Arquivo para 18 de abril de 2017

CUT/VOX POPULI: MATEMÁTICA 2018 PARA GOLPISTAS – LULA TEM 45% CONTRA 35% DOS GOLPISTAS EM TRÊS CENÁRIOS. O COMANDANTE GANHA NOS 2 TURNOS, É MOLE? QUER MAIS? ESPERA!

      O instituto CUT/Vox Populi realizou pesquisa entre os dias 6 e e 10, em 118 municípios de todos os estados e Distrito Federal, com 2000 pessoas com mais de 16 anos, e margem de erro de 2 para cima e para baixo. A pesquisa, divulgada hoje, dia 18, mostra uma terrível, pavorosa, realidade para os golpistas de todos os naipes, matizes e facetas: o comandante Lula, apesar de Moro, procuradores, falsos parlamentares, falsos empresários, Rede Globo, Estadão, Folha, IstoÉ, Veja, Época e congêneres, vence as eleições de 2018 para presidente da República nos dois turnos contra qualquer enxerido. O comandante Lula só perde para um candidato: ele mesmo. Coias de louco, meu e minha.

    De saída a pesquisa mostra que Lula tem entre 44% e 45% de intenção de votos contra a somatória de todos os candidatos que chega a 32% e 35%. O que significa que o comandante Lula não consegue enxergar ninguém na frente dele, e muito menos atrás. Coisa de louco, meu e minha!

     Em tempo de listas, vejamos as listas de Lula contra os que não se mancam buscando consideração com o eleitor, mas que o eleitor sacal não concede qualquer pelota.

    – Comandante Lula 44%, subiu de dezembro a abril 7%. Aécio, o Mineirinho-Tarja, 9%, antes tinha 11%.

    – Comandante Lula 45%, antes tinha 38%, subiu 7%. Alckmin, vulgo, ou Opus Dei, 6%, antes tinha 10%.

    – Comandante Lula 45%, folclórico-janota, Dória, 5%. 

    A pesquisa contou com os nomes, também, de Marina, Bolsonaro e Ciro.

   No segundo turno o couro continua:

    – comandante Lula 51%, Mineirinho tarjado, 17%.

   – Comandante Lula 51%, santo Opus Dei, 17%.

   – Comandante Lula 49%, Marina, a evangélica ressentida, 19%.

   – Comandante Lula 53%, folclórico-janota, Dória, 16%.

    Na pesquisa do voto espontâneo, aquela que o pesquisador, ou pesquisadora, pergunta, sem mostrar a tabela, em quem “você votaria”, o comandante Lula dispara: tem 36% os outros de 5% para baixo, é mole ou quer mais? Depende do masoquismo.

      Ainda teve aquela manjada história de perguntar “qual o melhor presidente do Brasil?” para aparecer a manjada resposta: Lula com 50%. Também teve a questão da admiração de Lula, apesar da Lava Jato da turma do Moro: os que lhe admiram passou de 33% para 35%; os que admiram e gostam muito de Lula passou de 33% para 35%. E, como não poderia ser diferente, os que não admiram e não gostam (certamente os analfabetos políticos filiados do golpe) caiu de 37% para 33%. Até o dia da vitória final, em 2018, se eles participarem de um curso de formação política, é possível que mudem. Caso contrário só a psiquiatria materialista.

     Diante dessa democrática realidade, temos que aceitar e lamentar o desespero das direitas e extremas-direitas, já que não podem mudar o futuro que a Deus pertence. Um Deus-Lulista, posto que Deus é democrata. Pelo menos seu Filho, J.C. é socialista!    

     Enquanto a festa já se faz, vamos a Curitiba, no dia 3, quando Lula vai prender Moro. Veja o vídeo.

MORO DESRESPEITA A LEI PARA TENTAR CERCEAR DEFESA DE LULA

O juiz Sérgio Moro ao lado de seus colegas; julgando Lula com imparcialidade        

 Do site Lula.com.br

O juiz de primeira instância Sérgio Moro proferiu nesta segunda-feira  (17) decisão ordenando que Luiz Inácio Lula da Silva esteja presente em todas as audiências em que serão ouvidas testemunhas de defesa em processo em que configura como réu. 

Tal ordem é desprovida de base legal,  conforme explica a nota abaixo,  assinada pelo advogado do ex-presidente. 

“A decisão proferida hoje (17/04) pela 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba nos autos da Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000/PR exigindo a presença de Lula em audiências para ouvir testemunhas de defesa configura mais uma arbitrariedade contra o ex-Presidente, pois subverte o devido processo legal, transformando o direito do acusado (de defesa) em obrigação. Presente o advogado, responsável pela defesa técnica, a presença do acusado nas audiências para a oitiva de testemunhas deve ser uma faculdade e não uma obrigação.

  O juiz Sérgio Moro pretende, claramente, desqualificar a defesa e manter Lula em cidade diversa da qual ele reside para atrapalhar suas atividades políticas, deixando ainda mais evidente o “lawfare”.

A decisão também mostra que Moro adota o direito penal do inimigo em relação a Lula e age como “juiz que não quer perder o jogo”, como foi exposto pelo renomado jurista italiano Luigi Ferrajoli em análise pública realizada no último dia 11/04 no Parlamento de Roma (ww.averdadedelula.com.br).

Essa decisão foi proferida na ação penal em que Lula é -indevidamente- acusado de ter recebido um terreno para a instalação do Instituto Lula e um apartamento, vizinho ao que reside. No entanto, as delações dos executivos da Odebrecht mostraram que o ex-Presidente não recebeu tais imóveis, o que deveria justificar a extinção da ação por meio de sua absolvição sumária.

Cristiano Zanin Martins”

XADREZ DA POLÍTICA APÓS O VENDAVAL, TEXTO DO HONRADO E CORAJOSO LUIS NASSIF

Peça 1 – sobre o essencial e os detalhes

Para colocar um pouco de ordem nessa barafunda.

1.     No epicentro do terremoto relaxe e espere a terra assentar. A realidade nunca é tão ruim quanto parece no olho do furacão.

2.     Toda essa movimentação em torno da lista de Fachin tem dois objetivos claros. O atual, é o desmonte do sistema de seguridade social e outras reformas antissociais; o de 2018 obviamente são as eleições.

O que está em jogo é o desenho de país que se terá, o futuro dos avanços civilizatórios das últimas décadas, o destino de milhões de pessoas hoje em dia amparadas pelo sistema de seguridade social. 

Esse é o ponto central. O restante são os meios, as táticas políticas.

Peça 2 – sobre o jogo político

O segundo cuidado é entender de que lado estão os principais personagens da Lava Jato:

1.     Globo, Procuradoria Geral da República e Lava Jato estão do mesmo lado. Eles são o chicote nos parlamentares para acelerar a reforma da Previdência, a reforma trabalhista, o desmonte da seguridade social. A cenoura é o imenso leilão que ocorre no Congresso. 

2.     Só é aceita a delação cujo conteúdo corresponder plenamente aos desejos do procurador. Se não concordar com as condições impostas , o sujeito continua preso. Se corrigir as delações depois de solto, o sujeito volta para a cadeia.

3.     As delações são a seco, procurador e delator, sem nenhuma espécie de mediação. Os procuradores têm poder absoluto para induzir os delatores e sua intenção maior é colher elementos para reforçar as teses previamente definidas.

4.     Delação sem provas não tem valor penal. Mas, politicamente, ajuda a construir a narrativa necessária para insuflar a opinião pública.

5.     A qualificação de crime de peculato (aquele praticado por funcionário público) depende de um benefício atrelado a uma contrapartida.

Entendidos esses pontos, vamos ao jogo.

Peça 3 – Lula, Aécio, Serra e Alckmin

O que havia entre Lula e Emílio Odebrecht era uma relação de estreita confiança política e pessoal baseada em um projeto: as empreiteiras seriam a ponta de lança do soft power brasileiro na África e América Latina.

Dentro dessa estratégia, criaram-se inúmeros mecanismos de apoio, ferramentas de políticas públicas utilizadas por qualquer país em estímulo à expansão externa de suas empresas, como financiamento à exportação e ofensiva diplomática.

Aí se entra na zona cinzenta. A partir dessa parceria, o PT passou a ter acesso a um butim no qual já se refastelavam o PSDB e o PMDB. Com a explosão da economia, o butim ficou imenso para todos os comensais.

A prova do pudim, para separar propinas de financiamento eleitoral, é a relação causal: se a cada contribuição correspondia uma contrapartida ou não. Na Petrobras, a relação era nítida. Fora da Petrobras, não.

Nos três casos tucanos – José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves -, por exemplo, há a acusação de pagamento de propinas: o dinheiro correspondia a um percentual das obras em andamento. No caso de Serra, uma propina adicional pelo pagamento à Odebrecht de um dinheiro bloqueado na justiça.

Mais ainda: as delações da Odebrecht confirmam o que já adiantamos aqui do que seria a delação de Léo Pinheiro, da OAS. Na gestão Alckmin, o percentual era de 5% sobre as grandes obras do Estado. Serra entrou e exigiu uma redução no valor das obras. A empreiteiras descontaram da propina. Imediatamente Serra enviou Paulo Preto para renegociar os percentuais de propina.

Constata-se, portanto, que, na cobrança de propinas, a maior garganta era de Alckmin.

Por outro lado, por enquanto ainda não se sabe se o dinheiro recebido por Alckmin foi utilizado para enriquecimento pessoal. Depende do rastreamento dos R$ 10 milhões entregues ao seu cunhado. No caso de Aécio e Serra, há indícios veementes de enriquecimento pessoal. Se abrir as contas dos fundos de Verônica Serra, se levantará o principal mecanismo de lavagem de dinheiro de Serra para atividades pessoais.

No caso de Lula, a intimidade brasileira –descrita nas obras de Sérgio Buarque de Holanda – foi utilizada para pequenos favores solicitados à Odebrecht: a ajuda ao irmão, o apoio ao filho, a reforma do sítio que seria usado por ele.

É evidente que a constatação de favores não engrandece a biografia de Lula. Servirá para um estudo acurado sobre os contrastes entre o maior estadista contemporâneo e os pequenos vícios do cidadão Lula. Mesmo assim, estão a léguas de distância do que se entende por corrupção.

As quantias destinadas ao Instituto Lula tinham objetivo claro. Fora da presidência, Lula mantinha largo prestígio no mundo todo, e em especial na América Latina e África. Qualquer empresa do mundo gostaria de tê-lo como embaixador para esses mercados.

Ora, havia um jogo de interesse comercial nítido e legítimo para quem não dispunha mais de cargos públicos: a Odebrecht apoiava Lula e se beneficiava de seu capital político internacional.

Obviamente, essa narrativa não atendia aos interesses da Lava Jato. Os procuradores trataram, então, de induzir as delações, para estabelecer nexos causais entre decisões de políticas públicas com as contribuições recebidas.

Nas transcrições, fica nítido o prego sobre vinil, a identificação dos cacos incluídos nas delações: Emilio Odebrecht teria concordado em apoiar o filho de Lula, se este ajudasse a quebrar as resistências de Dilma em relação ao próprio filho de Emílio. Ou então, a suposta compra do terreno, que não houve, seria em troca do Refis para o setor petroquímico.

A disparidade de valores é tão grande que soa ridículo. Mas como estabelecer o nexo causal é pré-condição para a delação ser aceita, mesmo sem provas, a maior corrupção do planeta fica reduzida, assim, a miçangas e paetês.

Por exemplo, uma das delações acusa Guido Mantega de ter intercedido junto à Previ, para a capitalização de uma das empresas da Odebrecht, mediante o pagamento de determinado valor ao PT. Na sequência, o mesmo delator diz que não houve, da parte de Guido Mantega, “um pedido de contrapartida especifica em razão do esforço que nos deu junto à Previ, mas a demanda financeira dele já estava atendida pelos valores até então pactuados e controlados por mim na planilha Pós-Itália”. Tudo isso na mesma delação.

Mas, durante dias, deixou a direita indignada e a esquerda perplexa, trocando tiros entre si, com total falta de foco.

Peça 4 – sobre Dilma

Em relação a Dilma, é pior ainda. À medida em que vão se juntando as peças, fica claro que o PMDB começou a armar sua conspiração quando Dilma incumbiu Graça Foster de limpar a Petrobras e quando impediu qualquer acordo com Eduardo Cunha.

As delações comprovam que, sob a presidência de Marcelo, a Odebrecht  jogava contra Dilma.

Uma das delações confirma pagamento de R$ 6 milhões ao pastor Everaldo, para investir contra Dilma nos embates do primeiro turno. Outra, confirma o pagamento adicional a Aécio, visando derrotar Dilma. Outra, o pagamento a Eduardo Cunha, visando dobrar Dilma. Agora, a confissão de Michel Temer, de que Eduardo Cunha só aceitou o pedido de abertura do processo do impeachment por ter seus interesses contrariados.

No entanto, as manchetes são de que Dilma tinha sido avisado sobre a corrupção da Petrobras. Apenas isso, dando a entender que nada fez.

Dilma caiu paradoxalmente por simbolizar tudo o que a Lava Jato pretende como legítimo: o símbolo máximo do político apolítico que não negocia favores com políticos, com o Congresso, com empresas e com o Judiciário, que não disputa poder no Ministério Público Federal nem no Tribunal Superior Eleitoral, e não levanta uma pena em defesa de seu governo.

Quando ajudou na sua derrubada – divulgando os áudios de conversas dela com Lula – a Lava Jato tinha plena consciência da sua inocência e do envolvimento de seus adversários. Mas foi ela quem foi para a guilhotina se transformando, a posteriori, em uma heroína popular, a anti-Joana D´Arc que, para proteger sua virgindade política, lança todo um projeto nacional à fogueira.

Como entender essa hipocrisia da Lava Jato?

Peça 5 – a Lava Jato e o exercício da hipocrisia

Em dezembro de 2010 (https://goo.gl/WSPglZ) e julho de 2013 (https://goo.gl/LJqSNl) abordei os problemas que haveria para a política com o fim da hipocrisia, decorrente do advento das redes sociais.

Hoje em dia, há uma cartelização e massificação ampla do noticiário produzido pela dobradinha PGR-Lava Jato – mídia. O impacto das denúncias nubla temporariamente outros aspectos do jogo. Com o tempo – e a atuação anti-cartelização das redes sociais – a poeira assenta e os fatos vão se tornando progressivamente mais nítidos.

O desenho que emerge dos políticos mencionados pela Odebrecht é de uma organização criminosa, na qual os principais cabeças – Eduardo Cunha e Michel Temer – atuavam na linha de frente, participando pessoalmente das reuniões em que eram negociadas as propinas.

De outro lado, um segundo grupo que chantageia os chantagistas: se quiserem permanecer no comando do país, terão que entregar as reformas. No caso, as reformas mais antissociais da história, que praticamente acabarão com todo o sistema de seguridade social, condenando idosos pobres à morte antecipada, eliminando a saúde e a educação para os mais vulneráveis, sendo implementada por uma organização política tendo atrás de si o trabuco dos cidadãos de bem.

Há duas armas nas costas dos chantagistas: a imprensa e o Ministério Público Federal.

No impeachment da Dilma Rousseff a hipocrisia tinha um alvo: uma suposta organização criminosa sendo derrotada pelo clamor das ruas e pela aliança de brasileiros íntegros: Aécio, Serra, Aloysio, Alckmin. Para tanto, bastou a Lava Jato e a PGR esconder as evidências contra os “íntegros”.

Agora entra-se em outro terreno. O revólver da mídia e as balas do MPF estão apontados para que os chantagistas entreguem o combinado: antecipar a sobrevivência de idosos pobres, jogar ao mar os vulneráveis, tirando acesso a condições mínimas de sobrevivência, restringir a saúde e a educação para os brasileiros de baixa renda. E, por consequência, expor toda uma nova geração ao crime organizado que, sem investimentos em segurança, conseguirá seu intento de transformar o país em um imenso México.

Até quando o álibi dos justiceiros resistirá a esse segundo tempo?

Peça 6 – o pacto hipócrita

Há uma regra política infalível: excesso de poder leva à corrupção. Ou à antessala, que é a promiscuidade com outros poderes.

Dia desses, a Folha noticiou um suposto acordo entre o PGR Janot e Michel Temer. Segundo as notícias, Janot teria se apresentado para o terceiro mandato – ou para o fim da lista tríplice, desde que fosse indicado alguém do seu grupo para sucedê-lo – valendo-se do álibi Lava Jato. Ele seria a garantia de continuidade da operação. Como não é um argumento que sensibilize particularmente Temer, a grande indagação é o que teria sido oferecido por ele, em troca.

Não se sabe o grau de veracidade da notícia. O que causa estranheza é que imediatamente se pronunciou a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Apesar de ser uma entidade de classe, bancada pelas contribuições dos associados, a ANPR foi incapaz de arrancar um desmentido sequer de Janot. Soltou uma nota que é muito mais uma cobrança prévia do que uma defesa (https://goo.gl/xGjJAQ):

“Rodrigo Janot – que outrora presidiu a ANPR – não encerraria sua indelével trajetória no Ministério Público Federal construindo um sucessor em conchavos palacianos. Estes criariam uma crise institucional e uma desconexão entre o PGR e os procuradores – qual ele conheceu na sua juventude ao ingressar no MPF antes da redemocratização do Brasil e a definitiva autonomia do Ministério Público”.

Por outro lado, assim que Temer assumiu a presidência, a ANPR foi a primeira organização a ir ao beija-mão. E, quando da nomeação escandalosa de Alexandre de Moraes para o STF (Supremo Tribunal Federal), a ANPR emitiu uma nota de apoio igualmente escandalosa (https://goo.gl/m5n8nP).

“Jurista de notável saber jurídico, com passagem de mais de uma década pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes intermediou discussões importantes para o país à frente do Ministério da Justiça”.

O Ministério Público Federal é composto por um grupo heterogêneo de procuradores, dentre aqueles de inegável vocação pública e profissionalismo, aos que se encantam com o exercício leviano do poder. Ouso dizer que a maioria é firmemente comprometida com o trabalho e o profissionalismo.

Na cúpula, no entanto, há o mesmo movimento que se observa nos partidos políticos, no Judiciário, um jogo de poder hipócrita, disfarçado nas bandeiras da anticorrupção.

Seria interessante saber como esse fenômeno é analisado pelas lentes do nosso brasilianista de boutique, Ministro Luís Roberto Barroso.

Peça 7 – 2018

Assim que refluir a ofensiva atual, a disputa política se voltará para os fatos concretos da política: a disputa de projetos nacionais em 2018.

Portanto, é hora de arregaçar as mangas e trazer para o centro do jogo os intelectuais, os gestores públicos, as associações empresariais e os movimentos sociais, sindicatos e academia. É hora de começar a discutir o novo Brasil, depois do vendaval.

ODEBRECHT É O OUTRO NOME DO ESTADO MÍNIMO, EDITORIAL DE SAUL LEBLON, NA CARTA MAIOR

Marcos Bezerra/Futura Press

Marcelo Odebrecht é um capitalista para ninguém botar defeito.
 
Herdeiro da empresa fundada pelo avô e expandida pelo pai, uma das maiores construtoras do país e do mundo, logo entendeu que era inexorável servir à lógica da acumulação intrínseca ao sistema do qual é senhor, ‘mas também escravo’, como já disse um alemão especializado no assunto no século XIX.
 
O roteiro dessa dinâmica persegue objetivos sabidos.
 
Otimizar os fatores pela ampliação da escala.
 
Explorar oportunidades convergentes.
 
Devorar o concorrente para não ser devorado por ele –canibalismo hoje expandido à escala global.
 
Elevar as taxas de retorno ao paradigma rentista que se libertou da etapa produtiva da acumulação.
 
E, claro, exercer a ganância na exploração da fonte fundamental da riqueza. Aquela para a qual o capitalismo nunca cessa de aperfeiçoar as formas de extrair o suor e aquilo que o acompanha: o lastro real de valor das coisas.
 
O impulso inexorável à expansão conduziu e foi conduzido pelo herdeiro da Odebrecht num período favorável de alta do ciclo econômico no Brasil, com gigantesca carteira de obras públicas.
 
A holding Odebrecht, sob sua batuta desde 2006 e, oficialmente, a partir de 2009, estendeu o alcance do núcleo original da engenharia de construção para 15 eixos de negócios, com ramificações nos EUA, Europa, Oriente, América Latina e África.
 
Não é uma singularidade pantagruélica dos ‘odebrechts’.

Ou uma artimanha urdida nos bastidores do ‘lulopetismo’, como gostaria a frivolidade pedestre das mirians leitões.
 
É a lógica compulsiva do processo  sistêmico de acumulação capitalista.
 
O mesma que traz a Alstom ao Brasil, por exemplo, para disputar com os mesmos métodos e o mesmo arrojo, as ‘quase-licitações’ das obras do metrô de São Paulo  –e vencê-las da forma sabida, ao preço agora escancarado.
 
Oito anos depois de assumir a frente dos negócios da família, Marcelo tinha sob seu comando 180 mil funcionários; um faturamento de R$ 130 bilhões.
 
A meta do empresário cuja delação escancarou a cooptação de um sistema de representação política do século XIX, pela engrenagem capitalista do século XXI, era atingir R$ 200 bilhões em 2020.
 
Carta Maior chama a atenção para a dinâmica estrutural por trás de um capítulo devastador da história brasileira não para edulcorar a responsabilidade das maiores forças e lideranças progressistas nesse processo ecumênico e suprapartidário.
 
A verdade é que dele participaram, ‘ todas as elites, todos os poderes, inclusive a imprensa, (que dele) tinham ciência(…) há 30 anos (porque tudo) acontecia sob as barbas de todos…’ .
 
O desabafo de Emilio Odebrecht, pai de Marcelo, diante da indignação seletiva do bravo jornalismo brasileiro à delação da família e de seus funcionários resume a hipocrisia dos escandalizados.
 
Não há querubins nem serafins nessa história.
 
Tampouco ela cumprirá integralmente seu papel no esforço do esclarecimento se ficar restrita à narrativa da demonização maniqueísta e moralista, mesmo quando expressa no idioma de esquerda.
 
Carta Maior registra aqui seu esforço, antigo, para escapar às armadilhas das boas intenções movediças.
 
Já a partir da crise do dito ‘mensalão’ Carta Maior sublinharia sistematicamente sua crítica : ‘ (…) às aberrações que a prática (do caixa 2) encerra, a saber: descarna partidos, esfarela programas, subverte a urna e aleija lideranças…’ (trecho do editorial de Carta Maior publicado em 23 de outubro de 2012)
 
Esse contraponto não contradizia o apoio claro a avanços sociais e econômicos inéditos e substantivos que para serem aprofundados necessitavam ser reconhecidos e defendidos com estruturas democráticas compatíveis  –insistiria nossa angustiada crônica dos acontecimentos.
 
Ele levaria a outra ressalva diante de um equívoco de gravidade histórica superlativa.
 
O economicismo no poder.
 
Ele permeou doze anos de governos progressistas, lastreados na desastrosa suposição de que ganhos incrementais de renda das camadas populares promoveriam mecanicamente e consciência política indispensável à autodefesa popular do processo.
 
Foi assim que se terceirizou às gondolas dos supermercados a responsabilidade pelo salto ideológico, político e organizativo capaz de promover a mudança crucial na correlação de forças da sociedade.
 
A negligência mostrou-se fatal.
 
Quando a persistência da desordem global secou o lubrificante das receitas externas que permitiam girar a roda da riqueza sem luta social aberta, sobreveio o golpe.
 
Um vetor da ofensiva, porém, já corroía a solidez das conquistas há mais tempo.
 
Desde o mensalão, em 2006, a mídia cuidava de direcionar ao PT, e personalizar em Lula, o que era uma distorção suprapartidária intrínseca ao sistema político brasileiro.
 
Incansáveis pelotões da indignação seletiva escrita e falada empenhavam-se em convencer a opinião pública de que, no caso do PT, a política transformara-se em degeneração sistêmica. A corrupção metabólica entranhara-se em suas lideranças.
 
 Nas demais siglas relevantes, o desvio  –quando inevitável reconhece-lo– seria pontual.
 
A delação de Marcelo Odebrecht não vem apenas desembaçar a visão de uma sociedade deliberadamente vedada, anos a fio, por um jornalismo e um judiciário vergonhosamente cúmplices desse esbulho.
 
Ela permite, a quem quiser, enxergar melhor o que havia por trás da fuligem.
 
Havia a crise de uma democracia subordinada a um sistema político integralmente cevado na captura do Estado para servir ao capital.
 
O dispositivo midiático conservador optou conscientemente pelo argumento de que a ‘maçã podre’ era o lulopetismo: um consenso jornalístico dispensável de provas que o judiciário endossou.
 
Não se economizou paiol nessa fuzilaria.
 
Em 2012, no auge do jornalismo isento, apenas nas quatro semanas terminadas em 13 de agosto, como informou então Marcos Coimbra, da Vox Populi, 65 mil textos foram publicados na imprensa sobre o ‘mensalão’.
 
Todos repisavam o esbulho que circunscrevia o geral no particular. 
 
No Jornal Nacional da Globo, no mesmo período, para cada 10 segundos de cobertura neutra houve cerca de 1,5 mil segundo negativos, batendo na mesma tecla da demonização do PT.
 
Nos anos mais recentes, coube ao juiz Sergio Moro lapidar a avalanche.
 
E corroborar a farsa rudimentarmente sagrada no patético power point  de um figurante do enredo já a meio caminho do messianismo.
 
A pedra angular do processo, assim, permaneceu oculta.
 
Mesmo após Marcelo Odebrecht ter nivelado o que durante décadas se pretendeu distinguir –carecas, mineirinhos, santos, príncipes da sociologia, a cúpula do golpe, o baile todo, enfim – a sociedade continua a ser entorpecida pelas lentes da simplificação.
 
Essa que reduz o jogo pesado no qual se movem as forças monumentais do capitalismo a um duelo romântico entre anjos e demônios, entre ‘liberais’ e ‘aparelhistas’.
 
Agora que a porta foi arrombada não basta que guardiões da fé nesse dogma ofereçam algumas carcaças mortas às labaredas do inferno para dar consistência à fabula maniqueísta.
 
É preciso ir além de chutar cachorro morto.
 
Para tirar o país do socavão em que se encontra  –emparedado entre o esgotamento de um ciclo de desenvolvimento e a indisponibilidade de canais democráticos para repactuar o seguinte–  será necessário institucionalizar novas práticas que sustentem um degrau superior  de participação popular na ordenação do passo seguinte de nossa história.
 
Somente assim será possível subordinar a dinâmica que fez a Odebrecht ser o colosso que é.
 
E concentrar o poder que tem.
 
Nada muito diferente, repita-se, das dimensões e intrusões cometidas pelos executivos da Siemens, Alstom e assemelhados no metrô de São Paulo.
 
Ou do que fazem bancos e endinheirados nativos, parte deles flagrada em escândalos de sonegação que ungiu a plutocracia brasileira ao topo do ranking mundial de lavagens e golpes fiscais…
 
Se enxergasse esse horizonte a sua frente –ele não enxerga– o meritíssimo de Curitiba perceberia que a sua lógica jurídica conduz ao mapa de Borges: aquele que se amplia a exaustão, até adquirir finalmente a escala da realidade.
 
A escala capitalista do século XXI é a das grandes corporações e a da voragem financeira que se expande no terreno cedido pela democracia e no recuo imposto pela agenda do Estado mínimo desde os anos 70, urbi et orbi.
 
Estudos do economista francês, François Morin, indicam que um núcleo formado por 28 megabancos globais funciona como uma espécie de fígado do aparelho circulatório do capital  na atualidade: todo o sistema passa por eles de alguma forma.
 
Visto desse mirante o Estado é o anão capturado pelos paquidermes da concentração de capital e das megacorporações privadas.
 
Esse é o reino das Odebrechts.
 
Nele, a crise fiscal reflete o endividamento de um Tesouro tangido a emprestar de quem deveria taxar.
 
E a hipertrofia corporativa é a contraface de um Estado atrofiado em sua capacidade de ouvir a população, planejar o desenvolvimento, empreender e coordenar as respostas às demandas da sociedade.
 
Essa constatação não endossa a tese da corrupção como fatalidade.
 
Mas tampouco reconhece na agenda dos depuradores do capitalismo uma resposta à altura da encruzilhada vivida pelo país.
 
Dotados não raro de indisfarçável escovão ideológico, como no caso da Lava Jato, os  depuradores  frequentemente pavimentam um paradoxo.
 
Fortalecem interesses que convalidam o que se afirma combater. Ou seja, a rapinagem do interesse público pela sucção dos apetites unilaterais
 
O que está em jogo, portanto, é algo mais que uma ópera bufa de salvadores da pátria.
 
É uma tragédia que a encruzilhada do desenvolvimento brasileiro nesse momento seja escrutinada por critérios tão bisonhos, incensados por uma mídia de singular mediocridade, empenhada acima de tudo em agilizar o abate daquele que desde 2002 estorva suas preferências na savana eleitoral.
 
A suposição de que existe um mercado puro –como o Deus com o qual o procurador de Curitiba se comunica–   enfrenta colisões apreciáveis com a realidade do capitalismo em nosso tempo.
 
É isso, sobretudo isso, o que a trajetória da Odebrecht e a delação de Marcelo e Emilio escancaram.
 
 Vivemos um tempo em que a supremacia dos oligopólios e a deriva da democracia e do desenvolvimento não são realidades antagônicas.
 
Antes, são complementares.
 
O conjunto exprime uma racionalidade impossível de se combater sem uma intervenção política que credencie o Estado e a democracia para subordinarem o mercado à finalidade social do desenvolvimento.
 
Esse é o drama do povo brasileiro, turvado em sua visão política pela indigência ética e intelectual de um jornalismo que deforma aquilo que a sirene da história informa.
 
A delação da Odebrecht evidencia o quão profunda pode ser a ingerência privada na esfera pública, quando esta jaz imobilizada por um torniquete composto de Estado fraco (‘mínimo’), sistema político apartado da vigilância cidadã, insuficiência fiscal e crispação da ganância privada, expressa na fusão entre partidos e mercado.
 
O conjunto culminou no caso brasileiro na excrescência de um congresso argentário, em assembleia permanente contra o povo.
 
Nessas condições verifica-se que são as corporações que planejam a sociedade.
 
Aos ingênuos, ou espertos, que embarcam o ‘gigantismo estatal’ na lista dos demônios a serem calcinados na fornalha de Curitiba, cabe esclarecer: a tragédia atual reside justamente em um ‘intervencionismo’ às avessas.
 
Esse em que o oligopólio subordina a sociedade, suas lideranças, seus partidos, seus direito e seu projeto de futuro.
 
A matriz local dessa engrenagem pegou carona na Lava Jato na tentativa de retornar ao poder e terminar o serviço iniciado nos anos 90, quando a agenda neoliberal chegou ao Planalto.
 
A saber: comprimir ganhos reais de salário, esfacelar o pleno emprego, implodir a Carta de 1988, transformar direitos sociais em serviços pagos, revogar a legislação trabalhista de Vargas, espremer o poder de barganha sindical e, o mais importante, retomar as grandes privatizações do patrimônio público brasileiro  –o Banco do Brasil, o BNDES, a Caixa Federal, a Previdência Social, o SUS e a joia da coroa deste e de todos os tempos, o pré-sal.
 
Aquilo que já foi feito está presente no DNA da corrupção que agora se combate para promover um upgrade nas suas causas.
 
Ou seja, erigir um Estado ainda mais fraco, diante de um mercado desregulado ainda mais forte, com governantes, partidos, lideranças e urnas adicionalmente reféns de seus interesses.
 
Não é uma jabuticaba brasileira.
 
Trata-se do metabolismo constitutivo do capitalismo em nosso tempo.
 
Razões sistêmicas, associadas às derrotas e recuos da esquerda mundial, reforçaram esse movimento de expansão e concentração do capital desde os anos 70, coagulado em um poder financeiro desterritorializado, graças à liberalização imposta às contas de capitais, e em grandes ‘odebrechts’ regionais e globais.
 
É preciso adicionar história às tensões desse momento político extremado, se não quisermos errar de novo a porta de saída.
 
O fato é que, ademais de configurar uma etapa superior de dominação, essas megaempresas e oligopólios atendem também às necessidades estruturais da sociedade em nosso tempo.
 
A formação de grandes corporações operacionais e respectivos fundos financeiros é um requisito  à escala das obras e dos custos impostos pelo agigantamento dos projetos de infraestrutura, dos planos de universalização de serviços e, cada vez mais, das  exigências de enfrentamento dos desequilíbrios climáticos (gigantescos planos de reciclagem energética, prevenção de desastres climáticos etc).
 
Essa agregação de capacidade empreendedora e financeira tem que ser feita por alguém.
 
Que ela ocorra por meio de processos dilapidadores ou se dê subordinada ao planejamento democrático, eis a disjuntiva crucial da luta pelo desenvolvimento no século XXI.
 
É em torno dela também que se dilacera a sociedade brasileira nesse momento.
 
Não se trata, porém, de uma quimera.
 
A experiência das sucessivas rupturas capitalistas desde 1929  evidencia  a necessidade incontornável de um poder de coordenação capaz de colocar essas forças úteis à sociedade, de fato a seu serviço.
 
A delação da Odebrecht, a amplitude de suas intervenções, a expertise e a escala de suas ramificações reafirma esse desafio.
 
Sua capacidade empreendedora e a de outras empreiteiras –sem falar a das estruturas estatais, como a da Petrobras e BNDES— só escapa à indigência política e intelectual dos liquidacionistas da nação embarcados na Lava Jato.
 
 Todo o desafio brasileiro hoje gira em torno de um nó górdio: quem vai destravar o passo seguinte do desenvolvimento?
 
A mitologia faxineira assegura que a purga atual fará emergir um mercado mais livre e saneado, capaz de equacionar os desafios do crescimento e da cidadania à margem do Estado,
 
Não há precedente histórico de um ciclo de prosperidade e soberania nacional dissociado dos grandes pactos que aglutinam recursos, ferramentas e estruturas dotadas de força e consentimento para deflagrar o impulso inicial e garantir sua sustentação no tempo.
 
 O verdadeiro antídoto à captura do interesse público pelo privado nesses processos não está em negar sua necessidade ou o papel do Estado como amalgamador do conjunto.
 
Menos ainda em demonizar seus personagens de carne e osso. Com as virtudes e defeitos da carne e do osso.
 
 O repto da virtude –da sociedade, de seus cidadãos e governantes– depende da construção de instituições virtuosas.
 
Essas que nos faltam para, entre outras coisas, devolver ao povo brasileiro o comando do seu destino e o destino do seu desenvolvimento, capacitando-o a escrutinar suas escolhas com um salto nos mecanismos de participação e consulta popular  
 
O pleito de 2018 só não será a antessala de uma terrível frustração se do embate político emergir uma rua assim  mais organizada, capaz de protagonizar o passo seguinte do nosso desenvolvimento. E nele ocupar o espaço hoje açambarcado pela cepa das odebrechts.

ENTREVISTA: JOANNA MARANHÃO FALA SOBRE CARREIRA, ATIVISMO E CORRUPÇÃO NO ESPORTE, MATÉRIA DE GABRIEL VALERY, DA REDE BRASIL ATUAL

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São Paulo – “Sempre falei abertamente que eles eram corruptos e todos me chamavam de louca, cricri, causadora de problemas e que ficava procurando desculpa para o fracasso”, afirma a nadadora Joanna Maranhão, em entrevista à RBA, sobre os recentes casos de corrupção na Confederação Brasileira de Despostos Aquáticos (CBDA), que culminou com a prisão do presidente do órgão, Coaracy Nunes. “Sou retaliada pela CBDA há anos”, desabafa Joanna, que diz não ter recebido, durante a preparação para as Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016), seu salário corretamente.

Deflagrada no início do mês, a Operação Águas Claras, realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, investiga o destino de 40 milhões de reais repassados à CBDA, que não chegaram a ser aplicados nas piscinas. Nunes esteve à frente da confederação desde 1988. “Eles foram presos, desviaram este dinheiro apenas no último ciclo olímpico”, explica Joanna. A nadadora, com frequência, tece críticas que vão além do universo esportivo, ao alcançar também a seara política.

“Nós (esportistas) não somos uma comunidade, o esporte de alto rendimento não carrega praticamente nenhum dos valores idôneos que as pessoas gostam de repetir, e é por todos os lados: atletas, técnicos, clubes, federações, confederações, comitê olímpico, Ministério dos Esportes… então, o meu papel não é somente nadar. O dia tem 24 horas e eu posso cumprir minhas obrigações e combater essa crise moral do desporto brasileiro. É isso que venho fazendo”, afirma.

A recifense de 29 anos representou a natação brasileira nos últimos quatro Jogos Olímpicos, única atleta do país a alcançar tal feito. “E se duvidarem tento uma quinta”, diz, referindo-se às Olimpíadas de Tóquio (2020). Joanna reuniu, em 2016, todos os recordes sul-americanos em provas mistas do esporte.

Sua disposição para o debate político já resultou em críticas, incluindo mensagens de ódio em redes sociais, em diferentes situações, como em 2015, nas vésperas dos Jogos Pan-Americanos do Canadá. “Vou defender o meu país, mas não vou estar representando essas pessoas que batem palmas para Marco Feliciano (PSC-SP), Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”, atacou na ocasião, mirando parlamentares conservadores que, com frequência, promovem discursos racistas, sexistas e homofóbicos.

“A internet revelou o que a gente vem repetindo: ‘que a cadela do fascismo está sempre no cio, e ela deu cria’”, continua. Visando ampliar seu ativismo social, Joanna se filiou ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), em fevereiro. O presidente da legenda, Luiz Araújo, comemorou o ato da nadadora: “É uma demonstração de que está surgindo um novo polo de reaglutinação da esquerda no Brasil. E isso não apenas dos velhos militantes, mas também das novas lideranças”.

Questionada sobre a possibilidade de pleitear algum cargo público no futuro, Joanna afirma que “não foi essa a razão” de sua filiação. “Mas sei lá, em 2014 falei que ia parar de nadar para nunca mais voltar, e dois anos depois estava nadando os Jogos Olímpicos pela quarta vez e fazendo os melhores tempos da minha vida. Sigo meu coração, vou aonde puder ser útil”, completa.

Qual foi o seu caminho até o esporte? Até a profissionalização?

Comecei aos três anos, por questões de saúde e pelo medo da minha mãe de afogamento. Nunca tivemos atletas na família, então fomos descobrindo como é esse caminho aos poucos. Acho que sempre fui atleta de alto rendimento, sabe? Sempre levei mais a sério do que meus coleguinhas de treino, a rotina, de um modo geral, nunca foi um grande sacrifício pra mim.

Quais os principais momentos da sua carreira como nadadora?

As finais olímpicas, conquistas de índices olímpicos nas seletivas, as oito medalhas em Jogos Pan Americanos e principalmente, o momento que melhorei minha marca dos 400 metros medley após 11 anos.

Um momento difícil neste caminho?

Enfrentar a história da minha infância (quando foi vítima de abuso sexual) e combater a depressão enquanto atleta.

Como surgiu o seu interesse, disposição, por política?

Desde sempre, minha família, apesar de ser de classe média e branca, teve um olhar crítico pros privilégios da gente. Meu irmão Luiz foi meu mentor, me indicava livros e leituras.

A recente filiação ao Psol representa uma vontade de disputar algum cargo público?

Não foi por essa razão, eu me identifico com as pautas do partido, conheci pessoas incríveis que têm me ensinado muito. Todo mundo repete isso: “quando você vai se candidatar?”. Mas sei lá, em 2014 falei que ia parar de nadar pra nunca mais voltar, e dois anos depois estava nadando os Jogos Olímpicos pela quarta vez e fazendo os melhores tempos da minha vida. Sigo meu coração, vou aonde puder ser útil.

Acha que existe uma alienação ou falta de envolvimento da comunidade esportiva em causas coletivas?

É só o que existe. Não somos uma comunidade, somos um grupo de nadadores cuidando cada um de sua carreira.

Quais os principais legados da Copa e das Olimpíadas?

Que não sabemos gerir um grande evento esportivo, não tivemos nenhum olhar para a base e os responsáveis superfaturaram obras e lavaram muito dinheiro.

Quando o Luciano Huck disse que estava na hora de a geração ‘dele’ tomar o poder, você rebateu dizendo que esta já é a realidade. O que a sua geração pode fazer para mudar esse triste cenário?

Reflexão interna, quem não olha pra dentro de si e se propõe a combater as pequenas corrupções entranhadas dentro da gente não vai mudar absolutamente nada.

A internet e o acirramento das opiniões revelaram que país em sua opinião? 

Revelou o que a gente vem repetindo: “que a cadela do fascismo tá sempre no cio, e ela deu cria”.

Assim como as redes se tornaram um dos poucos instrumentos de contestação da narrativa hegemônica, a direita e o conservadorismo também estão lá, como você disse outrora, sustentando a lógica racista, homofóbica, misógina impregnada em nossa sociedade. Como enfrentar essa lógica se todos os espaços parecem ocupados por ela?

Nosso maior desafio é respirar fundo e encontrar uma maneira de dialogar com essas pessoas, a grande maioria repete o mesmo discurso, não problematiza, não relativiza nada. Agora, como fazer isso? Quem está disposto a fazer isso?

O ódio nas redes sociais contra atletas que se posicionam atrapalha seu desempenho? E no meio esportivo, existe algum tipo de bloqueio, perseguição ou preconceito?

Sou retaliada pela CBDA há 11 anos, sempre falei abertamente que eles eram corruptos e todos me chamavam de louca, cricri, causadora de problema e que ficava procurando desculpa para o fracasso. Semana passada, eles foram presos, desviaram mais de 40 milhões só no último ciclo olímpico. É como eu disse lá atrás, nós não somos uma comunidade, o esporte de alto rendimento não carrega praticamente nenhum desses valores idôneos que as pessoas gostam de repetir, e é por todos os lados: atletas, técnicos, Clubes, Federações. Confederações, Comitê olímpico, Ministério dos Esportes… Então, o meu papel não é somente nadar. O dia tem 24 horas, posso cumprir minhas obrigações e combater essa crise moral do desporto brasileiro, e é isso que venho fazendo.

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USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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