular” do Ministro; e cito o Decreto de Indulto Natalino de 2016, que representou enormes retrocessos em relação aos indultos publicados nos anos anteriores, o que, ao fechar um pouco mais a “porta de saída” do sistema, contribuirá para acelerar ainda mais o crescimento da população prisional no país.

Com Alexandre de Moraes à frente do Ministério da Justiça, o cenário é tenebroso e tende a piorar muito nesse ano de 2017, sobretudo em virtude de suas ambições eleitorais veiculadas na mídia, como pretendente à candidatura ao Governo do Estado de São Paulo, valendo-se do populismo penal como trampolim político – com um custo incontável em vidas humanas.

É preciso ter em conta, porém, que essa agenda governamental não está desconectada da sociedade. De fato, muitas das medidas implementadas são decorrentes de uma guinada imposta rapidamente por um governo de fato que não goza de legitimidade eleitoral e é altamente impopular. Contudo, o recrudescimento penal que vivenciamos encontra respaldo crescente nas expectativas sociais, que são anteriores ao golpe parlamentar de 2016 – e que estão em sintonia com o movimento mundial em direção ao conservadorismo e ao esfacelamento da solidariedade social.

Percebe-se nos últimos tempos uma menor adesão da sociedade a propostas como a substituição da prisão por penas e medidas alternativas ou para práticas mais transformadoras nas formas de se lidar com conflitos e violências, vindas da Justiça Restaurativa. Em sentido contrário, o que se observa é a adesão aos discursos de ódio, a assertivas como “bandido bom é bandido morto”, que alcançaram 57% da população, conforme indica o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Chacinas e execuções dos “bandidos”, especialmente quando eles preenchem os estereótipos de delinquentes (jovens negros habitantes de bairros pobres), não são mais apenas naturalizadas e toleradas, são demandadas por parcela da população. Basta um olhar para comentários em notícias na Internet para se enxergar o sentimento de ódio voltado à aniquilação dos “inimigos”, prescindindo não apenas do processo penal para a formação da culpa, mas até mesmo de informações nas próprias reportagens – dos jovens negros da periferia presume-se o banditismo, pois “não estavam ali rezando”, “são todos vagabundos” e “mereceram o que tiveram”. De novo, a fala assustadora do governador do Amazonas: não sabemos ao certo quem eram, mas santos certamente não.

Nessa toada, ainda que nós brasileiros não tenhamos estabelecido uma relação de confiança com a polícia (apenas 25% da população confia na polícia e 59% das pessoas tem medo de ser vítima de violência da Polícia Militar), depositamos nos agentes policiais a missão de extermínio do “outro” – o delinquente efetivo ou potencial, responsabilizado pela insegurança e intranquilidade que povoa o imaginário das classes média e alta e o cotidiano das classes mais pobres. Alimentamos, assim, uma cena de violência tanto privada como institucionalizada, que empurra os policiais para o ‘sistema penal subterrâneo’ dos extermínios e também amplia sua vulnerabilidade à morte, ao mesmo tempo em que produz um ambiente de guerra nos bairros periféricos, justificado e impulsionado pela guerra às drogas.

Com a “transição” nos palácios do Planalto e da Justiça, estabeleceu-se um processo de retroalimentação perversa, no qual o governo fomenta, a partir de discursos e representações de uma sociedade polarizada entre “bandidos” e “mocinhos” (ou “trabalhadores” e “vagabundos”), as demandas por mais penas e mais punição, que supostamente atenderiam aos clamores por justiça e segurança, ao mesmo tempo em que responde a essas demandas (que ele próprio contribui para incitar) com agendas mais repressivas. Por fim, também no sistema de justiça observamos um momento de recrudescimento penal. O discurso do “combate à corrupção” tem sido mobilizado, por setores do Judiciário e sobretudo do Ministério Público, como pretexto para ataques a garantias constitucionais e processuais penais, bem representadas na pressão pela aprovação das “(des)medidas de combate à corrupção”. E pululam decisões judiciais em franca violação a direitos e garantias fundamentais, ora permitindo uso de técnicas de tortura para desocupação de prédios públicos, ora “relativizando” a presunção de inocência, como diariamente se denuncia com competência aqui no Justificando.

Nada do que narrei até aqui é abstrato ou teórico, tendo suas consequências medidas em vidas humanas, na palavra dos mortos, como aponta há anos Zaffaroni e sentimos como nunca hoje no Brasil; em negros e negras das periferias que tem sua trajetória de vida limitada por grades ou por canos de fuzis; em pobres que conhecem o Estado pela via do sistema penal muito antes do que pelas políticas sociais; em jovens de todas as classes sociais, que se viram duramente reprimidos em diversas manifestações e movimentos por direitos.

No próximo artigo da série farei uma análise crítica desse contexto, buscando problematizá-lo à luz das funções que o sistema penal vem assumindo em concreto no país com o projeto de nação que está sendo imposto à sociedade brasileira pelo governo atual, e das raízes e riscos da crescente banalidade do mal institucionalizado, pela qual aceitamos e demandamos a aflição e até mesmo a eliminação física do “outro”.

Victor Martins Pimenta é graduado em Direito pela USP e em Ciência Política pela UnB, é mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília (UnB). É Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e foi Coordenador-Geral de Alternativas Penais do Ministério da Justiça (2014-2016).

“O BRASIL PRECISA DE UM NOVO PROJETO NACIONAL”, TEXTO DO ENGAJADO INTELECTUAL EMIR SADER

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Os anos virtuosos que o Brasil viveu neste século foram devidos a um projeto nacional de desenvolvimento econômico com distribuição de renda. A popularidade de Lula e do seu governo foram devidas a esse projeto, que conquistou a adesão de amplos setores do País, seja porque foram beneficiados diretamente por ele, seja porque não poderiam ficar fora e contra um projeto com tamanha adesão nacional.

Foi um momento em que a esquerda conquistou hegemonia a nível nacional, através desse projeto. Suas virtudes estiveram na combinação entre desenvolvimento com inclusão social, expansão econômica e ampliação gigantesca do mercado interno de consumo popular, política internacional que projetou o País como um agente global e políticas de integração regional e intercâmbio Sul-Sul, investimento econômico do Estado e controle da inflação.

A esquerda impôs o consenso nacional, contra aquele que se centrava no ajuste fiscal, de sucesso nos anos 1990, até que se esgotou e foi superado pelo novo consenso. Esses valores eram expressos nos discursos de Lula, mas as forças de esquerda não chegaram a tematizá-lo, a elaborá-lo, o que teria permitido ter consciência das razões do sucesso dessa política e, ao mesmo tempo, se dar conta dos obstáculos que poderia enfrentar e, assim, dos seus limites.

Esse sucesso foi mais resultado da sensibilidade política concreta de Lula, que buscou avanços pelas linhas de menor resistência, explorando os lados mais frágeis do modelo neoliberal. Ao invés da centralidade do ajuste fiscal, manutenção deste, mas em função de centralidade das políticas sociais. Controlar as finanças públicas, para expandir a ação econômica e social do Estado, ao invés do Estado mínimo. Projetar o País no mundo e atuar pela integração regional, no lugar da subordinação à política dos EUA.

Esse modelo, por limitações que não conseguiu superar, pela mudança das condições internacionais e pela reformulação da ação da direita brasileira, terminou se esgotando e desembocou no golpe, que terminou com a série mais longa e expressiva de governos populares na história brasileira.

Essa é a via da reconstrução da alternativa hegemônica de esquerda na era neoliberal. Mas para atualizá-la, a esquerda precisa superar os dois maiores obstáculos pendentes: o predomínio do capital especulativo na economia e o predomínio do monopólio privado nos meios de comunicação.

Precisa reelaborar o tipo de política econômica, adequado às novas condições internacionais, regionais e internas, que retome o modelo de desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Precisa formular as profundas reformas do sistema político e do próprio aparelho de Estado, correspondentes às condições atuais do Brasil.

Alem de ampliar muito a plataforma da esquerda na direção de reivindicações deixadas de lado até aqui e que tocam muito diretamente aos jovens: descriminalização das drogas leves, descriminalizacao do aborto, combate ao genocídio dos jovens negros, ampla política de caráter ecológico, entre tantas outras.

A unidade ampla de todas as forças de esquerda é sempre uma condição necessária, mas ela não é suficiente. A definição do projeto nacional é que definirá os setores que devem ser abarcados para a reconstrução do bloco social e do bloco político que permita a esquerda voltar a se tornar hegemônica na sociedade.

Uma intensa luta no plano das ideias é condição indispensável para que esse projeto possa triunfar de novo. Combater os clichês que a direita voltou a impor, como a ineficiência do Estado, os supostos gastos excessivos em politicas sociais, o custo alto da contratação da força de trabalho, entre outros.

Um balanço do período feito pela esquerda tem que ter como norte esse projeto nacional que o País precisa. Para, a partir daí, definir o lugar do PT, da esquerda, dos movimentos populares. Só com esse projeto, atualizado, a esquerda se colocará em condições de voltar a lutar pela sua hegemonia no País.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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