Arquivo para 4 de abril de 2017

FILME CHAPA BRANCA, COM VERBA PÚBLICA, TEXTO DO HONRADO ENGAJADO JORNALISTA MARCELO AULER

Marcelo Auler

FIlme letreiroOficialmente, o filme “Polícia Federal, A Lei é Para Todos” tem financiamento privado, de investidores cujo produtor, Tomislav Blazic, evita revelar. Na prática, a equipe que está produzindo para o cinema a versão oficial das primeiras 24 Fases da Operação Lava Jato, contou até com verba pública, ainda que não oficialmente. Viaturas descaracterizadas e agentes da Superintendência do Departamento de Polícia Federal do Estado do Paraná se deslocaram, durante o último carnaval, ao estado de São Paulo para colaborarem nas filmagens, segundo informações que o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) divulgará nesta terça-feira (04/04) na Câmara dos Deputados, ao encaminhar novo pedido de informações e providências ao Ministério da Justiça. Além de contar com homens da Superintendência que, com seus familiares, fizeram “pontas” nas encenações, a produção do filme recebeu apoio de outras formas. Para filmar dentro do prédio do DPF em Curitiba, os trabalhos foram suspensos no dia 18 e 19 de novembro passado, uma sexta-feira e um sábado, inclusive para entrega de passaportes. Elas perduraram até o domingo (20/11).

No ofício a Moro, Igor diz que não repassou o filme. Mas o repórter da Veja diz que o assistiu.

No ofício a Moro, Igor diz que não repassou o filme. Mas o repórter da Veja diz que o assistiu.

Quem mentiu? – Em ofício ao juiz Sérgio Moro, datado de 27 de março, o delegado Igor Romário de Paula, coordenador da  Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR), garantiu que “não foram cedidas quaisquer imagens, sejam elas fotografias ou vídeos, relacionadas à ação policial decorrente da 24ª Fase da Operação Lava Jato a qualquer pessoa, empresa ou veículo de comunicação por parte da Polícia Federal“. Disse ainda que, “em momento algum as imagens realizadas naquela data foram fornecidas a terceiros, sendo anexadas ao processo eletrônico correspondente somente imagens do depoimento realizado e posteriormente degravado“.

Onze dias antes, o repórter da revista Veja, Ulisses Campbell, ao entrevistar Blazic na TV Veja (veja integra abaixo) não escondeu seu acesso à filmagem da condução coercitiva de Luís Inácio Lula da Silva, em março de 2016, como descreveu detalhes da reação do ex-presidente e de sua mulher, Marisa Letícia, para enfim perguntar como essas cenas, “filmadas sem qualquer filtragem”, serão tratadas no filme? O produtor nem sequer negou que tenha tido acesso ao filme, apenas explicou a necessidade de corte:

“A gente vai procurar buscar toda essa realidade, sem dúvida nenhuma. Não sei te dizer se ela toda vai estar ali, porque hoje, o filme, já estamos com 2 horas e 10 minutos de filme, não é? É longo, o cinema nacional não tem esse padrão“. (sic)

Ao autorizar a condução coercitiva de Lula, mesmo sem ele jamais ter sido intimado a depor e nunca ter se recusado a prestar esclarecimentos, o juiz Moro determinou expressamente a proibição de qualquer filmagem:

“Expeça-se quanto a ele mandado de condução coercitiva, consignando o número deste feito, a qualificação e o respectivo endereço extraído da representação. Consigne-se no mandado que NÃO deve ser utilizada algema e NÃO deve, em hipótese alguma, ser filmado ou, tanto quanto possível, permitida a filmagem do deslocamento do ex-presidente para a colheita do depoimento”.

Ainda assim, com uma câmera embutida na roupa, um agente federal gravou todas as cenas, desde a entrada no apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, à sua transferência para a Delegacia de Polícia Federal do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Igor Romário, porém, diz que não desobedeceu ao juiz:

“Obviamente a determinação expressa na ordem judicial expedida não se refere à gravação feita pela Polícia Federal durante a realização da diligência, mas à veiculação indevida e desnecessária de imagens captadas que venham porventura expor desnecessariamente a figura do então investigados nestes autos, o que de fato não ocorreu“.

Escolha de Sofia – Trata-se de um possível sofisma (argumento ardiloso, aparentemente correto) uma vez que a decisão judicial usou a expressão “em hipótese alguma” o que, em português claro, significa sem nenhuma exceção. E a exceção foi feita. Mais curioso ainda é que o filme não foi entregue em juízo. Como o próprio delegado informou, apenas as o trecho do depoimento de Lula constam do processo.

Ainda que o argumento utilizado pelo DRCOR do DPF no Paraná possa ser admitido, resta a questão de saber o motivo de as cenas gravadas terem sido apresentadas ao repórter da Veja – note-se que Igor apenas negou terem entregado, nada falou sobre terem mostrado. Mas, pelo que se depreende da entrevista com o produtor Blazic, de alguma forma repassaram trechos do filme feito pela Federal à equipe de filmagem. Nela, repórter e produtor mantiveram o seguinte diálogo a partir dos 08min36′ da gravação (confira abaixo):

Ao dizer que terá que fazer uma "Escolha de Sofia", Blazic não está admitindo que tem a filmagem ou partes dela? Foto - Reprodução do Youtube

Ao dizer que terá que fazer uma “Escolha de Sofia”, Blazic não está admitindo que tem a filmagem ou partes dela? Foto – Reprodução do Youtube

Ulisses Campbel – Voltando para o vídeo da condução coercitiva do Lula, que também é um pedaço da Lava Jato que o público não tem conhecimento. O vídeo, que eu assisti o vídeo inteiro, ele mostra o ex-presidente Lula sem qualquer filtro. Ele chama de uma porção de palavrões, ele tem uma reação muito enérgica com os investigadores que bateram na casa dele às 06H00 da manhã, a dona Marisa também teve ali uma reação bem peculiar. Eu queria saber o seguinte. Esta cena, ela vai ser bem aproveitada no filme? Vocês vão mostrar o Lula, por exemplo, chamando aquele monte de palavrões, que ele chama, para os policiais? A ameaça que ele faz aos policiais, que ele vai voltar a ser presidente em 2018? Como isso vai ser tratado no filme?  (grifamos) (sic).

Tomislav Blazic –  Não. A gente vai procurar buscar toda essa realidade, sem dúvida nenhuma. Não sei te dizer se ela toda vai estar ali, porque hoje, o filme, já estamos com 2horas e 10 minutos de filme, não é? É longo, o cinema nacional não tem esse padrão. Então, isso tudo nós vamos ter que deixar chegar um pouco mais na frente para que, na hora da edição a gente trabalhar um pouco melhor isso, para que o filme possa ter… enfim, ser um entretenimento, não ficar um filme chato, não é? Agora, evidentemente que, não só o Lula, como outras ações que tiveram para trás, tanto das empreiteiras e tudo mais, tiveram momentos inusitados ali dentro que são importantes também. E aí nós vamos ter que escolher, não é? A escolha de Sofia, né? Vamos ver ali o que vai ser melhor para ser colocado e o público poder entender, não é?

Ordens de Missão canceladas – Quando admite que será uma escolha de Sofia, Blazic reconhece que tem, se não toda, trechos da filmagem para optar quais acrescentará à edição final. Por esse motivo que a defesa de Lula solicitou ao juiz a proibição da divulgação de qualquer trecho deste filme. Moro, a princípio, disse não caber ao juízo censurar órgãos de imprensa ou o filme, mas pediu informações à Polícia, recebendo o ofício citado acima de Igor. Não mais tocou no caso desde então.

As informações recebidas pelo deputado federal Paulo Pimenta dão conta que a Superintendência do DPF no Paraná chegou a emitir Ordens de Missão (OMs) para os agentes se deslocarem a São Paulo. Foram em carros descaracterizados, mas com placas registradas em  nome da Polícia Federal – ao que parece, entre eles, um blindado. Lá, além de participarem das filmagens, os carros também atenderam aos atores e produtores, com os Agentes de Polícia Federal no papel de motoristas.

O deputado Pimenta, em fevereiro, recorreu ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, utilizando a Lei de Acesso às Informações (LAI). Questionou do acordo firmado pela produção do filme com o DPF à autorização para que equipamentos  da polícia, inclusive armas, carros e helicópteros fossem emprestados à equipe do longa metragem. Sem obter uma resposta, depois de vencido o prazo legal, representou junto à Procuradoria Geral da República por conta da improbidade administrativa de Daiello. E insistiu nas questões, enviando-as, desta feita, para o ministro da Justiça, Osmar José Serraglio. (Veja ofício abaixo)

Requerimento do Deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ao ministro da Justiça

Se as Ordens de Missão fossem cumpridas, os agentes receberiam verbas para deslocamento e diárias do próprio DPF. Alertada, porém, para  risco que isto significaria, a cúpula da Superintendência decidiu anulá-las. Pelo que consta, foram rasgadas. Fala-se ainda dentro da superintendência que tais Ordens foram lançadas e retiradas do  SIGEPOL, o Sistema que gerencia produção e tramitação de documentos internos. Isto, segundo explicaram ao Blog, pode ser facilmente detectado por uma auditoria, capaz de confirmar as emissões, mesmo depois de elas terem sido apagadas.

Com o recuo da cúpula da superintendência,  a viagem e as estadias dos Agentes de Polícia e seus familiares foram bancadas pela produção do longa metragem. Mas, o deslocamento dos carros – gasolina e pedágio – teriam sido pagos como verba pública, o que pode ser verificado nas praças de pedágio da Régis Bittencourt.

O grampo ilegal que Youssef descobriu em sua cela não será abordado pelo filme versão chapa branca da Lava Jato.

O grampo ilegal que Youssef descobriu em sua cela não será abordado pelo filme versão chapa branca da Lava Jato.

Chapa Branca – No final de semana da filmagem dentro da Superintendência (de 18 a 21 de novembro), os serviços foram interrompidos na sexta-feira e no sábado. Oficialmente, a suspensão das atividades foi justificada com a necessidade de manutenção na pintura e na parte elétrica do prédio. Segundo um dos policiais de Curitiba,  “realmente, alguma maquiagem foi feita”. Mas, nada que pudesse atrapalhar as filmagens. Já o serviço, ficou paralisado. O mesmo expediente, recorde-se, foi utilizado na véspera do carnaval de 2014, quando a pretexto de dedetizar os espaços, suspendeu-se o serviço na sexta-feira. Foi o dia em que Dalmey Werlang cumpriu a ordem recebida de instalar um grampo ilegal no fumódromo do prédio.

O empenho do Departamento de Polícia Federal em auxiliar nas filmagens – como se vê no vídeo, houve um grande acerto junto à Direção Geral do DPF – tem uma justificativa. A fita apresentará a versão oficial. Será do tipo “chapa branca”. Certamente, os réus e acusados – mesmo aqueles que depois foram inocentados – não terão espaço para explicações.

Tampouco os muito incidentes ocorridos ao longo da Lava Jato serão mostrados, como admitiu o próprio Blazic. Quando questionado sobre o famoso e polêmico episódio do grampo ilegal instalado na cela de Alberto Youssef – “este bastidor polêmico vai estar retratado no filme?” – apegou-se mais uma vez à limitação do tempo do filme:

“Não. Não, a gente não entra nisso até porque, ali, isso foi uma coisa pontual, depois ela… dentro da Corregedoria interna da Polícia que isso teve uma investigação. Não sei a quantas anda isso, para ser sincero, né? A gente não acompanhou isso. Lá no início, houve todo esse noticiário, essa coisa toda, mas nós não tivemos absolutamente nada, não entramos nesse mérito, porque o filme, assim, se você começa a considerar a história e for dividir, vão dar tantas coisas, que não dá, gente. Temos que escolher uma linha tênue para trabalhar. Então, se abrir demais a história, ninguém vai entender a história e vai virar duas, três horas, quatro horas“.

Pelo jeito também não falarão dos chamados dissidentes da PF, uma versão criada a partir de informes do delegado Igor para atingir policiais que tentaram fazer chegar ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, informações das ilegalidades e irregularidades cometidas no início da operação. Nada se falou ainda sobre outra personagem excêntrica, a contadora Meire Poza que serviu ao doleiro Youssef. Por iniciativa própria, procurou a Polícia Federal, serviu como informante, repassou documentos do ex-cliente e depois concordou em forjarem uma busca e apreensão em seu escritório para que legalizassem a apreensão dos papéis que já estavam com o delegado Márcio Adriano Anselmo. Após prestar todos esses serviços sem garantir em um acordo possíveis benefícios, ela hoje responde a processo em São Paulo e Curitiba. Mas também gerou uma nova investigação pela Corregedoria do DPF.

Apesar de Blazic negar qualquer conotação político partidária ao filme – que segundo o produtor será o primeiro de uma trilogia – o longa metragem se encerra em março de 2016, justamente quando surge a condução coercitiva de Lula e o episódio em que ele foi impedido de assumir um ministério no governo Dilma Roussef. Foi aí que Sérgio Moro divulgou, ilegalmente, áudios de uma conversa entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, sem que o Supremo Tribunal tomasse qualquer medida contra ele. Tais áudios, certamente surgirão no filme, como admitiu Blazic na entrevista:

“O filme vai até a 24ª Operação que é a da coercitiva do Lula. A gente passa um pouquinho, na verdade, da 24ª. Há aqueles áudios, a gente avançou um pouquinho mais ainda”.

Entrevista de Tomislav Blazic , produtor do filme, à TV Veja.

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LULA É A ESTABILIDADE POSSÍVEL CONTRA O CAOS DOS CAMISAS NEGRAS, TEXTO DO ENGAJADO JORNALISTA RODRIGO VIANNA

por Rodrigo Vianna

Por trás da fumaça que vem do Tribunal Superior Eleitoral (o TSE, como se sabe, decidiu adiar o julgamento da chapa Dilma-Temer, oferecendo sobrevida ao moribundo consórcio Temer/PMDB/PSDB) e de Curitiba (a Lava-Jato se consolida como um Tribunal de Exceção, conduzido por um juiz desequilibrado que manda prender blogueiro), alguns movimentos quase imperceptíveis no mundo da política indicam que o cenário mudou.

O fato político mais importante dos últimos 10 dias não foi, tampouco, a capa da “Veja”, que indica Aécio Neves no mesmo caminho trilhado por Carlos Lacerda em 64: implorou pelo golpe, achando que herdaria o poder, e terminou cassado pelo processo que ajudou a fomentar. Aécio é um cadáver, e será devorado, mas deixemos os mortos vivos em paz… O fato mais importante foi outro: a declaração enfática de Nelson Jobim (ex-ministro do STF, mas que é sobretudo um peemedebista com trânsito no PT e no PSDB) defendendo que “proibir Lula de ser candidato é fazer o que fizeram os militares”.   

A frase de Jobim indica que a parte mais lúcida da elite política e empresarial já percebeu o óbvio: impedir Lula de ser candidato, no tapetão, como pretendem os celerados de Curitiba, teria um duplo caráter desestabilizador.

Significaria, primeiro, cassar a voz e a representação de algo entre 30% e 40% dos brasileiros – índice que Lula alcança nas pesquisas de opinião para a eleição (?) de 2018; sem voz pela via institucional, parte desse setor poderia partir para a confrontação “por fora” do sistema político; Lula candidato significa estabilidade, significa os movimentos sociais e a esquerda “por dentro” da política.

Mas a prisão (ou cassação) de Lula seria trágica também para a direita “liberal”, digamos assim; sem Lula na disputa, o próprio PSDB e seus satélites na mídia, na internet e na Justiça perderiam a razão de ser.

Não é à toa que nas últimas semanas certo blogueiro, que durante anos ajudou a fomentar o ódio contra Lula e o PT, assumiu posição mais moderada – criticando os “exageros” de Moro e dos camisas negras de Curitiba. Da mesma forma, o (por assim dizer) ministro do STF Gilmar Mendes passou a criticar os abusos da Lava-Jato.

Pensemos um pouco: se Lula, que tem 30% a 40% dos votos, for impedido de concorrer por um juiz de primeira instância (a sentença teria que ser confirmada no TRF-4, que já deu mostras de endossar o tribunal de exceção da Lava-Jato), esse ato significaria o desmonte não do lulo-petismo, mas do próprio sistema político.

Se a Justiça, numa canetada e sem provas consistentes, pode impedir um candidato com 30% a 40% dos votos, pra que serviriam o PSDB, o Reinaldo Azevedo, o Gilmar Mendes e os demais satélites tucanos?

“Não existe Salieri sem Mozart”, dizia um velho amigo já em 2013. O invejoso compositor Salieri era o grande rival do gênio Mozart no século XVIII; a razão de ser de Salieri era oferecer um contraponto ao tempestuoso e polêmico Mozart. Se o “juizeco de primeira instância” (como diz Renan Calheiros) puder barrar Lula, significa que ele tem poder para tudo. E aí o PSDB será arrastado junto. Perderá a função de representar setores médios que, desde 2013, se deslocaram do centro para a direita.

As pesquisas indicam que os tucanos já claudicam nas pesquisas, abaixo de 15%. Estão mais chamuscados que Lula, na medida em que se tornaram sócios do pior governo da história brasileira, desde Washington Luiz. Hoje, o país já se divide claramente entre a política (ou seja, a ideia de que o Estado organizado pode, e  deve, ser o condutor da Nação) e um discurso anti-política que resvala para o autoritarismo (Bolsonaro, Dória e Luciano Huck são oportunistas e aventureiros que tentam surfar nessa onda).

A centro-direita menos obtusa já compreendeu o perigo que significa barrar Lula. Seria um suicídio da política. Seria caminho para a aventura despótica.

Renan Calheiros, odiado e desprezado por tantos, também já percebeu que Lula é o fator de estabilidade não só da centro-esquerda. Mas da própria ideia de que é possível concorrer sob regras gerais e respeitar a vitória do adversário.

No velório de Dona Marisa, sob o grito bestial da direita extremada que comemorava a morte da ex-primeira dama, FHC e Gilmar emitiram sinais a Lula de que o jogo, sem o líder petista, pode ficar perigoso demais.

O mundo dos sonhos da direita liberal inclui Lula na urna em 2018: sob ataque, contestado, bombardeado… Mas candidato. Um Lula “para perder” e legitimar o sistema político: essa a aposta do setor menos tresloucado da direita, que percebe os perigos embutidos na Lava-Jato.

Um Lula com 40% dos votos no segundo turno, derrotado por um candidato “liberal” – da mesma forma que em 94 e 98. Esse o roteiro de reinaldos, gilmares e fhcs. Mas falta combinar com bolsonaros, joyces, mbls e suas falanges…

São duas variantes da direita. A segunda variante incensa Moro e não aceita nada menos do que Lula preso, humilhado, barrado, não importa o mal que isso possa significar para a democracia. Se essa variante sair vitoriosa, a primeira variante (tucana, mais “liberal”) perde a razão de existir. E esse quadro está prestes a se consolidar, lançando o PSDB como um todo no mesmo lamaçal em que já chafurda o morto-vivo Aécio Neves.

Se a variante extremista sair vitoriosa, o que pode vir é uma república comandada por camisas negras. Eles sonham em trucidar Lula para, logo depois, usurpar todo o poder, eliminando também tucanos et caterva (quem não se lembra da frase de Danton, ao ser conduzido à guilhotina pelo terror da Revolução Francesa: “o que me conforta, Robespierre, é que depois de mim virá você”; e a previsão se cumpriu).

Não nos iludamos: a aliança da Lava-Jato com o PSDB foi tática. Existe um “partido da justiça e da polícia”, e esse partido pode evoluir para a eleição de um juiz, ou de um extremista que saiba manipular os signos da anti-politica.

Lula é o único que, por dentro da política, tem ainda força e legitimidade para enfrentar a matilha extremista.

Esse o sinal emitido por Jobim que, com esse movimento, também tenta se viabilizar como alternativa “pacificadora”, numa eventual eleição indireta, se Temer não sobreviver ao TSE. Jobim pode ser a “transição” para se chegar a 2018. Acontece que o PSDB queimou quase todas as pontes, fomentou ódio demais, e agora não consegue guardar o fascismo na garrafa.

A direita “liberal” achou que usaria os extremistas para destruir o PT e finalmente ocupar o poder após quatro derrotas. Mas, hoje, começa a perceber que precisa de Lula para conter o extremismo.

Lula é fator de estabilidade para a Democracia. Jobim e Gilmar talvez sonhem com um Lula “pra perder”. Mas falta combinar, primeiro, com os camisas negras que querem prender e trucidar o petista; e, depois, com os eleitores que podem levá-lo de volta ao poder, se a Democracia resistir até 2018.

É por essa estreita passagem que vamos caminhar nos próximos meses…

“MARCELO ODEBRECHT FOI COAGIDO A DELATAR E FALOU POR VINGANÇA”, DIZ DLMA

Matéria publicada no site Conjur.

De acordo com a ex-presidente Dilma Rousseff, as acusações que Marcelo Odebrecht fez a ela e ao seu governo foram motivadas por vingança e por ele ter sido coagido a assinar um acordo de delação premiada na operação “lava jato”. Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, Dilma diz que nunca teve proximidade com Marcelo Odebrecht e que nunca tratou de doação de campanha com ele. “Esse rapaz jamais ousaria conversar comigo sobre doação.”

Em entrevista a jornal, Dilma disse que Marcelo Odebrecht “sofreu muitos tipos de pressão” e se viu forçado a “falar sobre coisas ilícitas da minha campanha”.
Reprodução

Na entrevista, Dilma afirma que Marcelo “sofreu muitos tipos de pressão” e se viu forçado a “falar sobre coisas ilícitas da minha campanha”. Mas ela também diz que nunca confiou nele e, por isso, sempre se manteve distante.

A ex-presidente conta que a relação azedou em 2007, quando ela era ministra-chefe da Casa Civil e supervisionava grandes projetos de infraestrutura. Especialmente as construções das usinas hidrelétricas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau.

Na época, Dilma recebeu a denúncia de que havia um cartel em formação para inflar o valor do contrato. O combinado era que o lance mínimo seria de R$ 130 o lote. “Isso foi imediatamente resolvido”, disse a ex-presidente. E o lance vencedor, da Odebrecht, foi de R$ 78,87. “Faça as contas e veja a diferença da margem de lucro. Ele nunca deve ter me perdoado.”

Dilma nega qualquer irregularidade em sua campanha em relação à Odebrecht. Ela diz que a empreiteira doou R$ 29 milhões à campanha de 2014, “8% do total que arrecadamos”. Mas Marcelo diz que repassou R$ 150 milhões por meio de caixa dois, numa conta no exterior.

“Para se passar por grande doador, ele fala dessa conta. Em determinado momento de seu depoimento, diz: ‘É uma conta corrente que só eu tinha na cabeça’. Ou seja, era uma conta da subjetividade dele”, responde Dilma. “É uma conversa estapafúrdia, esdrúxula, uma sandice desse rapaz.

APÓS NOVO ATAQUE, ASSOCIAÇÃO QUESTIONA PARCIALIDADE DE GILMAR MENDES

Resultado de imagem para imagens do ministro Gilmar Mendes

Da Redação da Rede Brasil Atual.

São Paulo – Após novo ataque do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, entidades ligadas à Justiça do Trabalho reagiram e, inclusive, questionaram o comprometimento político do magistrado. O Colégio de Presidentes e Corregedores da Justiça do Trabalho (Coleprecor), por exemplo, divulgou nota de repúdio, na qual afirma que a agressão, vinda de outro presidente de tribunal superior, “é leviana, absurda e ilegal”. Ontem, durante palestra a empresários em São José dos Campos, no interior paulista, Mendes disse que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) foi “o laboratório do PT” e que atualmente a principal corte trabalhista é composta “por muitos simpatizantes que foram indicados pela CUT”.

“Há mais de 70 anos, o TST, integrante do Poder Judiciário da União, é um espaço de respeito e defesa dos direitos trabalhistas. Sua história está ligada ao fortalecimento da sociedade brasileira, através da consolidação da democracia, da solidariedade e da valorização do trabalho, primado constitucional no Brasil”, diz o Coleprecor. “Durante todo esse tempo, os ministros têm exercido um papel fundamental na solução dos conflitos trabalhistas de forma rápida, transparente e segura, fazendo cumprir as leis e a Constituição da República.”

A entidade afirma ainda que a declaração fere a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), “que expressamente proíbe a qualquer membro da magistratura manifestar juízo depreciativo sobre órgãos judiciais, além de ferir o Código de ética da Magistratura aprovado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça)”.

“Declarações dessa natureza são nocivas à democracia e em nada servem para melhorar o conturbado clima político-institucional existente no país”, acrescenta o colegiado, em nota assinada por seu presidente, James Magno Araujo Farias.

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho também repudiou as declarações do ministro do STF e presidente do TSE. “Tal como manifestado em ocasião anterior, quando Sua Excelência agrediu a instituição Justiça do Trabalho  e o Tribunal Superior do Trabalho, a Anamatra novamente repudia o discurso de ódio, não só  contra os ministros do TST, mas contra a instituição como um todo, além de lamentar o profundo desconhecimento do ministro acerca da realidade do Judiciário trabalhista no Brasil, o que se revela por manifestações irresponsáveis como as que tem proferido, que estimulam episódios de acirramento de ânimos em vários pontos do país”.

A entidade defende a lisura da escolha dos ministros do tribunal superior e questiona o posicionamento político de Mendes. “As nomeações dos ministros do TST ocorreram na forma prevista na Constituição Federal e, nesse contexto, são absolutamente legítimas, resultado de listas formadas por juízes de carreira ou originárias do quinto constitucional, magistrados com histórico funcional e acadêmico irretocáveis, sem nenhum envolvimento nem compromisso com posições políticas, o que parece não ser certo dizer em relação ao seu crítico constante.”

Na tarde de hoje, o presidente do TST, Ives Gandra Martins Filho, disse em nota lamentar a “forma ofensiva” com que Mendes referiu-se aos integrantes do tribunal. “Em que pese a admiração e o apreço que tenho a sua excelência, não se pode admitir agressões dessa espécie, que extrapolam a salutar divergência de ideias, para atingir injusta e generalizadamente a honorabilidade das pessoas.”

“A PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL DE GILMAR, UM JUIZ ACIMA DA LEI”, TEXTO DO PROBO E ENGAJADO JORNALISTA LUIS NASSIF

Luis Nassif

Gilmar Mendes e Sérgio Moro têm várias coisas em comum. Atropelam os procedimentos e a compostura jurídica, são poupados pela mídia e pelos colegas, e reagem a qualquer crítica abrindo ações contra os críticos.

Trata-se de um atentado grave à democracia. Os abusos de ambos são reconhecidos por todo o meio jurídico. Mas, amparados ou pela mídia ou pelo clamor público, valem-se disso para despertar solidariedade ou intimidar o Judiciário e partir para a perseguição implacável dos críticos, valendo-se de seu poder de Estado.

Acabo de ser alvo da quarta ação de Gilmar.

 

Assim como sua extraordinária influência sobre o Judiciário colocam-no a salvo de qualquer ação, deveria valer também para impedir ações contra terceiros, especialmente contra os críticos. Como um juiz de 1a instância de Brasília – ou um desembargador – se sentirá julgando um processo de um Ministro do Supremo, poderoso e vingativo, com influência junto ao presidente da República, a tribunais superiores, a magistrados que lecionam em seu instituto, à mídia e a políticos em geral?

Gilmar tem um problema pessoal comigo. Deixou claro quando, na própria sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em que não conseguiu bloquear a posse de Dilma, passou cinco minutos me ofendendo com injúrias de toda espécie. Abri um direito de resposta no Blog, avisando que não responderia no mesmo tom porque tinha mais respeito pelo meu blog do que ele pelo TSE.

A partir daí, começou a jogar no seu campo de uma forma pouco valente, porque escudado em seu cargo de Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), dono de um Instituto que emprega juízes e Ministros. E contra um jornalista que não dispõe sequer da retaguarda proporcionada por uma grande empresa.

Pergunto ao meio jurídico e aos colegas jornalistas: quem segura Gilmar? Para não enfrenta-lo, seus colegas do Supremo e do TSE preferem trata-lo como uma curiosidade, uma pessoa desequilibrada que fica aspergindo ofensas a torto e a direito. Tratam seu comportamento como se fosse uma inconveniência a ser ignorada, e não como um comprometimento grave à imagem do Supremo.

Seu comportamento é escandaloso, humilhante para o país, humilhante para os jornais que o preservam, para seus colegas que se intimidam com seus esbirros.

A imprensa o poupa de todas as maneiras. Com exceção de explosões eventuais do Procurador Geral da República (PGR), o único freio a Gilmar tem sido a crítica dos blogs. E sobre eles ele joga o peso do seu cargo e sua influência no Judiciário.

Essas ações de Gilmar custam tempo e recursos de suas vítimas. Mas fazem um estrago maior nos seus pares e na mídia, que aceitam em silêncio resignado a desmoralização que impõe ao Supremo e à Justiça e, por consequência, ao Brasil.

PS – Vou fechar para comentários, porque até comentários são utilizados como argumento na ação proposta por ele.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

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