Arquivo para 20 de abril de 2017

EM MEIO A ACORDO DE DELAÇÃO, LÉO PINHEIRO SE INCRIMINA E ACUSA LULA DE SER DONO DE TRIPLEX

Do site Lula.com.br

O ex-presidente do grupo OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, depôs nesta quinta-feira (21) ao juiz Sérgio Moro, no âmbito do processo que apura a propriedade de um apartamento tríplex no Guarujá e o armazenamento de bens do acervo presidencial de interesse público e pertencentes a Luiz Inácio Lula da Silva.

O conteúdo do depoimento, segundo a imprensa, é parte de uma negociação entre a Defesa de Léo Pinheiro e o Ministério Público Federal no Paraná (órgão inquiridor que acusa Lula de ser o dono do apartamento), e foi antecipado por uma série de jornais e revistas, entre eles o jornal Valor Econômico, que ditou antecipadamente o que Léo Pinheiro falaria duas horas antes do depoimento acontecer.

O empresário encontra-se preso em Curitiba desde 2014. Ele já foi condenado, em outra ação, a 16 anos e quatro meses de reclusão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O jornal Folha de S. Paulo noticiou, em mais de uma ocasião, que seu acordo para redução de pena e leniência do grupo OAS só seria aceito se ele dissesse que o apartamento 164-A do Guarujá era de Lula, e que ele já havia tentado fechar um acordo de delação com os procuradores onde foi incapaz de apontar qualquer ato ilícito de Lula, e que, por causa disso, sempre segundo o jornal, os procuradores se desinteressaram pelo acordo, e Pinheiro seguiu na cadeia.

Tal negociação frustrada teria ocorrido em junho de 2016. De lá para cá, o empresário trocou de advogados e seguiu, conforme já explicou o novo causídico a órgãos de imprensa, tentando fechar sua delação premiada e sair da prisão.

Nesta quinta, na audiência em Curitiba, tanto o juiz Moro quanto o Ministério Público e o advogado de defesa de Léo Pinheiro se recusaram a responder questões sobre a negociação da delação premiada e eventuais benefícios penais que possam estar em discussão.

O juiz Sérgio Moro não viu problema no fato de o depoente estar em negociação com a acusação para benefício judicial. Os advogados de Lula informaram que fizeram um novo pedido de investigação para esse ato na Procuradoria Geral da República. 

Em seu depoimento, o empresário disse que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari indicou seis empreendimentos da Bancoop (cooperativa habitacional pertencente ao Sindicato dos Bancários) para serem assumidos pela OAS, e que eles foram aceitos pela construtora por serem viáveis. Afirmou também que a empresa a princípio não queria fazer empreendimentos fora de grandes centros urbanos, mas que teria aceitado o do Guarujá após João Vaccari ter apontado que lá havia uma cota de uma unidade de propriedade da família do presidente Lula.

Léo disse que acertou com Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) e João Vaccari Neto que o apartamento seria de Lula em 2009, e que tanto o valor do imóvel quanto o valor das reformas no tríplex teriam sido acertados em um “encontro de contas”  de R$ 15 milhões com João Vaccari Neto feito cinco anos depois, no restaurante Bassi, em meados de 2014, misturando o apartamento, obras no tríplex, obras no sítio em Atibaia, e débitos da Bancoop  com valores que a OAS devia ao PT dentro de uma “conta”  com o partido.

Tal conta – de que o empresário não apresentou qualquer prova de sua existência -,  segundo Léo Pinheiro, não guarda nenhuma relação com contratos da Petrobras fechados pela OAS, conforme consta na denúncia dos procuradores da Lava Jato contra Lula, mas que teriam sido feitos em contrapartida a um investimento feito pelo Funcef, o Fundo de Previdência dos Funcionários da Caixa Econômica Federal na OAS Empreendimentos. Depois, disse ter relação com contratos da refinaria RNEST.

Pinheiro alegou que a reforma teria custado acima de R$ 1 milhão, e que conversou sobre esses pagamentos unicamente com João Vaccari, não tendo nem perguntado, nem ouvido do ex-presidente Lula ou de seus familiares sobre pagamentos para o apartamento.

Segundo Léo Pinheiro, ele foi o único que tratou do assunto sobre o tríplex na empresa, assim como o tal “acerto de contas”. Ele disse também que não seria realizada a transferência do imóvel para a família de Lula. O empresário teria conversado sobre esse assunto com Paulo Okamotto e João Vaccari Neto, mas que ninguém teria chegado a solução nenhuma a respeito da titularidade do imóvel.

Segundo Léo Pinheiro, Dona Marisa teria a intenção de passar as festas de fim de ano de 2014 no apartamento, e perguntou quando a obra ficaria pronta. Léo Pinheiro não sabe dizer se o apartamento ou chaves foram entregues para a família do ex-presidente.

Mas os advogados do ex-presidente apresentaram um documento financeiro chamado emissão de debênture, emitida em  2013, que coloca esse apartamento como garantia de financiamento da obra, assinada por Léo Pinheiro, algo só possível de ser feito com o apartamento sendo propriedade da OAS Empreendimentos.

O empresário, então, afirmou que não consultou o ex-presidente antes de emitir o papel. A Defesa de Lula apontou também que o imóvel consta no processo de recuperação judicial da OAS como ativo da empresa, ou seja, continua sendo da OAS. 

Acervo presidencial

Sobre o armazenamento do acervo presidencial, Léo Pinheiro relatou ter se encontrado com Paulo Okamotto, e que a empresa fechou um contrato com a Granero, e que isso não teve nenhuma relação com nenhum recurso de corrupção, nem nenhuma vantagem indevida, nem solicitada qualquer contrapartida. A empresa tinha interesse em manter relações próximas do ex-presidente por saber que ele teria uma atuação internacional.

NOTA SOBRE DEPOIMENTO DE LÉO PINHEIRO NA 13ª VARA FEDERAL DE CURITIBA

Do site lula.com.br

O depoimento de Léo Pinheiro, como a própria imprensa noticiou, foi feito em meio a um processo de negociação de delação premiada, que está sendo realizada com os procuradores desse caso. Também foi exigido dele que incriminasse o ex-presidente, segundo reportagem da Folha de S.Paulo (leia aqui: “Delação de sócio da OAS trava após ele inocentar Lula“). A afirmação do empresário a respeito da pretensa ligação de Luiz Inácio Lula da Silva com um apartamento no Guarujá é desprovida de provas e faz ilações sobre supostos acontecimentos de três anos atrás que jamais ocorreram. Ela foi feita por alguém que busca benefícios penais.

NÃO PODEMOS FAZER O JOGO DO INIMIGO

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Do site Nocaute.

Por Wadih Damous*

Com o nítido objetivo de atingir Lula e o PT, além de criminalizar a atividade política, a Rede Globo noticia a megadelação dos mafiosos da Odebrecht na base da enxurrada, atirando na mesma vala comum casos de enriquecimento ilícito, caixa dois e doação legal.

Nesse vale tudo para deslegitimar a política, a mídia monopolista conta com o apoio decidido de seu sócio na aventura golpista, o sistema de justiça. A propósito, O Dia da Infâmia, 17 de abril, acaba de completar um ano.

Desde que uma assembleia de bandidos comandada por um bandido abriu caminho para a cassação da presidenta Dilma, o Brasil segue sua toada rumo às trevas, com a entrega das nossas riquezas aos estrangeiros e a liquidação de direitos e conquistas trabalhistas, previdenciárias e civilizatórias.

Em pleno estado de exceção, fruto da revogação dos direitos e garantias individuais, e do engolfamento das instituições políticas da República pelo Judiciário e Ministério Público, o estardalhaço em torno da delação dos donos e executivos da Odebrecht está umbilicalmente ligado à aproximação do depoimento de Lula a Moro marcado para 3 de maio.

Para simular isenção, tucanos de alta plumagem são citados em tenebrosas transações e o presidente ilegítimo Temer é acusado de negociar 40 milhões de propina dentro do Palácio. No entanto, esses casos merecem da mídia velhaca apenas uma cobertura lateral, envergonhada e sem nenhum destaque.

Já às acusações contra Lula são destinados 60% do tempo das últimas edições do Jornal Nacional. As ilações contra o ex-presidente ocupam todas as manchetes dos jornalões e revistas semanais. Tudo porque Lula é o inimigo a ser batido. Só ele tem couraça para enfrentar e derrotar as arbitrariedades do sistema de justiça que governa o Brasil bem como qualquer outro candidato que apareça pela frente, como mostram todas as pesquisas.

Enquanto Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin são alvos de graves denúncias de recebimento de milhões no exterior, Lula é massacrado porque o mafioso-mor da Odebrecht, na certa falando o que o juiz Moro quer ouvir, delata a abertura por parte de sua empresa de uma “conta amigo”, a ser movimentada por Lula na medida de suas necessidades, mas que ao fim e ao cabo teria sido operada por prepostos. Acusação mais vaga e inconsistente impossível.

Está em curso a utilização em larga escala de técnicas de publicidade opressiva visando a destruição da imagem do ex-presidente. A ideia é vencer pelo cansaço, levando os eleitores de Lula, simpatizantes e militantes do PT a desconfiarem de que algo há de errado na conduta de Lula e na sua relação “promíscua” com as empreiteiras. A enxurrada seletiva contra Lula cumpre o objetivo de confundir e dar foro de verdade a essas acusações.

É preciso calma nesta hora. A Globo é inimiga do povo brasileiro. E não podemos fazer o jogo do inimigo. Sabemos que Emílio Odebrecht, cujo dedo acusador tem mirado Lula, é um mafioso sem credibilidade. Outra sábia decisão é evitar a todo custo julgamentos de natureza moral.

Lutar pela democracia hoje é lutar para que Lula tenha garantido o direito de ser candidato. Conclamo a militância da esquerda a desligar a Globo News e marchar para Curitiba. O desafio da resistência democrática é impedir que encostem a mão no Lula.

*Wadih Damous – Deputado federal (PT-RJ). Foi presidente da OAB-RJ.

UMA, NOVE OU DEZ PÓS-VERDADES SOBRE A MÍDIA

 

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Do site Nocaute.

Por Gabriel Priolli

A pós-verdade, definitivamente, é o esporte do momento. Os brasileiros gostaram tanto desse novo horizonte do conhecimento humano, em que não há mais limite entre o que é certo e o que é falso, que ele já virou até joguinho de internet.

Na rede social que é acusada de liderar a ofensiva da Pós-Verdade, os usuários divertem-se em contar nove verdades e uma mentira.

Irmanado com os seus concidadãos, neste momento de ápice na evolução de nossa espécie, quando deixamos para trás o peso de milênios de sabedoria para nos lançar desassombradamente no reino do tanto-faz e do pode-ser, este colunista adere à onda.

Oferece a seguir um conjunto de afirmações extraídas dos projetos editoriais, manuais de redação e notas oficiais da grande imprensa brasileira.

1) A epidemia das chamadas “notícias falsas”, alimentada sobretudo pelas redes sociais na internet, está obrigando os jornais e outros veículos tradicionais de mídia em todo o mundo a se mobilizarem para defender o mais precioso valor do jornalismo: a verdade dos fatos.

2) Pratica jornalismo todo veículo cujo propósito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar. O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa faz propaganda.

3) Ao criar uma espécie de universo paralelo de “notícias”, os militantes da mentira e do engano criam a sensação de que é a imprensa tradicional que mente, ao noticiar o oposto do que é divulgado pelas redes sociais.

4) Nenhum veículo do Grupo G fará uso de sensacionalismo, a deformação da realidade de modo a causar escândalo e explorar sentimentos e emoções com o objetivo de atrair uma audiência maior.

5) Carregamos em nosso estatuto o dever de não utilizarmos nossa programação de arte e cultura para fins partidários, limitando esse debate ao núcleo de jornalismo. Para atender aos princípios citados acima, a emissora C levou ao ar programa X com a banda Y e realizou uma edição na música Z. A emissora valoriza a liberdade de expressão.

6) O jornal F compromete-se a manter atitude apartidária, desatrelada de governos, oposições, doutrinas, conglomerados econômicos e grupos de pressão.

7) O Grupo Z trata a administração pública, em qualquer nível, como fornecedora ou cliente, com isenção e transparência e em total observância à legislação, em especial à Lei Anticorrupção.

8) Num país em desenvolvimento como o Brasil, o rádio e a Internet têm um papel fundamental para unir a opinião pública em torno dos grandes temas nacionais, sendo o elo entre a sociedade e os poderes constituídos, com o papel de aglutinar a população em torno dos interesses maiores do país.

9) A credibilidade da rádio J vem da informação responsável e sem distorções, que analisa e esclarece com a atenção voltada exclusivamente ao ouvinte.

10) A editora A está empenhada em contribuir para a difusão de informação, cultura e entretenimento, para o progresso da educação, a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento da livre iniciativa e o fortalecimento das instituições democráticas do país.

O distinto espectador/leitor poderá julgar se estas assertivas configuram verdades, mentiras, pós-verdades ou nenhuma das anteriores.

É ele quem padece o jornalismo brasileiro, dia após dia.

 

PALOCCI AMEÇA ARRASTAR MERCADO FINANCEIRO E EMPRESAS DE COMUNICAÇÃO PARA A LAVA JATO, TEXTO DA ILUSTRE, HONRADA E CORAJOSA CÍNTIA ALVES, PARA O GGN

Jornal GGN – Em depoimento diante do juiz Sergio Moro, nesta quinta (20), o ex-ministro Antonio Palocci negou que tenha recebido pagamento de vantagens indevidas em benefício próprio ou em nome do PT em troca de defender os interesses da Odebrecht nos governos Lula e Dilma. Por outro lado, em jogada com sua defesa, Palocci sinalizou que pode arrastar para a Lava Jato nomes de mercado financeiro e grandes empresas de comunicação que teriam pedido “grande montantes de recursos” no início do primeiro mandato de Lula. Isso para mostrar que não era apenas a Odebrecht que exercícia forte lobby na política.

Na rodada de perguntas feitas por seu advogado, Palocci foi confrontado sobre a existência de uma planilha onde constam valores que a Odebrecht diz que seram “provisões” destinadas ao financiamento de campanhas do PT. A planilha apresenta valores que Marcelo Odebrecht afirmou que foram repassados ao partido em troca de aprovações de dois projetos do interesse do grupo, pelo menos.

Palocci negou que tenha negociado propina com a empresa, mas admitiu que “tomou conhecimento” da história de “provisões da Odebrecht ao PT” ainda no governo Lula. Segundo ele, pouco antes da eleição de 2014, a Odebrecht fez chegar ao ex-presidente a informação de que havia, “além daquilo que havia sido comprometido na campanha [doação oficial], uma provisão em torno de R$ 200 milhões.”

“Lula me preocurou porque essa pessoa lhe falou que eu deveria saber disso. Ele estava surpreso, estranhando, achei ele irritado. Eu também fiquei muito surpreso com ‘previsão’. Eu disse que não sabia de nada. Fui atrás de Marcelo e disse que nunca tratamos com a empresa através de provisões”, disse Palocci.

Segundo o ex-ministro, “nesse momento, Marcelo tentou construir um entendimento comigo de que isso acontece, de que ele havia me falado que eles trabalham dessa maneira na empresa, fazendo provisões.” Palocci afirma que, sentindo-se desconfortável, pediu a Marcelo que esclarecesse a história com Emilio Odebrecht, que teria conhecimento de que a relação da Odebrecht com o PT se dava de maneira institucional. Depois, o petista afirmou que voltou a Lula e disse que resolveu o “mal entendido”.

“Passados dois meses, uma pessoa me procurou, numa conversa estranha, um empresário querendo saber de contribuição de campanha, ambientes eleitorais, como a gente lidava com isso. A pessoa é minha amiga, achei a conversa estranha. Ele foi inconveniente, mas não foi desrespeitoso. Ele percebeu que eu rechacei e ele parou o assunto. Eu só fui entender dois meses depois, quando um banqueiro me procurou e disse que estava ali mandatado por pessoa do governo, e queria dizer que vai cuidar das coisas de financiamento de campanha, provisões, usou a mesma palavra. Queria saber se eu poderia ajudar. Eu queria saber se a presidente Dilma sabia que ele estava ali. Ele disse que não, mas estava ali em nome de uma pessoa do primeiro escalão do governo”, comentou Palocci.

Nesse momento, começa o mistério. “Eu pediria para não declinar nomes nesse momento, mas em sigilo eu falo o que o senhor quiser. É que essa audiência é pública, mas fico à disposição para lhe dizer o que o senhor achar adequado”, disse Palocci. Moro, por outro lado, não demonstrou interesse.

“Essa pessoa me disse que iria cuidar dos recursos [ao PT]. Eu disse tudo bem, mas não sabia como funcionava isso. Ele estranhou, achou que eu iria dar vários dados e informações. Eu disse que não tinha nada a informar. Ai ele entrou no assunto de provisões da Odebrecht, dizendo que se eu falasse, a gente poderia capitalizar esses recursos. Eu disse que ele estava mal informado.”

“Você é uma grande personalidade do meio financeiro, se procurar a Odebrecht, eles vão esclarecer isso com facilidade, não precisa de mim”, disse Palocci.

“Esse assunto deu muita cria, inclusive nos assuntos relacionados à Lava Jato. Só peço licença ao senhor para não declinar nomes, o senhor decide se lhe interessa ou não, e eu me prontifico a lhe falar tudo ou a quem o senhor determinar”, reforçou.

O advogado de Palocci, então, questionou uma declaração anterior, em que o ex-ministro disse que grandes empresas de comunicação também receberam atenção do governo, assim como a Odebrecht. 

“Olhando o cenário de hoje, parece que todos os governos só trabalham em função da Odebrecht. O que eu procurei demonstrar é que o primeiro problema que tive quando sentei na cadeira de ministro da Fazenda foi o setor da construção civil.” 

“O que isso tem a ver com Odebrecht?”, perguntou Moro. Ao que Palocci respondeu: “O governo muitas vezes salva empresas, em situações de emergência, usando o limite da lei.”

Palocci, nesse momento, denotou que o governo Lula recebeu de empresas de comunicação pedidos por “grandes montantes de recursos”.

No final da audiência, quando Moro abriu espaço para Palocci falar o que quisesse, o ex-ministro reiterou a declaração enigmática.

“Fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o senhor quiser. Se o senhor estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o senhor determinar, eu imediatamente apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato.”

E completou: “Acredito que posso dar um caminho, que talvez vá dar um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil.”

ITALIANO

Palocci ainda apresentou a Moro duas provas de que ele não é o “italiano” que aparece em comunicações da Odebrecht. A primeira é uma mensagem em que Marcelo diz que não havia encontrado o italiano na diplomação de Dilma Rousseff. Palocci mostrou fotos suas no evento. O segundo indício é um e-mail de Marcelo Odebrecht para Alexadrino Alencar, onde este último diz: “Falei com Palocci e Palocci me disse que Itália e GM [Guido Mantega] estiveram com a presidente”. Palocci disse que a mensagem demonstra que Itália era uma terceira pessoa.

Confrontado por um e-mail que mostra que Branislav Kontic, seu ex-assessor parlamentar, teria agendado em 2009 uma reunião entre Marcelo e “italiano”, Palocci respondeu que poderia ter sido reunião com qualquer político. Várias vezes, disse, ele pediu a Marcelo para conversar com outras lideranças do PT, e o então assessor fazia a ponte.

Palocci também negou que tenha tratado de pagamentos no exterior com João Santana e Monica Moura, responsáveis pelas últimas campanhas do PT. Ele disse que quando recebia cobranças do casal, entrava em contrato com o tesoureiro do partido – José de Fillippi Jr ou João Vaccari Neto – para que ele resolvesse as questões.

CONTRIBUIÇÃO

“Eu nunca operei contribuições [para campanhas do PT], porque não era meu papel. Eu dizia aos empresários para atenderem os tesoureiros do partido”, disse Palocci. Ele também comentou que, nas poucas vezes em que buscou apoio financeiro para eleições, chegou a tratar desse assunto por telefone e deixava “claro” que queria “coisa com recibo”, ou seja, doação oficial.

 

REFIS DA CRISE

Palocci também falou sobre o chamado Refis da crise. Delatores da Odebrecht dizem que fizeram doações ao PT em contrapartida à aprovação desse projeto.

O ex-ministro explicou o contexto da aprovação do Refis e disse que ele não teve participação no episódio, pois tratava-se de tema do governo, ou seja, de competência de Guido Mantega.

Ele contou que o lobby da Odebrecht começou, na verdade, pela aprovação da Medida Provisória 460, que tratava de revogar um benefício que “foi dado no passado, 10% do IPI de exportações era dado como crédito para empresas. E todas as empresas estabeleceram uma tese jurídica de que isso não poderia ser extinto. Marcelo queria anular a anulação desse imposto.”

“Eu disse a ele [Marcelo Odebrecht] que eu não poderia jamais apoiar a MP porque eu era contra ela e, segundo, porque minha posição era decisiva para o processo. Porque na bancada do PT [na Câmara], em questões econômicas, eu era consultar às vezes em caráter decisivo. E o PT era um dos poucos partidos que se colocavam contra a medida, que envolvia R$ 100 bilhões. Eu disse que se fosse aprovada, eu trabalharia para ela ser vetada.” 

No final, a MP foi “aprovada amplamente no Congresso e eu e Guido Mantega trabalhamos para ser vetado pela presidência”. Semanas depois, o Supremo Tribunal Federal “chamou o processo e decidiu que os valores retidos pelas empresas deveriam ser devolvidos e que esse crédito de exportações não existia mais. E aí no Refis da crise [foi sugerido], se propôs o parcelamento desses pagamentos. Eu não participei diretamente disso. Era coisa de governo.” 

Segundo Palocci, Marcelo mandou e-mails para ele querendo discutir o Refis da crise. “Eu disse para ele que era uma questão muito tecnica, que ele deveria procurar o Ministério da Fazenda.”

O ex-ministro ainda disse que no caso do Refis, “ali não estava se fazendo bondade nenhuma. Só estavam decidindo a forma que as empresas deveriam pagar [pelo fim do crédito do IPI das exportações]. Se não, no fundo, ninguém iria pagar.”

“Há uma grande mudança no estilo e gestão da empresa até 2008, 2009, quando Marcelo Odebrecht assume. Antes, tinha a liderança que se pode ver na pessoa de Emílio Odebrecht uma atitude diferente em relação às suas agendas, a flexibilidade das posições. Isso mudou bastante. Antes tinha uma empresa com percepção de Brasil e mundo, e Marcelo já era um guerrilheiro das causas da empresa.”

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“SE EU VOLTAR, É PARA COLOCAR AS COISAS NOS SEUS EIXOS OUTRA VEZ”, AFIRMOU LULA NA RÁDIO FAN FM, DE ARACAJU

Hoje (20) pela manhã, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu entrevista à rádio Fan FM, de Aracaju (SE). Apesar das dificuldades que o país vem enfrentando, Lula disse que está “muito otimista”. “Sou brasileiro e não desisto nunca”, afirmou. A conversa tratou de diversos assuntos, como as reformas trabalhista, da previdência, a lei da terceirização e o depoimento do ex-presidente em Curitiba no dia 3 de maio. Leia abaixo alguns trechos da entrevista.

Lei da Terceirização
A Lei da Terceirização significa que os trabalhadores perderam direitos. [Os parlamentares] jogaram fora tudo o que o povo conquistou desde o século passado. Foi um crime contra o trabalhador. Ela só interessa aos empresários. Vai ser um retrocesso e haverá precarização do trabalho. Não há melhora para os trabalhadores. O povo brasileiro, quando você fala em reforma, pensa em coisa que é para melhorar. O que eles estão fazendo é uma destruição dos direitos conquistados pelos trabalhadores. Leia abaixo os principais trechos da entrevista. 

Otimismo
Muita coisa precisa mudar. Se eu for candidato em 2018, é para mudar muitas coisas: para que o trabalhador tenha direitos, possa se aposentar. Quero voltar para fazer as coisas para melhorar a vida do povo brasileiro. Se eu voltar em 2018 é para colocar as coisas no eixo outra vez. Estou muito otimista. Sou brasileiro e não desisto nunca. Tenho 71 anos de idade, mas tenho a vontade de brigar de um menino de vinte

Transposição do Rio São Francisco
Só era possível fazer a transposição quem já teve que carregar uma lata de água na cabeça. Levar a água era quase um compromisso de fé meu. É possível transformar o Nordeste numa região rica, desenvolvida. A água é uma necessidade. Quero agradecer ao povo que compreendeu a necessidade de dar um copo de água ao povo nordestino

Reforma da Previdência
A proposta original [que tramita hoje no Congresso] é para que o trabalhador nunca possa se aposentar. Em vez de discutir como aumentar a arrecadação da Previdência, querem tirar direitos dos trabalhadores

Reforma Trabalhista 
Uma lei feita em 1943 pode precisar de aperfeiçoamento. Mas você tem que fazer isso discutindo com os trabalhadores, com os sindicatos. No Brasil, ainda temos a maioria dos sindicatos frágeis e desorganizados. No fundo, o que eles [congressistas] conhecem é o lado empresarial, não o mundo do trabalho. Antes da CLT, a gente vivia quase em regime de escravidão. Não tinha férias, vc trabalhava 14 horas, menores trabalhavam

Combate à pobreza
Quando eu tinha seis anos, tomava farinha com café preto no café da manhã. Hoje, uma mãe pode comprar um pão com manteiga. O Bolsa Família, o aumento de salár e do mínimo, trouxeram cidadania para o povo mais pobre. Eu provei que o pobre era a solução do Brasil.Na medida em que você tem um pouco de dinheiro na mão de muitos, a economia começa a girar. O Bolsa Família é considerado pela ONU o programa de inclusão social mais importante do mundo. Mexer no Bolsa Família será um crime contra as pessoas mais humildes deste país

Governo Lula (2003-2010)
É muito cedo para falar de pesquisa. Se eu for candidato, vou querer lembrar o que aconteceu neste país quando eu fui presidente. Naquele período, pesquisas diziam que o brasileiro era o povo mais feliz e mais otimista do mundo. O Brasil chegou perto de ser a quinta economia do mundo. Não era pouca coisa. É possível resolver o problema da pobreza. Ninguém gosta de ser pobre. As pessoas querem viver dignamente. É possível. Esse governo está destruindo os sonhos do povo brasileiro. Como vamos voltar a construir novos sonhos, esperança para essa gente? Sonho com isso todo dia. Não tem solução a partir de um palácio. É botar o pé na estrada, no barro, e discutir com o povo. Estou muito otimista. Sou brasileiro e não desisto nunca. Tenho 71 anos de idade, mas tenho a vontade de brigar de um menino de vinte

Lava Jato
Se você pegar o jornal da Rede Globo, teve mais de 16 horas negativas contra mim. Só tem notícia contra. O que não dá é a Lava Jato estar subordinada à pirotecnia da imprensa. Vou falar o que eu penso no depoimento do dia 3 [de maio]. Eu não tenho que provar minha inocência. Eles é que tem que provar minha culpa. Estou tranquilo, muito tranquilo. Estou ansioso para o depoimento.

ATÉ INSTITUTO DAS DIREITAS (SEM EUFEMISMO: DO GOLPE), IBOPE MOSTRA QUE O COMANDANTE LIDERA EM DIREÇÃO A 2018: 47%

 Em mais um pesquisa do instituto das direitas (sem eufemismo: dos golpistas), Ibope, o comandante Lula aparece disparado na frente de todos os insensatos. Segundo o instituto Lula tem 47% de preferência dos eleitores. Já os outros… Os outros são simplesmente os outros sem sujeitos. Questão de fenomenologia: sem sujeito não há objetividade. Para o filósofo Sartre, não há Para-si que promove a transcendência do Em-si. O que seria a produção política do sujeito. Tudo que não é apresentado pelos insensatos que teimam em disputar com o comandante Lula.

  Só a título de impotência grotesca.

   Marina, ressentida evangélica: 33%. Serra, Carena & Vizinho: 25%. Joaquim Barbosa: 24%. Alckmin, vulgo Santo, e seu parceiro Aécio-Mineirinho: 22%. Ciro Gomes: 18%. Bolsonaro: 17%. Dória, folclórico-janota: 15%.

   Como se percebe, é festa democrática. Não há como fazer desaparecer o comandante Lula. Todas as forças dos aguilhões (ordem do capitalismo) das direitas, não são capazes de destruir o comandante Lula. O comandante Lula é o que o filósofo fenomenólogo Edmund Husserl afirma da essência (ou do eidos: ideia): irredutível. Nada reduz Lula na subjetividade democracia do povo brasileiro.

     Em função de sua essência irredutível a democracia é uma festa, porque no Brasil seu enunciado, entrelaçado como subjetividade-comunalidade, é Lula.

      É festa democrática

      É tempo de eleição

      Lula é tricampeão!

UM POWER POINT COM PROVA QUE O TRIPLEX NÃO É DE LULA

Do site lula.com.br

Quando apresentou uma coletiva com um famoso Power Point, acusando Lula de ter recebido da OAS um apartamento no Guarujá por 3 contratos na Petrobras, o procurador Roberson Pozzobon disse que não se poderia esperar “provas cabais” de que Lula seria o dono do imóvel.

Pois bem, hoje os advogados de Lula apresentaram a imprensa um Power Point com provas cabais de que o apartamento não é de Lula.

Documentos da recuperação judicial que mostram que o apartamento 164-A, o famoso tríplex, constam na recuperação judicial da OAS como propriedade da empresa, e também em uma ação na justiça de São Paulo onde a OAS reconhece a propriedade do imóvel.

Documentos da presidência da República provam que Lula nunca pernoitou após 2011, quando o prédio não estava pronto, no Guarujá, ou seja, jamais dormiu no tal apartamento. Há provas de que a família de Lula nunca teve a chave do apartamento. E agora também de que ele continua sendo, até hoje, propriedade da OAS.

São provas, não convicções.

Veja o Power Point.

XADREZ DA REAÇÃO DA POLÍTICA E DO INÍCIO DO FIM DO CICLO LAVA JATO, TEXTO DO ILUSTRE E CORAJOSO LUIS NASSIF

Cena 1 – o quadro político atual

Têm-se um presidente, Michel Temer, com 5% de aprovação e com viés de baixa, apresentado a toda Nação como chefe de uma organização corrupta, que há vinte anos chantageia presidentes eleitos. Têm-se, também, o Congresso mais corrupto da história, ambos unidos para enfiar goela abaixo do povo reformas profundamente antissociais.

Além disso, um governo que não tem um plano de voo para recuperar a economia, reeditando práticas da ditadura, de manipulação de índices (https://goo.gl/lZG9Ud) .

Sem a menor sensibilidade política, Temer alardeia não ter popularidades, mas ter o Congresso na mão.

Monte a equação:

Governo corrupto, com 5% de aprovação + Congresso corrupto + reforma da Previdência com 90% de desaprovação + declarações de desprezo pelo eleitor = Xn

Onde

X = nível de agitação popular

n = a gradação dessa agitação

O X1 foi o quebra-quebra da policia civil no recinto da Câmara.

Qual será o X2? Invasão do Congresso pela turba? Cerco ao Supremo? A própria segurança do Planalto aderindo às manifestações?

Como reagirá a opinião pública vendo uma súcia desmontando o Bolsa Família, o Ciência para Todos, o Luz para Todos e, ao mesmo tempo, fazendo negócios ilimitados nos Ministérios e no Congresso?

Esse repúdio a Temer, às reformas e à inação da política econômica está se estendendo para vários setores da sociedade organizada. Hoje, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que deu pleno endosso ao golpe, emitiu uma nota conjunta com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) condenando a maneira como está se dando a reforma da Previdência.


 

Espera-se que estendam seu olhar misericordioso sobre a parcela não organizada da sociedade, os muito vulneráveis amparados pela seguridade social.

Cena 2 – a volta do pêndulo da política

O desgaste irreversível do esquema Temer está promovendo uma mudança no pêndulo da política.

Divulgada ontem, a pesquisa Vox-CUT (https://goo.gl/wUZ9Kr) explica em parte esses movimentos. E também a nova ofensiva da Globo contra Lula.

A pesquisa assustou pelos dados imediatos: Lula venceria no primeiro turno, seja qual for a composição de adversários.

Mas é mais significativa pelas informações adicionais.

Há sinais nítidos de que o movimento atual, em direção a Lula, não se arrefecerá mesmo com a nova onda da Globo. Aumentou para 66% (em dezembro era 58%), o percentual dos entrevistados que acham que Lula cometeu erros, mas fez muito mais coisas boas pelo povo e pelo Brasil. E caiu de 34% para 28% os que acham que ele errou muito mais do que acertou. Entre os eleitores radicalmente anti-petistas, Lula consegue 8% de aprovação, mais do que qualquer candidato individualmente, embora seja natural a dispersão entre os diversos candidatos da direita.

Volta-se de modo irreversível, segundo avaliação de Marcos Coimbra, do Vox Populi, ao velho leito do rio: um terço do eleitorado de esquerda, um terço anti-PT e um terço no centro. E há sinais nítidos de que os centristas caminham em direção a Lula. Tudo isso pela absoluta falta de legitimidade e de projetos do esquema Temer e do grupo de tecnocratas que assumiu a área econômica.

O que se pretende sem um projeto político minimamente viável? Tirar pela segunda vez o direito ao voto nas eleições de 2018, com a inabilitação de Lula? Ou começar a se pensar em um pacto que envolva um cenário de respeito às eleições?

Cena 3 – o retorno para o centro

Há sinais de que a elite empresarial paulista começa, finalmente, a se dar conta dos riscos embutidos nessa demonização da política e no desmonte social.

Ontem, o mais influente – e discreto – dos líderes empresariais, Roberto Setúbal, no seu discurso de despedida da presidência do banco Itaú, falou sobre a importância de se reabilitar a função política e as diferenças fundamentais entre o gestor e o político (https://goo.gl/N0yoPB) . “Política é para políticos. Não dá para imaginar que um gestor competente vai solucionar os problemas do Brasil”, disse ele.

Há outros sinais no ar.

Associações empresariais influentes, como a ABDIB (Associação Brasileira da Indústria de Base) e a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas) já se deram conta da destruição imposta ao país. Institutos influentes, como o IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) voltaram ao leito da indústria, depois da gestão desastrosa de Pedro Passos. E em breve se tornará mais explícita a reação dos associados da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em relação a um presidente aventureiro e irresponsável.

Estão se dando conta de que a destituição de uma presidente legitimamente eleita – mesmo com todos seus erros – e a tentativa de destruição de um partido político, desequilibraram todo o sistema político institucional do país, eliminaram os amortecedores para a Lava Jato, permitindo a maior destruição de riquezas da história. E abrem espaço para que um poder maior se apresente. Vestindo coturnos.

Enfim, começa a nascer uma consciência de que a radicalização levará a uma situação insustentável. O que significa que o ciclo Lava Jato bateu no teto e começa a refluir. A incógnita é o ritmo em que se dará essa volta à racionalidade, sem soar como perdão aos corruptos.

São os primeiros indícios, por enquanto. A ojeriza em relação a Dilma, que se apossou do empresariado, ainda é um obstáculo relevante para as propostas de pacto nacional.

E há os grupos de interesse para manter o status quo penal.

Cena 4 – os fatores de resistência: o MPF

O primeiro grande fator de resistência é a própria Lava Jato e a Procuradoria Geral da República. No início, não se bicavam. Depois, quando o PGR Rodrigo Janot abandonou definitivamente o barco de Dilma Rousseff, se deu conta que precisava da Lava Jato para preservar sua influência na PGR. Hoje, a Lava Jato conduz e Janot é conduzido. Mas ambos tocam a mesma partitura.

Como cada PGR tem o poder de indicar uma boa quantidade de procuradores para cargos de confiança, a mudança do Procurador Geral significaria a substituição de todos os procuradores que atualmente ocupam cargos de confiança. Cria-se uma solidariedade em torno de interesses do grupo, que acaba alimentando a radicalização e contaminando toda ação da PGR.

Na medida em que pressentem o fim do ciclo, observa-se a perda de rumo nítida, cujo ponto de ruptura foi a vingança do juiz Sérgio Moro contra o blogueiro Eduardo Guimarães. E toca a criar fatos em cima de fatos, lutando contra a banalização do escândalo nesses tempos de redes sociais e jornalismo online.

Ontem, quase com certeza a PGR vazou para o Estadão os tais inquéritos sigilosos do Ministro Facchin. Depois, virão as delações da OAS e Andrade Gutierrez, a de Antônio Palocci. Hoje, a notícia do pedido de prisão de Cláudia Cruz visando pressionar o marido Eduardo Cunha a abrir o bico.

Não tenho a menor simpatia por Cunha, acompanho e denuncio sua história de corrupção desde o governo Collor, sou alvo de três ações judiciais dele. Mas, convenhamos, o método empregado pela Lava Jato é o mesmo dos torturadores. Aceitar essa atitude é convalidar a posição do TRF4 e do inacreditável Ministro Luís Roberto Barroso, hoje o principal apologista do obscurantismo legal.

O problema é que cada vazamento produz um estrondo que é abafado, no decorrer da semana, por outros fatos, dentro da rapidez que caracteriza esses tempos de jornalismo online. Então há a necessidade de produzir cada vez mais fatos, comprometendo cada vez mais a imagem do MPF e abreviando o ciclo punitivo.

Após a bomba atômica irresponsável dos inquéritos vazados da tal lista de Janot, tudo o que vier depois é track.

Por outro lado, a irresponsabilidade de Janot nos vazamentos deu coragem para o Senado acelerar a aprovação do projeto de lei contra os abusos do Judiciário. E de autoria de um senador, Roberto Requião, imune a ameaças e chantagens.

A reação dos procuradores da Lava Jato, insuflando a opinião pública contra o Senado, é típica desses ianques na corte das celebridades, que não conseguem pensar estrategicamente o dia seguinte, limitando-se a descarregar automaticamente o trabuco em qualquer vulto que passe na porta do saloon.

Sua ação contra o Senado é uma desmoralização não do Senado, mas dos órgãos superiores do próprio Ministério Público, expondo de maneira ostensiva a falta de instrumentos internos de controle tanto do Conselho Superior do MPF quanto do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). O MPF cindiu-se em vários coletivos atuando autonomamente, sem nenhuma forma de supervisão interna.

 Que corporação resiste a uma indisciplina dessa grandeza? Em algum momento, os conselhos superiores terão que interromper essa escalada irresponsável de Janot. Cada demonstração de força, cada vazamento é um prego a mais no caixão da autonomia do MPF.

A atual geração de procuradores já carregará, para sempre, a mancha de ter sido responsável por um estupro da Constituição. Arrisca-se a ser responsabilizada, no futuro, pelo fim da autonomia do Ministério Público.

De qualquer modo, a aprovação da Lei Anti-Abuso colocará um pouco de ordem na gafieira, obrigando juízes e procuradores a falar apenas nos autos.

Peça 5 – os fatores de resistência: a rede Globo

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O fator de resistência maior, no entanto, continua sendo a Globo.

Na mídia, Veja e Folha, mesmo mantendo a postura agressiva com o PT, começam a emergir do pesadelo em que se meteram, quando aboliram qualquer veleidade de princípios jornalísticos para exercitar o pior jornalismo de esgoto que o país testemunhou desde os anos 50. Até a Época refluiu na competição por escândalos com a Veja.

Nesses anos todo, a Globo emergiu como a maior vencedora, conduzida pelo talento – reconheça-se – de Ali Kamel. Esqueçam Noblat, Merval, Mirian e bancada da Globonews. A orquestra é comandada com mão de ferro por Kamel, que impõe a partitura, o andamento, o espaço para o solo de cada um, errando muito pouco no período.

Escrevi certa vez que a Globo era a maior não apenas pelo tamanho, mas pela visão estratégica.

Nesses anos de chumbo, o trabalho sujo era realizado preferencialmente pela Veja e Folha, um pouco pelo Estadão. A Globo limitava-se a repercutir no Jornal Nacional, preservando não a isenção, mas ao menos a qualidade jornalística.

 

Enquanto todos os grupos jornalísticos experimentavam profundo desgaste, e se esfalfavam disputando o mesmo público de ultradireita, perdendo o leitor mais qualificado, sem a menor visão de estratégia comercial – como a da Folha nos anos 80, jogando no contra-fluxo – a Globo se apropriou de fatias cada vez maiores do bolo publicitário e se tornou, de longe, a maior influência jornalística, inclusive no meio dos leitores mais qualificados.

A grande incógnita é saber o que ela quer. Levar o país a uma situação insustentável? Convalidar a parceria cada vez mais estreita entre a Lava Jato e movimentos de ultra-direita, como o MBL (Movimento Brasil Livre)? Expor ainda mais seus superpoderes? À medida em que Abril, Folha e Estado definham, aumenta exponencialmente a sensação do poder absoluto do grupo.

Para onde a Globo for, ela arrastará parte do Ministério Público e alguns Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), como Luís Roberto Barroso, cuja visão de mundo tem a profundidade de um programa de debates entre jornalistas da Globonews.

Até o momento, ela continua firmemente empenhada no jornalismo de guerra.

Peça 6– fora Temer!

O primeiro passo para um ensaio de reconciliação, que permita eleições livres em 2018, e a diluição da guerra fratricida atual, será a saída do esquema Temer do poder.

Qualquer coisa é melhor, um governo de transição, um sucessor anódino ou ativo. A manutenção da camarilha de Temer, a esta altura, é irresponsabilidade geral.

No período do impeachment, o Supremo recusou-se a analisar o mérito da posse, alegando que não havia o chamado periculum in mora, os riscos advindos de uma decisão tardia.

Agora se tem um quadro nítido, não apenas de um governo não eleito impondo uma agenda rejeitada pela maioria dos eleitores, mas um assalto escancarado ao país, sendo abertamente negociado no Congresso e nas estatais e um país partido ao meio, jogando fora o grande avanço político das últimas décadas, que foi a incorporação dos movimentos sociais ao quadro institucional.

Há duas maneiras de extirpar o país do esquema Temer.

Uma delas seria o Supremo acolher a manifestação de José Eduardo Cardoso, incluindo a admissão de Temer na entrevista à TV Bandeirantes, de que a abertura do processo de impeachment foi um ato de vingança de Eduardo Cunha.

A segunda, o julgamento pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em vez de pressionar para aprovar medidas que colocam fogo no país, se poderia aproveitar a fragilidade do Congresso para objetivos mais nobres do que as possíveis chantagens da PGR com sua lista infinita e poder de escolher que será processado. Por exemplo, impor a reforma política.

No pé do post há duas entrevistas importantes sobre o tema, com Aldo Arantes, do Comitê de Mobilização pela Reforma Política, e o procurador da República Augusto Aras, especialista no tema.

Os pontos centrais da reforma são:

  1. A instituição de barreiras de entrada, para impedir a proliferação de aventureiros.
  2. Regras claras de democratização dos partidos, acabando com as comissões provisórias, que controlam a maioria absoluta dos diretórios municipais.
  3. Proibição de coligações proporcionais e de comercialização do tempo de televisão.
  4. Só então, instituir a lista fechada.

Peça 7 – o pacto Lula-FHC

O passo seguinte será a definição de alguma forma de acordo entre Lula e Fernando Henrique Cardoso.

Lula terá o desafio de reunificar parte das esquerdas e movimentos sociais. FHC, o desafio de desarmar a direita e, principalmente, de abrir os olhos da TV Globo para a boca de jacaré que está se abrindo na opinião pública.

A parte mais aguerrida do PT foi afastada com o mensalão. Os templários do PSDB – Serra, Aécio, Aloysio -, com a Lava Jato.

Esse movimento de aproximação é previsível, mas ainda não se deu. A Folha prestou um desserviço supondo um pacto que ainda não houve.

Hoje, em Lisboa, FHC deu um passo graúdo, ao defender a legitimidade do voto como fator essencial de recuperação da credibilidade da política.

É um início tênue, mas um sinal sólido de que está se chegando ao fundo do poço. E o país só reage quando confrontado com o precipício.

LUIGI FERRAJOLI, JURISTA DE REPUTAÇÃO MUNDIAL, CONDENA ABUSOS DA LAVA JATO EM PALESTRA

Luigi Ferrajoli, jurista de reputação mundial, condena abusos da Lava Jato em palestra

Luigi Ferrajoli, um dos juristas de maior reconhecimento no mundo, denunciou de forma dura os métodos da Operação Lava Jato capitaneada pelo Juiz Federal Sérgio Moro como um processo de perseguição e espetacularização midiática. Ferrajoli ainda denunciou a fragilidade jurídica do processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff do poder, relacionando-o com a Operação em curso em Curitiba e, também, falou sobre como o populismo jurídico tem sido um grave problema para as democracias liberais.

A fala do jurista ocorreu neste mês no Parlamento italiano na capital, Roma. Ao lado de Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, advogados do ex-presidente, Ferrajoli afirmou que o constitucionalismo brasileiro é um dos mais avançados do mundo, mas falhou em não impedir o crescimento da onda de populismo jurídico crescente no país que impulsionou tanto a Operação Lava Jato, quanto o Impeachment.

O curioso é que Luigi Ferrajoli é um dos teóricos citados com bastante frequência pelos Procuradores da República e pelo Juiz Federal Sérgio Moro nos processos da Operação Lava Jato. No entanto, apesar da deferência atribuída a ele, isso não obstou duras críticas às violações cometidas no processo – “podemos notar singulares violações, como a difusão e a publicação das interceptações promovidas pelo próprio juiz instrutor e traços típicos de impedimento. (…) Esta confusão entre acusação e justiça é o primeiro traço do impedimento [de Moro]. O andamento de mão única do processo, que não tem parte contraditória e possui apenas uma pessoa que acusa e julga”. 

Para o jurista, Moro é impedido de julgar pois não se comporta como um juiz, mas como um acusador – “Impressionante traço [de impedimento de Moro] é o que está provocando esta demonização pública do Lula. A espetacularização do processo, o fato do juiz Sérgio Moro ou do Ministério Público ir à televisão para falar deste processo, promover coletivas de imprensa e acusações externas a série documental do processo do investigado. Isso tudo constitui, em outras palavras, na criação da figura do inimigo” – afirmou. 

Existe uma forma horrenda de populismo, que não é o populismo político, mas o populismo judiciário. E esse [da Lava Jato] pode representar um perigo para a cultura jurídica, que deve ficar atenta de maneira alarmante para proteger a própria jurisdição e a credibilidade do direito.

– Luigi Ferrajoli, em palestra no Parlamento da Itália.

Ferrajoli ainda sustentou que, na sua visão, a Operação tem servido como instrumento para inviabilizar o ex-presidente politicamente com vistas para a próxima eleição de 2018 – “Acredito que o verdadeiro sentido político desta história é uma Operação que tenta desabilitar Lula de se lançar candidato à próxima eleição presidencial”. 

O jurista afirmou que o populismo judicial tem contribuído para a crise das democracias mundiais e isso deveria criar a preocupação não apenas de quem se opõe ao autoritarismo jurídico, como também dos liberais que no Brasil se viram no campo de intensos apoiadores no início da Operação, como também foram entusiastas do processo de impeachment – “nós estamos diante de uma fase geral de crises nas nossas democracias, que se manifestam das maneiras mais diversas. Mas essa é uma crise muito singular que deveria criar alarde, a começar pelos liberais. Também estamos diante de formas mais que intoleráveis de exibicionismo de protagonismo judicial, que contam com o consenso público para legitimar suas ações”.

“Acredito que estamos diante de uma patologia gravíssima, que é essa jurisdição de exceção. Ela é criada majoritariamente pelos abusos, mas provavelmente também porque existem defeitos no sistema processual brasileiro, o qual permite esses abusos. Ou seja, o caráter fortemente inquisitório do processo penal brasileiro” – concluiu.

Impeachment

Na palestra, o doutrinador ainda citou o processo de impeachment na análise da crise institucional brasileira ante os abusos jurídicos. Para ele, não houve motivo para justificar o afastamento de Dilma Rousseff – “O impeachment consiste no processo em que a acusação de subversão democrática é cometida através destes tipos de crime. E aqui não tem nenhuma subversão. A única acusação contra ela [Dilma Rousseff] é de não ter comunicado o banco que gerencia as contas do Brasil e ter, digamos, usado os fundos para um outra determinada despesa além do previsto. Nenhuma dessas duas ilegalidades correspondem a um dos sete tipos de crimes usados para impeachment”.

“Tivemos um impeachment que destituiu um presidente com base em um clamor de desconfiança, porque não houve nenhum processo, nenhum contraditório. É uma lesão gigantesca aos direitos dos cidadãos” – concluiu.

Veja a palestra na íntegra com legenda, a qual está em uma versão primária, mas pode ser compreendida.

 


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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